Quando se fala em Alasca e no Glacier Bay National Park, a maioria das pessoas imagina aquela cena clássica de vida selvagem, com ursos correndo soltos e enormes blocos de gelo caindo no oceano. Mas preciso te avisar: a realidade do Glacier Bay Alasca é mil vezes mais dramática, mais grandiosa e, convenhamos, bem mais molhada do que você consegue imaginar. ☺️ É o fim do mundo no melhor sentido da expressão — um lugar onde a natureza não dá moleza e você está ali apenas como um visitante muito respeitoso.
O Glacier Bay National Park é um destino para o qual não existe absolutamente nenhuma estrada, e mesmo assim centenas de milhares de pessoas chegam até aqui todo ano para ver com os próprios olhos os gigantes glaciais que estão desaparecendo. A maioria delas a partir do convés de grandes navios de cruzeiro, mas vamos ver também como fazer isso de forma independente e combinar a visita com a incrível cidade histórica de Sitka. Separe agora a roupa quente, as botas de borracha e vamos mergulhar juntos nessa selva alasquiana que vai te deixar com arrepios — e não só por causa do frio. 😁
Aqui você vai encontrar 13 dicas que vão do espetáculo glacial até os santuários de filhotes de urso, passando pelos melhores restaurantes de frutos do mar em Sitka — onde ninguém vai te julgar por aparecer com as botas encharcadas.

Resumo
Se você está com pouco tempo e precisa dos pontos principais antes de mergulhar nos detalhes, preparei este resumo rápido. É um salva-vidas com as informações mais essenciais sobre toda a região, para você já saber o que está te esperando.
- Sem estradas: Não existe estrada para o Glacier Bay nem para Sitka. O acesso é feito exclusivamente por navio de cruzeiro, balsa (Alaska Marine Highway) ou avião de pequeno porte.
- Duas formas de visitar: 95% das pessoas chegam em grandes navios de cruzeiro (sem desembarcar), enquanto os outros 5% optam pela rota independente passando pela vila de Gustavus e Bartlett Cove.
- Principais atrações: As monumentais geleiras de maré (Margerie, Johns Hopkins), que se desprendem com estrondo ensurdecedor no oceano, e uma concentração incrível de fauna selvagem.
- Quando ir: A temporada é muito curta — tudo funciona apenas de maio a setembro. No restante do ano, a região fica praticamente fechada.
- Clima: Prepare-se para uma floresta tropical temperada. Chove em média 230 dias por ano, então capa de chuva de qualidade e botas impermeáveis são absolutamente essenciais.
- Cidade de Sitka: A antiga capital da América Russa, repleta de história, cafeterias charmosas e trilhas incríveis, frequentemente combinada com o Glacier Bay em uma única viagem.
Quando ir e como chegar ao Glacier Bay
Planejar uma viagem ao sudeste do Alasca é um verdadeiro quebra-cabeça logístico, porque o clássico “alugue um carro e vá” simplesmente não se aplica aqui. Vamos ver em que época vale a pena vir e quais são as formas de chegar a este reino de gelo sem precisar nadar.
O sudeste do Alasca funciona num ritmo implacável de estações. A única janela de tempo que faz sentido para visitar é de 1º de maio a 30 de setembro. Preferimos vir no meio do verão, quando os dias são longos e a chance de seus dedos não congelarem é um pouco maior. De outubro a abril, as cidadezinhas entram em hibernação, os hotéis fecham e a baía volta a pertencer completamente à natureza. Se você sonha com aurora boreal, vou te decepcionar: por causa da nebulosidade constante e da latitude mais baixa, ela não aparece por aqui. Para isso, você precisaria ir mais ao norte, para Fairbanks.
Como chegar? Existem basicamente duas opções, e elas definem toda a sua experiência. A primeira, escolhida por 95% dos visitantes, é um cruzeiro em navio de grande porte. Esses navios partem com mais frequência de Seattle ou Vancouver e, em um itinerário de cerca de sete dias, entram no parque nacional por um dia inteiro. O detalhe fundamental é que o navio não ancora em nenhum ponto e você não desembarca em terra firme. Assim que a embarcação cruza os limites do parque, rangers sobem a bordo por meio de uma lancha e passam o restante do dia comentando pelo sistema de som interno tudo o que você está vendo e alertando sobre baleias.
A segunda opção, a que nós — os mais aventureiros — preferimos, é a viagem independente. A porta de entrada é a pequena vila de Gustavus, para onde voam voos comerciais a partir de Juneau, ou para onde chegam as balsas do Alasca. Do aeroporto, uma única estrada asfaltada de catorze quilômetros leva até Bartlett Cove, o único ponto em todo o enorme parque nacional onde você encontra alguma civilização, uma cama e comida quente. Se você já estiver viajando pelo Alasca, procure passagens aéreas baratas no GetYourGuide e em outros buscadores de voos — os trechos entre Juneau, Sitka e Anchorage muitas vezes têm ótimas tarifas.
A viagem até aqui costuma ser feita em um avião pequenininho que pode chacoalhar no vento como uma pipa de papel. Mas a vista lá de cima — florestas intermináveis e fiordes entrelaçados — com certeza vale o estômago um pouquinho apertado. Recomendo muito levar um remédio para enjoo mesmo que você normalmente não precise.
Onde se hospedar e quanto custa tudo isso
Se você não optar pelo cruzeiro — onde a cabine já está incluída no pacote —, vai precisar resolver a hospedagem com muita antecedência. A capacidade hoteleira no sudeste do Alasca é extremamente limitada e, na alta temporada de verão, tudo costuma estar esgotado com facilidade seis meses antes.
🏨 Hotéis recomendados em Gustavus, Alasca
- Luxo: Glacier Bay Lodge
- Intermediário: Annie Mae Lodge Gustavus
- Econômico: Bear Track Inn Gustavus
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Dentro do Glacier Bay National Park existe um único hotel: o Glacier Bay Lodge, em Bartlett Cove. Tem capacidade para pouco mais de cinquenta quartos, então dá para imaginar com que rapidez eles somem. É uma construção linda em madeira, escondida na floresta, de onde partem de manhã cedo os pequenos catamarãs rumo às geleiras. Se o orçamento for bem limitado e você curtir dormir ao ar livre, bem ao lado do hotel fica o Bartlett Cove Campground, onde é possível acampar gratuitamente — mas trailers e motorhomes não são permitidos, e é preciso chegar cedo para garantir um lugar.
Ao acampar na natureza, você pode ser acordado no meio da noite por um crocitar de galhos. A mente vai direto para um urso enorme, mas muitas vezes é só uma raposa muito curiosa. Pode acreditar: acampar nessa selva é uma experiência para a vida toda. Por isso, a maioria dos viajantes independentes combina a visita à baía com uma estadia em Sitka, o centro histórico da região, que oferece uma infraestrutura muito melhor.
Quanto custa se hospedar e viver em Sitka
O Alasca definitivamente não está entre os destinos baratos, e é preciso levar isso em conta no planejamento. Um quarto duplo em um hotel bom, como o Sitka Hotel ou o Westmark Sitka, sai facilmente entre 230 e 320 USD por noite em julho. Os preços da comida também são mais altos, já que tudo precisa ser transportado por navio ou avião.
- Estadia com orçamento intermediário: Uma hospedagem em hotéis como o Aspen Suites Hotel Sitka, em uma estadia de quatro dias incluindo voos domésticos, sai em torno de 1.700 USD por pessoa.
- Alimentação: Um hambúrguer com fritas num bar comum custa entre 20 e 25 USD; um jantar mais elaborado com frutos do mar ultrapassa facilmente 40 USD por pessoa.
- Passeios: O cruzeiro diário no barco pequeno saindo de Bartlett Cove em direção às geleiras custa cerca de 250 USD por pessoa — e, na minha opinião sincera, é o melhor investimento que você pode fazer aqui.
- Aluguel de carro: Usamos comparadores como o Booking.com para reservar acomodações com antecedência. Em Sitka e Gustavus, o carro alugado serve no máximo para percorrer poucos quilômetros — a maioria das pessoas se vira com traslados do hotel ou caminhando.
Honestamente, o orçamento pode estourar bastante se você não tomar cuidado. Para economizar, vale recorrer a vezes aos supermercados locais e preparar um sanduíche simples de salmão para comer num banco à beira do porto. No fim das contas, esses momentos — sentado com um lanche na mão, olhando para o mar — costumam ser os melhores de toda a viagem.
Glacier Bay e Sitka: 13 lugares e experiências que você não pode perder
Ainda me lembro de quando fui pela primeira vez e não consegui dizer uma palavra — o que acontece raramente comigo. 😅 Aqui estão os treze lugares que explicam por quê.
Seja para uma caminhada tranquila pela cidadezinha com um café quentinho na mão, seja para uma expedição intensa rumo às geleiras que estão desaparecendo, uma coisa é certa: cada cantinho dessa selva carrega um encanto silencioso e indescritível que gruda em você e não sai mais.
1. Margerie Glacier (a icônica parede de gelo)
Se você já viu uma foto do Glacier Bay, é bem provável que fosse do Margerie Glacier. É o ícone visual absoluto do parque, com 34 quilômetros de extensão e uma parede de gelo azul e branco que cai no mar com mais de sessenta metros de altura. Toda vez que chegamos até aqui, ficamos em silêncio no convés, contemplando aquela massa imensa.

O fluxo de gelo aqui chega a cerca de 1,8 metro por dia, o que na prática significa uma coisa só: está sempre acontecendo alguma coisa. Como a geleira não repousa no fundo do fiordo, mas numa saliência subaquática, enormes blocos se desprendem com um estrondo ensurdecedor direto nas ondas. Esse processo se chama calving (desprendimento glacial) e é um espetáculo que garante arrepios — porque o som lembra uma tempestade gigantesca ou uma explosão.
Quando um pedaço grande se solta, demora alguns segundos até o som grave chegar até você. É um atraso estranho que te hipnotiza completamente. Sempre preparo uma garrafa térmica enorme de chá quente e fico horas no convés congelando, só para não perder esse momento.
2. Johns Hopkins Glacier (lar dos filhotes de foca)
Essa geleira é a mais rápida de todo o parque, avançando a uma velocidade de quatro metros e meio por dia. Sua superfície é cruzada por listras negras de morainas, fazendo-a parecer uma enorme autoestrada. A especialidade local é o desprendimento subaquático: grandes blocos se soltam nas profundezas e então disparam explosivamente para a superfície como torpedos, o que exige muita atenção dos capitães.

Mas existe ainda outra coisa que torna este lugar absolutamente único. No verão, milhares de focas-comuns se reúnem aqui e usam as placas de gelo flutuante como maternidades seguras. As placas protegem os filhotes recém-nascidos das orcas famintas. Para proteger as fêmeas que estão amamentando, navios de cruzeiro têm estrita proibição de entrada de início de maio até início de setembro — o barulho dos motores poderia afastar as mães, o que seria fatal para os filhotes.
Os visitantes saem daqui com fotos de filhotinhos de foca que parecem pequenas bolas brancas espalhadas pelo gelo. Às vezes eles apenas latem e se chamam comicamente, e o som ecoa bonito pela superfície da água. Não me surpreendo nada que a administração do parque faça tanto esforço para proteger essa creche animal única do mundo exterior.
3. Lamplugh Glacier (gelo de azul intenso)
Enquanto Margerie e Johns Hopkins apostam no drama, o Lamplugh Glacier conquista pela cor incrível. De longe, parece irradiar uma luz neon azul intensa. Esse fenômeno óptico acontece porque, sob enorme pressão, todo o ar é expulso do gelo, e os cristais então absorvem todas as cores do espectro exceto o azul.

Atualmente, o Lamplugh está aterrado, o que significa que não está diretamente na água, mas em terra firme, e a água do mar só banha sua frente em marés muito altas. É um lugar maravilhoso para fotógrafos: em contraste com as montanhas escuras da Fairweather Range, o gelo azul simplesmente brilha na paisagem.
Estávamos na sua frente exatamente no momento em que o sol apareceu por alguns instantes entre nuvens carregadas de chuva e iluminou aquela superfície gelada. Era uma cor que mal consigo descrever — algo entre safira e cristal de gelo com calda azul. Definitivamente traga uma câmera decente, porque o celular simplesmente não captura essa profundidade de cor.
4. Grand Pacific Glacier (o criador discreto da baía)
À primeira vista, você pode achar que essa geleira não vale muito, porque não se parece com as brancas e limpas dos documentários. O Grand Pacific parece mais com uma enorme pedreira de lama, pois a maior parte de sua superfície é coberta por pedras, lama e cascalho. Mas não se deixe enganar pela aparência terrosa: é exatamente esse colosso que escavou todo o Glacier Bay no passado.

Em 1750, ele preenchia toda a baía atual como um único e massivo rio de gelo com mais de um quilômetro de espessura. Em apenas três séculos, recuou incríveis 105 quilômetros para o interior e hoje forma a fronteira entre o Alasca e a Colúmbia Britânica canadense. Você fica na frente dessa enorme parede de barro e fica pensando como algo assim já foi gelo puro. A natureza está reescrevendo os mapas bem diante dos seus olhos.
É fascinante pensar nos primeiros exploradores que chegaram a esses lugares e encontraram a geleira em uma posição completamente diferente da de hoje. Não dá para não refletir sobre a força descomunal que molda e transforma o nosso planeta — e que continua agindo enquanto você está ali parado, observando.
5. Bartlett Cove (o único pedacinho de civilização)
Se você visitar o parque de forma independente a partir de Gustavus, toda a sua vida vai girar em torno da enseada de Bartlett Cove. É um lugar lindo no meio da floresta, onde ficam o centro de visitantes principal, a sede da administração do parque e um excelente café no Glacier Bay Lodge. Sempre tomamos um café quente aqui antes de sair para enfrentar a chuva.

De Bartlett Cove também partem as únicas duas trilhas mantidas em todo o parque. Para um bom passeio, recomendo o Forest Loop Trail. O percurso atravessa uma floresta densa de abetos coberta de musgo macio e samambaias gigantes — você vai se sentir um pouco no Parque dos Dinossauros. Só fique atento: alces e ursos transitam por aqui com naturalidade.
Uma vez estávamos perdidos nos próprios pensamentos quando de repente ouvimos passos pesados e galhos quebrando bem do nosso lado. Era uma alce fêmea que nos ignorou completamente e ficou mascando algumas folhas com toda a calma do mundo. Mesmo assim, a adrenalina subiu, e rapidamente começamos a fazer barulho — conversar alto, bater palmas e até cantar — para avisar a floresta da nossa presença.
6. Observação de baleias jubarte e a técnica da rede de bolhas
O Glacier Bay é um paraíso para baleias por conta da ausência de pesca industrial. Durante o verão, centenas de jubartes chegam vindas das quentes águas do Havaí para se alimentar bastante depois da longa jornada. Com sorte — e nós já tivemos essa sorte algumas vezes —, você presencia a fascinante técnica de caça chamada bubble-net feeding (pesca com rede de bolhas).

O processo funciona assim: várias baleias se coordenam, criam um círculo de bolhas debaixo d’água para aprisionar um cardume enorme numa espécie de cilindro, e então emergem juntas com as bocas escancaradas bem no centro. É uma demonstração absolutamente impressionante de cooperação animal. Na superfície você também verá lontras marinhas, que costumam nadar de costas e usar pedras sobre a barriga para quebrar as mariscos que caçam. São incrivelmente fofas.
Quando uma baleia expira na superfície e lança aquele gêiser enorme de água, vem junto um cheiro característico de peixe que atinge o seu nariz antes mesmo de você ver o animal. Mas o movimento majestoso da nadadeira caudal enquanto o bicho mergulha lentamente de volta para as profundezas é, simplesmente, inesquecível — não importa quantas vezes você veja.
7. Caiaque de mar entre blocos de gelo
Essa é provavelmente a melhor dica para quem gosta de aventura de verdade e não tem medo de se molhar um pouco. O aluguel de caiaque funciona diretamente em Bartlett Cove, e a baía vista de cima da água é completamente diferente de quando você está no convés de um grande navio. De repente você percebe o quanto é pequeno diante daquelas montanhas e geleiras.

O grande hit por aqui é o serviço chamado “camper drop-off”. Na prática, o barco matinal te embarca junto com seu caiaque e sua barraca e te deixa dezenas de quilômetros fundo na selva, entregue ao próprio destino. Você pode então remar por dias entre blocos de gelo flutuante perto do Reid Glacier, dormir em praias desertas e ouvir apenas o sussurro da água e o sopro ocasional de uma baleia. Só não se esqueça de levar botas impermeáveis para trilha e empacotar tudo em sacos à prova d’água — como já disse, aqui chove o tempo todo.
Sentar em um caiaquezinho frágil enquanto blocos de gelo do tamanho de um carro de passeio flutuam ao seu redor exige, às vezes, nervos de aço. Tentar fotografar e remar ao mesmo tempo pode facilmente terminar num mergulho involuntário e gelado. Se topar com o desafio, planeje a rota com cuidado — a recompensa é uma liberdade absoluta que poucas viagens conseguem oferecer.
8. Sitka National Historical Park (floresta cheia de totens)
Quando você sai do Glacier Bay e vai para Sitka — combinação que muitos viajantes fazem naturalmente —, o primeiro destino deve ser o parque histórico local. A entrada é gratuita e oferece uma trilha plana e encantadora de cerca de dois quilômetros por uma floresta tropical, ladeada por impressionantes totens do povo indígena Tlingit.

Foi exatamente neste local que ocorreu, em 1804, a famosa batalha em que os Tlingit foram derrotados pelos colonizadores russos, mudando a face do Alasca por décadas. Caminhar entre árvores enormes das quais a água escorre enquanto rostos esculpidos de águias e ursos nos olham dos totens ao redor tem uma atmosfera misteriosamente poderosa.
A cada passo pelos caminhos bem cuidados, uma paz enorme toma conta de você, mesmo que a história local seja às vezes bastante selvagem e sangrenta. Os totens em si carregam histórias familiares inteiras e lendas mitológicas. Meu horário favorito para passear aqui é bem cedo de manhã, quando ainda restam pedaços de névoa entre as árvores e o lugar parece saído de um conto antigo.
9. Fortress of the Bear (resgate de filhotes de urso)
Ver um urso na natureza é uma experiência incrível, mas nem sempre dá certo — e nem todo mundo quer necessariamente encontrar um cara a cara numa trilha isolada no meio da floresta. Em Sitka, portanto, não deixe de visitar a Fortress of the Bear, um santuário de resgate para filhotes de urso órfãos que, de outra forma, não sobreviveriam na natureza.

O interessante é que os recintos foram construídos nos enormes tanques vazios de uma antiga fábrica de celulose, então os animais têm um espaço enorme e você pode os observar com segurança de uma plataforma elevada enquanto eles tomam banho ou brincam. Na temporada, compre os ingressos online com antecedência: quando um navio de cruzeiro chega, as filas ficam gigantescas.
Para mim foi uma experiência muito emocionante, quando os tratadores contam as histórias individuais de cada um desses bichinhos peludos que, sem a mãe, não teriam a menor chance na natureza selvagem. Às vezes você vê os ursos brigando com entusiasmo por um pneu velho, ou apenas lambendo a pata preguiçosamente. É ótimo saber que até o dinheiro dos turistas pode financiar projetos tão significativos e necessários quanto esse.
10. Alaska Raptor Center (a clínica das águias)
Perto do santuário dos ursos fica outro projeto de resgate incrível, desta vez focado em aves. O Alaska Raptor Center funciona como uma clínica de reabilitação principalmente para águias-carecas feridas — chegam cerca de duzentas por ano. Muitas são aves que colidiram com fios elétricos ou sofreram acidentes com veículos.

O centro tem um enorme corredor de voo onde as águias reaprendem a voar antes de serem soltas de volta na natureza pelos tratadores. As que não podem mais retornar por conta de ferimentos permanentes vivem em grandes viveiros ao ar livre e funcionam como embaixadoras da espécie. Ficar cara a cara com uma águia majestosa é uma experiência que deixa você paralisado no lugar. 😁 Você vai lembrar disso por muito tempo.
O olhar penetrante delas parece enxergar direto na sua alma, e de perto elas são incrivelmente majestosas e imponentes. A clínica faz um trabalho realmente extraordinário, e além das águias-carecas você vai encontrar diversas espécies de corujas e falcões que as equipes alimentam pacientemente com pinças. Se você gosta de pássaros, reserve uma tarde inteira para esse lugar.
11. Saint Michael’s Cathedral e o legado russo de Sitka
Sitka é uma cidade que confunde à primeira vista, porque seu ponto central parece ter sido transportado direto de Moscou. Bem no meio da principal rotatória está a inconfundível catedral ortodoxa de São Miguel, com suas típicas cúpulas em forma de cebola. A construção original do século XIX foi destruída por um incêndio nos anos 1960, mas os moradores salvaram a tempo os ícones sagrados e a igreja foi reconstruída.

Sitka funcionou de 1808 a 1867 como capital da América Russa e se chamava Novo-Arkhangelsk. Vale muito a visita ao Russian Bishop’s House, uma cabana histórica administrada pelos rangers do parque nacional e uma das construções russas mais antigas dos EUA — construída, dizem, sem um único prego, o que soa absolutamente inacreditável. Se ainda tiver energia, suba a colina Castle Hill, onde a venda do Alasca aos Estados Unidos foi oficialmente selada.
A cidade é repleta de contrastes inesperados, onde cruzes ortodoxas convivem com o porto moderno americano e a cultura indígena. Às vezes basta vagar pelas ruelas, absorver aquela mistura extraordinária e imaginar como era por aqui nos tempos em que o comércio de peles valiosas florescia e a cidade era o centro de tudo.
12. Indian River Trail (trilha cheia de salmões)
Se você tem uma tarde livre em Sitka e quer fazer uma trilha de verdade, o caminho ao longo do Rio Indian é nossa escolha favorita para um dia mais tranquilo. São pouco mais de quatro quilômetros por uma densa floresta, terminando em uma cachoeira bem bonita, as Indian River Falls.
Mas o verdadeiro motivo para vir aqui aparece no outono. O rio fica absolutamente lotado de salmões migrando para desovar. E onde há milhares de salmões, há logicamente ursos — então nesta caminhada é preciso fazer bastante barulho, e aquele chocalho no mochilão não é enfeite: é prevenção obrigatória. Nós conversamos alto, batemos palmas e às vezes cantamos para não surpreender nenhum urso na curva.
Ver esses peixes lutando com todas as forças contra a correnteza em água rasa, muitas vezes machucados e exaustos, é um espetáculo impressionante do poder do instinto. E o cheiro de tantos peixes em vários estágios de decomposição não é exatamente uma fragrância francesa — mas isso é o Alasca em sua forma mais pura e crua, e é exatamente por isso que todos nós queremos vir até aqui.
13. Mt. Verstovia (para quem quer se superar)
A última dica é para quem tem boa forma física e quer as melhores vistas possíveis da baía cheia de ilhotas. O Mt. Verstovia é uma trilha bastante exigente, com cinco quilômetros e um desnível brutal de 760 metros — vai custar muito suor e alguns palavrões até você chegar lá em cima.

O caminho sobe íngreme pela floresta, às vezes passando por raízes e arbustos, mas quando você finalmente chega ao mirante chamado Picnic Rock, entende por que valeu a pena. Toda Sitka se abre lá embaixo, o vulcão Mt. Edgecumbe aparece no horizonte e as águas azuis profundas do oceano se estendem até onde a vista alcança. Só leve um casaco quente, porque lá em cima geralmente faz muito vento.
Subindo aquelas intermináveis “escadas” de raízes, dá vontade de desistir e ir tomar um chocolate quente em alguma cafeteria. Mas quando você chega ao topo exatamente no momento em que as nuvens se abrem, todos os músculos doloridos são imediatamente esquecidos. Leve bastões de trekking — a descida é, para os joelhos, provavelmente ainda mais difícil do que a subida.
Onde comer em Sitka
Depois de um dia inteiro na chuva, a fome bate forte, e você merece um bom jantar depois de tudo isso. 😉 Aqui estão os nossos descobrimentos favoritos.
O campeão absoluto para frutos do mar locais é o Beak Restaurant. A cozinha é fantástica e tem um detalhe curioso: eles recusam gorjeta por princípio, porque pagam salários justos aos funcionários. O clima descontraído em torno de uma tigela enorme de halibut faz toda a diferença. Se você prefere algo mais europeu e conseguir uma reserva, experimente o Ludvig’s Bistro — espaço pequeno e aconchegante, com uma cozinha mediterrânea incrível feita com ingredientes do Alasca. O chowder de frutos do mar deles é famoso na região inteira. É o lugar perfeito para pedir uma boa refeição, uma taça de vinho e simplesmente relaxar.
Se bater vontade de algo clássico com uma boa cerveja, vá ao Bayview Pub — um bar alasquiano completamente autêntico, ótimo para fish and chips regado com cervejas do brasserie local. Se você viaja com crianças ou está com vontade de pizza, o Mean Queen Pizza não decepciona: pizza gostosa de verdade e uma bela vista para o porto. E para começar o dia? O Highliner Coffee é onde todos os pescadores comerciais locais vêm tomar café da manhã de botas, criando uma atmosfera rústica e incrível. Experimente o café especial torrado por eles e aproveite para observar a movimentação ao redor.
Para onde ir em seguida
Se você está planejando uma viagem ao Alasca e quer dicas sobre outros lugares incríveis na região, não deixe de conferir nossos outros artigos, onde descrevemos destinos específicos em muito mais detalhe.
Nós mesmos continuamos adicionando novos relatos das nossas viagens, porque o Alasca é grande demais para ser visto em uma única visita. Pode acreditar: assim que você voltar no avião, já vai estar planejando a próxima expedição.
- Quer saber mais sobre como funcionam os cruzeiros? Confira nosso artigo Guia de Cruzeiro pelo Alasca, onde explicamos toda essa bagunça logística.
- Quer saber o que mais a capital do Alasca tem a oferecer? Preparamos um guia completo de Juneau.
- E se você pretende passar mais tempo entre a história russa e os totens, não perca nosso detalhado artigo sobre o que ver em Sitka.
Dicas práticas antes de viajar para o Alasca
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- Seguro para o fim do mundo: No Alasca, você nunca sabe o que pode acontecer. Para viagens à selva, sempre escolhemos um seguro-viagem abrangente. Vale a pena pesquisar opções como o SafetyWing.
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Como chegar ao Parque Nacional Glacier Bay?
Não há estradas que levam ao parque, então a única opção é transporte por água ou ar. A maioria dos visitantes chega a bordo de grandes navios de cruzeiro (cruise ships), que apenas navegam pelo parque sem possibilidade de desembarcar em terra firme. Viajantes independentes podem utilizar a balsa do sistema Alaska Marine Highway ou pequenos aviões de Juneau até a vila de Gustavus, de onde é só um pulinho até o centro de visitantes em Bartlett Cove.
Quanto custa um cruzeiro para Glacier Bay e por que o número de embarcações é limitado?
O preço de um cruzeiro de vários dias para o Alasca geralmente varia de 800 a 2.500 dólares por pessoa, dependendo do tipo de cabine e da companhia de navegação específica. Devido à rigorosa proteção do ecossistema local, há uma proibição de tráfego excessivo no parque e o limite diário é estabelecido em apenas 153 embarcações no total. Desse número, apenas dois grandes navios de cruzeiro podem entrar na baía por dia, por isso essas viagens costumam esgotar com muita antecedência.
Qual é a melhor época para visitar Glacier Bay?
A alta temporada turística vai do final de maio ao início de setembro, quando a região tem o clima mais quente e os dias mais longos. Durante esses meses de verão, as temperaturas diurnas ficam em média entre 10 e 15 °C e há maior chance de observar o desprendimento ativo de geleiras. Fora dessa temporada, o parque fica praticamente inacessível para turistas comuns e a maioria dos serviços para visitantes fica completamente fechada.
Quais são as geleiras mais famosas de Glacier Bay?
Entre as mais procuradas está a geleira de maré Margerie Glacier, famosa por sua atividade e frequente desprendimento de enormes blocos de gelo diretamente no oceano. Outro espetáculo impressionante é a Johns Hopkins Glacier, da qual os navios só podem se aproximar a uma distância maior devido à proteção de focas em período de reprodução. No total, o parque nacional abriga mais de 1.000 geleiras, das quais várias dezenas chegam até o nível do mar.
Quais animais posso ver durante a navegação pelo parque?
Glacier Bay é um dos melhores lugares do mundo para observar baleias jubarte, que vêm para cá no verão em busca de alimento. Nas placas de gelo flutuantes frequentemente descansam focas-comuns e, com um pouco de sorte, é possível avistar também orcas, lontras-marinhas ou leões-marinhos. Na costa, além disso, circulam regularmente ursos pardos e ursos-negros, e nos penhascos íngremes nidificam papagaios-do-mar e águias-carecas.
Dá para acampar no Parque Nacional Glacier Bay?
Sim, o único camping oficial e mantido fica em Bartlett Cove, perto do centro de visitantes. Acampar lá é gratuito, mas exige registro prévio e participação em um treinamento obrigatório sobre segurança devido à presença constante de ursos. Aventureiros experientes podem, após obter autorização, partir também para acampamento selvagem (backcountry camping) ao longo da costa remota de toda a baía.
Existe uma alternativa mais barata ao cruzeiro para Glacier Bay?
Se o cruzeiro para Glacier Bay for muito caro para você ou os navios já estiverem esgotados, uma alternativa excelente e mais acessível é o fiorde Tracy Arm. Esta estreita baía glacial fica ao sul de Juneau e oferece cenários igualmente deslumbrantes com penhascos íngremes e as majestosas geleiras Sawyer. Passeios com embarcações menores para Tracy Arm podem ser facilmente adquiridos como excursão de um dia direto do porto de Juneau.
