Snæfellsnes, Islândia: 12 dicas do que ver e fazer em 2026

No penúltimo dia (o décimo quarto) do nosso roadtrip de outono, decidimos dedicar o tempo a uma região da Islândia que carinhosamente recebeu o apelido de “Islândia em miniatura”. Em outras palavras: se você não tem tempo de dar a volta completa na ilha pela famosa Ring Road, a península de Snæfellsnes serve, numa área bem pequena, a essência de tudo o que torna este país tão mágico.

Aqui você encontra falésias dramáticas que despencam no oceano espumante, praias douradas e também negras como carvão, crateras vulcânicas se erguendo e, claro, uma geleira majestosa que brilha ao longe sob as rajadas do vento nórdico. Quando eu e o Lukáš chegamos por aqui na virada de setembro para outubro de 2018, já estávamos bem cansados dos dias anteriores, mas a paisagem selvagem e crua daqui nos recarregou de energia na hora.

Embora estivéssemos animados principalmente com a famosa montanha Kirkjufell, confesso logo de cara que ela talvez tenha nos decepcionado um pouquinho, porque havia multidões de turistas se espremendo com tripés gigantes e aquela vista de cartão-postal perfeita só funciona mesmo a partir de um ângulo bem específico. Mas tudo foi compensado pela vilinha perfeitamente romântica de Arnarstapi, onde caminhamos de mãos dadas pela beira das falésias enquanto ondas enormes se quebravam contra as rochas de basalto e, ao longe, se erguiam picos cobertos de neve.

É provavelmente um dos lugares mais bonitos que vimos durante nossa viagem. Neste artigo você vai encontrar dicas do que ver e fazer na península de Snæfellsnes, vou te aconselhar onde se hospedar sem gastar uma fortuna e ainda incluir algumas recomendações para vegetarianos, porque encontrar uma boa comida sem carne fora das grandes cidades às vezes pode ser um pequeno desafio. ☺️

Montanha Kirkjufell com a cachoeira Kirkjufellsfoss na Islândia
Montanha Kirkjufell com a cachoeira Kirkjufellsfoss na Islândia

Conteúdo do artigo

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Acesso a partir do aeroporto: A península fica a cerca de duas a duas horas e meia de carro ao norte de Reykjavík, então você chega aqui facilmente pela ótima estrada asfaltada número 54.
  • Quanto tempo você precisa: O ideal é reservar um dia inteiro para dar a volta na península, ou pelo menos passar uma noite por aqui, para não ter que correr de volta à cidade à noite.
  • Principais atrações: A montanha mais fotografada da Islândia, a Kirkjufell, a misteriosa igrejinha negra Búðakirkja, a praia Djúpalónssandur com as pedras de levantamento e a romântica trilha costeira entre Arnarstapi e Hellnar.
  • Parque nacional: Bem na ponta oeste fica o estratovulcão Snæfellsjökull coberto por uma geleira, que Júlio Verne tornou famoso no seu livro “Viagem ao Centro da Terra”.
  • Transporte e novidades: A partir de 2026 vigora na Islândia um novo imposto por quilômetro, mas em compensação o combustível ficou mais barato. A maioria dos pontos de interesse na rota não exige um carro 4×4, a menos que você venha no auge do inverno.
  • Hospedagem: Recomendo procurar uma acomodação com cozinha própria perto das cidadezinhas de Grundarfjörður ou Stykkishólmur. Nós dormimos um pouco mais ao sul, em Akranes, e partíamos de lá para o passeio.
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Quando ir e como chegar

Planejar uma viagem à Islândia sempre começa pela logística, e para a península de Snæfellsnes isso vale em dobro, porque, mesmo ela ficando relativamente perto da capital, o tempo aqui consegue ser totalmente imprevisível. Nós tivemos uma sorte enorme na virada de setembro para outubro, com dias relativamente ensolarados, quando as cores da grama outonal combinavam lindamente com a rocha vulcânica escura, mas o inverno já dava sinais claros de sua chegada com um vento gelado.

Se você vier no verão, vai curtir os dias longos e a observação de focas, mas conte com o maior fluxo de turistas. Nos meses de inverno, a península se transforma num reino silencioso de neve e gelo, o que tem seu charme inegável, mas você vai precisar obrigatoriamente de um carro com tração nas quatro rodas e pneus de inverno, porque, embora as estradas costumem ser bem cuidadas, o vento forte e o gelo conseguem transformar até um trecho curto numa experiência de adrenalina.

Saindo de Reykjavík, você segue pela principal estrada de circunvalação, a número 1, em direção ao norte, atravessa o túnel submarino pago Hvalfjarðargöng e depois pega a estrada número 54, que dá a volta na península inteira. O caminho até a primeira parada tem cerca de 140 quilômetros, o que vai te tomar aproximadamente duas a duas horas e meia de viagem pura. O circuito completo de ida e volta mede em torno de 500 quilômetros e, com paradas para fotos e caminhadas, reserve tranquilamente de 10 a 12 horas.

Se eu puder dar um único conselho puramente logístico: faça o circuito no sentido horário, ou seja, primeiro a costa sul e depois a norte. Assim você chega à icônica montanha Kirkjufell só à tarde, quando a luz é muito mais suave e as fotos ficam bem melhores.

A partir de 2026, além disso, vigora na Islândia um novo imposto por quilômetro para veículos de passeio, no valor de 6,95 ISK (cerca de 0,05 €) por quilômetro rodado. As locadoras geralmente resolvem isso com uma taxa diária fixa ou cobram a taxa só na devolução do carro, com base na quilometragem real.

Mas não precisa se assustar com isso, porque o governo de lá, junto com essa taxa, eliminou o imposto sobre o combustível, então a gasolina nas bombas ficou bem mais barata e, no geral, seu orçamento aumenta minimamente. Antes de sair para qualquer lugar, por favor, sempre verifique o estado atual das estradas no site oficial Umferdin.is, porque a natureza islandesa faz absolutamente o que quer e os planos aqui podem mudar de um minuto para o outro.

Onde se hospedar e quanto custa

Quando, anos atrás, decidíamos onde descansar a cabeça, tínhamos certeza de que campings e barracas não eram a nossa praia. Afinal, depois de um dia inteiro caminhando no vento islandês, a gente mais deseja é uma ducha quente e um quarto aquecido, então, durante toda a viagem, dormimos exclusivamente em pousadas, hostels ou pequenos apartamentos.

A grande vantagem desse tipo de hospedagem é o acesso a uma cozinha compartilhada ou privativa. Para nós, vegetarianos, isso foi literalmente uma salvação, porque, à noite, cozinhávamos um macarrão tranquilamente e não precisávamos pagar valores astronômicos em restaurantes, onde, naquela época, a oferta sem carne mal começava a engatinhar.

Nosso quarto da penúltima noite reservamos na cidadezinha de Akranes, que fica um pouco mais ao sul, o que se mostrou um ponto bem estratégico com preços razoáveis: dali era pertinho da península e, no dia seguinte, podíamos seguir facilmente direto para o aeroporto.

Se você quiser ficar bem no centro das atrações, na própria península de Snæfellsnes, prepare um orçamento um pouco maior, porque a oferta de hospedagem aqui não é elástica e some rápido na temporada. Uma base muito popular é a cidade de Grundarfjörður, ao norte, de onde a montanha Kirkjufell fica a apenas alguns minutos de carro.

Você encontra bons hostels aqui, onde a noite sai por volta de 50 euros por pessoa, ou quartos de casal clássicos, por exemplo no ótimo Kast Guesthouse, onde os preços giram em torno de 160 dólares. Para quem busca um pouco mais de conforto e um bom café ali na esquina, a escolha perfeita é o charmoso porto de Stykkishólmur, onde você pode se hospedar, por exemplo, no estiloso Fosshotel.

Do lado oposto, perto do parque nacional e da geleira, você encontra os lugares mais encantadores, mas também os mais caros. Nos povoados de Hellnar ou Arnarstapi, onde um quarto mais luxuoso no Fosshotel Hellnar sai tranquilamente por mais de 210 dólares a noite, você vai acordar com uma vista perfeita para o oceano.

O ápice é o renomado Hótel Búðir, bem ao lado da igrejinha negra, o que é uma experiência por si só, mas conte que aqui os preços sobem de verdade. Se, por outro lado, você procura formas de economizar um pouco e não se importa em se deslocar um pouco mais, dê uma olhada na hospedagem nas cidadezinhas de Hellissandur ou Ólafsvík, na ponta oeste da ilha, onde as pousadas costumam ser bem mais baratas e você ainda fica coladinho no parque nacional.

💡 Dicas concretas de hospedagem (preços e disponibilidade você confere pela Booking, reserve com antecedência — na temporada e em torno do eclipse de 2026, somem meses antes):

Costa norte: do porto mágico à montanha famosa

A parte norte da península nos recebeu com uma costa recortada e uma série de pequenas vilas de pescadores que parecem ter tido o tempo congelado. É exatamente a parte para onde as pessoas vão quando procuram inspiração sobre o que ver na península de Snæfellsnes, porque é aqui que ficam as vistas icônicas mais fotografadas. O caminho pela costa serpenteia lindamente, a cada instante se abre diante de você uma vista para o oceano azul-escuro e, no horizonte, vão surgindo aos poucos os picos nevados dos gigantes locais.

1. A cidadezinha de Stykkishólmur e a ilha de Flatey

Nossa jornada de um dia inteiro começou simbolicamente na maior cidade da península, a pitoresca Stykkishólmur. Mas a palavra “maior” você precisa levar com enorme reserva na Islândia, porque, na verdade, trata-se de um vilarejo tranquilo cheio de lindas casinhas de madeira em cores vibrantes, que contrastam fantasticamente com o céu nórdico cinza-aço.

A cidadezinha de Stykkishólmur e a ilha de Flatey
A cidadezinha de Stykkishólmur e a ilha de Flatey

É um lugar absolutamente perfeito para um café matinal ou para comprar um pão fresquinho para a viagem. Bem ao lado do porto se ergue a pequena ilhota de basalto Súgandisey, à qual você chega simplesmente a pé por um curto dique. Quando subir até o farol bem vermelho no topo dela, se abre uma vista inacreditável para a enorme baía de Breiðafjörður, cheia de milhares de pequenas ilhotas espalhadas.

É justamente deste porto movimentado que parte regularmente a conhecida balsa Baldur, que liga a península aos mais distantes Fiordes do Oeste, especificamente ao porto de Brjánslækur. No caminho, a balsa faz parada na encantadora e isolada ilha de Flatey, para onde, nos meses de verão, vão muitos ornitólogos e entusiastas da observação de aves raras.

A passagem só de ida, incluindo um carro de passeio comum, sai por uns 7.396 ISK (aproximadamente 50 €) e, se você vier no auge da temporada de verão, do início de junho ao fim de agosto, a balsa parte geralmente duas vezes ao dia. Para nós não fazia sentido na época, porque seguíamos viagem por terra, mas, se você planeja uma exploração mais longa da parte oeste do país, é um ótimo atalho logístico que te poupa longas horas ao volante.

2. O campo de lava escondido Berserkjahraun

Na travessia entre Stykkishólmur e a conhecida Grundarfjörður, te espera uma parada que a maioria dos guias, com certa injustiça, ignora. O enorme campo de lava Berserkjahraun surgiu há quatro mil anos, quando três crateras vulcânicas próximas entraram em erupção de uma vez. Ao contrário de muitos outros lugares da ilha, aqui não chegam multidões, então você costuma curtir, muitas vezes completamente sozinho, a atmosfera dramática dos blocos de lava retorcidos, densamente cobertos por um musgo verde-brilhante e incrivelmente macio.

O campo de lava escondido Berserkjahraun
O campo de lava escondido Berserkjahraun

O campo é cortado por uma antiga estrada de cascalho, transitável para a maioria dos carros comuns, a não ser que estejam rolando as piores condições de inverno. Pare em algum dos pontos demarcados, caminhe um trecho pelas trilhas sinalizadas e não esqueça que o musgo islandês cresce terrivelmente devagar, então de jeito nenhum pise nele. Todo o lugar ainda vem acompanhado de uma lenda sombria e sangrenta das antigas sagas, sobre dois berserkers suecos, que deram seu nome complicado ao campo de lava.

3. Kirkjufell e Kirkjufellsfoss: o ícone com um pequeno porém

Quando se diz Islândia, muita gente logo imagina uma montanha em formato de uma flecha perfeita apontando para o céu, com uma cachoeira menor bramindo na frente. Essa é exatamente a montanha Kirkjufell (que, aliás, tem 463 metros de altura), que nos últimos anos ficou ainda mais famosa pela série Game of Thrones, onde apareceu como a “montanha em forma de ponta de flecha”.

cachoeira Kirkjufellsfoss e a montanha Kirkjufell na Islândia
cachoeira Kirkjufellsfoss e a montanha Kirkjufell na Islândia

Mas eu estaria escondendo a verdade se não admitisse que essa parada absolutamente icônica nos decepcionou um pouco e que talvez tivéssemos expectativas exageradas. O charme daquela foto de cartão-postal perfeita está, na verdade, numa composição muito esperta e na habilidade dos fotógrafos.

A própria cachoeira Kirkjufellsfoss é, na realidade, bem pequena e, para encaixar a montanha e a água numa única imagem grandiosa, você precisa ficar num ponto exato à direita das cascatas, em direção à montanha, onde, claro, se espremem filas de outros fotógrafos animados. Mesmo assim, é um lugar que você simplesmente tem que ver.

O estacionamento fica logo na beira da estrada e recentemente passaram a cobrar uma taxa de 1.000 ISK (cerca de 7 €) por carro/dia, que você paga mais fácil pelo popular aplicativo Parka.app. Com certeza desça também até embaixo da própria cachoeira, onde, num clima sem vento, a montanha se reflete lindamente numa pequena poça.

💡 Dica: Ingressos e passeios organizados (da Islândia e arredores) vale a pena comprar com antecedência online pela GetYourGuide, na temporada eles lotam rápido.

4. A praia dourada Ytri Tunga e as focas locais

Este lugar é um pequeno paradoxo islandês, porque, numa ilha que é famosa justamente por suas praias vulcânicas negras, surge de repente um trecho de costa com areia dourada e fina. A praia Ytri Tunga fica no lado mais ao sul, mas, logisticamente, vale a pena descer até aqui, principalmente se você ama animais selvagens e fotografar a natureza. É justamente esta costa rasa, cheia de pedras espreitando para fora da água, que uma colônia bem grande de fofas focas-comuns escolheu para descansar.

A praia dourada Ytri Tunga e as focas locais
A praia dourada Ytri Tunga e as focas locais

A maior chance de vê-las preguiçosamente deitadas sobre as rochas, esquentando a barriga ao sol, você terá principalmente nos meses de verão, mais ou menos de junho a agosto. Nós, naquele outono, não tivemos muita sorte com elas, o oceano já estava muito agitado e frio, mas só a caminhada pela praia, com vista para as montanhas atrás, já valeu o pequeno desvio.

Só lembre que as focas são animais selvagens e tímidos, então, inclusive pela sua própria segurança, mantenha uma distância respeitosa de pelo menos cinquenta metros e tome cuidado para não assustá-las à toa com gritos altos ou drones.

O parque nacional e a ponta mais a oeste, cheia de lava

Quando a estrada deixa o lado norte e começa a curvar em direção ao fim da península, a paisagem ao seu redor fica dramaticamente mais áspera do nada. Você se vê na área protegida do parque nacional Snæfellsjökull, onde o verde fresco se alterna com campos de lava infinitos e, sobre tudo isso, vigia atentamente um vulcão ancestral, cujo cume branco, num dia claro, dá para avistar do outro lado da baía, lá da distante Reykjavík.

5. O vulcão Snæfellsjökull e a Viagem ao Centro da Terra

Esta enorme montanha nevada é o ponto central absoluto de todo o parque nacional. Na verdade, trata-se de um estratovulcão com inacreditáveis 700.000 anos, que se ergue majestosamente a 1.446 metros acima do nível do mar e cujo cume é permanentemente coberto por uma camada de geleira. Talvez o nome dele te seja familiar das aulas de literatura, porque foi justamente o famoso escritor francês Júlio Verne quem escolheu esta cratera vulcânica como portal de entrada para o misterioso mundo subterrâneo em seu romance Viagem ao Centro da Terra.

Geleira e vulcão Snæfellsjökull na península de Snæfellsnes
Geleira e vulcão Snæfellsjökull na península de Snæfellsnes
laguna glacial Hoffellsjökull com blocos de gelo flutuantes na Islândia
laguna glacial Hoffellsjökull com blocos de gelo flutuantes na Islândia

Embora a gente adorasse dizer que subiu bravamente até o topo, preciso te garantir que, para o turista comum, a geleira é mais um cenário fascinante para fotos à distância. A própria subida ao cume é uma trilha de um dia inteiro, bem exigente, que normalmente começa lá embaixo, em Arnarstapi. Por questões de segurança, exige a presença de um guia local experiente e equipamento especial, incluindo crampons, arneses e piolets, porque, no caminho, você precisa zigue-zaguear entre fendas profundas e traiçoeiras no gelo.

Por isso nos contentamos em admirá-la lá de baixo, onde a lava negra encontra a neve branca num contraste visual inacreditável. Além disso, até os guias confirmam o fato triste de que a própria geleira, por causa do aquecimento, está diminuindo bem rápido.

6. As escadas até a cratera vulcânica Saxhóll

Se mesmo assim você quiser sentir aquela sensação inebriante de estar no topo de um vulcão de verdade (e, ao mesmo tempo, não quiser suar até a exaustão), faça um pequeno desvio até a cratera Saxhóll. Este vulcão extinto, de cerca de cem metros de altura, hoje é facilmente acessível graças a uma escada metálica estreita e em espiral, que a administração do parque construiu há relativamente pouco tempo, para proteger o solo vulcânico extremamente frágil do pisoteio total e da erosão.

As escadas até a cratera vulcânica Saxhóll
As escadas até a cratera vulcânica Saxhóll

A subida demora só uns dez minutos de inclinação suave, então até crianças menores conseguem tranquilamente, e lá em cima se abre um panorama de tirar o fôlego em 360 graus. De um lado, lá embaixo de você, se estende um campo de lava escuro e recortado, lembrando uma paisagem lunar, e do outro, a infinita superfície prateada do Atlântico. O vento aqui consegue soprar tão inacreditavelmente forte que, por momentos, você tem a sensação de que vai ser jogado direto no oceano, então não esqueça de amarrar bem o gorro.

7. A descida à escuridão absoluta da caverna Vatnshellir

Já que estamos falando da Viagem ao Centro da Terra, você pode experimentar algo bem parecido na realidade. O túnel de lava Vatnshellir, de cerca de 8.000 anos, é um dos sistemas subterrâneos mais acessíveis de toda a Islândia. Ao contrário das cavernas comuns de calcário, onde você admira estalactites, aqui vai ver impressionantes paredes de lava de basalto solidificada, cores brilhantes de minerais e formações naturais inacreditáveis que o fluxo rolante de pedra derretida deixou para trás.

A descida à escuridão absoluta da caverna Vatnshellir
A descida à escuridão absoluta da caverna Vatnshellir

Só é permitido entrar na caverna acompanhado de um guia profissional. Antes de entrar, você recebe um capacete charmoso com lanterna frontal e, por uma escada íngreme e em espiral, desce dezenas de metros até uma escuridão absoluta e palpável. É uma experiência absolutamente incrível, especialmente quando o guia, no meio da caverna, pede a todos os visitantes que apaguem por um instante as lanternas e prestem atenção ao silêncio perfeito do subsolo.

O ingresso para adulto custa atualmente 5.400 ISK (cerca de 37 €), jovens de 12 a 17 anos pagam 2.400 ISK e crianças menores têm entrada totalmente gratuita. Na temporada de verão, as visitas, que você pode garantir com antecedência pelo site oficial da operadora, acontecem regularmente a cada hora cheia, mais ou menos das dez da manhã às seis da tarde.

Costa sul: falésias dramáticas e a misteriosa igreja negra

Enquanto o norte foi marcado por portos pesqueiros tranquilos e montanhas melancólicas, o lado sul se apoia totalmente no oceano furioso. Se você está pensando se faz sentido dar a volta nos dois lados no roteiro, então te prometo sinceramente que é justamente o sul que esconde o absolutamente melhor que uma visita à península de Snæfellsnes oferece aos turistas. Aqui você caminha por uma praia negra coberta de destroços enferrujados de barcos e passa o fim da tarde em lugares onde as antigas sagas islandesas voltam a ganhar vida.

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8. As pedras de levantamento na praia Djúpalónssandur

A praia Djúpalónssandur até parece um perfeito trava-língua, mas é um dos lugares mais icônicos e ásperos da ilha. O caminho até a costa agitada passa por formações de lava recortadas e paredes rochosas estranhamente retorcidas. A própria praia não é feita de areia fina, mas de seixos negros e lisos, e sua principal atração, logo na entrada, são as quatro lendárias pedras de levantamento. Nelas, os pescadores locais antigamente mediam sua força bruta, para provar ao capitão que eram dignos do trabalho duro no barco pesqueiro.

Praia de seixos negros Djúpalónssandur
Praia de seixos negros Djúpalónssandur
As pedras de levantamento na praia Djúpalónssandur
As pedras de levantamento na praia Djúpalónssandur

As pedras têm nomes e peso exato. São elas: Fullsterkur, ou seja, Força Total (154 kg), Hálfsterkur, a Meia Força (100 kg), o Fraquinho Hálfdrættingur (54 kg) e, por fim, a miúda Zero, chamada Amlóði (23 kg). Para conseguir uma vaga mal paga a bordo na época, você tinha que levantar pelo menos o Fraquinho de cinquenta quilos mais ou menos até a altura dos quadris. Pode tentar à vontade, mas, sinceramente, eu e o Lukáš mal conseguimos despregar do chão até a mais leve, que dirá manipulá-la na altura dos joelhos. 😅

Pela praia também estão espalhados de forma displicente destroços de ferro enferrujados, que sobraram do barco pesqueiro britânico Epine GY 7, que naufragou aqui durante uma terrível tempestade em 1948. O destroço serve de memorial às vítimas, então é terminantemente proibido levar qualquer coisa dele.

Ao caminhar pela beira da água, seja extremamente cuidadoso: as ondas furtivas daqui, que em inglês são chamadas de sneaker waves, são imprevisíveis, então nunca, mas nunca mesmo, vire as costas para o mar. Recomendo acompanhar os avisos também no site oficial de segurança Safetravel.is.

9. Lóndrangar, ou o grandioso Castelo de Rocha

Quando você continuar pela estrada a partir da praia, no horizonte surgem de repente duas torres gigantes de basalto, que despontam atrevidas do penhasco bem acima do oceano bramindo. As torres Lóndrangar atingem a respeitável altura de 75 e 61 metros e, de longe, visualmente lembram mesmo as ruínas de um enorme castelo gótico em decomposição. São, na verdade, os únicos vestígios de uma antiga cratera vulcânica, cujas partes mais macias foram desgastadas ao longo de milênios pela ressaca incansável e pelas intempéries, até sobrar apenas este núcleo de lava extremamente duro.

Lóndrangar, o grandioso Castelo de Rocha
Lóndrangar, o grandioso Castelo de Rocha

Você pode deixar o carro no estacionamento de terra ali perto e seguir por uma trilha confortável, que te leva até plataformas de observação seguras nas falésias. Delas você terá uma vista absolutamente fantástica não só para as torres de basalto em si, mas também para os milhares de aves marinhas que nidificam e planam elegantemente nas fortes correntes de ar, bem acima das ondas azul-celeste espumantes.

10. As vilinhas de Arnarstapi e Hellnar: nosso xodó

Como já adiantei lá no começo, esta parte específica da ilha conquistou nosso coração, de todos os lugares que vimos, talvez mais do que qualquer outro. A própria vilinha de Arnarstapi, formada basicamente por apenas algumas casinhas espalhadas, é simplesmente encantadora, mas a verdadeira joia natural se esconde lá embaixo, na costa.

Imponente arco rochoso Gatklettur perto de Arnarstapi na Islândia
Imponente arco rochoso Gatklettur perto de Arnarstapi na Islândia
rochas costeiras dramáticas perto de Arnarstapi na península de Snæfellsnes
rochas costeiras dramáticas perto de Arnarstapi na península de Snæfellsnes

Bem acima das falésias profundas começa aqui uma trilha a pé de cerca de dois quilômetros e meio, que te conduz exatamente pela borda do oceano até o povoado vizinho, talvez ainda menor e mais isolado, de Hellnar. É uma caminhada totalmente fácil, quase no plano, então você faz tranquilamente até com crianças, e, num sentido, leva uns quarenta e cinco minutos de tempo puro.

Durante a caminhada lenta você vai passar por fantásticos arcos de lava criados pela erosão marinha e por cavernas profundas, nas quais a água se quebra incessantemente com um rugido ensurdecedor. O portal de rocha mais conhecido na rota é o Gatklettur, através do qual, com clima e luz favoráveis, você consegue fazer fotos incríveis em que, ao fundo, se desenha a geleira branca.

Em Arnarstapi, aliás, logo no início da trilha, te recebe uma estátua de pedra inesperadamente enorme de um personagem mitológico chamado Bárður Snæfellsás. Segundo as antigas sagas islandesas, trata-se de um ser que é metade humano e metade gigante terrível e que, do alto da geleira, protege permanentemente toda a península dos maus espíritos.

11. Búðakirkja: a lendária igreja negra na natureza deserta

Provavelmente nenhum roteiro islandês decente estaria completo se faltasse a famosa igreja de madeira Búðakirkja. Sua enorme singularidade não está na arquitetura ou no tamanho, mas em como ela parece inacreditavelmente contrastante e marcante em relação ao seu entorno selvagem. A pequena construção negra, pintada com piche, com molduras de janela brancas bem destacadas, fica solitária no meio de um imenso campo de lava, densamente coberto por grama dourada. De um lado, o mar lhe faz de cenário; do outro, o vulcão nevado.

Igreja negra Búðakirkja no campo de lava
Igreja negra Búðakirkja no campo de lava
Búðakirkja
Búðakirkja

O prédio atual data, na verdade, só do fim dos anos oitenta, quando foi reconstruído, mas a história deste lugar sagrado remonta ao século XIX. Por fora, você pode fotografar a igrejinha sem problemas a qualquer momento, mas, por dentro, em circunstâncias normais, infelizmente não dá para entrar, porque ela serve exclusivamente para cerimônias religiosas privadas.

É, inclusive, um dos lugares mais queridos e mais disputados de toda a Islândia, para onde noivos do mundo todo vão se casar com grande pompa, porque aquelas fotos de casamento com a geleira ao fundo precisam ser simplesmente de tirar o fôlego.

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Onde comer bem em Snæfellsnes

Preciso admitir com toda a sinceridade que a culinária islandesa tradicional é historicamente bem baseada em peixes frescos, no cordeiro local e em produtos lácteos, o que, para nós, vegetarianos de longa data, significa que a oferta de pratos nas regiões mais remotas, fora da capital, costumava às vezes ser bem limitada.

Durante nossa viagem, por isso, eu e o Lukáš contávamos principalmente com o bom e velho preparo de nossas próprias refeições, com ingredientes comprados no conhecido supermercado Bónus, mas, mesmo assim, você encontra por aqui alguns lugares ótimos onde dá para se esquentar muito bem depois de um dia inteiro congelando nas rajadas de vento.

Bem na cidadezinha de Stykkishólmur, podemos recomendar com certeza uma parada no excelente restaurante Narfeyrarstofa. Comemos lá um hambúrguer vegetariano absolutamente fantástico e caprichado, que preparam do zero com seus próprios ingredientes, e, junto, um café quente excelente, que caiu incrivelmente bem depois da friaca matinal. O lugar é super aconchegante, bem decorado e o atendimento muito simpático.

Outra escolha popular, especialmente se você estiver perto da famosa montanha Kirkjufell, é o restaurante Bjargarsteinn Mathús, na beira da água, no porto de Grundarfjörður. É um lugar bem conhecido e renomado, que valoriza as especialidades locais de peixe e carne, que os turistas comuns pedem, mas, felizmente, os cozinheiros sempre pensam também nos clientes plant-based. Eles conseguem preparar para você um prato sem carne excelente, encorpado e lindamente apresentado, que em qualidade não fica nada atrás do resto do cardápio.

Se, no meio das fotos das falésias no sul, te der uma pequena crise aguda, vá direto ao bistrô bem simples Arnarstapi Center, onde você pode se aquecer rapidamente com uma sopa sem carne caprichada e acompanhar com um bom pedaço de pão local fresquinho com manteiga.

Dicas práticas para finalizar e onde economizar

Viajar pela Islândia não está exatamente entre os hobbies mais baratos, mas, quando você sabe como, dá para otimizar o orçamento de forma bem esperta. Aqui estão alguns conselhos práticos que, nas viagens pelo norte áspero e em qualquer outro lugar, sempre deram certo para nós:

Como acompanhar o tempo imprevisível

A regra número um básica na Islândia é que o tempo aqui consegue mudar literalmente em questão de minutos. O fato de o sol brilhar de manhã no café da manhã absolutamente não significa que, logo atrás da primeira colina, você não vá topar com uma nevasca forte. O aplicativo e site número um para você é o Serviço Meteorológico da Islândia (Vedur.is), onde você encontra não só uma previsão confiável de chuva e vento, mas, à noite, também um ótimo mapa de nebulosidade, essencial para uma boa caça à aurora boreal.

⚠️ Eclipse solar em agosto de 2026

Se você planeja sua viagem dos sonhos à Islândia em agosto de 2026, fique bem esperto. No dia 12 de agosto exatamente, a Islândia vai vivenciar um eclipse solar total e, o que é importante, a faixa ideal de totalidade cruza justamente nossa querida península de Snæfellsnes e Reykjavík.

Por isso, está sendo preparado um festival gigante na península e, segundo as informações oficiais sobre o evento, os preços por cama já estão decolando a alturas astronômicas nunca vistas, com pousadas cobrando tranquilamente 700 dólares por uma noite comum. Se você não tiver reserva com um ano de antecedência, prepare-se: a logística e os preços serão extremos durante agosto.

Onde conseguir passagens aéreas

Para chegar à Islândia a partir do Brasil, normalmente não há voos diretos, então o caminho mais comum é fazer conexão por uma grande cidade europeia, como Lisboa, Madri ou Londres, e de lá seguir para Reykjavík. Nós comparamos passagens há anos em portais como o Kiwi e o Google Flights, onde dá para montar bem essas conexões mais complexas e encontrar boas tarifas com escala, então vale a pena pesquisar com calma e flexibilidade de datas.

Aluguel de carro e os pagamentos traiçoeiros da gasolina

Na hora de reservar um carro para a Islândia, NUNCA esqueça de pagar tranquilamente o adicional do seguro contra danos de cascalho (conhecido como Gravel Protection). Muito frequentemente você sai do lindo asfalto liso para uma estrada de cascalho empoeirada, e as pedrinhas que voam dos carros que passam rápido em sentido contrário são uma coisa totalmente comum, que, sem seguro, vai fazer um grande rombo no seu orçamento.

A Islândia é, sim, um país totalmente sem dinheiro em espécie, onde até nos banheiros você paga com cartão no celular, mas tome muito cuidado nos postos de combustível de autoatendimento (N1) e nas máquinas de estacionamento mais antigas. Lá costuma faltar leitor para Apple/Google Pay e as bombas antigas, depois de inserir o cartão físico de plástico, exigem inflexivelmente a digitação do código PIN, então, antes de viajar, é melhor refrescá-lo na memória.

Reserva de hospedagem com cozinha

A Booking.com é, há anos, nosso buscador favorito de hotéis e hospedagens particulares. Pessoalmente, sempre recomendo filtrar cuidadosamente os resultados da busca pelas comodidades e escolher de propósito só quartos com acesso a uma cozinha compartilhada ou privativa. Aquele dinheiro economizado com jantares islandeses superfaturados você pode, sem remorso, investir em passagens de balsa ou ingressos para a caverna.

Não esqueça de um bom seguro

Para uma viagem dessas, com clima imprevisível e atividades ao ar livre, é fundamental contratar um seguro viagem com boa cobertura que inclua resgate e despesas médicas em valores altos. Vale comparar planos que cubram também atividades mais aventureiras, como trilhas e passeios em geleiras, para você se sentir totalmente tranquilo durante toda a aventura no norte gelado.

Para onde ir depois na Islândia

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Perguntas frequentes

1. Dá pra conhecer a península de Snæfellsnes em apenas um dia saindo de Reykjavík?

Sim, com certeza você consegue, mas se prepare com antecedência para um dia bastante intenso passado principalmente ao volante. O trajeto de ida, volta e todo o grande circuito ao redor da península significa aproximadamente 500 quilômetros rodados, o que junto com os deslocamentos lentos, pequenas caminhadas e paradas para fotos vai tomar de 10 a 12 horas. Para você realmente aproveitar o passeio, absorver a atmosfera e não ter que se apressar de volta para a acomodação, definitivamente vale a pena passar pelo menos uma noite por lá.

2. A península é melhor e mais bonita que o famoso Círculo Dourado (Golden Circle)?

Essas duas áreas são difíceis de comparar, pois cada uma oferece uma experiência um pouco diferente. A península de Snæfellsnes proporciona muito mais diversidade em um único lugar, desde a geleira vulcânica passando pelas perigosas praias de areia preta até as colônias de focas. O Círculo Dourado, por sua vez, está logisticamente muito mais perto da capital, é mais acessível e você encontra lá o famoso Geysir em erupção. Snæfellsnes, no entanto, é um destino consideravelmente mais tranquilo, onde mesmo na alta temporada você encontra muito menos multidões de turistas. Se você tiver tempo, com certeza não deixe de visitar nenhum dos dois.

3. Será que a montanha Kirkjufell, tão fotografada, não é um pouco superestimada?

Depende muito da sua expectativa e mentalidade pessoal. A cachoeira mencionada em frente à montanha icônica é na verdade bem pequenina e o principal encanto de todo o lugar está realmente apenas em uma única composição fotográfica muito específica. O lugar, além disso, fica lotado de gente na alta temporada. Definitivamente vale a pena ver com seus próprios olhos, mas não espere uma massa de água imponente e ensurdecedora como em outros gigantes islandeses, como Gullfoss no sul, por exemplo.

Quanto custa exatamente a entrada para a caverna de lava Vatnshellir e posso ir sozinho?

Não, a entrada na caverna profunda por conta própria é estritamente proibida por questões de segurança e proteção da natureza, sendo possível apenas com guia certificado e capacete com lanterna de cabeça emprestados. O ingresso adulto custa atualmente 5.400 ISK (cerca de €38). Jovens de 12 a 17 anos pagam um valor consideravelmente reduzido de 2.400 ISK e as crianças menores de 11 anos acompanhadas dos pais têm a visita totalmente gratuita.

5. É possível ir até a geleira Snæfellsjökull sem guia?

Com certeza não, qualquer tentativa de subir o íngreme pico do vulcão, que está permanentemente coberto por uma traiçoeira geleira, é altamente perigoso devido às dezenas de fendas profundas no gelo, que muitas vezes ficam escondidas por uma fina camada de neve. Trata-se de uma expedição técnica de dia inteiro, para a qual você necessariamente precisa não apenas de um guia local muito experiente que conheça o terreno, mas também de equipamento especializado pesado como crampons para botas, arneses firmes e pioletas longas.

6. Quais cidadezinhas são mais adequadas como base para hospedagem e passeios?

A escolha depende muito de onde exatamente você está vindo e qual é o seu orçamento. A cidade maior de Stykkishólmur, ao norte, possui excelente infraestrutura e restaurantes. Se você quer ficar bem pertinho da famosa montanha, procure hostels em Grundarfjörður. Para os românticos que não sofrem com falta de grana e querem acordar direto nos penhascos com uma vista luxuosa para o oceano, são fantásticos os vilarejos de Arnarstapi, Hellnar ou os arredores da icônica igrejinha de Búðir. Para opções mais econômicas, procure acomodação em Hellissandur.

7. Dá para viajar com segurança de carro pela península mesmo durante o rigoroso inverno islandês?

Sim, com certeza dá. A rodovia principal número 54 da península é toda asfaltada e os limpa-neves a mantêm até no inverno, porém o fornecimento constante de neve fresca, gelo escorregadio e vento lateral extremamente forte são literalmente rotina diária aqui de novembro a março. Nesses meses de inverno, você definitivamente precisa de um carro confiável com tração nas quatro rodas (4×4), pneus de inverno de qualidade (idealmente com pinos) e, principalmente, um enorme respeito pela natureza nórdica imprevisível. Verifique regularmente as condições das estradas no site Umferdin.is.

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ViagensEuropaSnæfellsnes, Islândia: 12 dicas do que ver e fazer em 2026

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