Você tira umas férias incríveis, embarca naquela road trip dos sonhos pela Toscana na Itália de carro, bebe vinho sob os ciprestes, come a melhor massa da sua vida e volta para casa cheio de boas lembranças. Mas alguns meses depois chega um envelope discreto com carimbo italiano. E dentro dele uma multa de 80 a 130 euros, à qual a locadora ainda soma uma bela taxa administrativa. O motivo? Ninguém te avisou antes sobre as zonas ZTL.
Lukáš e eu percorremos a Toscana já em agosto de 2018 de bicicleta elétrica, o que foi uma fantasia absoluta e nos poupou de todo o estresse com estacionamento. Mas se você pretende explorar esta região pitoresca de carro, precisa se preparar para as regras italianas específicas, que sabem atormentar até motoristas experientes. A Itália é feita sob medida para road trips, você só precisa saber exatamente aonde pode levar o carro e aonde já não pode.
Aqui você vai descobrir tudo o que eu gostaria de saber antes da minha primeira viagem: como não pagar a ZTL, quando pegar o carro afinal e como distribuir sete dias de modo que ainda sobre tempo para o vinho. Vai entender também por que não alugar o carro logo no aeroporto, onde se hospedar estrategicamente e com o que ter cuidado ao dirigir pelas famosas estradas brancas de terra, porque vagar entre vinhedos com um pneu furado não é lá muito romântico.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- As zonas ZTL podem te custar centenas de euros: os centros históricos das cidades são protegidos por zonas de acesso restrito. Não há cancelas, apenas câmeras discretas que fotografam a placa do seu carro e a multa chega pelo correio.
- Reforma de dezembro de 2024: passagens repetidas pela mesma ZTL no mesmo dia agora contam como uma única infração, o que é um alívio enorme para turistas confusos.
- Quando pegar o carro: para conhecer Florença você não precisa de carro, só pagaria estacionamento caro. Alugue apenas no momento em que for partir para o interior.
- Autostrada vs. superstrada: as autoestradas sinalizadas de verde (autostrada) são pedagiadas, as vias rápidas sinalizadas de azul (superstrada) são gratuitas, mas não têm postos de combustível.
- Estacionamento por cores: linhas brancas significam estacionamento gratuito, azuis são pagas e nas amarelas nunca estacione, são só para moradores.
- Strade bianche: as propriedades toscanas mais bonitas são acessadas por estradas de cascalho brancas. É melhor conferir na locadora se o seu seguro cobre a parte de baixo do carro.
- Ritmo ideal: não tente ver a Toscana inteira, incluindo o litoral, em 7 dias. Concentre-se em Florença, Siena, no vale de Val d’Orcia e em San Gimignano.

ZTL: o erro mais caro que você vai cometer na Toscana
ZTL (ou Zona a Traffico Limitato, como se diz naquele italiano tão bonito) é a sigla que arruína as férias, de resto perfeitas, dos turistas na Toscana. E infelizmente no sentido literal da palavra. Essas restrições protegem os centros históricos da poluição e do barulho. Você não vai encontrar cancelas nem guaritas com guarda. A restrição é fiscalizada pelo chamado varco, um pórtico com câmera e leitura automática de placas. Se você passar sem autorização, a câmera te fotografa sem dó.
Os turistas costumam achar que, se ninguém os parou, está tudo bem. Mas a multa de 80 a 130 euros por uma única passagem chega religiosamente pelo correio, tranquilamente meses depois do seu retorno. Se você estiver com carro alugado, a multa vai primeiro para a locadora. Ela informa seus dados à polícia, mas já desconta do seu cartão de crédito uma taxa administrativa, que gira em torno de 40 a 60 euros. E a multa em si você ainda tem que pagar às autoridades italianas.
Essas zonas não existem só em grandes cidades como Florença, Siena, Pisa e Lucca. Você as encontra também em pequenos centros históricos, como Monteriggioni, San Gimignano, San Miniato e em vários vilarejos da região do Chianti. A restrição geralmente começa logo nas muralhas antigas ou na borda do casario histórico. Você pode conferir a lista completa, por garantia, no portal italiano de ZTL, onde encontra mapas exatos de cada cidade.
Durante muitos anos valia a regra de que, se você ficasse rodando desesperado pelo centro e passasse pela câmera cinco vezes numa tarde, levava cinco multas. A boa notícia é a reforma de dezembro de 2024. Ela finalmente estabeleceu que passagens repetidas pela mesma ZTL no mesmo dia contam como uma única infração. Mas se você entrar em ZTLs diferentes ou em dias diferentes, infelizmente isso ainda soma como multas separadas.
Como evitar esses aborrecimentos e curtir as férias em paz? Aqui estão quatro maneiras concretas de driblar a ZTL:
1. Estacione nos estacionamentos de apoio fora do centro. É a solução mais segura e, muitas vezes, a mais barata. Dos estacionamentos maiores costumam sair micro-ônibus de ligação até os monumentos. 2. Registre a placa no hotel dentro da ZTL. Se você vai ficar hospedado no centro, entre em contato com o hotel antes de chegar. A equipe costuma registrar sua placa no sistema policial e a passagem até o hotel fica totalmente legal. 3. Não confie cegamente no GPS. Apps como Google Maps ou Waze te mandam tranquilamente para dentro da ZTL, se você não os configurar. Sempre observe a sinalização real na rua. 4. Procure painéis luminosos e placas. A ZTL é marcada por uma placa redonda com borda vermelha e centro branco. Ela vem acompanhada de um painel luminoso com o dizer ZTL ATTIVA (zona ativa, não entre) ou ZTL NON ATTIVA (zona inativa, pode passar).
É que a zona ZTL costuma ser sinalizada apenas por uma placa discreta, que no trânsito italiano intenso é fácil de não perceber. A placa redonda com borda vermelha muitas vezes é o único aviso antes da câmera e, quando você chega até ela, em geral não há como dar meia-volta. Por isso, estude o mapa dos estacionamentos com antecedência e não conte que vai dar um jeito milagroso na hora. Nas ruelas toscanas, dar ré com um motorista local irritado atrás de você equivale a um pesadelo.
Muita gente acha que isso não se aplica a ela, mas é justamente a ZTL o motivo de aparecerem tantas perguntas desesperadas em fóruns de viajantes do mundo todo. Se estiver acesa a placa vermelha ZTL ATTIVA, não tente passar nem por um segundo, porque o sistema é totalmente automatizado e não conhece piedade. Se estiver acesa a verde ZTL NON ATTIVA, você pode entrar no centro tranquilamente, mas é melhor sempre conferir duas vezes.
Só para você saber, a locadora nunca paga a multa em si às autoridades italianas por você. Ela desconta do seu cartão apenas a própria taxa administrativa por ter repassado seus dados à polícia a tempo. A cobrança do valor pelas autoridades depois fica por sua conta, e ignorar as notificações de pagamento italianas definitivamente não compensa no futuro.

Estradas, pedágios e radares
A malha de autoestradas italianas é ótima, mas você precisa aprender a distinguir dois tipos básicos de vias rápidas. A autostrada é a autoestrada clássica, sinalizada de verde e com pedágio. Você para na praça de pedágio, pega um tíquete e, na saída, paga conforme a distância percorrida. Dá para pagar em dinheiro, com cartão ou com o cartão pré-pago Viacard. Na autostrada você encontra grandes áreas de descanso e postos de combustível. Se quiser calcular o pedágio com antecedência, a calculadora no site oficial da Autostrade serve muito bem.
Já a superstrada é uma via rápida sinalizada de azul e totalmente gratuita. Um exemplo é o trecho movimentado Firenze–Siena (conhecido como RA3), que em geral tem duas faixas, mas em alguns pontos se estreita. Muito cuidado com o fato de que na superstrada não há postos de combustível. Se você vai fazer um deslocamento mais longo, recomendo abastecer antes de entrar na via.
Um capítulo à parte são os radares italianos, chamados aqui de autovelox. São fixos e móveis e na Toscana estão simplesmente em toda parte — na estrada principal, num vilarejo pacato, depois de uma curva onde você jamais esperaria. Não sei se é organização ou o senso de humor italiano. 😅 Assim que você entra num pequeno vilarejo, o limite muitas vezes cai para 50 km/h e o radar mede sem falhar. O sistema realmente não considera que você já quase saiu do vilarejo e começou a acelerar, então respeite os limites com o máximo de cuidado.
Estacionar nas cidades italianas funciona segundo um código de cores único, que vale a pena aprender rapidinho. Aqui vai um resumo simples do que cada cor no chão significa:
| Cor da linha na via | O que significa para você como motorista |
|---|---|
| Linha branca | Estacionamento gratuito, mas confira as placas (muitas vezes há limite de no máx. 2 horas com disco de estacionamento). |
| Linha azul | Estacionamento pago. Você precisa achar o parquímetro ou usar o app local no celular. |
| Linha amarela | Proibido estacionar. As vagas são estritamente reservadas a moradores, táxis ou carga e descarga. |
Além das linhas coloridas, observe também a sinalização vertical. O quadrado azul com a letra P branca indica estacionamento clássico. Mas se você vir um círculo azul com borda vermelha e um traço vermelho na diagonal, significa proibido estacionar, mesmo que não haja linha nenhuma no chão. Os locais às vezes estacionam até onde você não ousaria parar nem de bicicleta, mas com placa de fora (e ainda por cima de locadora) é melhor não arriscar.
Nas estradas italianas você também pode se surpreender com o comportamento dos motoristas locais, que às vezes dirigem de forma bem impulsiva. Mesmo assim, procure manter a cabeça fria e não se deixe provocar a dirigir mais rápido, porque as multas por velocidade aqui são realmente altas. Especialmente nas estradas do interior, fique de olho no limite de velocidade ao entrar nas cidades, onde muitas vezes se mede logo depois da placa e o sistema não perdoa nada.
Nas autoestradas pedagiadas o pagamento é bem simples e você não precisa de nenhum selo/vinheta de pedágio (como em outras rodovias europeias). Na entrada, você só pega um tíquete na máquina e paga na saída, seja em dinheiro, com cartão comum ou com o cartão pré-pago Viacard. O sistema é claro, só tome cuidado para não entrar por engano na faixa amarela reservada ao pedágio eletrônico Telepass, onde você não teria como pagar.
Mas preciso reforçar de novo a armadilha das superstrade gratuitas, porque a ausência de postos de combustível pode te pegar de surpresa de um jeito bem desagradável. Se acender a luzinha do tanque no meio do caminho, você terá que sair da via rápida em direção à cidadezinha mais próxima e procurar um posto local. Isso pode te custar tempo e nervos à toa.

Strade bianche: estradas de terra até os lugares mais bonitos
A Toscana é famosa pelas suas strade bianche, que em tradução significa estradas brancas. São estradas de terra, empoeiradas e de cascalho, que serpenteiam pelas colinas mais pitorescas. São típicas sobretudo da região de Val d’Orcia e da Crete Senesi. É justamente por essas estradas que você chega aos mirantes mais icônicos e às tradicionais propriedades rurais.
Embora soe romântico, dirigir pelas strade bianche exige um pouco de cuidado. Recomenda-se alugar um carro com altura livre maior, idealmente pelo menos 130 mm. Um carrinho urbano comum também dá conta, mas você precisa ir bem devagar e desviar de pedras maiores e buracos. Especialmente depois da chuva, essas estradas podem ser bem traiçoeiras.
Uma coisa essencial, que você precisa resolver já na reserva, é o seguro. Na locadora, confirme explicitamente que você pode dirigir por estradas de terra. Muitos contratos básicos excluem justamente o trânsito fora do asfalto. Mais importante ainda é conferir se o seu seguro cobre eventual dano na parte de baixo do carro ou pneu furado, que são acidentes bem comuns nas strade bianche.
Essas estradas muitas vezes são a única forma de chegar às hospedagens mais autênticas e às vinícolas renomadas escondidas no fundo da paisagem toscana. É verdade que você vai andar por elas a passo de tartaruga e o carro logo fica todo coberto de poeira fina, mas as vistas definitivamente valem a pena. Só tome muito cuidado ao cruzar com tratores em sentido contrário ou com locais que conhecem esses trechos de cor e andam bem mais rápido. Mais de uma vez tivemos que encostar bem na beira quando saiu de uma curva um empoeirado Fiat Panda numa velocidade que não esperávamos em terreno de terra.
A maioria dos donos de propriedades rurais isoladas vai confirmar de bom grado que é justamente esse pequeno incômodo que afasta as multidões e garante calma absoluta. Assim que você vencer o último trecho de cascalho e estacionar no seu agriturismo, a vista das colinas onduladas da Toscana vai compensar na hora todos os perrengues ao volante.

De onde partir e quando pegar o carro
Ao planejar a viagem, você provavelmente vai se ver diante do dilema de para qual aeroporto comprar as passagens. O aeroporto de Pisa é ideal se você vai para o norte da Toscana ou quer passar tempo à beira-mar no litoral. Para o circuito clássico pelo interior, sobre o qual será o nosso roteiro, é muito mais prático o aeroporto na própria Florença.
O maior erro que você pode cometer é pegar o carro logo depois de desembarcar. Em Florença ou em Pisa você não vai usar o carro nos primeiros dias. Os centros históricos você percorre exclusivamente a pé e o carro só ficaria parado numa garagem cara, onde você paga tranquilamente 25 euros por dia. Sem falar no estresse de navegar numa cidade grande e desconhecida logo depois de chegar.
O viajante esperto faz diferente. Pegue o carro apenas no momento em que você deixa a cidade de vez. Muita gente pega o carro na locadora só na manhã do terceiro dia, quando já andou por toda Florença e está de partida para o interior e os vinhedos. Assim você economiza dois dias de aluguel e de estacionamento caro e poupa muitos nervos desnecessários. Nós geralmente procuramos carros com bastante antecedência pela RentalCars.com, onde dá para comparar facilmente ofertas de empresas locais e internacionais.
A escolha do aeroporto também depende muito de qual país você está voando e onde consegue passagens mais em conta. Enquanto Pisa é uma ótima porta de entrada para o norte e o litoral, para Florença vale a pena voar se você quer se concentrar exclusivamente no famoso triângulo com Chianti e Siena. Às vezes compensa chegar em Florença e sair de Pisa, ganhando assim um dia a mais e evitando um longo trajeto de volta pela autoestrada.

Roteiro de 7 dias pela Toscana na Itália de carro
Este circuito clássico vai te levar ao melhor que a Toscana central tem a oferecer. A rota começa em Florença, segue pelo Chianti vinícola até Siena, desce ao maravilhoso vale de Val d’Orcia e, passando por San Gimignano, volta para o norte.
Esse plano, pelo menos na nossa opinião, é realmente bem equilibrado; mais cidades te cansariam, mais campo e você talvez ficasse olhando os vinhedos com ar sonhador sem fazer nada. 😁 Tentar espremer ainda o litoral ou a famosa torre inclinada de Pisa em uma semana significa que você vai passar a maior parte do tempo ao volante e vai se acabar. Montamos a rota de modo que você não fique sentado ao volante à toa logo depois do café da manhã, porque não é para isso que se vai à Itália. 😅
Para você se orientar melhor, preparei uma tabela organizada com a divisão dos dias:
| Dia | Região | O que te espera sem falta |
|---|---|---|
| Dias 1 e 2 | Florença | Passeio pela cidade a pé, visita a galerias e mercados, ainda não precisa de carro. |
| Dia 3 | Chianti | Retirada do carro, colinas onduladas, vinhedos, degustação e pernoite em agriturismo. |
| Dia 4 | Siena | Trajeto até Siena, passeio pela Piazza del Campo e pela majestosa catedral. |
| Dias 5 e 6 | Val d’Orcia | Cenários de cinema, as cidadezinhas de Montepulciano, Pienza, Montalcino e Bagno Vignoni. |
| Dia 7 | San Gimignano | Parada nas torres medievais, desvio até Volterra e devolução do carro em Florença. |
Sinceramente, o maior erro que as pessoas cometem é a vontade de ver absolutamente tudo. A Toscana não é uma região que você queira riscar da lista às pressas. Se você seguir o nosso ritmo, vai conseguir saborear manhãs lentas e não vai desmoronar todo dia por causa de longos trajetos. Você para num café, dá uma olhada numa lojinha de cerâmica e, quando gostar de algum lugar, fica ali uma hora a mais sem problema.

Dias 1 e 2: a encantadora Florença
Dedique os dois primeiros dias inteiramente ao berço do Renascimento. Florença é deslumbrante, mas também muito movimentada, então se locomover a pé é a melhor opção possível. Hospede-se em algum lugar perto do centro e saia para descobrir o Duomo Santa Maria del Fiore com sua cúpula icônica. À noite, passeie pela Ponte Vecchio e respire aquela atmosfera mediterrânea incrível. Recomendo comprar os ingressos das principais atrações online e com antecedência, por exemplo no site oficial da galeria Uffizi.
No segundo dia, perca-se nas ruelas do Oltrarno, onde, entre oficinas de artesãos e cafeterias, o tempo passa de um jeito totalmente diferente, e à noite não deixe de ver a vista do Piazzale Michelangelo, sobretudo no pôr do sol, é um romantismo inacreditável. Se você se interessa pelos detalhes, dê uma olhada no nosso artigo separado com dicas do que ver em Florença.

Dia 3: rumo às colinas do Chianti
A manhã do terceiro dia é a hora certa de ir até a locadora. Retire o carro e siga direto para o sul, rumo à região do Chianti, que se estende entre Florença e Siena. É uma paisagem que parece saída de um catálogo, cheia de colinas verdes, aleias de ciprestes e fileiras infinitas de videiras. Aqui ninguém tem pressa. Basta sair um pouco da estrada principal e você se vê cercado por um silêncio absoluto.
Pare em vilarejos pequenos como Greve in Chianti ou Castellina in Chianti. A região é famosa pelo vinho Chianti Classico, então visitar alguma das vinícolas locais é quase obrigatório. Idealmente, hospede-se num agriturismo em algum lugar isolado, onde, depois de um dia inteiro perambulando, você senta à beira da piscina com uma taça na mão e fica se perguntando como um lugar pode ser tão bonito. ☺️

Dia 4: a medieval Siena
Depois de uma manhã tranquila no interior, você segue para Siena. De Florença a Siena são cerca de 78 quilômetros pela superstrada RA3 e leva aproximadamente uma hora e quinze. Como você já sabe, esse trecho não tem pedágio, mas conte com o fato de que ele se estreita em alguns pontos. Consideramos Siena uma das cidades mais bonitas da Itália e a sua arquitetura de tijolo vai te encantar completamente.
Antes de entrar na cidade, fique bem atento às placas de ZTL e estacione em algum dos grandes estacionamentos de apoio fora das muralhas. No próprio centro, não deixe de conhecer a singular Piazza del Campo em formato de concha e a catedral de Siena de tirar o fôlego. Mais detalhes você encontra no nosso guia sobre Siena e San Gimignano.

Dias 5 e 6: a cinematográfica Val d’Orcia
Os dois dias seguintes você passa numa paisagem que é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. O vale de Val d’Orcia é exatamente aquela Toscana que você conhece do filme Gladiador. Aqui você encontra as aleias de ciprestes mais fotogênicas e as colinas onduladas que mudam de cor conforme a estação do ano. Os trajetos entre as cidadezinhas são curtos, geralmente levam só algumas dezenas de minutos.
Durante esses dois dias, explore Montepulciano e Montalcino, ambas famosas por excelentes vinhos. Não deixe de parar em Pienza, que é um paraíso para os apreciadores de queijo, e na cidadezinha termal de Bagno Vignoni. Aqui você vai andar bastante pelas empoeiradas strade bianche, então dirija com cuidado e aproveite as vistas incríveis a cada curva. São justamente os lugares onde você vai querer parar a cada cinco minutos para tirar mais uma foto.

Dia 7: San Gimignano e Volterra
No último dia você retorna para o norte. De Siena a San Gimignano são aproximadamente 45 minutos de carro, se você pegar o caminho mais rápido. Mas se decidir zigzaguear por Poggibonsi e pelas colinas pitorescas, o trajeto se estende por mais 30 a 45 minutos. San Gimignano é conhecida como a Manhattan medieval graças às suas torres familiares, que se erguem bem alto rumo ao céu.
Se você tiver tempo e energia, recomendo fazer ainda um desvio até a misteriosa Volterra. Vai te tomar quase uma hora de caminho a mais, mas a história etrusca e as oficinas de alabastro valem a pena (mais no artigo sobre Volterra). À tarde só te espera o retorno a Florença, a devolução do carro na locadora e o voo de volta para casa.

Variações mais curtas e mais longas
E se você não tem exatamente uma semana? Se o tempo está apertado e você tem só 5 dias, aconselho pular San Gimignano e Volterra. Divida o tempo em dois dias em Florença, um dia em Siena e dois dias só no interior, em Val d’Orcia. Você vai ver menos, é verdade, mas não vai ter a sensação de estar só ao volante correndo para algum lugar.
Por outro lado, se você dispõe de luxuosos 10 dias, dá para esticar o roteiro lindamente. Ao circuito clássico, acrescente um passeio ao norte até Lucca e à famosa Pisa. Outra opção é esticar de Val d’Orcia em direção ao litoral e combinar a road trip com alguns dias de descanso à beira-mar ou até com uma balsa até a ilha de Elba.
Se você viaja com crianças, mude completamente a estratégia. Ficar arrumando as malas e trocando de hotel o tempo todo é um inferno com a família. Encontre uma base estratégica, idealmente um agriturismo com uma grande piscina em algum lugar do Chianti, e faça apenas passeios radiais mais curtos pela região. E se você não tem carteira de motorista? A Toscana sem carro dá para fazer, desde que você se limite às grandes cidades ligadas por trens (Florença, Siena, Pisa, Lucca), mas aos vales rurais isolados, infelizmente, você não vai conseguir chegar.

Onde se hospedar
💡 Dica de hospedagem e experiências: nós preferimos procurar hospedagem no Booking.com, onde costumam estar as melhores condições de cancelamento. Já ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.
A regra básica para uma road trip pela Toscana é: não durma cada noite num lugar diferente. Ficar mudando as malas de lugar te rouba muito tempo precioso e energia. Para o roteiro de sete dias, duas ou três bases são absolutamente ideais. Você começa em Florença, depois se muda para o interior, no Chianti ou nos arredores de Siena, e faz a terceira base mais ao sul, em Val d’Orcia. Se quiser se poupar do estresse da procura e ter a garantia de cancelamento gratuito, sempre funciona muito bem a reserva pelo portal Booking, especialmente no planejamento de road trips mais longas.
Para um roteiro de carro, o melhor tipo de hospedagem é, sem dúvida, o agriturismo. São fazendas tradicionais toscanas ou propriedades rurais que oferecem hospedagem. A vantagem é que você tem estacionamento gratuito, calma total, muitas vezes uma piscina linda e ótima comida caseira. Pessoalmente, recomendo dar uma olhada no charmoso Agriturismo Il Rigo no meio das colinas onduladas de Val d’Orcia, ou no lindamente reformado Castello di Spaltenna na região do Chianti, se você quiser se dar um luxo mais romântico. A escolha, de qualquer forma, é enorme, então recomendo dar uma olhada no nosso artigo com 20 dicas de agriturismo na Toscana, onde você encontra também preços concretos e conselhos de como escolher o melhor.
Se você for dormir nas cidades, escolha a hospedagem com muito cuidado. Sempre procure hotéis com estacionamento próprio, ou descubra de antemão onde fica a garagem paga mais próxima (conte com 15 a 25 euros por noite). Reforço o mais importante: se o hotel tem endereço dentro da ZTL, você precisa enviar a placa do seu carro com antecedência, senão das suas férias vão sobrar só lembranças caras de multas.
Tome muito cuidado especialmente se você planeja a viagem por volta da metade de agosto, quando os italianos celebram o Ferragosto. Nesse período, os hotéis e agriturismos ficam lotadíssimos e os preços da hospedagem disparam, então você precisa resolver a reserva com longos meses de antecedência. Já nos meses de inverno as estradas costumam ficar lindamente vazias, mas muitas propriedades rurais e restaurantes sazonais estão fechados.

Para você não ter que ficar procurando, aqui vão dicas concretas por etapa — todas fora da ZTL ou com estacionamento próprio:
| Etapa | Hospedagem | Avaliação | Por que justamente esta |
|---|---|---|---|
| Dias 1–2 · Florença | iQ Hotel Firenze | ★ 4,8 (504) | moderno, perto da Via Cavour, estacionamento no local |
| Dias 1–2 · Florença | Ambasciatori Hotel Florence | ★ 4,3 (6 844) | perto da estação S. M. Novella, acesso fácil de carro |
| Dia 3 · Chianti | Agriturismo San Sano | ★ 4,9 (357) | agriturismo entre vinhedos, estacionamento gratuito |
| Dia 4 · Siena | Hotel Italia Siena | ★ 4,6 (832) | a poucos passos das muralhas, estacionamento próprio |
| Dia 4 · Siena | Hotel Arcobaleno | ★ 4,5 (737) | fora da ZTL, boa relação custo/benefício |
| Dias 5–6 · Val d’Orcia | Agriturismo il Rigo | ★ 4,8 (320) | agriturismo clássico no meio de Val d’Orcia |
| Dias 5–6 · Val d’Orcia | Vento d’Orcia | ★ 5,0 (166) | pequeno e muito bem avaliado, perto de Pienza |
Detalhes práticos que poupam os nervos
Abastecer na Itália tem suas particularidades. Nos postos você vai encontrar dois tipos de bombas. A bomba marcada como servito significa que o frentista abastece para você, mas a gasolina aí é bem mais cara. Se quiser economizar, vá até a bomba com o dizer fai da te, que é o autoatendimento clássico, onde você paga com cartão no terminal. Especialmente fora da alta temporada, lembre-se de que os postos do interior fazem uma pausa ao meio-dia e simplesmente não há frentista.
Outra salvação para os seus nervos vai ser o GPS. Definitivamente baixe os mapas no celular para uso offline. No terreno montanhoso de Val d’Orcia ou nas florestas do norte, o sinal de celular cai com muita frequência, e ficar perdido entre os vinhedos no escuro não é bem a experiência dos sonhos. Muitas fazendas ficam no fim daquelas famosas estradas brancas e, no momento em que o sinal some numa encruzilhada em Y entre dois campos, você trocaria o mapa offline por ouro.
Ao planejar os deslocamentos, tente evitar dirigir no domingo à tarde. Nesse horário os italianos voltam em massa dos passeios de fim de semana à beira-mar ou no interior, e as vias principais rumo às grandes cidades, especialmente as em direção a Florença, costumam ficar irremediavelmente congestionadas. Quanto ao estacionamento nas cidades menores e montanhosas, como Volterra ou Siena, os estacionamentos pagos sob as muralhas costumam ser mais baratos que as garagens do centro e um sistema de escadas rolantes te leva confortavelmente até os monumentos.
Quanto ao timing da sua road trip em si, as melhores condições para dirigir e conhecer vão de abril a junho e depois em setembro e início de outubro. Nesses meses você escapa das maiores multidões e do calor sufocante do verão, que consegue esquentar o asfalto e os carros a temperaturas insuportáveis.

O que provar pelo caminho
Na Itália, a comida é sempre uma alegria e a Toscana não é exceção. Lukáš e eu amamos essa comida de paixão, porque a culinária local oferece opções vegetarianas fantásticas. Não deixe de experimentar a pappa al pomodoro ou a panzanella, pratos geniais à base de pão e tomate. Ótima também é a substanciosa sopa ribollita (só pergunte no restaurante, de preferência, se é puramente vegetariana), ou a típica massa grossa pici com uma boa dose de alho.
Aproveite as paradas nas cidades para provar as especialidades locais. Em Pienza você tem que comprar o queijo curado pecorino, como lanche de viagem recomendo a fofa focaccia chamada schiacciata (com certeza enfrente a fila no icônico All’Antico Vinaio em Florença) e, com o café, os biscoitinhos duros de amêndoa cantucci, que tradicionalmente se molham em vinho doce. Se você não é vegetariano, a especialidade local número um é o enorme bife bovino bistecca alla fiorentina (você come um ótimo e honesto, por exemplo, na familiar Trattoria Mario) ou os vários salumi e molhos de javali (cinghiale).
A Toscana, claro, é sobre vinho, seja o Chianti Classico ou o famoso Brunello di Montalcino. Mas aqui vem o conselho mais prático para o motorista: quem dirige, não bebe, mesmo estando no país do vinho. Na Itália vale a tolerância de álcool ao volante de 0,5 g/l, o que equivale a mais ou menos uma taça pequena de vinho na refeição. Mas se você tem carteira de motorista há menos de 3 anos, para você vale zero absoluto e qualquer álcool ao volante significa um problemão com a polícia.
Parar para almoçar num vilarejo toscano perdido, como na rústica Osteria Acquacheta em Montepulciano, costuma ser a melhor experiência gastronômica de todas as férias. Aqui os legumes amadurecem sob o sol quente do sul e até o pão mais simples regado com azeite de oliva local tem um sabor absolutamente divino, então os vegetarianos vão se sentir num verdadeiro paraíso. Tente às vezes sentar também em algum lugar que não tenha cardápio em inglês, aquela atmosfera espontânea vale bem o pequeno esforço com o tradutor.
Para nós, Lukáš e eu, a Itália é uma paixão absoluta justamente pela incrível qualidade dos ingredientes básicos. Até um tomate comum do interior com manjericão e azeite de oliva fresco tem gosto de milagre aqui, então você não precisa ter medo de perder algo essencial no interior da Itália mesmo sem especialidades à base de carne.
Aonde ir depois
Se o planejamento da sua aventura toscana te empolgou, preparamos para você outros artigos detalhados que vão ajudar com os pormenores:
- Toscana: 30 lugares mais bonitos e roteiro de 7 dias
- Clima na Toscana: temperaturas mês a mês e quando ir
- Agriturismo na Toscana: 20 dicas, preços e como escolher
- Pisa: 37 dicas do que ver e fazer
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Você já deve ter o plano básico mais ou menos na cabeça, mas entendo que as estradas italianas conseguem provocar um monte de dúvidas adicionais. Eu mesma, antes da minha primeira viagem, vasculhei dezenas de fóruns em busca de respostas concretas para as questões práticas que sabem complicar bem uma road trip.
Por isso reuni num só lugar as perguntas mais frequentes que vocês me mandam com regularidade. Seja se você está se perguntando se dá conta com a carteira nova, ou onde estacionar da melhor forma, aqui você encontra respostas claras e objetivas.
Preciso de carro na Toscana?
Para explorar o interior, os vinhedos e o vale Val d’Orcia, você definitivamente precisa de um carro. Mas se planeja apenas visitar as grandes cidades como Florença, Siena, Pisa e Lucca, pode se virar facilmente com a excelente rede ferroviária e o carro só seria um incômodo.
O que é a ZTL e como evitar multas?
ZTL é uma zona de trânsito limitado nos centros históricos. Você não pode entrar nela sem autorização, caso contrário uma câmera vai fotografá-lo e você receberá uma multa. Você a evita prestando muita atenção às placas com círculo vermelho, estacionando fora do centro, ou informando sua placa ao hotel.
Quanto custa a multa por passar pela ZTL?
A multa em si varia entre 80 e 130 euros. Mas se você tiver um carro alugado, a locadora vai cobrar uma taxa administrativa pelo processamento dos dados para a polícia, que costuma ser mais 40 a 60 euros.
Quantos dias são suficientes para a Toscana de carro?
Para um roteiro clássico passando por Florença, Chianti, Siena e Val d’Orcia, 7 dias é o ideal. O mínimo absoluto para pelo menos uma visão rápida da região é 5 dias, mas nesse caso você já terá que cortar alguns lugares.
As rodovias na Itália são pedagiadas?
Sim, as rodovias clássicas (autostrada) sinalizadas em verde são pedagiadas. As vias expressas (superstrada), que você reconhece pela sinalização azul, são gratuitas para todos os motoristas.
Onde é melhor alugar um carro?
A maior seleção de locadoras você encontra nos aeroportos de Pisa ou Florença. Mas retire o carro apenas no momento em que estiver saindo da cidade, para não pagar por dias em que ele ficará apenas parado em uma garagem caríssima.
Um carro comum aguenta as estradas toscanas?
Sim, as estradas normais qualquer carro aguenta. Mas se você planeja dirigir pelas strade bianche empoeiradas até fazendas isoladas, recomendo um veículo com maior altura do solo e dirigir com cuidado.
Onde devo estacionar nas cidades?
Nas grandes cidades, procure grandes estacionamentos de intercâmbio fora das muralhas históricas. Nas ruas, estacione apenas em locais delimitados por linha azul (pago) ou linha branca (gratuito). Evite as linhas amarelas.
