Se você também sonha em ver a aurora boreal no Alasca com seus próprios olhos, este é o melhor momento possível para planejar essa viagem. Só que, diferente de nós, você precisa acertar o timing. É que entre 2024 e 2026 o sol está no pico do seu 25º ciclo solar — o chamado máximo solar.
Os cientistas relatam que as erupções solares e as massivas emissões de partículas estão fustigando nossa atmosfera com uma intensidade que não víamos desde 2003. É uma loucura no bom sentido. Para você não cometer o mesmo erro que nós, preparei um guia completo: vou te contar exatamente quando ir, onde se hospedar, quanto vai custar tudo isso — e ainda trago dicas cuidadosamente pesquisadas sobre como fotografar a aurora boreal no Alasca para você não voltar só com fotos pretas 😅.
Resumo
- Melhor época: Você pode ver a aurora boreal do final de agosto até meados de abril, sendo que o pico absoluto da temporada vai de dezembro a março. No verão há luz demais no Alasca.
- Onde procurar: A cidade de Fairbanks é rainha absoluta. Ela fica diretamente sob o oval auroral e, se você passar três noites claras de inverno por lá, tem mais de 80% de chance de ver a aurora.
- Clima e frio: Prepare-se para extremos. As temperaturas caem facilmente para -30 a -40 °C, então casaco de pluma de qualidade e calça térmica são essenciais.
- Carro: Para caçar a aurora por conta própria, você precisa de um carro de locadora confiável com pneus de neve. Mas algumas estradas (como a Dalton Highway) são proibidas para carros alugados comuns.
- Gastos: O Alasca não é barato. Calcule hospedagem de 150 a 400 USD por noite; os famosos iglus envidraçados custam tranquilamente mais de 600 USD.

Quando ir ao Alasca e como chegar
A regra básica para caçar a aurora boreal é simples, mas as pessoas às vezes esquecem: você precisa de escuridão total. Embora as tempestades geomagnéticas aconteçam na atmosfera superior durante o ano todo, nos meses de verão (de maio a julho) o sol brilha no Alasca por até 22 horas por dia e o céu nunca escurece completamente.
A temporada oficial começa no final de agosto e vai até meados de abril. Mas se quiser jogar no seguro, planeje sua viagem para o pico absoluto da temporada, que vai de dezembro a março. O inverno traz o céu mais limpo e escuro, embora você pague o preço com um frio brutal. A cidadezinha de Fairbanks é, de longe, a cidade americana mais fria com mais de dez mil habitantes — as temperaturas em janeiro e fevereiro chegam tranquilamente a -40 °C. O recorde histórico de 1934 foi de -54 °C, então se agasalhe muito bem 😁.
Períodos interessantes também são setembro e março, próximos aos equinócios de outono e primavera. Graças à inclinação específica do eixo terrestre em relação ao vento solar, ocorrem os chamados “equinox spikes” — picos de atividade em que a chance de uma aurora forte é estatisticamente ainda maior. Para encontrar passagens aéreas com antecedência, recomendamos buscar no GetYourGuide para passeios guiados na região. O roteiro mais comum saindo do Brasil é voar para Seattle (com escala) e de lá pegar um voo doméstico direto da Alaska Airlines até o aeroporto de Fairbanks.
Onde se hospedar em Fairbanks e arredores + quanto custa
Se você está montando o orçamento da viagem, preciso te avisar logo: o Alasca sabe esvaziar carteira. A maioria das pessoas escolhe Fairbanks como base, já que a cidade oferece toda a infraestrutura necessária — supermercados, hotéis suficientes — e é fácil sair à noite para caçar a aurora nos arredores escuros. Em termos de preço, um motel simples sai por volta de 100 a 150 USD por noite, enquanto hotéis melhores ou cabanas na natureza começam a partir de 250 USD.
Se quiser um toque de luxo e ficar deitado na cama olhando para o céu, as hospedagens em iglus especializados ou resorts custam entre 400 e 650 USD por noite. Uma semana típica para um casal, incluindo aluguel de carro e alimentação, facilmente ultrapassa os 5.000 USD.
Onde se hospedar estrategicamente
- Base central com conforto: O Westmark Fairbanks Hotel é um clássico frequentemente usado por grupos organizados. Uma ótima alternativa às margens do rio, perto do aeroporto, é o Pike’s Waterfront Lodge, que tem um restaurante excelente.
- Hotéis focados na aurora: Se quiser sossego total, confira as cabanas do A Taste of Alaska Lodge. Eles têm uma vista perfeita para a Cordilheira do Alasca, sem poluição luminosa. Outro enorme sucesso é o Borealis Basecamp, famoso pelos seus iglus envidraçados.
- Meio-termo para famílias e casais: Um ótimo compromisso é o grande complexo de apartamentos Wedgewood Resort ou o confiável Best Western Plus Pioneer Park Inn.
- Para quem quer economizar: Se topas com algo mais simples, o Days Inn Fairbanks cumpre o papel, assim como o icônico Billie’s Backpackers Hostel, onde você encontra mochileiros do mundo inteiro.
Aurora Boreal no Alasca: 12 dicas de onde ir e como fotografar
Vamos falar sobre doze lugares e dicas concretas de onde ir ver a aurora boreal no Alasca e como evitar a decepção. O Alasca oferece inúmeras possibilidades, desde fontes termais de luxo até morros selvagens onde você precisa levar o próprio chá na garrafa térmica. Também vou te contar como fotografar esse espetáculo celeste para que suas fotos fiquem tão bonitas quanto a experiência ao vivo.
1. Fairbanks como o melhor ponto de partida
Fairbanks não está no centro de todas as pesquisas à toa. A cidade fica a menos de 320 quilômetros ao sul do Círculo Polar Ártico e está posicionada diretamente sob o oval auroral — a zona onde os fenômenos luminosos se concentram com mais intensidade. Não é exatamente uma metrópole que vai te impressionar pela arquitetura, mas pela sua localização é um jackpot geográfico para todo caçador de céu noturno.

As autoridades locais mantêm estatísticas precisas que falam por si: se você passar pelo menos três noites aqui durante o pico da temporada de inverno com tempo aberto, sua chance de ver a aurora ultrapassa oitenta por cento. Basta alugar um carro, dirigir vinte minutos para fora da cidade — longe da poluição luminosa — e começar a olhar para cima. A maioria dos fenômenos acontece entre as dez da noite e as duas da manhã.
2. Murphy Dome (Escuridão total)
Se você perguntar a qualquer entusiasta local onde ele vai observar o céu, provavelmente vai te mandar para cá. Murphy Dome é uma antiga estação de radar da Força Aérea americana, desativada nos anos 1980, localizada a cerca de 45 quilômetros a noroeste de Fairbanks. Com 879 metros de altitude, é o ponto mais alto acessível de carro nos arredores.

Como não há casas nem postes de luz por lá, você tem escuridão absolutamente perfeita. Quando a aurora engrena de verdade, ela dança literalmente do horizonte ao horizonte. Mas há um detalhe importante que preciso te avisar: a subida é íngreme e a estrada costuma ficar coberta de gelo no inverno, então não vá sem um veículo adequado com pneus de neve e tração nas quatro rodas.
3. Cleary Summit e Skiland (Observação no calor)
Outro morro popular, localizado a cerca de 32 quilômetros a nordeste da cidade pela famosa Steese Highway. O Cleary Summit fica a 682 metros de altitude e oferece vistas panorâmicas deslumbrantes para o vale do rio Tanana e para a cadeia de montanhas White Mountains. O estacionamento no alto é gratuito e você sempre vai encontrar uma galera de fotógrafos postada com seus tripés.
A grande vantagem dessa localidade é o Skiland nas proximidades — um resort de esqui que, aliás, tem o teleférico de assento mais ao norte de toda a América do Norte. Após o anoitecer, a cabana funciona como um centro de observação da aurora (aurora viewing lodge). Você pode se sentar confortavelmente no calor, tomar um café e correr para fora no frio só quando alguém gritar que o céu começou a brilhar.
4. Borealis Basecamp (Luxo direto da cama)
Esse é exatamente o lugar que você fica babando no Instagram. O resort fica escondido em uma floresta boreal fora da cidade e é formado por iglus modernos e aquecidos com enormes telhados de vidro. A ideia é genial: você não precisa ficar congelando lá fora na neve — simplesmente deita embaixo do edredom quentinho e observa as faixas verdes passando sobre sua cabeça.
11. Como acompanhar a previsão (Para não esperar em vão)
Se você decidir caçar a aurora por conta própria, acompanhar o índice Kp vai virar sua rotina diária e noturna. Trata-se de uma escala de 0 a 9 que indica a intensidade da atividade geomagnética. Para Fairbanks, um Kp de 3 já é suficiente para um espetáculo lindo sobre sua cabeça. Se chegar a 5, você tem um show visível até no horizonte.

A fonte mais confiável de informações para a região do Alasca é o University of Alaska Geophysical Institute, direto no site deles. Em campo, o aplicativo My Aurora Forecast Pro vai te notificar quando a atividade começar a aumentar. Mas lembre-se da regra mais importante de todas: se houver uma camada espessa de nuvens acima de você, nem a tempestade solar mais forte do século vai te ajudar. A aurora boreal está acima das nuvens, não abaixo.
12. Equipamento e como fotografar a aurora boreal
Esperar pelo espetáculo celeste exige muita paciência — e ainda mais agasalho. Vista-se em camadas, use luvas grossas de dedos juntos (as de dedo separado deixam suas mãos congelar bem mais rápido) e não esqueça a lanterna de cabeça. Importante: coloque-a no modo de luz vermelha. A luz branca destrói sua visão noturna por longos minutos e ainda irrita todo fotógrafo por perto, estragando as longas exposições deles.

Para fotografar, o padrão ouro é uma câmera full-frame com lente grande-angular de abertura mínima f/2.8 e um tripé firme. Ajuste o foco manual para o infinito, suba o ISO para cerca de 3200 e defina a exposição entre 5 e 15 segundos, dependendo da velocidade do movimento da aurora. Não esqueça de guardar as baterias sobressalentes no bolso interno, junto ao corpo — o frio drena uma bateria em cinco minutos. E para quem tem celular moderno: com um mini tripé e o modo noturno do iPhone mais recente, dá para tirar fotos surpreendentemente bonitas sem precisar de equipamento caro!
Onde comer bem em Fairbanks
O frio garante que você fique faminto o tempo todo. Embora o Alasca seja geralmente caro — até no supermercado você paga mais do que no resto dos EUA — vale muito a pena sair para um bom restaurante de vez em quando. Selecionei alguns lugares em Fairbanks que acumulam ótimas avaliações há anos e são frequentados pelos próprios moradores.
The Pump House Restaurant & Saloon (Para um jantar especial) É um clássico absoluto desde 1978, na Chena Pump Road. O interior te transporta imediatamente para a era bruta da corrida do ouro do final do século XIX. A especialidade são frutos do mar do Alasca e carne Angus certificada — quem gosta de um bom bife vai adorar (o Ribeye enorme sai por cerca de 49 USD). Nós somos vegetarianos, então valorizamos mais os acompanhamentos e o pão artesanal, mas mesmo assim é um restaurante mais caro, que vale sobretudo pela atmosfera e pelo serviço.
Big Daddy’s BBQ & Banquet (Para matar a fome de verdade) Se quiser um bom churrasco americano, vá aqui. É um restaurante totalmente informal, com clima de boteco sulista, porções gigantescas e pratos clássicos como pão de milho, feijão e mac and cheese. Lugar ideal para famílias com crianças ou para aquele grupo que volta todo tiritando dos morros. Os preços são bem razoáveis: entre 15 e 30 USD por prato principal.
The Crepery (Almoço rápido no centro) Adoramos lugares frequentados por moradores locais, e The Crepery é exatamente um deles. Fica no centro de Fairbanks e fazem panquecas incríveis, tanto doces com frutas quanto salgadas recheadas com queijo e carne. Ótima pedida para um almoço rápido ou um café da tarde — os preços ficam entre 10 e 18 USD.
Sam’s Sourdough Cafe (O melhor café da manhã do Alasca) Uma lenda local, onde você encontra os melhores e maiores cafés da manhã da região. A especialidade são as enormes panquecas de fermentação natural (sourdough), feitas segundo receitas antigas dos garimpeiros. Um café da manhã farto com café sai por volta de 10 a 20 USD — o que, para os padrões do Alasca, é quase uma pechincha.
Dicas finais antes de embarcar
Quando planejamos nossas viagens para o norte, sempre contamos com alguns serviços testados e aprovados que nos poupam tempo, dor de cabeça e dinheiro. Para facilitar sua vida, listei aqui o essencial que você precisa resolver antes de embarcar.
Como encontrar passagens aéreas
Para chegar ao Alasca saindo do Brasil, o caminho mais comum é voar para Seattle (geralmente com escala) e de lá pegar um voo doméstico até Fairbanks. Pesquise combinações de voos em diferentes plataformas com boa antecedência — quanto antes você buscar, maiores as chances de encontrar preços melhores.
Aluguel de carro
Sem carro no Alasca você fica completamente limitado — especialmente se não quiser pagar pelos caros tours organizados. Nosso conselho é usar o DiscoverCars para comparar opções. Reserve o quanto antes: os SUVs com tração nas quatro rodas somem na temporada de inverno.
Não esqueça o seguro e o chip de dados
O sistema de saúde dos EUA é extremamente caro, então jamais viaje sem um bom seguro viagem. Para viagens mais curtas, usamos a AXA (com 50% de desconto para você); para estadias mais longas, confiamos na True Traveller. Quanto à internet no celular, a melhor solução é baixar um eSIM virtual da Holafly — você já chega com dados funcionando ao desembarcar, sem precisar procurar chip em loja de aeroporto.
Roupas e calçados
Como já mencionei, o inverno por lá é absolutamente impiedoso. Se quiser dicas sobre calçados para o frio, escrevemos um artigo separado sobre tênis e botas para trilha — mas para -40 °C você vai precisar de botas de neve robustas, tipo Sorel.
Leia também
Se este artigo despertou sua vontade de ver a aurora boreal no Alasca, preparamos outros guias detalhados no blog.
- Confira nosso guia detalhado sobre a cidade de Fairbanks, com muitas dicas do que fazer durante o dia enquanto espera anoitecer.
- Se ainda está em dúvida sobre qual mês exatamente embarcar, leia o artigo Quando ir ao Alasca, onde analisamos as vantagens e desvantagens de cada época do ano.
- E se a América parecer longe demais e você preferir explorar a Europa, temos um guia completo das nossas viagens nórdicas: Islândia, Finlândia e Noruega: como e onde ver a aurora boreal.
🚗 Aluguel de carro na viagemCarros de aluguel verificados no AlascaPesquise pelo comparador DiscoverCars — compara preços de dezenas de locadoras locais e internacionais, e a maioria das reservas tem cancelamento gratuito.
Comparar preços de carros no Alasca →Perguntas frequentes (FAQ)
Quando é a melhor época para ver a aurora boreal no Alasca?
O auge da temporada vai de dezembro a março, quando as noites são mais longas e o céu está mais limpo. Mas dá para observar desde o final de agosto até meados de abril.
Dá para ver a aurora boreal no verão?
Infelizmente não dá, e eu e meu marido comprovamos isso na prática. Quando chegamos na virada de julho para agosto, estava rolando o chamado sol da meia-noite e o céu nunca escurecia o suficiente para a gente ter qualquer chance de ver a aurora. As tempestades solares acontecem o ano todo, mas sem escuridão você simplesmente não consegue vê-las.
Quanto custa uma viagem para ver a aurora boreal?
É um programa bem caro. Um hotel comum em Fairbanks custa entre 150 e 250 dólares a diária, e os resorts de luxo passam de 400 dólares. Além disso, tem o aluguel de carro que é caro, as passagens aéreas e os preços bem salgados da comida.
Preciso de um guia para observar a aurora?
Não é obrigatório. Se você alugar um carro e sair um pouco da cidade (tipo para Murphy Dome), consegue fazer por conta própria. Mas os guias valem a pena quando está nublado, porque eles sabem fugir das nuvens e conhecem os melhores lugares.
É seguro dirigir no Alasca no inverno?
As estradas são mantidas razoavelmente bem, mas você dirige sobre uma camada de neve e gelo. Se for alugar um carro, certifique-se de que tem pneus de inverno de qualidade. Sempre leve no carro cobertores extras, chá quente e mantenha o tanque cheio.
É melhor ir para Anchorage ou Fairbanks?
Com certeza Fairbanks. Essa cidade fica bem mais ao norte, diretamente sob o chamado oval auroral, e as chances de ver uma aurora boreal nítida são muito maiores do que no sul, em Anchorage.
Preciso de uma câmera profissional?
O ideal é uma DSLR com tripé, mas hoje em dia não é mais uma necessidade absoluta. Os iPhones das séries 14, 15 e 16 têm um modo noturno incrível que, com a ajuda de um tripé de celular baratinho, consegue tirar fotos lindas demais.
