Se você ama o interior francês, a história que respira em cada pedra e a alta gastronomia, então Dijon, na França, vai te conquistar completamente. Esta cidade já foi a sede dos poderosos duques da Borgonha, que, com sua riqueza e influência, deixavam até os próprios reis franceses no chinelo. Hoje é um destino incrivelmente elegante, compacto e tranquilo, que oferece a mistura perfeita de ruelas medievais, museus modernos e o aroma da mostarda mundialmente famosa. Aqui você vai descobrir que a Borgonha está longe de ser só vinhedos infinitos — ela também tem uma arquitetura de tirar o fôlego.
Caminhar pelo centro de Dijon é como uma viagem no tempo, já que o núcleo histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO e está entre os mais bem preservados da França. É fácil se localizar, dá para ir a pé a todos os lugares e, em cada esquina, surge um cafezinho ou uma padaria encantadora. Preparei para você um guia detalhado que vai ajudar a planejar a viagem. Aqui você encontra dicas dos lugares mais interessantes, informações práticas sobre transporte e conselhos sobre onde se hospedar.

Resumo
- Principal ponto de orientação: siga as setas de latão com a corujinha embutidas na calçada, que guiam você por todo o centro histórico sem precisar olhar no mapa.
- Maior monumento: o Palácio dos Duques da Borgonha, que hoje se tornou um dos melhores museus de arte do país.
- O que você precisa fazer: acariciar a corujinha de pedra da igreja Notre-Dame com a mão esquerda, para que ela traga sorte.
- Dica gastronômica: passe nas tradicionais lojas Maille ou Fallot e prove a verdadeira mostarda de Dijon com sabores nada convencionais.
- Passeio ideal: pegue um trem regional e vá até a vizinha cidade de Beaune pela famosa rota dos vinhos Route des Grands Crus.
- Transporte em 2026: se for de carro, não esqueça de providenciar o selo ecológico Crit’Air, sem o qual você não pode entrar na cidade.

Quando ir a Dijon
A melhor época para visitar Dijon e toda a Borgonha é, sem dúvida, a primavera ou o início do outono. Maio e junho oferecem temperaturas agradáveis, ideais para passar o dia inteiro caminhando pela cidade, e a natureza ao redor fica lindamente verde. Já setembro é absolutamente mágico, porque em toda a região começa a vindima e é anunciado o chamado Ban des vendanges, a data oficial do início da colheita. Os dias ainda estão aquecidos pelo sol, há cheiro de mosto fermentando por toda parte e a cidade vive uma atmosfera bem relaxada. No outono, os vinhedos ao redor ainda ganham belíssimos tons dourados e avermelhados.
Se puder, evite viajar em agosto, quando os franceses tiram férias coletivas em massa e as rodovias em direção ao sul vivem os chamados “dias negros”, repletos de filas. Além disso, você logo vai perceber que muitos pequenos negócios familiares, padarias e lojinhas de Dijon simplesmente fecham, porque os donos foram para o litoral. Julho é um pouco melhor, mas é preciso contar que no interior as temperaturas podem subir bastante e as ruas ficam cheias de turistas do mundo todo. Quem chega do Brasil costuma voar até Paris e pegar o trem-bala TGV a partir da estação Gare de Lyon, que leva apenas uma hora e meia até Dijon. Se você optar por alugar um carro na França, fique atento aos pedágios franceses, onde se paga cerca de 9,50 € a cada cem quilômetros, e ao novo sistema Free-Flow em alguns trechos, onde já não há cancelas e o pedágio deve ser pago online em até 72 horas.
Os meses de inverno também têm seu charme, embora o tempo costume ser úmido e frio. Novembro e dezembro atraem principalmente pelos mercados de Natal e pela iluminação festiva, que cai incrivelmente bem aos prédios históricos. Mas tome muito cuidado com a metade de novembro, pois na vizinha Beaune acontece o famoso leilão beneficente de vinhos no histórico hospital Hospices de Beaune. Em 2026, por exemplo, o evento cai em 15 de novembro, dentro do fim de semana chamado Trois Glorieuses. Nessa época, toda a região fica lotada, compradores do mundo inteiro chegam à área e os preços das hospedagens disparam até na própria Dijon. Não importa quando você venha, lembre-se sempre de que o tradicional menu de almoço nos restaurantes franceses é servido estritamente entre meio-dia e duas da tarde, então, se chegar mais tarde, no máximo vai conseguir uma baguete sequinha.

Onde se hospedar em Dijon
💡 Dica de hospedagem e experiências: gostamos de procurar hospedagem no Booking.com, que costuma ter as melhores políticas de cancelamento. Já os ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.
Na hora de escolher a hospedagem, recomendo procurar hotéis direto no centro histórico ou bem perto da estação de trem. Dijon não é nada grande e, se você se hospedar dentro do círculo imaginário formado pelos principais bulevares, não vai precisar usar transporte público. Todas as atrações importantes, restaurantes e o mercado ficarão a uma distância caminhável, o que é uma vantagem enorme depois de uma taça de vinho da Borgonha à noite. Se você viaja sem carro, vai valorizar a proximidade da estação, de onde o trem-bala TGV chega a Paris (Gare de Lyon) em apenas uma hora e meia.
Se for de carro, escolha um hotel com estacionamento próprio, porque vaga na rua é muito cara e complicada. Não esqueça também de que Dijon faz parte da rigorosa zona de baixas emissões ZFE, então, para entrar, você vai precisar obrigatoriamente do selo ecológico francês Crit’Air. Essa exigência vale também para carros alugados, e o selo deve ser pedido online com algumas semanas de antecedência por cerca de cinco euros — caso contrário, você corre o risco de uma multa desagradável de até 375 €.
A forma mais fácil de encontrar uma ótima hospedagem é usar o portal Booking.com, onde você descobre centenas de opções, de palácios luxuosos a apartamentos aconchegantes. Se procura algo realmente especial, dê uma olhada no Grand Hotel La Cloche Dijon. Esse hotel cinco estrelas fica em um lindo prédio histórico bem ao lado do parque Darcy e oferece conforto absoluto, um spa maravilhoso e um serviço impecável, que você vai valorizar depois de um longo dia explorando a cidade.
Para um meio-termo de ótimo custo-benefício, que não custa uma fortuna e oferece excelente qualidade, escolha o popular Hôtel des Ducs. Fica a poucos passos do Palácio dos Duques da Borgonha, os quartos são modernos e a equipe ajuda com prazer nas reservas em estabelecimentos locais. Se você prefere cozinhar por conta própria e ter mais espaço, certamente vai gostar dos apartamentos Aparthotel Adagio Access Dijon République. Ficam a pouca distância do centro histórico, oferecem ótimo custo-benefício e perto deles há uma parada de bonde — um ponto de partida ideal para outros passeios pela cidade.

12 dicas do que ver e fazer em Dijon
Vamos descobrir juntos o que essa cidade ducal tem de mais interessante. De palácios majestosos a ruelas medievais escondidas, passando por experiências gastronômicas que atraem gourmets do mundo todo.

1. Palácio dos Duques da Borgonha
O coração de toda Dijon é o impressionante Palais des Ducs et des États de Bourgogne, que já à primeira vista encanta pela sua enorme dimensão. Esse vasto complexo de edifícios foi outrora o centro de poder dos duques da Borgonha, que nos séculos XIV e XV governaram um território imenso que se estendia até a atual Holanda. Duques como Filipe, o Audaz, ou Carlos, o Temerário, eram muitas vezes mais ricos e influentes do que o próprio monarca francês, algo que fica totalmente evidente na grandiosidade desta construção e de toda a praça vizinha. Eles conseguiram construir um império que ditava o ritmo da política e da arte europeias da época.
Quando estiver na praça em frente ao palácio, repare como diferentes estilos arquitetônicos de épocas completamente distintas se misturam de forma fluida no edifício. As partes góticas mais antigas, como a torre alta e as velhas cozinhas escondidas nos fundos, remontam justamente aos duques mais famosos, enquanto o resto da enorme fachada foi reconstruído em elegante estilo neoclássico alguns séculos depois. Hoje o palácio abriga a prefeitura de Dijon e, sobretudo, um museu de arte incrível, que está entre os mais importantes da França e que você certamente não pode deixar de visitar. Os espaços são realmente enormes e exalam uma história inacreditável, que moldou todo o país.
💡 Dica: passe pelo pátio do palácio também à noite, depois de um bom jantar. O edifício fica lindamente e muito delicadamente iluminado, toda a área transmite uma sensação incrivelmente romântica e tranquila, e você pode aproveitar plenamente a atmosfera da velha Borgonha sem as multidões de turistas.

2. Museu de Belas Artes (Musée des Beaux-Arts)
O museu, escondido bem dentro dos espaços de tirar o fôlego do palácio ducal, passou recentemente por uma ampla e custosa reforma. Hoje está entre as melhores instituições do gênero em toda a França e se compara facilmente às grandes galerias parisienses. Mesmo que você não seja exatamente um apaixonado pelas artes plásticas, este espaço vai te absorver por completo só pela sua arquitetura majestosa. Além disso, a entrada nas exposições permanentes é totalmente gratuita o ano inteiro, o que, nos dias de hoje, em coleções tão importantes e extensas, é um bônus muito agradável e completamente inesperado.
O grande destaque de todo o museu é a enorme sala das guardas, com os monumentais túmulos dos duques da Borgonha, que representam o ápice absoluto da escultura medieval. Os túmulos de Filipe, o Audaz, e de João, o Destemido, são obras-primas sem paralelo na Europa. Ao redor dos próprios sarcófagos, você verá dezenas de pequenas estatuetas de alabastro das carpideiras, esculpidas com detalhes incríveis. Cada uma dessas figuras tem uma expressão facial totalmente diferente e dobras distintas do pesado manto, um espetáculo realmente fascinante diante do qual você fica parado por dezenas de minutos e ainda continua descobrindo novos detalhes.
💡 Dica: reserve pelo menos duas a três horas para a visita ao museu, porque as exposições conduzem você cronologicamente do antigo Egito, passando pela arte medieval, até a pintura moderna do século XX.

3. Place de la Libération
Bem em frente ao palácio ducal estende-se a enorme praça semicircular Place de la Libération, que forma o centro social de toda a cidade. No século XVII, ela foi projetada pelo famoso arquiteto Jules Hardouin-Mansart, ou seja, o mesmo homem que projetou o grandioso palácio de Versalhes para o Rei Sol. A praça foi pensada exatamente para realçar a majestade do palácio e sublinhar o poder absolutista dos governantes da época. Hoje serve como principal ponto de encontro para os moradores locais e para turistas do mundo todo, que vêm aqui buscar um descanso.
Todo esse amplo espaço claro é exclusivo para pedestres e, nos meses de verão, transforma-se em uma única e enorme esplanada pulsante. Dezenas de cafés e restaurantes vizinhos espalham suas mesinhas e você pode saborear um ótimo café ou uma taça gelada de vinho da Borgonha à tarde, com vista para as fontes jorrando. Com o vinho, peça sem dúvida uma tábua com uma seleção de queijos locais das montanhas vizinhas do Jura — para os vegetarianos, é um verdadeiro paraíso gastronômico. Mas lembre-se de que, se quiser um almoço quente, precisa fazê-lo dentro da rígida janela entre meio-dia e duas da tarde, porque depois disso os cozinheiros franceses não preparam mais nada.
💡 Dica: se você viaja a Dijon com crianças, os jatos d’água embutidos na calçada clara da praça vão entretê-las garantidamente por bastante tempo nos dias quentes de verão, enquanto você descansa tranquilamente à mesa.

4. Trilha das corujinhas (Parcours de la chouette)
Dijon inventou uma maneira genial de guiar os turistas pela cidade, para que não percam nenhum monumento importante e, ao mesmo tempo, não se percam no emaranhado de ruas antigas. Você não precisa ficar olhando o tempo todo o mapa no celular nem decifrar um guia de papel gordo — basta acompanhar atentamente os triângulos de latão com o símbolo da corujinha, embutidos direto na calçada histórica. Essa trilha inteligentemente sinalizada conduz você com total segurança por todas as ruelas sinuosas e pelas pracinhas escondidas, que de outra forma você provavelmente passaria sem notar.
Todo o percurso básico está logicamente dividido em 22 paradas principais e leva cerca de uma hora e meia de caminhada tranquila. Em cada ponto histórico importante, seja uma igreja antiga ou um palácio relevante, você encontra um quadrado maior de latão com um número, onde pode parar e descobrir mais informações. É uma forma extremamente divertida e leve de conhecer a cidade, que lembra um pouco uma caça ao tesouro infantil e diverte os adultos tanto quanto os pequenos viajantes 😅. A coruja é, há séculos, o símbolo oficial da cidade e se tornou seu mascote não oficial.
💡 Dica: no centro de informações turísticas você pode comprar, por alguns euros, um pequeno folheto em inglês que revela detalhes históricos muito interessantes sobre cada parada. Ou então baixe o aplicativo oficial de áudio no celular e ouça as explicações cativantes enquanto caminha.

5. Igreja Notre-Dame e a corujinha da sorte
Uma das paradas mais importantes da trilha mencionada é a majestosa igreja Notre-Dame, considerada com razão pelos especialistas como uma absoluta obra-prima do gótico borgonhês do século XIII. Sua fachada principal é totalmente única, pois é decorada por três fileiras de misteriosas gárgulas falsas, que olham você lá do alto e dão à construção um toque um tanto assustador e místico. No telhado da igreja reina o famoso relógio Jacquemart, com figuras mecânicas, que o duque Filipe, o Audaz, deu à cidade em 1382 como valioso espólio de guerra das conquistadas Flandres.
Mas o mais importante para muitos visitantes está do lado de fora, na parede norte da igreja, bem na estreita ruela calçada Rue de la Chouette. Ali você encontra uma pequena corujinha esculpida na pedra, para onde acorrem multidões de pessoas. Ao longo dos séculos, ela ficou completamente lisa pelas mãos dos transeuntes, perdeu seus traços originais de ave e parece mais uma pedra polida. Reza a lenda que, se você acariciá-la com a mão esquerda, ou seja, a mais próxima do coração, e fizer um pedido sincero, seu desejo secreto certamente se realizará.
💡 Dica: tome muito cuidado para não ter na mão direita o celular, a câmera ou uma bolsa pesada ao acariciar a corujinha. Segundo as crenças locais, você acabaria passando a sorte apenas a esses objetos inanimados, e não a si mesmo!

6. Bairro das casas enxaimel e a Rue des Forges
Logo atrás da abside da igreja Notre-Dame fica a parte mais pitoresca e fotogênica de Dijon, onde a atmosfera autêntica do fim da Idade Média te envolve na hora. Ruelas estreitas como a Rue Verrerie ou a Rue des Forges estão cheias de antigas casas enxaimel com vigas de madeira tortas, que muitas vezes remontam ao agitado século XV. Esses edifícios parecem ter saído de um filme histórico, e suas fachadas coloridas formam o cenário perfeito para passeios ao entardecer.
Nessas ruelas calçadas você encontra as melhores lojinhas, antiquários e ateliês artesanais tradicionais, onde pode comprar suvenires locais originais. Durante o passeio, não esqueça de erguer a cabeça e observar os detalhes cuidadosos nas fachadas das casas. Muitas delas têm portais de madeira lindamente entalhados, cheios de motivos florais, ou pequenos pátios internos escondidos, que às vezes dá para espiar discretamente pelos pesados portões de carvalho entreabertos.
💡 Dica: na Rue des Forges fica o Hôtel Chambellan, um deslumbrante palácio urbano antigo que pertenceu a uma rica família de comerciantes. Seu pátio interno esconde uma linda escada de pedra em caracol, com abóbada que lembra uma palmeira florida. A entrada no pátio é gratuita para o público.

7. Mercado Les Halles
Se você quer viver o verdadeiro cotidiano dos franceses e sentir o aroma dos melhores ingredientes locais, precisa ir logo de manhã ao mercado central Les Halles. Esse edifício enorme e arejado, de vidro e ferro fundido, provavelmente vai te lembrar a típica arquitetura parisiense do fim do século XIX, e essa impressão é totalmente justificada. Afinal, a empresa do famoso engenheiro Gustave Eiffel participou do projeto — ele, por coincidência, nasceu justamente em Dijon e deixou aqui sua marca indelével.
O mercado é um paraíso absoluto para todos os amantes da boa comida e dos ingredientes honestos. Você encontra dezenas de barracas cuidadosamente arrumadas, com legumes locais, baguetes crocantes recém-assadas e, sobretudo, uma quantidade infinita de queijos de dar água na boca. Como vegetariana, posso garantir que a produção local de queijos é o auge absoluto. Compre sem falta o queijo duro e curado Comté, que vem das montanhas vizinhas do Jura, ou o famoso e cremoso Époisses, de aroma inconfundível. Acrescente os tradicionais pãezinhos de queijo gougères, feitos de massa choux, e o piquenique perfeito no parque está garantido.
💡 Dica: o mercado funciona a pleno vapor apenas às terças, quintas, sextas e nas manhãs de sábado. Vá idealmente por volta das nove da manhã, quando as bancadas ainda estão cheias, os comerciantes estão de bom humor e a atmosfera geral é a mais animada possível.

8. Mostarda e as lojas Maille ou Fallot
Estar em Dijon e não provar a mostarda local seria um enorme pecado culinário, que os franceses não te perdoariam. Curioso para muitos é saber que o termo “mostarda de Dijon” hoje não designa uma denominação de origem protegida, mas sim uma receita tradicional, em que, no lugar do vinagre comum, se usa o suco de uvas verdes, o chamado verjus, ou um bom vinho branco. Ainda assim, Dijon continua sendo a indiscutível capital dessa iguaria picante, que conquistou o mundo.
Bem no centro, na Rue de la Liberté, você encontra a histórica loja da famosa marca Maille, que está aqui sem interrupção desde 1747. Ali você pode tirar mostarda fresca direto de elegantes torneiras de cerâmica, em lindos potes de barro. Mas uma experiência ainda mais autêntica é oferecida pela loja Moutarderie Fallot, atrás da igreja Notre-Dame. Trata-se de uma das últimas produções tradicionais de toda a Borgonha, onde, no processamento das sementes de mostarda, ainda usam velhos moinhos de pedra. A mostarda deles com estragão, nozes ou cassis local vai mudar completamente sua visão sobre tudo o que dá para colocar em um molho de salada de verão.
💡 Dica: na loja Fallot você pode até marcar uma degustação especial no chamado bar de mostardas, onde vendedores experientes apresentam os diferentes tipos e sabores incomuns. Reserve essa experiência alguns dias antes, online — costuma haver muita procura.
9. Torre de Filipe, o Bom (Tour Philippe le Bon)
Se você não tem medo de altura, não sofre de vertigem e aguenta um pouco de esforço físico, inclua sem falta no seu roteiro a subida à Torre de Filipe, o Bom. Essa grandiosa torre medieval de 46 metros de altura ergue-se bem acima do palácio ducal e simboliza o poder dos antigos governantes da Borgonha. Hoje oferece a melhor vista panorâmica de todo o centro histórico da cidade, de suas ruelas sinuosas e dos arredores cheios de verde.
Não há nenhum elevador confortável que leve ao topo, então te esperam honestos 316 degraus de pedra em caracol, mas esse esforço inicial vale totalmente a pena. Do terraço mirante no topo, você verá não só um deslumbrante mar de telhados borgonheses coloridos e todas as igrejas góticas da cidade, mas, em dias claros, vai enxergar até as encostas verdes dos vinhedos vizinhos. À distância, com boa visibilidade, dá para até avistar os contornos escuros das montanhas arborizadas do Jura e até os picos nevados dos Alpes longínquos — uma vista que você não esquece tão cedo.
💡 Dica: a subida à torre só é possível, por motivos de segurança, com guia, em grupos organizados, e o número de vagas é bastante limitado. Por isso, compre os ingressos logo de manhã no centro turístico ou garanta-os comodamente online por plataformas como o GetYourGuide.

10. Jardim botânico e o Parc de l’Arquebuse
Quando, depois de um dia puxado, você quiser descansar um pouco das ruas calçadas escaldantes e das visitas a prédios históricos, vá em direção à borda oeste do centro, rumo à estação de trem. É que ali você encontra o belo e amplo complexo do Parc de l’Arquebuse, que abriga um jardim botânico cuidadosamente mantido, um arboreto riquíssimo e também um museu de história natural muito interessante, que encanta não só as crianças.
Esse parque é um verdadeiro oásis verde de tranquilidade e um lugar absolutamente ideal para relaxar à tarde. Você pode simplesmente passear devagar entre centenas de espécies de flores em botão, sentar num banco com um bom livro ou admirar árvores centenárias imponentes. No jardim ainda corre um pequeno riacho e há vários bancos estrategicamente escondidos na sombra profunda. Isso é especialmente valioso durante os meses quentes de verão, quando as temperaturas no centro da cidade costumam subir bastante e você procura um cantinho fresco para se refugiar.
💡 Dica: passe também pelo parque menor vizinho, o Darcy, perto da praça de mesmo nome. Logo na entrada, você é recebido pela icônica escultura de um urso polar em tamanho real, criada pelo famoso escultor François Pompon, que se tornou um dos símbolos modernos e muito queridos da cidade.

11. Cité Internationale de la Gastronomie et du Vin
Em 2022, Dijon ganhou uma enorme atração nova, que celebra em grande estilo o melhor da arte francesa de viver e saborear a comida em goles cheios. A Cité Internationale de la Gastronomie et du Vin é um enorme complexo moderno construído nos espaços delicadamente reformados de um antigo hospital histórico, o que lhe confere um genius loci incrível. Todo esse ambicioso projeto é totalmente dedicado à refeição gastronômica francesa, que, aliás, está inscrita na lista do patrimônio imaterial mundial da UNESCO, e, claro, também aos famosos vinhos da Borgonha.
Aqui você encontra belas exposições interativas sobre a história da comida, uma escola culinária profissional, restaurantes de ponta e uma fantástica enoteca moderna. Nas vastas adegas, você pode comprar um cartão especial de degustação, carregá-lo com qualquer valor e depois, com a própria taça, circular pelas máquinas inteligentes que servem amostras dos melhores vinhos da Borgonha. É uma experiência incrivelmente divertida e instrutiva, mesmo para quem ainda não entende muito do complexo mundo do vinho e está só começando a descobri-lo.
💡 Dica: o complexo inclui também a chamada Vila Gastronômica, uma série de lojinhas luxuosas voltadas estritamente a ingredientes locais de alta qualidade. Você encontra ali os melhores queijos franceses da região, pães artesanais excelentes, especiarias aromáticas e chocolaterias incríveis, onde dá para comprar ótimos presentes comestíveis para levar para casa.

12. Passeios pela Route des Grands Crus
Dijon é a porta norte simbólica para uma das rotas de vinho mais famosas do mundo inteiro, a Route des Grands Crus. Esse percurso prestigiado mede cerca de 60 quilômetros, estende-se para o sul e atravessa um total de 37 pitorescas aldeias vinícolas, que formam o coração de toda a região. É justamente aqui, numa estreita faixa de encostas calcárias, que nascem os vinhos mais caros e raros do planeta, principalmente a partir de duas variedades principais: o Pinot Noir tinto e o Chardonnay branco.
Mesmo que você não chegue à França de carro próprio, o passeio por essa rota famosa é muito fácil e surpreendentemente barato. Da estação de Dijon saem trens regionais TER, regulares e confortáveis, que levam você ao coração da vinicultura borgonhesa, a vizinha cidade de Beaune, em apenas vinte minutos, e o bilhete custa cerca de oito euros. Em Beaune, você pode admirar o famoso hospital medieval Hospices de Beaune, do século XV, com seu icônico telhado vidrado colorido, as camas com dossel vermelho e o magistral políptico do Juízo Final, de Rogier van der Weyden.
💡 Dica: se você quer sentir os vinhedos infinitos bem de perto, alugue uma bicicleta em Beaune ou em Dijon e siga pela ciclovia Voie des Vignes. Ela serpenteia por mais de 23 quilômetros bem entre as fileiras de videiras e os velhos muros de pedra — é uma experiência absolutamente inesquecível.
Para onde ir a partir de Dijon
Se você tem mais tempo na região, não fique só na cidade. A Borgonha oferece muito mais e seria uma grande pena não explorar os arredores.
- Leia nosso abrangente guia da Borgonha, onde descrevemos em detalhe outras belas cidades, como Vézelay, com sua deslumbrante basílica românica inscrita na UNESCO, ou os vestígios da famosa abadia de Cluny.
- Você se interessa mais por vinho e gostaria de percorrer toda a região de carro? Dê uma olhada no nosso road trip pelos vinhedos, onde você descobre como planejar a melhor rota pelos vinhedos e onde vale a pena parar para uma degustação.
- Vá um pouco mais a leste, às montanhas mais selvagens do Jura, que os turistas ainda não descobriram. Lá você prova o vinho amarelo absolutamente único, o vin jaune, e, na charmosa cidadezinha de Arbois, o acompanha com o melhor queijo Comté.
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Como chegar melhor em Dijon?
Se você não está indo de carro próprio, a melhor opção é o trem de alta velocidade TGV saindo de Paris. A viagem da estação Gare de Lyon em Paris leva apenas uma hora e meia. Compre as passagens com bastante antecedência, tranquilamente até dois meses antes, porque funcionam de forma parecida com passagens aéreas e podem ficar extremamente caras perto da data de partida. De Dijon você pode se deslocar facilmente com os trens regionais TER para as cidades vizinhas, por exemplo, você chega em Beaune em vinte minutos.
Vou precisar de uma etiqueta ecológica para entrar de carro em 2026?
Sim, com certeza! A França está implementando totalmente as zonas de baixa emissão (ZFE) e Dijon está incluída nesse sistema rigoroso. Você precisa do chamado adesivo Crit’Air, que vale também para carros brasileiros. Custa cerca de 5,11 euros e você deve solicitar online com bastante antecedência, de algumas semanas. Sem ele, você pode levar uma multa bem alta, que pode chegar até 375 euros.
Quantos dias eu preciso para conhecer a cidade?
Para o próprio centro histórico de Dijon, percorrer a trilha das corujinhas e visitar os museus, dois dias inteiros serão suficientes com tranquilidade. Mas se você planeja fazer passeios pelos arredores, andar de bicicleta pela rota vinícola Route des Grands Crus ou pegar o trem até a histórica Beaune, recomendo reservar de três a quatro dias para toda a região.
Onde estacionar melhor no centro?
Estacionar diretamente nas ruas da cidade velha é complicado, a maioria das vagas é reservada para residentes ou o estacionamento é muito caro. Recomendo usar garagens subterrâneas, como o Parking Darcy ou Parking Trémouille, que ficam na borda da zona de pedestres. São totalmente seguros e dali você chega ao centro em confortáveis cinco minutos a pé.
O que os vegetarianos vão adorar em Dijon?
A Borgonha é famosa pela carne bovina, mas você definitivamente não vai sofrer aqui sem carne. Uma especialidade local incrível são os chamados gougères, que são pequenos pães extremamente aerados feitos de massa choux recheados com queijo Gruyère ou Comté. Acompanhe com uma baguete fresca e crocante, queijos locais maturados como Époisses e, é claro, qualquer coisa com a autêntica mostarda Dijon.
A trilha das corujas é paga?
As próprias setas de bronze incrustadas no calçamento das ruas são, é claro, gratuitas e você pode segui-las livremente sem nenhum custo. Mas se você quiser saber exatamente o que está vendo e qual é a história do local, vai pagar alguns euros por um guia em papel bem legal no centro de informações turísticas ou pelo download do aplicativo de áudio oficial no seu smartphone.
Vale a pena comprar mostarda direto em Dijon?
Com certeza! Embora você possa comprar mostarda Dijon comum em qualquer supermercado aqui, nas tradicionais boutiques dijonnaises Fallot ou Maille você encontrará sabores que não são exportados para lugar nenhum, como por exemplo com estragão, nozes ou groselha preta. Além disso, a mostarda fresca extraída de antigos moinhos de pedra tem um sabor muito mais intenso e complexo do que a produzida industrialmente.
