Jökulsárlón e as geleiras do sudeste da Islândia: 13 dicas do que ver e fazer

De manhã, acordamos, arrumamos as malas na nossa pequena pousada e seguimos rumo ao sudeste da Islândia, onde nos esperava uma paisagem de outro planeta. Assim que o gigantesco fantasma branco da geleira Vatnajökull surgiu pela primeira vez ao longe, eu e o Lukáš ficamos sem palavras de tanto encanto.

É exatamente aqui, onde enormes massas de gelo antigo encontram o selvagem Atlântico, que fica a famosa lagoa glacial Jökulsárlón, que era o que mais esperávamos conhecer. Por um lado, foi um romantismo de tirar o fôlego ficar observando os blocos azulados de gelo flutuando preguiçosamente na superfície. Por outro, bateu também uma tristeza estranha. Aqui a gente vê com os próprios olhos com que rapidez essa geleira majestosa está recuando e derretendo diante de nós.

Neste artigo você vai encontrar 13 dicas do que ver e fazer na região ao redor da lagoa glacial Jökulsárlón, como planejar a viagem e a que prestar atenção. Vou contar onde se hospedar de forma estratégica, como é a situação de comida para vegetarianos e quanto essas experiências geladas vão te custar no fim das contas.

Turista na lagoa glacial Jökulsárlón com geleiras ao fundo
Turista na lagoa glacial Jökulsárlón com geleiras ao fundo

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • A grande estrela: a lagoa glacial Jökulsárlón e a praia em frente, a Diamond Beach, com seus enormes pedaços de gelo, são imperdíveis.
  • Experiências ativas: caminhe sobre a geleira com crampons (só com guia) ou, no inverno, explore as deslumbrantes cavernas de gelo azuis.
  • Menos gente: pare na lagoa menor, Fjallsárlón, que é mais tranquila, ou relaxe nas piscinas térmicas Hoffell hot tubs com vista para as montanhas.
  • Segurança em primeiro lugar: nunca fique de costas para o oceano na Diamond Beach por causa das ondas inesperadas, e nunca suba na geleira sem um guia certificado.
  • Logística: de Reykjavík são cinco horas de pura estrada, então não vale a pena vir num bate e volta de um dia só. O ideal é dormir por perto e aproveitar a região com calma.
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Quando ir e como chegar

De Reykjavík até a lagoa glacial são quase 380 quilômetros, ou seja, cerca de cinco horas líquidas ao volante. Nós dividimos a viagem de forma esperta, porque fazer tudo isso ida e volta num único dia seria pura loucura e você não aproveitaria nada daquela beleza.

Na prática, você vai parar em uma cachoeira a cada dois quilômetros, então o ideal é dormir mais ou menos no meio do caminho, perto da cidadezinha de Vík, e chegar às geleiras só no dia seguinte, bem descansado. A estrada número 1 aqui é totalmente asfaltada e bem conservada, mas prepare-se para mais de 150 pontes estreitas de mão única (as chamadas Einbreið brú), onde vale sempre a regra de que o carro mais perto da ponte tem preferência — e o contato visual com o motorista que vem em sentido contrário é absolutamente obrigatório.

Se você está pensando na melhor época para visitar, toda a região do Jökulsárlón é encantadora o ano inteiro, só muda um pouco a oferta de atividades conforme a estação. O verão (de junho a agosto) traz dias intermináveis e o sol da meia-noite: por volta de 21 de junho são incríveis 21 horas de luz por dia. Mas conte com multidões enormes de turistas e preços altos de hospedagem.

Tenho um aviso especial para agosto de 2026: no dia 12 de agosto deve ocorrer um eclipse solar total na Islândia e, mesmo que o sudeste não esteja exatamente na faixa de totalidade, a ilha inteira deve ficar lotada sem esperança de vaga. Já o inverno (de novembro a março) é mágico porque você pode entrar nas cavernas de gelo e, com um pouco de sorte, ver a aurora boreal — só que toda manhã precisa acompanhar de perto o portal oficial de condições das estradas, porque as nevascas às vezes fecham totalmente a via principal.

Na hora de alugar o carro, definitivamente não economize no seguro e sempre pague pela proteção contra areia e cinzas (SAAP). Especialmente nas vastas planícies abaixo da geleira Vatnajökull, o vento muitas vezes sopra tão forte que levanta o fino pó vulcânico, capaz de destruir a pintura do carro em poucas dezenas de minutos. Os danos chegam a valores astronômicos, na casa dos vários milhares de euros, e o seguro de colisão padrão não cobre isso.

Outra particularidade islandesa é abrir as portas do carro: as ventanias locais conseguem literalmente arrancá-las das dobradiças. Eu e o Lukáš aprendemos rapidinho a segurar a porta firme com as duas mãos. Lembre também que, a partir de 2026, vale na Islândia uma nova taxa por quilômetro para carros de passeio, de quase 7 ISK por quilômetro (cerca de 0,05 €), que as locadoras costumam cobrar como uma diária fixa de cerca de 1500 ISK. Então já inclua isso no orçamento, conforme as informações do portal oficial do governo.

Onde se hospedar e quanto custa

Encontrar hospedagem acessível no sudeste pode ser um baita desafio, porque grandes complexos hoteleiros praticamente não existem por aqui e as melhores pousadas costumam estar lotadas meses antes. Em todo o trecho predominam guesthouses menores e fazendas, onde os preços de um quarto duplo comum giram em torno de 110 a 200 € por noite.

Eu e o Lukáš descartamos logo a opção de acampar de barraca, porque já na virada de setembro para outubro fazia um frio considerável, e preferimos achar apartamentos aconchegantes com cozinha compartilhada. Não esqueça também que sobre cada hospedagem incide uma taxa de pernoite de cerca de 800 ISK (uns 5 €) por noite por quarto, e nos campings é de 400 ISK, como explica em detalhe a Receita Federal islandesa.

💡 Dicas concretas de hospedagem (preços e disponibilidade você confere pelo Booking; reserve com antecedência — na temporada e perto do eclipse de 2026 some tudo meses antes):

Se você quer ficar o mais perto possível das principais atrações e minimizar os deslocamentos matinais, procure hospedagem nos povoados de Hof ou Freysnes, que ficam bem perto do parque nacional de Skaftafell. Ali tem o ótimo Adventure Hotel Hof, de três estrelas, mas se você busca algo realmente luxuoso bem ao lado da lagoa, pode experimentar o lindíssimo Fosshotel Glacier Lagoon, que até tem spa.

O preço por noite na alta temporada pode chegar a 320 €, mas para quem ama conforto depois de um dia gelado e cansativo é uma experiência e tanto.

Uma opção bem mais barata e uma base lógica para explorar a parte leste é seguir até a cidadezinha de Höfn, onde você encontra a maior variedade de opções, inclusive hostels e lojas. Da lagoa daqui ainda é cerca de uma hora de carro para leste, mas se você planeja continuar até os Fiordes Orientais, é um ponto estratégico perfeito.

Para viajantes com orçamento realmente apertado (na faixa de 2.600 a 3.600 € para um casal a semana toda), a escolha mais sensata é alugar uma campervan aquecida e dormir nos campings — um deles, enorme e muito bem equipado, fica direto em Skaftafell, e outro em Höfn. Acampar fora dos locais permitidos é, aliás, terminantemente proibido na Islândia.

Jökulsárlón e arredores: 4 dicas de pura beleza gelada

Vamos direto às maiores atrações que fazem a maioria dos viajantes do mundo todo vir até aqui. Esta região é tão fotogênica que você não vai saber para onde apontar a câmera primeiro, e garanto: vai encher o cartão de memória já nas primeiras horas.

1. A lagoa glacial Jökulsárlón

Este é o lugar onde você tem que parar, nem que seja para ver uma única coisa na Islândia. Aqui desemboca a enorme língua glacial Breiðamerkurjökull, e dela se desprendem constantemente blocos colossais de gelo com séculos de idade, que caem no lago mais profundo de toda a ilha. Passamos cerca de duas horas aqui só parados na margem, fascinados, observando aquela incrível dança de cores, do branco reluzente ao turquesa intenso, com listras de cinza vulcânica preta.

lagoa glacial Hoffellsjökull com blocos de gelo flutuantes na Islândia
lagoa glacial Hoffellsjökull com blocos de gelo flutuantes na Islândia
turista no Jökulsárlón com icebergs flutuantes ao fundo
turista no Jökulsárlón com icebergs flutuantes ao fundo

Um grande bônus é que na lagoa vivem focas com bastante frequência, que adoram caçar peixes ou simplesmente descansar preguiçosamente sobre os blocos de gelo. Bem na hora em que caminhávamos pela margem, várias vezes uma cabecinha curiosa apareceu perto de nós, a foca nos observava por um instante e depois sumia sob a água com total elegância.

O acesso à lagoa em si é gratuito e você só paga o estacionamento, de 1000 ISK (uns 7 €), sendo que logo ao lado tem um café aberto o ano todo para se aquecer. Se quiser conferir a situação no local já de casa e checar a nebulosidade, dá para usar o site oficial de meteorologia, que oferece previsões precisas para toda a região.

💡 Dica: ingressos e passeios organizados (na Islândia e arredores) valem a pena comprar com antecedência online pela GetYourGuide; na temporada esgotam rápido.

2. Passeio de barco na lagoa: anfíbio vs. Zodiac

Já que você vai estar na lagoa, seria uma baita pena não ver esses gigantes de gelo bem de pertinho, direto da água. Na alta temporada, que vai mais ou menos de 1º de maio até o fim de outubro, você escolhe entre dois tipos principais de barco, e é meio um dilema que depende sobretudo do seu orçamento e de com quem você viaja. No verão fica realmente lotado, então reserve o passeio com muita antecedência, senão vai só olhar tristemente da margem.

Passeio de barco na lagoa
Passeio de barco na lagoa

A primeira e mais acessível opção é o grande barco anfíbio, que entra na água direto da terra firme sobre rodas enormes. É um passeio mais lento e tranquilo, de cerca de 40 minutos, e o ingresso para adulto sai por 7100 ISK (uns 48 €).

Crianças de 6 a 12 anos pagam 3500 ISK e os pequenininhos até cinco anos vão de graça, então para famílias é sem dúvida a melhor opção. O guia ainda te dá para provar um pedacinho de gelo com mil anos de idade durante o trajeto.

Mas se você quer mais aventura e sentir o vento no rosto, pague mais pelo menor bote inflável Zodiac de fundo rígido. O passeio custa 16600 ISK (cerca de 110 €) e crianças de 10 a 12 anos pagam 8300 ISK, mas a experiência é incomparável. O bote é muito mais rápido e, em cerca de 75 minutos, chega a até oito quilômetros de distância, até a própria parede da geleira, aonde os lentos anfíbios não chegam, e ainda dá para serpentear por canais estreitos bem perto dos enormes blocos de gelo.

3. Diamond Beach e as joias de gelo

Basta atravessar a estrada principal da lagoa em direção ao oceano e você se vê num mundo completamente diferente, na praia Breiðamerkursandur. Um rio curto leva todos os pedaços de gelo derretido até o mar, que então as ondas polem e devolvem para a praia vulcânica negra.

pedaços de gelo cristalino na praia negra Diamond Beach na Islândia
pedaços de gelo cristalino na praia negra Diamond Beach na Islândia
blocos de gelo na praia negra Diamond Beach na Islândia
blocos de gelo na praia negra Diamond Beach na Islândia

Ficamos correndo por ali super animados, porque o contraste do gelo cristalino sobre o fundo negro como carvão é um verdadeiro paraíso para fotógrafos, especialmente ao nascer do sol, quando a luz quente da manhã atravessa os blocos de gelo e lhes dá um ar quase mágico.

Mas preciso te avisar com extrema firmeza sobre o selvagem Atlântico daqui, porque este é um dos lugares mais perigosos da Islândia. A praia é tristemente famosa por suas traiçoeiras ondas furtivas (sneaker waves), que podem chegar muito mais longe e mais forte do que uma superfície calma sugere.

Por isso, nunca fique de costas para o oceano ao tirar selfie perto do gelo, e não se posicione bem na frente dos blocos quando vem até uma onda pequena, porque o gelo pesado pode te prensar facilmente. Os avisos atualizados você encontra sempre no portal de segurança Safetravel.

4. Fjallsárlón, a alternativa mais tranquila

Se a multidão enorme, o estacionamento lotado e o barulho onipresente da lagoa principal te incomodarem, dirija uns dez minutos de volta para o oeste até o irmãozinho do Jökulsárlón. A lagoa Fjallsárlón não é tão imensa e a água não tem aquele azul tão intenso, mas tem uma enorme vantagem: a língua glacial se ergue aqui bem mais perto da margem e fica ainda mais majestosa e dramática.

Fjallsárlón, a alternativa mais tranquila
Fjallsárlón, a alternativa mais tranquila

Aproveitamos aqui uma paz absolutamente maravilhosa, porque vêm bem menos turistas e o clima é bem mais intimista. Dá para simplesmente sentar na margem em silêncio total e ouvir o estrondoso estalar do gelo milenar quando outro bloco se desprende ao longe.

Aqui também operam pequenos botes Zodiac, caso você queira uma aventura aquática em grupos menores e longe do grande burburinho da lagoa principal.

Parque Nacional Vatnajökull e Skaftafell: 4 dicas para viajantes ativos

A parte oeste do extremo sudeste pertence ao gigantesco Parque Nacional Vatnajökull, que cobre incríveis oito por cento da área de toda a Islândia e oferece algumas das melhores trilhas a pé da ilha. Aqui você pode suar nas subidas até belas cachoeiras ou calçar crampons de verdade e ir explorar as fendas profundas direto na superfície da geleira.

5. Glacier hike, ou a caminhada sobre a geleira

Esta é uma experiência que recomendo de coração para todos que tenham ao menos um preparo físico razoável. Caminhar pela superfície da enorme geleira Vatnajökull, nas línguas Falljökull ou Skaftafellsjökull, espiar com cuidado dentro de buracos azuis profundos e pular pequenos riachos de água gelada cristalina é simplesmente algo extraordinário. O centro de visitantes de Skaftafell é a base principal de onde partem regularmente todas essas trilhas.

Glacier hike, caminhada sobre a geleira
Glacier hike, caminhada sobre a geleira

A regra mais importante de toda a Islândia, porém, é que você jamais pode subir na geleira por conta própria. Ela está cheia de fendas traiçoeiras, espertamente escondidas sob uma fina camada de neve ou pó vulcânico, e cair numa delas seria fatal. Reserve sempre a trilha com empresas certificadas, como a Arctic Adventures ou a Glacier Guides.

Uma trilha comum de três horas para iniciantes custa cerca de 120 euros, e o guia profissional empresta todo o equipamento de segurança, do capacete ao baudrier, à picareta e aos crampons. Só não esqueça de levar seu próprio calçado impermeável e firme acima do tornozelo, porque os crampons simplesmente não se prendem em tênis macio.

💡 Dica: ingressos e passeios organizados (na Islândia e arredores) valem a pena comprar com antecedência online pela GetYourGuide; na temporada esgotam rápido.

6. Cavernas de gelo azuis no inverno

Se você tiver a sorte de planejar a viagem nos frios meses de inverno, de novembro a março, abre-se uma possibilidade absolutamente única: explorar as chamadas Crystal Caves ou Blue Caves, dentro da própria geleira. Essas cavernas se formam todo verão pelo derretimento de uma quantidade enorme de água sob a geleira e, no inverno, voltam a congelar firmemente em formas orgânicas incríveis. A luz do sol então atravessa a massa antiga de gelo comprimido e sem bolhas, criando aqui a cor safira mais intensa que existe.

Cavernas de gelo azuis no inverno
Cavernas de gelo azuis no inverno

Assim como na caminhada sobre a geleira, aqui também você só pode entrar acompanhado de um guia, porque a geleira se move o tempo todo e os tetos das cavernas podem desabar com o tempo mais quente. Os passeios geralmente começam saindo de um estacionamento especial perto do Jökulsárlón em superjeeps elevados com pneus enormes, porque o caminho até as cavernas costuma ser totalmente intransitável para carros comuns.

Os preços de um passeio de três horas giram em torno de 19.900 a 28.900 ISK (cerca de 135 a 195 €), e bem mais para as trilhas fotográficas especiais, mas é uma experiência que você nunca mais vai esquecer.

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7. A cachoeira negra Svartifoss

Já que você vai estar em Skaftafell, reserve um tempo para a caminhada do centro de visitantes, morro acima por uma subida suave, até essa cachoeira linda e única. O percurso completo tem cerca de dois quilômetros e meio, leva pouco mais de uma hora e, embora a cachoeira não seja nada alta nem tenha um fluxo de água vertiginoso, o que a torna especial é seu dramático cenário geológico.

A cachoeira negra Svartifoss
A cachoeira negra Svartifoss

A água despenca com estrondo sobre colunas hexagonais de basalto preto perfeitas e geometricamente regulares, que lembram visualmente os enormes tubos de um órgão gigante. Foi justamente esse fenômeno natural que um dia inspirou o famoso arquiteto islandês Guðjón Samúelsson ao projetar a icônica igreja Hallgrímskirkja, em Reykjavík, e ao ficar ali parado e fascinado por um instante, você logo reconhece essa semelhança arquitetônica óbvia.

8. Caminhada fácil até a geleira Skaftafellsjökull

Se você não se sente à vontade para calçar crampons e pagar por uma trilha direto na superfície da geleira, o parque nacional oferece também uma alternativa gratuita muito agradável. Do centro de informações sai uma trilha tranquila e bem cuidada que leva direto ao pé da imponente língua glacial Skaftafellsjökull.

Caminhada fácil até a geleira Skaftafellsjökull
Caminhada fácil até a geleira Skaftafellsjökull

É quase plano e você consegue fazer até com crianças, e no final se abre uma vista fantástica para a enorme massa de gelo, que parece querer cravar os dentes direto no leito de cascalho. Aqui também você vê uma pequena lagoa cheia de água glacial turva e blocos menores desprendidos, e é um ótimo lugar para um momento de contemplação tranquila e para tirar fotos lindas sem precisar pagar guia.

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Rumo ao leste: 5 dicas de lugares menos conhecidos e relax

Depois de explorar bem as famosas lagoas, a maioria dos turistas dá meia-volta direto para Reykjavík, mas eu recomendo de coração não ter pressa e seguir pela rodovia circular número 1 em direção à cidadezinha de Höfn. A paisagem começa a mudar por aqui, os carros vão sumindo e você encontra cantinhos tranquilos onde vai descansar muito bem.

9. A misteriosa geleira Hoffellsjökull

Enquanto nos aproximávamos devagar de Höfn de carro, não resistimos e saímos do asfalto principal por uma estradinha de terra meio esburacada em direção à geleira Hoffellsjökull. É uma área bem menos visitada e oferece um olhar para uma face mais crua, mais enlameada e mais selvagem da natureza islandesa, que não é polida para as multidões de turistas com câmera na mão.

mulher de biquíni na fonte termal Hoffell na Islândia
mulher de biquíni na fonte termal Hoffell na Islândia
Vista panorâmica da geleira Hoffellsjökull com placas informativas
Vista panorâmica da geleira Hoffellsjökull com placas informativas

Quando chegamos a ela, eu e o Lukáš fomos tomados por uma melancolia meio angustiante. Essa língua glacial está recuando muito rápido e derretendo de forma dramática, então hoje se forma sob ela apenas uma lagoa turva, cheia da lama do leito, e é bem possível que daqui a algumas décadas não reste quase nada dela.

Mesmo assim, foi uma parada imensamente forte e bem tranquila, na qual a gente percebe na pele a força enorme das mudanças climáticas em curso.

10. Banho com vista nas Hoffell hot tubs

Depois de um longo dia inteiro passado no vento gelado em meio às planícies congeladas, não há nada melhor do que mergulhar na água termal quente. A cerca de quinze minutos de carro de Höfn, logo na saída para a geleira citada acima, ficam as encantadoras Hoffell hot tubs, um conjunto de cinco piscinas redondas menores embutidas direto na rocha, com uma vista inacreditável para os picos das montanhas ao redor.

Vista panorâmica da geleira Hoffellsjökull com icebergs flutuantes
Vista panorâmica da geleira Hoffellsjökull com icebergs flutuantes

Passamos aqui umas boas duas horas só aquecendo os músculos doloridos de tanto caminhar. A entrada custa muito razoáveis 2000 ISK (uns 14 €) e o espaço costuma abrir todos os dias das dez da manhã às nove da noite, fechando para o inverno geralmente já em novembro.

No local há apenas os chuveiros externos mais simples e um pequeno vestiário de madeira, então definitivamente não espere um spa de hotel de luxo, mas você vai encontrar aqui o romantismo islandês mais autêntico, em plena natureza virgem.

11. A fotogênica montanha Vestrahorn e as dunas de Stokksnes

Pouco depois da cidade de Höfn, a península dramática de Stokksnes avança para o mar, dominada pela icônica e pontiaguda montanha Vestrahorn de gabro preto, muitas vezes chamada também de Batman Mountain por causa do seu formato característico. As praias aqui são contornadas por lindas dunas gramadas de areia vulcânica preta, onde às vezes focas descansam preguiçosamente e fotógrafos do mundo todo vêm caçar as melhores composições.

A fotogênica montanha Vestrahorn e as dunas de Stokksnes
A fotogênica montanha Vestrahorn e as dunas de Stokksnes

A península fica em propriedade privada, então cobra-se aqui uma entrada de 1100 ISK (cerca de 7,50 €) no Viking Café local, sendo que crianças até dezesseis anos felizmente entram de graça. O café abre das nove às seis da tarde, mas fora desse horário funciona um portão automático, então você consegue chegar tranquilamente até para o nascer do sol.

No valor da entrada está incluída, aliás, uma caminhada pela antiga aldeia viking, que é só um cenário de cinema abandonado, criado para uma filmagem antiga, mas que parece surpreendentemente autêntico e dá ao lugar uma atmosfera levemente misteriosa.

12. Contemplando o maciço Eystrahorn

Se por acaso você não tiver tempo de desviar até Stokksnes e pagar entrada, outra bela paisagem está garantida pela deslumbrante montanha Eystrahorn, pela qual você passa direto na rodovia circular ao seguir ainda mais adiante para os remotos Fiordes Orientais. É um maciço rochoso igualmente íngreme e escuro, despencando direto sobre as ondas do oceano, e nós o observamos boquiabertos direto da janela do carro.

ovelhas pastando num prado abaixo da montanha Eystrahorn na Islândia
ovelhas pastando num prado abaixo da montanha Eystrahorn na Islândia
homem de camiseta laranja diante da montanha Eystrahorn na Islândia
homem de camiseta laranja diante da montanha Eystrahorn na Islândia

Quando você tem sorte com as condições climáticas e o oceano está extraordinariamente calmo, a enorme montanha se reflete nas águas rasas da ampla baía, oferecendo uma vista de cartão-postal. Basta parar num dos pequenos acostamentos seguros ao longo da estrada principal, sair do carro aquecido e absorver por um instante a selvageria incrível do leste islandês intocado.

13. A igrejinha de turfa Hofskirkja

Como última dica bem rápida ao viajar por esta região, preciso mencionar o povoado de Hof, que fica logo ao lado do parque nacional de Skaftafell. No meio da pequena aldeia, onde, aliás, você também encontra hospedagens muito agradáveis em fazendas, fica a linda e histórica igrejinha Hofskirkja, do século dezenove, que ostenta um tradicional teto de turfa coberto de grama verdíssima, que servia como uma genial isolação natural contra o frio.

A igrejinha de turfa Hofskirkja
A igrejinha de turfa Hofskirkja

Parece exatamente o Condado de O Senhor dos Anéis, porque a igrejinha é cercada por um lindo cemitério antigo, onde os túmulos são apenas montinhos gramados que se fundem com o ambiente.

A Hofskirkja é uma das apenas seis últimas igrejas de turfa preservadas em toda a Islândia e está sob os cuidados do museu nacional, então, embora definitivamente não seja uma atração para um passeio de meio dia, para uma parada de dez minutos para fotos ao passar pelo povoado é um desvio absolutamente perfeito.

Onde comer na terra da lagosta sendo vegetariano

A cidadezinha de Höfn, que funciona como base totalmente lógica para o extremo leste da região e para reabastecer no barato supermercado Bónus (aquele com o porquinho rosa engraçado no logo), é conhecida em toda a Islândia como a capital da lagosta. Na verdade, os pescadores locais tiram do mar uma quantidade enorme de lagostins (humar em islandês), umas criaturinhas marinhas menores e, dizem, incrivelmente doces.

Se você come frutos do mar, absolutamente todos os guias carnívoros recomendam aqui o lendário restaurante Pakkhús, que fica num velho armazém vermelho bem ao lado do porto, e seus lagostins assados no alho e manteiga são famosos, com o prato principal custando cerca de 6000 a 8000 ISK.

Mas, como eu e o Lukáš somos vegetarianos, toda essa fama da lagosta era mais um quebra-cabeça logístico, e tínhamos medo de ter que cozinhar macarrão no quarto de novo. Por isso saímos para o centro na esperança de achar alguma coisa, e preciso admitir com enorme alegria que justamente o temido Pakkhús nos surpreendeu de um jeito inesperado e gostoso!

Mesmo sendo primordialmente um paraíso de pescadores, pedimos ali um prato vegetariano fantástico com batatas assadas douradas, batata-doce, uma porção generosa de grão-de-bico e tomates secos suculentos. Foi uma porção bem grande e satisfatória, que caiu maravilhosamente bem depois de um dia gelado ao ar livre na geleira, e provou que mesmo sem carne, na Islândia, você não vai passar fome.

Como segunda ótima opção na cidade, recomendo de coração o aconchegante Otto Matur & Drykkur, que sabe preparar sopas quentes deliciosas, café e pães frescos excelentes; só confira sempre o cardápio do dia antes para ver se têm algo totalmente vegetariano.

E, aliás, nunca compre água engarrafada nos restaurantes islandeses, porque a água da torneira comum (que servem de graça em todo lugar) é literalmente água glacial cristalina, da mais alta qualidade.

Para onde ir depois

Se você já fez tudo no sudeste e está pensando para onde seguir nesta ilha de fogo e gelo, não deixe de conferir nossos outros guias e dicas, porque, mesmo que você já tenha reservado a hospedagem perto do Jökulsárlón, a Islândia é enorme. Escrevi para você outros artigos cheios da nossa inspiração e experiência prática.

Se você vai pela rota a partir do aeroporto, explore o que vale a pena ver na costa sul da Islândia, onde esperam por você as cachoeiras e os penhascos mais bonitos. Para dicas gerais sobre passagens e orçamento, vai te ser útil o nosso grande guia da Islândia, onde você encontra tudo o que precisa para uma viagem sem problemas.

Se você vai nos meses mais frios, também montamos um resumo sobre como é a Islândia em outubro e quanto custa tudo isso, e, para não morrer de frio na viagem, você vai gostar do nosso artigo sobre onde achar as 16 melhores fontes termais da Islândia. Para chegar à Islândia a partir do Brasil, vale comparar voos com conexão pela Europa (geralmente via Lisboa, Madri ou Londres rumo a Keflavík); e o carro nós alugamos sempre por um comparador confiável, com o qual temos as melhores experiências há tempos.

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Perguntas frequentes

Qual é a distância de Reykjavik e dá pra fazer tudo num dia só?

Z Reykjavíku k laguně Jökulsárlón é cerca de 375 quilômetros, o que leva no mínimo cinco horas de viagem pura em um sentido sem nenhuma parada. Para um bate e volta de um dia é extremamente cansativo e até torturante, então não recomendo de jeito nenhum, muito mais sensato é dividir o trajeto e pernoitar em Vík ou no povoado de Skaftafell.

Vale a pena o passeio de anfíbio ou é melhor ir de bote Zodiac?

Depende do seu orçamento e grupo. O anfíbio é mais barato (€54 por adulto), mais lento e muito mais adequado se você estiver com crianças pequenas. O Zodiac custa bem mais (cerca de €126), mas o pequeno bote inflável leva você oito quilômetros a mais para dentro da lagoa e passa pertinho da parede da geleira, então é uma experiência mais intensa.

Em qual período esses passeios de barco na lagoa funcionam?

A temporada principal dos barcos na lagoa acontece aproximadamente de 1º de maio a 31 de outubro. No inverno, os barcos não saem devido à grande quantidade de gelo na superfície e às condições climáticas desfavoráveis, mas no lugar dos passeios de barco começa a emocionante temporada de exploração das cavernas de gelo.

Quando exatamente é possível visitar as grutas de gelo azul sob a geleira?

As cavernas (chamadas de Crystal ou Blue Caves) são estáveis e seguras apenas nos meses de inverno, quando está congelando, o que é aproximadamente de meados de novembro a março. A visita é possível exclusivamente com guia certificado, saindo em super jipes especiais e os preços variam de €140 a €203.

Posso ir caminhar na geleira sozinho sem contratar um guia?

Definitivamente não, isso é estritamente proibido e, acima de tudo, seria uma enorme aposta com a própria vida. Sob uma pequena camada de neve ou areia frequentemente se escondem fendas muito profundas, nas quais você pode cair, então faça caminhadas em geleiras (glacier hikes) e visitas a cavernas sempre apenas com profissionais certificados.

Devo visitar Jökulsárlón ou melhor a vizinha Fjallsárlón?

Idealmente os dois! Jökulsárlón é a principal e mais profunda lagoa com uma cor azul intensa e o bônus da Diamond Beach do outro lado da rua, mas na alta temporada costuma ficar realmente lotada. Fjallsárlón é uma lagoa menor e mais tranquila com água mais escura, onde a própria parede da geleira parece visualmente muito mais próxima e você escapa das maiores multidões.

É possível comer vegetariano em Höfn, que é cheio de lagostas e peixes?

Sim, com certeza dá e você não precisa ter medo disso. Embora a cidadezinha de Höfn seja famosa pela pesca de lagostas, você pode comer super bem por aqui mesmo sem carne. Até o mais famoso restaurante de peixes Pakkhús oferece, além de peixes, pratos vegetarianos deliciosos e bem fartos de batatas assadas, grão-de-bico e batata-doce, só é melhor sempre confirmar o cardápio atual com antecedência.

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