Havaí (Estados Unidos): Guia do Hawaiʻi Volcanoes National Park

TL;DRO Hawaiʻi Volcanoes National Park, no sudeste da Big Island (Havaí, Estados Unidos), protege dois vulcões ativos, Kīlauea e Mauna Loa, e reúne pontos como a cratera Halemaʻumaʻu, o Thurston Lava Tube, a Chain of Craters Road e os petróglifos de Puʻu Loa. A entrada custa US$ 30 por carro para 7 dias (ou gratuita com o passe anual America the Beautiful por US$ 80), e o parque fica aberto 24 horas por dia, o ano todo. O ideal é reservar pelo menos 1 dia inteiro, de preferência 2, e a melhor época para visitar é de abril a junho ou de setembro a novembro. A hospedagem mais próxima fica em Volcano Village, na entrada do parque, ou na cidade de Hilo, a 45 minutos de carro. O artigo traz 15 dicas concretas do que ver e fazer no parque, incluindo a observação noturna do brilho vermelho da cratera.

Você está na borda de uma cratera gigantesca, sente o calor da terra sob os pés e o ar cheira a enxofre. À sua frente se estende uma paisagem que parece de outro planeta. Lava preta, fissuras fumegantes e nem uma árvore por perto. E então você olha para baixo, para a cratera Halemaʻumaʻu, e percebe que está encarando diretamente a garganta de um dos vulcões mais ativos do mundo, aqui no Havaí, nos Estados Unidos. 🌋

É exatamente assim o primeiro dia no Hawaiʻi Volcanoes National Park, na Big Island. E, sinceramente, nenhum guia ou foto do Instagram te prepara para essa sensação. É um lugar onde você literalmente vê uma nova terra nascendo. A crosta do planeta aqui não é um conceito abstrato de livro de geografia. Aqui ela está bem debaixo dos seus pés, quente e viva.

Reserve dois dias inteiros para o parque e, mesmo assim, você não vai querer ir embora. O Hawaiʻi Volcanoes National Park é muito mais do que só “dar uma olhada no vulcão e seguir viagem”. Aqui você encontra floresta tropical, cavernas de lava, trilhas por campos de lava solidificada, petróglifos havaianos antigos e, com um pouco de sorte, até lava incandescente. Neste artigo eu trago 15 dicas do que ver e fazer no Hawaiʻi Volcanoes National Park, com orientações sobre quando ir, onde ficar, quanto custa tudo isso e como aproveitar o parque ao máximo, mesmo que você tenha só um dia.

Conteúdo do artigo

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • O Hawaiʻi Volcanoes National Park fica no sudeste da Big Island (Havaí) e abriga dois vulcões ativos: Kīlauea e Mauna Loa.
  • A entrada custa US$ 30 por carro (válida por 7 dias) ou é gratuita com o passe America the Beautiful (US$ 80 por ano para todos os parques nacionais dos EUA).
  • O parque está aberto 24 horas, 365 dias por ano. À noite a atmosfera é ainda mais mágica, porque dá para ver o brilho vermelho da cratera.
  • A melhor época para visitar é de abril a junho ou de setembro a novembro, quando há menos turistas e o clima é agradável.
  • Planeje pelo menos 1 dia inteiro, de preferência 2. Há mais coisas do que parece à primeira vista.
  • A Kīlauea Iki Trail é provavelmente a melhor trilha do parque: você atravessa a floresta tropical e depois desce direto para dentro da cratera.
  • Para a Chain of Craters Road, conte com pelo menos 2 a 3 horas (ida e volta + paradas).
  • O Thurston Lava Tube é um passeio curto, mas fascinante, por uma caverna de lava, ótimo até para famílias.
  • A hospedagem mais acessível fica no vilarejo de Volcano Village, bem na entrada do parque, ou na cidade de Hilo (45 min de carro).
  • Não esqueça de levar jaqueta e capa de chuva, o parque fica a cerca de 1.200 m de altitude e chove com frequência.

Quando ir ao Hawaiʻi Volcanoes National Park e como chegar

Antes de entrar nas dicas em si, vamos esclarecer alguns pontos práticos: qual a melhor época para visitar, como chegar ao parque e o que levar. Essas informações vão te poupar bastante estresse no local.

Melhor época para visitar

Você pode visitar o Hawaiʻi Volcanoes National Park o ano inteiro, o parque nunca fecha. Mas o clima aqui é bem diferente do resto do Havaí. O parque fica a cerca de 1.200 metros acima do nível do mar, então as temperaturas ficam em torno de 15 a 22 °C (sim, no Havaí você pode até sentir frio 😅). Além disso, é bastante úmido e chove com frequência, principalmente do lado do Kīlauea, onde a floresta tropical praticamente vive dessa umidade constante.

Os melhores meses são de abril a junho e de setembro a novembro. Nesses períodos há menos turistas, menor chance de chuva e temperaturas mais agradáveis. Já o verão (julho e agosto) e as festas de fim de ano são as épocas mais movimentadas, principalmente nas atrações populares como o Thurston Lava Tube ou o mirante do Jaggar Museum, onde se formam filas.

Mas uma coisa vale sempre: venha também de noite ou no fim da tarde. Se o Kīlauea estiver ativo e houver lava visível na cratera, ao anoitecer você verá o brilho vermelho refletido nas nuvens e nas paredes da cratera. É uma experiência absolutamente hipnotizante, o tipo de coisa que faz as pessoas voltarem várias vezes.

Como chegar ao parque

O parque fica na costa sudeste da Big Island, a cerca de 45 minutos de carro de Hilo e a aproximadamente 2h30 de Kailua-Kona (costa oeste). Se você chegar de avião à Big Island, tem dois aeroportos: Hilo (ITO) é mais próximo, e Kona (KOA) é mais popular e tem mais voos.

O carro é praticamente indispensável. Existe transporte público na Big Island (o Hele-On Bus), mas os horários são raros e pouco práticos para visitar o parque. Você compara as ofertas de todas as locadoras num só lugar pela RentalCars. No Havaí, reserve o quanto antes, porque na alta temporada faltam carros e os preços disparam.

Se você vier do Brasil, procure passagens aéreas em portais como o Kiwi, nosso preferido para achar conexões. Não existe voo direto do Brasil para o Havaí: o comum é sair de São Paulo com LATAM, GOL ou TAP e fazer conexão nos Estados Unidos continentais (Los Angeles, San Francisco ou Seattle) antes de seguir para a Big Island. E se o Havaí te interessa de forma geral, dá uma olhada no nosso guia de Maui, cheio de outras dicas.

O que levar

Isso é importante, porque muita gente se surpreende com o parque. Você chega da praia em Kona de shorts e chinelo e, de repente, está no meio da neblina a 15 graus. Eu recomendo:

  • Jaqueta ou moletom: à noite e de manhã faz frio de verdade
  • Capa de chuva: chove com frequência e sem aviso
  • Calçado firme: de chinelo você não vai longe nos campos de lava (para as trilhas maiores, vale investir em botas de trekking decentes)
  • Água e lanche em quantidade: no parque há só um restaurante e uma lojinha
  • Lanterna ou lanterna de cabeça: para a observação noturna da cratera e para o Thurston Lava Tube (parte da caverna não tem iluminação)
  • Protetor solar: mesmo nublado, a radiação UV nessa altitude é forte

Onde ficar + quanto custa visitar o Hawaiʻi Volcanoes National Park

Vamos detalhar quanto vai custar a visita ao parque e onde é melhor se hospedar. Os preços no Havaí em geral não são nada amigáveis ao bolso, mas com um pouco de planejamento dá para resolver de forma razoável.

Entrada do parque

A entrada custa US$ 30 por carro de passeio (cerca de R$ 170), o que inclui todos os passageiros e vale por 7 dias. Pedestres e ciclistas pagam US$ 15 por pessoa. Se você planeja visitar mais parques nacionais nos EUA (e deveria mesmo, aqui está a nossa lista dos lugares mais lindos dos EUA), vale muito a pena comprar o passe anual America the Beautiful por US$ 80 (cerca de R$ 450). Ele já se paga na terceira visita a qualquer parque nacional.

Onde se hospedar

Você tem basicamente três opções:

1. Volcano Village: um vilarejo minúsculo, literalmente a 5 minutos da entrada do parque. Essa é a escolha número um. Você encontra B&Bs, hotéis pequenos e vários Airbnbs em charmosas casinhas de madeira no meio da floresta tropical. A atmosfera é absolutamente encantadora. De manhã você acorda com o canto dos pássaros e a neblina se infiltrando entre as árvores. Os preços ficam por volta de US$ 120 a 250 por noite (R$ 680 a 1.400).

2. Hilo: a maior cidade do lado leste da ilha, a 45 minutos do parque. Mais acessível, com mais restaurantes e lojas. Hilo é aquele tipo de cidade havaiana “mais autêntica”, menos turística, mais chuvosa, mas com uma atmosfera incrível. Hospedagem a partir de US$ 80 por noite (R$ 450) num motel, chegando a US$ 200 ou mais nos hotéis melhores.

3. Kona / costa oeste: se você se hospedar no oeste (popular pelas praias e resorts), o parque fica a 2h a 2h30. Dá para fazer como bate e volta de um dia, mas você perde a observação noturna da cratera, e isso seria uma pena.

Dicas concretas para Volcano Village e arredores: o lugar mais próximo da cratera para dormir é dentro do próprio parque, no histórico hotel Volcano House, cujos quartos com vista para a caldeira do Kīlauea são reservados com meses de antecedência. No vilarejo, uma ótima escolha é o Kilauea Lodge, com um restaurante famoso, ou os bangalôs românticos do Volcano Village Lodge, escondidos na floresta tropical.

Em Hilo, a melhor localização é a do Grand Naniloa Hotel, bem na baía de Hilo Bay, e uma alternativa clássica mais barata logo ao lado é o Hilo Hawaiian Hotel, com vista para o oceano.

Quanto custam dois dias no parque (para duas pessoas)

Orçamento aproximado para 2 dias, duas pessoas:

  • Entrada: US$ 30 (um carro, válida por 7 dias)
  • Hospedagem (2 noites, Volcano Village): US$ 250 a 500
  • Aluguel de carro (2 dias): US$ 80 a 150
  • Combustível: US$ 20 a 30
  • Alimentação (2 dias): US$ 80 a 120
  • Total: cerca de US$ 460 a 830, ou seja, aproximadamente R$ 2.600 a 4.700 para duas pessoas

15 dicas do que ver e fazer no Hawaiʻi Volcanoes National Park

Agora sim, ao que mais importa: o que ver e fazer no parque de verdade. Preparei para você 15 dicas, das paradas “obrigatórias” que você não pode pular até lugares menos conhecidos, aonde a maioria dos turistas não chega. As dicas estão mais ou menos na ordem em que eu recomendaria percorrer o parque: começamos pelo Kīlauea e seguimos em frente.

1. Kīlauea Visitor Center: comece por aqui

Não importa se você tem uma hora ou dois dias no parque, a primeira parada deve ser sempre o Visitor Center, logo na entrada principal. Os rangers têm ali informações atualizadas sobre quais trilhas estão abertas, onde há eventual atividade vulcânica e como estão as condições das estradas.

Lá dentro você encontra um museu pequeno, mas excelente, com exposições interativas sobre geologia, mitologia havaiana e história das erupções. A cada 15 minutos passam um curta documentário sobre o parque. Recomendo assistir: ele dá um ótimo contexto para tudo o que você verá depois.

Os rangers são incrivelmente simpáticos e prestativos. Não tenha vergonha de perguntar qualquer coisa, das melhores trilhas até se dá para ver lava em algum lugar. É justamente aqui que você descobre as informações mais recentes, que nenhum site ou guia tem.

2. Steam Vents e Steaming Bluff: a terra que respira

A poucos minutos de carro do Visitor Center você chega aos Steam Vents, pontos onde vapor quente sobe das fissuras do solo. Você estaciona bem à beira da estrada, desce do carro e à sua volta tudo fumega como num spa sobrenatural. É uma sensação meio surreal. Você percebe como é fina a camada de rocha que te separa do interior incandescente da Terra.

Dali, siga por uma trilhinha curta até o Steaming Bluff, de onde você tem uma vista maravilhosa da caldeira do Kīlauea. Nas condições certas (frescor da manhã, depois da chuva) há tanto vapor que parece que você está num hammam turco no meio de um campo de lava. 😅

É uma parada rápida (15 a 20 minutos bastam), mas inesquecível. E é gratuita, sem nenhum equipamento especial.

3. Cratera Halemaʻumaʻu: o coração do Kīlauea

Esta é A parada. O principal motivo pelo qual as pessoas vêm até aqui. A cratera Halemaʻumaʻu é uma cratera enorme dentro de uma cratera ainda maior (a caldeira do Kīlauea) e é o lugar onde nos últimos anos aconteceram as erupções mais dramáticas.

Na mitologia havaiana, Halemaʻumaʻu é a casa de Pele, a deusa do fogo, da lava e dos vulcões. Para a cultura havaiana é um lugar sagrado, e esse respeito você sente ali. Verá pessoas trazendo oferendas (flores, frutas) para a borda da cratera.

A melhor vista você tem de vários mirantes ao longo da Crater Rim Trail. De dia você vê a cratera imensa, com o fundo fumegante e paredes em todos os tons de ocre, cinza e preto. Mas o momento que faz valer a pena ficar chega à noite: o brilho vermelho da lava se reflete nas nuvens sobre a cratera. É hipnotizante e você não vive nada parecido em nenhum outro lugar do mundo.

Importante: a atividade vulcânica muda o tempo todo. O Kīlauea teve uma grande erupção em 2018, outra fase ativa entre 2020 e 2023, e a situação pode mudar a qualquer momento. Sempre confira o estado atual no site do NPS ou diretamente com os rangers.

4. Kīlauea Iki Trail: a melhor trilha do parque

Se você tem tempo para uma única trilha, que seja a Kīlauea Iki Trail. Entre os visitantes, ela é considerada a mais linda não só deste parque, mas talvez de todo o Havaí. Tem cerca de 6,4 km (circular) e leva de 2 a 3 horas.

O trajeto começa na floresta tropical: samambaias gigantes, árvores ʻōhiʻa floridas, canto de pássaros. É tudo tão verde e exuberante que você se sente no Jurassic Park. E então, de repente, a floresta acaba, você desce por uma trilha íngreme e está no fundo da cratera. Uma superfície plana e preta de lava solidificada, da qual, aqui e ali, sobe vapor. O contraste é totalmente maluco: de uma floresta cheia de vida você entra direto numa paisagem lunar.

A trilha atravessa o próprio fundo da cratera, que se formou na erupção de 1959. Em alguns pontos a lava ainda está quente sob a superfície. Sim, você sente mesmo o calor pela sola dos sapatos.

Dica: saia de manhã (idealmente por volta das 8h), quando há menos gente e o ar está mais fresco. A trilha é de dificuldade média, você precisa de bom calçado e água em quantidade. Na lava não há nenhuma sombra.

5. Thurston Lava Tube (Nāhuku): um passeio pelas entranhas do vulcão

O Thurston Lava Tube é uma das atrações mais populares do parque, e por um bom motivo. É uma caverna de lava, ou seja, um túnel que se formou quando a superfície do fluxo de lava solidificou, mas por dentro a lava continuou correndo e acabou escoando, deixando um vazio.

O passeio inteiro leva uns 20 a 30 minutos. Primeiro você atravessa um trecho de floresta tropical maravilhosa (densa, verde e úmida, um mundo totalmente diferente dos campos de lava a poucos minutos dali) e depois entra na caverna. A parte principal do túnel é iluminada e tem passarela pavimentada, então é um passeio confortável, adequado até para famílias com crianças e carrinhos.

Para os aventureiros: depois da parte iluminada, o túnel continua num trecho sem iluminação, que dá para percorrer com lanterna. É mais longo, mais escuro e muito mais atmosférico. Recomendo a lanterna de cabeça!

O Thurston Lava Tube costuma ser bem visitado, então, se você não suporta multidões, chegue cedinho pela manhã ou no fim da tarde.

6. Devastation Trail: um passeio pelo apocalipse

Se você quer ver o que um vulcão é capaz de fazer com a paisagem, a Devastation Trail é exatamente a trilha certa. É um caminho simples, plano e pavimentado (cerca de 1,6 km ida e volta), que atravessa uma área devastada pela erupção do Kīlauea Iki em 1959.

Imagine uma floresta que, em poucas horas, foi soterrada por cinzas vulcânicas e pedra-pomes. Troncos brancos e mortos se erguem do solo como esqueletos. E entre eles, aos poucos, uma nova vida vai abrindo caminho. É aí que está a beleza. Pequenas samambaias, arbustos de ʻōhiʻa lehua com flores vermelhas. É como uma história silenciosa sobre como a natureza sempre acaba vencendo.

A trilha é acessível e qualquer pessoa consegue fazer. Ideal como uma parada curta entre trilhas maiores.

7. Chain of Craters Road: a estrada até o oceano por campos de lava

A Chain of Craters Road é uma estrada de 31 km que desce da borda da caldeira do Kīlauea até a costa do Oceano Pacífico. É uma das estradas mais dramáticas por onde já passamos. Você começa na floresta tropical, passa por uma cratera atrás da outra e, aos poucos, a paisagem se transforma em campos de lava infinitos. Pretos, ondulados, surreais.

O percurso leva cerca de 45 minutos num sentido (sem paradas), mas conte que você vai parar a cada poucos minutos. Há muitos mirantes, trilhas mais curtas e lugares onde dá para descer e explorar os campos de lava de perto.

No fim da estrada você chega ao Hōlei Sea Arch, um imponente arco de rocha esculpido pelas ondas no penhasco de lava. É um lugar lindo para um piquenique e um descanso antes da volta.

Importante: a estrada é sem saída, no fim você precisa dar meia-volta e voltar pelo mesmo caminho. O passeio completo, ida e volta com paradas, leva pelo menos 2 a 3 horas. Leve bastante água e um lanche, porque no trajeto não há nenhuma infraestrutura.

8. Petróglifos de Puʻu Loa: 23 mil histórias gravadas na lava

Essa dica eu chamaria de “tesouro escondido do parque”. A maioria das pessoas ou não sabe dos petróglifos ou os pula, porque ficam um pouco fora das rotas principais. E é uma pena, porque Puʻu Loa é um dos maiores sítios de petróglifos de todo o Havaí: mais de 23 mil figuras gravadas na rocha de lava pelos antigos havaianos.

A trilha até os petróglifos sai da Chain of Craters Road e tem cerca de 2,4 km ida e volta. Ela atravessa um campo de lava aberto (nenhuma sombra e muito sol, chapéu e água são indispensáveis), mas o terreno é relativamente plano.

No local você encontra passarelas de madeira, de onde olha para baixo, para centenas de figuras: círculos, figuras humanas, canoas, animais. Muitas delas são piko, ou seja, pequenas cavidades onde se depositava o cordão umbilical dos recém-nascidos, como símbolo de ligação com essa terra. É um lugar profundamente espiritual, e a paz que reina ali é incrível.

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9. Crater Rim Trail: caminhada pela borda da caldeira

A Crater Rim Trail é uma rede de trilhas que segue pela borda da caldeira do Kīlauea. Você não precisa fazer o circuito inteiro (que tem mais de 17 km), pode escolher só os trechos que te interessam.

As seções mais populares vão do Visitor Center até os Steam Vents e seguem até o Kīlauea Overlook. Os trechos individuais são, na maioria, fáceis e pavimentados, então servem também para quem tem menos preparo físico.

Atenção: parte do trajeto no lado sudoeste (ao redor da Halemaʻumaʻu) costuma ficar fechada por causa dos gases vulcânicos (SO₂). Sempre se informe com os rangers sobre quais trechos estão abertos no momento. Se você tem problemas respiratórios ou asma, leve isso a sério: gases vulcânicos não são brincadeira.

10. Mauna Loa: o maior vulcão da Terra (para os corajosos)

O Kīlauea rouba a atenção, é verdade, mas o Mauna Loa é a estrela de verdade. É o maior vulcão ativo do mundo. Da base, no fundo do oceano, mede mais de 9.000 metros, o que faz dele uma das montanhas de maior massa do planeta. A maioria dos visitantes não enxerga o Mauna Loa como “vulcão”, porque ele é tão vasto e de encosta tão suave que não parece dramático. E é justamente isso que o torna fascinante.

Se você é um trekker experiente, pode encarar a Mauna Loa Trail. Mas a subida até o topo é extremamente puxada (mais de 60 km ida e volta, 2 a 4 dias, altitude acima de 4.000 m) e exige autorização e preparo sério. O mal de altitude é um risco real.

Para o visitante comum, recomendo pelo menos ir até o Mauna Loa Lookout. Um desvio da estrada principal (a Mauna Loa Road) leva cerca de 22 km montanha acima, de onde você tem vista dos dois vulcões. A estrada é estreita e cheia de curvas, mas um carro comum dá conta.

11. Observação noturna do brilho da cratera: a experiência mais mágica

Se você fosse fazer uma única coisa no parque, venha à noite. Sério. Repito essa dica porque é a experiência mais forte que o parque oferece. E, apesar disso, muita gente não sabe dela ou a pula, achando que o parque fecha à noite (não fecha, o parque está aberto 24 horas!).

Depois do anoitecer, vá até o Kīlauea Overlook ou aos mirantes perto da Halemaʻumaʻu. Se o vulcão estiver ativo, você verá o brilho vermelho da lava refletido nas nuvens e nas paredes da cratera. É absolutamente hipnótico. Você fica ali sentado, no silêncio, com a escuridão em volta e o interior da Terra brilhando à sua frente.

Dica: leve roupa quente (à noite as temperaturas caem para 8 a 12 °C), um chá quente na garrafa térmica e uma manta ou isolante para sentar. Tem gente que fica ali horas a fio. 😁

12. Nāpau Trail: trilha selvagem para o backcountry

Se você quer escapar das multidões e chegar a uma parte mais selvagem do parque, a Nāpau Trail é uma ótima escolha. São cerca de 11 km ida e volta (ou 22,5 km como travessia com retorno por outra rota) e ela atravessa campos de lava, floresta tropical e passa pelas crateras Puʻu Huluhulu e Makaopuhi.

Para essa trilha você precisa de permissão dos rangers (gratuita, mas é obrigatório se registrar no Visitor Center). É uma trilha de dificuldade média a alta. O terreno é irregular, em alguns pontos mal sinalizado, e o clima pode mudar rápido.

A recompensa? Silêncio, solidão e a sensação de estar realmente no fim do mundo. Os turistas relatam ter cruzado com no máximo três pessoas no dia inteiro.

13. Bird Park (Kīpukapuaulu): um oásis de vida no meio da lava

O Kīpukapuaulu, apelidado de Bird Park, é um lugar que você não imaginaria encontrar num parque vulcânico. É um kīpuka, uma ilhota de floresta antiga que sobreviveu cercada pelos fluxos de lava. Imagine: ao redor, lava preta por todos os lados, e no meio uma floresta exuberante e verde, cheia de pássaros.

A trilha circular tem cerca de 2 km e é uma das caminhadas mais agradáveis do parque. Árvores ʻōhiʻa gigantescas, samambaias da altura de uma pessoa e, voando à sua volta, raros pássaros havaianos: ʻapapane, ʻamakihi e, com muita sorte, talvez até o ameaçado ʻelepaio.

É um belo contraponto aos campos de lava. Lembra que os vulcões não são só destruição, mas também a base de uma nova vida.

14. Hōlei Sea Arch: onde a lava encontra o oceano

No fim da Chain of Craters Road, onde a estrada para diante dos altos penhascos de lava, você encontra o Hōlei Sea Arch, um imponente arco de rocha que o oceano esculpiu na lava solidificada. As ondas batem ali com força imensa e o lugar todo é como um espetáculo da força da natureza.

É um ótimo ponto para descansar depois de percorrer a Chain of Craters Road. Há bancos de onde você pode simplesmente sentar e observar as ondas. De vez em quando dá para ver tartarugas marinhas ou fragatas.

Atenção à segurança: os penhascos são instáveis e as ondas, imprevisíveis. Respeite os caminhos sinalizados e não se aproxime das bordas. Infelizmente, quedas dos penhascos não são exceção por aqui.

15. Sulphur Banks (Haʻakulamanu): a terra amarela dos Sulphur Banks

A última dica é uma parada curta, mas visualmente muito única. Os Sulphur Banks são pontos onde os gases vulcânicos (principalmente dióxido de enxofre e sulfeto de hidrogênio) sobem à superfície e deixam nas rochas ao redor cristais de enxofre em amarelo e laranja vibrantes.

A trilha é curta (cerca de 800 metros), plana e começa bem no Visitor Center, então você a encaixa facilmente no começo ou no fim da visita. O ar ali cheira (ou melhor, fede 😅) a sulfeto de hidrogênio, aquele conhecido cheiro de ovo podre. Não é o aroma mais agradável, mas as cores e as formas dos depósitos de enxofre são fascinantes.

Dica: pessoas com problemas respiratórios devem ter cuidado, a concentração dos gases muda conforme o vento e a atividade vulcânica.

💡 Dica: se você não quer dirigir à noite por estradas desconhecidas, dá uma olhada nos passeios organizados aos vulcões no GetYourGuide. O tour noturno para observar o brilho é conduzido por um guia local, que também cuida do transporte. Passeios parecidos você encontra no local, em Hilo ou Kona, mas reservando online você garante a vaga com mais segurança na alta temporada.

Comida e bebida no parque e nos arredores

A questão da comida no Hawaiʻi Volcanoes National Park não é lá muito simples, então se prepare com antecedência. Dentro do parque você tem basicamente duas opções, e nenhuma delas é uma grande experiência gastronômica.

No parque

O Volcano House é um hotel histórico bem na borda da caldeira do Kīlauea (sim, ali mesmo: o restaurante tem vista para dentro da cratera, o que é bem impressionante). Ele tem o restaurante The Rim, com menu o dia inteiro: café da manhã, almoço e jantar. A comida é sólida, ainda que a “preço de resort” (US$ 15 a 35 por prato principal, ou seja, cerca de R$ 85 a 200). Mas aquela vista!

A segunda opção é uma pequena loja de conveniência no Visitor Center: sanduíches, bebidas, snacks. Para se manter de pé serve, mas experiência gastronômica não é.

Volcano Village

O vilarejo de Volcano Village (a 5 minutos do parque) tem uma cena gastronômica surpreendentemente boa:

  • Kīlauea Lodge & Restaurant: um restaurante agradável de cozinha continental, com peixes locais e steaks. Preços em torno de US$ 20 a 40 por prato principal (R$ 110 a 230). Tem lareira, interior de madeira e clima de chalé de montanha.
  • Thai Thai Bistro & Bar: comida tailandesa excelente a preços razoáveis. Depois de um dia inteiro nos campos de lava, uma tigela de Tom Kha Gai é exatamente o que você precisa.
  • Volcano Farmers Market: todo domingo, das 6h às 10h. Frutas locais, pães, café. Ótimo para o café da manhã.
  • Café Ono: uma cafeteria pequena com ótimo cappuccino e bolos caseiros.

Hilo

Se você se hospedar em Hilo, tem muito mais opções. Os clássicos locais:

  • Hilo Bay Café: provavelmente o melhor restaurante da cidade, ingredientes locais, peixes excelentes
  • Suisan Fish Market: poke bowls bem ao lado do mercado de peixe, não tem como ser mais fresco
  • Ken’s House of Pancakes: um lendário estabelecimento local, aberto 24 horas, com clássicos cafés da manhã americanos
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Hawaiʻi Volcanoes National Park: mapa e orientação

O parque é surpreendentemente vasto: mais de 1.300 km², da costa do oceano até o cume do Mauna Loa, a 4.169 m de altitude. Mas não se preocupe: a maioria das atrações se concentra em torno de duas estradas principais:

1. Crater Rim Drive: a estrada circular ao redor da caldeira do Kīlauea (parte costuma ficar fechada por causa dos gases vulcânicos). Aqui você encontra o Visitor Center, os Steam Vents, a cratera Halemaʻumaʻu, o Thurston Lava Tube, a Kīlauea Iki e a Devastation Trail.

2. Chain of Craters Road: a estrada que desce da Crater Rim Drive até a costa. Aqui estão as crateras, os campos de lava, os petróglifos e o Hōlei Sea Arch.

Baixe o mapa do parque com antecedência no site oficial do NPS (nps.gov/havo) ou pegue-o de graça no Visitor Center. Os mapas offline no celular (Google Maps ou Maps.me) funcionam de forma limitada no parque, o sinal é fraco ou inexistente na maioria dos lugares. Se você planeja conhecer o Havaí de forma geral e precisa de dados móveis, dá uma olhada na nossa análise do eSIM da Holafly.

Dicas práticas para fechar

Segurança

Os gases vulcânicos são um risco real. O parque monitora a qualidade do ar e fecha áreas com concentração perigosa de SO₂. Pessoas com asma, problemas cardíacos ou gestantes devem redobrar o cuidado. Se você sentir um forte cheiro de enxofre e começar a tossir, mova-se imediatamente para um local com ar limpo.

Nos campos de lava, nunca saia das trilhas sinalizadas. A lava solidificada pode ser fina e quebradiça, e sob a superfície pode haver cavidades e pontos quentes. E não esqueça: a lava é extremamente cortante, uma queda sobre ela significa ferimentos feios.

Como fazer a mala

Dá para viajar ao Havaí muito bem só com bagagem de mão. Dá uma olhada no nosso guia sobre como fazer a mala de mão. Só para o parque, acrescente uma camada quente extra.

Seguro-viagem

Para os Estados Unidos, definitivamente não viaje sem seguro: o atendimento médico na América custa valores astronômicos. Para viagens mais curtas nós escolhemos o seguro da SafetyWing, que tem ótima cobertura por um preço razoável.

Aluguel de carro

Na Big Island você precisa de carro. Ponto. Compare os preços pela RentalCars e reserve o quanto antes: na alta temporada os preços dobram e os carros se esgotam.

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10 fatos curiosos sobre o Hawaiʻi Volcanoes National Park

Para quem ama “fun facts”, trago um bônus: dez curiosidades que vão te ajudar a valorizar ainda mais este parque:

1. O parque foi criado em 1º de agosto de 1916 e foi um dos primeiros parques nacionais do Havaí. Originalmente se chamava Hawaii National Park e incluía também o Haleakalā, em Maui (que se separou em 1961). 2. O Kīlauea é um dos vulcões mais ativos do mundo. De 1983 a 2018 expeliu lava quase sem parar, uma das erupções mais longas da história registrada. 3. O Mauna Loa é o vulcão de maior volume da Terra, estimado em 75.000 km³. Se você o medisse da base, no fundo do oceano, ele seria mais alto do que o Monte Everest. 4. O parque é um dos poucos lugares do mundo onde dá para ver todas as cinco zonas climáticas, da costa tropical ao cume subártico do Mauna Loa. 5. No sítio de petróglifos de Puʻu Loa há mais de 23 mil figuras, um dos mais ricos de todo o Pacífico. 6. O Thurston Lava Tube tem cerca de 500 anos e, mesmo assim, parece que a lava escoou apenas ontem. 7. Em 2018, a erupção do Kīlauea destruiu mais de 700 casas na área de Leilani Estates, fora do parque. Os fluxos de lava acrescentaram à costa uma nova terra de quase 3,5 km². 8. O parque é Patrimônio Mundial da UNESCO (desde 1987) e reserva da biosfera internacional. 9. O nēnē (o ganso havaiano), ave oficial do estado do Havaí, vive no parque. Ele quase foi extinto (nos anos 1950 restavam só 30 indivíduos) e, graças a programas de conservação, a população se recuperou para mais de 3.000 exemplares. 10. A deusa Pele segue sendo parte viva da fé na cultura havaiana. Os visitantes que levam pedras de lava do parque dizem, muitas vezes, mandá-las de volta, porque supostamente trazem azar. O parque recebe dezenas de encomendas com pedras todos os anos. 😅

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Perguntas frequentes sobre o Hawaiʻi Volcanoes National Park

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