Josefov, Praga: 15 dicas do que ver no bairro judeu em 2026

Toda vez que caminho pela Rua Široká e passo por porsches estacionados na calçada, fico fascinada com o contraste absurdo que o bairro judeu de Praga, na República Tcheca, oferece hoje. Você está em um lugar onde, antigamente, famílias pobres se amontoavam em vielas escuras e úmidas de um dos guetos mais densamente habitados da Europa — e hoje as vitrines brilhantes exibem etiquetas de preço pelas quais você compraria um apartamento. Durante os anos em que morei em Praga, indo e vindo entre o Ginásio de Malá Strana e a Universidade Carolina, aprendi a enxergar Josefov não como um boulevard de compras, mas como uma cicatriz no rosto da cidade. Uma cicatriz que foi, em grande parte, cortada durante a chamada saneação de Praga, na virada do século XIX para o XX.

Nossos professores de história não nos poupavam: nos levavam diretamente às paredes descascadas das antigas sinagogas. Nada de datas decoradas de um quadro-negro. Ali, à sombra das árvores ao longo do cemitério, as tragédias históricas ganhavam contornos reais. Mais tarde, com uma câmera pesada pendurada no pescoço durante um curso de fotojornalismo, passei madrugadas por aqui — tentando capturar aquela luz única que se quebra nas arestas das lápides inclinadas antes que as vielas sejam tomadas por grupos organizados com guarda-chuvas coloridos.

Hoje, quando volto a Praga todo ano com meu marido Lukáš, as caminhadas por esse bairro ganharam uma nova dimensão. Há pouco tempo, navegamos por aqui pela primeira vez com o Jonas, nosso filho de dois anos, no carrinho. Você acaba descobrindo coisas bem prosaicas — que enfiar um carrinho todo-terreno pelas portas estreitas de alguns monumentos é uma missão quase impossível, ou que o silêncio nas sinagogas é tão profundo que qualquer tosse infantil soa como um tiro. Mesmo assim, continuamos voltando. O peso da história permanece, apesar das fachadas art nouveau e do turismo intenso.

Então vamos por partes — sinagogas, cemitério, Kafka e algumas dicas que você não encontra nos guias convencionais, porque só descobre quando chega com um carrinho de bebê. 😅

Resumo

  • Os ingressos estão divididos em dois circuitos principais. O Museu Judaico de Praga não inclui a Sinagoga Velha-Nova — você precisa comprar um bilhete separado para ela, ou adquirir o ingresso combinado “Cidade Judaica de Praga”.
  • O Antigo Cemitério Judeu esconde doze camadas de túmulos sobrepostos, pois a comunidade não podia enterrar seus mortos em outro lugar e os costumes proíbem a perturbação dos túmulos antigos.
  • A Sinagoga Pinkas serve como memorial às vítimas do Holocausto. Suas paredes trazem quase 80.000 nomes de judeus boêmios e morávios, e no andar superior há uma arrepiante exposição com desenhos de crianças do campo de Terezín.
  • A Sinagoga Velha-Nova é a sinagoga em funcionamento mais antiga da Europa. Segundo a lenda, os restos do Golem de argila criado pelo Rabi Löw descansam em seu sótão até hoje.
  • A Sinagoga Espanhola vai te impressionar com seu estilo mourisco. O interior decorado a ouro lembra mais os palácios da Andaluzia do que uma construção sacra centro-europeia.
  • Aos sábados (Shabat) e durante os feriados judaicos, todos os edifícios do museu e a Sinagoga Velha-Nova ficam estritamente fechados. Planeje sua visita para outros dias.
  • Os homens precisam usar cobertura na cabeça na entrada do cemitério e das sinagogas (exceto a Espanhola). Você recebe um quipá de papel na entrada, mas pode usar seu próprio boné ou chapéu sem problema.
  • A Avenida Pařížská, símbolo do luxo atual, foi construída apenas após a brutal demolição do gueto original, na virada do século XIX para o XX.
  • A visita completa ao complexo leva no mínimo três a quatro horas, caso você não queira passar pelas exposições correndo.
✈️ Cheap flights
Looking for cheap flights?
Compare all airlines and find the cheapest dates. · More cheap flights →
Find flights →
📶 DADOS PARA SUA VIAGEM · República Tcheca
Internet no celular nas férias — com um eSIM
⚡ ativação por QR em 2 min · 📱 sem SIM físico · 🌍 37 países · a partir de 3 €
Escolha um eSIM para a Europa →
✅ Da equipe do blog de viagens Loudavým krokem · Nosso próprio projeto — lk-sim.com

Quando visitar o bairro judeu

Ao contrário de outros bairros de Praga onde você pode improvisar, Josefov exige ao menos um planejamento básico. Toda a área é um centro religioso vivo, e a gestão dos monumentos segue regras rígidas do calendário judaico. Se você aparecer sem se informar antes, pode facilmente se deparar com portas fechadas.

Primavera e outono: Luz ideal e filas suportáveis

Abril, maio, setembro e outubro são, na minha opinião, os melhores meses para visitar. A luz do outono de manhã cedo, filtrando pelas folhas amareladas sobre o Antigo Cemitério Judeu, cria exatamente aquela atmosfera melancólica específica que associo ao lugar desde os meus dias de fotografia. As temperaturas são agradáveis para longos períodos em pé na frente dos monumentos, e as filas nas bilheterias ainda não chegam aos extremos do verão.

💡 Dica de quem conhece: Se você vier no outono, fique de olho nas datas dos grandes feriados judaicos (Yom Kippur, Rosh Hashaná), que normalmente caem em setembro ou outubro. Nesses dias, tudo fica fechado sem exceção e as vielas ao redor da Sinagoga Velha-Nova são bloqueadas pela polícia por motivos de segurança.

Verão e inverno: Extremos que você precisa considerar

Nos meses de verão, as ruelas estreitas de Josefov viram um forno. Os edifícios históricos não têm climatização no sentido moderno da palavra, e a multidão de turistas dentro das sinagogas consome o ar rapidamente. Já o inverno oferece uma experiência crua, quase mística. As lápides cobertas de neve parecem impressionantes, mas prepare-se: os pisos de pedra das sinagogas guardam um frio desconfortável.

Por outro lado, o inverno tem suas vantagens práticas. Uma vez estivemos aqui com Lukáš em fevereiro e, apesar de estarmos tão congelados depois de duas horas que precisamos ir imediatamente tomar um chá, tínhamos quase todos os monumentos para nós mesmos. Isso simplesmente não acontece na alta temporada.

💡 Dica de quem conhece: Se você precisa ir em julho ou agosto, esteja na bilheteria às 9h em ponto, quando abre. Você tem cerca de uma hora antes de os grandes grupos organizados chegarem em ônibus e navios de cruzeiro.

Shabat: O dia em que o tempo para

Este é o erro mais comum que os visitantes cometem. Todo sábado (Shabat) e em todos os feriados judaicos, o Museu Judaico completo e a Sinagoga Velha-Nova ficam fechados. Além disso, o horário de funcionamento nas sextas-feiras pode ser reduzido nos meses de inverno por causa do pôr do sol mais cedo. Os domingos costumam estar abertos, mas naturalmente recebem o maior fluxo de turistas que precisaram adiar a visita por um dia.

💡 Dica de quem conhece: As manhãs de domingo em Josefov são surpreendentemente tranquilas se você chegar às nove. A maioria dos turistas ainda está descansando depois da noite de sábado.

Onde se hospedar

Quando Lukáš e eu procuramos nossa base para a estadia em Praga — perto de tudo, mas com conforto para uma família com criança pequena — escolhemos o The Julius Hotel, perto da Torre Jindřišská. Daqui até Josefov são uns quinze minutos a pé, mas o caminho passa pelo centro histórico e você evita os preços absurdos dos hotéis na Avenida Pařížská.

Ficamos na One Bedroom Suite, o que nos deu um quarto separado para quando Jonas dormisse sem que a gente precisasse ficar no escuro. O que me encantou como vegetariana foram os cafés da manhã: finalmente um hotel onde a opção sem carne não é um queijo ressecado e uma maçã, mas ingredientes locais bem pensados. Se você está em busca de uma boa base em Praga, confira preços e disponibilidade do The Julius Hotel no Booking.com.

The Julius Hotel avaliação melhor hotel em Praga
Julius Hotel

O Museu Judaico de Praga e o sistema de ingressos

Entender como funcionam os ingressos para os monumentos daqui exige um pouco de atenção. Frequentemente vejo turistas confusos parados na frente da Sinagoga Velha-Nova com o ingresso do museu na mão, sem entender por que não os deixam entrar. O problema é que os monumentos não são gerenciados por uma única entidade.

Atualmente existem basicamente três opções principais. O circuito do Museu Judaico de Praga (cerca de 22 € por adulto) inclui as sinagogas Pinkas, Klaus, Maisel e Espanhola, além do Antigo Cemitério Judeu e a Casa de Cerimônias. A segunda opção é o ingresso avulso para a Sinagoga Velha-Nova (cerca de 11 €), gerenciada diretamente pela Comunidade Judaica.

A melhor opção para uma experiência completa é o ingresso combinado Cidade Judaica de Praga (cerca de 34 €), que abre as portas de todos os locais. Os bilhetes são válidos por sete dias, mas você pode entrar em cada local apenas uma vez.

💡 Dica de quem conhece: Compre os ingressos online com antecedência, ou vá até a bilheteria no Centro de Informações e Reservas na Maiselova 15. A bilheteria principal perto do cemitério costuma estar completamente congestionada na temporada. Uma alternativa é reservar um passeio guiado pelo GetYourGuide, onde você resolve ingresso e guia num pacote só.

O essencial: Sinagogas e cemitério

Cada sinagoga em Josefov conta uma parte diferente da história. Não se trata de passar por todas em uma hora para marcar uma lista. Minha recomendação é escolher as que mais te interessam tematicamente e dedicar tempo a elas.

Sinagoga Velha-Nova: A lenda do Golem e o coração pulsante da comunidade

Sinagoga Velha-Nova gótica em Praga com sua característica empena de tijolos
Foto: Jerzy Strzelecki / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons

Este é exatamente o edifício onde você sente o peso dos séculos assim que toca as pesadas portas de entrada. Foi fundada no último terço do século XIII, o que a torna a sinagoga em funcionamento mais antiga da Europa. Seu interior gótico primitivo é austero, sombrio, com as abóbadas sustentadas por dois pilares maciços. No centro está a bimah — o púlpito elevado cercado por uma grade de ferro forjado — e foi exatamente aqui, nessa penumbra, que o famoso Rabi Löw pregou, o criador da lendária figura do Golem. A tradição local diz que os restos desse ser de argila ainda descansam no sótão da sinagoga, onde o acesso é estritamente proibido.

Você entra com o ingresso avulso ou com o combinado Cidade Judaica de Praga. A estação de metrô e ponto de bonde Staroměstská fica a cerca de cinco minutos a pé. Aberta todos os dias, exceto sábados e feriados judaicos.

💡 Dica de quem conhece: Repare na bandeira da comunidade judaica de Praga que fica pendurada em um dos pilares. O direito de ter sua própria bandeira foi concedido à comunidade pelo rei Carlos IV — algo absolutamente extraordinário para a Europa daquela época.

Sinagoga Pinkas: O lugar onde as palavras faltam

Sinagoga Pinkas em Josefov, Praga, memorial às vítimas do Holocausto
Foto: Mister No / CC BY 3.0 / Wikimedia Commons

Por fora é um edifício discreto; por dentro, um dos memoriais mais impactantes que já visitei. A Sinagoga Pinkas funciona hoje como Memorial às Vítimas da Shoah das Terras Tchecas. Todas as paredes internas — do chão até as abóbadas — estão escritas à mão com os nomes de quase 80.000 judeus boêmios e morávios que morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Quando estive aqui com a escola, levávamos aquilo como números abstratos. Hoje, passando pelas paredes como adulta, essa lista interminável de nomes com datas de nascimento e morte aperta fisicamente o estômago.

No primeiro andar você encontra a exposição permanente com desenhos de crianças do campo de concentração de Terezín. Eles foram feitos sob a orientação da artista Friedl Dicker-Brandeisová. Como mãe do pequeno Jonas, olhar para essas imagens de borboletas e casinhas desenhadas em pedaços de papel por crianças — a maioria das quais não sobreviveu — é algo que mexe comigo de um jeito diferente a cada vez.

A entrada faz parte do circuito do Museu Judaico. É também daqui que se acessa o Antigo Cemitério Judeu.

💡 Dica de quem conhece: Use o audioguia. Na sinagoga, uma voz baixa lê continuamente os nomes das vítimas. É um detalhe que dá ao espaço uma dimensão íntima e arrepiante.

Antigo Cemitério Judeu: Doze camadas de história sob as árvores

Lápides medievais inclinadas no Antigo Cemitério Judeu em Praga
Foto: Dietmar Rabich / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Um dos cemitérios históricos mais famosos do mundo parece, à primeira vista, uma confusão caótica de pedras e hera. As lápides estão inclinadas em todas as direções, muitas vezes se apoiando umas nas outras. A razão dessa anarquia visual é que os costumes judaicos proíbem estritamente a perturbação de túmulos antigos. Como a comunidade não podia expandir o cemitério para além das muralhas do gueto, era necessário trazer nova terra e enterrar os mortos uns sobre os outros. Em alguns pontos, chegam a doze camadas de túmulos sobrepostos. Estima-se que sob os doze mil lápides visíveis descansem até cem mil pessoas.

O local mais visitado é o túmulo do Rabi Löw, onde as pessoas até hoje depositam pequenos papéis com pedidos embaixo das pedrinhas. O cemitério é acessível como parte do circuito do museu.

💡 Dica de quem conhece: Se você vier com família, deixe o carrinho no hotel ou na entrada (o pessoal orienta). O caminho passa por trilhas estreitas e irregulares de pedra, frequentemente com escadas, e com carrinho você vai ficar preso com certeza.

lukas a lucka
Lukáš e Lucie recomendam
Onde se hospedar em Josefov, Praga
2 acomodações — hotéis e outras opções de hospedagem

Sinagoga Espanhola: O tesouro dourado em estilo mourisco

Enquanto a Sinagoga Velha-Nova é goticalmente austera e sombria, a Sinagoga Espanhola é seu oposto absoluto. Foi construída em 1868 no então popular estilo mourisco, e seu interior vai tirar o seu fôlego. As paredes, abóbadas e vitrais estão cobertos de intrincados ornamentos islâmicos, com ouro, estuques e cores intensas por todo lado. Você se sente mais na Alhambra do que no centro da Europa — e eu adoro esse contraste. ☺️ O nome “Espanhola” faz referência exatamente a esse estilo e aos judeus sefarditas expulsos da Espanha.

Lá dentro você encontra uma exposição dedicada à história moderna dos judeus nas terras tchecas, das reformas josefinas até o presente. A acústica é absolutamente fenomenal, e por isso frequentemente acontecem concertos noturnos de música clássica nesse espaço.

💡 Dica de quem conhece: No andar superior da exposição, não perca a seção dedicada aos empresários e industriais judeus da Primeira República. Ela contextualiza muito bem o quanto a comunidade contribuiu para o desenvolvimento do país antes da Segunda Guerra Mundial.

Sinagoga Klaus e Sinagoga Maisel

Sinagoga Maisel neogótica no bairro judeu de Praga
Foto: Dietmar Rabich / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Logo na saída do cemitério você encontra a Sinagoga Klaus (a maior de todas no antigo gueto), onde hoje está uma fascinante e acessível exposição sobre tradições e costumes judaicos. Se você não tem certeza do que é um bar mitzvá, como acontece um casamento judaico ou o que significa seguir uma dieta kosher, aqui você encontra todas as respostas.

Já a Sinagoga Maisel, escondida na Rua Maiselova, funciona como introdução à história da presença judaica nas terras tchecas, do século X ao XVIII. Foi mandada construir por Mordechai Maisel, líder da comunidade judaica e um dos homens mais ricos de Praga à época, que também financiou a construção do gueto judaico da cidade. Ambas as sinagogas fazem parte do ingresso principal do museu.

💡 Dica de quem conhece: Na Sinagoga Maisel, não deixe de ver o modelo digital da cidade judaica original antes da saneação. É só ali que você entende como esse lugar era incrivelmente comprimido e labiríntico no passado.

Franz Kafka e o genius loci de Josefov

Embora Franz Kafka escrevesse em alemão, sua identidade está indissociavelmente ligada a Praga — e especialmente a Josefov e à Cidade Velha. Foi nessas ruas que ele cresceu, foi à escola e encontrou inspiração para seus romances absurdos e sufocantes.

Casa natal de Franz Kafka

Casa natal de Franz Kafka na Praça Franz Kafka em Praga
Foto: DIMSFIKAS / CC BY-SA 3.0 / Wikimedia Commons

Na esquina das ruas Kaprova e Maiselova, na atual Praça Franz Kafka, ficava a Casa da Torre, onde o escritor nasceu em 1883. A construção original foi demolida durante a saneação; só sobrou seu portal barroco de pedra, que foi incorporado à nova construção do início do século XX. Não é um lugar para visitar por uma hora — é mais um ponto para parar por um instante, olhar para esse portal e tentar imaginar o menino que dali saía e para quem o mundo logo deixaria de fazer sentido. 😉

Se você der uma olhada para cima, vai notar pequenos detalhes na fachada que evocam bem aquela época. Eu sempre penso, passando por aqui, como esse lugar devia ser claustrofóbico — e não me surpreende que isso tenha se imprimido tão fortemente nos textos de Kafka.

💡 Dica de quem conhece: Não procure um museu aqui. O principal e melhor Museu Kafka fica na margem oposta do Rio Moldava, em Malá Strana, bem perto da Ponte Carlos, na antiga Fábrica de Tijolos Herget.

Estátua de Franz Kafka por Jaroslav Róna

Estátua de bronze de Franz Kafka por Jaroslav Róna na Rua Vězeňská em Praga
Foto: Txllxt TxllxT / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Caminhando pela Rua Vězeňská em direção à Sinagoga Espanhola, você vai se deparar com uma escultura que captura perfeitamente o absurdo kafkiano. A estátua de bronze do escultor Jaroslav Róna, de 2003, retrata um terno vazio de proporções gigantescas, sobre cujos ombros está sentada uma figura menor do próprio Kafka. A escultura faz referência a um de seus primeiros contos, “Descrição de uma Luta”. É uma das poucas obras de arte modernas no centro histórico que realmente se encaixa no lugar de forma natural, sem parecer apenas uma atração turística.

Para contextualizar: muito se fala também da cabeça giratória de Franz Kafka por David Černý. Ela fica no shopping Quadrio, na Rua Nacional (estação de metrô Národní třída), a cerca de vinte minutos a pé de Josefov. É um espetáculo incrível, mas não tem nenhuma conexão local com o Josefov histórico.

💡 Dica de quem conhece: Tente fotografar a estátua de baixo para cima, com a fachada da Sinagoga Espanhola ao fundo. O contraste entre o bronze moderno e a arquitetura mourisca cria uma composição visual bem interessante.

Avenida Pařížská: Luxo sobre as ruínas do gueto

Luxuosa Avenida Pařížská em Praga ladeada por edifícios art nouveau em direção à Praça da Cidade Velha
Foto: Txllxt TxllxT / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

A Avenida Pařížská é hoje o endereço mais prestigioso de Praga. Ela é ladeada por boutiques de marcas como Dior, Chanel e Prada. Mas sua história é bem mais sombria. Foi aberta diretamente pelo meio do antigo gueto judaico durante a saneação, quando as autoridades decidiram demolir o bairro insalubre e substituí-lo por bulevares largos nos moldes de Paris. Centenas de casas históricas, pátios e sinagogas desapareceram.

É inegavelmente bonita, mas como cenário é um pouco estéril — as fachadas são tão perfeitas que quase doem. Lukáš diz que aqui se sente sempre num set de cinema. 😅 Para os praghenses, é mais um corredor de passagem em direção ao bairro de Letná do que um lugar onde se passa o tempo.

Onde comer

Percorrer todo o Josefov a pé dá um bom cansaço nas pernas — e se você for como eu e Lukáš, sem boa comida e café ninguém aguenta por muito tempo. Felizmente, os arredores são cheios de ótimos lugares. Aqui estão os dois que são meus favoritos absolutos na região para recarregar as energias, e os dois têm a vantagem de agradar tanto vegetarianos quanto apreciadores da cozinha clássica.

Restaurante Maitrea: Um oásis de tranquilidade

Se você procura comida excelente sem a taxa de snobismo e é vegetariano como eu, depois da visita vá direto à Rua Týnská, onde fica o restaurante Maitrea. É um refúgio de paz com cardápio sem carne fantástico, a apenas três minutos a pé da Sinagoga Velha-Nova. Depois da agitação da Avenida Pařížská, é um bálsamo para a alma.

Eles têm pratos do dia ótimos no almoço e o ambiente estilo feng shui vai te acalmar mesmo com uma criança agitada por perto. Toda vez que vou lá, peço o udon deles — fico literalmente esperando esse momento desde de manhã.

Café Louvre: Corredores literários e panquecas maravilhosas

Se você quer sentir a atmosfera dos lugares onde Kafka debatia com seus contemporâneos, precisa caminhar um pouco até a Rua Nacional para o lendário Café Louvre. Aberto em 1902, Kafka frequentava o lugar durante seus anos universitários com amigos do círculo filosófico. O interior no primeiro andar ainda mantém a elegância da Primeira República, com mesas de bilhar e garçons de terno.

Para uma vegetariana, é uma salvação. Têm uma sopa de alho cremosa deliciosa, ótimas variações de queijo e as panquecas são famosas. Fica a uma curta caminhada de Josefov, mas para uma experiência literária completa vale muito a pena. Se for aos finais de semana, esteja preparado para encontrar o lugar cheio — mas se você aparecer numa manhã de semana perto das dez, vai conseguir um lugar tranquilo na janela com vista para a agitada Rua Nacional.

Informações práticas

Como chegar: O melhor ponto de partida é a estação de metrô da linha A ou o ponto de bonde (linhas 2, 17, 18) em Staroměstská — dali até a Sinagoga Pinkas são poucos passos, e todo o Josefov pode ser feito a pé, pois é surpreendentemente compacto. De São Paulo ou do Rio de Janeiro, a maneira mais comum é chegar a Praga via Lisboa (TAP) ou Frankfurt/Amsterdam com conexão. Vale também usar um chip de dados Holafly para navegar pela cidade sem preocupação com roaming.

Regras e dress code: Em todas as sinagogas (exceto a Espanhola) e no Antigo Cemitério Judeu, os homens são obrigados a entrar com a cabeça coberta. Não se preocupe se esquecer: você recebe um quipá de papel na entrada, mas pode usar seu próprio boné ou chapéu. A roupa deve ser respeitosa — sem camisetas de alça ou shorts ultracurtos. Você está em um espaço religioso e de memória.

Quanto tempo reservar: Se você tem o ingresso combinado e quer visitar com cuidado todas as sinagogas e o cemitério, reserve no mínimo três a quatro horas. Não planeje visitar o Castelo de Praga na mesma tarde — você vai estar completamente sobrecarregado de informações e emoções.

Continue explorando Praga

Perguntas frequentes

Quanto custa a entrada para o Museu Judaico de Praga?

Em 2026, você vai pagar cerca de 22 euros pelo circuito básico do museu. O ingresso combinado, que inclui também a Sinagoga Velha-Nova, sai por aproximadamente 34 euros. Existem descontos para estudantes, crianças e famílias.

Quando o bairro judeu fica fechado?

Todos os monumentos do Museu Judaico de Praga e a Sinagoga Velha-Nova ficam completamente fechados todos os sábados (shabat) e durante todos os feriados judaicos ao longo do ano.

Posso tirar fotos no Antigo Cemitério Judaico?

Sim, fotografar nas áreas externas do cemitério é permitido para uso pessoal. Nos interiores das sinagogas, geralmente é proibido fotografar ou há restrições severas (sem flash), por isso sempre fique atento aos pictogramas na entrada.

É possível visitar a Sinagoga Velha-Nova de graça?

Não, a entrada é sempre paga. Seja através de um ingresso individual ou do ingresso combinado mais caro para todo o bairro judeu de Praga.

Quanto tempo leva para visitar o bairro judeu?

Uma passagem rápida pelos principais pontos (Sinagoga Pinkas, cemitério, Sinagoga Velha-Nova) leva cerca de duas horas. Para uma visita mais detalhada, incluindo a Sinagoga Espanhola e as exposições do museu, reserve de 3 a 4 horas.

Onde fica a cabeça de Franz Kafka?

Aquela famosa cabeça móvel espelhada de David Černý não fica em Josefov. Você a encontra na Národní třída, perto do shopping Quadrio. Em Josefov, próximo à Sinagoga Espanhola, fica a estátua de Kafka feita por Jaroslav Róna.

Tipy a triky pro vaší dovolenou

Nepřeplácejte za letenky

Letenky hledejte na Kayaku. Je to náš nejoblíbenější vyhledávač, protože prohledává webové stránky všech leteckých společností a vždy najde to nejlevnější spojení.

Rezervujte si ubytování chytře

Nejlepší zkušenosti při vyhledávání ubytování (od Aljašky až po Maroko) máme s Booking.com, kde bývají hotely, apartmány i celé domy nejlevnější a v nejširší nabídce.

Nezapomeňte na cestovní pojištění

Kvalitní cestovní pojištění vás ochrání před nemocí, úrazem, krádeží nebo stornem letenek. Pár návštěv nemocnic jsme v zahraničí už absolvovali, takže víme, jak se hodí mít sjednané pořádné pojištění.

Kde se pojišťujeme my: SafetyWing (nejlepší pro všechny) a TrueTraveller (na extra dlouhé cesty).

Proč nedoporučujeme nějakou českou pojišťovnu? Protože mají dost omezení. Mají limity na počet dnů v zahraničí, v případě cestovka u kreditní karty po vás chtějí platit zdravotní výdaje pouze danou kreditní kartou a často limitují počet návratů do ČR.

Najděte ty nejlepší zážitky

Get Your Guide je obří on-line tržiště, kde si můžete rezervovat komentované procházky, výlety, skip-the-line vstupenky, průvodce a mnoho dalšího. Vždy tam najdeme nějakou extra zábavu!

Posts relacionados

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Você está aqui

ViagensEuropaJosefov, Praga: 15 dicas do que ver no bairro judeu em...

Últimos artigos do blog