Quando você desce do avião em Keflavík, a primeira coisa que provavelmente bate no seu rosto é o vento. Não é aquela brisa europeia gentil a que estamos acostumados, mas sim uma rajada oceânica crua, que cheira a sal, enxofre e a uma natureza selvagem e implacável. Eu e o Lukáš demos a volta nesta ilha no fim de setembro e começo de outubro num Suzuki Grand Vitara alugado. Se você está montando seu roteiro pela Islândia, este guia vai te preparar para a realidade da ilha de verdade.
Foram duas semanas que ficaram totalmente gravadas na nossa memória. Tínhamos uma única regra não escrita: todo dia precisávamos achar algum poço termal para mergulhar. Foi a melhor ideia que poderíamos ter tido 😅.
Nos apaixonamos pelos cavalos islandeses com aquelas crinas incríveis, e nunca vou esquecer o momento em que, nos Westfjords, ficamos parados no meio do nada enquanto uma aurora boreal verde dançava acima das nossas cabeças.
Este guia da Islândia foi pensado para te preparar para a realidade da ilha, sem os filtros cor-de-rosa das redes sociais. A Islândia consegue ser cara, exaustiva e incrivelmente temperamental, mas quando você aceita as regras do jogo dela, ela te recompensa com experiências para a vida toda. Se você está planejando uma viagem à Islândia em 2026, prepare-se para uma série de novidades, do imposto por quilômetro rodado aos vulcões despertos.
No artigo você vai encontrar um panorama completo de quando viajar, quanto toda essa aventura custa, com o que tomar cuidado na hora de alugar o carro e, claro, dicas detalhadas de lugares que você definitivamente não deveria deixar de fora da sua viagem.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

- Quantos dias ir: Para percorrer a principal estrada circular, a Ring Road, você precisa idealmente de 7 a 10 dias. O Círculo Dourado e a costa sul dão para fazer em 4 a 5 dias.
- Orçamento: A Islândia é muito cara. Uma viagem confortável para duas pessoas por uma semana (sem passagens aéreas) sai por cerca de 3.000 a 4.900 €. Mas dá para reduzir o custo cozinhando e dormindo em campings.
- Novidades 2026: A companhia aérea PLAY faliu, nas estradas paga-se um novo imposto por quilômetro de 6,95 ISK por km, mas em compensação a gasolina ficou bem mais barata, cerca de 215 ISK por litro. Em agosto, a ilha terá um eclipse solar total.
- Carro: No verão, um carro comum com tração nas duas rodas basta para a estrada principal, mas para o interior (F-roads) e para o inverno você obrigatoriamente precisa de um 4×4.
- Segurança: Cuidado com as ondas traiçoeiras na praia negra de Reynisfjara e com o vento extremo, que literalmente pode arrancar a porta do seu carro. Os vulcões da península de Reykjanes estão ativos, mas são monitorados com segurança.
Quando ir e como chegar
Planejar uma viagem à Islândia começa com a pergunta: o que você espera dela? O tempo aqui não dá para prever muito e muda a cada cinco minutos. Nós saímos no fim de setembro e começo de outubro, o que, na minha opinião, é um compromisso totalmente genial.
Já não há tantos turistas quanto no verão, os preços de hospedagem caem um pouco e, ao mesmo tempo, já tem escuridão suficiente para você caçar a aurora boreal. Além disso, a Corrente do Golfo mantém as temperaturas surpreendentemente altas, então em Reykjavík raramente faz frio por muito tempo. O verdadeiro ditador aqui é o vento, que consegue derrubar a sensação térmica em dez graus, então uma boa jaqueta corta-vento é o básico absoluto, mesmo em julho.
Se você quer ter a maior garantia possível de estradas abertas e interior acessível, vá para lá de meados de junho até o fim de agosto. Os dias de verão são intermináveis e o sol se põe por apenas algumas horas, então dá para fazer muita coisa.
Por outro lado, em 2026 está chegando um evento astronômico enorme. Na quarta-feira, 12 de agosto, acontece um eclipse solar total, que será mais bem visível nos fiordes ocidentais e em Reykjavík. A faixa de totalidade vai atingir a parte oeste do país, e a maior escuridão será vivida nos penhascos de Látrabjarg, onde o eclipse vai durar mais de dois minutos.
A hospedagem nessa data está esgotada com muita antecedência e os preços disparam astronomicamente. A diária de uma pensão simples na cidade de Ísafjörður, por exemplo, chegou a 700 dólares por noite, e na península de Snæfellsnes está acontecendo até um festival enorme.
Quanto às passagens aéreas a partir do Brasil, não há voos diretos: o caminho mais comum é via grandes hubs europeus como Lisboa, Londres, Frankfurt ou Copenhague. A companhia tradicional e muito confiável é a Icelandair, que oferece um ótimo serviço de Stopover.
Com ele, você pode fazer uma parada de até sete dias na Islândia a caminho da América do Norte, totalmente sem custo adicional na passagem. Só fique atento a informações antigas na internet, porque a popular low cost PLAY faliu e você não verá mais os aviões vermelhos dela no céu.
Para entrar no país, brasileiros não precisam de visto para estadias turísticas de até 90 dias. A Islândia faz parte do espaço Schengen, então basta o passaporte válido. A partir de 2026, fique de olho no novo sistema ETIAS, uma autorização eletrônica que pode passar a ser exigida para viajantes de fora da UE, incluindo brasileiros — verifique as regras atualizadas antes de comprar a passagem. O que você talvez sinta no aeroporto de Keflavík são filas um pouco mais longas nos guichês para pessoas de fora da União Europeia.
Onde se hospedar e quanto custa
A hospedagem na Islândia é provavelmente o que vai doer mais no seu bolso. O preço da estadia depende principalmente do padrão que você exige, porque aqui você encontra de tudo: de hotéis de luxo todos envidraçados a fazendas familiares e campings.
Durante nosso roadtrip, dormimos principalmente nas chamadas guesthouses, que é talvez a forma mais popular e prática de hospedagem. Geralmente você tem banheiro privativo ou compartilhado e, o mais importante, acesso a uma cozinha comum, o que é absolutamente essencial para manter o orçamento sob controle.
Em média, conte que uma noite para dois numa pensão ou guesthouse decente sai por cerca de 80 a 150 euros. Uma ótima alternativa para os amantes de animais são as chamadas farmstays, reunidas pela rede Hey Iceland, onde você acorda de manhã literalmente com o balido das ovelhinhas e muitas vezes tem à disposição uma cozinha totalmente equipada.
Se você viaja sozinho ou não se importa com quartos compartilhados, encontra por toda a ilha hostels limpos e modernos, onde a cama em quarto compartilhado fica entre 40 e 60 dólares por noite.
A hospedagem é, em resumo, um item fundamental, então se você viaja no verão e tem um espírito mais aventureiro, economiza muito com o Camping Card. Ele custa cerca de 165 euros, ou 26.000 ISK, e dá acesso a mais de quarenta campings por toda a ilha, por até 28 noites.
O cartão ainda vale para dois adultos e até quatro crianças, e no local você só paga uma pequena taxa de estadia, cerca de 400 ISK por noite. É uma opção totalmente ideal para quem aluga uma van/motorhome, ou seja, um campervan.
Quanto ao orçamento total, uma viagem à Islândia por conta própria para duas pessoas por uma semana, com conforto médio, carro alugado, gasolina, comida e entradas nas termas, sai por uma estimativa de 3.000 a 4.900 euros sem passagens. Se você cozinhar com disciplina, dormir em barraca e alugar o menor carro com tração nas duas rodas, dá para baixar para algo em torno de 1.900 a 2.700 euros.
Se, ao contrário, você exige hotéis de luxo e excursões privadas em geleira, o orçamento facilmente passa de 11.000 euros. Não esqueça de incluir no orçamento de 2026 também o novo imposto por quilômetro do carro alugado, que vou detalhar logo na próxima seção.
💡 Dicas concretas de hospedagem (preços e disponibilidade você confere pela Booking; reserve com antecedência — na temporada e em torno do eclipse de 2026, somem meses antes):
- Hótel Kea (Akureyri)
- Fosshótel Glacier Lagoon (Hof)
- Hótel Katla by Keahotels (Vík)
Transporte e direção: 4 coisas que você precisa saber
As estradas da Islândia são uma experiência totalmente à parte, e alugar carro aqui lembra um pequeno velho oeste. Você pode ficar na estrada asfaltada circular, a Ring Road, ou se aventurar a descer para o interior, nas estradas de cascalho. As duas opções têm regras rígidas, que realmente não compensa quebrar, porque os serviços de assistência são astronomicamente caros, os radares móveis são implacáveis e as eventuais multas, piores ainda.
1. Que carro escolher e quando o 2×4 basta
Um grande dilema é sempre a escolha entre um carro com tração nas duas rodas e um 4×4. Se você viaja no verão e planeja se mover só pelo Círculo Dourado, pela costa sul ou quer dar a volta na Ring Road principal, um carro pequeno com tração dianteira vai te bastar de sobra. A maior parte da estrada principal é asfaltada, e só cerca de trinta por cento dos trechos são de cascalho.

Mas assim que você quiser pegar as estradas de montanha marcadas com a letra F, rumo ao interior islandês, um carro com tração 4×4 é absolutamente indispensável. Por lei, você não pode entrar lá com um carro comum, perde todo o seguro e, acredite, aquelas estradas são realmente brutais.
O 4×4 também é, claro, indispensável para viagens nos meses de inverno. E cuidado com as pontes estreitas de uma só pista, as chamadas Einbreið brú, onde vale sempre a regra simples: quem chega primeiro na ponte tem a preferência.
2. O seguro é o básico absoluto
Nas estradas islandesas, podem acontecer com o carro várias coisas que nem conhecemos por aqui. O seguro básico CDW de um carro pequeno custa cerca de 3.190 ISK por dia, mas na maioria das vezes não basta.

Pague com certeza o adicional do Gravel Protection, que te protege do cascalho que voa. O asfalto na Ring Road muitas vezes vira cascalho de repente, e basta um carro passar na direção contrária para uma pedrinha quebrar o seu para-brisa na hora.
Se você vai ao sul e leste da ilha, recomendo muito também o Sand and Ash Protection. As tempestades de vento conseguem levantar cinza vulcânica e areia que literalmente lixam a pintura do carro até chegar ao metal, e os danos nesse caso chegam a valores enormes — até 1.500.000 ISK.
Um capítulo especial são os vaus de rios no interior; infelizmente, nenhum seguro padrão cobre isso, e lá você dirige sempre por sua conta e risco.
3. Tome muito cuidado com as portas
Pode soar um pouco cômico, mas um dos danos mais frequentes nas locadoras islandesas é a porta arrancada pelo vento, o que os locais chamam de door-ripping. A força do vento na Islândia consegue ser tão extrema que, se você abre a porta do carro descuidadamente, o vento a agarra e, com força enorme, a vira até o para-lama.

O conserto custa valores absurdos e o seguro comum raramente cobre esse tipo de dano. Temos uma regra simples: sempre que venta na Islândia, você precisa segurar a maçaneta com as duas mãos com firmeza e escorar a porta com o corpo ao sair do carro. Da mesma forma, cuidado para não estacionar contra a direção do vento forte com as portas abertas.
4. Imposto por quilômetro e gasolina mais barata em 2026
Se você lê relatos de viagens à Islândia de anos anteriores, precisa saber de uma mudança fundamental. O governo islandês introduziu, a partir de 1º de janeiro de 2026, um novo imposto por quilômetro, que vale inclusive para carros elétricos. Para carros de passeio de até 3,5 toneladas, isso significa uma taxa de 6,95 ISK, ou cerca de 5 centavos de euro, por cada quilômetro rodado.

As locadoras cobram isso de forma fixa, como uma taxa diária em torno de 1.390 a 1.550 ISK, ou descontam do seu cartão exatamente conforme o hodômetro na devolução do carro.
Mas não precisa entrar em pânico. Junto com esse imposto, o governo eliminou parte do imposto sobre combustíveis, então a gasolina ficou bem mais barata. Enquanto em 2025 o litro passava de 305 ISK, em 2026 os preços ficam aproximadamente entre 210 e 225 ISK por litro, dependendo da rede de postos.
Os custos totais do roadtrip acabam se equilibrando: você só paga uma parte do dinheiro à locadora e menos no posto. E não esqueça que em postos de autoatendimento, como o N1, você vai necessariamente precisar de um cartão físico e saber a sua senha (PIN), porque pagamentos por aproximação sem PIN têm na Islândia um limite de 7.500 ISK.
Islândia e segurança: com o que tomar cuidado
Embora a Islândia se mantenha há muito tempo no primeiro lugar do ranking dos países mais seguros do mundo, com criminalidade quase nula, a natureza aqui infelizmente não perdoa erros. Casas e carros muitas vezes nem são trancados e as pessoas são incrivelmente gentis; por outro lado, você pode ser morto por uma onda discreta numa praia negra ou ser surpreendido por uma evacuação por causa de atividade sísmica. Mas basta seguir algumas regras básicas e você ficará totalmente tranquilo.
Talvez o maior fantasma dos últimos anos esteja na deslumbrante praia negra de Reynisfjara, perto da cidadezinha de Vík. O lugar é lindíssimo, com colunas de basalto ao fundo, mas o oceano ali produz as chamadas sneaker waves, ou seja, ondas traiçoeiras e furtivas.
O oceano parece totalmente calmo, mas do nada chega uma massa enorme de água, que alcança dezenas de metros mais para dentro da terra do que as ondas anteriores. A água tem uma força imensa e a forte correnteza de fundo consegue arrastar facilmente um adulto para o oceano. Desde 2013, infelizmente, já morreram seis turistas ali.
Por isso, respeite o semáforo de zonas na própria praia, fique a no mínimo trinta metros da água e, principalmente, nunca dê as costas ao oceano por causa de uma foto.
Outra particularidade é a atividade vulcânica na península de Reykjanes. Desde março de 2021, as erupções se alternam por lá, e só no sistema vulcânico Sundhnúkur já aconteceram nove. Para a sua segurança, porém, elas não representam um risco nacional grave, porque essas erupções não lançam nuvens de cinza, mas sim, de forma mais calma, derramam lava das fissuras.
O aeroporto de Keflavík funciona sem restrições, mas tome muito cuidado com as populares termas Blue Lagoon. Elas operam no momento em regime dinâmico e, com atividade sísmica aumentada, conseguem se evacuar completamente com duas horas de antecedência.
Sempre, antes da viagem, dê uma olhada no aplicativo e no site oficial Safetravel.is, onde você encontra os avisos mais recentes. Igualmente indispensável é o portal com a previsão exata do tempo, Vedur.is.
Uma categoria totalmente diferente de segurança e regras sociais é a etiqueta nas piscinas termais islandesas, ou Sundlaug. Os turistas costumam ir para as termas caras, como a Sky Lagoon, mas nós nos apaixonamos pelas piscinas públicas locais, que você encontra em cada cidadezinha por uma entrada simbólica.
Mas elas têm uma regra bem rígida. Como os islandeses usam o mínimo de cloro, você precisa tomar banho com sabão antes de entrar na piscina, e isso completamente pelado.
Nos vestiários, você muitas vezes encontra funcionários, os chamados fiscais de chuveiro, que zelam pela higiene, e se você não tirar a roupa de banho, eles te mandam de volta para o chuveiro sem dó. Talvez você fique um pouco sem graça, mas ninguém ali fica te olhando — é simplesmente uma tradição local indispensável.
Região por região: os 15 lugares mais bonitos da Islândia para visitar e o que fazer ali
A Islândia é tão imensa e visualmente variada que você simplesmente não dá conta dela numa só visita. Eu e o Lukáš conseguimos percorrê-la inteira em quatorze dias, mas tivemos dias em que ficamos muitas horas sentados no carro, vendo o asfalto virar estradas de cascalho intermináveis.
Dividi a ilha para você nas suas principais regiões, para que você possa escolher exatamente os lugares que mais te atraem e com base nos quais montar facilmente o roteiro ideal.
1. Reykjavík e a península de Reykjanes
A capital da Islândia provavelmente não vai te transmitir a clássica atmosfera histórica das metrópoles europeias, mas tem seu charme nórdico inconfundível. Dá para percorrer a cidade inteira a pé em um dia, e recomendo começar pela imponente igreja de concreto Hallgrímskirkja, cuja arquitetura lembra as colunas de basalto da natureza local; a subida à torre mirante custa cerca de 1.400 ISK.

Linda também é a caminhada ao redor do moderno e envidraçado prédio da ópera Harpa, que fica logo ao lado do porto, e não deixe de ver também a escultura de aço Sun Voyager, o “barco do sol”. À noite, parta para o famoso rúntur, o tradicional rolê pelos bares na movimentada rua Laugavegur.
Além dos limites da cidade fica a península de Reykjanes, onde você provavelmente vai pousar. Ali está a famosa Lagoa Azul, com sua água leitosa, que às vezes fica temporariamente evacuada por causa da atividade vulcânica local perto da cidadezinha de Grindavík, mas que na maioria do tempo funciona sem nenhum problema.
Os ingressos precisam ser reservados com muita antecedência. Nessa península você encontra também a chamada Ponte entre Continentes, onde pode caminhar livremente pela fenda entre as placas tectônicas euroasiática e norte-americana.
💡 Dica: ingressos e passeios organizados (na Islândia e arredores) valem a pena comprar com antecedência online no GetYourGuide; na temporada, esgotam rápido.
2. Círculo Dourado (Golden Circle) como começo obrigatório
Este é o clássico absoluto, que você consegue percorrer a partir da capital num passeio de uma tarde. O Círculo Dourado é formado por três paradas principais. A primeira delas é o parque nacional Þingvellir, lugar de enorme importância histórica, porque foi ali que se reuniu o primeiro parlamento islandês, já no ano 930.

Ao mesmo tempo, é o único lugar do mundo onde você consegue ver claramente, na superfície, como duas placas continentais se afastam uma da outra, e os mais corajosos podem até mergulhar na fenda Silfra, numa água com temperatura de apenas dois graus Celsius.
A próxima parada é a área geotérmica de Geysir. O Grande Gêiser em si dorme a maior parte do tempo, mas o vizinho dele chamado Strokkur é bem confiável e, a cada cinco a dez minutos, lança água fervente a uma altura respeitável de até trinta metros.
Toda essa rota se encerra com a imponente cachoeira Gullfoss. Esse gigante de duas cascatas é incrivelmente majestoso e, no inverno, quando está cercado de gelo, dá a sensação de que você chegou ao fim do mundo.
3. Costa sul: cachoeiras e areia negra
Se você sair de Reykjavík pela estrada circular número 1 em direção ao sul, prepare-se para parar de boca aberta a todo momento. A primeira atração enorme é a cachoeira Seljalandsfoss, cuja singularidade está no fato de você poder contorná-la por trás com segurança.



Mas prepare uma jaqueta impermeável realmente boa, porque a névoa de água voa para todos os lados. Só um pouco adiante você encontra a poderosa Skógafoss, ao lado da qual você pode subir centenas de degraus e observar como, de uma altura de sessenta metros, uma quantidade enorme de água despenca rio abaixo.
Nesses lugares populares, conte com o pagamento de estacionamento, cerca de 1.000 ISK, então já baixe logo o aplicativo Parka.
Se você tiver um tempinho extra e não se importar com uma caminhada mais longa, faça um trajeto até os destroços do avião militar americano DC-3, na praia de Sólheimasandur. A aeronave está ali, na areia negra, desde os anos setenta, e mesmo que o caminho até ela seja um pouco cansativo, plano e cheio de cascalho, aquela visão pós-apocalíptica definitivamente vale a pena.
Assim que você chegar à cidadezinha de Vík, vai topar com a já mencionada linda, mas perigosa, praia negra de Reynisfjara, com suas colunas de basalto, onde te esperam aquelas ondas oceânicas totalmente traiçoeiras.
4. Sudeste e o encanto das geleiras gigantes
Depois de Vík, as multidões de turistas começam a rarear visivelmente e você, por uma longa estrada reta, se aproxima do enorme parque nacional Vatnajökull, onde fica a maior geleira da Europa, que cobre incríveis oito por cento de toda a área da Islândia. Aqui, praticamente todo mundo fica de queixo caído.

Eu e o Lukáš fizemos uma parada mais longa na famosa laguna glacial Jökulsárlón. Nessa água calma, se desprendem enormes pedaços de gelo azuis e brancos, que flutuam em silêncio rumo ao oceano, e muitas vezes neles tomam sol focas curiosas.
Logo do outro lado da estrada, em frente à laguna, fica a chamada Praia de Diamante, ou Diamond Beach. O oceano agitado fica constantemente desgastando aqueles enormes pedaços de gelo que se desprendem e, aos poucos, os joga de volta na costa. Pedaços de gelo das mais variadas formas e tamanhos realmente brilham como diamantes na areia vulcânica intensamente negra, sob a luz do sol, o que faz dela um dos lugares mais fotogênicos de toda a ilha.
5. Fiordes orientais (Austurland) e cenários de penhascos
Quando você atravessar o sudeste árido, a estrada começa a serpentear de forma dramática e você entra na região dos Fiordes Orientais. É uma paisagem de penhascos íngremes e afiados, enseadas profundas e estradas desertas, onde é bem provável que você encontre manadas inteiras de renas selvagens. Conte que as distâncias entre os postos aqui são bem maiores, então não esqueça de abastecer regularmente e checar o nível do tanque.

A pérola absoluta dessa região é a charmosa cidadezinha de Seyðisfjörður, que fica no fim de um dos fiordes profundos. Esse lugar ficou famoso pela icônica igrejinha azul, à qual leva uma incrivelmente fotogênica rua de arco-íris. A atmosfera aqui é totalmente diferente do resto da Islândia, cheia de artistas, pequenas cafeterias e uma tranquilidade onipresente.
6. Norte e o selvagem Círculo de Diamante (Diamond Circle)
O papel de capital do norte é cumprido pela simpática cidadezinha de Akureyri, de onde a maioria dos viajantes parte para explorar o chamado Círculo de Diamante. Ele inclui a linda cachoeira Goðafoss e, principalmente, a geotermicamente ativa região do lago Mývatn. Essa área parece literalmente de outro planeta.

A cada passo, aqui tudo borbulha e chia, você passeia em volta de coloridos vulcões de lama em Hverir e admira as formações de lava de Dimmuborgir. Na virada de junho para julho de 2026, ainda por cima, depois de uma longa reforma, abrem as novíssimas termas Earth Lagoon, que substituem as antigas Mývatn Nature Baths.
O ápice absoluto do norte é, para mim, sem dúvida a Dettifoss, que é a cachoeira mais poderosa de toda a Europa. Ficar na beira dela e sentir os tremores físicos sob os pés te enche de um respeito enorme pela natureza. Se você ama animais, vá até a próxima cidadezinha pesqueira de Húsavík.
A probabilidade de, a partir dali, num barco de passeio, você avistar baleias beira a certeza, e nos meses de verão chegam aqui regularmente até as enormes baleias-azuis. Depois do passeio, você pode mergulhar nas termas GeoSea, de onde, da água quente, você olha direto para o oceano.
7. Península de Snæfellsnes e os remotos Westfjords
A parte oeste da Islândia oferece duas faces totalmente distintas. A península de Snæfellsnes costuma ser apelidada de Islândia em miniatura, porque, num pedaço relativamente pequeno, você encontra um pouco de tudo.

Está aqui a icônica e pontuda montanha Kirkjufell, conhecida da série Game of Thrones, a romântica e solitária igrejinha negra de Búðir no meio do deserto, e os dramáticos penhascos cheios de aves nidificando perto de Arnarstapi. Dá para percorrê-la em dois dias tranquilos e, em agosto de 2026, acontece aqui inclusive um festival enorme ligado ao eclipse solar.
Já os Westfjords, ou seja, os Fiordes Ocidentais, são para quem quer fugir de tudo e de todos. Menos de dez por cento de todos os turistas vêm para cá, porque as estradas serpenteiam sem parar por fiordes profundos, o asfalto vira cascalho com frequência e a direção aqui é muito lenta.
A recompensa, porém, é o isolamento absoluto e a majestosa cachoeira em cascata Dynjandi. Nós, na época, ficamos nos penhascos de Látrabjarg, que é o ponto mais ocidental de toda a Europa, e no verão você pode observar, a um metro de distância, enormes colônias de fofíssimos papagaios-do-mar.
8. Interior (Highlands) e as montanhas arco-íris de Landmannalaugar
O interior é o coração árido e inóspito da Islândia, aonde os turistas comuns, com carros pequenos, nunca chegam. Não há nenhuma estrada asfaltada por aqui, não há postos nem hotéis, apenas F-roads intermináveis de cascalho e vaus por rios selvagens que você precisa atravessar com o carro por sua conta e risco. O interior é acessível só de meados de junho a meados de setembro, e exclusivamente com um carro potente com tração 4×4.

Se você tiver o carro certo e coragem, te esperam cenários que parecem de Marte. A região mais famosa é Landmannalaugar, com suas deslumbrantes montanhas coloridas de riolito, onde você pode fazer trilhas maravilhosas e se banhar em córregos quentes naturais. Se você anseia por uma solidão absoluta e tem mesmo experiência com direção off-road, pode ir até a paisagem lunar do vulcão Askja, no fundo do interior central.
Onde comer na Islândia: guia para vegetarianos e curiosos
Os restaurantes da Islândia são um capítulo à parte e se dividem em duas categorias básicas: caros e extremamente caros. Um prato principal comum num restaurante sai tranquilamente por 2.000 a 3.500 coroas islandesas, e uma cerveja comum no bar, por uns 1.500 ISK.


Como eu e o Lukáš somos vegetarianos e tentávamos manter um orçamento razoável, na maior parte do tempo preparávamos a comida nós mesmos, com ingredientes comprados.
Comprávamos exclusivamente nos supermercados locais e logo descobrimos que o melhor é o Bónus, com o porquinho rosa no logo, que é de longe o mais barato. Uma alternativa um pouco mais cara é o Krónan ou o Nettó; já do supermercado de luxo Hagkaup fugíamos com um grande desvio.
O porta-malas do nosso carro logo virou uma cozinha de campo funcional. Todo dia cozinhávamos macarrão com pesto, panelas enormes de sopa de lentilha fresca, preparávamos grão-de-bico e, à noite, muitas vezes fazíamos tacos caseiros com abacate ou só passávamos no delicioso pão islandês o nosso homus favorito.
Uma descoberta vegetariana enorme para nós foi o autêntico Skyr islandês, que tecnicamente é um queijo denso, mesmo parecendo iogurte, e como tem mais de 16 gramas de proteína pura, nos salvava praticamente todas as manhãs no café. Se você for a cidades maiores, como Reykjavík ou a Akureyri no norte, encontra sem problema ótimos estabelecimentos vegetarianos e veganos, onde fazem bowls de vegetais fantásticos, falafel crocante ou padaria vegana deliciosa.
E mais uma dica extremamente importante: nunca compre na Islândia água engarrafada em plástico. A água da torneira em toda a ilha é totalmente limpa, deliciosa e, o melhor, completamente de graça.
Se você não é vegetariano e tem um espírito mais aventureiro, talvez te interessem as especialidades tradicionais locais, que você encontra normalmente nos cardápios. É comum topar com uma sopa encorpada de carne de cordeiro ou com pedaços de peixe seco chamado harðfiskur, que os islandeses mastigam como petisco.
Nos lugares mais ousados, servem aos turistas até o infame hákarl, que é tubarão-da-groenlândia fermentado, com forte cheiro de amônia, que os locais, por garantia, descem com uma forte aguardente de cominho, a Brennivín.
Para onde ir depois
- Islândia: roteiro de roadtrip de 7 dias pela Ring Road
- Os lugares mais bonitos da Islândia que você precisa ver
- Qual é a melhor época para voar para a Islândia?
- 16 melhores fontes termais da Islândia para mergulhar
Perguntas frequentes
Quando é a melhor época para ir à Islândia?
Depende das suas prioridades. Se você quer percorrer toda a ilha, explorar o interior e aproveitar dias longos com o mínimo de chuvas, vá de junho a agosto. Mas se você sonha com a aurora boreal e quer evitar as maiores multidões e os preços astronômicos do verão, a melhor época é final de setembro, outubro ou então o março mais frio.
Quanto custa uma viagem para a Islândia?
O intervalo de preços na ilha é enorme. O meio-termo para duas pessoas durante uma semana sem passagens aéreas, incluindo hospedagem em pousadas agradáveis, aluguel de um carro menor e jantar ocasional em restaurante, vai custar cerca de 3.200 a 5.200 EUR. Viajantes mais econômicos, que cozinham religiosamente com mantimentos do supermercado Bónus e acampam em barraca ou van, podem reduzir o orçamento para 2.000 a 2.800 EUR.
Quantas horas dura o voo para a Islândia?
Se você voar de Praga com um voo direto na temporada de verão, por exemplo, com a companhia Smartwings, o voo para o aeroporto internacional de Keflavík leva pouco menos de quatro horas. Se voar fora da temporada, conte com uma conexão, geralmente via Copenhague, Frankfurt, Viena ou Londres, o que logicamente estende a viagem total para aproximadamente seis a oito horas.
Preciso de um carro 4×4 na Islândia ou um comum serve?
Nos meses de verão e para viajar pela principal estrada asfaltada Ring Road e pelo popular Círculo Dourado, um carro pequeno convencional com tração dianteira será absolutamente suficiente. Porém, assim que você planeja entrar no interior pelas estradas de montanha de cascalho F-roads, que cruzam rios, ou viajar nos rigorosos meses de inverno cheios de neve, a tração 4×4 é absolutamente essencial e nas F-roads é exigida por lei por motivos de segurança.
O que não se pode fazer na Islândia e quais são as regras?
A Islândia se preocupa enormemente com a proteção de sua frágil natureza e pune rigorosamente qualquer infração. É estritamente proibido dirigir fora das estradas demarcadas, ou seja, fazer off-road, pisar no raro musgo islandês, que leva centenas de anos para crescer, e você também não pode acampar em nenhum lugar fora dos campings oficiais designados. Muito importante também é a etiqueta nas piscinas termais, onde você não pode entrar sem antes tomar um banho completo sem roupa de banho.
A ilha e os vulcões estão seguros atualmente?
Sim, a Islândia é considerada há muito tempo o país mais seguro do mundo. As erupções na península de Reykjanes ainda estão ativas em 2026 e o magma está se acumulando, mas esses fenômenos vulcânicos são bem localizados e não há grandes explosões de cinzas na atmosfera. O transporte aéreo e as principais atrações turísticas funcionam normalmente e as autoridades monitoram tudo cuidadosamente, mas ainda assim vale a pena acompanhar a situação atual através do aplicativo de segurança Safetravel.
Como funciona o novo pedágio por quilômetro para 2026?
A partir do início de janeiro de 2026, a Islândia passou a cobrar um novo imposto de 6,95 ISK por cada quilômetro rodado em automóveis particulares, incluindo os populares carros elétricos. As locadoras costumam repassar esse custo diretamente aos clientes na forma de uma taxa diária fixa ou de um acerto de contas preciso após a devolução do veículo. A boa notícia é que, graças a esse imposto, o governo eliminou parte das taxas sobre a gasolina, fazendo com que os combustíveis nos postos ficassem bem mais baratos, chegando a cerca de 215 ISK por litro.
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