Roma, na Itália, é uma das cidades mais bonitas do mundo, disso ninguém duvida. Toda vez que volto, a energia gigantesca dessa Cidade Eterna me surpreende de novo. Eu e o Lukáš viemos aqui comemorar o aniversário dele em junho e preciso admitir com sinceridade que o sol italiano nos deu um belo trabalho.
As temperaturas já chegavam perto dos trinta e cinco graus, as pedras antigas irradiavam um calor inacreditável e nós caminhávamos religiosamente entre vinte e trinta e cinco mil passos por dia. No fim, só conseguimos graças às fontes onipresentes de água fria e às porções generosas de gelato italiano perfeito, que tomávamos umas duas vezes por dia. 😅
Quando à noite realmente não aguentávamos mais e nossos pés diziam adeus depois daquelas malditas pedras do calçamento romano, alugávamos patinetes elétricas e passeávamos à beira do rio Tibre. Era uma verdadeira maravilha, e aquela brisa leve da noite literalmente nos salvava. Esta cidade de dois mil e quinhentos anos consegue me impressionar em cada visita, mesmo eu já a conhecendo bem.
A Antiguidade se encontra de forma totalmente natural com o congestionamento matinal, fontes barrocas decoram cada segunda praça e você tem constantemente a sensação de estar caminhando dentro de um enorme museu vivo. Preparei para você um guia definitivo com vinte e sete dicas do que ver e fazer em Roma. Vou te mostrar como se apaixonar por ela como nós, e principalmente como não se deixar engolir pelas multidões intermináveis de turistas.

Resumo
- Compre os ingressos um mês antes. Sem reserva online você simplesmente não entra no Coliseu, no Vaticano ou na Galeria Borghese e só perde tempo.
- Novas taxas em 2026. O acesso à bacia da Fontana di Trevi custa dois euros desde fevereiro de 2026 e o Panteão subiu para sete euros a partir de julho de 2026.
- O Jubileu ficou para trás. O caótico Ano Santo de 2025 acabou, a cidade retirou os andaimes e as ruas estão finalmente um pouco mais respiráveis.
- Não compre água engarrafada. Pela cidade há milhares de fontes de ferro fundido com água potável gelada e excelente, de graça; basta levar sua própria garrafa.
- Sapatos confortáveis são essenciais. As pedras basálticas romanas são impiedosas, e saltos ou sandálias finas vão arruinar seu passeio.
- Respeite o dress code rígido. Nos Museus do Vaticano, na Basílica de São Pedro e no Panteão você não entra com ombros ou joelhos à mostra.
- Cuidado com batedores de carteira e golpistas. Vigie seus pertences no metrô lotado e no ônibus número 64 e ignore os falsos gladiadores no Coliseu.
Todos os 40 lugares de Roma em uma tabela
Esta tabela é o artigo inteiro em resumo. Nela você encontra todos os quarenta lugares deste guia organizados por bairro, então dá para montar facilmente um roteiro sem ficar cruzando a cidade de um lado para o outro. Os preços valem para um visitante adulto em 2026.
| Lugar | Bairro | Ingresso 2026 | Tempo | Como chegar |
|---|---|---|---|---|
| Coliseu | Colosseo | 18 € + 2 € de reserva | 2 h | metrô Colosseo (B, C) |
| Fórum Romano e Palatino | Colosseo | incluído no ingresso do Coliseu | 2 h | metrô Colosseo (B) |
| Domus Aurea | Colle Oppio | pago, só com guia | 1,5 h | metrô Colosseo (B, C) |
| Basílica San Clemente | Monti | subsolo pago | 1 h | metrô Colosseo (B, C) |
| Basílica Santa Maria Maggiore | Esquilino | grátis | 45 min | metrô Termini ou Cavour (B) |
| Museus Capitolinos | Campitelli | pago | 2–3 h | a pé da Piazza Venezia |
| Piazza del Campidoglio | Campitelli | grátis | 20 min | a pé da Piazza Venezia |
| Panteão | Pigna | 7 € | 45 min | a pé da Piazza Venezia |
| Piazza Navona | Parione | grátis | 30 min | a pé do Panteão |
| Campo de’ Fiori | Parione | grátis | 30 min | a pé da Piazza Navona |
| Gueto judaico | Sant’Angelo | grátis | 1 h | a pé da Piazza Venezia |
| Fontana di Trevi | Trevi | 2 € à bacia, de cima grátis | 30 min | metrô Barberini (A) |
| Vicus Caprarius | Trevi | pago | 30 min | metrô Barberini (A) |
| Galleria Sciarra | Trevi | grátis | 10 min | metrô Barberini (A) |
| Escadaria Espanhola | Campo Marzio | grátis (proibido sentar) | 20 min | metrô Spagna (A) |
| Via Condotti | Campo Marzio | grátis | 30 min | metrô Spagna (A) |
| Piazza del Popolo | Campo Marzio | grátis | 30 min | metrô Flaminio (A) |
| Pincio | Campo Marzio | grátis | 20 min | metrô Flaminio (A) |
| Villa Borghese | Pinciano | grátis | 1–2 h | metrô Spagna ou Flaminio (A) |
| Galleria Borghese | Pinciano | 16 € + 2 €, reserva obrigatória | 2 h (horário fixo) | metrô Spagna (A) |
| Galeria Nacional GNAM | Pinciano | pago | 1,5 h | bonde 3 ou 19 |
| Bairro Coppedè | Trieste | grátis | 30 min | bonde 3 ou 19 |
| Museus do Vaticano e Capela Sistina | Vaticano | 20 € na bilheteria, 25 € online | 3–4 h | metrô Ottaviano (A) |
| Basílica de São Pedro | Vaticano | grátis | 1 h | metrô Ottaviano (A) |
| Cúpula da Basílica de São Pedro | Vaticano | 8 € a pé, 10 € de elevador | 1 h | metrô Ottaviano (A) |
| Praça de São Pedro | Vaticano | grátis | 30 min | metrô Ottaviano (A) |
| Castel Sant’Angelo | Borgo | pago | 1,5 h | metrô Lepanto (A) |
| Ponte Sant’Angelo | Ponte | grátis | 15 min | metrô Lepanto (A) |
| Trastevere | Trastevere | grátis | 2–3 h | bonde 8 de Largo Argentina |
| Gianicolo | Trastevere | grátis | 1 h | a pé subindo de Trastevere |
| Boca da Verdade | Ripa | contribuição simbólica | 20 min | metrô Circo Massimo (B) |
| Circus Maximus | Ripa | grátis | 20 min | metrô Circo Massimo (B) |
| Buraco da fechadura do Aventino | Aventino | grátis | 30 min com o jardim | metrô Circo Massimo (B) |
| Jardim das Laranjeiras | Aventino | grátis | 30 min | metrô Circo Massimo (B) |
| Termas de Caracala | Aventino | pago | 1,5 h | metrô Circo Massimo (B) |
| Bairro Testaccio | Testaccio | grátis | 2 h | metrô Piramide (B) |
| Centrale Montemartini | Ostiense | pago | 1,5 h | metrô Garbatella (B) |
| Basílica de São Paulo Extramuros | Ostiense | grátis | 45 min | metrô Basilica San Paolo (B) |
| Via Appia Antica e catacumbas | Appio | catacumbas pagas | meio dia | ônibus 118, fim de semana sem carros |
| Bairro EUR | EUR | grátis | 1–2 h | metrô EUR Magliana ou EUR Fermi (B) |
💡 Dica: Reserve primeiro os itens mais caros — o Coliseu libera ingressos exatamente trinta dias antes, e a Galleria Borghese funciona com horários fixos de duas horas, que somem mais rápido do que qualquer outro monumento romano. Só depois de garanti-los é que você monta o resto do programa.
Quando ir a Roma: o melhor tempo em Roma, Itália
Caçar o clima perfeito sem multidões intermináveis é uma espécie de alquimia em Roma, e nem sempre dá certo. Os melhores meses para visitar são maio, junho, setembro e outubro. É justamente no outono que as temperaturas ficam em torno de agradabilíssimos vinte e dois graus, o ar clareia lindamente depois do verão e a cidade ganha uma luz suave e maravilhosa, ideal para fotografar.
As noites já pedem uma blusinha leve, mas durante o dia você consegue caminhar quinze quilômetros sem sentir que vai desmaiar a qualquer momento. O preço desse conforto de luxo é bem alto, porém, porque os meses de outono e primavera funcionam como alta temporada absoluta. Os hotéis lotam e as ruelas do centro parecem um enorme formigueiro, então prepare-se para ter paciência.
O verão em Roma é um verdadeiro teste de resistência física e mental, e eu e o Lukáš experimentamos isso na pele. Julho e agosto trazem temperaturas confiavelmente acima dos trinta graus, e a umidade transforma as ruelas mais bonitas num estufa abafada sem a menor brisa. Se você viajar no verão, precisa mudar radicalmente sua rotina e esquecer de andar o dia inteiro.
Ponha o despertador para as seis da manhã, visite os principais monumentos até as dez e, quando o meio-dia se aproximar, recolha-se a um restaurante com ar-condicionado para um almoço demorado. A sesta da tarde no hotel não é preguiça na Itália, é pura necessidade de sobrevivência. Agosto ainda tem uma particularidade, o feriado do Ferragosto, quando muitos moradores trancam seus apartamentos e fogem em massa para o litoral.
Felizmente, 2026 traz um enorme alívio depois do caótico Ano Santo de 2025, quando a cidade praticamente colapsou sob a chegada de milhões de peregrinos do mundo todo. As Portas Santas foram cerimoniosamente lacradas em janeiro, a cidade arrumou sua infraestrutura e as ruas estão finalmente um pouco mais respiráveis. Ainda assim, reserve idealmente quatro dias inteiros para Roma, para aproveitá-la de verdade. Num fim de semana prolongado você só cobre o básico absoluto e volta para casa exausto e com bolhas nos pés.
Onde ficar em Roma
Escolher o bairro certo define toda a sua experiência em Roma, porque a cidade é enorme e o deslocamento diário em ônibus lotados sem ar-condicionado esgota você antes mesmo de ver a primeira coluna antiga. O melhor é se hospedar estrategicamente perto das linhas de metrô ou a uma distância caminhável do centro histórico, o que poupa muitos nervos.
Na nossa última viagem escolhemos o hotel Residenza Cavallini, uma hospedagem incrível a apenas cinco minutos a pé da parada do ônibus expresso do aeroporto. Fica bem perto do Vaticano e da Fontana di Trevi, então tínhamos tudo à mão. Os quartos eram pequenos, mas totalmente limpos, e no preço estava incluído aquele típico café da manhã italiano num café ali perto, onde toda manhã ganhávamos um croissant fresquinho e um cappuccino perfeito. ☺️
Se você procura romance de cinema e não se importa com um pouco de barulho noturno, vai se encantar com o bairro Trastevere. Tem ruelas estreitas de pedra, fachadas ocres cobertas de hera e, à noite, o clima fica incrivelmente vivo. É um paraíso para todos os amantes de boa comida, mas conte com o fato de que ali não passa metrô e de manhã você tem que chegar aos monumentos de bonde ou a pé, o que é um pouco mais complicado.
Uma ótima alternativa é o bairro Monti, estrategicamente logo atrás do Coliseu, que exala uma atmosfera boêmia agradável. Você encontra lojas vintage lindas, cafés independentes e, principalmente, uma estação de metrô da linha B, o que facilita muito os deslocamentos. Ficar bem no centro histórico, em volta do Panteão, é de tirar o fôlego, porque você chega a tudo a pé, mas paga um sobrepreço enorme e não escapa de se espremer o tempo todo em meio a turistas com guarda-chuvas.
Para famílias com crianças ou viajantes que gostam de sossego, uma escolha fantástica é o elegante bairro Prati, ao norte do Vaticano. Não há ruelas medievais tortuosas, mas sim avenidas largas e terreno plano, ideal para carrinhos de bebê. A grande vantagem é a proximidade imediata da Basílica de São Pedro, aonde você pode ir bem cedo, antes de se formarem as filas intermináveis. Independentemente do bairro que escolher, sempre recomendo reservar hotéis pelo Booking.com com bastante antecedência, porque as melhores opções em Roma desaparecem na velocidade de um raio.
27 lugares mais famosos que você não pode perder em Roma
Diz-se que todos os caminhos levam a Roma e, na Antiguidade, todas as estradas de fato partiam em raios desta linda capital. Monumentos culturais de diferentes épocas se entrelaçam aqui de forma fascinante num único e enorme conjunto. Um mausoléu pagão serve de fortaleza papal e templos antigos se transformaram, ao longo dos séculos, em igrejas barrocas. Vamos juntos conhecer o melhor que você definitivamente não deve perder na sua visita.
1. Coliseu e sua arena

O Coliseu é provavelmente a construção mais característica de toda Roma e, sinceramente, você nem consegue passar despercebido por ele, porque ele se ergue majestoso bem no fim da rua Via dei Fori Imperiali. Este anfiteatro elíptico de quatro andares foi construído entre 72 e 80 d.C. e, em sua época, chegava a comportar incríveis cinquenta mil espectadores. Ainda que, para mim pessoalmente, ele não seja tão extremamente interessante, o tamanho impressionante simplesmente derruba você.
A regra básica para a visita é totalmente inegociável: você tem que comprar os ingressos online com enorme antecedência pelo site oficial ticketing.colosseo.it (18 euros mais dois euros de taxa de reserva). Se contar com a compra no local, só terá decepção, placa de “esgotado” e espera interminável no sol escaldante. Os ingressos são liberados exatamente trinta dias antes, às nove da manhã, e somem diante dos seus olhos.
O circuito básico leva você ao primeiro e ao segundo andar, de onde há uma bela vista para o interior descoberto da construção. As multidões nesses percursos principais podem ser bem frustrantes na alta temporada, porque as pessoas param o tempo todo para selfies e, nos meses de verão, o ar literalmente estagna. Ainda assim, é uma experiência que faz parte indissociável da visita a Roma e sem a qual você não deveria ir embora.
💡 Dica: Bem em frente ao Coliseu operam grupos de homens fantasiados de gladiadores antigos. Eles tentam empurrar uma espada de plástico e tirar foto com você, e são bem insistentes. Ignore-os completamente e não faça contato visual, porque assim que você tirar a foto eles vão exigir de forma bem agressiva até vinte euros por um clique.
2. Subsolo do Coliseu (Hipogeu)

Se você quer extrair o máximo do Coliseu e fugir das piores multidões, recomendo pagar a mais pelo ingresso especial Full Experience (sai por 24 euros mais dois euros de taxa de reserva e vale por dois dias consecutivos). Ele dá acesso não só exclusivo ao piso reconstruído da arena, mas também a descida ao subsolo escuro, o chamado hipogeu. Era ali que gladiadores e feras esperavam, num abafamento total, sua entrada fatídica diante da multidão que gritava.
Esse ingresso ainda tem a enorme vantagem de valer por dois dias inteiros, então você pode distribuir bem a exploração da Antiguidade. Assim não precisa se acabar numa única tarde correndo pelo Coliseu e pelo Fórum Romano ao mesmo tempo. Dá para percorrer o anfiteatro com calma num dia e, no dia seguinte de manhã, com energia renovada, sair para explorar as ruínas ao redor.
A experiência do subsolo é muito mais íntima, as multidões diminuem visivelmente e você pode observar com calma o engenhoso sistema de elevadores e alçapões antigos. Quando você caminha por aqueles corredores estreitos e sente a umidade das pedras velhas, só então percebe plenamente a genialidade tecnológica dos antigos romanos, que há dois mil anos funcionava como um relógio perfeito.
3. Fórum Romano (Foro Romano)

Enquanto o Coliseu era o palco da diversão sangrenta e dos jogos, o Fórum Romano era o verdadeiro centro político, religioso e comercial de todo o imenso império. Aqui aconteciam os grandiosos desfiles triunfais, o famoso Cícero fazia discursos e foi justamente neste lugar que o corpo do assassinado Júlio César foi cremado. A planície pantanosa, cercada pelas colinas do Palatino e do Capitólio, já foi o orgulho da metrópole, com templos de mármore branco.
Recomendo vir para cá logo de manhã, por volta das nove, para escapar do sol do meio-dia, que pode arruinar a visita. Em todo o enorme sítio arqueológico praticamente não há sombra e os blocos gigantes de mármore esquentam ao longo do dia como um forno gigantesco. Calçado firme é totalmente indispensável, porque o piso é extremamente irregular e caminhar sobre o antigo calçamento da Via Sacra dá um belo trabalho aos seus tornozelos.
Não esqueça de levar uma garrafa vazia de água, que literalmente vai te salvar aqui. Dentro do recinto há várias fontes públicas de onde jorra água gelada e refrescante totalmente de graça, protegendo você da desidratação. Os ingressos fazem parte do ingresso combinado com o Coliseu, mas lembre-se de que você pode entrar no Fórum a qualquer momento durante a validade do seu ingresso, sem estar preso a um horário exato.
4. Colina do Palatino e Jardins Farnese

O Palatino costuma aparecer nos guias como uma dica separada, o que pode confundir bastante, porque ele é fisicamente ligado ao Fórum Romano e vale exatamente o mesmo ingresso. É a mais importante das sete colinas romanas, onde, segundo a antiga lenda, começou o povoamento original de Roma, de onde a cidade foi crescendo até seu tamanho imperial.
Nos tempos de maior glória, era um lugar exclusivo, uma espécie de Beverly Hills da Antiguidade, onde imperadores e a elite mais rica construíam seus palácios de mármore luxuosos. O topo do Palatino é considerado uma verdadeira joia arqueológica pela grande quantidade de vestígios de construções antigas conservados. Ao contrário do movimentado Fórum lá embaixo no vale, aqui há muito mais tranquilidade e você ainda encontra pinhais perfumados que oferecem a tão desejada sombra.
De jeito nenhum deixe de ver os lindos Jardins Farnese (Orti Farnesiani), construídos no século XVI diretamente sobre ruínas antigas. Eles oferecem uma das vistas absolutamente mais bonitas de todo o Fórum Romano e do Coliseu do alto. É o lugar ideal para sentar um pouco, descansar os pés doloridos e imaginar aquele movimento de tempos remotos.
5. Fontana di Trevi no novo regime

A Fontana di Trevi deve ser um dos seus primeiros destinos, porque ela lota de turistas do mundo todo incrivelmente rápido. A grandiosidade dessa fonte, que ocupa toda a fachada do Palácio Poli, tira o fôlego, e a majestosidade impressionante sempre me surpreende de novo. Ainda que eu não seja a maior fã do barroco, essa joia do arquiteto Nicola Salvi encanta praticamente qualquer pessoa.
Mas 2026 trouxe uma mudança absolutamente essencial na forma de visitar esse monumento. Por causa do excesso extremo de turistas, a cidade introduziu uma taxa de dois euros para todos os não residentes que queiram descer os degraus diretamente até a bacia da fonte. O espaço agora é delimitado e vigiado por catracas, que deixam entrar no máximo quatrocentas pessoas de cada vez, para que ninguém se espreme.
Se você não quer pagar nem esperar na fila, pode admirar a fonte de graça do nível superior da praça, mas os policiais com apitos não deixam você ficar muito tempo parado no mesmo lugar. O ritual tradicional de jogar a moeda por cima do ombro esquerdo, claro, continua. Tente acordar cedo e chegar aqui por volta das sete da manhã, quando você ouve o poderoso ruído da água em plena tranquilidade, antes das primeiras excursões organizadas.
6. O subsolo escondido de Vicus Caprarius

A maioria das pessoas, depois de fotografar a Fontana di Trevi, sai imediatamente em direção ao Panteão sem imaginar que, a apenas alguns passos, se esconde uma verdadeira raridade. Na discreta ruela Vicolo del Puttignani fica a entrada do sítio arqueológico Vicus Caprarius, também apelidado, com toda razão, de Cidade da Água.
É um labirinto fascinante de corredores subterrâneos e cisternas antigas, por onde ainda hoje corre água cristalina do aqueduto antigo de dois mil anos, o Aqua Virgo. É justamente esse aqueduto incrível que ainda alimenta a famosa Fontana di Trevi bem acima da sua cabeça. Descer a esse subsolo funciona como uma fuga absolutamente perfeita da multidão enlouquecida lá em cima na praça.
Reina aqui um frescor muito agradável, um silêncio absoluto e você só ouve as gotas suaves caindo sobre os tijolos antigos. Os ingressos custam só alguns euros e recomendo reservá-los com antecedência no site deles, porque a capacidade do espaço subterrâneo é bem limitada por questões de segurança e no local costuma estar esgotado.
7. Panteão e sua cúpula aberta

Uma das minhas lembranças de infância mais fortes de Roma está justamente ligada ao Panteão. Lembro que passeávamos por ruelas estreitas e, de repente, se ergueu diante de nós um edifício enorme com maciças colunas de granito, que os romanos trouxeram do longínquo Egito. O Panteão é a construção antiga mais bem preservada do mundo e sua imensa cúpula de concreto continua sendo, até hoje, uma maravilha arquitetônica fascinante.
No centro da cúpula abre-se uma abertura circular de nove metros chamada óculo, que é a única fonte de luz natural do edifício. Quando chove em Roma, a água cai pelo óculo diretamente sobre o piso de mármore, de onde é imediatamente escoada por um engenhoso sistema antigo de canaletas discretas. Dentro você também encontra o túmulo do gênio renascentista Rafael Sanzio, aonde as pessoas vão prestar homenagem.
O tempo em que você podia entrar no Panteão direto da rua, infelizmente, já passou. A entrada a partir de 1º de julho de 2026 custa sete euros (subiu dos cinco originais) e você precisa garantir o ingresso pelo portal oficial do Ministério da Cultura. Cidadãos da UE de 18 a 25 anos pagam dois euros, crianças até 18 anos e o primeiro domingo do mês têm entrada grátis. Tentar reservar horário logo para a abertura da manhã é a melhor escolha, porque o ar lá dentro ainda está agradavelmente fresco e a luz do óculo é mágica.
8. Piazza Navona e a Fonte dos Quatro Rios

Do Panteão você pode ir direto à praça Piazza Navona, que ainda hoje conserva o inconfundível formato alongado do antigo estádio de Domiciano, sobre cujas ruínas foi construída. Na Idade Média aconteciam ali torneios de cavaleiros e, ao longo do século XVII, a praça foi palco de grandiosas festas aquáticas, quando a área era propositalmente inundada e a nobreza passeava em pequenos barcos.
O espaço é dominado pela deslumbrante Fonte dos Quatro Rios de Bernini (Fontana dei Quattro Fiumi), que simboliza os grandes rios dos quatro continentes então conhecidos. Segundo uma maliciosa lenda urbana, a estátua que representa o Rio da Prata cobre o rosto de horror para não ter que olhar a igreja Sant’Agnese in Agone, projetada por Borromini, o maior rival de Bernini. Os romanos adoram essa historinha engraçada e gostam de contá-la aos turistas.
A praça é cheia de artistas de rua, caricaturistas e músicos, então reina ali uma atmosfera viva e maravilhosa, especialmente ao anoitecer. Do ponto de vista gastronômico, porém, é um campo minado total, então evite os restaurantes com vista para a praça a todo custo. São a pior das armadilhas turísticas de Roma e um simples cappuccino tomado numa mesinha pode custar até sete euros absurdos.
9. Museus do Vaticano

Reserve idealmente um dia inteiro para o Estado do Vaticano, e você não vai se arrepender de nenhum minuto. Os Museus do Vaticano recebem milhões de pessoas por ano e são um labirinto gigantesco de corredores, palácios interligados e galerias, cujo percurso total de visitação mede quase dez quilômetros. Você encontra ali coleções de valor incalculável, do grupo escultórico antigo do Laocoonte e seus filhos até a deslumbrante Galeria dos Mapas, com um lindo teto dourado em caixotões.
Sabendo disso, você precisa obrigatoriamente comprar o ingresso com antecedência pelo site oficial do Vaticano (sai por cerca de 25 euros com a taxa), até sessenta dias antes. Escolhemos o período da tarde, quando queríamos escapar do maior calor, mas o ar-condicionado dos museus não dava muita conta. Por isso viajantes experientes aconselham ir logo na abertura da manhã, por volta das oito, quando o chão está recém-limpo e o ar muito mais respirável.
Escolhemos a visita com audioguia e, embora no começo estivéssemos decididos a ouvir absolutamente tudo, logo descobrimos que isso simplesmente não estava ao nosso alcance. Teríamos de passar lá umas dez horas, e nossas pernas já estavam quase caindo. Por isso escolha só as exposições que realmente te interessam, para não se esgotar logo no primeiro terço desse complexo enorme.
10. Capela Sistina

A Capela Sistina fica bem no fim do percurso dos Museus do Vaticano e não existe nenhum atalho oficial que leve você direto até ela. Todos conhecemos os famosos afrescos da abóbada de Michelangelo Buonarroti, que passou aqui quatro anos de trabalho duro sobre um andaime de madeira. Mas, se você ama arte, com certeza vai notar também os lindos afrescos laterais de Botticelli, Perugino ou Ghirlandaio.
Trata-se de um espaço sagrado, cuja função principal é reunir o colégio de cardeais, que se encontram ali para a eleição secreta do novo papa, o chamado conclave. Justamente por isso valem regras muito rígidas e a proibição de fotografar e filmar vale absolutamente para todos. Os guardas rondam a capela o tempo todo, chamam os turistas ao silêncio em voz alta e, se te pegarem com o celular, obrigam você a apagar a foto na frente deles, de forma humilhante.
💡 Dica: No canto direito ao fundo da capela há uma porta discreta que leva direto à escadaria da Basílica de São Pedro. Oficialmente ela é reservada apenas para grupos organizados com guia, mas de vez em quando turistas individuais conseguem se enfiar junto de um grande grupo. Assim você economiza vinte minutos de caminhada e mais uma cansativa fila na inspeção de segurança lá fora, na praça.
11. Basílica de São Pedro

O poeta Goethe teria dito certa vez que entrar na Basílica de São Pedro é como entrar diretamente na eternidade, e preciso concordar plenamente com ele. É a maior e mais imponente construção católica do mundo, cujas dimensões simplesmente te impressionam. Logo na entrada você é recebido pela Pietà de mármore de Michelangelo, protegida por vidro à prova de balas, e no meio da imensa nave ergue-se o monumental baldaquino de bronze de Bernini.
A entrada na basílica em si é totalmente grátis, o que logicamente atrai enormes massas de gente do mundo todo. O principal obstáculo é a inspeção de segurança com detectores de metal de aeroporto montada lá fora, na Praça de São Pedro. A serpente de gente se enrola, na alta temporada, em volta do obelisco egípcio, e a espera pode se estender por até duas horas, então, se você quer evitar isso, precisa chegar por volta das sete da manhã.
Não esqueça do implacável dress code, que a guarda suíça e os funcionários fiscalizam sem uma pitada de compaixão. Ombros e joelhos precisam estar obrigatoriamente cobertos, para homens e mulheres. Nada de regatas, shorts curtos ou vestidos de verão acima do joelho, nem que você tenha ficado uma hora lá fora no sol de trinta graus. Sempre leve na mochila um lenço leve e largo para se cobrir com elegância antes de entrar.
12. Subida à cúpula da basílica

Na visita ao Vaticano, de jeito nenhum deixe de fazer a subida bem cansativa à cúpula da Basílica de São Pedro, que oferece uma das vistas absolutamente melhores para a simétrica Praça de São Pedro e para os jardins do Vaticano, cuidadosamente mantidos. A entrada da cúpula é paga e a discreta portinha fica do lado direito do pórtico da basílica, bem antes da entrada do templo principal.
Você tem duas opções para chegar ao alto. Ou vai a pé o caminho inteiro, pelos 551 degraus por oito euros, ou pode aliviar um pouco por dez euros e subir de elevador até o nível do telhado da basílica. Mas os últimos 320 degraus você precisa vencer sempre a pé, pague o que pagar, porque o elevador simplesmente não vai mais alto.
Essa parte final passa pela própria casca da cúpula, as paredes se inclinam visivelmente para dentro e a escadaria se estreita numa espiral apertada, onde você precisa se segurar numa corda grossa. O espaço é bem claustrofóbico e, nos meses de verão, falta circulação de ar, então você sua bastante. Mas a recompensa é uma vista inesquecível do parapeito superior, de onde você terá toda Roma, com o rio Tibre, na palma da mão.
13. Praça de São Pedro e a audiência papal

Se você for ao Vaticano, com certeza não vai escapar da imensa Praça de São Pedro (Piazza San Pietro). É uma obra arquitetônica única de Gian Lorenzo Bernini de meados do século XVII e suas dimensões são simplesmente fascinantes, porque ela consegue comportar até quatrocentos mil fiéis. A praça é delimitada por uma enorme colunata elíptica com centenas de colunas, que simboliza o abraço aberto da Igreja.
O centro da praça é dominado por um obelisco egípcio de trezentas e trinta e uma toneladas e vinte e cinco metros de altura, que o imperador Calígula mandou trazer para Roma, e por duas belíssimas fontes simétricas. Se você ficar sobre os discos de mármore especialmente marcados no calçamento, entre o obelisco e as fontes, acontece um milagre óptico e as quatro fileiras de colunas da colunata se fundem em perfeito alinhamento numa única fileira.
Toda quarta-feira de manhã acontece aqui a audiência papal regular, que tem uma atmosfera inigualável. Os ingressos são totalmente grátis e você pode retirá-los com a guarda suíça no dia anterior, ou pedi-los online. Mas, mesmo com o ingresso, você precisa acordar cedo e garantir lugar junto às cercas de madeira já por volta das sete e meia da manhã, para ver o Santo Padre no papamóvel bem de perto.
14. Castel Sant’Angelo

O Castel Sant’Angelo é uma construção monumental de planta circular, à beira do Tibre, a poucos passos do Vaticano. Originalmente foi construído na Antiguidade como mausoléu do imperador Adriano, mas, ao longo dos séculos turbulentos, foi transformado em fortaleza inexpugnável, prisão sombria (onde sofreu até o filósofo Giordano Bruno) e, por fim, em luxuosa residência papal com lindos afrescos.
Ele ainda hoje é ligado ao Vaticano por uma passagem secreta e elevada nas muralhas, chamada Passetto di Borgo, por onde os papas fugiam para a segurança no passado, durante os saques a Roma. A visita ao castelo é uma fascinante viagem no tempo, na qual você percorre a rampa espiralada antiga original, espia as masmorras e observa os aposentos renascentistas onde a história foi escrita.
Mas o melhor te espera lá em cima no telhado. Da terraço superior, bem embaixo da imensa estátua de bronze do arcanjo Miguel guardando a espada na bainha, abre-se uma fantástica vista de 360 graus para toda a cidade. É uma parada absolutamente ideal depois da visita ao Vaticano, especialmente mágica ao pôr do sol, quando a cúpula de São Pedro se tinge de dourado.
15. Ponte Sant’Angelo

Direto ao Castel Sant’Angelo te leva uma das pontes mais bonitas e icônicas de toda Roma. A Ponte Sant’Angelo foi originalmente construída já no século II d.C. para ligar o mausoléu de Adriano ao centro da cidade na outra margem do Tibre e, ainda hoje, serve exclusivamente para pedestres, o que a torna um ótimo lugar para passear.
O que torna essa ponte tão especial são as dez dramáticas estátuas de mármore de anjos que a ladeiam dos dois lados. Essas estátuas foram projetadas pelo genial escultor barroco Gian Lorenzo Bernini e cada uma segura um dos instrumentos da Paixão de Cristo, como a coroa de espinhos, o chicote ou a cruz. O próprio Bernini esculpiu duas delas, mas essas acabaram sendo transferidas para uma igreja, para o tempo não danificá-las, e na ponte ficam suas cópias.
É um dos lugares mais fotogênicos da cidade, onde todo mundo quer tirar uma foto de recordação com o castelo ao fundo. Se você quer curtir a ponte sem as centenas de outros turistas que se apertam por aqui durante o dia, venha ou bem cedo de manhã com um café na mão, ou, ao contrário, tarde da noite, quando os anjos estão lindamente iluminados e se refletem nas águas escuras do rio.
16. Escadaria Espanhola

Se você ama o cultuado filme A Princesa e o Plebeu com Audrey Hepburn, com certeza vai querer garantir a foto perfeita na Escadaria Espanhola. Esses degraus elegantes sobem da fonte do barquinho de Bernini (a Barcaccia) até a igreja francesa Trinità dei Monti e, na primavera, ficam lindamente decorados com centenas de azaleias coloridas em flor, o que fica absolutamente deslumbrante.
De longe os degraus parecem terrivelmente convidativos para descansar depois de uma longa caminhada, mas de jeito nenhum faça isso. Desde 2019 vale a proibição rígida de sentar nos degraus de mármore e a polícia de colete refletivo a fiscaliza ativamente. Se você só se agachar, ouve na hora o apito e, se não obedecer, arrisca uma multa de 250 a 400 euros, o que encareceria bem o passeio.
Na pracinha embaixo dos degraus, cuidado enorme com golpistas oportunistas. Muitas vezes se aproximam com um largo sorriso e, num segundo, tentam enfiar uma rosa na mão da mulher ou amarrar uma pulseira no seu pulso dizendo que é um presente. Assim que você aceita, começam a exigir dinheiro com muita insistência e, às vezes, até de forma agressiva, então a única defesa é a ignorância absoluta e zero contato visual.
17. Bairro comercial em volta da Via Condotti

A poucos passos da Escadaria Espanhola, em torno da Piazza di Spagna, estende-se o bairro comercial mais prestigiado de toda Roma. Hoje, em ruas como a Via Condotti ou a Via Borgognona, você encontra as marcas de moda mais luxuosas, da Prada à Gucci, mas essa região já era famosa muito antes, na história, e ali paravam ricos viajantes aristocráticos durante seu tradicional Grand Tour pela Europa.
Nos tempos do romantismo, artistas e poetas famosos vinham para cá. Deixaram suas marcas gigantes como John Keats, Lord Byron, Balzac ou o compositor Richard Wagner. A casa em que morreu o jovem poeta inglês Keats fica bem na Escadaria Espanhola e hoje funciona como um museu muito bonito e tranquilo dedicado aos românticos ingleses, onde você pode se refugiar do burburinho da rua.
Mesmo que você não planeje gastar milhares de euros numa bolsa italiana nova, um passeio por essas ruas vale muito a pena. As vitrines são lindamente montadas, as pessoas andam impecavelmente vestidas e você pode absorver aquela verdadeira elegância italiana que chamam de bella figura. Só cuidado com os preços nos cafés históricos locais, porque um café tomado numa mesinha com vista para as butiques pode custar até cinco euros.
18. O romântico Trastevere
Trastevere é a encarnação absoluta daquela verdadeira imagem de cinema da Itália. Você encontra ali ruelas medievais tortuosas, roupas secando em varais entre as janelas e casas antigas ocres cobertas de hera trepadeira. Durante o dia é relativamente calmo, mas assim que anoitece o bairro ganha vida de um jeito incrível e em volta da Piazza Trilussa quase não dá para passar.

É um famoso paraíso para todos os amantes de boa comida. Eu e o Lukáš comemos numa tratoria escondida um cacio e pepe cremoso perfeito e supplì crocantes fritos (bolinhas de arroz com mussarela), que é o céu absoluto para vegetarianos. Já os amantes de carne vêm de todo o mundo para a tradicional carbonara romana ou a amatriciana, que fazem talvez melhor aqui do que em qualquer lugar da cidade.
Os restaurantes locais costumam lotar depois das oito da noite, então, se você tem um lugar específico em vista, é melhor fazer reserva com antecedência. Se quiser absorver a atmosfera sem as piores multidões de turistas com cerveja na mão, vá para a parte sul do bairro, em direção à linda basílica Santa Cecilia, onde há muito mais sossego e um clima autêntico.
19. A feira do Campo de’ Fiori
O Campo de’ Fiori é a única praça romana importante do centro que não é dominada por nenhuma igreja imponente, mas sim pela estátua sombria e um tanto sinistra do filósofo queimado Giordano Bruno, que pagou aqui com a vida no século XVII por suas ideias hereges. Hoje essa praça é conhecida sobretudo por suas feiras diárias de frutas frescas, verduras, especiarias perfumadas e flores.

Dizem que é um dos lugares mais autênticos do centro de Roma, ainda que nos últimos anos você já encontre por ali muitas barracas vendendo pacotes turísticos supervalorizados de massas coloridas e limoncello. Chegamos aqui na hora certa, quando precisávamos nos refrescar depois de muito andar, e compramos uma melancia cortada incrivelmente doce, ainda que a três euros fosse um pouco pouco para o nosso gosto. 😅
De jeito nenhum deixe de parar na tradicional padaria Forno Campo de’ Fiori, que funciona desde o século XIX, e compre uma pizza bianca fresquinha. É uma massa fininha totalmente simples, pincelada só com bom azeite e polvilhada com sal grosso. Parece comum, mas é uma delícia inacreditável, que você pode pegar na mão e ir mordiscando enquanto passeia pelas ruelas ao redor.
20. Gueto judaico e as alcachofras
A poucos passos a sudeste do Campo de’ Fiori fica o antigo bairro judaico, um dos mais antigos da Europa. É uma região extremamente tranquila e cheia de personalidade, com uma história muito dolorosa, mas que hoje é um dos melhores cantos gastronômicos de toda Roma. A arquitetura é diferente por aqui, as ruelas são ainda mais estreitas e sobre tudo se ergue o imponente edifício da Grande Sinagoga.

Se você vier para cá, precisa obrigatoriamente provar a especialidade local — a Carciofi alla Giudia, ou alcachofras à moda judaica. Eu e o Lukáš experimentamos e é uma delícia vegetariana absoluta. A alcachofra inteira é frita duas vezes em azeite quente, de modo que suas folhas se abrem como uma flor dourada e ficam incrivelmente crocantes, enquanto o centro permanece bem macio.
Ao passear pelo gueto não esqueça de chegar até a pequena Piazza Mattei, onde se esconde uma linda Fonte das Tartarugas (Fontana delle Tartarughe) do século XVI. Ela mostra quatro rapazes que levantam os braços e empurram delicadamente pequenas tartaruguinhas de bronze para dentro da água. É uma das fontes mais fofas da cidade e, ao contrário da Trevi, ali você não vai se apertar com milhares de pessoas.
21. Piazza del Popolo
A Piazza del Popolo, que se traduz como Praça do Povo, é uma das praças mais amplas e impressionantes de toda Roma. Funcionava como a principal entrada norte da cidade para todos os peregrinos e visitantes que, por séculos, chegavam pela antiga estrada romana Via Flaminia. Hoje é um ponto de partida perfeito para explorar o centro, porque dali partem três artérias principais, o chamado tridente.

O centro da praça é dominado por um enorme obelisco egípcio, que vem do século XIII a.C. e originalmente ficava no antigo Circus Maximus, antes de ser transferido para cá. A praça é cercada por todos os lados de cafés, tem sempre muito movimento e, no lado sul, ficam duas igrejas barrocas quase idênticas, que criam uma linda simetria.
Dentro da discreta igreja Santa Maria del Popolo, que fica bem junto ao antigo portão da cidade, esconde-se um verdadeiro tesouro artístico. Numa capela lateral estão pendurados dois telas absolutamente deslumbrantes do mestre do claro-escuro Caravaggio (A Crucificação de São Pedro e A Conversão de São Paulo). A entrada na igreja é grátis, só leve com você algumas moedinhas para jogar no aparelho, para que esses quadros geniais se iluminem por um instante.
22. Jardins do Pincio
Quando você está na Piazza del Popolo e olha para o leste, vê fileiras monumentais de terraços verdes se erguendo bem acima da cidade. São os Jardins do Pincio, um dos parques mais bonitos e românticos de Roma. A subida pelos degraus dá um pouco de trabalho no calor do verão, mas a recompensa no topo vale cada gota de suor.

Do amplo terraço panorâmico Terrazza del Pincio abre-se uma vista larga para toda a praça que fica bem abaixo de você, para um mar de telhados de terracota e para a majestosa cúpula da Basílica de São Pedro, que se ergue no horizonte. Pergunte a qualquer romano local aonde levar a namorada para um encontro e esse terraço vai estar bem no topo da lista dele.
A melhor hora para vir aqui é, sem dúvida, o fim da tarde, pouco antes do pôr do sol. O céu se tinge de tons laranja e roxo, os músicos de rua começam a tocar violão e a cidade começa a se preparar para a noite. Há muitos bancos, a sombra de árvores altas e você pode descansar um pouco daquele trânsito louco e movimentado lá embaixo nas ruas.
23. Villa Borghese e o parque
Os Jardins do Pincio se transformam suavemente no amplo parque Villa Borghese, que funciona como o pulmão verde de toda Roma e oferece uma fuga perfeita do barulho da metrópole. É um refúgio absolutamente perfeito para famílias com crianças que já perderam a paciência com ruínas antigas e precisam correr um pouco na natureza.

Você pode esconder a cabeça do sol escaldante sob as amplas copas dos pinheiros, alugar quadriciclos a pedal para a família toda ou passear num pequeno barquinho de madeira pelo lago artificial junto ao templo dedicado ao deus Esculápio. Um passeio por essas alamedas sombreadas é, no verão, literalmente um bálsamo para a alma e para os pés cansados.
Ao vagar pelo parque, você ainda esbarra em curiosidades técnicas, como o antigo relógio d’água do século XIX, que ainda funciona pelo princípio da água corrente. Na borda de todo o complexo verde você encontra também o zoológico Bioparco, mais uma ótima dica se você viaja com crianças pequenas e quer variar o programa histórico.
24. Galleria Borghese
Bem no meio do parque esconde-se a linda Galleria Borghese de mesmo nome, que guarda uma das melhores coleções de arte renascentista e barroca do mundo inteiro. O cardeal Scipione Borghese reuniu aqui, no século XVII, obras deslumbrantes, que hoje amantes de arte de todos os cantos do planeta vêm ver.

Você vai ver aqui as esculturas de mármore de Bernini de tirar o fôlego, como Apolo e Dafne ou o Rapto de Prosérpina, onde a pedra sob as mãos do deus do submundo parece carne humana macia, e também telas sombrias e geniais de Caravaggio. Aqui, porém, não existe decisão de última hora, porque a galeria não aceita visitantes de forma alguma vindos da rua e a reserva antecipada dos ingressos é totalmente obrigatória (o ingresso custa cerca de 18 euros).
As visitas funcionam em rígidos horários de duas horas e a capacidade é limitada a apenas 360 pessoas, então lá dentro você nunca se aperta e curte a arte de altíssimo nível com verdadeira tranquilidade. Passadas as duas horas, porém, os funcionários da galeria expulsam todo mundo sem dó, para liberar espaço ao grupo seguinte, e os ingressos somem do site oficial semanas antes, então não dá para adiar a compra.
25. Galeria Nacional (GNAM)
A poucos passos da Villa Borghese, na borda norte do parque, você encontra o imenso edifício branco da Galeria Nacional de Arte Moderna (Galleria Nazionale d’Arte Moderna, abreviada GNAM). A maioria dos turistas vem a Roma exclusivamente atrás da Antiguidade e do barroco, então costuma ignorar esse museu moderno, o que é uma pena enorme se você se interessa ao menos um pouco por movimentos artísticos mais recentes.

Fica aqui a maior coleção de arte moderna italiana e estrangeira da Itália, dos séculos XIX e XX. Durante a visita você vê obras fantásticas de gênios como Vincent van Gogh, Gustav Klimt, Paul Cézanne, Claude Monet ou Jackson Pollock, tudo lindamente organizado em salas espaçosas.
A enorme vantagem dessa galeria é o total sossego e o espaço. Ao contrário dos lotados Museus do Vaticano, aqui você não vai se empurrar com multidões de gente de guarda-chuva na cabeça. Dá para passear em silêncio pelas salas claras, curtir o ar-condicionado que funciona de verdade e admirar a arte no seu próprio ritmo, sem a sensação de que alguém está te empurrando para frente o tempo todo.
26. Boca da Verdade (Bocca della Verità)
Outro lugar que o filme romântico A Princesa e o Plebeu popularizou muito fica no pórtico da discreta igreja Santa Maria in Cosmedin, perto do rio Tibre. Trata-se de uma máscara de mármore de um rosto pesando mais de uma tonelada, que provavelmente representa o deus pagão dos mares ou, na Antiguidade, funcionava como uma tampa decorada de um bueiro antigo.

Hoje essa máscara virou uma enorme atração turística, sobretudo por causa da lenda medieval que a transformou no primeiro detector de mentiras do mundo. Segundo a lenda, a Boca da Verdade arranca a mão de todo mentiroso que a coloca na boca de pedra entreaberta, o que, anos atrás, testaram com um sorriso os heróis do cinema Audrey Hepburn e Gregory Peck.
Se você quer experimentar esse ritual divertido na pele e tirar a famosa foto, prepare-se para uma fila bem longa, que se forma diante da igreja basicamente o dia inteiro. Colocar a mão em si é grátis, mas espera-se uma pequena contribuição no cofrinho na entrada da igreja, que, aliás, guarda lindos mosaicos medievais e vale muito uma visita rápida.
27. Bairro Testaccio e a gastronomia tradicional
Se você já está de saco cheio de ruínas antigas e anseia por conhecer a vida local verdadeira e sem enfeites, vá até a colina do Aventino, ao antigo bairro operário Testaccio. Monumentos clássicos você não encontra muito por aqui e, do centro, precisa chegar de metrô, mas para todos os amantes da cozinha italiana é uma obrigação absoluta.

O coração de toda essa área é o moderno mercado envidraçado Mercato di Testaccio, que todo dia ferve de gente. Os moradores compram ali verduras frescas, conversam por cima dos balcões e você pode pegar uma comida ótima na mão nas barracas e regá-la com vinho servido em copinhos de plástico por alguns euros.
Eu e o Lukáš nos deliciamos aqui com um cacio e pepe cremoso perfeito e um maritozzo doce (que é um pãozinho romano tradicional recheado com uma quantidade enorme de chantili), enquanto para os amantes do clássico é o centro dos pratos de miúdos. A cozinha tradicional romana, aliás, surgiu justamente aqui, junto ao antigo matadouro, e turistas do mundo todo vêm provar especialidades como a tripa alla romana ou o rabo de boi, ainda que nós resistimos a essas coisas de carne com um sorriso. ☺️
Entre à noite numa pizzaria local barulhenta, onde ninguém vai falar inglês com você e o cardápio não terá fotos coloridas. É justamente ali, longe das armadilhas turísticas supervalorizadas perto do Vaticano, que você vive a Roma de verdade, à qual vai querer voltar sempre.
Mapa de pontos de interesse para o celular
Roma fora das multidões: 13 lugares aonde os turistas não vão
Quando você já tiver riscado o clássico obrigatório, começa a parte mais divertida. Esta é a Roma que os locais conhecem melhor do que os turistas — e, ainda assim, a maioria desses lugares fica a uma distância caminhável das paradas onde as multidões se apertam. Vários deles são até totalmente de graça.
28. Basílica San Clemente e seus três níveis de história
Se você ama história e quer sentir na pele como Roma foi se sobrepondo a si mesma ao longo dos séculos, esse lugar vai te encantar completamente. A Basílica San Clemente não parece nada especial por fora, mas guarda por dentro uma máquina do tempo incrível. Primeiro você entra numa linda igreja do século XII, cheia de mosaicos medievais deslumbrantes e uma bela decoração de mármore.

Mas isso é só o começo, porque o principal se esconde no subsolo. Assim que você desce as escadas, se encontra numa basílica mais antiga, do século IV, que ficou completamente soterrada por longas eras. E, se você tiver coragem de descer ainda mais fundo, chega até o primeiro século da nossa era, onde explora uma casa romana antiga e o misterioso templo pagão do deus Mitra. É absolutamente fascinante ouvir correr uma nascente subterrânea, que murmura sombriamente ali há milhares de anos.
Reserve cerca de uma hora para explorar os três níveis. 💡 Dica: A entrada no subsolo é paga e recomendo comprar os ingressos online no site oficial, para evitar a espera. A igreja fica a poucos passos do Coliseu, então dá para chegar fácil depois de visitá-lo.
29. Buraco da fechadura do Aventino e o Jardim das Laranjeiras
Quem não quer ver a cúpula italiana mais famosa de uma perspectiva totalmente diferente? No topo da colina do Aventino você encontra um discreto portão verde na sede dos Cavaleiros de Malta, onde costuma se formar um pequeno grupo de curiosos. Quando você espia pelo buraco da fechadura dali, se depara com uma vista perfeita da Basílica de São Pedro, precisamente emoldurada por uma cerca viva. É só uma brincadeira rápida, mas tem um encanto enorme.

Bem ao lado fica o Jardim das Laranjeiras (Giardino degli Aranci), que é, sem exagero, um dos lugares mais românticos de toda a cidade. No verão escaldante, os próprios romanos vêm buscar refúgio aqui, porque as árvores altas oferecem a tão desejada sombra e sentar nos bancos é um puro bálsamo para a alma. Especialmente na primavera, quando as árvores florescem e perfumam, isso aqui é como num conto de fadas.
💡 Dica: Venha para cá idealmente no fim da tarde. Do terraço panorâmico do jardim se abre uma das vistas mais bonitas de Roma ao pôr do sol. Você chega aqui numa caminhada agradável subindo a partir da estação de metrô Circo Massimo, e leva cerca de uma horinha, já contando as fotos.
30. Bairro Coppedè
Esqueça por um momento as ruínas antigas e os famosos palácios renascentistas. A poucos passos do centro esconde-se o bairro Coppedè, arquitetonicamente único, que parece ter saído de algum livro de fantasia mais sombria. O arquiteto Gino Coppedè soltou a imaginação aqui no começo do século XX e misturou art nouveau, gótico, barroco e elementos medievais num conjunto fascinante e, por vezes, até bizarro.

Já a própria entrada do bairro, sob um arco ricamente decorado com um enorme lustre de ferro forjado, tira o fôlego. Logo atrás dele você descobre a Fonte das Rãs (Fontana delle Rane), onde dizem que, certa vez, depois de um show, os próprios Beatles se banharam. As vilas ao redor são decoradas com mosaicos coloridos, afrescos, torrinhas e até teias de aranha de ferro batido.
Essa área é fantástica para um passeio tranquilo, porque turistas comuns quase não vêm até aqui e você pode observar com calma cada detalhe maluco das fachadas. 💡 Dica: Para explorar, bastam cerca de meia hora. O melhor é combinar o bairro com uma visita à Galleria Borghese, que fica só a uns quinze minutos a pé daqui.
31. Centrale Montemartini — estátuas antigas entre turbinas
Unir arte antiga e arquitetura industrial pode soar um pouco estranho, mas acredite: o resultado é literalmente de tirar o fôlego. A Centrale Montemartini foi a primeira usina elétrica pública de Roma, que abastecia a cidade de energia. Hoje, em seus enormes galpões iluminados, funciona uma filial dos Museus Capitolinos, onde estátuas antigas ficam expostas bem ao lado de maciços motores diesel pretos e turbinas a vapor.

Esse contraste marcante entre o mármore branco e delicado e o maquinário pesado cria uma atmosfera absolutamente única. Você vai ter a sensação de estar num filme moderno de ficção científica. Grande vantagem: ao contrário dos Museus do Vaticano, aqui você encontra só um punhado de pessoas e pode ver tudo com calma, sem se espremer.
💡 Dica: O museu fica no bairro Ostiense, aonde você chega comodamente pela linha B do metrô (desce na estação Garbatella). Se você gosta de fotos diferentes e quer fugir por um momento das multidões do centro, esse lugar vale a pena. Reserve cerca de uma hora e meia e traga tranquilamente até crianças maiores, porque a parte técnica com certeza vai encantá-las.
32. Galleria Sciarra
Quando você estiver furando as multidões na Fontana di Trevi e precisar urgentemente de um instante de sossego, basta andar só algumas ruelas estreitas adiante. Ali se esconde a Galleria Sciarra, um lindo pátio interno do século XIX, envidraçado e ricamente pintado com afrescos deslumbrantes no estilo art nouveau. A maioria das pessoas passa sem notar, porque, da rua, essa beleza não é vista de jeito nenhum.

Todo o espaço celebra a beleza, a força e o papel das mulheres na sociedade. Nas paredes você vê figuras que simbolizam virtudes como a paciência, a justiça ou a fidelidade, tudo em cores lindamente vivas. Graças ao teto de vidro, ainda costuma haver aqui uma luz maravilhosa, que dá aos afrescos ainda mais profundidade. É simplesmente a prova perfeita de que Roma sabe surpreender a cada passo.
O pátio serve de passagem comum entre os edifícios, então a entrada é totalmente grátis. 💡 Dica: Costuma ficar aberto apenas em dias úteis, em horário comercial; no fim de semana, infelizmente, as grades ficam fechadas. A parada leva só dez minutos, mas com certeza enriquece o seu dia com uma bela experiência sem filas.
33. Via Appia Antica e as catacumbas
Todos os caminhos levam a Roma, mas este foi o primeiro e mais importante de todos. A Via Appia Antica é uma via antiga que te transporta imediatamente dois mil anos no tempo. Hoje é uma estrada tranquila, ladeada de pinheiros altos, com o calçamento de pedra imenso original, ao longo do qual se erguem restos de túmulos, mausoléus e estátuas antigas. É uma fuga incrível da barulhenta metrópole para o verde.

Ao longo do caminho ficam ainda vastas catacumbas subterrâneas, como as de San Callisto ou San Sebastiano, onde eram sepultados os primeiros cristãos. A visita aos corredores escuros e estreitos, escondidos bem fundo no subsolo, é um espetáculo um pouco arrepiante, mas extremamente cativante, que mostra uma face completamente diferente de Roma.
💡 Dica: A melhor forma de explorar essa área é alugar uma bicicleta bem no início do percurso. Nos fins de semana, a estrada é totalmente fechada para o trânsito de automóveis, então dá para pedalar e caminhar com toda segurança. Reserve tranquilamente meio dia para esse passeio e leve algo gostoso para um pequeno piquenique.
34. Domus Aurea — a casa de ouro de Nero
O imperador Nero era conhecido por sua extravagância e seu palácio não foi exceção. A Domus Aurea, ou Casa de Ouro, era um enorme complexo luxuoso que ele mandou construir depois do grande incêndio de Roma. Depois da morte dele, porém, os imperadores seguintes tentaram apagar seu legado, então soterraram o palácio de propósito e construíram novos edifícios sobre ele, incluindo o Coliseu ali perto.

Hoje você pode descer bem fundo no subsolo e percorrer salões enormes e escuros, que um dia brilharam com ouro e pedras preciosas. O melhor de toda a visita é o uso da realidade virtual, que, no meio das escavações, mostra com precisão o quanto o palácio era incrivelmente colorido e suntuoso há dois mil anos. É uma experiência de arrepiar.
As visitas acontecem exclusivamente com guia e é absolutamente necessário reservá-las online, porque a capacidade é muito limitada por causa dos trabalhos arqueológicos em andamento. 💡 Dica: Lá dentro reina uma temperatura constante em torno de 15 graus, então, mesmo no verão mais escaldante, não esqueça de levar um moletom ou uma blusa leve.
35. Basílica Santa Maria Maggiore
Esta linda igreja está entre as quatro principais basílicas papais de Roma e, mesmo que talvez não seja tão famosa quanto a do Vaticano, seu interior vai te deixar sem fôlego. A Basílica Santa Maria Maggiore se orgulha de mosaicos antigos preservados do século V e de um impressionante teto em caixotões. Dizem que ele é dourado justamente com o primeiro ouro que Cristóvão Colombo trouxe da América para a Europa.

A ela também está ligada uma lenda muito bonita. Dizem que foi construída exatamente no local onde, num agosto escaldante, de repente nevou. Esse acontecimento milagroso ainda hoje é lembrado ali todo ano, no dia 5 de agosto, com o lançamento de milhares de pétalas brancas de rosas a partir do teto, um espetáculo incrivelmente romântico e comovente.
💡 Dica: A entrada na basílica é grátis e diante dela costuma haver apenas uma fila mínima para a inspeção de segurança. Não esqueça, porém, da roupa adequada, cobrindo ombros e joelhos. Os guardas locais são inflexíveis e não deixam você entrar de regata ou short nem depois de muita insistência.
36. Museus Capitolinos e a Piazza del Campidoglio
Bem acima do famoso Fórum Romano fica a incrível Piazza del Campidoglio, projetada por ninguém menos que o próprio Michelangelo. Só a subida pelas elegantes e largas escadarias já é uma experiência enorme. A praça é ladeada de palácios históricos, onde ficam os Museus Capitolinos, considerados os museus públicos mais antigos do mundo.

Dentro você encontra joias absolutas da arte romana antiga. Não faltam a famosa estátua de bronze da Loba Capitolina, que amamenta Rômulo e Remo, nem a imensa estátua equestre do imperador Marco Aurélio, cuja cópia exata fica também lá fora, na praça. Toda a coleção é muito mais intimista e tranquila do que a do Vaticano, então você curte a arte sem estresse e sem empurra-empurra.
O corredor subterrâneo que liga os dois edifícios do museu ainda esconde uma vista fantástica para todo o Fórum Romano. 💡 Dica: Os museus são realmente enormes, então reserve pelo menos duas a três horas para a visita. É bem melhor comprar os ingressos online com antecedência, para não perder tempo à toa na fila da bilheteria.
37. Termas de Caracala
Se você quer entender de verdade como os romanos construíam de forma monumental e grandiosa, não pode deixar de fora esse imenso complexo de tijolos. As Termas de Caracala, em sua época, comportavam até 1600 pessoas e não eram apenas um lugar de higiene, mas também de encontros sociais, prática de esporte e leitura nas amplas bibliotecas locais.

Mesmo que hoje restem só os muros nus erguendo-se a uma altura enorme, o tamanho de todo o recinto é absolutamente impressionante. Você vai caminhar entre restos de piscinas, ginásios e lindos mosaicos de piso, que se preservaram muito bem em vários pontos. É um lugar bem mais tranquilo do que o centro, cheio de verde e da sombra agradável dos pinheiros.
💡 Dica: Para imaginar melhor a beleza original com os revestimentos de mármore e as estátuas, recomendo pagar a mais na entrada por um audioguia com realidade virtual. O complexo é amplo e, no verão, pode fazer muito calor aqui, então uma garrafa de água é indispensável. Felizmente funcionam aqui as clássicas fontes romanas, os chamados nasoni, das quais há cerca de dois mil e quinhentos espalhados pela cidade.
38. Gianicolo — mirante e o canhão do meio-dia
Esta colina não está entre as sete colinas romanas originais famosas, mas oferece talvez a melhor vista panorâmica de toda a cidade. A colina do Gianicolo se ergue sobre o bairro Trastevere e é um lugar ideal para um passeio tranquilo com vista para todas aquelas cúpulas, torres e monumentos icônicos. No verão, porém, planeje bem a subida, porque, num calor de trinta e cinco graus, o caminho para cima é um belo esforço até para caminhantes calejados.

Se você vier de manhã, tente cronometrar a chegada à praça-mirante Piazza Garibaldi exatamente ao meio-dia. Todo dia, ao meio-dia, se dispara tradicionalmente um canhão histórico aqui, um ritual curioso que o papa instituiu já no século XIX, para unificar o toque dos sinos de todas as igrejas romanas.
💡 Dica: O caminho para cima a pé dá bastante trabalho nos meses de verão. Você pode poupar a subida facilmente pegando o ônibus local, que te leva até o topo, e depois desce confortavelmente e sem esforço a pé até as ruelas pitorescas de Trastevere.
39. Basílica de São Paulo Extramuros
A maioria dos turistas vai admirar só o Vaticano e ignora imperdoavelmente essa joia arquitetônica por causa de sua localização um pouco distante do centro. A Basílica de São Paulo Extramuros é, no entanto, a segunda maior basílica de Roma e seu imenso interior, com uma floresta gigantesca de colunas e lindos mosaicos dourados, é absolutamente majestoso e imponente.

O detalhe de longe mais interessante é o friso de medalhões com os retratos de todos os papas até hoje, que se estende bem no alto, sob o teto, ao longo de todo o perímetro da nave. Segundo uma velha lenda, o fim do mundo chegará assim que na fileira acabar o espaço para o retrato do próximo papa (ainda que a Igreja, claro, sempre encontre algum novo espaço vazio).
💡 Dica: A basílica fica bem junto a uma estação da linha B do metrô, então a viagem para cá a partir do centro é muito rápida e intuitiva. A entrada na basílica é grátis e, graças à sua localização fora das rotas principais, você curte aqui um sossego agradável, sem multidões nem filas longas, o que em Roma não tem preço.
40. Bairro EUR e o Quadrato della Concordia
Para o encerramento, tenho aqui algo para os amantes de arquitetura moderna, ainda que um pouco polêmica. O bairro EUR foi mandado construir por Mussolini para uma exposição mundial planejada, que, por causa da guerra, nunca aconteceu. Toda a área é cheia de avenidas largas, formas geométricas precisas e edifícios monumentais de mármore branco.

A construção mais conhecida é, sem dúvida, o Palazzo della Civiltà Italiana, apelidado, por sua forma específica, de Coliseu Quadrado (Quadrato della Concordia). Hoje, nesse edifício icônico, fica a sede da grife Fendi, e todo o bairro tem uma aparência completamente diferente do resto de Roma, a ponto de você sentir que se transportou para algum futuro utópico de tela de cinema.
💡 Dica: Você chega ao bairro EUR facilmente pela linha B do metrô. É um ótimo lugar para um passeio noturno, quando o Coliseu Quadrado fica lindamente iluminado, e você ainda encontra ali um belo parque com lago artificial, aonde vão relaxar depois do trabalho, principalmente, os moradores locais.
O que dá para ver de graça em Roma
Você me pergunta muito o que é de graça em Roma, porque a metrópole italiana às vezes sabe esvaziar bem a carteira. A verdade, porém, é que o melhor de toda a cidade não custa nada, já que as próprias ruas funcionam como um enorme museu a céu aberto. Para curtir a verdadeira atmosfera italiana em goles largos, bastam sapatos confortáveis e vontade de descobrir. Aqui está a lista dos meus lugares favoritos, pelos quais você não precisa pagar absolutamente nada:
- Panteão por fora e a Piazza della Rotonda: Ainda que a entrada no templo passe a custar 7 € a partir de julho de 2026, a vista majestosa das colunas antigas da praça movimentada e o clima da noite são totalmente de graça.
- Basílica de São Pedro e a Praça de São Pedro: A entrada no maior templo cristão do mundo não tem taxa nenhuma, só é preciso ter paciência e encarar a longa fila da inspeção de segurança.
- Fontana di Trevi da rua: Desde fevereiro de 2026 a descida direta à icônica bacia passou a ter taxa de dois euros, mas a vista de tirar o fôlego de cima, da rua, sobre as estátuas de mármore, felizmente continua gratuita.
- Escadaria Espanhola: Lugar lindo para fotos e para observar o movimento da cidade, só cuidado com o fato de que é proibido sentar nos degraus, sob ameaça de multa alta.
- Piazza Navona e Campo de’ Fiori: Duas praças romanas absolutamente icônicas cheias de artistas de rua, fontes e palácios históricos, que você aproveita melhor num passeio lento.
- Bairro Trastevere: As ruelas românticas mais encantadoras, cobertas de hera, com a melhor atmosfera noturna, onde eu e o Lukáš passamos horas perambulando.
- Colina do Gianicolo: Se você procura a vista panorâmica mais bonita de toda a cidade, é exatamente para cá que precisa subir.
- Jardim das Laranjeiras e o buraco da fechadura: Do parque Giardino degli Aranci há uma vista perfeita do Vaticano e, bem ao lado, você encontra o famoso buraco no portão dos Cavaleiros de Malta, que emoldura magicamente a cúpula de São Pedro.
- Fórum Romano da Via dei Fori Imperiali e do Capitólio: Ainda que o passeio entre as escavações seja pago, desses pontos elevados você tem todo o centro antigo na palma da mão totalmente de graça.
- Parque Villa Borghese e o mirante do Pincio: Esse pulmão verde de Roma é o refúgio ideal do calor do verão e o mirante do Pincio é talvez o melhor lugar para ver o pôr do sol.
- Ponte Sant’Angelo: Um passeio entre os anjos de Bernini, pelo qual, em outras cidades, cobrariam tranquilamente um ingresso gordo.
- Igrejas com quadros de Caravaggio: Em San Luigi dei Francesi e Santa Maria del Popolo estão pendurados originais de mestres famosos, pelos quais você pagaria uma fortuna em galerias comuns.
- Boca da Verdade (Bocca della Verità): Colocar a mão no lendário rosto de mármore e tirar uma foto engraçada de recordação não vai te custar absolutamente nada.
- Fontes Nasoni: Preciso mencionar também esses milagres de ferro fundido onipresentes com água potável, que, durante a comemoração do aniversário do Lukáš, num calor de trinta e cinco graus, literalmente nos salvaram de cozinhar.
Se você quer economizar ainda mais, planeje seu passeio para o primeiro domingo do mês, quando a entrada em todos os museus e monumentos estatais italianos, inclusive o Coliseu, é totalmente grátis. Mas preciso te avisar com sinceridade, porque nesse dia se formam filas absolutamente enlouquecidas e intermináveis, então vale a pena acordar bem cedo, ou simplesmente se conformar em passar boa parte do tempo esperando na multidão. Pela minha experiência, às vezes é melhor sacrificar alguns euros do que perder meio dia das férias dos sonhos.
Roma em 1, 2 ou 3 dias: plano rápido
Você nos pergunta muito quantos dias reservar de verdade para a metrópole italiana. Pela nossa experiência, o ideal são ao menos quatro dias, para você ter tempo de curtir a cidade com calma, absorver a verdadeira atmosfera do sul e não gastar todo o tempo correndo entre monumentos. O mínimo absoluto para a visita, na minha opinião, são dois dias. Num único dia dá para cobrir o núcleo mais importante, mas prepare-se para uma verdadeira maratona. Quando comemoramos em junho o aniversário do Lukáš em Roma, estavam implacáveis 35 °C lá fora e caminhamos tranquilamente mais de vinte mil passos por dia. Nesse tipo de clima, só salvam você as fontes de ferro fundido onipresentes, chamadas nasoni, e um gelato italiano de verdade, então recomendo mesmo distribuir o programa por mais dias.
Se você tem para a cidade realmente só um dia em Roma, precisa agir estrategicamente e escolher um percurso lógico a pé, para não ficar cruzando a cidade à toa. De manhã comece direto no Coliseu, onde se formam as maiores filas, então, sem ingressos comprados com muita antecedência online, nem se aventure a ir. Dali siga ao longo das ruínas do Fórum Romano e da colina do Palatino até o monumento majestoso na Piazza Venezia. Depois, mergulhe no emaranhado de ruelas estreitas do centro histórico, que te levam até o deslumbrante Panteão e à praça oval Piazza Navona. No caminho, com certeza compre um pedaço de pizza margherita vegetariana tradicional na mão e uma bola de sorvete, porque não haverá tempo para longas sentadas em restaurantes. Encerre sua rápida jornada ao entardecer na famosa Fontana di Trevi e na movimentada Escadaria Espanhola.
Quando você tem dois dias em Roma, dá para dividir lindamente o programa em uma parte antiga e outra barroca. No primeiro dia dedique-se à Antiguidade e, depois de visitar o Coliseu, o Fórum Romano e o Palatino, continue suavemente com um passeio até o relevo da Boca da Verdade. Dali é só um pulo até o pitoresco gueto judaico, onde vale a pena parar para o almoço e provar as deliciosas alcachofras fritas. É uma iguaria local sem carne absolutamente genial, pela qual você vai se apaixonar. No segundo dia acorde cedo e vá direto na abertura aos Museus do Vaticano e à Capela Sistina. Aqui as multidões costumam ser absolutamente brutais, então a chegada bem cedo é fundamental. Em seguida, visite a impressionante Basílica de São Pedro e volte ao centro pela ponte ao lado do Castel Sant’Angelo, onde te espera a beleza barroca da Piazza Navona, do Panteão e da Fontana di Trevi.
Para três dias em Roma vale a mesma base da variante anterior, mas você ganha um tempo precioso para descobrir também lugares um pouco mais fora do circuito turístico. No terceiro dia, recomendo começar de manhã na linda Galleria Borghese, à qual você emenda suavemente um passeio tranquilo pelo amplo parque Villa Borghese. À tarde, vá ao bairro Testaccio, onde você vive a verdadeira e genuína atmosfera romana sem hordas de turistas. É justamente ali que você pode sentar com calma para uma porção honesta de massa cacio e pepe com o delicioso queijo pecorino. Com o pôr do sol, siga para as ruelas do bairro Trastevere, que ganha vida incrível depois do escurecer e oferece os melhores bares para uma sentada noturna com uma taça de Aperol.
Se você ficar na cidade quatro dias ou mais, recomendo muito considerar algum passeio interessante para fora da metrópole. Nós sempre gostamos de fugir das ruas escaldantes para algum lugar na natureza ou atrás de história. Uma ótima escolha é uma viagem curta de trem à pitoresca cidadezinha de Tivoli, onde você encontra lindos jardins renascentistas cheios de fontes. Outra opção querida é sair para descobrir as ruínas antigas incrivelmente preservadas do antigo porto de Ostia Antica. Para quem não se importa de passar um pouco mais de tempo no trem, ainda há a possibilidade de um passeio incrível de um dia inteiro para o sul, à famosa Pompeia.
Se você já tem as passagens compradas e quer ter tudo planejado até o último detalhe, preparamos ainda para você um roteiro detalhado de Roma em 3 dias em um artigo à parte. Nele você encontra muitas outras dicas práticas e, principalmente, os horários exatos dos deslocamentos recomendados.
Para cada um desses planos temos um guia separado no blog. A programação detalhada hora a hora você encontra no artigo Roma em 3 dias, a escolha de hospedagem por bairro abordamos no texto onde ficar em Roma e famílias com pequenos viajantes vão adorar as dicas do artigo Roma com crianças.
Transporte em Roma: do aeroporto, de metrô e a pé
O transporte em Roma pode, à primeira vista, parecer um caos total, onde vale a lei do mais forte e do mais ágil. Ainda assim, dá para se orientar com bastante facilidade na Cidade Eterna, se você souber quais bilhetes comprar e com o que ter cuidado especial. Vamos ver como chegar tranquilamente do aeroporto, como funciona o metrô local e por que, mesmo assim, você vai passar a maior parte do tempo a pé.
Do aeroporto de Fiumicino (FCO) ao centro: A opção mais rápida é sem dúvida o trem Leonardo Express, que te leva em 32 minutos e por 14 euros direto à estação central Termini. Se quiser economizar, também partem dali trens regionais ou ônibus mais baratos, mas conte com um tempo de viagem maior. Uma opção confortável é o táxi oficial, que tem tarifa fixa para o centro de 48 a 50 euros. Cuidado enorme, porém, com os táxis clandestinos, que podem te cobrar tranquilamente 75 a 140 euros no fim da viagem, então procure sempre apenas carros brancos com taxímetro e a inscrição “Comune di Roma”.
Chegada do aeroporto de Ciampino (CIA): Esse aeroporto menor é usado principalmente por companhias de baixo custo e a conexão com o centro dali é bem fácil. Costumamos recomendar os ônibus da empresa Terravision, onde a passagem só de ida sai por cerca de 6 euros e te levam com segurança até a estação Termini. Se você viaja em grupo ou tem malas pesadas, vale a pena pegar um táxi oficial. Aqui também vale a tarifa fixa para o centro, que dá exatos 40 euros, então você não precisa temer nenhuma surpresa desagradável de preço abusivo.
Transporte público urbano (ATAC): O transporte público de Roma inclui ônibus, bondes e metrô, e felizmente os mesmos bilhetes valem para tudo. O bilhete básico BIT custa 1,50 euro e vale 100 minutos inteiros, durante os quais você pode baldear sem limite, mas só pode entrar uma vez no metrô. Se você planeja andar bastante, dá para comprar passes de vários dias: 24 horas por 8,50 euros, 48 horas por 15 euros ou 72 horas por 22 euros, ou ainda o semanal CIS por 29 euros. Cuidado enorme com a validação obrigatória do bilhete logo ao embarcar, senão você arrisca uma multa gorda e inflexível ali na hora.
O metrô romano e o traiçoeiro ônibus 64: A cidade tem atualmente três linhas de metrô: A, B e C. Talvez te surpreenda que a rede de estações seja bem esparsa, mas isso se deve simplesmente ao fato de que, a cada cavada no chão, os operários esbarram em alguma valiosa escavação antiga. A boa notícia, porém, é que, desde dezembro de 2025, a linha C está estendida e agora te leva do subúrbio direto ao Coliseu. No metrô e nos ônibus lotados, especialmente na popular linha 64 rumo ao Vaticano, vigie bem seus pertences, porque os batedores de carteira locais são incrivelmente rápidos e a linha não é apelidada à toa de “Pickpocket Express”.
Vale a pena o cartão turístico Roma Pass? Depende de quanto você pretende percorrer monumentos pagos e usar o transporte público. O cartão de 48 horas custa 38 euros e inclui uma entrada grátis num museu, enquanto a versão de 72 horas sai por 62,90 euros e inclui duas entradas grátis. Além disso, você ganha viagens ilimitadas no transporte urbano e pequenos descontos em outras atrações. Mas há um detalhe que muita gente esquece: o cartão não inclui os Museus do Vaticano, a Capela Sistina nem a Basílica de São Pedro.
O centro histórico é melhor percorrer a pé: Na minha opinião, Roma é uma das melhores cidades do mundo para explorar caminhando, porque o principal núcleo histórico dá para percorrer com toda calma num único dia. Basta começar na Escadaria Espanhola, jogar uma moeda na Fontana di Trevi, chegar ao Panteão e encerrar a tarde na linda Piazza Navona. O essencial, porém, é ter mesmo sapatos confortáveis, porque grande parte do centro é calçada com as típicas pedras romanas chamadas sanpietrini. Acredite: depois de um dia inteiro caminhando de sapato duro ou, pior ainda, de salto, você logo amaldiçoaria as ruelas pitorescas da cidade.
De patinete elétrica à beira do rio: Quando eu e o Lukáš já estávamos com os pés doendo de tanto andar o dia inteiro, encontramos uma forma absolutamente genial de nos deslocar pela cidade. À noite, alugamos patinetes elétricas compartilhadas e simplesmente passeamos à beira do rio Tibre. É uma experiência lindamente romântica, você foge das multidões de turistas, economiza tempo e ainda vê as pontes lindamente iluminadas. Durante o dia, no centro, costuma haver confusão demais para patinetes, mas para os passeios noturnos é simplesmente sensacional.
Para o centro é melhor não ir de carro: Alugar carro em Roma, na minha opinião, é um total absurdo, a menos que você siga num roadtrip mais longo pela Itália. O trânsito aqui é incrivelmente caótico, as motos se enfiam por todos os lados e estacionar é um pequeno milagre. Grande parte do centro histórico é ainda marcada como ZTL, ou zona de tráfego limitado, aonde só entram residentes com autorização. Há câmeras por toda parte e, por cada passagem indevida, você arrisca uma multa de 84 a 335 euros, que vai te encontrar com certeza até em casa, no Brasil.
Aonde em Roma é melhor não ir e com o que ter cuidado
Você me pergunta muito se há em Roma lugares dos quais você deveria fugir a todo custo. Roma é, na verdade, uma cidade europeia muito segura, onde você não precisa se preocupar nem um pouco com a vida. Assim como qualquer outra metrópole mundial, porém, a capital italiana também tem suas típicas armadilhas turísticas. Na maioria das vezes elas só vão te custar o bom humor e algum euro a mais.
Vamos ver juntos os truques mais comuns com que você pode se deparar nas ruas. Quando souber deles com antecedência, vai navegar com segurança por eles e curtir as férias sem estresse desnecessário.
Cuidado com restaurantes golpistas e taxas escondidas. O maior dinheiro você pode perder nos restaurantes bem junto aos principais monumentos, como a encantadora Piazza Navona. Você reconhece uma armadilha turística com muita facilidade pelo cardápio em quatro idiomas com fotos desbotadas dos pratos. Outro sinal claro de alerta é o aliciador à espreita diante da porta, que tenta te puxar para dentro a todo custo. Um bom restaurante italiano não precisa de ninguém assim e costuma estar cheio de moradores locais.
Na hora de pagar, você pode ser desagradavelmente surpreendido por um coperto absurdamente inflado, que é uma taxa obrigatória pela mesa posta e pelo pão. Em estabelecimentos normais fica em torno de dois a três euros por pessoa, mas nas armadilhas costuma ser várias vezes maior. Uma verdadeira catástrofe são os restaurantes que informam o preço de alguns pratos per etto, ou seja, por cem gramas de peso. Quando você percebe, trazem uma porção enorme e, no fim, aterrissa na sua mesa uma conta de tranquilamente 430 ou até 600 euros.
Como sair dessa? Basta andar duas ruelas para longe do burburinho principal e procurar estabelecimentos discretos cheios de italianos. Se você procura opções seguras para vegetarianos, Roma é um paraíso absoluto. Eu e o Lukáš não vivemos sem a massa tradicional cacio e pepe, feita só de queijo pecorino e pimenta-do-reino. Um ótimo lanche rápido é a pizza al taglio romana na mão, o supplì frito de arroz ou a famosa alcachofra frita alla giudia. Para encerrar, claro, não pode faltar um gelato italiano de verdade, de uma gelateria artesanal honesta.
Falsos gladiadores e “presentes” não solicitados. Bem junto ao Coliseu você provavelmente vai encontrar homens fantasiados de centuriões e gladiadores romanos. Eles vão acenar alegremente e te chamar para uma foto de recordação em conjunto. De jeito nenhum fazem isso de coração, e por um único clique cobram normalmente vinte euros. Há até casos documentados em que exigiram, de forma agressiva, até 500 euros de turistas assustados. A melhor defesa é a ignorância total e zero contato visual.
Um princípio parecido funciona com os vendedores no centro histórico e em volta da Escadaria Espanhola. Do nada, se aproxima de você uma pessoa sorridente e começa a te empurrar uma rosa ou a amarrar uma pulseira na sua mão dizendo que é um presente gratuito. Assim que você aceita, porém, começa na hora a exigir dinheiro de forma bem grosseira. 💡 Dica: Se isso acontecer, não deixe amarrarem a pulseira, não aceite nada e, com um “não” claro, simplesmente continue caminhando.
Batedores de carteira e o transporte traiçoeiro. O transporte público romano é um capítulo à parte. O famoso ônibus número 64, que vai da estação Termini ao Vaticano, ganhou entre os locais o apelido certeiro de Pickpocket Express. Batedores operam nele com total naturalidade, assim como no lotado metrô da linha A. Por isso, sempre guarde carteira e celular em bolsos internos ou numa bolsa bem fechada na frente do corpo. No transporte público, também não esqueça de validar o bilhete, porque um bilhete não validado significa multa imediata do fiscal.
Ao viajar do aeroporto, cuidado enorme com os táxis clandestinos, que vão te esperar já no saguão de chegada. Pela viagem ao centro cobram tranquilamente 75 a 140 euros, então prefira sempre os carros brancos oficiais com a marca de táxi, nos quais vale a tarifa fixa de 48 a 50 euros do aeroporto de Fiumicino. Se você for dirigir um carro alugado, cuidado enorme com as zonas de tráfego limitado, as ZTL. Entrar no centro sem autorização vai te custar uma multa gorda de 84 a 335 euros por cada passagem individual sob a câmera.
Regras de conduta que podem custar dinheiro a você. Roma leva muito a sério a proteção de seus monumentos únicos. Um belo exemplo é a famosa Escadaria Espanhola, onde é rigorosamente proibido sentar. Se você se acomodar ali com um casquinha de sorvete, a polícia local rapidamente te expulsa e ainda pode te aplicar uma multa em torno de 250 euros.
Preste atenção especial também à sua roupa, se planeja visitar locais religiosos. O Vaticano, o Panteão e templos menores têm um dress code rígido que exige ombros e joelhos cobertos. Os guardas na entrada são inflexíveis e te expulsam da fila sem dó, mesmo depois de uma hora de espera no sol escaldante do verão. Por isso, sempre leve com você pelo menos um lenço leve, com o qual dá para se cobrir rapidinho antes de entrar.
Todos esses avisos talvez soem um pouco assustadores, mas acredite: trata-se apenas de higiene turística totalmente comum. As mesmas regras de segurança valem em Paris, Barcelona e São Paulo. Quando você usa o bom senso e não se deixa arrastar para situações suspeitas, leva de Roma apenas as lembranças mais bonitas e experiências culinárias incríveis.
Para onde ir a partir de Roma
Se você tem mais do que só um fim de semana prolongado na Cidade Eterna e quer fugir das ruas calçadas escaldantes, há vários passeios ótimos pelos arredores. Em menos de uma horinha, você chega de trem suburbano ao antigo porto de Ostia Antica, muitas vezes comparado a Pompeia, mas onde, ao contrário dela, reina uma total tranquilidade e silêncio.
Outra parada linda a poucos passos da cidade é a cidadezinha de Tivoli, onde se estendem lindos jardins renascentistas da vila d’Este com centenas de fontes murmurantes. É um lugar ideal para uma tarde de verão, quando você precisa de um pouco de sombra e ar fresco, que faz tanta falta no centro da metrópole italiana em julho.
Se você quer ler informações mais detalhadas sobre os maiores ícones romanos e poupar seus nervos, preparamos para você guias detalhados. Leia nosso artigo Coliseu em Roma: ingressos e dicas, onde explicamos em detalhe como garantir os melhores ingressos para o subsolo. Para a visita ao Estado papal, com certeza você vai usar nosso texto Vaticano: informações básicas e entrada e a análise detalhada do que escondem os famosos Museus do Vaticano.
Roma também é um ponto de partida absolutamente perfeito para uma viagem ao sul da Itália. Da estação central Termini, você chega de trem-bala à caótica e apaixonada Nápoles em pouco mais de uma hora. Dali é só um pulo até a mais famosa das destruições antigas, sobre a qual escrevemos o artigo prático Pompeia: ingresso e o que ver.
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Quantos dias eu preciso para visitar Roma?
Três dias são o mínimo absoluto, durante o qual você conseguirá ver apenas o essencial e bem corrido. O ideal é reservar quatro dias completos para Roma, para poder conhecer o Vaticano com calma, os monumentos antigos e ainda ter tempo de passear pelas ruelas do centro histórico com um café na mão.
A água da torneira em Roma é potável?
Sim, a água é totalmente segura e excelente. Não compre garrafinhas plásticas superfaturadas dos vendedores de rua, mas sim leve sua própria garrafa reutilizável. Pela cidade inteira existem milhares de fontes de ferro fundido (chamadas nasoni) das quais jorra água gelada e muito refrescante de graça o tempo todo.
Existe algum dress code nos monumentos?
Sim, e é rigorosamente exigido, então fique bem atento. Nos Museus Vaticanos, na Basílica de São Pedro e no Panteão você precisa obrigatoriamente ter os ombros e joelhos cobertos. Se você chegar de regata ou short curto, a segurança não vai deixar você entrar nem com ingresso válido, então no verão sempre leve na mochila um xale ou echarpe leve.
Qual é a melhor forma de ir do aeroporto Fiumicino ao centro?
A opção mais rápida e confortável é o trem direto Leonardo Express, que leva você sem paradas até a estação central Termini em exatos 32 minutos. O bilhete custa 14 euros e os trens passam com muita frequência, o que evita o estresse dos imprevisíveis engarrafamentos romanos, nos quais os ônibus de aeroporto mais baratos costumam ficar presos.
Posso entrar no Coliseu ou no Vaticano com mochila?
Uma mochila pequena de cidade ou bolsa não representa problema nenhum, mas com uma mochila grande de trilha ou mala você não vai conseguir entrar. Todas as bagagens passam por raio-X como no aeroporto e é estritamente proibido entrar com garrafas de vidro, bebidas alcoólicas ou canivetes, que a segurança vai confiscar sem dó na revista.
Como funciona o transporte público de Roma e quanto custa a passagem?
A passagem básica com integração custa atualmente 1,50 euro, embora haja rumores de aumento. O mais fácil é usar o sistema moderno Tap&Go, em que você simplesmente encosta seu cartão de crédito ou débito comum na catraca amarela do metrô ou ônibus. O sistema controla tudo automaticamente e limita seu gasto diário em 8,50 euros, então você não precisa se preocupar com nada.
É seguro pegar o ônibus número 64 para o Vaticano?
Esta linha, que conecta a estação Termini ao Vaticano, é tristemente famosa por grupos de batedores de carteira. Costuma ficar extremamente lotada e os ladrões aproveitam muito bem a confusão na hora do embarque. Se você precisar pegá-lo, mantenha sempre a mochila na frente e a carteira no bolso fundo com zíper, ou prefira o metrô linha A mais seguro até a estação Ottaviano.
Onde encontro banheiros públicos no centro?
Banheiros públicos tradicionais em Roma são raríssimos e costumam ser pagos. A melhor estratégia é entrar em qualquer bar de esquina, comprar um espresso no balcão por cerca de um euro e perguntar educadamente ao atendente pelo banheiro. Por lei, os bares são obrigados a permitir que clientes pagantes usem seus banheiros.
