Quando você acorda de manhã no seu cruzeiro no Alasca, abre as cortinas da cabine e, em vez do oceano monótono, vê majestosos picos nevados se erguendo direto das águas turquesa — aí você entende que essa vai ser uma experiência absolutamente espetacular. Eu e o Lukáš descobrimos uma coisa fundamental no Alasca: organizar um road trip de carro consome a maior parte da energia e do dinheiro, porque nas regiões mais remotas você fica caçando motéis absurdamente caros e torce para não bater num alce na estrada escura.
Já um navio de cruzeiro exige cerca de cinco por cento desse esforço, porque você simplesmente embarca em Seattle e o seu hotel flutuante com restaurante te leva pelas baías mais lindas do mundo. ☺️ Da próxima vez, só de navio mesmo.
Então, o que te espera aqui? Vou te ajudar a escolher o navio, a cabine e o roteiro, vou contar quanto essa aventura nos custou em 2026, e ainda trago dicas locais de cada porto — incluindo aquelas que nenhum guia menciona.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Melhor roteiro: Os cruzeiros de sete dias saindo de Seattle ou Vancouver são os mais populares e logisticamente mais simples. Você não precisa se preocupar com voos domésticos complicados.
- Glaciares são essenciais: Escolha sempre um itinerário que inclua o Glacier Bay National Park ou o Hubbard Glacier. É o principal motivo pelo qual as pessoas vêm até aqui.
- Sacada é indispensável: Economizar numa cabine interna sem janela é um erro enorme. No Alasca, você quer observar baleias da sua própria cama, não brigar por espaço no convés público sob chuva e vento.
- Quando ir: A temporada vai de maio a setembro. Julho é o mais quente, mas os melhores preços e menos multidões estão em maio ou setembro.
- Orçamento: Separe em torno de 1.500 a 2.500 USD por pessoa para um cruzeiro de sete dias em cabine com sacada, mais passagens aéreas e dinheiro para excursões.
Quando fazer o cruzeiro pelo Alasca e como tudo funciona
A temporada de cruzeiros para o Alasca é rigidamente delimitada pelo clima imprevisível da região. Os primeiros navios partem no final de abril e os últimos deixam as baías dos glaciares por volta do fim de setembro. Se você busca o equilíbrio entre bom preço e clima razoável, recomendo focar no final de maio ou início de setembro. O próprio porto de Seattle deve registrar um número recorde de embarques em 2026, então planejar com um ano de antecedência deixou de ser apenas uma vantagem — virou necessidade absoluta. O segredo para sobreviver bem no Alasca, aliás, está nas camadas de roupa. De manhã faz frio de rachar, ao meio-dia no sol você tira o casaco, e à noite no convés você vai procurar o gorro de lã.

O cruzeiro no Alasca em 2024 já bateu todos os recordes históricos de visitação, e 2026 promete ainda mais agitação, com novas companhias entrando nas águas alasquianas. Se você embarca em Seattle ou Vancouver, basta comprar uma passagem aérea do Brasil para lá. Do aeroporto, você chega facilmente ao terminal de embarque de Uber ou com o transfer do próprio navio.
Muita gente nos pergunta como chegar ao porto de Seward, e as opções são basicamente duas. De Anchorage (para onde você voará) até o porto de Seward, você pode pegar o trem cênico Alaska Railroad — que por si só já é uma experiência incrível — ou um ônibus especial. O trajeto dura cerca de duas horas e meia a três horas, com paisagens de tirar o fôlego.
Como escolher a cabine
Na hora de escolher a cabine, preciso te alertar sobre algo importante. As cabines internas sem janela parecem financeiramente muito tentadoras — partem de uns 400 a 700 USD por semana —, mas para o Alasca é provavelmente a pior decisão possível. O tempo costuma ser nublado e a ideia de disputar a vista de um glaciar se desprendendo com outros três mil passageiros no convés aberto, sob vento forte, não é exatamente o que você imagina para essa viagem.
Na minha opinião, a cabine com sacada é absolutidade indispensável. Acredite: a sensação de se embrulhar numa manta de manhã e tomar um chá quente na sua sacada particular enquanto placas de gelo azul flutuam ao redor do navio não tem preço. As cabines internas podem funcionar bem no Caribe, onde você passa o dia todo na piscina, mas o Alasca é sobre as vistas — sempre.
Os preços em 2026 giram em média entre 1.300 e 2.500 USD por pessoa. É um gasto a mais, mas quando você, de roupão, leva o café para a sua sacada privativa e vê uma orca passar, esquece cada centavo gasto. As líderes tradicionais do mercado são a Princess Cruises e a Holland America Line, que têm acesso preferencial às baías dos glaciares. Para adultos que buscam mais sofisticação, a Celebrity Cruises é uma ótima pedida. Já se você viaja com crianças e não se importa com uma vibe mais animada, o cruzeiro no Alasca pela Norwegian Cruise Line ou o encantador cruzeiro no Alasca da Disney serão escolhas perfeitas.
O preço base da plavba, porém, é só o começo — leve isso em conta no seu orçamento. Você ainda precisa somar as taxas portuárias e impostos (em torno de 250 USD), a gorjeta obrigatória para a tripulação (cerca de 18 a 25 USD por dia) e os pacotes de internet ou bebidas, que podem facilmente sugar mais 100 USD por dia do bolso.
Antes do embarque (ou depois do desembarque), você quase certamente vai precisar passar pelo menos uma noite na cidade portuária. Nunca voe no mesmo dia do embarque — qualquer atraso no voo significa que o navio simplesmente parte sem você. Em Seattle, gostamos de ficar perto do Pike Place Market, de onde é fácil chegar ao terminal Pier 66. O hotel The Edgewater, que fica literalmente sobre a água, é uma ótima opção.
Itinerários: Por onde o navio passa e como escolher o roteiro certo
Essa escolha é a que mais deixa as pessoas em dúvida. Roteiro circular saindo de Seattle, ou de mão única saindo de Vancouver? Spoiler: depende principalmente de quanto você quer resolver em termos de logística de voos. Cerca de quatro quintos dos viajantes escolhem o roteiro circular, e para uma primeira viagem essa também é a nossa recomendação. Cada rota tem suas particularidades e pontos de atenção. Se você tende a ter enjoo, isso precisa pesar bastante na sua decisão.
A opção mais popular é o cruzeiro circular saindo de Seattle. A viagem começa e termina no mesmo lugar, o que economiza muito nas passagens aéreas de volta ao Brasil. Esses navios, porém, precisam contornar a costa oeste da Ilha de Vancouver pelo Pacífico aberto, onde as ondas podem ser um pouco mais agitadas. O itinerário típico inclui Juneau, Skagway, Ketchikan e um dia de navegação entre glaciares.
A segunda opção muito popular é o cruzeiro circular saindo de Vancouver, no Canadá. A vantagem é que os navios navegam desde o primeiro dia pelas águas protegidas do Inside Passage (Passagem Interior), onde as ilhas ao redor praticamente eliminam as ondas. O enjoo é quase nulo nessa rota.
Se você quer ver o máximo do Alasca e explorar o interior profundo com o Parque Nacional Denali, recomendo a chamada rota Glacier Discovery. É um cruzeiro de sete dias de mão única saindo de Vancouver com destino aos portos alasquianos de Whittier ou Seward (ou o inverso). Após o desembarque, você pode continuar a jornada por terra, de trem e ônibus, adentrando a natureza selvagem do Alasca. É logisticamente mais complexo e caro, pois você precisa de passagens aéreas de ida, mas você vê o Alasca em todo o seu esplendor.
Batalha dos glaciares: Quais ver e o que esperar de cada um
Um dia inteiro da sua viagem será dedicado exclusivamente à observação dos glaciares. Nesse dia você não sai do navio, veste as roupas mais quentes que tiver, pega uma caneca de chocolate quente e fica no convés enquanto o capitão manobra devagar pela baía repleta de blocos de gelo.

O Glacier Bay National Park é o momento pelo qual as pessoas vêm ao Alasca. Depois que estivemos lá, entendemos completamente. Trata-se de um parque nacional rigorosamente protegido, e a administração permite a entrada de apenas dois grandes navios por dia. O direito de acesso pertence principalmente aos navios da Princess e da Holland America. Diretamente no convés, sobem a bordo verdadeiros guardas do parque (Park Rangers), que narraram pelo sistema de som histórias fascinantes sobre ursos, jubarte e a história do gelo milenar. A baía é repleta de vida e a vista do icônico Margerie Glacier é provavelmente o momento mais marcante de toda a viagem.
Se o seu navio não tiver permissão para entrar no Glacier Bay, muito provavelmente irá até o Hubbard Glacier. Esse é um monstro à parte. É o maior glaciar de maré da América do Norte, com uma frente de incríveis onze quilômetros de largura e mais de cento e vinte metros acima do nível do mar. Apelidado de “glaciar galopante”, é famoso pelo desprendimento massivo de blocos de gelo (fenômeno chamado de calving). O som, segundo dizem, é como um tiro de canhão seguido de trovão. Preciso ser honesta, porém: o acesso a ele passa por uma parte mais agitada da baía. Se a névoa for densa demais ou houver excesso de gelo na água, o capitão não se aproxima por questões de segurança.
A terceira alternativa popular é o estreito fiorde Tracy Arm, com o Dawes Glacier ao fundo. É um cânion de granito dramático e belíssimo, cheio de cachoeiras barulhentas. Como o fiorde é muito estreito, os grandes navios têm dificuldade para manobrar e frequentemente não conseguem se aproximar o suficiente do gelo.
Paradas na rota: 12 lugares e experiências que você não pode perder
Cada porto ao longo da Passagem Interior tem um papel diferente. Mas preciso te avisar logo de cara: não espere uma natureza selvagem e tranquila. Quando três gigantes dos cruzeiros atracam ao mesmo tempo, os centros dessas cidades pequenas se transformam rapidamente num parque de diversões turístico. Mesmo assim, você vai encontrar coisas absolutamente incríveis. Aqui estão as nossas dicas.
1. Juneau e o majestoso Mendenhall Glacier
Juneau é a capital do Alasca — e só se chega lá de avião ou de barco. Não existe nenhuma estrada que leve até lá. É uma cidade incrível, cercada por montanhas íngremes. O grande atrativo para onde praticamente todo mundo vai é o Mendenhall Glacier, a menos de vinte quilômetros do centro.

A entrada para o glaciar e o centro de visitantes é praticamente gratuita (ou com uma tarifa mínima). Você chega lá facilmente de ônibus local, que circula direto do terminal do navio e custa cerca de 60 USD no ida e volta. A caminhada até a imponente Nugget Falls, a cachoeira que cai ao lado do glaciar, é absolutamente encantadora.
Preciso mencionar uma coisa triste, no entanto. O glaciar está recuando em velocidade impressionante por causa do aquecimento global, e a cada ano ele é um pouco menor. É mais um motivo para não adiar a visita ao Alasca. De volta ao centro de Juneau, você pode subir de bondinho pelo Mt Roberts Tramway até a montanha acima da cidade, com uma vista fantástica de todo o porto e do seu navio. O Lukáš tem um certo medo de altura, mas consegui convencê-lo a entrar no bondinho — e a vista valeu cada segundo de nervosismo.
2. Observação de jubarte em barcos pequenos
Se você ama animais e quer ver baleias — especificamente jubarte e, às vezes, orcas —, Juneau é provavelmente o melhor lugar do mundo para isso. As baleias chegam no verão para se alimentar e ficam nas águas rasas pertinho do porto.

O maior erro é comprar uma excursão em massa pelo navio num catamarã enorme para cem pessoas. Em vez disso, recomendo reservar com operadores locais independentes (como o Harv & Marv’s Outback Alaska), que levam no máximo seis pessoas num barco pequeno.
O preço fica entre 180 e 360 USD, mas as baleias ficam tão incrivelmente perto que eu e o Lukáš quase esquecemos de respirar — e sem aquela briga por espaço no corrimão. Os capitães locais sabem exatamente para onde ir e garantem três horas inteiras em pleno mar. Além disso, esses operadores estabelecidos garantem que você voltará ao navio a tempo.
3. Skagway e o clima da corrida do ouro
Skagway fica na ponta mais ao norte da Passagem Interior e funciona basicamente como um museu vivo da lendária corrida do ouro no Klondike de 1898. Caminhar pelo centro é como estar num filme de faroeste. Se você fechar os olhos, consegue imaginar perfeitamente os garimpeiros desesperados se arrastando pela lama há mais de cem anos.

O centro todo é emoldurado por calçadas de madeira, prédios históricos e bares estilo saloon da época. É incrivelmente fotogênico, embora precise admitir que na alta temporada chegam a desembarcar quatro mil turistas por dia, o que torna a experiência bem lotada. 😅
O que você não pode deixar de fazer é visitar o famoso Red Onion Saloon, que funcionou originalmente como um bordel de luxo para os garimpeiros. Hoje você toma uma cerveja deliciosa enquanto as garçonetes fantasiadas com espartilhos da época contam histórias picantes da história do lugar.
4. Passeio de trem pela White Pass & Yukon Route
Skagway é uma cidade incrível, mas o verdadeiro motivo para ir até lá é o trem. A histórica ferrovia de bitola estreita White Pass & Yukon Route é uma proeza da engenharia. Os prospectos a construíram em incríveis vinte e seis meses, detonando mais de quatrocentas e cinquenta toneladas de explosivos na rocha de granito duro.

Hoje esse lindo trem histórico te leva numa viagem de três horas de tirar o fôlego pela passagem de montanha, subindo até quase mil metros de altitude. Você passa por penhascos íngremes, gargantas profundas e rios ruidosos. É provavelmente a excursão mais popular e mais esgotada de todo o Alasca.
Você tem duas formas de comprar o ingresso. Comprar pelo navio dá mais tranquilidade, pois você embarca no trem diretamente no cais, ao lado do navio (cerca de 170 USD). Se comprar direto com a ferrovia, economiza alguns dólares (155 USD), mas precisa caminhar uns quinze minutos do porto até a estação histórica no centro da cidade.
5. Ketchikan, salmão e a cultura dos totens
Ketchikan é o primeiro porto alasquiano em que os navios entram ao navegar para o norte. É apelidada de “capital do salmão” e tem nada menos que cinco espécies diferentes (quem gosta de peixe vai adorar). Ketchikan também tem fama de ser a cidade mais chuvosa dos Estados Unidos, e podemos confirmar isso. Choveu a tarde toda quando estivemos lá, mas tinha um charme nórdico genuíno. Compramos um chá quente e nos escondemos sob a cobertura de uma das casinhas de madeira da Creek Street.

A cidade também abriga a maior coleção de totens esculpidos à mão do mundo. Se você tem interesse na cultura dos povos originários Tlingit, vale muito a visita ao Saxman Native Village ou ao Totem Heritage Center, pertinho do porto. É fascinante observar os escultores trabalhando ao vivo, criando troncos gigantes de madeira de cedro.
No centro da cidade, não perca a famosa Creek Street. É uma rua histórica construída completamente sobre palafitas acima de um rio de salmão. No passado foi um bairro boêmio cheio de contrabandistas e prostíbulos; hoje os casarões abrigam cafés encantadores, galerias e lojas de souvenirs. Do cais, às vezes você avista leões-marinhos brincando na água.
6. Voo de hidroavião sobre o Misty Fjords
Se você ainda tiver verba disponível em Ketchikan e quiser viver algo que vai lembrar pelo resto da vida, reserve um voo de hidroavião sobre o Monumento Nacional Misty Fjords.

É uma área enorme de fiordes de granito esculpidos pelos glaciares, aonde não chegam estradas e nem navios grandes. O hidroavião (floatplane) decola direto da água do porto e te leva sobre uma cenografia incrível de montanhas majestosas, lagos profundos e florestas densas. A maioria dos pilotos pousa na superfície de algum lago de montanha completamente isolado no meio da natureza intocada, para que você possa fotografar o silêncio e a beleza ao redor.
A excursão custa entre 300 e 400 USD, mas todos que já fizeram concordam que é o melhor investimento de toda a viagem. Só leve em conta que, por causa da baixa visibilidade e das condições do tempo, esses voos são cancelados com certa frequência em cima da hora.
7. Sitka e um toque de história russa
Sitka é a ex-capital do Alasca Russo (antes chamado de Novo-Arkhangelsk) e tem uma atmosfera completamente diferente dos outros portos. As multidões de turistas não são tão sufocantes e a cidade mantém um caráter local muito mais autêntico, já que fica na costa do Oceano Pacífico aberto.

A herança histórica russa se faz presente a cada passo. O ponto central é a bela catedral ortodoxa de madeira de São Miguel (Saint Michael’s Cathedral), com suas típicas cúpulas em forma de cebola — uma visita que recomendo muito.
Perto da cidade fica o Sitka National Historical Park, com uma trilha costeira ladeada por abetos milenares e totens indígenas. Quando fomos cedo pela manhã com o Lukáš, não encontramos quase ninguém. Depois de um dia inteiro de excursões em meio a multidões, aquilo foi um luxo.
8. Icy Strait Point e a fuga do turismo comercial
Icy Strait Point (perto da vila de Hoonah) é um porto diferente dos demais. É de propriedade privada de uma corporação indígena local do povo Tlingit. Se você já está cansado das lojas de diamantes e souvenirs baratos de Skagway ou Juneau, vai se apaixonar por esse lugar. O foco aqui é a preservação da cultura local e o respeito pela natureza.

Além da observação de baleias fantástica e bem mais intimista, tem uma grande especialidade de adrenalina por aqui. Eles têm um dos ziplins mais longos do mundo, chamado ZipRider. O assento te desce em velocidade impressionante do topo da montanha direto para a praia perto do porto.
Você também pode simplesmente sentar à beira do fogo na praia, experimentar os tacos de halibute locais e bater papo com os moradores sobre como é a vida no Alasca durante o longo e escuro inverno.
9. O santuário Fortress of the Bear
Ver um urso na natureza selvagem do Alasca é o sonho de quase todo mundo, mas sejamos realistas: os ursos ficam bem longe dos portos barulhentos cheios de turistas. Se quiser vê-los, recomendo visitar o santuário Fortress of the Bear, localizado nos arredores de Sitka.

Não é um zoológico, mas uma organização sem fins lucrativos que cuida de filhotes de urso órfãos, cujas mães muitas vezes morreram em atropelamentos ou foram vítimas de caçadores ilegais. Os ursos vivem em grandes recintos adaptados de antigas instalações de uma fábrica de papel — não é exatamente um cenário natural, mas os animais têm segurança e cuidado de primeiro nível.
A entrada custa apenas 15 USD e, honestamente, quando vi aqueles ursos de tão perto, lamentei não ter doado mais. Os cuidadores contam histórias incríveis sobre cada animal pelo nome.
10. Parada obrigatória em Victoria, no Canadá
Se o seu cruzeiro começa e termina em Seattle, com certeza o seu itinerário vai incluir uma breve parada no porto canadense de Victoria, na Ilha de Vancouver. O motivo é puramente burocrático. Uma lei americana (o Passenger Vessel Services Act, ou PVSA) proíbe navios de bandeira estrangeira de transportar passageiros entre dois portos americanos sem uma parada em solo estrangeiro.

O navio costuma atracar à noite, geralmente por apenas quatro a seis horas. A maioria das pessoas corre para os ônibus que vão para os famosos Butchart Gardens — um dos jardins botânicos mais bonitos e bem cuidados do mundo.
Se você não quiser pagar o ingresso dos jardins, recomendo pegar um táxi ou caminhar do porto até o centro de Victoria. É uma cidade lindíssima com forte tradição britânica, um parlamento iluminado de forma deslumbrante e o elegante hotel Empress.
11. Excursões pelo navio vs. passeios por conta própria
A compra de passeios nos portos é o momento em que o orçamento mais sangra. As companhias de cruzeiro cobram uma margem enorme nas excursões (em geral de trinta a cinquenta por cento a mais que o preço direto). O que você paga a mais por esse conforto é a garantia de que o navio nunca vai partir sem você, mesmo que o seu ônibus fure um pneu.
Pessoalmente, no Alasca prefiro operadores locais independentes. Isso significa preço menor, grupos muito menores e atendimento mais personalizado (como mencionei no caso das baleias). Mas há um grande PORÉM. Se você perder a hora de embarcar, o capitão não vai esperar. Você paga do próprio bolso o hotel e a passagem para o próximo porto, sem nenhuma misericórdia. Sempre deixe uma margem de pelo menos duas horas antes do horário de embarque obrigatório (o chamado “all aboard time”).
12. Ferries para os aventureiros que curtem a calma (AMHS)
Se a ideia de dividir um navio enorme com outros quatro mil passageiros e ter que se arrumar para o jantar formal te apavora, existe uma ótima alternativa local: o Alaska Marine Highway System (AMHS), o sistema estadual de balsas.
Funciona como uma espécie de rodovia aquática para os moradores locais. A passagem para um adulto saindo do estado de Washington até o Alasca custa em torno de 250 a 350 USD. Nesses navios não há piscinas nem cassinos — é transporte puro e simples. Você pode cortar ainda mais os gastos não pagando por uma cabine cara e montando a sua própria barraca direto no convés aberto traseiro, dormindo sob as estrelas como um verdadeiro aventureiro. ☺️
Onde comer
A comida a bordo é um assunto sobre o qual eu e o Lukáš conseguimos falar por horas. O valor da passagem já inclui o restaurante principal com menu de jantar de vários pratos e um enorme buffet disponível da manhã até a madrugada — o que para a gente representava um certo perigo. Encontramos salmão com surpreendente frequência até no cardápio do navio, e estava ótimo. O que não está incluso são os chamados specialty restaurants (churrascaria, bar de sushi), com taxa adicional de 30 a 50 USD por pessoa. Lembre-se também que as bebidas, exceto água, café coado e sucos no café da manhã no buffet, são cobradas à parte. Se você costuma tomar um vinho no almoço e no jantar ou alguns drinks à beira da piscina, vale a pena calcular antes se compensa assinar o pacote all-inclusive de bebidas.
Quando estiver caminhando pelos portos, aproveite para dar uma pausa na comida do navio. Em Skagway ou Juneau você vai encontrar restaurantes locais que oferecem o Salmon Bake — grandes filés de salmão fresco do Alasca assados lentamente numa grelha sobre madeira de amieiro ao ar livre, na floresta. Não é um jantar barato, mas aquele aroma e aquele sabor você não encontra em nenhum outro lugar do mundo. Em Juneau, eu e o Lukáš adoramos enfrentar a fila do Tracy’s King Crab Shack para comer um caranguejo delicioso. E se você quiser uma boa refeição de frutos do mar com vista para o porto em Skagway, vá direto ao Skagway Fish Company, que faz o melhor fish and chips da região.
Para onde ir depois
Se o norte selvagem dos EUA e o Alasca te fascinam, dá uma olhada nos nossos outros artigos detalhados sobre esse destino de tirar o fôlego, onde entramos em muito mais detalhes:
- Juneau, Alasca: 15 dicas do que ver e fazer
- Glacier Bay National Park: Guia completo
- Sitka, Alasca: A cidadezinha mais bonita com alma russa
- Quando visitar o Alasca: Guia de clima e temporada
Dicas e truques para uma viagem tranquila
Esses são os sites e serviços que eu e o Lukáš usamos há anos e sem os quais não viajamos mais.
Onde encontrar passagens aéreas
Para passagens baratas, usamos o Kiwi — é o nosso portal favorito, que conecta muito bem as companhias de baixo custo por toda a América. Para voos para Seattle ou Vancouver, pesquise sempre com pelo menos seis meses de antecedência.
Aluguel de carro
Se você quiser explorar o Alasca por conta própria antes ou depois do cruzeiro, costumamos usar o comparador RentalCars.com. Temos ótima experiência com eles no mundo todo — eles reúnem os preços de todas as grandes locadoras em um só lugar.
Não esqueça o seguro viagem
Num cruzeiro — e especialmente nos EUA, com o custo absurdo da saúde por lá — um bom seguro de viagem é absolutamente essencial. Para viagens mais curtas, costumamos usar a AXA, e para viagens longas de exploração, contamos com o True Traveller. Leia mais na nossa resenha sobre o SafetyWing.
Dados móveis no Alasca
Não jogue dinheiro fora com o roaming caro das operadoras brasileiras. Recomendo providenciar antes da viagem uma eSIM da Holafly, com a qual você terá dados ilimitados e bem rápidos em todo o território dos Estados Unidos.
FAQ — Perguntas frequentes sobre o cruzeiro pelo Alasca
Aqui estão as respostas para as perguntas que recebo com mais frequência dos leitores que estão planejando o seu primeiro cruzeiro pelo Alasca.
Který měsíc je nejlepší na plavbu po Aljašce?
Nejlepší počasí s nejdelšími dny a nejmenší šancí na vytrvalý déšť vás čeká v červenci a srpnu. Je to ale vrchol sezóny, takže počítejte s nejvyššími cenami a davy turistů. Pokud hledáte dobrý kompromis, my milujeme konec května a začátek června. Na vrcholcích hor je ještě spousta dramatického sněhu a medvědi se zrovna probouzejí k životu.
Která plavební společnost je pro Aljašku nejlepší?
Není jedna univerzální odpověď, záleží na tom, s kým cestujete. Princess a Holland America tu frčí roky a mají vstupenku do Glacier Bay prakticky jistou, což je podle nás argument číslo jedna. Pokud jedete s dětmi, nejlepší bude Disney Cruise Line nebo NCL s jejich zábavními parky na horních palubách. Zkuste si projít recenze k jednotlivým lodím podle vašich priorit.
Kolik stojí týdenní plavba po Aljašce?
Za týdenní plavbu pro jednu osobu v hezké balkonové kajutě zaplatíte v průměru od 1 500 do 2 500 USD v závislosti na měsíci a společnosti. K tomu ale musíte připočítat letenky do Seattlu/Vancouveru, přístavní poplatky (cca 250 USD), spropitné (cca 150 USD za týden) a lokální výlety (obvykle 100–300 USD za exkurzi).
Ve kterém měsíci je aljašská plavba nejlevnější?
Nejlevnější měsíce (tzv. shoulder season) jsou květen a následně konec září. Plavební společnosti potřebují na okrajích sezóny naplnit obrovské lodě, takže ceny kajut padají dolů klidně i o třetinu. Květen je trochu chladnější a na moři mohou být větší vlny, září už bývá sychravější s častějším deštěm, ale příroda je nádherná.
Jak je to s mořskou nemocí na aljašské plavbě?
Přímo Inside Passage (Vnitřní průliv) je chráněný masou ostrovů, takže moře je tu většinu cesty naprosto klidné jako na rybníku. Pokud vyplouváte z Vancouveru, jste chráněni prakticky neustále. Pokud ale vyplouváte ze Seattlu, čeká vás jeden den plavby otevřeným oceánem, kde to občas umí trošku houpat. Rozhodně doporučuji vzít si preventivně náplasti nebo Kinedryl.
Potřebuji pro plavbu víza do USA nebo Kanady?
Ano, a dejte si na to velký pozor. Protože velká část lodí začíná, končí nebo zastavuje v Kanadě (Vancouver, Victoria) a zároveň vplouvá do amerických přístavů na Aljašce, budete potřebovat schválená elektronická víza pro obě země. Jedná se o americkou ESTA a kanadskou eTA. Lodní personál to velmi důkladně kontroluje už při naloďování a bez nich vás zkrátka na loď nepustí.
Dá se na aljašské plavbě sezónně pracovat?
Určitě ano, pracovat na plující lodi po Aljašce zní jako obrovské dobrodružství. Lodní společnosti neustále nabírají tisíce zaměstnanců na pozice servírek, barmanů, pokojských nebo recepčních. Počítejte ale s tím, že jde o tvrdou dřinu. Pracuje se běžně 10 až 14 hodin denně, sedm dní v týdnu po dobu několika měsíců. Odměnou vám bude slušný výdělek, jelikož na lodi nemáte žádné náklady za stravu a ubytování, a volné hodiny strávíte procházkou po aljašských přístavech.
Tipy a triky pro vaší dovolenou
Nepřeplácejte za letenky
Letenky hledejte na Kayaku. Je to náš nejoblíbenější vyhledávač, protože prohledává webové stránky všech leteckých společností a vždy najde to nejlevnější spojení.
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Proč nedoporučujeme nějakou českou pojišťovnu? Protože mají dost omezení. Mají limity na počet dnů v zahraničí, v případě cestovka u kreditní karty po vás chtějí platit zdravotní výdaje pouze danou kreditní kartou a často limitují počet návratů do ČR.
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