Quando você desembarca de um avião pequeno numa pista cercada de oceano por todos os lados, percebe imediatamente que Sitka, Alasca é um mundo completamente diferente. Céu encoberto, cheiro constante de pinheiro e maresia, e no meio dessa natureza selvagem americana ergue-se uma catedral ortodoxa com cúpulas em formato de cebola. Parece que alguém pegou um pedaço da Rússia czarista e, por engano, deixou cair no meio da floresta pluvial do Alasca. E foi exatamente isso que aconteceu.
Essa cidade — para onde não existe nenhuma estrada — conquista você no primeiro dia. Pode ser pelas águias-de-cabeça-branca pousadas nos abetos como se fossem pombos, ou por tomar uma cerveja num bar comendo salmão fresco ao lado de pescadores robustos de bota de borracha. Sitka Alasca é simplesmente um lugar onde a sangrenta história dos colonizadores russos se mistura com a cultura milenar do povo Tlingit e com a natureza mais selvagem que você consegue imaginar.
Vamos passar da catedral russa aos ursos, das águias às baleias que caçam em círculos de bolhas — vou te mostrar doze razões pelas quais você vai se apaixonar por Sitka na hora. E também vou ser honesta sobre o que custa mais do que você espera.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Não há estradas: Sitka só é acessível de avião ou barco. Deixe o carro em casa, você não vai precisar.
- História russa: Não deixe de visitar a Saint Michael’s Cathedral e a Russian Bishop’s House — o contraste com a natureza selvagem ao redor é impressionante.
- Ursos e águias: O Fortress of the Bear e o Alaska Raptor Center são absolutamente imperdíveis, especialmente se você não tiver tempo de procurar animais nas florestas.
- Clima: Conte com chuva. Chove em média 230 dias por ano, então uma boa jaqueta impermeável e botas à prova d’água são itens básicos de sobrevivência.
- Reserve hospedagem com meses de antecedência: A capacidade é muito pequena e a temporada de verão, curta. Quem deixa para depois dorme na barraca — na chuva, com ursos por perto.
Quando ir ao Alasca e como chegar a Sitka
Planejar uma viagem ao sudeste do Alasca é uma questão de calendário e respeito à natureza. Improvisar fora de temporada é uma batalha perdida antes mesmo de começar. A cidade acorda em maio, com a chegada dos primeiros navios de cruzeiro, e entra em hibernação no final de setembro.
Alta temporada e o que levar na mala
O melhor período é de junho ao final de agosto, mas mesmo assim as temperaturas mal passam dos 18°C e costuma chover durante o dia. Sitka fica numa floresta pluvial costeira temperada, onde a água manda — neve pesada e geadas ficam para o interior.
A chuva constante vai te desanimar por momentos, mas você vai entender que ela faz parte da essência do lugar. Camadas impermeáveis de qualidade e aquelas botas de borracha que os moradores carinhosamente chamam de “tênis do Alasca” não são frescura — sem elas, você está perdido. Tentar explorar Sitka de tênis comum é um erro que não se esquece. Se você vem sonhando com a aurora boreal, preciso te decepcionar: por causa da cobertura de nuvens constante e da localização geográfica, as chances são mínimas. Mas as baleias no verão? Essas compensam tudo.
Como chegar a uma cidade sem estradas
Esse é provavelmente o maior choque para a maioria dos visitantes. A ilha Baranof, onde fica Sitka, simplesmente não tem acesso por estrada. A regra é absoluta: no road access. A única forma de entrar é pelo Aeroporto Sitka Rocky Gutierrez, numa ilhota chamada Japonski Island, ligada ao centro da cidade por uma grande ponte.
A opção mais rápida é chegar de avião, mas muita gente aproveita a Alaska Marine Highway, o sistema de balsas estadual. A travessia de barco saindo de Juneau é deslumbrante — você navega por baías cheias de ilhotas cobertas de floresta — mas exige bem mais tempo. Para encontrar passagens aéreas com bom preço, use o Kiwi, que combina bem voos de companhias menores e tem nos dado boas experiências em rotas assim.
Onde se hospedar em Sitka e quanto custa
Encontrar boa hospedagem em Sitka por um preço razoável é uma arte. Os hotéis se contam nos dedos de uma mão, a temporada dura só alguns meses, e quem não começa a pesquisar lá por janeiro acaba olhando para vagas no camping — na chuva, com ursos nas redondezas. Os preços são bem altos, algo típico do Alasca, onde quase tudo precisa ser transportado com dificuldade até aqui.
🏨 Hotéis recomendados em Sitka
- Luxo: Westmark Sitka Hotel
- Intermediário: Aspen Suites Hotel Sitka
- Econômico: Sitka Hotel
No geral, um quarto de categoria intermediária nos meses de verão sai entre 250 e 400 dólares (cerca de 1.250 a 2.000 BRL) por noite. Não é barato, mas se você quer dormir sossegado e no seco, as alternativas são poucas.
Charme histórico ou conforto moderno
Para quem quer se dar bem, o lugar mais famoso é o Sitka Hotel, bem na rua principal, a Lincoln Street. Passou por uma reforma incrível que uniu o estilo vitoriano ao design moderno, e dos quartos você vê direto o porto. A gente adora essas construções antigas com alma, mesmo que as paredes às vezes sejam um pouco finas 😅. Às vezes você ouve as gaivotas como se estivessem na sua mesinha de cabeceira, mas isso faz parte do clima de cidade portuária.
Para famílias ou para quem vai ficar vários dias, o Aspen Suites Hotel Sitka é uma vantagem enorme. Os apartamentos têm cozinha completa, o que te poupa valores absurdos em restaurantes. Comprar no supermercado local também não é lá muito barato, mas ainda sai bem melhor do que café da manhã e jantar todo dia fora.
Opções para o orçamento apertado
Se você viaja de mochila e conta cada centavo, a sua tábua de salvação vai ser o Sitka International Hostel. É um hostel clássico com quartos compartilhados e cozinha coletiva, mas prepare-se para regras bastante rígidas, incluindo toque de recolher.
Muita gente também tenta a sorte nas pequenas pousadas Bed & Breakfast de moradores locais, que frequentemente oferecem busca gratuita no aeroporto. O contato com quem nasceu aqui e conhece cada pedra da cidade não tem preço — e muitas vezes rende as melhores dicas da viagem.
O que ver e fazer em Sitka: 12 melhores dicas
De manhã, ícones russos de valor incalculável; ao meio-dia, ursos órfãos sendo alimentados; à tarde, subindo um morro íngreme na floresta pluvial — Sitka Alasca em poucas palavras. Vamos lá.
1. Sitka National Historical Park
Este é o menor parque histórico nacional de todo o Alasca e, pessoalmente, coloco-o entre os lugares mais encantadores que já visitei. Esqueça vitrines empoeiradas — o que espera você aqui é uma trilha deslumbrante pela floresta costeira. O Sitka National Historical Park tem um percurso de cerca de dois quilômetros e meio, completamente plano, ladeado por enormes postes totêmicos esculpidos à mão pelo povo indígena Tlingit.

O parque protege o local onde, em 1804, aconteceu uma batalha sangrenta entre os Tlingit e os colonizadores russos. O silêncio que reina por lá te faz sentir esses eventos de um jeito estranho e poderoso — só o som do oceano e o grito de uma águia lá em cima. Foi ali que percebi que nunca havia caminhado por um lugar tão carregado de história. E o melhor: para 2026, a entrada no parque e no centro de visitantes é totalmente gratuita. Reserve pelo menos duas horas para aproveitar bem.
2. Saint Michael’s Cathedral
Você está andando pela rua principal e, de repente, se depara com uma rotatória — mas no centro dela não há nenhum obelisco, e sim uma linda catedral ortodoxa. As cúpulas verdes e as cruzes douradas criam um cenário completamente surreal contra o pano de fundo das montanhas brutas do Alasca. A construção original em madeira existe desde 1844 e foi o coração da Igreja Ortodoxa Russa na América do Norte.

Por mais bonita que seja a construção, ela carrega uma história ao mesmo tempo trágica e heroica. Em 1966, a catedral original foi consumida pelo fogo. Os moradores da cidade, independentemente da fé de cada um, entraram no meio das chamas e salvaram com as próprias mãos quase todos os ícones e artefatos sagrados. A catedral foi então reconstruída seguindo os planos originais com absoluta fidelidade.
Quando você entra, o ar pesado de incenso e cera de abelha te envolve imediatamente. Os visitantes ficam de boca aberta diante dos molduras trabalhadas dos ícones salvos do incêndio — a atmosfera dentro dessas paredes novas tem uma força que é difícil de explicar.
3. Fortress of the Bear (Centro de Resgate de Ursos)
Confesso que não sabia o que esperar de um centro de resgate de ursos numa antiga fábrica de papel, mas essa foi uma das experiências mais marcantes da nossa passagem por Sitka. O Fortress of the Bear abriga filhotes de urso órfãos que, de outra forma, seriam sacrificados por ordem das autoridades estaduais. Fica a cerca de 8 quilômetros do centro e o que torna o lugar tão especial é o cenário: os recintos foram construídos dentro dos enormes tanques de uma antiga fábrica de celulose. Parece saído de um filme pós-apocalíptico, mas os ursos recebem um cuidado exemplar.

A entrada custa 15 dólares (cerca de 75 BRL) para adultos, e crianças até sete anos não pagam. Como muita gente vem dos grandes navios de cruzeiro, às vezes o número de visitantes é limitado na hora, então se você estiver viajando por conta própria como nós, recomendo comprar os ingressos online com antecedência para não ficar na porta sem conseguir entrar.
Aqui você vai assistir a cenas hilariantes, como um filhote de urso pardo dedicando meia hora de esforço total para afundar um barril de plástico. É pura diversão, e por um momento você se esquece completamente de que esses animais são predadores incríveis lá fora, na natureza.
4. Alaska Raptor Center
Pertinho do parque nacional, você encontra outro centro de reabilitação de primeira linha, desta vez dedicado às aves de rapina. O Alaska Raptor Center recebe e trata cerca de duzentas águias-de-cabeça-branca, corujas e outras aves por ano. O objetivo principal é devolvê-las à natureza, o que acontece na maioria dos casos.

Alguns pássaros, porém, sofrem ferimentos tão graves que não sobreviveriam na natureza e ficam aqui como embaixadores permanentes. Ver uma águia-de-cabeça-branca a dois metros de distância te encarando com aqueles olhos enormes e claros é uma experiência que nos deu arrepios por uma hora depois de sair de lá. A entrada para adultos custa 17 dólares — e, sinceramente, é muito barato pelo que oferece.
O centro tem ainda uma enorme aviária de voo onde as aves treinam os músculos durante a recuperação antes de serem soltas. É uma espécie de academia para pássaros, e acompanhar o retorno gradual deles à forma, com aquela envergadura impressionante de asas, é emocionante e vale cada centavo do ingresso.
5. Russian Bishop’s House
À primeira vista, parece só mais um museu, mais um prédio histórico. Mas vai te surpreender de verdade. É a construção russa mais antiga dos Estados Unidos, de 1842, e essa imponente cabana de troncos de abeto foi construída na época sem usar um único prego. Hoje é um dos quatro últimos edifícios remanescentes da era russa no país.

A casa é administrada pelo National Park Service e os interiores foram restaurados com uma precisão extraordinária. Passear pelos cômodos com móveis originais é como viajar no tempo até o século XIX.
Em um dos quartos, você vai encontrar um belo samovar antigo — e de repente consegue imaginar com muita vivacidade todos os moradores da casa reunidos em volta do chá quente nos invernos rigorosos do Alasca. Essa atmosfera histórica bruta paira no ar e te absorve completamente, mesmo que história não seja exatamente o seu assunto favorito.
6. Observação de baleias e a técnica das bolhas
As águas ao redor de Sitka e de toda a Inside Passage estão repletas de vida no verão. O que nos interessava mesmo eram as jubarte, que migram de longe — do Havaí — até aqui para se alimentar. Se você vier em agosto, tem grandes chances de presenciar algo absolutamente único: o chamado bubble-net feeding.

É uma técnica de caça em que as baleias criam sob a água um círculo impenetrável de bolhas, enxotam cardumes inteiros para dentro dele e então emergem juntas com as bocas escancaradas. Quem vê ao vivo nunca mais esquece a imagem nem o som. E os lontras marinhas que ficam flutuando de costas ao redor do barco, aparentemente sem nenhuma preocupação na vida, completam o espetáculo.
Um conselho que vale ouro: esqueça os catamarãs gigantes para cem pessoas e pague um pouco mais por um barco pequeno com um capitão local. A diferença de sensação, sentado pertinho da superfície da água e sentindo o barco balançar a cada vez que uma baleia enorme emerge, simplesmente não dá para descrever em palavras.
7. Castle Hill
À primeira vista parece só um morrinho pelado perto do porto, mas foi aqui que a história do mundo mudou. Foi exatamente neste outeiro que, em 18 de outubro de 1867, aconteceu a cerimônia oficial de transferência do Alasca para os Estados Unidos. A bandeira russa com a águia bicéfala desceu e a americana subiu.

Hoje não há nenhum castelo aqui, apesar do nome Baranof Castle State Historic Site sugerir isso, mas a vista para a baía de Sitka Sound e para o vulcão Mt. Edgecumbe ao longe é simplesmente fenomenal. A entrada é gratuita — basta subir alguns degraus, se firmar no vento frio e aproveitar o panorama.
Lá em cima, porém, o vento é de arrancar o chapéu. Mesmo no verão, em agosto, você vai colocar com prazer todas as camadas de roupa que trouxe. As fotos épicas com o vulcão ao fundo compensam cada dedo gelado — os fotógrafos costumam gastar metade do cartão de memória aqui.
8. Sheldon Jackson Museum
Este museu discreto, fundado em 1887, é na verdade o mais antigo do Alasca. Chegamos esperando uma pequena exposição, mas ficamos de queixo caído. O Sheldon Jackson Museum guarda uma coleção incrível de artefatos dos povos indígenas, reunida por um missionário bastante ativo de mesmo nome.

Você vai encontrar peças e ferramentas dos Inuit, Aleútes e Tlingit de uma época em que a cultura tradicional desses povos ainda não havia sido atropelada pelo mundo moderno americano. De máscaras esculpidas com maestria a caiaques cobertos de pele — este museu é uma joia para qualquer pessoa interessada em antropologia.
O que mais me fascinou pessoalmente foi a enorme coleção de máscaras rituais de madeira. Algumas parecem assustadoras, outras quase engraçadas, mas todas exalam a habilidade e o tempo de pessoas que as esculpiram durante as longas e escuras noites de inverno à beira de uma fogueira.
9. Trilha Indian River Trail
Sitka oferece possibilidades incríveis de trilhas logo nas bordas da cidade. Se você não é alpinista e prefere algo mais tranquilo, a Indian River Trail é ideal. O percurso tem pouco mais de quatro quilômetros em cada sentido, é praticamente plano e percorre uma floresta pluvial deslumbrante ao longo do rio até uma cachoeira menor.
A trilha é linda, mas exige atenção. No outono, o rio fica cheio de salmões em migração, o que naturalmente atrai os moradores peludos da região. Se for caminhar por aqui, leve obrigatoriamente o spray de urso (bear spray) e converse alto o tempo todo para não surpreender ninguém nos arbustos.
Recomenda-se caminhar em grupos de dois ou mais e cantar ou gritar a cada poucos minutos para que qualquer urso num raio de um quilômetro saiba da sua presença. Parece um pouco ridículo no começo, mas todos os rangers locais vão te dizer com cara séria que é a melhor apólice de seguro de vida que existe.
10. Subida ao Mount Verstovia para os corajosos
Se você tem boa forma física e quer ver Sitka lá de cima, essa é a trilha para você. O Mt. Verstovia tem apenas cinco quilômetros de ida e volta, mas nessa curta distância você sobe impressionantes 760 metros de altitude. É basicamente uma escadaria infinita feita de raízes e lama.
Você vai xingar algumas vezes lá pelo caminho 😅, mas quando finalmente chega ao mirante chamado Picnic Rock, esquece toda a dor muscular. A vista que se abre para toda a baía, com centenas de ilhotas verdes, é de tirar o fôlego. O cume rochoso em si não é muito frequentado — a crista é perigosa e sem manutenção.
A descida é talvez ainda pior do que a subida, porque aquela mistura constante de barro e raízes escorrega demais. Meus joelhos lembraram dessa descida por uns três dias, mas olhando para trás, aquela sensação épica lá em cima valeu cada palavra feia que escapou pelo caminho.
11. Mt. Edgecumbe: O Fuji do Alasca
Quando você olha de Sitka em direção ao oceano, o que salta aos olhos é o cone perfeito do vulcão adormecido Mt. Edgecumbe, com quase mil metros de altura, na ilha vizinha Kruzof Island. Por causa do formato, ele é frequentemente chamado de Fuji do Alasca e é um grande desafio para os caminhantes mais experientes.

Chegar até lá, porém, não é brincadeira. Você precisa alugar um barco no centro, ser deixado numa praia e então enfrentar 11 quilômetros de caminhada em um sentido. O percurso começa em pântanos irritantes — os locais chamam de muskeg — continua pela floresta e termina numa subida em cinzas vulcânicas soltas. Definitivamente não é passeio de domingo para iniciantes.
Durante a travessia de barco até a ilha, o mar costuma balançar bastante nas águas mais abertas, então um remédio para enjoo é equipamento obrigatório para quem não está acostumado com o mar. Mas essa travessia sofrida pelo oceano já faz parte da aventura toda — seria muito menos épico sem ela.
12. Sitka Sound Science Center
Se ainda sobrar tempo ou você estiver com crianças, não deixe de passar pelo centro de pesquisa e aquário na foz do Rio Indian. O Sitka Sound Science Center não é um grande oceanário, mas tem excelentes tanques de toque com estrelas-do-mar e anêmonas que você pode segurar com cuidado.
O centro abriga ainda um incubatório de salmões em pleno funcionamento. Você aprende tudo sobre o ciclo de vida brutal dos peixes do Alasca, e no total é uma parada muito agradável de uma hora — especialmente quando lá fora está chovendo canivetes, o que é bastante provável.
Eu estava com certa relutância em tocar em qualquer coisa nos tanques, mas no final me arrisquei a acariciar com cuidado uma estrela-do-mar roxa — e para minha surpresa, ela era surpreendentemente dura. É um detalhe pequeno, mas de alguma forma te conecta pessoalmente com esse mundo submarino fascinante de um jeito diferente de qualquer documentário.
Onde comer bem: frutos do mar do Alasca e café
Em Sitka, você come o que os pescadores tiraram do oceano de manhã cedo — e dá para perceber isso na hora. Halibute, salmão selvagem e o incrível caranguejo Dungeness não viajam meio mundo: saem da água gelada direto para o seu prato. A comida nos restaurantes é bem cara — um jantar para dois com bebidas pode facilmente chegar a cem dólares — mas a experiência costuma ser memorável.
Se quiser algo especial e não se importar em gastar mais, vá ao Beak Restaurant. Eles cozinham com o melhor do que foi pescado naquela manhã, e o salmão é uma experiência à parte. De bônus, eles recusam gorjeta — simplesmente pagam um salário justo aos funcionários. Refrescante. Outro grande sucesso é o Ludvig’s Bistro, um pedaço do Mediterrâneo no Alasca, mas o espaço é minúsculo e a reserva precisa ser feita quase na hora de comprar as passagens aéreas.
Para famílias com crianças ou para um jantar descontraído, a Mean Queen Pizza é ótima: tem um certo barulho gostoso, pizza muito boa e você janta olhando direto para a baía e o porto. Para energia rápida depois de uma trilha ou quando você precisa de um bom café, o Highliner Coffee é perfeito — de manhã cedo, os pescadores comerciais vêm abastecer de cafeína antes de sair para o mar. E se estiver buscando algo mais em conta, o restaurante Mangiare, no térreo do Sitka Hotel, serve uma italiana clássica com preços bem mais acessíveis.
Para onde ir depois no Alasca
O Alasca é enorme e Sitka é muitas vezes apenas uma das paradas ao longo do litoral sudeste. Se você quer explorar mais a região da Inside Passage, confira nosso artigo sobre a capital Juneau, para onde dá para voar facilmente saindo de Sitka.
Se você planeja viajar de navio, escrevemos um guia completo de cruzeiros no Alasca com dicas sobre o que esperar e como escolher o roteiro certo. Também vale muito a pena parar nas charmosas cidades da corrida do ouro, Haines e Skagway, que te transportam mais de cem anos no tempo instantaneamente.
Dicas práticas para viajar pelo Alasca
Quando você está se preparando para uma aventura nesse nível de natureza selvagem, a logística é tudo. Planejar uma viagem assim leva várias noites e algumas surpresas estão garantidas pelo caminho.
Para poupar tempo e dinheiro, reuni aqui as dicas práticas mais importantes. Pode te economizar horas de pesquisa, muita dor de cabeça e um dinheiro que você vai preferir gastar num jantar especial ou num passeio de barco.
Como encontrar passagens aéreas
Para pesquisar voos, especialmente aqui na América do Norte, sempre usamos a mesma ferramenta. Buscamos passagens baratas no Kiwi, nosso portal favorito, que combina muito bem companhias aéreas menores e encontra combinações que outros buscadores não mostram.
Mas preste sempre muita atenção à franquia de bagagem permitida: nos aviões pequenos do Alasca, os limites de peso são levados muito a sério por questões de segurança, e as multas por excesso de bagagem são salgadas.
Aluguel de carro
Mesmo que em Sitka você não precise de carro, no resto do Alasca você não se mexe sem um. Usamos o RentalCars há anos no mundo inteiro — testamos pela primeira vez no Canadá, quando nos fizeram um upgrade gratuito para um carro maior, e nunca mais mudamos. O seguro é bom e até hoje nenhuma surpresa desagradável.
No Alasca, na alta temporada, os melhores SUVs somem rápido. Recomendo fortemente reservar um assim que você tiver as passagens pagas, para não acabar com um carrinho compacto nas estradas de barro.
Reserva de hospedagem
O Booking.com é nosso buscador de hotéis favorito — recomendo fazer as reservas o quanto antes (no Alasca isso vale em dobro), porque muitas opções permitem cancelamento gratuito até poucos dias antes da chegada.
Nos primeiros dias, vale a pena fazer duas reservas de backup em lugares diferentes (se o cancelamento for gratuito) e decidir qual manter com base no itinerário e nas condições climáticas do momento.
Seguro viagem e conexão de internet
Jamais viaje para os Estados Unidos sem um seguro de viagem completo. Para viagens curtas, escolhemos a AXA, onde temos um desconto de 50% para você. Para aventuras longas e viagens prolongadas, não abrimos mão do SafetyWing. E para não arrebentar o orçamento com roaming e ainda ter dados até no meio da floresta, usamos o eSIM da Holafly.
Com tanta lama e chuva, um tênis comum não vai aguentar o Alasca. Se não souber o que calçar, confira nosso artigo sobre como escolher as melhores botas para trilhas.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quando fomos ao Alasca pela primeira vez, eu tinha uma lista enorme de dúvidas na cabeça — algumas delas bem ingênuas, admito. Lemos bastante antes, mas a realidade às vezes surpreende.
Por isso, reuni aqui as perguntas que nossos amigos mais fazem quando contamos sobre as aventuras em Sitka e arredores. Espero que ajude você a ter uma ideia mais completa desse canto selvagem e incrível do mundo.
Kdo žije na Aljašce?
Obyvatelstvo Aljašky je pestrý mix. Najdete tu původní obyvatele (Inuity, Yupiky, Aleuťany a zde na jihu především kmen Tlingit), potomky ruských osadníků, drsné komerční rybáře i spoustu novodobých dobrodruhů, kteří utekli z velkých amerických měst hledat klid do divočiny. Mě osobně hrozně bavilo si s místními lidmi v obchodech a na ulici povídat. Mají totiž takový ten typicky klidný, zemitý přístup k životu a téměř nic pro ně nepředstavuje neřešitelný problém.
Co je typické pro Aljašku?
Pro Aljašku je nejtypičtější nezkrotná příroda, ledovce, tisíce medvědů a řeky plné táhnoucích lososů. V regionu Inside Passage je typický také chladný deštný prales a obrovské vzdálenosti mezi městy, kam často nevedou vůbec žádné silnice a musíte létat letadlem. Pro mě je to ale ze všeho nejvíc ta úplně specifická vůně. Voní to tu po čisté slané vodě, tlejícím mokrém jehličí a dešti způsobem, který už zkrátka nikde jinde na planetě nezažijete.
Kolik je na Aljašce jezer?
Zní to až neuvěřitelně, ale na obrovském území Aljašky se nachází více než tři miliony přirozených jezer. Většina z nich je naprosto nedotčená civilizací a člověk k nim vůbec nemá přístup. Právě z tohoto praktického důvodu jsou tu tolik populární takzvané float planes, neboli hydroplány. Tyhle malé okřídlené stroje totiž dokážou bezpečně přistát na hladině i tam, kam byste se jinak s batohem prosekávali nepropustným lesem třeba celý dlouhý týden.
S kým sousedí Aljaška?
Aljaška nesousedí s žádným jiným státem USA. Její pozemní hranici na východě sdílí s Kanadou (konkrétně s teritoriem Yukon a provincií Britská Kolumbie). Na západě přes Beringův průliv pak sdílí námořní hranici s Ruskem, přičemž v nejužším bodě jsou od sebe tyto dvě velmoci vzdálené jen něco málo přes tři kilometry. Ten pocit geografické odlehlosti je tu na každém kroku opravdu ohromný. Občas si vážně s úžasem připadáte, že stojíte jen vy, pár stromů a pak už jen opravdový konec světa.
Je v Sitce v zimě obrovská zima?
Kupodivu není. Sitka leží v mírném pásmu u oceánu, takže zimy jsou tu na aljašské poměry až směšně mírné. Teploty se průměrně drží nad nulou (kolem 4–6 °C) a místo sněhu tu převážně prší. Problémem tu není mráz, ale neustálé vlhko. Místní s humorem vysvětlují, že klasický sníh se tu obvykle moc dlouho na silnici neudrží a většinou hned během pár hodin taje do mokré břečky.
Kdy je nejlepší čas na pozorování velryb?
Největší šanci na pozorování stovek keporkaků a jejich unikátního způsobu krmení v kruhu bublin (bubble-net feeding) máte v letních měsících, ideálně v průběhu srpna. Vřele doporučuju si na loď přibalit rovnou nějaký kvalitnější dalekohled a obrnit se opravdu pořádnou dávkou trpělivosti, velryby si totiž navzdory kapitánům plavou zásadně tam, kam zrovna chtějí samy.
Dá se do Sitky dojet autem z americké pevniny?
Absolutně ne. Sitka leží na ostrově a platí tu pravidlo no road access. Jedinou možností je sem přiletět letadlem, nebo využít loď, ať už komerční výletní křižník nebo státní trajekty Alaska Marine Highway. Auta ve městě patří jen místním, kteří si je sem museli nechat složitě dovézt lodí. Zní to sice pro Evropana občas trochu neprakticky, ale ruku na srdce, právě díky téhle obří bariéře si městečko stále uchovává tu svoji neuvěřitelně klidnou atmosféru naprosto bez dopravních zácp.
Tipy a triky pro vaší dovolenou
Nepřeplácejte za letenky
Letenky hledejte na Kayaku. Je to náš nejoblíbenější vyhledávač, protože prohledává webové stránky všech leteckých společností a vždy najde to nejlevnější spojení.
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Proč nedoporučujeme nějakou českou pojišťovnu? Protože mají dost omezení. Mají limity na počet dnů v zahraničí, v případě cestovka u kreditní karty po vás chtějí platit zdravotní výdaje pouze danou kreditní kartou a často limitují počet návratů do ČR.
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