Icefields Parkway: 232 km da estrada mais bonita do mundo (guia completo)

Todo mundo vai te dizer que essa estrada, conhecida também como Highway 93, é simplesmente algo que você precisa ver com os próprios olhos. Quando percorri a Icefields Parkway pela primeira vez com minha mãe, ficou claro pra mim que eu precisava voltar — sem exagero, é a estrada mais bonita por onde já passei na vida. E foi um dos motivos pelos quais a gente fazia tantas viagens de Banff a Jasper só pra ir ao cinema (mesmo Banff tendo o seu próprio). Curvas que se enrolam sob picos nevados imponentes, lagos turquesa absurdamente coloridos onde você é obrigado a parar porque o cérebro simplesmente não processa aquela tonalidade, e geleiras enormes deslizando das montanhas. A paisagem toda é tão épica que você tem a sensação de estar dentro de um documentário da National Geographic.

Eu sei, eu sei — a internet está cheia de guias sobre a Icefields Parkway. Mas nenhum deles vai te levar por essa estrada com tanto detalhe quanto o nosso. 😁 Todas as paradas, das mais famosas até aquelas onde o Lukáš e eu ficamos completamente sozinhos. Hospedagem, gasolina, multidões, trilhas, o que ficar de olho — e por que ficamos um pouco decepcionados com o Snocoach. Você vai ver que esses 232 quilômetros tranquilamente tomam um dia inteiro, e mesmo assim você vai querer mais. ☺️

Lukáš na estrada com álamos amarelos de outono e montanhas ao fundo
Lukáš na estrada com álamos amarelos de outono e montanhas ao fundo

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Onde fica: A Highway 93 (Icefields Parkway) conecta os parques nacionais canadenses de Banff e Jasper, na província de Alberta.
  • Distância e tempo: São 232 quilômetros. O trajeto em si leva cerca de 3 horas, mas com mirantes e trilhas reserve o dia inteiro (idealmente de 8 a 10 horas).
  • Regra básica: Não há sinal de celular na maior parte do trajeto e existe apenas um único posto de gasolina em toda a estrada, com preços absurdamente altos. Abasteça o tanque cheio em Banff ou em Jasper antes de sair.
  • Animais: Você está em “bear country” — território de ursos. O bear spray (spray repelente de ursos) é absolutamente essencial, mesmo que você só vá até um mirante rápido.
  • Os melhores pontos da rota: O turquesa do Peyto Lake, as poderosas Cataratas Athabasca, a imponente Geleira Athabasca e nossa trilha favorita, a Wilcox Pass, onde você com certeza vai encontrar ovelhas-da-montanha.
A pirâmide do Monte Chephren refletida na superfície calma dos Waterfowl Lakes
A pirâmide do Monte Chephren refletida na superfície calma dos Waterfowl Lakes
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Quando ir e como se orientar na Icefields Parkway

A Highway 93 Icefields Parkway está aberta o ano todo, mas se você quer curtir todas as trilhas e ver os lagos naquela cor turquesa mais intensa, planeje sua visita definitivamente para os meses de verão do hemisfério norte. Mesmo assim, esteja preparado: as Montanhas Rochosas canadenses têm suas próprias regras e o tempo muda em questão de minutos. O sol pode virar chuva pesada em dez minutos, e a gente logo aprendeu que ter uma capa de chuva à mão é o básico do básico para qualquer passeio por aqui.

A melhor época para visitar é de final de junho ao início de setembro. Mas tem um aviso importante, porque a gente viveu isso na própria pele: mesmo no meio de julho você pode ser surpreendido por uma nevasca. Em uma das nossas viagens de road trip no verão, tivemos dias em que acordamos cedo raspando gelo das janelas da nossa amada Chiquita com os dentes batendo de frio, e na mesma tarde ficamos suados de calor na beira de um lago procurando um pedacinho de sombra. O Lukáš e eu adotamos de vez o sistema de camadas de roupa, porque sem ele simplesmente não dá. Pneus de inverno são obrigatórios de novembro a abril, e no inverno a estrada frequentemente fecha por risco de avalanches — as condições só são adequadas para motoristas muito experientes e acostumados com tempestades de montanha imprevisíveis.

Mais uma coisa que não pode ser esquecida: toda a estrada fica dentro de parques nacionais, então sem o passe de entrada válido a guarita não vai te deixar passar. A conferência acontece logo na entrada após Lake Louise ou após Jasper, e você pode adquirir o passe com antecedência pelo site oficial do Parks Canada. Como não há sinal de celular em toda a extensão da estrada, recomendo muito baixar mapas offline no celular (muita gente pesquisa “icefields parkway google maps offline”) ou baixar o “icefields parkway map pdf” diretamente no site dos parques nacionais canadenses, para saber exatamente em que quilômetro parar — mesmo sem internet.

Onde se hospedar e quanto custa

Encontrar hospedagem diretamente na Icefields Parkway é bem difícil, já que você está no meio de uma área selvagem protegida e as construções comerciais são mínimas. A maioria das pessoas resolve isso saindo bem cedo de Lake Louise (ou de Banff) e chegando até Jasper no final do dia para dormir. Por experiência própria, é a opção mais sensata — a menos que você durma no carro ou em barraca, como a gente fazia.

Se você está viajando com carro alugado e procurando hotéis, prepare-se para preços bem salgados. As Montanhas Rochosas canadenses são um destino caro, e na alta temporada de verão os preços chegam facilmente a 200–320 € por noite para duas pessoas. É o preço de tanta beleza ao redor — vale levar isso em conta já no planejamento do orçamento.

Dicas de hospedagem na rota e arredores:

  • Na própria rota: As opções são bem poucas. Uma delas é o The Crossing Resort, mais ou menos na metade do caminho, perto do posto de gasolina — bem prático para quando você já está cansado de dirigir. A opção mais luxuosa é o Glacier View Lodge, bem na frente da Columbia Icefield — você paga bem mais, mas acorda com vista espetacular diretamente para a geleira.
  • Em Lake Louise (ponto de partida): Uma ótima pedida é o histórico e belíssimo Fairmont Chateau Lake Louise para quem quer se jogar no luxo, ou o mais acessível Mountaineer Lodge.
  • Em Jasper (destino final): No destino final a escolha é bem maior. Uma hospedagem muito agradável com atmosfera aconchegante de chalés fica no Becker’s Chalets, à beira do rio — à noite você adormesce ouvindo a água correr.

Se você vai acampar como a gente fazia, ao longo da rota existem alguns campings do tipo “primeiro a chegar, primeiro a ser atendido” (como o popular Waterfowl Lakes Campground ou o charmoso Wilcox Creek). Isso significa que quem chega primeiro garante o lugar — não tem reserva antecipada, mesmo que o sistema dos parques canadenses adore reservas em geral. Na prática, na alta temporada, o ideal é estar no camping antes das 14h, senão a chance de não encontrar vaga é grande — e ficar sem lugar no meio da natureza sem sinal de celular pode ser bem estressante.

O preço de um desses campings rústicos na natureza (só banheiro seco, fogueira e lenha) fica em torno de 16 a 20 CAD (cerca de 11 a 14 €) por noite. Me lembro de prender a respiração quando um alce enorme passou pertinho da nossa van em um desses campings. É romantismo puro — só não esqueça de guardar toda a comida e qualquer produto perfumado dentro do carro ou nos contêineres anti-urso à noite, porque ursos têm um faro incrível e você definitivamente não quer dividi-los no café da manhã. As regras de campismo estão bem explicadas no site oficial do Parque Nacional de Banff.

Icefields Parkway: 14 paradas que você não pode perder

Vamos juntos pelo roteiro de paradas, no sentido sul-norte — de Lake Louise em direção a Jasper. É exatamente assim que a grande maioria dos turistas faz o percurso, e faz todo o sentido em relação ao sol: saindo de manhã cedo, você não tem o sol batendo de frente e as fotos ficam muito melhores. Prepare a câmera, faça um café na garrafa térmica e certifique-se de que o tanque está cheio — vamos nessa. Em cada parada indico o quilômetro aproximado a partir da cancela de entrada em Lake Louise, para você se orientar mesmo sem internet.

1. Crowfoot Glacier (km 33)

Logo no quilômetro 33, a primeira parada que nos deteve foi a vista para a Crowfoot Glacier, uma geleira em formato de pata de corvo. Dá pra estacionar direto na beira da estrada, então nem é preciso sair do carro — apesar de que, claro, você vai querer sair. A geleira recebeu esse nome porque antigamente tinha três grandes línguas de gelo que lembravam muito as garras de um corvo enfiadas na rocha.

Crowfoot Glacier sobre o Bow Lake com almofada nanoSPACE na grama
Crowfoot Glacier sobre o Bow Lake com almofada nanoSPACE na grama

Infelizmente o aquecimento global deixou marcas profundas nela: o “dedo” mais baixo já derreteu e desapareceu para sempre. Olhar para aquela rocha exposta tem um certo peso, porque você vê a natureza mudando ao vivo e a cores. Mesmo assim, é uma primeira prova fantástica do que esse road trip pelas geleiras tem a oferecer. Costuma ventar bastante por conta do Lago Hector, que fica logo abaixo no vale, então já separe uma jaqueta corta-vento para essa primeira parada.

2. Bow Lake e Num-Ti-Jah Lodge (km 39)

Poucos quilômetros adiante você chega ao Bow Lake, um dos maiores e, na minha opinião, mais lindos lagos de toda a rota. A água é tão inacreditavelmente azul e gelada que mesmo no verão, ao molhar só as pontas dos dedos, você sente a mão entorpecer na hora. No fundo, a imponente Bow Glacier se levanta majestosa — é ela que dá ao lago essa cor turquesa cheia de “farinha glacial” — criando uma cena que parece recortada de um cartão postal que você secretamente inveja no Instagram de todo mundo.

Lukáš e Lucie sentados de costas à beira do Bow Lake na Icefields Parkway
Lukáš e Lucie sentados de costas à beira do Bow Lake na Icefields Parkway

Na margem do lago fica o icônico Num-Ti-Jah Lodge, um casarão de madeira com seu telhado vermelho característico que contrasta lindamente com o azul da água. Foi fundado pelo lendário guia de montanha Jimmy Simpson no início do século XX e respira uma atmosfera genuína de aventura dos tempos antigos. É o lugar perfeito para uma caminhada curta pela beira da água e para tirar fotos incríveis com as montanhas refletidas na superfície. Se você tiver mais tempo e pique para uma trilha de verdade, daqui sai um percurso de uns 9 km até as cachoeiras no sopé da própria geleira, mas a maioria das pessoas fica uns 30 minutos aqui e segue em frente para a próxima aventura. (Falamos mais sobre os lagos da região no nosso guia sobre Lake Louise.)

3. Peyto Lake do mirante Bow Summit (km 40)

Essa é a parada clássica que você simplesmente não pode pular, mesmo sendo um ponto muito disputado pelos turistas. ☺️ O Peyto Lake provavelmente é o lago mais fotografado de toda a rota — e quando você olha lá de cima do mirante, entende imediatamente o porquê. Ele tem o formato perfeito de uma cabeça de lobo (ou de cachorro, como o Lukáš insiste em dizer) e a cor turquesa neon que emana é tão vibrante que parece quase irreal. A gente ficou lá em cima de mãos dadas olhando em silêncio, porque aquela vista simplesmente te desarma.

Peyto Lake
Peyto Lake no Parque Nacional de Banff

Do grande estacionamento no Bow Summit — que é, aliás, o ponto mais alto de toda a estrada, a 2.067 m de altitude — você enfrenta uma subida curta mas bem íngreme até a plataforma de observação de madeira, uns dez minutos de caminhada rápida. Por ser um dos maiores ímãs turísticos da rota, a plataforma costuma estar tomada por ônibus de excursão no verão e você ouve dezenas de idiomas diferentes ao mesmo tempo. A gente resolveu isso do jeito esperto: caminhou um pouco mais adiante por uma trilhinha discreta na mata e, como num passe de mágica, as multidões sumiram — e tínhamos o lago do lobo todo pra nós, para fotografar com toda a calma do mundo.

4. Mistaya Canyon (km 71)

Depois de mais uns trinta minutos de direção tranquila, vale muito a pena parar no Canyon Mistaya. De um estacionamento simples e sem muita indicação, uma trilha curta desce pelo bosque até o rio — menos de quinze minutos de caminhada tranquila. De repente, abre-se diante de você uma fenda estreita e profunda na rocha, por onde um rio glacial corre com uma força absurda, esculpindo formas lisas e arredondadas no calcário claro que parecem esculturas de arte moderna.

O estreito Canyon Mistaya com o rio turquesa espumante
O estreito Canyon Mistaya com o rio turquesa espumante

O estrondo da água selvagem é tão ensurdecedor que você mal consegue ouvir a pessoa ao lado mesmo gritando. Mas cuidado redobrado: não se aproxime da borda das rochas molhadas e escorregadias, e jamais tente cruzar as grades de proteção em busca de uma foto melhor. A água aqui é rápida e gelada demais — numa queda, não haveria a menor chance de sobrevivência. Ainda assim, é uma visão fascinante da força bruta da natureza canadense, e a gente ficou sentado num pedregulho seguro por um bom tempo só observando.

5. Saskatchewan Crossing (km 77): A parada prática

Esse ponto não é exatamente uma atração natural, mas sim um marco absolutamente essencial: é onde a Highway 93 cruza com a estrada número 11. Saskatchewan Crossing é o único lugar em todos os 232 quilômetros onde você pode abastecer o carro, usar um banheiro de verdade com descarga no restaurante ou comprar algo quente para comer. É uma pequena ilha de civilização em meio à floresta de coníferas sem fim, onde todo mundo para para respirar um pouco.

Lukáš na estrada com álamos amarelos de outono e montanhas ao fundo
Lukáš na estrada com álamos amarelos de outono e montanhas ao fundo

Tem um aviso honesto aqui, porém: os preços de absolutamente tudo — especialmente da gasolina — são astronômicos. Os donos do posto sabem muito bem que um turista desesperado com o tanque vazio paga qualquer coisa para não ficar parado no meio do mato cheio de ursos, então o litro de combustível aqui facilmente chega a custar o dobro do que nas cidades. Por isso a gente já te avisou lá no começo: abasteça cheio em Banff. Nós paramos aqui em 2017 só para tomar um café caro na garrafa térmica, absorver aquele clima de posto de gasolina no fim do mundo, e voltamos logo para as montanhas.

6. Weeping Wall (km 106)

A “Parede que Chora” — Weeping Wall — é uma enorme parede de calcário da montanha Cirrus que, na primavera e no início do verão com o degelo, escorre tantas cascatas que a rocha parece literalmente chorar por dezenas de olhos ao mesmo tempo, e você tem essa vista direto da janela do carro. Essas lágrimas d’água deslizam pela pedra cinza formando uma rede de fiapos de água que, quando o sol bate, criam pequenos arco-íris por toda a extensão da parede.

Weeping Wall na Icefields Parkway
Weeping Wall na Icefields Parkway (Foto: Ethan Sahagun / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

No verão é uma parada bonita e rápida, mas a mágica de verdade — e um certo toque de loucura — acontece no inverno. Quando todos esses fiapos de água congelam fundo e formam imensos órgãos de gelo, a parede vira uma famosa pista de escalada em gelo, e alpinistas de todo o mundo chegam com picaretas nas mãos para testar seus limites. No verão, pelo menos você aproveita o frescor agradável que vem de lá para se refrescar por uns instantes.

7. Big Bend e o mirante do topo (km 115)

Logo depois da Weeping Wall, a estrada começa a subir de forma implacável e se enrola em uma curva gigante em forma de U, chamada Big Bend. Lembro bem de como nossa querida van velha, a Chiquita, bufava na segunda marcha nessa subida brutal, enquanto o Lukáš e eu ficávamos em silêncio absoluto de olho no ponteiro de temperatura do motor, torcendo para que o coitado aguentasse sem soltar fumaça pelo capô. 😅

Mirante Big Bend na Icefields Parkway
Mirante Big Bend na Icefields Parkway (Foto: HandsLive / Wikimedia Commons, CC BY 2.0)

Assim que você vence essa curva interminável e o motor finalmente respira, aparece à direita uma pequena saída para um estacionamento com mirante. Pare com certeza. A vista de volta para o amplo vale do Rio Saskatchewan, com suas florestas profundas emolduradas por paredões rochosos íngremes, é exatamente o tipo de cena que faz as pessoas pesquisarem se essa viagem “vale a pena”. Vale — e muito. Aqui você tira algumas das melhores panorâmicas de todo o passeio.

8. Trilha Parker Ridge (km 120)

Parker Ridge é exatamente o tipo de trilha que te faz pensar “por que não vim aqui por uma semana inteira?”. Se você tiver tempo e vontade de desentorpecer as pernas depois de tanto tempo atrás do volante, essa é uma escolha absolutamente incrível. São cerca de 5 km de ida e volta com cerca de 250 metros de altitude — a trilha sobe de forma bem íngreme por ziguezagues e logo ultrapassa a linha da floresta, abrindo vistas espetaculares. No final, o prêmio é de cair o queixo.

Parker Ridge
Vista do Parker Ridge para a Saskatchewan Glacier

Quando você finalmente cruza o topo da crista, o vento frio bate na sua cara e de repente se abre diante de você uma vista panorâmica deslumbrante para a Saskatchewan Glacier, a maior língua de gelo das Rochosas canadenses. Para essa trilha você vai precisar de bons tênis ou botas de trekking, já que mesmo no meio de julho costuma ter campos de neve traiçoeiros que escorregam feio. A gente não abre mão das nossas botas de trilha de qualidade, que já nos salvaram em muitas situações parecidas no Canadá.

9. Columbia Icefield e Athabasca Glacier (km 127)

Esse é o coração pulsante de toda a Icefields Parkway. O Columbia Icefield é um campo de gelo enorme cuja área dizem ser equivalente à cidade de Vancouver inteira, e que alimenta rios que correm para três oceanos diferentes. Na época, eu não conseguia dimensionar esse número — mas quando você está lá e olha em todas as direções, a sensação de infinito faz sentido instantaneamente. O que dá para ver da estrada é “apenas” uma de suas línguas, a famosa Geleira Athabasca. Aqui também fica o centro de visitantes principal, onde depois de uma tarde ventosa você pode tomar uma sopa quente, comprar meias térmicas e usar o único Wi-Fi da região. Mais informações sobre as atividades disponíveis no site oficial do Columbia Icefield.

Athabasca Glacier e Columbia Icefield com um pelúcia em primeiro plano
Athabasca Glacier e Columbia Icefield com um pelúcia em primeiro plano

É também aqui que se vendem os ingressos para o famoso “Snocoach” ou Ice Explorer — ônibus gigantescos com rodas monstruosas que te levam direto para cima da geleira, onde você pode caminhar no gelo por cerca de 20 minutos junto com dezenas de outras pessoas. O ingresso custa em torno de 119 CAD (cerca de 82 €) por pessoa. Mas vou ser honesta: pra nós foi um pouco decepcionante — mais uma armadilha turística do que uma experiência genuína, e as multidões com câmeras na mão são realmente enormes. O Lukáš e eu concordamos que a experiência mais autêntica e emocionante da natureza selvagem você tem caminhando de graça até a frente da geleira a pé (basta estacionar no estacionamento de baixo e subir cerca de 1 km pela trilha íngreme) — só não entre no gelo azul propriamente dito sem um guia de montanha, pois as fissuras são extremamente perigosas.

lukas a lucka
Lukáš e Lucie recomendam
Onde se hospedar na Icefields Parkway
6 acomodações — hotéis com spa, campings e outras opções de hospedagem
⭐ MELHOR ESCOLHA 🏨 Hotel
The Crossing Resort
Acomodação prática aproximadamente no meio do caminho no posto de gasolina Saskatchewan River Crossing, ideal quando você está cansado de dirigir.
★★★★ Verificar preços
Verificar disponibilidade
⭐ Luxury
Glacier View Lodge
Acomodação mais luxuosa direto na geleira Columbia Icefield, onde você paga bem mais caro, mas experimenta vistas espetaculares do quarto diretamente para as massas de gelo.
★★★★ Verificar preços
Verificar disponibilidade
⭐ Luxury
Fairmont Chateau Lake Louise
Hotel lindo e histórico se você quer se dar ao luxo e desfrutar de conforto perfeito. Ponto de partida ideal para a Icefields Parkway.
★★★★ Verificar preços
Verificar disponibilidade
🏨 Hotel
Mountaineer Lodge
Acomodação com preço mais acessível em Lake Louise, adequada como ponto de partida para a viagem pela Icefields Parkway.
★★★★ Verificar preços
Verificar disponibilidade
🏡 Chalets
Becker’s Chalets
Acomodação muito agradável com atmosfera aconchegante de chalés bem ao lado do rio em Jasper, onde à noite você ouve perfeitamente o som da água. Destino ideal após a viagem pela Icefields Parkway.
★★★★ Verificar preços
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⛺ Camping
Waterfowl Lakes Campground
Camping popular no trajeto da Icefields Parkway com sistema por ordem de chegada. Lindo lugar natural sem serviços, apenas banheiro seco, fogueira e lenha.
★★★★ a partir de €11/noite
Verificar disponibilidade

10. Trilha Wilcox Pass: melhor que o Skywalk (km 127)

Se você quer a melhor vista possível para a Geleira Athabasca e toda a extensão do Columbia Icefield, esqueça por um momento as atrações comerciais caras e venha com a gente para a trilha Wilcox Pass. O estacionamento pequeno fica escondido bem na beira da estrada, logo antes do centro de visitantes. São cerca de 8 km de circuito (ida e volta) que, num ritmo tranquilo, levam de 3 a 4 horas, com um ganho de altitude de cerca de 400 metros — dá para suar um pouco.

Vista do Wilcox Pass para as montanhas com pelúcia na tundra alpina
Vista do Wilcox Pass para as montanhas com pelúcia na tundra alpina

Para nós, essa é disparado a trilha favorita de toda essa região e a gente fala dela até hoje. A trilha pela floresta te leva suavemente até imensos prados alpinos de um verde intenso lá no alto. Você pode sentar nas famosas cadeiras vermelhas do Parks Canada, abrir o lanche, e tem toda aquela área branca das geleiras bem na sua frente, numa perspectiva de voo de pássaro incrível. E o melhor de tudo? Você quase sempre encontra manadas de bighorn sheep (carneiros-da-montanha) pastando por ali com toda a calma, te olhando com curiosidade. É uma experiência canadense autêntica que não custa um centavo a mais — e que deixa qualquer mirante comercial no chinelo.

11. Glacier Skywalk (km 135)

Alguns quilômetros adiante fica o Glacier Skywalk, uma passarela de vidro em formato de ferradura projetada sobre o vale do rio Sunwapta. O ingresso custa em torno de 39 CAD (cerca de 27 €) e você só chega até lá de ônibus a partir do centro de visitantes — carros próprios não têm acesso. Para quem curte arquitetura moderna, um toque de adrenalina e quer olhar pelo piso de vidro transparente para 280 metros de abismo logo abaixo, é com certeza uma experiência e tanto — e muita gente sente os joelhos falharem.

Glacier Skywalk perto do Columbia Icefield
Glacier Skywalk perto do Columbia Icefield (Foto: Jack Borno / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0)

Se você acabou de descer suado e feliz da trilha Wilcox Pass, porém, eu pularia o Skywalk sem remorso. As vistas da nossa trilha me pareceram muito mais dramáticas, amplas e, acima de tudo, muito mais naturais do que essa pequena aglomeração numa passarela de vidro onde você fica na fila esperando sua vez no corrimão.

12. Sunwapta Falls (km 175)

Enquanto a estrada vai se aproximando de Jasper, a paisagem pela janela começa a mudar sutilmente: as árvores ficam visivelmente mais altas, o ar esquenta um pouco e os vales se abrem ainda mais. Faça uma pausa aqui e visite as Cataratas Sunwapta, lindas e barulhentas, no rio de mesmo nome. A catarata principal, com sua ilhota típica cheia de coníferas no meio do leito do rio, fica a menos de cinco minutos de caminhada do estacionamento — é acessível para todo mundo.

Sunwapta Falls perto da Icefields Parkway
Sunwapta Falls perto da Icefields Parkway (Foto: Ron Cogswell from Arlington, Virginia, USA / Wikimedia Commons, CC BY 2.0)

💡 Dica especial: A maioria dos turistas sai do carro, fotografa a catarata de cima do parapeito e vai embora imediatamente. Por favor, faça um favor enorme a si mesmo e desça pela trilhinha gostosa pela floresta por mais uns 2 km até as Lower Sunwapta Falls. Lá, com 99% de certeza, você vai estar só com o Lukáš — dá para curtir em paz a força mais suave da água caindo e a beleza misteriosa da floresta coberta de musgo ao redor, com cheiro de resina e folhagem úmida no ar.

13. Mirante Goats and Glaciers (km 188)

Essa é uma parada bem discreta à beira da estrada, a uns 40 km de Jasper, que muitos carros simplesmente passam sem nem notar. A estrada aqui acompanha o rio turquesa Athabasca, e uma saída para um pequeno estacionamento de terra leva você em poucos passos até um mirante num barranco íngreme com uma bela vista panorâmica.

Stutfield Glacier visto do mirante Goats and Glaciers
Stutfield Glacier visto do mirante Goats and Glaciers (Foto: BrettA343 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

A areia e a argila dessas falésias são ricas em minerais, funcionando como um imenso lambedor de sal natural — e as cabras-da-montanha se reúnem aqui em manadas regularmente, embora às vezes você não encontre nenhuma. Mas se der sorte e elas estiverem lá com seus casacos brancos característicos e chifrinhos pretos, é um espetáculo à parte. Mesmo que as cabras não apareçam, a vista tranquilizante para o rio largo e o imponente Monte Kerkeslin ao fundo sempre vale a parada para esticar as pernas.

14. Athabasca Falls (km 199)

A última grande parada da rota antes de chegar, finalmente, à cidade de Jasper são as poderosas Cataratas Athabasca. Elas não são lá muito altas — pouco mais de 20 metros —, mas o volume absurdo de água e a força bruta com que ela se comprime por um canal estreito escavado em quartzito durísimo são de tirar o fôlego. Você sente as vibrações nos pés.

Athabasca Falls em Jasper
Athabasca Falls em Jasper (Foto: Ron Cogswell from Arlington, Virginia, USA / Wikimedia Commons, CC BY 2.0)

Ao redor das cataratas há uma rede bastante ampla de caminhos e pontes seguros, então dá para fotografá-las de vários ângulos fantásticos. Mas vale a mesma regra do Canyon Mistaya: jamais, em hipótese alguma, escale as muretinhas de pedra em busca de uma selfie melhor. As rochas são extremamente escorregadias e cair nesse moedor de água seria fatal, sem a menor chance. Fora isso, a atmosfera aqui é simplesmente fantástica: a névoa fina da água voa por toda parte, num dia quente te refresca o rosto de forma deliciosa, e com sol aparecem arco-íris pequenos e grandes sobre o cânion o tempo todo. (Mais dicas sobre o destino final estão no nosso artigo sobre Jasper, Canadá, e você também pode consultar o site oficial do Parque Nacional Jasper.)

Comida e bebida ao longo da estrada

Comida na rota? Bom, como dizer isso com delicadeza: espere o mínimo e saiba que o pouco que existe é caro o suficiente para te deixar com saudade de casa depois. No centro de visitantes do Columbia Icefield dá para comer um hambúrguer com fritas razoável e bem caro em caso de necessidade — o mesmo vale para o restaurante do The Crossing Resort, onde os preços são ainda mais salgados.

A forma mais inteligente — e que deixa mais dinheiro para uma cerveja no final do dia em Jasper — é fazer compras num supermercado no dia anterior e levar tudo na mochila. ☺️

Para onde ir depois

A Icefields Parkway é apenas uma das paradas incríveis de um road trip maior por Alberta e Colúmbia Britânica. Dê uma olhada nos nossos outros artigos:

FAQ — Perguntas frequentes sobre a Icefields Parkway

Reuni aqui as perguntas mais comuns que recebo de leitores planejando uma viagem pela Icefields Parkway. Se faltou alguma coisa, é só me escrever.

Qual é o comprimento da Icefields Parkway e quanto tempo leva para percorrê-la?

A Icefields Parkway (rodovia 93N) tem 232 quilômetros entre Lake Louise e Jasper. Sem paradas, você conseguiria fazer em cerca de 3 horas, mas sinceramente — você perderia tudo pelo qual veio até aqui. Conte com pelo menos um dia inteiro do amanhecer ao anoitecer, idealmente divida o trajeto em dois dias com uma noite em Jasper ou ao longo do caminho.

Preciso de ingresso para o parque nacional?

Sim. A Icefields Parkway passa pelos parques nacionais Banff e Jasper, então você precisa de um ingresso diário válido do Parks Canada (cerca de 11 CAD por pessoa/dia). Se você estiver viajando pelo Canadá por mais tempo, vale a pena comprar o Discovery Pass anual por aproximadamente 75 CAD. Você pode comprar o passe no pedágio em Lake Louise, no centro de visitantes ou online.

Qual é a melhor época para viajar pela Icefields Parkway?

A alta temporada vai de junho ao final de setembro. Em julho e agosto os lagos ficam com aquele azul-turquesa mais intenso e todas as atrações estão abertas, mas também é quando está mais lotado. Meados de setembro até início de outubro são lindos com os lariços dourados e menos gente. No inverno, grande parte da estrada fica fechada por questões de segurança ou extremamente difícil — não recomendo para turistas comuns.

Dá para percorrer a Icefields Parkway sem carro próprio?

Teoricamente sim — existem tours organizados saindo de Banff e Jasper (como Brewster Express ou SunDog Tours), mas eles têm itinerário fixo e paradas curtas. Se você quer conhecer a rota de verdade, um carro alugado é imbatível. Transporte público praticamente não existe por lá.

Tem sinal de celular na Icefields Parkway?

Quase nenhum. Fora de Lake Louise, The Crossing Resort no meio do caminho e Jasper, conte com zero sinal pelos 200 quilômetros inteiros. Baixe mapas offline (Google Maps e Maps.me), contatos e tudo que precisar com antecedência — e se o carro quebrar, saiba que você vai ter que esperar por algum motorista passando.

Onde devo abastecer?

Encha o tanque em Lake Louise ou Banff, o segundo (e último) posto de gasolina na rota fica no The Crossing Resort mais ou menos na metade do caminho. Os preços lá são extremamente altos, então use apenas como rede de segurança. Em Jasper, no final da rota, tem mais postos e os preços já são normais.

Posso encontrar ursos na Icefields Parkway?

Sim, e com bastante frequência! No parque vivem tanto ursos-negros quanto grizzlies. Muitas vezes você pode vê-los pastando bem perto da estrada — nesse caso, nunca saia do carro, tire fotos pela janela e siga em frente devagar. Se for fazer trilhas, sempre leve spray de urso (bear spray) e faça barulho.

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