Quando se fala em roadtrip pelo Oregon, EUA, ou pela costa oeste americana em geral, a maioria das pessoas imagina imediatamente os desertos escaldantes de Nevada, as rochas vermelhas do Arizona ou o famoso Grand Canyon. Mas se você está pensando em explorar o noroeste, preciso te avisar de uma coisa: é um mundo completamente diferente — um paraíso verde cheio de florestas densas, manhãs enevoadas que parecem saídas da série Twin Peaks e praias infinitas onde o oceano selvagem se choca contra as rochas. ☺️
Quando eu e o Lukáš nos aventuramos pela primeira vez por esse canto da América, ficamos completamente absorvidos. Nosso roadtrip de catorze dias, combinando o estado de Washington e o icônico Lake Tahoe, foi uma daquelas experiências das quais tiramos energia até hoje. Todas as manhãs acordávamos com o cheiro de pinheiros, durante o dia descobríamos lagos turquesa em crateras de vulcões e as noites passávamos em aconchegantes cervejarias artesanais.
Esse canto da América simplesmente te conquista antes que você perceba. Então venha com a gente: vamos percorrer juntos a descolada Portland, parar nas cachoeiras de Columbia River Gorge, subir o nevado Mount Hood, cruzar a agreste costa do Oregon e, por fim, chegar ao cristalino Lake Tahoe. E também vou te contar onde se hospedar, quando ir e quanto separar no orçamento.

Resumo
- Melhor época para viajar: Julho a setembro, quando há menor probabilidade de chuva e os passes de montanha estão livres de neve.
- Transporte: O ideal é voar até Portland, alugar um carro e voltar por San Francisco (ou Reno).
- Portland e arredores: Não deixe de visitar a cachoeira Multnomah Falls e o Monte Hood.
- Costa do Oregon: Pare na rocha Haystack Rock na praia de Cannon Beach — cenário clássico de cinema.
- Crater Lake: O lago mais profundo dos EUA, com a água mais azul que você já viu na vida.
- Lake Tahoe: Paraíso para amantes de stand-up paddle e trilhas, na divisa entre Califórnia e Nevada.
- Orçamento: Conte com cerca de 2.200 a 3.000 euros por pessoa para 14 dias (incluindo passagens aéreas e aluguel de carro).
Informações práticas: Quando ir e como se preparar
O noroeste dos EUA tem um clima e distâncias bem específicos, e nós aprendemos algumas coisas na marra durante a viagem — então é melhor te contar tudo de antemão. Uma boa preparação aqui é absolutamente fundamental para evitar muita dor de cabeça.
Quando ir ao noroeste dos EUA
Enquanto a Califórnia pode ser visitada praticamente o ano todo, Oregon e Washington têm uma temporada bem definida. A melhor época para este roadtrip vai de meados de julho até o final de setembro. Nós estivemos lá na virada de agosto para setembro e o clima estava absolutamente perfeito — durante o dia as temperaturas chegavam a agradáveis 25 graus, mas as manhãs nas montanhas já eram bem frescas.
Eu evitaria viajar de novembro a maio. Montanhas como o Mount Hood ou a região do Crater Lake ficam cobertas por camadas enormes de neve, muitas estradas são intransitáveis no inverno e no litoral o que provavelmente vai te esperar é chuva constante e neblina. No verão, porém, fique atento aos incêndios florestais, que infelizmente têm atingido a costa oeste com frequência nos últimos anos — vale a pena acompanhar a situação atual e ter um plano B.
Passagens, carro e internet
Para este itinerário específico, o mais lógico é voar até Portland, no estado de Oregon, e comprar a passagem de volta saindo de San Francisco (ou de Reno, em Nevada, se quiser terminar direto no Lake Tahoe). Saindo do Brasil, vale pesquisar voos com conexão nos principais hubs americanos. Para encontrar passagens baratas, use o Kiwi — é nosso portal favorito, onde você monta facilmente passagens “multicity” (chegando em um lugar e saindo por outro).
O carro é absolutamente indispensável nos EUA — sem ele, você simplesmente não sai do lugar. Eu e o Lukáš temos ótimas experiências com o RentalCars, que usamos em todas as nossas viagens pelo mundo. Recomendo muito reservar o carro com bastante antecedência, especialmente na temporada de verão, porque os preços de última hora disparam e a disponibilidade diminui. Leve em conta também que por devolver o carro em outro estado, as locadoras costumam cobrar a chamada “one-way fee”, que pode chegar a algumas centenas de dólares a mais.
Para navegar e buscar informações em tempo real, você vai precisar de dados móveis. Por experiência própria, recomendamos o eSIM — dê uma olhada na nossa resenha do Holafly para entender como funciona e por que já não compramos mais chip físico. Brasileiros podem ativar o eSIM da Holafly antes mesmo de embarcar — super prático!
Quanto à saúde, não economize no seguro viagem para os EUA — o sistema de saúde americano é astronomicamente caro. Para viagens mais longas, confiamos no True Traveller, ou leia nossa resenha do SafetyWing, que é uma ótima opção para nômades digitais e estadias prolongadas. Lembre-se também de que brasileiros precisam do visto americano (B1/B2) e da autorização ESTA não se aplica — planeje isso com antecedência.

Onde se hospedar e quanto custa tudo
Os EUA definitivamente não são um destino barato, e esta região menos ainda. Em comparação com o centro-oeste americano, os preços de hospedagem e alimentação são visivelmente mais altos — mas as experiências que você leva valem cada centavo. Prepare-se para o fato de que a maioria das hospedagens ao longo da rota serão motéis americanos clássicos ou chalés de montanha (lodges), que têm seu charme, mas muitas vezes parecem parados nos anos setenta.
Um motel médio com café da manhã (o que geralmente significa café de máquina e torrada com geleia 😅) sai por volta de 120 a 180 dólares a diária para duas pessoas. Em pontos turísticos badalados como Cannon Beach ou direto no Lake Tahoe, os preços na alta temporada podem ultrapassar tranquilamente 250 dólares por noite. Se quiser economizar, dá para combinar o roadtrip com camping — os parques estaduais e nacionais americanos têm campings lindos, mas é preciso reservar com até seis meses de antecedência.
Orçamento exemplo para duas pessoas em 14 dias:
- Passagens aéreas (multicity): cerca de 700 € / pessoa
- Aluguel de carro incluindo seguro e taxa one-way: 1.350 € (675 € / pessoa)
- Gasolina: 230 € (115 € / pessoa — a gasolina nos EUA ainda é bem mais barata que no Brasil)
- Hospedagem (média de 135 € / noite): 1.890 € (945 € / pessoa)
- Alimentação (combinação de supermercados, fast-food e restaurantes esporádicos): 770 € (385 € / pessoa)
- Entradas, passes de parques, café e miudezas: 190 € / pessoa
- Total: aproximadamente 3.010 € por pessoa.
Onde comer bem pelo caminho
A comida no roadtrip é uma pequena obsessão nossa. Espere bastante fast-food americano clássico, que até te salva nos longos deslocamentos, mas de vez em quando dá para encontrar verdadeiras pérolas gastronômicas. Eu e o Lukáš combinamos logo no início da viagem que pelo menos uma vez por dia sentaríamos em um restaurante de verdade, para não ficar só engolindo hambúrguer atrás do volante — e realmente valeu muito a pena.
E tenho que dizer que o noroeste nos surpreendeu demais nesse quesito. Assim que você chega ao litoral ou às grandes cidades, descobre um paraíso culinário inesperado, onde reinam ingredientes frescos, fazendas locais e o trabalho dedicado dos chefs da região.
Nossas paradas favoritas e sabores típicos
No litoral do Oregon, procure aquelas barraquinhas de peixe escondidas na beira da estrada. Sanduíches de caranguejo ou o tradicional chowder feito com peixe fresquinho são algo que vai mudar completamente sua visão sobre a cozinha americana. Muitas vezes esses lugares parecem meio abandonados por fora, mas não se engane — por dentro geralmente te espera um verdadeiro paraíso gastronômico. Nós nos apaixonamos especialmente pelos restaurantes familiares, onde uma garçonete simpática já chega com uma jarra de café coado antes mesmo de você sentar.
Em Portland, ficamos completamente viciados no conceito dos food trucks. Estão espalhados praticamente em cada esquina nos chamados “pods” e oferecem um mix incrível de sabores do mundo todo por poucos dólares. Você compra tacos mexicanos fantásticos, seu acompanhante pega um curry tailandês ao lado, e depois comem juntos em banquinhos de madeira sob luzinhas decorativas. E quando você chega ao interior, perto de Bend, conte com as cervejarias locais. Junto com cervejas artesanais excelentes, servem costelas e pulled pork absolutamente sensacionais, daqueles que você fica lembrando no dia seguinte.
Roteiro: roadtrip de 14 dias pelo noroeste dos EUA
Montamos o roteiro inteiro de forma que não te canse desnecessariamente. Nada de acordar às quatro da manhã só para sair duas horas mais cedo — todos os dias você tem tempo para parar, respirar e curtir o que estiver vendo. Afinal, estamos de férias, né? ☺️
Dia 1. Chegada em Portland e primeiro contato com a cidade

Seu roadtrip começa em Portland, cidade famosa pelo lema não oficial “Keep Portland Weird” (Mantenha Portland Estranha). É uma cidade cheia de café excelente, comida de rua, cervejarias artesanais e uma atmosfera super descontraída. Depois de pousar e pegar o carro, faça o check-in na hospedagem e saia para esticar as pernas após o longo voo.
Vá até o bairro Pearl District, onde antigos armazéns industriais se transformaram em galerias modernas, butiques e cafeterias charmosas. Pare na Powell’s City of Books, a maior livraria independente do mundo — que ocupa um quarteirão inteiro — e reserve umas duas horas por lá. Tive que literalmente arrastar o Lukáš pela manga para sair. Para o jantar, experimente um dos muitos food trucks espalhados pela cidade: os chamados “food carts pods” estão em cada esquina e você encontra de tudo, de curry tailandês a tacos mexicanos incríveis por poucos dólares.
Quando já estiver satisfeito com a cidade, pegue o carro e suba um pouco acima do centro até o Washington Park. Lá se esconde um dos jardins japoneses mais bonitos fora do Japão. Passear sob as árvores e ouvir o murmúrio de pequenas cascatas foi exatamente a tranquilidade que precisávamos depois do voo longo. De lá, a vista panorâmica da cidade inteira é espetacular. No final da tarde, voltamos ao centro para descobrir cafeterias locais, como o famoso Stumptown Coffee Roasters, onde fazem um café que vai te deixar acordado uns três dias.
Onde se hospedar em Portland:
Uma ótima escolha é o The Society Hotel em um prédio histórico pertinho do centro, com um terraço no telhado incrível. Se procura algo mais no estilo motel, mas limpo e com estacionamento gratuito, confira o KEX Portland.
Dia 2. Desfiladeiro Columbia River Gorge e cachoeiras

No segundo dia, prepare-se para uma dose intensa de natureza. A apenas 45 minutos de carro a leste de Portland fica o deslumbrante desfiladeiro Columbia River Gorge, escavado pelo rio Columbia, que forma a fronteira natural entre os estados de Oregon e Washington. Toda a região é incrivelmente repleta de cachoeiras e cercada por florestas profundas cobertas de musgo.
Sua primeira parada será, sem dúvida, a Multnomah Falls. Com 189 metros de altura, é a cachoeira mais alta do Oregon, e a vista dela dividida por uma pitoresca ponte de pedra é absolutamente icônica. Mas tem um grande porém: é provavelmente a atração natural mais visitada da região, então a lotação costuma ser absurda. Recomendo chegar o mais cedo possível, idealmente antes das nove da manhã — senão você não encontra vaga no estacionamento, e no verão é necessário reservar online com antecedência a entrada de veículos. De lá, siga pela estrada cênica Historic Columbia River Highway e pare nas cachoeiras Latourell Falls ou Wahkeena Falls, onde costuma ter bem menos gente e dá para fazer uma caminhada linda pela floresta.
Ao longo da Historic Columbia River Highway, faça uma parada também na Vista House em Crown Point. É um belo edifício histórico com cúpula, que se ergue sobre um penhasco alto diretamente acima do rio. A vista de lá é tão imensa que a gente se sente minúsculo. E como venta bastante, recomendo levar um corta-vento leve na mochila. Nós ficamos lá parados, com o cabelo voando para todo lado, simplesmente fascinados olhando aquela massa enorme de água lá embaixo no vale.
Onde se hospedar:
Na segunda noite, você pode ficar em Portland mesmo ou se deslocar para mais perto das montanhas, na cidadezinha de Hood River, onde recomendo o estiloso Hood River Hotel.
Dia 3. O majestoso Mount Hood e florestas mágicas

Hoje vamos rumo à montanha mais alta do Oregon: o vulcão Mount Hood, cujo pico nevado já vai te espiando de longe. Ao redor da montanha passa uma rota deslumbrante chamada Mt. Hood Scenic Byway. Nosso destino é o icônico Timberline Lodge, um chalé de montanha imponente construído durante a Grande Depressão com enormes troncos de madeira e pedras.
Se você é fã de Stephen King, com certeza vai reconhecer esse chalé — aqui foram filmadas as cenas externas do Hotel Overlook do clássico “O Iluminado”. Dá para entrar mesmo sem estar hospedado e tomar um chocolate quente junto à enorme lareira. Do chalé partem várias trilhas. Nós fizemos apenas uma caminhada mais curta em direção ao Zigzag Canyon, porque mesmo no verão você encontra trechos cobertos de neve por ali. Considerando o terreno, vale a pena conferir quais botas de trilha levar para esse tipo de passeio — tênis comum definitivamente não dá conta.
Antes de subir até o chalé, faça um desvio até o Trillium Lake. É um lugar encantador, especialmente bem cedinho, quando a superfície do lago está calma como um espelho e o majestoso Mount Hood se reflete perfeitamente nela. É exatamente aquele tipo de foto que você coloca de papel de parede no computador. Ao redor do lago há ainda uma trilha de madeira bem tranquila, perfeita para aquele alongamento matinal com um café quente na mão. À tarde, seguimos em direção ao litoral do Oregon, porque nos espera outra grande mudança de paisagem.
Onde se hospedar na região do Mount Hood:
Hospede-se na pitoresca cidadezinha de Government Camp, por exemplo no Best Western Mt. Hood Inn, ou continue para oeste em direção à região de Tillamook.
Dia 4. Litoral do Oregon e a cinematográfica Cannon Beach

Das montanhas finalmente descemos até o oceano e tenho que confessar: o litoral do Oregon é, para mim, um dos lugares mais bonitos de toda a América. Não espere palmeiras e banho de sol de biquíni em espreguiçadeira — a água no verão fica em torno de 10 a 13 graus e as praias são açoitadas por ventos gelados. É um espetáculo rústico, melancólico, mas absolutamente deslumbrante, com falésias dramáticas e névoas matinais.
De manhã, vá até Cannon Beach, uma enorme praia de areia de onde emerge da água a gigantesca formação rochosa Haystack Rock. Talvez o cenário te lembre os filmes “Os Goonies” ou “Crepúsculo”, que foram filmados nessa região. A cidadezinha de Cannon Beach em si é cheia de lojinhas de arte charmosas e cafeterias. À tarde, recomendo seguir até o Oswald West State Park e fazer uma curta caminhada pela floresta de cedros antigos até a baía Short Sand Beach, que é queridinha dos surfistas locais. Aproveite cada respirada desse ar fresco, carregado de sal e aroma de pinheiro.
À tarde, inclua no plano também o mirante no Ecola State Park, que fica pertinho. O estacionamento lá costuma ser um pouco disputado, mas assim que você chega ao topo do penhasco e olha para baixo, para aquelas praias recortadas envoltas em bruma, entende por que tantos filmes românticos foram gravados ali. Nós ficamos mais de uma hora só observando as ondas batendo incansavelmente nas rochas e tentando avistar baleias no horizonte com o binóculo. Não vimos nenhuma naquele dia, mas mesmo assim a atmosfera era de tirar o fôlego.
Onde se hospedar em Cannon Beach:
Uma ótima opção com vista para o oceano é o Tolovana Inn ou o aconchegante The Waves.
Dia 5. Leões-marinhos, queijos e Newport

No quinto dia do nosso roadtrip pelo oeste dos EUA, vamos continuar descendo pela costa na icônica Highway 101. Faça uma parada rápida na cidade de Tillamook. Pode parecer engraçado, mas lá fica uma enorme fábrica de queijos, a Tillamook Creamery. Eles têm um tour incrível onde você acompanha a produção de blocos gigantes de cheddar, no final tem degustação gratuita e fazem um sorvete absolutamente sensacional (recomendo o sabor de amora-silvestre do Oregon).
Um pouco depois de Tillamook, faça um desvio até o litoral em Cape Meares. Ao redor do farol histórico há uma trilha bonita até uma árvore gigante chamada Octopus Tree. É um abeto massivo que não tem um tronco principal — seus galhos enormes crescem diretamente do chão, formando exatamente o formato de um grande polvo. O Lukáš ficou rodando em volta dela com a câmera por um bom tempo. É realmente fascinante ver o que a natureza consegue criar e fazer sobreviver nessas condições costeiras tão severas.
Perto do horário de almoço, você chega à cidadezinha de Newport. Aqui não deixe de visitar a Yaquina Head Outstanding Natural Area, onde fica o farol mais alto do Oregon. Dos penhascos abaixo do farol, é possível observar baleias, e nas rochas centenas de barulhentos leões-marinhos ficam se espreguiçando ao sol. Para almoçar, vá direto ao cais de Newport no cult restaurante Mo’s Seafood and Chowder e peça a lendária sopa cremosa clam chowder. Sinceramente, o restaurante é meio armadilha de turista e lembro que as mesas grudavam um pouco, mas aquela sopa é tão encorpada e quente que, no clima frio do litoral do Oregon, te dá uma energia nova como nada mais 😁.
Onde se hospedar em Newport:
Nós dormimos em um motel clássico com vista linda para o oceano, o Elizabeth Oceanfront Suites, que até tinha lareira a gás nos quartos.
Dia 6. De volta ao interior e campos de lava em Bend
Hoje damos adeus ao oceano e cortamos pelas florestas densas de volta ao interior, rumo ao Oregon central e à cidade de Bend. A paisagem vai mudando gradualmente: as florestas úmidas dão lugar a pinheirais secos e ao deserto de altitude. Bend é a meca absoluta dos amantes de atividades ao ar livre e a cidade com provavelmente a maior concentração de cervejarias artesanais per capita de todo o estado.
Antes do programa da tarde, faça um passeio delicioso às margens do rio Deschutes em Bend. Pela cidade se estende a longa trilha Deschutes River Trail, onde os moradores a qualquer hora do dia correm com seus cachorros ou andam de mountain bike. Nós pegamos um café e rolinhos de canela quentinhos de uma padaria próxima e ficamos absorvendo aquela atmosfera incrivelmente calma e esportiva de uma cidade onde todo mundo parece passar pelo menos metade da vida ao ar livre.
Ao chegar na região, pare no Lava Lands Visitor Center. Todo o entorno de Bend foi moldado por antiga atividade vulcânica e você pode caminhar por trilhas negras sobre rios de lava petrificada. No fim da tarde, volte à cidade e saia para jantar e tomar cerveja no Crux Fermentation Project. Eles têm um jardim enorme cheio de fogueiras onde os locais sentam com seus cachorros, bebem cervejas artesanais excelentes e contemplam o pôr do sol atrás da cordilheira Cascades. É aquela vibe americana autêntica que a gente conhece dos filmes.
Onde se hospedar em Bend:
Bend tem muitas hospedagens boutique charmosas. O Campfire Hotel é ótimo, com quartos estilosos de vibe retrô e fogueira no pátio à noite, ou opte pelo mais clássico Riverhouse on the Deschutes.
Dia 7. Velho Oeste no Smith Rock State Park

A cerca de 40 minutos ao norte de Bend fica um lugar que você talvez não esperasse encontrar no Oregon: o Smith Rock State Park. De repente, de uma paisagem plana, surgem enormes formações de rochas vermelhas e cânions, por onde serpenteia lentamente o rio Crooked River. É um mundo completamente diferente e incrível comparado aos primeiros dias da viagem.
Este parque é o berço da escalada esportiva americana, então logo na entrada você vai ver dezenas de escaladores agarrados às rochas. Escolha a trilha Misery Ridge Trail (só o nome já é animador, né? 😅). É uma subida puxada que vai te fazer suar bastante, mas do topo as vistas são absolutamente espetaculares — rochas imponentes e picos nevados de vulcões no horizonte. Não esqueça de levar bastante água na mochila, porque aqui o sol castiga sem dó e sombra é artigo de luxo.
Na descida de volta ao vale, fique de olhos bem abertos. Nós tivemos a sorte de ver águias-reais planando majestosamente sobre o cânion. E lá embaixo, junto ao rio, dizem que às vezes aparecem lontras brincando na correnteza. As rochas avermelhadas em contraste com o verde vibrante das árvores ao longo da água são tão fotogênicas que, mesmo que você venha aqui por apenas meio dia, vale muito a pena.
Onde se hospedar:
Nesta noite, recomendo ficar em Bend na mesma hospedagem — assim você economiza o trabalho de fazer e desfazer malas.
Dia 8. Maravilha da natureza chamada Crater Lake

Hoje é, pessoalmente, um dos pontos altos absolutos de toda a viagem. Saímos de Bend rumo ao sul e, depois de cerca de duas horas de estrada, chegamos ao único parque nacional do Oregon: o impressionante lago de cratera Crater Lake. Este lago se formou há aproximadamente 7.700 anos com a explosão gigantesca do vulcão Mount Mazama, que basicamente perdeu todo o seu topo, e a enorme cratera resultante foi se enchendo gradualmente apenas com água da chuva e neve derretida.
A cor do lago é tão intensamente azul-escura que, da beira, você mal acredita que aquilo é real. Nenhuma foto consegue capturar completamente essa tonalidade. Dê a volta no lago pela estrada cênica Rim Drive, que oferece mais de cinquenta quilômetros e dezenas de mirantes espetaculares. Se tiver energia, desça pela íngreme trilha Cleetwood Cove Trail até a beira d’água — é o único ponto onde é permitido chegar perto da superfície. A temperatura da água fica o ano todo pouquinho acima de zero, então um mergulho é mais para masoquistas de verdade. Eu testei colocar só a ponta do dedão do pé e imediatamente entendi que o biquíni guardado na mochila seria completamente inútil 😁.
Durante a volta ao redor do lago, não deixe de parar no mirante Phantom Ship Overlook. Da água emerge dramaticamente uma pequena ilhota cujas rochas pontudas lembram um antigo navio-fantasma pirata. No fim da tarde, tente ir até o mirante Watchman Peak. De lá, o pôr do sol é incomparável. A superfície do lago vai lentamente ganhando tons incríveis de rosa e violeta — ficamos ali parados em absoluto encanto até o último raio desaparecer no horizonte.
Onde se hospedar perto do Crater Lake:
O ideal é se hospedar dentro do parque no histórico Crater Lake Lodge (mas é necessário reservar com muitos meses de antecedência) ou nos motéis do vilarejo Mazama Village.
Dia 9. Longa travessia ao sul rumo à Califórnia e Mt. Shasta

Depois de um café da manhã caprichado, nos espera provavelmente o dia mais longo de estrada de todo o roadtrip — precisamos nos deslocar do coração do Oregon até a fronteira com Nevada e Califórnia, mais perto do Lake Tahoe. Prepare um bom café para levar no copo térmico, coloque sua playlist favorita e se prepare para horas de estrada. Não sabe como organizar tudo no carro de forma inteligente? Dê uma olhada no nosso artigo sobre como fazer a mala na bagagem de mão — várias dicas se aplicam também para arrumar o porta-malas num roadtrip.
Pelo caminho ao sul, na rodovia I-5, você será acompanhado por um bom tempo pela vista de outro imponente vulcão nevado: o Mount Shasta, no norte da Califórnia. É uma montanha majestosa que, segundo dizem, tem uma energia espiritual forte e atrai pessoas do mundo todo. Faça uma parada para almoço por ali: pertinho da rodovia fica a simpática cidadezinha de Mt. Shasta. Depois, siga pelas florestas e colinas em direção a Susanville ou direto para a região de Truckee, ao norte do Lake Tahoe.
Além das vistas pela janela, este é exatamente o tipo de dia em que você vai agradecer ter bons podcasts ou audiobooks, porque o interior da Califórnia pode ser um pouco monótono na estrada. Por outro lado, é finalmente o momento para digerir em paz todas as impressões dos nove dias anteriores repletos de natureza.
Onde se hospedar:
Um ótimo lugar para pernoitar depois da longa estrada é a cidadezinha de Truckee. Recomendo o estiloso The Cedar House Sport Hotel ou o bastante popular Hampton Inn & Suites Tahoe-Truckee.
Dia 10. Chegada ao encantador Lake Tahoe e costa norte

Finalmente chegamos ao Lake Tahoe! Este enorme lago alpino fica a quase 1.900 metros de altitude, na divisa entre Califórnia e Nevada, e é um dos lagos de montanha mais bonitos do planeta. A água é absolutamente cristalina e as margens são emolduradas por lindos pinheirais e praias de areia branca cercadas por grandes blocos de granito.
Hoje vamos explorar a parte norte do lago, que é geralmente mais tranquila e menos afetada pelo turismo de massa do que o sul. Vá até a baía de Sand Harbor, no lado de Nevada. A areia branca e os seixos na água turquesa parecem mais Seychelles do que as montanhas americanas. Alugue aqui um stand-up paddle ou um caiaque transparente e caia na água. É de longe a atividade mais popular no lago e a vista da água para as montanhas ao redor não tem preço. Só tome muito cuidado: o sol em altitude elevada queima de forma traiçoeira, então protetor solar forte é obrigatório.
Se à tarde quiser explorar mais cantos da costa norte, recomendo ir até Incline Village e fazer uma caminhada pelas passarelas de madeira elevadas que seguem pelas rochas rente à superfície do lago. A água é tão transparente que dá para ver o fundo mesmo em profundidades enormes. No fim do dia, se enfie em algum pub local, peça um hambúrguer gigante e deixe a vibe autêntica de montanha tomar conta de você.
Onde se hospedar no Lake Tahoe:
Para a costa norte, experimente o excelente Hyatt Regency Lake Tahoe Resort se quiser um pouco de luxo, ou o mais acessível Basecamp Tahoe City.
Dia 11. A icônica Emerald Bay e trilhas

Hoje de manhã vale a pena acordar cedo, porque vamos até o ponto provavelmente mais famoso e mais fotografado de todo o lago: a deslumbrante baía Emerald Bay, na costa sudoeste. Recomendo estar lá antes das oito da manhã, porque os estacionamentos são bem pequenos e lotam com uma rapidez impressionante.
A vista do Inspiration Point tira o fôlego — toda vez fico surpresa com a cor intensa da água contrastando com as encostas íngremes cobertas de coníferas. No meio da baía fica a pequena ilha Fannette Island, com ruínas de uma antiga casa de chá de pedra. Do mirante, desça pelo caminho até Vikingsholm, uma fascinante residência histórica construída em estilo escandinavo bem na praia do lago. À tarde, recomendo fazer a trilha até Eagle Rock — é um trajeto relativamente curto e fácil que em vinte minutos te leva a um penhasco vulcânico de onde se tem todo o deslumbrante Lake Tahoe na palma da mão.
Antes de seguir para o sul, tente parar no D.L. Bliss State Park. Dali parte a famosa Rubicon Trail, uma trilha incrível que acompanha os penhascos diretamente sobre o lago. O caminho é estreito, às vezes é preciso escalar raízes velhas, mas as vistas ao longe são literalmente de conto de fadas. Passamos toda a manhã ali e tenho que admitir com sinceridade: ir embora do Lake Tahoe foi a despedida mais difícil de todo o nosso roadtrip.
Onde se hospedar:
Desloque-se para a parte sul do lago (South Lake Tahoe), onde a vida noturna é mais animada. Experimente o super moderno e descolado Basecamp Tahoe South ou o agradável Station House Inn.
Dia 12. Das montanhas ao ritmo da cidade grande
Nosso roadtrip está lenta mas inevitavelmente chegando ao fim. Deixamos as montanhas do Lake Tahoe e nos espera um trajeto de aproximadamente quatro horas descendo a serra em direção a San Francisco. Se você gosta nem que seja um pouquinho de vinho, recomendo adaptar a rota e passar pelo ensolarado vale de Napa ou Sonoma. Ambos são famosos por vinhos que se bebem em cada esquina e se servem no almoço com a mesma naturalidade que cerveja no Brasil.
Nós paramos na cidade de Sonoma, que nos pareceu muito mais descontraída do que a um tanto esnobe Napa. Almoce com calma na praça Sonoma Plaza, faça uma degustação leve de vinhos (o motorista infelizmente só dá um golinho ou deixa para a noite ☺️) e aproveite o sol californiano, que lá embaixo já esquenta bem mais do que lá em cima nas montanhas. No fim da tarde, cruzamos a icônica Golden Gate Bridge e chegamos a San Francisco. Quase nos cobraram um absurdo de estacionamento num mirante, mas no final tudo deu certo e curtimos bastante a chegada à cidade com a neblina matinal rolando sobre a ponte. 🙂
Onde se hospedar em San Francisco:
Hospedagem em San Francisco costuma ser bem cara e estacionamento é às vezes um pesadelo (frequentemente 50 dólares por noite em garagem de hotel). Nós escolhemos o hotel The Marker na região de Union Square. Se quiser algo um pouco mais em conta, experimente o Lombard Motor Inn, que felizmente já inclui estacionamento no preço.
Dia 13. San Francisco enevoada, ladeiras e bondes

O penúltimo dia da nossa viagem é dedicado a explorar San Francisco a sério. Esta cidade é incrivelmente fotogênica, mas prepare nervos de aço e panturrilhas fortes — as ruas em alguns trechos são tão íngremes que dá a sensação de que o carro vai capotar para trás.
Comece o dia com um passeio no histórico Cable Car (bondinho). A passagem custa cerca de 8 dólares, o que é bastante para um trajeto curto, mas é uma experiência que faz parte da identidade da cidade. Desça na região de Fisherman’s Wharf, peça um caranguejo ou mais um chowder no pão e caminhe até o famoso píer Pier 39, onde centenas de leões-marinhos vivem se empurrando e berrando em cima de plataformas de madeira — porque por que não? À tarde, não perca a Lombard Street, aquela famosa rua mais sinuosa do mundo cercada de canteiros floridos, e ao anoitecer vá ao mirante Alamo Square, de onde se tem aquela vista clássica da fileira de casinhas vitorianas coloridas, as chamadas Painted Ladies, com os arranha-céus ao fundo.
Se sobrar tempo, explore também o famoso bairro chinês, o Chinatown. De repente você se sente como se tivesse cruzado o oceano e desembarcado diretamente na Ásia. As ruelas estreitas estão lindamente decoradas com lanternas vermelhas, e o cheiro de pato laqueado e chá está em todo canto. Nós entramos em uma minúscula fábrica de biscoitos da sorte, onde nos deram os biscoitinhos ainda quentes direto da esteira. Foi incrivelmente autêntico e por um momento esquecemos completamente que ainda estávamos na Califórnia.
Onde se hospedar:
Mesma hospedagem da noite anterior em San Francisco.
Dia 14. Últimas compras, Alcatraz e voo de volta

Nosso último dia. Se seu voo for à noite, recomendo muito reservar com antecedência (até dois meses antes!) a visita à famosa prisão de Alcatraz. O audioguia, narrado de forma brilhante por ex-guardas e pelos próprios presos, é absolutamente excelente e dá à ilha uma atmosfera arrepiante, porém muito marcante.
Depois disso, só resta comprar os últimos souvenirs e talvez uns doces americanos para a longa viagem de avião. E quando você devolver o carro na locadora do aeroporto e entrar na fila do check-in, vai saber que voltou um pouquinho maior. Ou pelo menos é o que parece nas fotos. 😁
Para onde ir a partir da costa oeste
Pessoalmente, já estamos planejando que na próxima vez vamos estender a viagem e incluir Washington ou Yellowstone. Se isso te interessa também, aqui vão algumas dicas de para onde continuar a partir desta região:
- Para o norte, estado de Washington: De Portland é um pulo até outra cidade incrível — leia nosso artigo sobre o que ver em Seattle. De lá dá para explorar parques nacionais deslumbrantes como Olympic ou Mount Rainier.
- Rumo à vida selvagem: Se o que te atrai mais são ursos e gêiseres, talvez se interesse em saber como é o lendário Parque Nacional de Yellowstone.
FAQ: Perguntas frequentes sobre roadtrip Oregon e Washington
Antes de mergulhar de vez na arrumação das malas e no planejamento da rota, reuni algumas das perguntas mais comuns. Eu mesma sei como é ficar meio confusa antes de uma viagem para os EUA. Espero que essas respostas te ajudem a esclarecer os detalhes e te poupem um pouco dos nervos pré-embarque. O resto você resolve tranquilamente no improviso — e essa é a melhor parte dos roadtrips! ☺️
Dirigir nos EUA é complicado?
Sinceramente, dirigir nos EUA costuma ser até mais tranquilo do que no Brasil. As estradas são largas, os carros têm câmbio automático e a sinalização é bem clara. Só se acostume com o fato de que nas highways é comum ultrapassar por ambos os lados. Brasileiros precisam da Carteira Internacional de Habilitação (PID), que pode ser obtida no Detran.
Como é o clima no Oregon no verão?
Bem traiçoeiro! No litoral pode estar a 15 graus com neblina densa, enquanto duas horas depois, em Bend, faz 30 graus com sol escaldante. Vestir-se em camadas é absolutamente essencial para sobreviver aqui.
Precisa pagar entrada nos parques nacionais?
Sim. Se for visitar o Crater Lake (e outros monumentos nacionais e florestas ao longo da rota), vale a pena comprar logo o America the Beautiful Pass por 80 dólares, que dá acesso a todos os parques nacionais federais por um ano inteiro e vale para todos os ocupantes do veículo.
Existem ursos nessa região?
Sim, nas florestas do Oregon e no Lake Tahoe vivem ursos-negros americanos. Durante as trilhas, faça um pouco de barulho e vale a pena ter um spray de urso por precaução, embora encontros sejam bastante raros.
Dá para nadar no oceano no litoral do Oregon?
A resposta curta é não. A água do Oceano Pacífico ali fica em torno de 10 a 13 graus no verão e as correntes submarinas são extremamente perigosas. O oceano aqui serve mais para admirar e para surfistas corajosos com neoprenes bem grossos.
Preciso levar dinheiro em espécie?
Na maioria dos lugares, o cartão de crédito internacional funciona perfeitamente. Mas recomendo ter algumas dezenas de dólares em espécie para gorjetas (como para a camareira do hotel) ou para pagar entrada e estacionamento em parques mais remotos, onde o pagamento é feito por um sistema de envelopes sem atendente.
14 dias são suficientes para essa rota?
Com certeza! Este roteiro foi montado para ser feito confortavelmente em 14 dias, sem precisar acordar às cinco da manhã todo dia. Claro que, se você tiver umas três semanas livres, poderia ficar mais tempo em cada lugar e explorar com calma mais vales e praias ao longo do caminho.
Tipy a triky pro vaší dovolenou
Nepřeplácejte za letenky
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Nezapomeňte na cestovní pojištění
Kvalitní cestovní pojištění vás ochrání před nemocí, úrazem, krádeží nebo stornem letenek. Pár návštěv nemocnic jsme v zahraničí už absolvovali, takže víme, jak se hodí mít sjednané pořádné pojištění.
Kde se pojišťujeme my: SafetyWing (nejlepší pro všechny) a TrueTraveller (na extra dlouhé cesty).
Proč nedoporučujeme nějakou českou pojišťovnu? Protože mají dost omezení. Mají limity na počet dnů v zahraničí, v případě cestovka u kreditní karty po vás chtějí platit zdravotní výdaje pouze danou kreditní kartou a často limitují počet návratů do ČR.
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