Aurora Boreal: onde e quando ver (12 melhores lugares)

Estar em meio ao frio congelante no coração da natureza selvagem do Alasca, quando pela primeira vez a luz verde começa a dançar sobre a sua cabeça, é provavelmente um daqueles momentos que você nunca mais esquece na vida. Lembro do silêncio absoluto, da neve estalando sob os pés e da sensação de espanto total quando o céu inteiro de repente se acendeu. A aurora boreal é simplesmente um espetáculo da natureza que te conquista por completo e não te solta.

Se você sonha em caçar a aurora, preciso te avisar de antemão, porque sinceramente não é só uma questão de olhar pela janela do hotel. Muitas vezes é um teste da sua paciência, de congelar no meio de montes de neve e de acompanhar infinitamente as previsões de nebulosidade, mas acredite em mim: a recompensa enorme vale totalmente a pena. Preparei para você uma lista detalhada dos lugares onde tem as maiores chances de avistar essa maravilha celestial.

Então vamos lá. Vou te mostrar doze lugares onde a caça à aurora boreal tem a maior chance de sucesso, explicar como esse milagre cósmico realmente funciona e dar dicas de como fotografar a aurora da melhor forma possível, para que você fique com uma recordação para a vida toda.

Resposta rápida

Você verá a aurora boreal com mais segurança de fim de setembro até meados de abril nas regiões situadas diretamente sob o oval auroral, como Tromsø na Noruega, Abisko na Suécia ou Fairbanks no Alasca. O essencial para a observação é a escuridão total, o horário em torno da meia-noite magnética e, principalmente, o céu limpo, porque lembre-se de uma regra de ouro: até a aurora mais fraca com o céu limpo é melhor do que uma enorme tempestade solar escondida atrás de nuvens densas.

Resumo

  • Melhor época: Você pode ver a aurora boreal aproximadamente de fim de setembro até meados de abril, sendo que as condições ideais costumam ser por volta dos equinócios de primavera e outono.
  • Regra de ouro dos caçadores: Baixa atividade (KP 1) com céu limpo sempre vence uma tempestade geomagnética massiva (KP 8) quando o céu está encoberto.
  • Céu mais limpo da Europa: Abisko, na Suécia, se beneficia de um microclima único chamado “Blue Hole”, graças ao qual as nuvens desaparecem mesmo em dias em que neva em todos os outros lugares.
  • Melhor acessibilidade: Tromsø, na Noruega, fica bem no coração do oval auroral e você encontra ótimos voos diretos, embora aqui precise fugir das nuvens com mais frequência.
  • Ano excepcional de 2026: O Sol atingiu seu máximo no atual ciclo de onze anos, o que significa que os próximos meses e anos oferecem as melhores condições em mais de uma década.
  • Foto com o celular: Os smartphones modernos já captam a aurora sem problemas, mas o tripé e a duração máxima possível do modo noturno são absolutamente indispensáveis.
  • O verão traiçoeiro: Apesar de fisicamente a aurora se formar no céu mesmo em julho, por causa do fenômeno chamado dia polar você simplesmente não a verá no céu claro.

12 melhores lugares para ver a aurora boreal no mundo

Organizei os lugares aproximadamente pelo quão certeira e ao mesmo tempo acessível é a aurora boreal por lá. Em cada um você vai encontrar por que ele é bom, quando ir e qual índice KP costuma ser necessário.

1. Tromsø (Noruega)

Tromsø, na Noruega, fica cerca de 350 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico e se encontra bem no coração do oval auroral, o que faz dela provavelmente a base mais popular da Europa. A grande vantagem dessa localização é que aqui basta o índice KP 1 ou 2 para observar o belo espetáculo. Mas a própria cidade é bastante iluminada, então caçadores experientes recomendam pegar o carro e ir um pouco mais para longe, em direção à escuridão.

Os viajantes elogiam muito a ilha próxima de Kvaløya e especialmente a região de Sommarøy, onde você encontra um dos céus mais escuros de toda a vizinhança. Os reflexos da luz verde na superfície dos fiordes escuros são lindos e dão uma profundidade incrível às fotos. Se houver uma camada impenetrável de nuvens diretamente sobre a cidade, muitas vezes vale a pena seguir justamente para o oeste, onde o céu se abre surpreendentemente rápido.

A melhor época para visitar é de fim de setembro até início de abril, sendo que muitos fotógrafos preferem fevereiro e março, quando o equinócio de primavera naturalmente intensifica a atividade solar. Chegar a Tromsø é muito fácil graças aos voos diretos de Oslo e de outras cidades europeias, o que a torna o destino ártico mais acessível para turistas comuns.

💡 Dica: Seja realmente flexível e não conte apenas com os passeios organizados. Alugar um carro vai te dar uma liberdade enorme para fugir do mau tempo exatamente até onde estiver previsto céu limpo.

2. Lofoten (Noruega)

O arquipélago de Lofoten fica exatamente sob o oval auroral e oferece provavelmente o cenário natural mais dramático que você poderia desejar para a observação. Imagine montanhas íngremes e cobertas de neve mergulhando diretamente no mar e as icônicas casinhas vermelhas de pescadores, sobre as quais ondula o céu verde. Assim como em Tromsø, aqui também basta uma atividade absolutamente mínima, em torno de KP 1, para uma caça bem-sucedida.

Mas tem um detalhe bem grande, que é o tempo norueguês extremamente imprevisível. Lofoten está entre os lugares mais nublados da região, então as nuvens conseguem ser bastante persistentes e podem estragar até a melhor previsão geomagnética. Uma viagem típica para cá muitas vezes significa três noites de neve intensa e uma espera infinita por uma única hora de céu limpo, por causa da qual você atravessa a noite indo da praia de Flakstad até o farol de Eggum.

Você tem a maior chance de sucesso durante o mês de março, quando as tempestades de inverno começam a se acalmar aos poucos, mas a temporada por aqui vai de fim de agosto até abril. Você chega aqui por um voo doméstico até os pequenos aeroportos de Svolvær ou Leknes, ou então por uma pitoresca rota de carro e balsa a partir do continente, o que por si só já é uma experiência inesquecível.

💡 Dica: Se você vem para cá principalmente pela aurora boreal, reserve no mínimo cinco noites, para ter uma margem suficiente em caso de mau tempo. Mais inspiração você encontra no nosso artigo sobre a aurora boreal em Lofoten e nas dicas do que ver em Lofoten.

3. Islândia

Toda a Islândia fica idealmente posicionada sob o oval auroral, então, do ponto de vista puramente geográfico, você tem chances excelentes em toda a ilha. Diferente da iluminada Reykjavík, onde para a visibilidade você precisa de uma atividade relativamente forte, em torno de KP 3 a 4, no interior escuro bastam valores muito mais baixos. A enorme vantagem da Islândia é a possibilidade de combinar a caça à aurora com um clássico road trip pela famosa Ring Road.

É justamente o carro que te dá a arma mais importante do caçador de aurora: a possibilidade de fugir das nuvens. Quando está encoberto no sul, você pode se deslocar para o norte ou para o leste. Um lugar muito popular entre os fotógrafos é o parque nacional Þingvellir, onde a poluição luminosa é mínima e, em noites sem vento, o espetáculo verde se reflete perfeitamente na superfície calma do enorme lago Þingvallavatn.

As noites mais longas e escuras você aproveita por aqui de outubro a fevereiro, mas os equinócios de fim de setembro e de março costumam ser estatisticamente um pouco mais ativos. A viagem para cá é, além disso, muito simples: o aeroporto de Keflavík recebe muitos voos diretos de toda a Europa e as locadoras de carro funcionam de forma impecável.

💡 Dica: Acompanhe com atenção a previsão local de nebulosidade no portal Vedur.is, que para a ilha é muito mais precisa do que os aplicativos globais. Antes da viagem, dê uma olhada no nosso artigo com dicas sobre a aurora boreal na Islândia e no guia completo da Islândia.

4. Fairbanks e Alasca (EUA)

Eu e o Lukáš passamos um tempo no Alasca e preciso dizer que observar o céu justamente por aqui tem um encanto absolutamente único. Fairbanks fica no interior, bem sob o oval auroral, e, graças à distância do oceano, tem um clima continental lindamente seco. Na prática, isso significa muito mais noites de céu limpo do que nas regiões costeiras e nubladas da Europa, embora isso venha com um frio realmente cruel.

A universidade local informa que a aurora é visível aqui em mais de 200 noites por ano, e, se você tiver céu limpo e escuridão, as chances sobem de forma inacreditável. Por experiência própria, recomendamos muito a região de Murphy Dome, onde ficamos em silêncio absoluto, fascinados, olhando para cima. Uma experiência completamente diferente, mas absolutamente luxuosa, oferece Chena Hot Springs, onde a vinte graus negativos você pode ficar sentado na água termal quente e observar as faixas verdes bem acima da cabeça 😅.

A melhor época por aqui vai de dezembro a março, embora a temporada oficial comece já em agosto. Se você procura uma experiência realmente excepcional, tente se hospedar nos iglus de vidro do Borealis Basecamp, onde dá para esperar essa maravilha bem aquecido, direto da cama.

💡 Dica: Prepare-se para o fato de que o frio aqui consegue ser realmente extremo e descarrega rápido as baterias da câmera e do celular, então guarde-os nos bolsos internos do casaco, perto do corpo. Você pode ler mais sobre as nossas experiências nos textos sobre a aurora boreal no Alasca e nas dicas para Fairbanks.

5. Lapônia finlandesa e os iglus de vidro

Enquanto Rovaniemi fica exatamente sobre o Círculo Polar Ártico, as melhores condições para observação você encontra um pouco mais ao norte, na região de Saariselkä ou Ivalo. Foi justamente a Lapônia finlandesa que ficou mundialmente famosa pelo fenômeno dos iglus de vidro, que oferecem a forma mais luxuosa possível de esperar pelo espetáculo celestial. Na alta temporada, dizem que você pode ver a aurora aproximadamente a cada segunda noite de céu limpo, desde que a nebulosidade não estrague os planos.

O resort mais icônico é com certeza o Kakslauttanen, onde você pode alugar uma combinação de cabana tradicional com lareira e sauna, ligada a uma cúpula de vidro aquecida com cama. É lindo, mas preciso te alertar para expectativas realistas. O iglu é simplesmente um luxo de experiência caro, mas definitivamente não é garantia de que você verá a aurora. Se nevar forte a noite inteira, você só vai ver os flocos.

A melhor época para vir para cá é de fim de agosto a abril, idealmente por volta do equinócio de outono ou de primavera. Os voos normalmente são com conexão em Helsinque, direto para os pequenos aeroportos de Rovaniemi ou Ivalo, onde você já aluga um carro com facilidade.

💡 Dica: Se você decidir investir em um resort de iglu mais caro, encare isso principalmente como uma experiência completa de inverno, com sauna e relaxamento, e a aurora boreal será só a mais bela cereja do bolo. Confira as nossas dicas para a aurora boreal na Lapônia e Rovaniemi.

6. Abisko (Suécia)

A pequena cidade de Abisko, na Lapônia sueca, ostenta um dos maiores trunfos naturais de toda a Escandinávia. As montanhas locais, na fronteira com a Noruega, criam uma forte sombra de chuva, que funciona como um escudo perfeito contra as nuvens vindas do oceano. O resultado é um microclima único conhecido como “Blue Hole”, graças ao qual o céu costuma estar limpo aqui mesmo nos momentos em que nevascas castigam toda a região ao redor.

Graças a esse buraco azul, Abisko tem o céu estatisticamente mais limpo de todos os destinos nórdicos. Dizem que, numa estadia de três ou mais noites, você tem uma chance enorme de sucesso. Uma grande atração é a Aurora Sky Station local, que fica a 900 metros de altitude no topo da montanha Nuolja. Você sobe até aqui numa viagem de cerca de vinte minutos em um teleférico de cadeiras, atravessando a escuridão total, o que dizem ser uma experiência fantástica por si só.

A alta temporada vai de dezembro a março, quando o teleférico funciona regularmente. A viagem para cá normalmente passa pelo aeroporto de Kiruna, de onde até Abisko é pouco mais de uma horinha de carro ou de trem.

💡 Dica: A viagem de teleférico noturno até o topo do Nuolja é romântica, mas costuma fazer um frio absolutamente extremo, com temperaturas comumente em torno de vinte graus negativos, então não recuse de jeito nenhum as roupas térmicas que são alugadas por lá.

7. Yellowknife (Canadá)

A capital dos Territórios do Noroeste canadenses se autodenomina orgulhosamente a capital da aurora na América do Norte, e tem motivos muito bons para isso. Yellowknife fica bem sob o oval auroral e se beneficia de uma paisagem subártica absolutamente plana, sem montanhas altas, então você tem um horizonte totalmente desobstruído. O ar continental seco da região faz, ainda, com que, nos frios cruéis abaixo de 30 graus negativos, simplesmente não se formem nuvens.

Graças a esse clima, os fenômenos por aqui estão entre os mais brilhantes e coloridos de todo o continente. Os operadores da famosa Aurora Village local, onde você pode esperar a aurora em teepees tradicionais aquecidos montados sobre um lago congelado, informam até 95% de chance de sucesso numa estadia de três dias. Encare essa estatística com uma leve reserva, mas as noites de céu limpo por aqui realmente passam de duzentas por ano.

Você pode vir para cá de preferência de meados de novembro até início de abril. A conexão aérea normalmente passa por Calgary ou Edmonton, no Canadá, direto para o pequeno aeroporto de Yellowknife.

💡 Dica: Não se deixe acomodar pelo fato de estar sentado num teepee aquecido. Assim que a aurora começa, você corre para fora, para o lago congelado, em temperaturas que aqui caem comumente para quarenta abaixo de zero, então um equipamento perfeito é o básico.

8. Groenlândia

A Groenlândia é um destino para verdadeiros conhecedores e para viajantes que buscam algo além do tradicional norte da Europa. A região em torno da cidadezinha de Kangerlussuaq, por exemplo, é famosa porque ali se registram inacreditáveis 300 noites de céu limpo por ano. O enorme manto de gelo groenlandês cria uma zona permanente de alta pressão, que empurra de forma confiável as nuvens para longe.

Uma experiência ainda mais mágica oferece a famosa Ilulissat, com seu fiorde de gelo Patrimônio da UNESCO. Imagine essa maravilha quando enormes icebergs flutuantes se acendem em tons de verde e roxo com o reflexo da aurora no céu. Até mesmo na capital, Nuuk, que tem o mínimo de poluição luminosa, você pode observar a aurora normalmente das próprias ruas, o que é absolutamente único no mundo.

A época ideal para visitar vai de novembro a meados de março. A acessibilidade aérea da Groenlândia, porém, está em constante mudança por causa da construção de novos aeroportos internacionais, então verifique com cuidado e antecedência as conexões atuais via Copenhague.

💡 Dica: As viagens para cá estão entre as mais caras do mundo, então a Groenlândia faz mais sentido no momento em que você quer ver os monumentais icebergs e a natureza ártica, e a aurora boreal é mais um bônus gigantesco.

9. Ilhas Faroé

As Ilhas Faroé ficam no sexagésimo segundo grau de latitude norte, o que as coloca na própria borda sul da zona auroral. As ilhas por si só oferecem cenários de tirar o fôlego e, como, fora algumas vilas maiores, quase não existe poluição luminosa, as condições para um céu escuro são perfeitas. Para a visibilidade da aurora aqui você precisa de uma atividade um pouco mais forte, em torno de KP 3 ou mais.

Mas, sinceramente, preciso dizer que o principal problema das Ilhas Faroé é o tempo extremamente variável e chuvoso. A probabilidade de as nuvens se abrirem e o vento parar durante as longas noites de inverno é bem baixa. Os guias oficiais resumem isso de forma muito lacônica: a aurora boreal simplesmente só aparece quando o céu está limpo. E isso aqui, no inverno, costuma ser uma raridade.

Se você quiser arriscar, vá de novembro a fevereiro, quando as noites são mais longas. Ao aeroporto de Vágar você chega vindo de Copenhague e, depois, se desloca facilmente pelas ilhas de carro, graças ao sistema de túneis submarinos.

💡 Dica: Numa noite clara de inverno, aqui você às vezes capta uma aurora verde fraca mais pela câmera apontada para o horizonte norte do que vivencia um espetáculo selvagem e colorido bem acima da cabeça.

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10. Norte da Escócia

Poucos pensam em procurar a aurora boreal no Reino Unido, mas o extremo norte da Escócia e, principalmente, as Ilhas Shetland ou Orkney têm ótimas condições para isso. Elas ficam ao sul do oval principal, então, para um espetáculo de verdade, você precisa de uma atividade mais forte, de KP 4 a KP 5, mas a vasta paisagem escura, sem luz artificial, joga a favor dos caçadores.

Os moradores usam para esse fenômeno o belo nome shetlandês “Mirrie Dancers”, que em tradução significa “dançarinos cintilantes”. A comunidade de caçadores de aurora aqui é enorme; o grupo local do Facebook Shetland Aurora Hunter, por exemplo, funciona como um excelente boletim ao vivo da atividade. A grande maioria das manifestações aqui é só verde, mas, em tempestades realmente fortes, o céu consegue se tingir até de um raro vermelho.

A melhor época para a caça escocesa vai de fim de setembro a março, idealmente entre as nove da noite e as duas da manhã. Você chega aqui facilmente em voos dos grandes aeroportos britânicos para Inverness ou direto para as Shetland.

💡 Dica: Se você for caçar aqui, encontre um local com o horizonte norte mais baixo e aberto possível, porque a aurora aqui muitas vezes acontece só baixo, perto do horizonte, e raramente fica diretamente no zênite. Dê uma olhada também no nosso artigo sobre férias na Escócia.

11. Estônia e os Países Bálticos

A Estônia fica mais ao norte de todos os países bálticos e, de vez em quando, entra no radar dos caçadores de aurora como uma alternativa interessante e muito acessível. Geograficamente ela fica ao sul, abaixo da faixa auroral principal, mas durante tempestades geomagnéticas mais fortes, de KP 5 ou mais, o céu aqui consegue se acender lindamente. O atual máximo solar, em especial, favorece muito essas observações mais ao sul.

A mídia estoniana noticia essas observações regularmente, mas preciso enfatizar que ver a aurora nos Bálticos é mais uma questão de eventos pontuais do que de garantia confiável. Se você vier para cá de setembro a março e calhar de pegar justamente uma erupção solar massiva, basta sair um pouco ao norte de Tallinn, em direção à costa escura, e você tem grande chance de uma bela experiência.

💡 Dica: Viajar para a Estônia só pela aurora boreal estatisticamente não vale muito a pena, mas se você já está aqui de férias e o aplicativo te avisa de uma grande tempestade, definitivamente saia à noite em direção ao mar.

12. Yukon (Canadá)

O território canadense de Yukon, com sua capital Whitehorse, é uma alternativa fantástica para quem quer vivenciar a natureza selvagem do Canadá, mas tem receio do isolamento extremo das regiões mais ao norte. Whitehorse fica ligeiramente além da borda do oval principal, então aqui você precisa de uma atividade média, em torno de KP 3 a 4, mas a grande vantagem é a excelente acessibilidade e infraestrutura.

Diferente dos minúsculos povoados nórdicos, Whitehorse é uma cidade normal, com ótimos hotéis, restaurantes e locadoras de carro. O clima continental do Yukon, além disso, garante uma grande quantidade de noites geladas e de céu limpo. Durante o atual máximo solar, a frequência de auroras visíveis por aqui chega tranquilamente a mais de cem noites por temporada, o que é um número absolutamente incrível.

A temporada aqui vai de meados de agosto até fim de abril, sendo que o tempo gelado mais estável costuma ocorrer de janeiro a março. Você chega ao aeroporto local muito facilmente vindo de Vancouver ou Calgary.

💡 Dica: Se você não quiser congelar no carro à noite, os operadores locais oferecem várias cabanas confortáveis fora da cidade, onde você pode esperar pela aurora com um chá quente perto do fogão.

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Comparação numa tabela prática

LugarPaísMelhor épocaKP necessário
TromsøNoruegaFim de setembro – início de abrilKP 1+
LofotenNoruegaFim de agosto – meados de abrilKP 1+
IslândiaIslândiaSetembro – abrilKP 2–4
FairbanksEUA (Alasca)Agosto – abrilKP 1–2
Rovaniemi/IvaloFinlândiaFim de agosto – abrilKP 2–3
AbiskoSuéciaDezembro – marçoKP 1–2
YellowknifeCanadáMeados de novembro – início de abrilKP 2–3
KangerlussuaqGroenlândiaSetembro – início de abrilKP 1–2
Ilhas FaroéReino da DinamarcaNovembro – fevereiroKP 3+
Norte da EscóciaReino UnidoFim de setembro – marçoKP 4–5+
Bálticos (Estônia)EstôniaSetembro – marçoKP 5+
Whitehorse (Yukon)CanadáMeados de agosto – fim de abrilKP 3–4

O que é a aurora boreal e como ela se forma

Para não complicar demais cientificamente, tudo começa com o vento solar. O Sol envia continuamente ao espaço um fluxo de partículas carregadas, principalmente elétrons e prótons. Quando esse vento acelera e seu campo magnético se orienta da forma certa, ele se funde com o campo magnético protetor da Terra. Essas partículas então deslizam pelas linhas de força magnéticas, como por um funil gigante, em direção a ambos os polos, onde colidem em alta velocidade com a atmosfera.

A própria luz colorida se forma no momento em que esses elétrons rápidos colidem com as moléculas de oxigênio e nitrogênio na camada superior da atmosfera e lhes fornecem energia. Quando esses átomos retornam ao seu estado original de repouso, liberam a energia excedente na forma de um fóton, ou seja, de luz colorida.

A cor da aurora depende de em qual gás a partícula colide e em que altura isso acontece:

  • Verde: De longe a cor mais comum, criada pelo oxigênio a uma altura de cerca de 100 a 240 quilômetros. Além disso, o nosso olho humano é o mais sensível justamente à cor verde.
  • Vermelho: Um espetáculo muito raro, causado também pelo oxigênio, mas em alturas enormes, acima de 200 a 300 quilômetros. Forma-se só no ar rarefeito, porque esse estado excitado dura muito e, no ar mais denso e mais baixo, perderia a energia antes de conseguir brilhar.
  • Roxo e rosa: Essas belas cores são criadas pelo nitrogênio bem mais abaixo, geralmente em torno de 100 quilômetros acima do solo. Muitas vezes formam uma linda borda inferior púrpura das cortinas verdes durante tempestades muito fortes.

Esse fenômeno, além disso, não acontece só no norte. A mesma física funciona também no hemisfério sul, onde o fenômeno é chamado de aurora austral. Ela se forma exatamente ao mesmo tempo que a aurora boreal, só que é muito mais difícil de observar, porque o polo magnético sul fica majoritariamente sobre o oceano vazio.

Quando você verá a aurora boreal

Os melhores meses para observação no hemisfério norte vão de fim de setembro a meados de abril. Talvez você se pergunte por que não dá no verão, quando está calor. Fisicamente, a aurora obviamente está lá, mas, por causa do fenômeno chamado dia polar, ou sol da meia-noite, nessas latitudes altas simplesmente não escurece. E, no céu claro, você logicamente não verá a aurora.

A maior chance você tem em torno da chamada meia-noite magnética, que costuma ser aproximadamente entre as dez da noite e as duas da manhã no horário local. O período estatisticamente melhor então chega sempre por volta dos equinócios de outono e de primavera, porque a posição da Terra em relação ao vento solar intensifica naturalmente a atividade geomagnética.

O indicador-chave para os caçadores é o índice KP, uma escala de zero a nove que mede a força da tempestade geomagnética. Enquanto no extremo norte, em Tromsø, basta de sobra um KP 1 ou 2, em direção ao sul as exigências sobem acentuadamente. Na Escócia você já precisa de cerca de KP 5 e, para a visibilidade na Europa Central, é preciso vir uma tempestade massiva de força KP 8 a 9.

O período atual, além disso, é absolutamente excepcional. No outono de 2024, o Sol atingiu seu máximo dentro do ciclo de onze anos. A atividade elevada, porém, não cai logo, então os anos de 2025 e 2026 ainda estão incrivelmente fortes e oferecem as melhores condições para observar a aurora em mais de uma década.

Como fotografar a aurora boreal (com o celular e com a câmera)

O olho humano, na escuridão total, perde a capacidade de ver cores e passa para a visão em preto e branco, então a aurora mais fraca você verá ao vivo mais como uma nuvem acinzentada ou levemente esverdeada. A lente da câmera, porém, consegue captar a luz por um tempo muito maior, por isso as fotos são sempre mais coloridas do que a realidade.

Como fotografar com o celular

Os smartphones modernos se saem muito bem hoje em dia graças ao modo noturno, que na penumbra combina várias imagens em uma só. Mas o básico é deixar o celular completamente imóvel. Você precisa colocá-lo em um pequeno tripé ou então apoiá-lo firmemente sobre a mochila ou uma pedra.

Ligue o modo noturno e, manualmente, puxe o temporizador para o máximo, que nos iPhones costuma ser de 3 a 10 segundos. Sempre ative o disparador automático de dois segundos, porque o próprio toque do dedo na tela borraria a foto. Tente também travar o foco no céu com o dedo na tela e reduzir um pouco a exposição, para que a cor verde não estoure num borrão branco.

Como fotografar com câmera DSLR ou mirrorless

Aqui você precisa do modo totalmente manual (M). Abra a abertura no máximo, idealmente em f/2.8 ou um valor ainda menor. Ajuste o tempo de exposição entre cerca de 5 e 15 segundos, dependendo da rapidez com que a aurora se move. Se ela dança muito rápido, você precisa encurtar o tempo para 3 segundos, senão na foto ela vira só um borrão.

O limite superior da exposição nunca deve ultrapassar 20 a 25 segundos. O motivo é a rotação da Terra, por causa da qual as estrelas ao fundo se transformariam em traços feios. Ajuste o ISO entre 800 e 3200, fotografe sempre no formato RAW para melhores ajustes e, principalmente, foque manualmente no infinito, porque o autofoco simplesmente não funciona no escuro. Tenha muito cuidado com as baterias: o frio literalmente as devora, então leve sempre as reservas num bolso junto ao corpo.

Para onde ir depois

Se a caça à aurora te empolgou e você está pensando para onde exatamente comprar as passagens, dê uma olhada nos nossos guias detalhados por região. Para a Noruega, escrevemos dicas para Tromsø e um guia específico sobre a aurora boreal em Lofoten.

Se você se sente mais atraído pela natureza selvagem do outro lado do oceano, não deixe de conferir o nosso relato sobre a aurora boreal no Alasca. E, para os amantes das saunas aquecidas, temos um artigo focado na aurora boreal na Lapônia.

Perguntas frequentes

Aqui estão as respostas para o que mais interessa às pessoas sobre a caça à aurora boreal.

A lua cheia é um problema para observar a aurora boreal?

A lua cheia não é propriamente um obstáculo, porque a luz da Lua dificilmente ofusca uma aurora forte. Mas é verdade que o céu escuro próximo da lua nova proporciona às fotos e aos olhos um contraste muito melhor, então você verá mais estruturas e cores sutis. Porém, com certeza não precisa cancelar a viagem por causa da lua cheia.

Preciso de um guia ou consigo fazer sozinho?

Você certamente consegue fazer isso por conta própria com um carro alugado, o importante é saber fugir das nuvens e da poluição luminosa. Os passeios organizados têm um valor enorme principalmente porque os guias monitoram o clima em tempo real, conhecem lugares escuros secretos e você principalmente não precisa dirigir estressado à noite em estradas congeladas.

Existem pacotes com garantia de aurora?

Alguns operadores na Escandinávia oferecem garantia, mas isso geralmente significa apenas que eles te darão um passeio gratuito no dia seguinte, caso você não veja a aurora. O dinheiro não é reembolsado e isso vale apenas durante sua estadia. Números como 99% de taxa de sucesso devem ser vistos mais como marketing inteligente dos operadores.

Por que a aurora é mais colorida na foto do que ao vivo?

Em ambientes muito escuros, o olho humano muda para os bastonetes, que não distinguem cores, então frequentemente vemos a aurora de forma mais acinzentada ou levemente esverdeada. No entanto, a câmera consegue captar muito mais luz graças à exposição longa e ISO alto, por isso registra o verde intenso mesmo em manifestações muito fracas.

Quantas noites por ano dá para ver a aurora nos melhores lugares?

Frequentemente se menciona que Yellowknife, no Canadá, tem até 240 noites claras com auroras, Fairbanks no Alasca tem mais de 200 e Tromsø na Noruega tem mais de cem. Esses números impressionantes vêm principalmente de materiais turísticos, então considere-os com uma certa reserva, mas o fato é que as chances nesses lugares são enormes.

Qual índice KP é necessário afinal?

Na Alta Ártico, como Tromsø ou Fairbanks, KP 1 a 2 é mais que suficiente. O norte da Escócia já requer cerca de KP 4 a 5. Para observar da Europa Central e República Tcheca, você precisa de tempestades massivas de força KP 8 a 9. Em geral, vale a regra: quanto maior o KP, mais ao sul o oval se desloca.

Dá para ver aurora boreal na Tchéquia?

Sim, mas é extremamente raro, porque você precisa de uma tempestade extrema de intensidade KP 8 a 9. A última vez que isso aconteceu de forma ampla foi em maio de 2024 durante a tempestade massiva Gannon (G5), e depois também em outubro do mesmo ano. Eventos assim acontecem tipicamente apenas algumas vezes durante todo o ciclo solar de onze anos, então definitivamente não é uma garantia anual.

Como é o inverno e o que vestir?

Em Lapônia ou no Canadá, as temperaturas na temporada costumam cair entre menos 5 e menos 30 graus. O segredo está nas camadas: você veste lã merino, por cima uma fleece e, por último, uma jaqueta grossa corta-vento. Durante as fotos, você fica parado em silêncio sem gerar calor corporal, então luvas quentes e botas isoladas são absolutamente essenciais.

Posso fotografar a aurora boreal só com um celular comum?

Sim, smartphones topo de linha modernos em um tripé no modo noturno ou Pro com exposição longa de cerca de 3 a 10 segundos conseguem capturar uma foto realmente bonita. Porém, uma DSLR de qualidade com sensor grande sempre vencerá na nitidez dos detalhes e na capacidade de congelar as rápidas cortinas coloridas.

Que cores todas eu vou ver no céu?

O mais comum é ver a cor verde, que é criada pelo oxigênio em altitudes médias. Durante tempestades geomagnéticas muito fortes, aparece também o vermelho bem alto no ar rarefeito e também o lindo violeta ou rosa, causado pelo nitrogênio nas camadas mais baixas da atmosfera.

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