Haines e Skagway, Alasca: 14 dicas do que ver e fazer

Quando você cruza a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos e começa a descer pela Haines Highway do Yukon em direção ao oceano, o coração aperta de tanta beleza. Eu e Lukáš escolhemos exatamente essa clássica rota de road trip pelo Alasca, e aquela visão da água turquesa se refletindo nas sombras profundas das montanhas íngremes é simplesmente inesquecível. O ar é tão cortante e limpo que você o bebe a plenos pulmões. Toda vez que voltamos ao Alasca, a majestade absoluta e crua da natureza daqui me surpreende de novo. A ponta norte da famosa Inside Passage esconde duas cidades que mal poderiam ser mais diferentes, e ainda assim formam um par alascano absolutamente perfeito. De um lado, a tranquila e pesqueira Haines, cheia de águias-carecas, para onde chegamos pelo lado canadense das montanhas; do outro, Skagway, a animada porta de entrada para a era da Corrida do Ouro do Klondike, onde no verão o movimento não para um segundo.

Tenho catorze dicas para você, mas primeiro um aviso — quando descobrir quanto custa uma noite de hotel por aqui, feche os olhos por um momento e lembre-se das vistas incríveis das montanhas. Vamos passar por tudo, desde os milhares de aves de rapina no rio Chilkat até o trenzinho histórico nas montanhas, além de dicas de como planejar tudo isso sem precisar vender um rim. O Alasca não é barato, mas é um amor para a vida toda.

Tremoços e flores sobre o fiorde nos arredores de Haines
Tremoços e flores sobre o fiorde nos arredores de Haines

Conteúdo do artigo

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo todo

  • Melhor época para visitar: Verão (maio a setembro) para o turismo convencional e atrações abertas, mas para amantes da natureza e fotógrafos o ponto alto absoluto é novembro, quando milhares de águias chegam a Haines para o festival.
  • Como chegar: O ideal é um road trip de carro saindo do Yukon canadense pela magnífica Haines Highway. Para quem viaja sem carro, há balsa pelo Alaska Marine Highway System saindo de Juneau, ou o catamarã rápido entre Haines e Skagway.
  • Duas faces bem diferentes: Haines é uma cidade tranquila com cultura tlingit autêntica e natureza selvagem. Skagway é um centro turístico vibrante, repleto de história da corrida do ouro e de grandes navios de cruzeiro.
  • Principais experiências: A viagem de trem White Pass Railway em Skagway (reserve com bastante antecedência) e a observação de águias na Reserva Chilkat em Haines.
  • Orçamento: Prepare-se para preços salgados. A travessia de balsa a pé sai por cerca de 49 USD (aprox. 280 BRL), o trem histórico custa por volta de 135 USD (aprox. 770 BRL) e a hospedagem na alta temporada raramente fica abaixo de 230 USD por noite (aprox. 1.300 BRL).
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Quando ir e como chegar até o norte

Planejar uma viagem ao Alasca exige um pouco de estratégia e muita reserva antecipada, pois a temporada aqui é incrivelmente curta. No inverno, Skagway tem pouco mais de mil habitantes e parece uma cidade fantasma, mas assim que os primeiros grandes navios de cruzeiro chegam em maio, a população diurna pode aumentar em quatro mil pessoas de uma vez. Se você quer aproveitar todos os pontos turísticos, restaurantes e viagens sem stress, vá entre maio e setembro. Mas se o objetivo é ver a maior concentração de águias-carecas do planeta, você precisa ir a Haines em novembro, quando acontece o famoso festival.

O transporte é metade da experiência toda. Eu e Lukáš chegamos de carro a partir de Whitehorse, no Yukon canadense, passando por Haines Junction. A estrada Haines Highway oferece alguns dos cenários montanhosos mais bonitos que já vimos e dá uma liberdade enorme. Mas se você não tiver carro, de Juneau dá para chegar a Haines de avião pequeno ou pela balsa estatal Alaska Marine Highway System. A travessia dura quase cinco horas e custa cerca de 49 USD por passageiro a pé. A balsa funciona como um transporte público do norte e as vistas das geleiras do convés não têm preço. De Haines para Skagway, um catamarã privado faz o trajeto em 45 minutos, tornando as duas cidades perfeitas para um passeio de um dia. Mas compre os ingressos da balsa de verão assim que o sistema abrir — as vagas somem num piscar de olhos!

Onde se hospedar e quanto custa tudo isso

Para ser honesta, as férias no Alasca nunca foram e nunca serão baratas — melhor aceitar isso logo de cara 😅. Pagamos mais por uma noite num motel mediano do que pagaríamos por três noites em São Paulo, e ninguém nem se desculpou, mas sabe o quê? A natureza compensa tudo. Para uma semana na região para duas pessoas, calcule entre 2.300 e 3.200 USD só em hospedagem, transporte e alimentação básica, sem contar excursões mais caras.

Porto de Haines com montanhas ao fundo e flores
Porto de Haines com montanhas ao fundo e flores

Haines é em geral um pouco mais barata e oferece ótimas opções de camping. Se você prefere um teto fixo, recomendo escolher entre três opções. Para quem quer o máximo de conforto, há o Aspen Suites Hotel Haines, com quartos modernos e espaçosos. Uma ótima opção intermediária com vistas lindas para a baía e equipe muito simpática é o The Captain’s Choice Motel. Para quem viaja com orçamento mais limitado, o aconchegante Lynn View Lodge cai muito bem.

Em Skagway, tem um charme especial se hospedar em prédios históricos do final do século XIX, onde os visitantes se sentem como verdadeiros garimpeiros. Para uma experiência histórica mais sofisticada bem no centro, a recomendação é o Historic Skagway Inn. Para um padrão confortável com bom custo-benefício, o popular Westmark Inn Skagway é uma escolha certeira. Quem busca algo mais econômico, mas ainda muito agradável, costuma optar pelo At the White House.

Haines: 8 lugares para visitar e o que fazer na cidade

Enquanto Skagway é como um parque de diversões barulhento e animado, Haines é o irmão mais velho, quieto e durão, que não precisa provar nada a ninguém. Essa discreta cidadezinha madeireira com cerca de 1.700 habitantes preservou sua atmosfera autêntica, suas raízes profundas na cultura tlingit e oferece acesso a uma natureza simplesmente espetacular. Vamos ver o melhor que dá para viver aqui, seja você do tipo que quer uma subida brutal na montanha ou que prefere buscar museus inusitados.

1. Chilkat Bald Eagle Preserve (O paraíso das águias)

Essa é a joia absoluta de toda a região. A reserva estadual protege uma área enorme e é palco da maior concentração de águias-carecas da Terra. Entre outubro e dezembro, incríveis 3.500 dessas aves enormes se reúnem às margens do rio Chilkat. O segredo desse fenômeno é a atividade geotérmica que aquece o leito do rio por baixo, fazendo com que parte do rio não congele nem nos frios mais intensos.

Águia-careca na Chilkat Bald Eagle Preserve perto de Haines
Águia-careca na Chilkat Bald Eagle Preserve perto de Haines (Foto: NARA / Wikimedia Commons, domínio público)

As águias vêm atrás da migração tardia de salmões, que servem como um banquete farto, e os melhores pontos para fotografar ficam nos mirantes ao longo da Haines Highway, que acompanha o rio o tempo todo. Prepare uma teleobjetiva bem potente e, principalmente, muita roupa quente — ficar horas parado no vento gelado com o dedo no botão é um esporte só para entusiastas de verdade.

2. Alaska Bald Eagle Festival

Se você quer combinar a observação de águias com uma experiência cultural, planeje sua viagem para o início de novembro, quando a cidade sedia o festival oficial. O evento é organizado pela fundação local e, além da observação em si, inclui palestras com especialistas, soltura de aves resgatadas de volta à natureza e muito comida local.

Durante o festival, ônibus especiais saem da cidade levando os visitantes diretamente aos melhores pontos de observação da reserva, o que é muito prático, pois em novembro as estradas podem ser traiçoeiras. É um exemplo lindo de como a comunidade local vive em harmonia com a natureza.

3. Subida ao Monte Ripinsky (só para os corajosos)

O Monte Ripinsky domina o panorama da cidade de forma imponente e, se você tiver boa forma física, é um desafio que não pode recusar. Mas preciso ser honesta: vai doer. A trilha principal é um percurso circular de 12 km com um desnível brutal de mais de 1.000 metros, que você vence numa distância muito curta.

Caminhante sobre o fiorde no Monte Ripinsky, subida para corajosos
Caminhante sobre o fiorde no Monte Ripinsky, subida para corajosos

O terreno é classificado oficialmente como muito difícil, vira uma pista de lama escorregadia depois da chuva, com raízes por todo lado — mas a vista do topo compensa cada gota de suor. Você enxerga o Lynn Canal inteiro, as geleiras e o rio Chilkat como se fosse um mapa. Como você estará se movendo em território densamente habitado por ursos, é absolutamente essencial seguir as regras de segurança e ter o bear spray (spray de defesa contra ursos) sempre à mão. Os sininhos na mochila realmente não bastam aqui!

4. Hammer Museum (único no mundo)

O Alasca é cheio de esquisitices e Haines não decepciona nesse quesito. Na Main Street você encontra um museu com uma réplica de seis metros de altura de um martelo na entrada. É o primeiro museu do mundo dedicado exclusivamente a essa ferramenta, e é exatamente tão bizarro e encantador quanto parece.

Expositores do Hammer Museum em Haines, único no mundo
Expositores do Hammer Museum em Haines, único no mundo (Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

A entrada custa 7 USD (cerca de 40 BRL) e lá dentro você encontra mais de 2.500 peças expostas, de instrumentos de percussão antigos a martelos cirúrgicos. O dono é um apaixonado de verdade e consegue falar sobre martelos com tanto entusiasmo que você acaba ficando muito mais tempo do que planejou.

5. Fort William H. Seward

Para os amantes de história militar, a visita ao antigo forte de 1903 é obrigatória — ele tem o status de patrimônio histórico nacional. O Exército americano o desativou logo após a Segunda Guerra Mundial, mas o complexo de prédios originais dispostos em torno de um grande campo de instrução está muito bem preservado e hoje forma uma espécie de bairro pitoresco dentro da cidade.

Fort William H. Seward, fortaleza histórica em Haines
Fort William H. Seward, fortaleza histórica em Haines (Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

Você pode passear livremente por ali, absorver a atmosfera do início do século XX e admirar as belas casas de madeira dos oficiais com vista para o mar. Algumas delas hoje abrigam galerias ou cafés charmosos — aproveite para tomar um café da tarde e fingir que mora num apartamento de oficial com vista para o fiorde.

6. Cultura indígena e a Tlingit Indian Trail

Se você tem interesse nos povos originários do Alasca, vá até a aldeia tradicional de Klukwan, cerca de 36 km a noroeste de Haines. Ela fica às margens do rio Chilkat e é o lar do povo Tlingit.

Tremoços e flores sobre o fiorde nos arredores de Haines
Tremoços e flores sobre o fiorde nos arredores de Haines

No coração da aldeia fica o moderno centro cultural Jilkaat Kwaan Heritage Center, onde é possível ver totens esculpidos lindíssimos, canoas tradicionais e as raríssimas mantas rituais conhecidas como Chilkat blankets. Os guias locais explicam o complexo sistema de clãs e uma história que remonta a milhares de anos. Foi, sinceramente, um dos lugares mais marcantes de toda a viagem para mim, porque de repente o Alasca deixou de ser só sobre a natureza e passou a ser sobre as pessoas.

7. A tranquila Battery Point Trail

Se você viaja com crianças, ou simplesmente não está com vontade de se matar na subida brutal do Monte Ripinsky, a Battery Point Trail foi feita para você. É uma caminhada muito tranquila, com quase 4 km, que passa por uma linda floresta temperada costeira.

Caminhante com vista para o fiorde perto de Haines
Caminhante com vista para o fiorde perto de Haines

O percurso é plano, cheira a pinheiro e termina numa praia de pedrinhas encantadora chamada Kelgaya Point. De lá, você costuma ver focas, e com muita sorte até baleias ao longe. É o lugar perfeito para um piquenique à tarde.

8. Atenção: Kroschel Films Wildlife Center

Incluo este ponto mais como um aviso importante do que como recomendação. Talvez você encontre em alguns guias mais antigos informações sobre o centro de resgate de animais administrado pelo cineasta Steve Kroschel, onde era possível ver de perto lobos, wolverines e renas.

O problema é que, em 2024, o centro perdeu a licença oficial do Ministério da Agricultura dos EUA (USDA) para atendimento ao público, devido a repetidas infrações de segurança e higiene (incluindo uma fuga bastante cômica, mas perigosa, de um alce chamado Duck Moses). Antes de planejar uma visita, verifique com muito cuidado no site oficial da cidade se o centro já reconquistou a certificação, para não fazer a viagem até uma porta fechada.

Skagway: 6 dicas de experiências nos rastros dos garimpeiros

Quando os visitantes chegam a Skagway, sentem a mudança de energia na hora. Essa cidade vive e respira a história do Klondike — calçadas de madeira ladeadas por fachadas históricas, e por todo lado cheiro de carne assada e cerveja gelada. Ok, às vezes parece um grande parque temático lotado de passageiros de cruzeiros, mas a cidade conquista qualquer um. A corrida do ouro de 1897 e 1898 deixou uma marca tão profunda aqui que a cidade vive disso até hoje.

1. De trem pela White Pass & Yukon Route Railway

Esse é o ponto alto absoluto de Skagway e, honestamente, um dos passeios de trem mais bonitos de toda a América do Norte. A histórica ferrovia de bitola estreita foi esculpida na rocha em 1898, com muito esforço e dinamite. O trenzinho com vagões antigos sobe do nível do mar até mais de 900 metros de altitude numa distância de apenas 32 km, e as vistas para os cânions profundos tiram o fôlego.

Trem White Pass and Yukon Route perto de Skagway
Trem White Pass and Yukon Route perto de Skagway (Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

Os ingressos precisam ser comprados com bastante antecedência! O passeio clássico de ida e volta, com duração de três horas, custa cerca de 135 USD (aprox. 770 BRL). Se você comprar o mesmo passeio a bordo de um navio de cruzeiro, o preço pode facilmente passar de 230 USD. Andar num vagão rangendo à beira de precipícios por onde os garimpeiros levavam seus cavalos é uma experiência que não se esquece.

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2. Passeio pelo Klondike Gold Rush National Historical Park

Todo o centro de Skagway ao longo da Broadway Street é protegido pelo Serviço Nacional de Parques dos EUA. E a melhor parte? A entrada é totalmente gratuita. Não há cobrança de ingresso geral para a cidade — basta entrar no centro de visitantes, pegar um mapa e sair para explorar por conta própria.

Centro histórico de Skagway, Klondike Gold Rush National Historical Park
Centro histórico de Skagway, Klondike Gold Rush National Historical Park (Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

O serviço de parques mantém mais de vinte prédios de madeira originais da época da corrida do ouro, e em vários deles você pode espreitar por dentro — sejam os antigos saloons, armazéns ou até bordéis históricos.

3. O desafio extremo da Chilkoot Trail

Para viajantes com sangue aventureiro e bastante tempo disponível, essa é uma trilha lendária. A Chilkoot Trail tem 53 km, começa perto de Skagway, no vilarejo de Dyea, e termina no Lago Bennett, já no Canadá. Por esse caminho passaram milhares de garimpeiros, cada um carregando centenas de quilos de mantimentos obrigatórios.

Cabana de madeira na Chilkoot Trail perto de Bennett, desafio extremo
Cabana de madeira na Chilkoot Trail perto de Bennett, desafio extremo (Foto: Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0)

O trecho mais famoso são os chamados Golden Stairs (Escadas Douradas), uma encosta gelada e íngreme onde os homens precisavam talhar 1.500 degraus na neve. Hoje é uma trilha de mochilão de vários dias, muito exigente. Para fazê-la, é preciso obter uma permissão especial (permit) dos parques americanos e canadenses, que costuma estar esgotada com meses de antecedência.

4. Passeio de barco até as geleiras do Tracy Arm Fjord

O passeio até o Tracy Arm é um espetáculo de não saber para onde olhar primeiro — um fiorde estreito espremido entre falésias de quilômetros de altura e, no fundo, as geleiras azuis de Sawyer Glaciers, que parecem de outro planeta. O passeio de dia inteiro em barcos menores custa cerca de 329 USD (aprox. 1.870 BRL), mas vale cada centavo.

Passeio de barco até as geleiras do Tracy Arm Fjord
Passeio de barco até as geleiras do Tracy Arm Fjord (Foto: Wikimedia Commons, CC BY 2.0)

Os catamarãs menores, ao contrário dos transatlânticos gigantes, conseguem se esgueirar entre as icebergs flutuantes e chegar bem pertinho da enorme parede da geleira. É comum ver blocos gigantescos de gelo do tamanho de prédios se desprendendo e caindo na água, e o som, parecido com um tiro de canhão, ecoa pelo fiorde inteiro.

5. Fuga para a norueguesa Petersburg

Se as multidões de verão em Skagway ficarem pesadas demais, existe uma dica secreta de local. Aventure-se para fora das rotas turísticas principais, em direção ao sul, até a cidadezinha de Petersburg, na Ilha Mitkof. Os grandes navios de cruzeiro não conseguem entrar lá por causa das águas rasas, então reina uma paz divina numa comunidade de cerca de três mil moradores.

Petersburg, cidade norueguesa na Inside Passage
Petersburg, cidade norueguesa na Inside Passage (Foto: NOAA / Wikimedia Commons, domínio público)

A cidade foi fundada por imigrantes noruegueses e até hoje mantém forte influência escandinava. Em maio, acontece aqui o Little Norway Festival, com danças folclóricas norueguesas, sanduíches abertos e uma competição absolutamente surreal de arremesso de arenques crus num alvo. É uma daquelas esquisitices do Alasca que é impossível não amar.

6. De catamarã rápido entre as cidades

Uma opção logística bem interessante é usar a linha privada Haines-Skagway Fast Ferry. Em vez de reservar dias separados para cada cidade e pagar duas hospedagens distintas, dá para ir e vir facilmente.

O serviço é só para passageiros a pé, a travessia dura 45 minutos e dá uma flexibilidade incrível. Você pode dormir no Haines, mais tranquilo e barato, pegar o barco rápido de manhã para Skagway, fazer o passeio de trem histórico, comer um ótimo hambúrguer e voltar à noite para o seu refúgio na floresta — sem precisar dar uma volta enorme pelo fiorde de carro.

Onde comer e beber bem

A gastronomia do Alasca é muito voltada para frutos do mar, porções generosas de carne e cervejas artesanais locais fantásticas. Como depois das trilhas você vai querer comer de verdade, separei os lugares favoritos por clima e orçamento.

Restaurantes em Haines

Se a fome bater em Haines, pode ter certeza que você não vai se entediar. Experimentamos de tudo por aqui, de jantares mais sofisticados a barracos de comida de rua, e a qualidade nos surpreendeu muito.

  • Para um jantar romântico a dois: Vá ao The Pilot Light. Fazem uma cozinha moderna incrível, com foco em ingredientes locais, e o ambiente é perfeito para uma noite regada a vinho.
  • Para ir com a família: O Lighthouse Restaurant fica bem no porto, com vista para os barcos navegando pelo Lynn Canal. Servem os clássicos de sempre — fish and chips confiável e hambúrgueres suculentos que saciam mesmo depois de um dia inteiro de trilha.
  • Onde os locais vão: Para o café da manhã e os lendários burritos matinais, a parada obrigatória é o Mountain Market & Cafe. É uma instituição onde você encontra todos os madeireiros e guias da cidade. À tarde, o Sarah J’s é um café ótimo com um clima bem descontraído.
  • Quando o orçamento aperta: Procure a barraquinha Big Foot Dogs. É bem na rua, fazem hot dogs caprichados estilo Alasca e por poucos dólares você sai satisfeito.

Restaurantes em Skagway

Em Skagway, a gastronomia é muito sobre calorias e clima de corrida do ouro. A comida é mais pesada, farta e feita para repor energia depois de um dia de aventura pelos morros.

  • Um toque de luxo no estilo garimpeiro: O Olivia’s at the Skagway Inn é um bed and breakfast histórico com um restaurante realmente bonito. A cozinha de lá oferece peixes maravilhosos e legumes frescos, o que é uma raridade no Alasca.
  • Cerveja e muito petisco: Um clássico absoluto é a enorme cervejaria Skagway Brewing Co. Vale experimentar a Spruce Tip Blonde Ale, uma cerveja surpreendentemente refrescante feita com brotos jovens de abeto. É de lá sempre e combina perfeitamente com as costelas deles.
  • Uma noite animada: Para viver um bar alascano de verdade, entre no Bonanza Bar & Grill. Costuma estar cheio, barulhento e fazem hambúrgueres ótimos.
  • Café da manhã dos campeões: De manhã, antes do passeio de trem, a parada ideal é o Sweet Tooth Café. Um diner clássico americano, daqueles que servem café coado numa jarra de vidro e panquecas do tamanho de um prato raso.

Dicas práticas para a viagem (como economizar e o que resolver antes)

Eu e Lukáš viajamos bastante e ao longo dos anos descobrimos alguns serviços sem os quais não saímos mais. Planejar uma viagem ao Alasca exige precisão, então aqui vão nossos parceiros de confiança.

Onde encontrar passagens aéreas

Para passagens para o Alasca a partir do Brasil, o ponto de partida é pesquisar nos grandes agregadores como o Kiwi, que é excelente para montar combinações de voos com múltiplas escalas — e os voos até o Alasca costumam mesmo ter conexões variadas. A maioria dos voos do Brasil passa por grandes hubs americanos como Miami, Nova York ou Los Angeles antes de conectar para Seattle, que é a principal porta de entrada para o Alasca.

Costumamos fazer conexão em Seattle, que é como a estação central do Alasca. Recomendo deixar pelo menos três horas de folga na conexão, porque o controle de imigração americano pode demorar bastante.

Aluguel de carro

Se você planeja um road trip pelo Yukon canadense e a travessia por terra até Haines, vai precisar de um carro de verdade (idealmente 4×4, embora no verão um SUV comum já dê conta). Eu e Lukáš temos boa experiência com o RentalCars, que usamos no mundo todo — eles comparam as ofertas de todas as grandes locadoras no aeroporto de forma prática.

Contrate sempre o seguro completo sem franquia. As estradas de cascalho do norte, especialmente o trecho canadense da Haines Highway, podem danificar o para-brisa ou o chassi de quem não está protegido. Pagar um pouco mais por essa tranquilidade vale muito a pena.

Reserva de hospedagem

Vou repetir: reserve com antecedência! O Booking.com é o nosso buscador de hotéis favorito — recomendo filtrar por opções com cancelamento gratuito, porque no Alasca os planos mudam muito por causa do tempo.

Eu e Lukáš aprendemos essa lição logo na primeira viagem ao Alasca, quando tentamos achar quarto de última hora e acabamos dormindo de barraca na chuva. Desde então, temos como regra resolver toda a hospedagem com pelo menos seis meses de antecedência.

Não esqueça do seguro e da conexão de dados

Nos EUA, jamais — realmente jamais — viaje sem um seguro de saúde robusto. Uma visita ao hospital por lá pode arruinar suas finanças de uma vez. Para viagens mais curtas, gostamos da AXA, e para viagens longas ou com trilhas mais exigentes, confiamos no True Traveller, que cobre esportes mais radicais. Para ter dados no celular durante a viagem e usar mapas e pesquisar horários de balsas, recomendo contratar antes de viajar um eSIM da Holafly.

Quanto aos dados móveis, o Wi-Fi público no Alasca é bastante escasso e instável. Foi graças ao chip de dados que nunca nos perdemos nem nas estradas mais remotas na floresta e conseguíamos consultar os horários das balsas em tempo real.

O que levar nas trilhas

O tempo na Inside Passage é absolutamente imprevisível. De manhã pode estar perto de zero grau, ao meio-dia sol forte e à tarde uma chuva gelada. Vista em camadas. O item mais importante são botas de trilha impermeáveis de qualidade, porque muitas trilhas na floresta — como a Battery Point Trail — ficam lamachentas o tempo todo. E não esqueça o binóculo para observar as águias!

Além disso, não abrimos mão de um casaco de plumas leve que cabe numa bolinha e de roupas térmicas. Sem elas, eu provavelmente não teria sobrevivido às neblinas da manhã no rio Chilkat — aquele frio consegue entrar até os ossos.

O que mais ver no Alasca

Se você tiver mais tempo para explorar o litoral noroeste, não fique só em Haines e Skagway. Toda a região da Inside Passage é mágica. Recomendo sair da balsa e explorar:

Perguntas frequentes (FAQ)

Jak se dostat do Haines a Skagway (z Yukonu, trajektem, letadlem)?

Nejlepší cestou pro roadtrip je jízda autem z kanadského Yukonu po nádherné Haines Highway. Bez auta lze využít státní trajekty AMHS z Juneau, případně malá vyhlídková letadla. Mezi samotným Haines a Skagway pak funguje rychlý katamarán.

Kdy jet na Aljašku do Haines a Skagway?

Hlavní turistická sezóna probíhá od května do září, kdy je otevřená většina služeb a panuje příjemnější počasí. Pokud ale chcete zažít slavný Chilkat Bald Eagle Festival, musíte přijet v listopadu.

Haines vs. Skagway: Co je lepší navštívit?

Haines je klidnější, autentičtější a nabízí úžasnou přírodu v čele s pozorováním orlů a medvědů. Skagway je naopak rušné turistické centrum zaměřené na historii zlaté horečky a jízdy historickým vlakem.

Jak dlouho trvá návštěva obou měst?

Na obě města si vyhraďte ideálně 3 až 4 dny. Dva dny strávíte v přírodě kolem Haines a jeden až dva dny věnujete památkám a vlaku ve Skagway.

Jezdí trajekt z Juneau do Haines a Skagway?

Ano, státní trajekty Alaska Marine Highway System (AMHS) pravidelně spojují Juneau s oběma městy. Plavba do Haines trvá necelých pět hodin a lístky je nutné rezervovat s velkým předstihem.

Kdy se koná Chilkat Bald Eagle Festival?

Tento slavný festival probíhá v Haines každoročně na začátku listopadu. K řece Chilkat se v té době slétají tisíce orlů bělohlavých za potravou.

Jak rezervovat lístky na vlak White Pass ve Skagway?

Jízdenky na historickou železnici White Pass & Yukon Route mizí velmi rychle, proto je kupujte online měsíce dopředu. Cesta nabízí jedny z nejkrásnějších horských výhledů v Severní Americe.

Tipy a triky pro vaší dovolenou

Nepřeplácejte za letenky

Letenky hledejte na Kayaku. Je to náš nejoblíbenější vyhledávač, protože prohledává webové stránky všech leteckých společností a vždy najde to nejlevnější spojení.

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