Quando ir ao Alasca: Qual é o Melhor Mês para Viajar e Ver a Aurora Boreal (2026)

Quando eu e o Lukáš planejamos pela primeira vez nossa viagem ao Alasca, não pude deixar de rir da minha própria ingenuidade. Achei que daríamos a volta pelo Alasca em duas semanas, veríamos uns cinco ursos pelo caminho, tiraríamos fotos perfeitas com geleiras e, de noite, contemplaríamos romanticamente a aurora boreal. A realidade, porém, nos tirou dessa ilusão bem depressa. O Alasca é uma vastidão absoluta e implacável — um território selvagem que engole a Europa inteira com folga.

É um lugar onde a geografia e o clima ditam completamente o que você vai fazer e quanto vai pagar por isso. Sempre que alguém me pergunta quando ir ao Alasca, minha primeira resposta é uma contrapergunta: O que você quer viver por lá? A temporada de pesca do salmão e de observação de ursos é completamente incompatível com a temporada de aurora boreal. Passamos horas pesquisando o que abre onde e quando, quanto custa e o que evitar. Por isso, escrevi tudo aqui — mês a mês, sem romantizar. Simplesmente não quero que você volte para casa com a sensação de ter visto só névoa e mosquitos por todo esse dinheiro gasto. 😅

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Conteúdo do artigo

Resumo

Se você está com as malas já prontas e não tem tempo de ler o artigo inteiro, aqui estão os pontos mais importantes que você precisa gravar:

Estrada na névoa em Hatcher Pass — tempo típico do Alasca
Estrada na névoa em Hatcher Pass — tempo típico do Alasca
  • A alta temporada é extremamente curta: A temporada turística dura, na prática, apenas cerca de 100 dias, de junho até meados de setembro.
  • Não espere uma viagem barata: Hotéis em julho chegam a custar de 350 a 500 USD (cerca de 1.900 a 2.700 BRL) por noite, e alugar um carro comum sai na casa de alguns milhares de reais.
  • Aurora boreal no verão? Esquece: Por causa do fenômeno do sol da meia-noite, há luz até de madrugada no verão, então para caçar a aurora você precisa ir no outono ou no inverno.
  • Confusão de nomes (2026): O ponto mais alto da América do Norte se chamava Denali, depois virou McKinley, voltou a ser Denali e, desde 2025, o governo federal americano o chama novamente de McKinley. O parque nacional, porém, continua sendo Denali.
  • Os mosquitos são um pesadelo: Sem repelente com pelo menos 40% de DEET e uma rede protetora para a cabeça, não aventure para o interior em junho. Os moradores chamam o mosquito de “pássaro oficial do estado” — e não estão exagerando.
  • Metade do parque nacional está fechada: Por causa de um enorme deslizamento de terra, a única estrada do Parque Nacional Denali (Denali Park Road) está fechada a partir da milha 43 para o ano de 2026.

Quando ir ao Alasca e como chegar lá

Planejar as passagens e a data da viagem é, provavelmente, o passo mais importante de todo o processo. Não dá para simplesmente ir ao Alasca “quando der”. O principal portal aéreo é o Aeroporto Internacional Ted Stevens, em Anchorage (ANC), que na alta temporada recebe vários voos de Seattle e Chicago. Para quem vem do Brasil, porém, prepare-se para uma longa viagem com escalas.

Passagens de ida e volta saindo de São Paulo ou do Rio de Janeiro ficam em torno de 1.100 a 1.200 USD na alta temporada de verão, o que pode representar algo em torno de 6.000 a 6.500 BRL ou mais, dependendo da cotação. Vale pesquisar no Kiwi, que é nosso portal favorito para encontrar combinações de voos com boas tarifas. Vamos ver o que espera você em cada mês para que você possa escolher o ideal.

Taiga e montanhas do Alasca ao longo da Alaska Highway no verão
Taiga e montanhas do Alasca ao longo da Alaska Highway no verão

1. Maio: Começo mais barato, mas cheio de lama

Maio é uma temporada de transição bem peculiar. Há muito menos turistas e os preços de hospedagem são mais razoáveis — uma vantagem enorme para o orçamento. O problema é que muitos lagos em altitudes mais elevadas ainda estão cobertos por uma grossa camada de gelo.

Rio em vale arborizado no Alasca durante o degelo da primavera
Rio em vale arborizado no Alasca durante o degelo da primavera

As trilhas que você está ansioso para percorrer costumam estar intransitáveis, cheias de neve derretendo ou de lama sem fundo. Para caminhadas, não é o mês ideal. Mas se seu plano é principalmente uma road trip e observar a natureza despertando, você pode economizar bastante. 😉

2. Junho: Sol da meia-noite e mosquitos do inferno

Em junho, o Alasca ganha vida e começa a alta temporada. Você vai experimentar o fascinante sol da meia-noite — há luz a noite toda, o que significa que você pode sair para uma trilha às duas da manhã sem precisar de lanterna. Os campos florescem com flores silvestres e os animais estão muito ativos.

Montanhas de verão e vale verde no Alasca sob o sol de junho
Montanhas de verão e vale verde no Alasca sob o sol de junho

Aí entra a dura realidade do interior do Alasca: os mosquitos. Os moradores brincam que o Alasca não tem mosquitos comuns, mas sim vampiros imortais e infinitos. Acredite: sem uma rede protetora especial para a cabeça, não vá para o interior em junho. Essas criaturas vão te devorar vivo.

3. Julho e agosto: Pico absoluto e a corrida do salmão

Julho é o pico absoluto da temporada. Tudo está aberto, todos os passeios estão funcionando e é nessa época que começa a lendária corrida do salmão (sockeye salmon), que atrai dezenas de ursos pardos para as margens dos rios. É o melhor período para o famoso avistamento de ursos pescando nas cachoeiras do Parque Nacional Katmai.

Montanhas verdes do Alasca acima de um vale arborizado em julho
Montanhas verdes do Alasca acima de um vale arborizado em julho

Nos últimos anos, porém, julho também traz um risco enorme de incêndios florestais. Se o verão for quente, esteja preparado para ver os vales encobertos por uma névoa amarela de fumaça e as montanhas simplesmente sumindo da vista. Em agosto, começam as primeiras geadas noturnas, o que tem uma vantagem mágica: o frio finalmente mata os mosquitos e dá para respirar muito melhor.

4. Setembro: Cores do outono e o fim da festa

Na minha opinião, setembro é um dos meses mais bonitos. A tundra se pinta em tons incríveis de vermelho, laranja e dourado, o ar fica mais fresco e cortante. Além disso, com as noites se alongando, finalmente abre a janela para ver a aurora boreal.

Cores do outono na tundra do Noatak National Preserve
Cores do outono na tundra do Noatak National Preserve (Foto: NPS Photo / Wikimedia Commons, Public domain)

Tem um porém, no entanto. Em meados de setembro, a temporada de verão encerra de forma abrupta e sem piedade. A maioria dos hotéis, pousadas e restaurantes fora das grandes cidades simplesmente fecha as portas e só reabre em maio.

5. Outubro a março: Inverno para os corajosos

De novembro a março, o Alasca está tomado por um inverno rigoroso. É a época perfeita para ver a aurora boreal, andar de trenó puxado por cães, esquiar e praticar ice fishing (pesca no gelo). Em março, Anchorage também recebe a largada da icônica corrida Iditarod.

Primeira neve de outubro na Denali Park Road
Primeira neve de outubro na Denali Park Road (Foto: NPS Photo / Emily Mesner / Wikimedia Commons, Public domain)

As temperaturas no interior, porém, chegam facilmente a -40 °C. Outubro e abril são os meses de transição, chamados de “mud season” (temporada da lama) — os menos atrativos do ano para o turismo. Tudo derrete e vira um charco, então risque esses meses do seu planejamento sem dó.

Onde se hospedar e quanto custa tudo isso

Prepare o bolso, porque o Alasca definitivamente não é um destino barato. Esses cem dias de verão precisam sustentar os negócios locais por um ano inteiro — e isso se reflete diretamente nos preços. Eu e o Lukáš abrimos o Booking.com com a queixada caindo.

Enquanto em fevereiro um quarto decente em Anchorage custa em torno de 120 USD (aprox. 650 BRL), em julho e agosto o mesmo quarto é facilmente vendido por 350 a 500 USD (1.900 a 2.700 BRL). Por isso, reserve sua hospedagem com muitos meses de antecedência — idealmente pelo Booking.com, que é o nosso buscador favorito.

Onde ficar em Anchorage

A maioria dos viajantes passa a primeira e a última noite na metrópole de Anchorage. A cidade tem um jeito bastante industrial e enfrenta uma crise considerável de pessoas em situação de rua, mas é o único lugar onde você consegue comprar mantimentos e equipamentos a preços razoáveis com confiança.

Uma ótima base é o Hotel Captain Cook, que é mais caro, mas oferece vistas deslumbrantes dos andares superiores e ótima localização bem no centro. Se procura algo mais acessível, vale pesquisar pequenos B&B (Bed and Breakfast) nas bordas da cidade, em direção às montanhas. Pessoalmente, adoramos esse contato mais pessoal com os anfitriões locais.

Onde ficar no caminho para os parques nacionais

Se você for rumo ao norte, ao Parque Nacional Denali, uma excelente parada no meio do caminho é a pequena cidade de Talkeetna. É um vilarejo charmoso e levemente alternativo, com vistas incríveis para as montanhas e saídas de voos panorâmicos. A atmosfera dos cafés locais é simplesmente perfeita.

Logo na entrada do Parque Denali existem alguns grandes complexos hoteleiros construídos principalmente para passageiros de cruzeiros (como o McKinley Chalet Resort). Prepare-se para refeições em estilo buffet e preços estratosféricos, mas a localização não tem preço — de manhã você pode ser o primeiro na fila dos ônibus do parque.

Alasca em 13 passos: O que você precisa saber antes de partir

Planejar um roteiro pelo Alasca lembra um pesadelo logístico misturado com a tentativa de não decretar falência pessoal. Viajantes de fora têm uma tendência enorme de subestimar as distâncias — e eu entendo muito bem, no mapa parece pequenininho.

Van vermelha motorhome Chiquita em estrada do Alasca entre montanhas
Van motorhome vermelha Chiquita na estrada do Alasca entre montanhas

1. A confusão dos nomes (Denali x McKinley)

Se você comprar um mapa impresso ou digitar o destino no GPS em 2026, vai se deparar com um caos total na nomenclatura do ponto mais alto da América do Norte. Por muito tempo, a montanha se chamou Mount McKinley, em homenagem a um presidente americano que, curiosamente, nunca pisou no Alasca. Em 2015, o governo Obama restabeleceu o nome indígena original: Denali. Nos acostumamos todos.

Mas no início de 2025, um decreto presidencial devolveu oficialmente o nome McKinley à montanha. Para complicar ainda mais, o parque nacional continua sendo chamado de Denali National Park & Preserve. Na prática, mapas físicos impressos recentemente usam Denali, enquanto sistemas atualizados para 2026 te levam à Monte McKinley. Os moradores locais e as comunidades indígenas, porém, ignoram tudo isso e continuam chamando de Denali. Não se deixe confundir.

2. Alugar um carro vai custar uma fortuna

Um carro é absolutamente indispensável para explorar o Alasca, a menos que você queira passar toda a viagem dentro de ônibus. Os preços de aluguel, porém, são brutais. Um SUV comum na alta temporada sai facilmente por 150 a 300 USD (aprox. 800 a 1.600 BRL) por dia. Motorhomes e campervans começam em torno de 260 USD por noite.

Eu e o Lukáš temos boa experiência com o RentalCars, que usamos no mundo todo para comparar preços entre as locadoras. Reserve o carro com pelo menos seis meses de antecedência — caso contrário, no verão vão sobrar apenas os modelos de luxo mais caros.

3. A maioria das locadoras proíbe estradas de cascalho

No mapa pode parecer uma estrada normal, mas assim que você sai dos principais eixos asfaltados, a realidade bate na porta. Muitos lugares incríveis, como a aldeia de McCarthy no Parque Nacional Wrangell-St. Elias ou a icônica Dalton Highway que leva até o Círculo Polar Ártico, só são acessíveis por estradas de cascalho cheias de buracos.

A maioria das locadoras proíbe expressamente estradas não pavimentadas em seus contratos. Se você desrespeitar e furar um pneu (o que é muito comum), vai encarar alguns milhares de dólares de reboque do meio do nada. Para aventuras no interior selvagem, procure locadoras locais como a Go North, que autorizam 4×4 em estradas de cascalho.

4. O Clube dos 30% (The 30% Club) em Denali

O ponto mais alto do continente alcança impressionantes 6.190 metros de altitude, então você esperaria vê-lo de qualquer lugar. Ledo engano. O clima ao redor desse maciço gigantesco é tão imprevisível que a montanha gera sua própria cobertura de nuvens o tempo todo.

Surgiu até um termo para isso: “The 30% Club”. Significa que apenas cerca de trinta por cento de todos os turistas que visitam o parque conseguem ver a montanha inteira, sem nuvens. O restante fotografa uma neblina cinza e vai embora de mãos vazias. Tem gente que trabalha no parque a temporada toda e fica semanas sem ver a montanha. Por isso, não deixe para um único dia — recomendamos ficar pelo menos duas noites na região para aumentar suas chances.

Panorama da montanha Denali visto do McKinley Princess Lodge

5. Metade do Parque Nacional Denali está fechada

Esta é uma informação absolutamente crucial para quem planeja visitar em 2026. A única estrada que penetra fundo no Parque Nacional Denali (Denali Park Road) está atualmente fechada por volta da metade do seu trajeto. Na milha 43, um enorme deslizamento de terra causado pelo degelo do permafrost (área conhecida como Pretty Rocks) bloqueou o caminho.

Isso significa que os populares passeios de ônibus que levavam os turistas até o belo Wonder Lake — com vista perfeita para a montanha — simplesmente não existem no momento. Os ônibus fazem o retorno antes do deslizamento, e a reabertura completa do parque não é esperada antes da temporada de 2027.

6. Ver ursos no Katmai vai custar um salário

Quando você pesquisa Alasca no Google, é garantido que aparecem fotos e vídeos de enormes ursos pardos em pé na cachoeira, pegando salmões voando com a boca. Essas icônicas quedas d’água se chamam Brooks Falls e ficam no remoto Parque Nacional Katmai, no sudoeste do estado. Mas atenção: não existe nenhuma estrada até lá.

Para ver os ursos, você precisa voar de Anchorage até a cidade de King Salmon (passagem de ida e volta em torno de 500 USD) e de lá pegar um pequeno hidroavião (mais 450 USD). Some a isso a hospedagem perto do parque, que começa em 500 USD por noite. Uma diária na famosa Brooks Lodge chega a absurdos 1.200 a 1.600 USD. É uma experiência espetacular, mas exige uma reserva financeira generosa.

denali national park

7. A região do Inside Passage e as travessias chuvosas

O extremo sudeste do Alasca (região Southeast) parece no mapa um quebra-cabeça de ilhotas e fiordes profundos. Não há conexão rodoviária com o restante dos EUA, e para chegar a cidades como Juneau (a capital do estado) ou Ketchikan, você só vai de avião ou de barco. É o corredor principal dos grandes navios de cruzeiro.

Confesso que eu também me imaginava assim: baleias saltando, geleiras caindo, sol brilhando. A realidade é um pouco diferente. Em Juneau, por exemplo, chove em média 230 dias por ano e as temperaturas de verão caem tranquilamente para 10 °C. Relatos de viajantes confirmam que é bem comum passar uma travessia inteira numa neblina tão densa que mal se vê a proa do barco. Leve uma boa jaqueta impermeável para essa parte da viagem.

8. Não planeje mais de 5 horas de direção por dia

O Alasca é imensurável. Se você for fazer o clássico roteiro de carro, não tente ver absolutamente tudo. De Anchorage até Seward são 2h30 (cerca de 200 km); de Anchorage até Fairbanks, são 6 horas de direção pura. E isso sem parar.

As estradas costumam estar cheias de motorhomes, de vez em quando você precisa frear por causa de um alce na beira da pista, e a cada curva você vai querer parar para fotografar porque a paisagem simplesmente não te deixa em paz. Viajantes experientes concordam: assim que você coloca mais de quatro ou cinco horas de direção por dia no roteiro, a viagem vira um maratona exaustiva de volante e você perde o melhor que o Alasca tem a oferecer.

Seward, Alasca
Seward, Alasca.

9. Anchorage: mal necessário ou ótima base?

A área metropolitana de Anchorage, onde vive a maior parte da população do estado, forma um contraste enorme com o resto da natureza selvagem. Muitos viajantes têm vontade de riscar a cidade do roteiro e fugir direto do aeroporto para as montanhas. Honestamente, Anchorage tem um jeito bem industrial e você não vai querer passar a semana toda por lá.

Por outro lado, é o único lugar com supermercados grandes e bem abastecidos. Recomendamos ficar pelo menos uma noite ao chegar. Você repõe tudo que precisar, compra um bom repelente de ursos (bear spray) — que não pode entrar no avião — absorve um pouco da atmosfera num café local e descansa do fuso horário, que para quem vem do Brasil pode ser de 6 a 9 horas de diferença.

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10. Procurar aurora boreal no verão é perda de tempo

Parece óbvio, mas muita gente comete esse erro. Viajam ao Alasca em julho nas férias de verão e torcem secretamente para ver aquela dança verde no céu. Não vão ver. O Alasca fica bem ao norte e, no verão, há simplesmente luz demais à noite.

Para avistar a aurora boreal, você precisa de uma noite escura de verdade. A temporada dos caçadores de aurora começa de fato apenas em meados de setembro, mas outubro e novembro oferecem chances bem maiores. Se a aurora é seu principal objetivo, não compre passagem para agosto.

11. Escolha uma direção se tiver apenas uma semana

Se você tem apenas 7 a 10 dias no Alasca, não tente fazer a grande road trip completa. Escolha uma das duas direções principais a partir do aeroporto de Anchorage. Ou você vai para o norte, rumo às montanhas (combinando Anchorage, o charmoso Talkeetna e o Parque Nacional Denali).

Ou então segue para o sul, pela linda Península de Kenai. Lá esperam geleiras que desaguam no mar perto do porto de Seward, passeios de barco e a cidade de Homer, ponto de partida de muitos pescadores. Se tentar encaixar norte e sul em sete dias, vai passar metade da viagem olhando para o asfalto pela janela do carro.

12. Não espere a cultura europeia de camping

Se você planeja economizar nos hotéis astronomicamente caros alugando um campervan e dormindo na natureza, prepare-se para as particularidades locais. Dormir em áreas de descanso ao longo das estradas (boondocking) é tolerado em muitos pontos, mas os acampamentos oficiais estaduais e federais não têm o conforto europeu.

Faltam vasos sanitários com descarga (só banheiros secos tipo pit toilet), banho quente é sonho distante e sinal de celular? Simplesmente não existe, às vezes por vários dias seguidos. E ainda há as regras para ursos: comida com cheiro não pode ficar nem um instante fora do carro. Como já vimos ursos bem perto de hotéis no Canadá, estávamos relativamente preparados para isso. Mas os moradores avisam que os ursos do Alasca são consideravelmente mais agressivos.

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13. Fumaça e incêndios arruínam as férias

Além da chuva ocasional, existe outro vilão do verão que os catálogos de agências de viagem raramente mencionam. No Alasca (e no Canadá vizinho), incêndios florestais de grande escala são absolutamente comuns em junho e julho. As mudanças climáticas, infelizmente, só pioram esse cenário.

Durante nossa viagem, vimos muitos turistas frustrados com satélites registrando centenas de incêndios na região. O céu ficava acinzentado ou amarelado pela fumaça pesada e a visibilidade das montanhas caia a zero. É algo que você simplesmente não controla. No Alasca no verão vale uma equação simples: se está quente e bonito, você respira fumaça de incêndio. Se está feio e frio, você reclama que não aproveitou nada.

Onde comer: Nossas dicas de comida e bebida (Anchorage)

Se você espera gastronomia refinada em cada esquina, o Alasca vai te decepcionar um pouco. Eu e o Lukáš cozinhamos bastante por conta própria. Os preços nos restaurantes são bem mais altos do que no restante dos EUA, e não esqueça de somar os obrigatórios 15 a 20% de gorjeta na conta. Veja onde vale a pena ir na maior cidade, Anchorage.

Se você for com filhos ou simplesmente quiser algo descontraído, a lenda absoluta é o Moose’s Tooth Pub & Pizzeria. É a pizzaria independente com maior faturamento em todo os EUA e funciona também como uma microcervejaria. Os moradores são completamente apaixonados por ela. Não aceitam reservas e, na alta temporada, é comum esperar mais de uma hora e meia para sentar. A pizza icônica é a enorme “Large Avalanche”. O lugar é animado e barulhento. O Smoked Salmon Spread (pasta de salmão defumado) custa em torno de 14 USD e os salões grandes são ótimos.

Moose's Tooth Pub & Pizzeria em Anchorage — lendária microcervejaria
Moose’s Tooth — foto: Google Maps

Para um jantar romântico e bem sofisticado a dois, aposte no Crow’s Nest. Fica no vigésimo andar do Hotel Captain Cook, então junto ao jantar você tem uma vista panorâmica de 360 graus das montanhas e da baía. O cardápio gira em torno de caranguejos frescos (King Crab) e enormes linguados, com uma carta de vinhos de incríveis 10.000 garrafas. Aqui, conte com uma conta de mais de 200 USD para dois com vinho. E sim, tem dress code — de bota de trilha não passa.

Para um café da manhã incrível, passe pelo Snow City Cafe, bem no centro da cidade (aberto só até as 15h). É provavelmente o café mais popular de Anchorage. Os frequentadores vêm pelo famoso “Deadliest Catch” — ovos Benedict com uma boa porção de caranguejo do Alasca.

Snow City Cafe em Anchorage — café da manhã favorito da cidade
Snow City Cafe — foto: Google Maps

E se quiser algo mais descolado, recomendo o Spenard Roadhouse. Os tater tots regados de azeite de trufas e os pedaços de bacon envoltos em nozes-pecãs são uma indulgência absurda da qual você vai se lembrar por muito tempo. Melhor ainda acompanhados de um copo da impressionante seleção de bourbons da casa.

Spenard Roadhouse em Anchorage — bistrô descolado
Spenard Roadhouse — foto: Google Maps

Dicas práticas para viajar pelos Estados Unidos

Viajar pelos Estados Unidos tem suas particularidades, e no Alasca isso vale em dobro. Separamos mais algumas dicas práticas que vão te poupar muitos nervos e dinheiro na estrada. Por experiência própria, subestimar a preparação aqui não compensa.

Antes de fazer as malas, foque especialmente na segurança e na conectividade. Aqui estão os três pilares fundamentais que você não pode ignorar:

  • Seguro viagem: Jamais viajamos para os EUA sem um bom seguro viagem — contas médicas por lá podem ser devastadoras. Pesquise um seguro de qualidade antes de embarcar.
  • eSIM para internet: O Alasca tem enormes zonas sem sinal, mas nas cidades os dados são essenciais. Antes de pagar o roaming internacional do seu plano brasileiro, dê uma olhada na nossa review da Holafly — uma ótima opção de eSIM para os EUA.
  • Equipamento para trilhas: O Alasca é cheio de lama úmida, neve derretendo e riachos. Um bom equipamento é fundamental — botas impermeáveis de trilha são muito mais úteis aqui do que você imagina agora.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quando compartilhamos nossos planos para o Alasca com família e amigos, recebemos uma avalanche de dúvidas. E elas se repetiam sem parar! Por isso, reuni aqui as mais importantes para que você tenha tudo num só lugar e não precise garimpar em fóruns.

Kdy a za kolik koupila Amerika Aljašku?

Spojené státy koupily Aljašku od Ruského impéria v roce 1867. Americký ministr zahraničí William H. Seward tehdy dojednal odkup za zhruba 7,2 milionu dolarů. Američané tehdy nákup silně kritizovali a nazývali ho “Sewardovým mrazákem”, dokud se na Aljašce nenašlo zlato a o desítky let později ohromné zásoby ropy. Dnes je to jedna z nejvýnosnějších investic v historii.

Jak dlouho je tma na Aljašce?

To ohromně záleží na tom, kde přesně se nacházíte, stát je obrovský. V nejsevernějším městě Utqiagvik (bývalé Barrow) panuje polární noc, kdy slunce nevyjde nad obzor dlouhých 65 dní v kuse, od listopadu do ledna. V Anchorage, které leží mnohem jižněji, slunce v zimě vyjde každý den, ale nejkratší zimní dny mají zhruba jen pět a půl hodiny denního světla.

Kolik je stupňů na Aljašce v zimě?

Aljaška má pět různých klimatických regionů. Na jihu a jihovýchodě u pobřeží (Juneau, Sitka) jsou zimy mírné a teploty se drží kolem nuly nebo mírně pod ní. Ale ve vnitrozemí, například kolem města Fairbanks a v národním parku Denali, teploty v lednu a únoru běžně klesají k -30 °C až -40 °C. Je to opravdu drsný mráz, který paralyzuje život i běžnou techniku.

Jak je draho na Aljašce?

Hodně. Aljaška logisticky funguje jako ostrov a velká část zásob se musí dovážet. Běžný denní rozpočet pro dva lidi v hlavní sezóně (červenec), včetně pronájmu normálního auta, benzínu, spíše obyčejnějšího motelového ubytování a nákupu jídla částečně v supermarketu a občas v restauraci, vyjde zhruba na 400 až 600 USD (9 500 až 14 200 Kč) na den. Plánujete-li drahé výlety letadlem, rozpočet letí raketově nahoru.

Je bezpečné si na Aljašce půjčit auto?

Ano, po hlavních asfaltových tazích jezdit klidně. My jsme ani jednou neměli pocit, že riskujeme. Jediné, čeho jsme se opravdu báli, byl los u cesty (a losí reflexy jsou tragické). Pozor ale na odlehlé štěrkové silnice bez signálu, kde málokdo projíždí. Jinak je asfalt většinou ve velmi dobrém stavu (i když každé jaro silničáři lepí obrovské díry po mrazech).

Kdy je nejlepší šance vidět polární záři?

Rozhodně od října do března. Potřebujete naprostou tmu, jasnou oblohu a samozřejmě určitou sluneční aktivitu. Do Fairbanks se jezdí na auroru nejčastěji v únoru a březnu, kdy už není tak krutý a drtivý mráz jako v prosinci, ale noci jsou stále dostatečně tmavé a jasné.

Zvládnu Aljašku projet za týden?

Ne. Za týden stihnete projet jen malinký zlomek státu a budete muset udělat velmi těžké kompromisy. Týdenní itinerář obvykle pokryje buď jen oblast kolem Anchorage a poloostrov Kenai směrem na jih, nebo z Anchorage popojedete na sever podívat se do národního parku Denali. Ke komplexnějšímu poznání hlavních míst potřebujete minimálně 14 až 21 dní.

Tipy a triky pro vaší dovolenou

Nepřeplácejte za letenky

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Rezervujte si ubytování chytře

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Nezapomeňte na cestovní pojištění

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Proč nedoporučujeme nějakou českou pojišťovnu? Protože mají dost omezení. Mají limity na počet dnů v zahraničí, v případě cestovka u kreditní karty po vás chtějí platit zdravotní výdaje pouze danou kreditní kartou a často limitují počet návratů do ČR.

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