As Dolomitas na Itália são um paraíso para quem ama montanhas, mas se você quer viver algo verdadeiramente inesquecível, precisa experimentar as via ferratas. São trilhas equipadas com cabos de aço, grampos de ferro e escadas que te levam a lugares onde normalmente só chegaria com anos de experiência em alpinismo e equipamento profissional.
Vou te contar um pouco do que te espera: cinco trilhas com aquela dose certa de adrenalina, o equipamento sem o qual você não deve nem pensar em sair, e uma dica de onde tomar uma cerveja gelada depois da subida.

Resumo
Se você está com pressa e precisa só de um panorama rápido antes da viagem, aqui estão os pontos mais importantes. Salva esse resumo no celular para ter sempre à mão:
- O que é via ferrata: Literalmente “caminho de ferro” em italiano, é uma trilha de montanha equipada permanentemente com cabos de aço, grampos e escadas. Foi inventada exatamente nas Dolomitas durante a Primeira Guerra Mundial.
- Classificação de dificuldade: Na Itália, usa-se letras de A (fácil) a D (extremamente difícil). Para iniciantes absolutos, o ideal é escolher trilhas A ou B.
- Equipamento obrigatório: Nunca saia sem capacete, cadeirinha de escalada e kit de via ferrata certificado (absorvedor de impacto). Você pode alugar tudo facilmente no local.
- Melhor época para visitar: De julho a setembro. Saia sempre de manhã cedo — as tempestades da tarde são mortalmente perigosas nos cabos de metal (regra: esteja de volta ao vale antes das 13h).
- Base de operações: Cortina d’Ampezzo é nossa base favorita e provavelmente o ponto de partida mais cômodo para a maioria das trilhas famosas.
- Guia: Para a primeira experiência ou em trilhas mais difíceis (C), vale muito a pena contratar um guia certificado IFMGA. A tranquilidade que isso traz não tem preço.
O que é via ferrata e como surgiu?
Talvez você já tenha ouvido esse termo, mas o que ele significa na prática? Via ferrata, que em italiano significa “caminho de ferro”, é uma trilha de montanha equipada permanentemente com cabos de aço, degraus de ferro, escadas e até pontes suspensas. Isso significa que você pode se mover com segurança em terrenos muito íngremes — até verticais — onde normalmente só alpinistas experientes com cordas e equipamento próprio se aventurariam. Você simplesmente conecta os mosquetões ao cabo que já está fixado na rocha e vai subindo.
O curioso é que a via ferrata é uma invenção que nasceu exatamente nas Dolomitas. Durante a Primeira Guerra Mundial, combates brutais entre o exército italiano e o austro-húngaro aconteceram em altitudes elevadíssimas. Os soldados precisavam deslocar homens, armas e mantimentos com segurança e rapidez pelos cumes íngremes, então começaram a perfurar as rochas com grampos de ferro e instalar cabos. Nas antigas trilhas, às vezes parávamos por meia hora só imaginando como aqueles homens conseguiram sobreviver há mais de cem anos nessas condições, com equipamento pesado e no frio intenso. Dá uma sensação estranha de inadequação quando você está lá com um tênis leve e um mosquetão moderno. Hoje, as Dolomitas têm a rede de via ferratas mais densa de toda a Europa, e muitas delas passam por antigos bunkers e túneis escavados diretamente na rocha — a atmosfera arrepia a espinha de verdade.
O nível de dificuldade: classificação italiana das via ferratas
Na hora de escolher sua primeira trilha, a coisa mais importante a observar é a dificuldade. As Dolomitas na Itália usam uma classificação própria, marcada com letras de A a D ou números de 1 a 5 (onde 1 é o mais fácil). A classificação por letras é muito mais comum na prática. Como iniciante absoluto, comece estritamente nas categorias A e B — e pode acreditar, não tem nenhuma vergonha nisso, muito pelo contrário.
- A (Fácil): Basicamente é uma trilha de trekking em terreno mais inclinado, equipada com cabo para segurança. Muitas vezes nem precisa se agarrar ao cabo — ele serve mais para dar confiança. Ideal para o primeiro contato com o equipamento, ou quando você vai com crianças maiores e quer experimentar sem estresse.
- B (Moderado): Aqui você já encontra trechos mais íngremes e rochosos. O cabo será usado ativamente para progredir, você vai suar um pouco, mas qualquer pessoa com uma boa condição física consegue completar.
- C (Difícil): Paredes verticais, trechos com saída negativa, seções onde você precisa ter força nos braços e saber trabalhar o centro de gravidade. Para iniciantes, essa dificuldade só é adequada com um guia de montanha experiente — do contrário, pode virar uma experiência bem assustadora.
- D (Extremamente difícil): Exige excelente condição física e experiência prévia. Longos trechos em negativo onde você se segura só pela força dos braços. Nada para novatos — essas trilhas ficam reservadas para os alpinistas mais experientes.
Equipamento obrigatório para via ferrata (e onde alugar)
Quem pesquisa sobre via ferrata nas Dolomitas muitas vezes lê que pode trazer o próprio equipamento, mas felizmente isso não é obrigatório. Se você veio de avião ou não quer comprar equipamento caro para uma única experiência, tudo pode ser alugado sem problema. Sabe como é — carregar uma mala enorme de equipamento não é nada prático, então as locadoras são uma mão na roda.
Se não tiver seu próprio equipamento, você consegue alugá-lo em praticamente qualquer cidadezinha de montanha. Em Cortina d’Ampezzo, por exemplo, há diversas locadoras (como a Snow Service ou os escritórios locais de guias de montanha) onde um kit completo de via ferrata sai por volta de 30 a 50 EUR por dia. A equipe ajusta tudo no seu tamanho, então não precisa se preocupar em fazer algo errado.
O que você precisa ter e levar:
- Capacete de escalada: Nunca, mas nunca mesmo, faça uma via ferrata sem capacete. O perigo maior não é bater a cabeça na rocha, mas sim as pedras que as pessoas acima de você podem soltar sem querer.
- Cadeirinha de escalada (harness): Precisa encaixar perfeitamente — sem apertar, mas também sem folgar.
- Kit de via ferrata com absorvedor de impacto (Y-lanyard): Um set especial com duas fitas elásticas, mosquetões e um absorvedor de impacto. Por favor, não tente fazer via ferrata com fitas de escalada comuns. Em caso de queda, o resultado seria catastrófico (o absorvedor existe justamente para dissipar a enorme energia do impacto).
- Luvas para via ferrata: Os cabos de aço são ásperos e às vezes têm arame solto — depois de duas horas de escalada sem luvas, suas mãos estariam cheias de bolhas. Luvas de couro reforçado ou de ciclismo com os dedos cortados já funcionam, embora as luvas específicas para via ferrata sejam as melhores.
- Botas firmes: Deixe o tênis no hotel. Você precisa de botas de trekking de qualidade, de preferência com biqueira mais rígida (a chamada climbing zone), para conseguir se equilibrar com segurança nos pequenos ressaltos da rocha.
- Água e kit de primeiros socorros: Não esqueça de levar líquidos suficientes. O sol bate forte nas rochas e a gente sempre leva pelo menos dois litros de água por pessoa. Um pequeno kit de primeiros socorros com curativos também é útil, porque mesmo com as melhores luvas, uma bolha ou outra acaba aparecendo.
Quando ir às Dolomitas e o que observar
A temporada para via ferratas nas Dolomitas é bastante curta. No inverno, as trilhas ficam cobertas de neve e gelo, então a janela ideal de visita vai de julho até o final de setembro. No outono o frio aumenta, mas os dias podem ser lindíssimos e, de bônus, você não vai encontrar fila nos cabos.
O grande vilão nas via ferratas, porém, é o tempo. Ficar pendurado em um cabo de aço que vai direto ao topo de uma montanha durante uma tempestade de verão é provavelmente a pior ideia do mundo, porque os cabos funcionam como um gigantesco para-raios. A regra de ouro nos Alpes é: às 13h você já deve estar tomando uma cerveja num refúgio de montanha ou de volta ao vale. As tempestades convectivas da tarde se formam muito rapidamente, então saia sempre de manhã cedo — às 7h ou 8h tranquilamente. Quando fomos às Dolomitas pela primeira vez, o Lukáš precisou me tirar da cama às 5h da manhã, o que eu pessoalmente detesto. Mas quando vimos as nuvens carregadas se formando sobre os picos ao meio-dia, reconheci que ele tinha razão. Acordar cedo aqui é realmente questão de sobrevivência. Por segurança, não esqueça de contratar um bom seguro viagem que cubra esportes de montanha. Para viagens mais curtas, recomendamos checar as opções disponíveis; para viagens mais longas ou esportes específicos, o SafetyWing é uma boa pedida.
5 melhores via ferratas nas Dolomitas para iniciantes
Essas trilhas são clássicos consagrados para iniciantes — verificamos cada uma delas com escaladores experientes e guias de montanha de confiança. Escolhemos deliberadamente trilhas que te dão confiança sem tirar o respeito saudável pela montanha (essa é a sensação certa 😉). Mas sempre avalie suas forças com honestidade, e se tiver qualquer dúvida, contrate um guia.
1. Sentiero Bonacossa (Dificuldade A)

Se você está começando nas via ferratas e não tem certeza se tem vertigem ou se vai curtir a experiência, o Sentiero Bonacossa é a escolha perfeita. É mais uma trilha de alta montanha deslumbrante, equipada com cabo nos trechos mais íngremes para apoio.
A trilha começa perto das famosas Tre Cime e segue pelos cumes em direção ao Rifugio Bossi. Não há paredes verticais nem trechos de força aqui — você vai se encantar com as vistas incríveis dos picos recortados e vai desfrutar da sensação de estar bem alto nas montanhas. Lembro da primeira vez que fiquei parada lá olhando para o vale — foi simplesmente mágico. O passeio inteiro dura de 1 a 2 horas, então você nem chega a se cansar de verdade.
2. Cesare Piazzetta no Sass Pordoi (Clássico A/B)

O maciço Sella e o incrível cume Sass Pordoi oferecem ótimas opções para escaladores iniciantes. A trilha Cesare Piazzetta, na sua variante mais simples para começantes, tem uma agradável dificuldade A/B. O ponto de partida é acessível e a trilha é traçada de forma muito lógica ao longo dos blocos rochosos.
O percurso leva cerca de 2 a 3 horas e oferece vistas verdadeiramente deslumbrantes das cadeias de montanhas ao redor. É o tipo de via ferrata onde você já precisa usar pernas e braços juntos, mas ainda se sente completamente seguro. Aquela sensação de chegar ao topo e tirar o capacete não tem preço. E de bônus, lá em cima você pode se recompensar com um excelente espresso italiano com vista para todo o grupo Sella — simplesmente incrível.
3. Innerkofler-De Luca perto das Tre Cime (Dificuldade C: com guia)

Embora esta via ferrata tenha dificuldade C, é incrivelmente popular até entre iniciantes mais atléticos — mas recomendamos fortemente fazê-la pela primeira vez com um guia certificado. Fica bem no Monte Paterno, que fica ao lado das icônicas Tre Cime di Lavaredo, então as vistas são dignas de postal.
A trilha é fascinante principalmente por sua história: passa por longos túneis de guerra escavados na rocha durante a Primeira Guerra Mundial, então não esqueça de levar uma lanterna de cabeça. Quando as luzes se apagam nesses corredores escuros, já é uma experiência adrenalínica por si só. A escalada em si dura cerca de 4 a 5 horas, e o guia vai te ajudar nos trechos mais difíceis e dar segurança, porque o abismo lá embaixo é bastante expressivo 😅.
4. Ferrata delle Trincee na Marmolada (Dificuldade B/C)

Já que você estará nas Dolomitas, não dá para perder a rainha dessas montanhas: a Marmolada. Logo em frente ao seu majestoso glaciar se ergue a crista do Padon, por onde passa a incrível trilha histórica Ferrata delle Trincee. A dificuldade B/C significa que você vai suar um pouco, mas na maior parte é uma escalada fluida em rocha movimentada.
Essa trilha, como o nome já diz (Trincee significa trincheiras), é completamente impregnada de história da Primeira Guerra Mundial. Você vai caminhar ao longo de antigas troneiras, bunkers e trincheiras. É incrível ver com os próprios olhos onde os soldados se escondiam e sentir o peso da história que emana dessas rochas. As vistas para o pico mais alto das Dolomitas coberto de gelo são tão impressionantes que você vai ter que parar a cada momento para fotografar. O circuito completo leva cerca de 2 a 3 horas de escalada, mais um tempo para chegada e descida.
5. Ferrata Possnecker no Sassolungo (Dificuldade B/C)

A última dica é um clássico absoluto na região do maciço Sassolungo. A Possnecker é uma das via ferratas mais antigas das Dolomitas, uma linha histórica e bonita que aproveita de forma muito inteligente as fissuras naturais e chaminés da rocha. Mesmo com classificação B/C, não há trechos absurdamente difíceis em negativo — é mais uma escalada técnica e inteligente.
Percorre um terreno de calcário deslumbrante, alternando trechos no cabo de aço com caminhada em cornijas, então o ideal é sair bem cedo para ter tempo de sobra para a descida tranquila. E mesmo sendo iniciante, você vai se sentir um alpinista de verdade. Foi exatamente nessa trilha que me ocorreu pela primeira vez que eu e o Lukáš poderíamos nos dedicar a isso com regularidade, porque o contato com a rocha aqui é simplesmente mágico.
Com guia ou por conta própria?
Essa é a dúvida de muitos iniciantes. Se você está pensando em fazer uma via ferrata nas Dolomitas de forma independente, precisa ser muito responsável nessa decisão. Para trilhas muito simples (A ou A/B), se você não tem vertigem, tem boa condição física e sabe manipular mosquetões com segurança, pode ir sozinho. Mas sempre garanta que alguém no grupo saiba ao menos o básico do que está fazendo.
Por outro lado, para trilhas de dificuldade C, ou se você simplesmente não está seguro, recomendamos contratar um guia de montanha certificado IFMGA. Esses profissionais conhecem as montanhas locais como a palma da mão. Eles sabem como evitar as multidões, vão te ajudar com a técnica e ainda contam histórias que te arrepiam. Contratar um guia sai em torno de 200 a 300 EUR por dia para um grupo pequeno — dividido entre amigos, vale muito a pena.
Onde se hospedar (melhor base para as via ferratas)
Se você quer ter as melhores via ferratas e passeios ao alcance das mãos, recomendamos a charmosa cidadezinha de Cortina d’Ampezzo como base principal. Cortina fica no coração dos picos mais bonitos das Dolomitas na Itália e de lá você chega de carro até a maioria das trilhas populares em poucos minutos.
É um resort um pouco mais luxuoso (os preços por um quarto decente na alta temporada ficam em torno de 150 a 250 EUR por noite para dois), mas a localização compensa com juros. Você encontra locadoras de equipamento na cidade e, de bônus, à noite dá para sentar nas varandas com um Aperol Spritz e observar os outros turistas também mancando das montanhas. Solidariedade 😁. Se você quer um lugar com estilo, o tradicional Hotel de la Poste bem no centro é incrível. Mas quando queremos economizar e ter as montanhas logo ali na porta, optamos pelo simpático Hotel Passo Tre Croci, um pouco acima da cidade, a literalmente poucos minutos dos pontos de partida das via ferratas.
Onde comer bem nas Dolomitas
Já que falei tanto de hospedagem e passeios, não posso deixar de mencionar o que é mais importante de tudo: a comida. O Lukáš e eu raramente chegamos de um dia inteiro nas rochas sem uma fome de lobo absoluta. E as montanhas italianas são o melhor lugar do mundo para matar essa fome.
Bem em Cortina d’Ampezzo, temos um favorito especial para onde voltamos sempre: o Ristorante Pizzeria Croda Cafe. Eles fazem uma pizza de massa fininha simplesmente divina, e quando chegamos lá ainda de bota de trekking depois da descida, ninguém nos olha torto. É sempre agitado, animado, e os preços são bastante razoáveis para o padrão da sofisticada Cortina.
Se quiser se recompensar de verdade e provar algo mais local e artesanal, faça uma reserva no El Brite de Larieto. É uma fazenda e restaurante de montanha incrível perto de Cortina, onde eles produzem os próprios queijos e embutidos. Uma tábua de queijos artesanais com uma taça de vinho local ao pôr do sol é a razão perfeita para continuar escalando essas montanhas. 😁
Treinamento antes da viagem: o que praticar no Brasil
Antes de partir para a Itália e enfrentar as grandes paredes, é muito inteligente experimentar o equipamento em um lugar mais tranquilo. Descobrir que você tem medo de altura a dez metros do chão no Brasil é bem melhor do que perceber isso a duzentos metros acima de um abismo italiano 😁. Se familiarizar com os cabos sem pressão e sem audiência sempre vale a pena.
No Brasil, há algumas boas opções para praticar escalada e se acostumar com o equipamento antes da viagem. A Serra da Mantiqueira, a Pedra do Baú em São Bento do Sapucaí e as vias equipadas na região serrana do Rio de Janeiro são ótimos pontos de partida. Muitas escolinhas de escalada no Brasil oferecem cursos de introdução à via ferrata e ao rapel, onde você pode aprender a manusear os mosquetões, o Y-lanyard e a cadeirinha com calma e segurança, antes de enfrentar as Dolomitas de verdade.
O que fazer na região quando não está escalando
Claro que você não pode passar as férias inteiras pendurado em cabos — as mãos e as pernas precisam de descanso. A Itália, além das montanhas, é feita de comida e prazeres, e nas Dolomitas a gente sempre aproveita para curtir ao máximo.
Depois de um dia intenso nas rochas, você vai descobrir que a cozinha do Tirol do Sul é um verdadeiro milagre. A leveza italiana somada à contundência austríaca significa que você vai comer três vezes mais do que planejou — e ainda vai achar que merecia. Você vai se apaixonar pelos canederli (bolinhos de pão), pela polenta cremosa com carne e pelo delicioso strudel de maçã. E à noite, para relaxar os músculos, um bombardino ou um Aperol Spritz na varanda é altamente recomendado. A maioria dos hotéis melhores de Cortina também oferece spas e saunas incríveis, que é exatamente o que seu corpo precisa depois de um dia inteiro na montanha.
Além da comida, a gente também curte um pouco de história e passeios relaxantes. As Dolomitas são pontilhadas de lindos lagosinhos de montanha, como o icônico Lago di Braies, para onde dá para ir de carro e simplesmente contemplar quando as mãos ainda estão cansadas do dia anterior. Você pode alugar um barquinho e ter uma tarde completamente romântica. Ah, e mais uma coisa: se você curte gravar vídeos com drone, é melhor deixar em casa. Na maioria dos parques nacionais das Dolomitas, voar com drones é estritamente proibido e as multas são bem salgadas 😅.
Veja também
- Leia nosso artigo completo O que fazer nas Dolomitas para os passeios mais bonitos sem precisar de cabo.
- Procurando um ótimo lugar para dormir? Confira nosso artigo Cortina d’Ampezzo: Guia completo e nossa base nas Dolomitas.
- Para trekking clássico, não perca as icônicas Tre Cime di Lavaredo.
Dicas práticas antes da viagem
Toda viagem para as montanhas exige um pouco daquele planejamento chato feito em casa. Depois de muitas viagens, desenvolvemos um sistema que economiza não só o estresse, mas também bastante dinheiro. Vou compartilhar algumas das nossas dicas pessoais que mais funcionaram nas viagens para a Itália.
Como chegar e alugar carro
A maioria dos brasileiros chega às Dolomitas voando para Milão (Malpensa ou Linate), Veneza (Marco Polo) ou Verona — e de lá, a melhor opção é alugar um carro. Isso te dá total flexibilidade para chegar aos pontos de partida das trilhas, que muitas vezes ficam em estradas de montanha com transporte público limitado. Para aluguel de carro, usamos sempre o DiscoverCars, que compara as melhores ofertas e já nos salvou em muitas ocasiões.
Para encontrar as passagens aéreas mais baratas do Brasil para a Itália, pesquise no Kiwi. É o nosso portal favorito para comparar todas as conexões e combinações possíveis — e quase sempre encontra as melhores opções. Voo + carro alugado no aeroporto é a combinação perfeita para ter total liberdade nas montanhas sem depender do transporte italiano, que costuma ser bem esparso nessa região.
Não esqueça de uma internet confiável
Mesmo usando um chip brasileiro com roaming internacional, o sinal nas montanhas pode desaparecer e às vezes é muito útil ter um backup — especialmente se você precisa checar o radar meteorológico por causa das tempestades. Não há nada pior do que estar pendurado numa rocha sem saber se aquela nuvem escura vai passar ou vai estourar em cima de você.
Para viagens mais longas ou se você precisar de dados sem preocupação e quer compartilhar fotos com a família em tempo real, recomendamos muito o eSIM. O que mais gostamos é o da Holafly (veja a nossa avaliação) — você instala em casa antes de embarcar e, ao pousar na Europa, já está navegando sem precisar mexer em chip físico nenhum. Você pode adquirir direto pelo nosso link: Holafly eSIM para a Europa.
Perguntas frequentes (FAQ)
Onde encontro um mapa confiável de vias ferratas das Dolomitas?
Os melhores e mais precisos mapas das Dolomitas são publicados pela editora italiana Tabacco. Você os compra em qualquer banca ou livraria ali mesmo, no local. Eles têm escala de 1:25 000 e as vias ferratas estão neles claramente marcadas com cruzinhas pretas ao longo dos trajetos. Existe também um aplicativo da Tabacco para smartphones, que recomendamos baixar para facilitar a orientação no terreno.
Posso baixar um mapa de via ferrata das Dolomitas no celular de graça?
Sim, aplicativos como o Mapy.cz são ótimos aliados, funcionam offline e as ferratas estão muito bem sinalizadas neles. A gente também recomenda apps como Fatmap ou Komoot, onde você encontra perfis específicos de desnível e avaliações de outros usuários. Para quem está começando, é uma fonte de informação super valiosa para planejar o percurso da forma certa.
As ferratas são seguras para crianças?
Depende da idade e da experiência da criança. Para crianças a partir de uns 10 anos existem ferratas leves especiais (dificuldade A), mas a criança precisa usar um baudrier infantil especial (de corpo inteiro) e um absorvedor de impacto adequado para o peso baixo dela. A gente recomenda muito que a primeira escalada com crianças seja feita exclusivamente com um instrutor, assim você tem segurança e evita possíveis crises de choro por medo.
Preciso de corda de escalada para fazer ferratas?
Para vias ferratas comuns você não precisa de corda, você avança apenas com o kit de ferrata com dois mosquetões. Corda de escalada só é levada por guias de montanha para eventualmente dar segurança extra a crianças ou clientes nervosos em trechos especialmente expostos, então pode deixar esse equipamento tranquilamente no vale.
O que acontece se minhas forças acabarem no meio do trajeto?
Essa é uma das coisas mais importantes para se pensar. É muito difícil voltar de uma ferrata ou não tem como sair dela até você chegar no topo ou numa trilha de escape. Por isso é fundamental não se superestimar, escolher um trajeto com dificuldade leve e descansar nos trechos onde dá para ficar em pé confortavelmente. Não se apresse e faça pausas tranquilamente, as montanhas não vão fugir de você.
Que tipo de calçado devo levar?
Definitivamente não leve tênis de corrida ou tênis macios. Você vai ficar em pé em grampos e pinos de aço e com uma sola fina seus pés vão doer insuportavelmente em uma hora. Eu e o Lukáš encontramos uma vez um cara no trajeto usando tênis comuns, e a visão dos pés machucados dele me assombra até hoje. O ideal são botas de trekking baixas ou de cano médio com a chamada ‘climbing zone’ na ponta, que é uma parte plana e dura da borracha feita exatamente para apoiar em pedacinhos pequenos de rocha.
Posso fazer uma ferrata logo depois da chuva?
Melhor não. A rocha calcária nas Dolomitas fica extremamente escorregadia depois da chuva. Mesmo que você tenha boas botas, os grampos de ferro e as cordas vão estar molhados e frios, o que dificulta muito a escalada e diminui a sensação de segurança. Sempre verifique com atenção antes de ir não só o radar de tempestades, mas também o volume de chuva da noite anterior. Uma ferrata molhada realmente não vale o estresse.
