Oviedo e Astúrias: o verde Espanha à beira do oceano

Quando você cruza a fronteira imaginária entre o árido planalto castelhano e o litoral norte, uma mudança radical de cenário te espera — e ela surpreende praticamente todo viajante. O ocre e o marrom do sul da Espanha dão lugar subitamente a um verde intenso e exuberante, com um ar pesado de umidade vindo do oceano indômito. A Espanha Verde, ou España Verde, lembra mais a Irlanda selvagem do que o estereótipo mediterrâneo, mas com uma comida incomparavelmente melhor e montanhas calcárias muito mais dramáticas. Oviedo Espanha e toda a região das Astúrias formam um mundo próprio, onde uma história milenar se mistura a uma natureza deslumbrante e a uma cultura que não existe em nenhum outro lugar da Península Ibérica. Os amantes de sol a pino em praias lotadas geralmente não vêm para cá, porque este canto do mundo pertence sobretudo aos gourmets, aos montanhistas e aos motoristas entusiasmados. Eles sabem muito bem que as nuvens de chuva ocasionais são o preço justo pelas pastagens mais verdejantes e pelos ingredientes mais frescos de toda a Espanha. Preparei para você um guia detalhado dessa região fascinante, para que saiba exatamente o que esperar do norte verde da Espanha.

Oviedo na Espanha
Foto: Vixato / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Norte Verde: As Astúrias são uma região cheia de contrastes, onde altas montanhas se erguem a poucos quilômetros do litoral bravio do Atlântico.
  • Coração histórico: Oviedo oferece monumentos pré-românicos únicos protegidos pela UNESCO e uma magnífica catedral gótica.
  • Vida costeira: Gijón é uma cidade litorânea vibrante, com praias intermináveis e um bairro de pescadores que ferve do amanhecer à meia-noite.
  • Parque Nacional: Os Picos de Europa impressionam com gargantas profundas, lagos glaciais e o famoso santuário de Covadonga.
  • Gastronomia local: A experiência típica é beber a sidra amarga que os garçons despejam de uma altura considerável, e degustar os intensos queijos de montanha.
  • Clima: Esteja preparado para chuvas muito mais frequentes do que no sul — é exatamente isso que faz a natureza daqui tão deslumbrante.
  • Transporte: Para explorar as praias mais remotas e os vilarejos de montanha, alugar um carro é praticamente indispensável.
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Quando ir às Astúrias e a Oviedo

Diferentemente da ensolarada Andaluzia, onde o verão pode ser perigoso por causa das ondas de calor extremo, o norte da Espanha tem um ritmo completamente diferente e muito mais ameno. A única janela confiável com tempo relativamente seco e ensolarado vai de junho a setembro, quando você pode aproveitar a natureza ao máximo. Mesmo em agosto, as temperaturas ficam por volta de agradabilíssimos 22 a 26 graus Celsius, criando condições perfeitas para caminhadas e exploração das cidades. O oceano permanece bastante fresco e revigorante mesmo no verão, então não espere lagoa de água morna — mas um mergulho rápido após uma trilha nas montanhas é sensacional.

No restante do ano, o litoral norte é marcado principalmente por chuvas frequentes, ventos fortes e céu nublado. É justamente esse clima úmido vindo do Golfo da Biscaia que torna a região tão esplendidamente verde e os pastos tão incrivelmente férteis. Se você vier na primavera ou no outono, não esqueça de colocar na mala uma boa jaqueta impermeável e botas resistentes, pois o tempo pode mudar literalmente de um minuto para o outro. Os meses de inverno trazem neve abundante às altitudes mais elevadas dos Picos de Europa, o que agrada mais a alpinistas experientes do que ao turista convencional.

Onde se hospedar nas Astúrias

💡 Dica de hospedagem e experiências: Preferimos buscar acomodações no Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Para ingressos, passeios e atividades, vale comparar pelo GetYourGuide.

A escolha da base certa para explorar a região depende principalmente de você preferir cultura urbana, o som do oceano ou a solidão das altas montanhas. Se você busca elegância e história, a própria Oviedo é uma escolha excelente, de onde se chega facilmente a todos os cantos das Astúrias. Em Oviedo, você pode se hospedar no luxuoso Eurostars Hotel de la Reconquista, um palácio histórico com pátios magníficos que te transporta imediatamente no tempo. Para quem prefere o mar e a vida noturna, a cidade costeira de Gijón é perfeita, com inúmeros hotéis modernos bem pertinho da orla.

Em Gijón, o popular NH Gijón fica a poucos passos da famosa Praia de San Lorenzo e oferece vistas fantásticas para o oceano. Mas se o seu objetivo principal são as trilhas no Parque Nacional, a localização mais estratégica é a cidade serrana de Cangas de Onís. O Parador de Cangas de Onís, um antigo monastério inserido numa natureza exuberante, é uma experiência inesquecível de paz e atmosfera mística. Para encontrar hospedagem em toda a região das Astúrias, incluindo as charmosas casas rurais que oferecem a experiência mais autêntica, o Booking.com é uma ótima pedida.

14 dicas do que ver e fazer em Oviedo e nas Astúrias

Oviedo e toda a província ao redor oferecem uma quantidade incrível de tesouros naturais e culturais — você vai ficar sem saber por onde começar. Veja os destaques que definitivamente não podem faltar no seu roteiro pelas Astúrias.

1. Oviedo: Catedral de San Salvador e a Câmara Santa

Catedral de San Salvador e a Câmara Santa em Oviedo, Espanha
Foto: Jl FilpoC / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O coração espiritual da cidade é, sem dúvida, a majestosa Catedral de San Salvador, cuja torre domina o panorama de Oviedo. Esse impressionante conjunto gótico foi construído gradualmente entre os séculos XIII e XVI, e sua fachada assimétrica com apenas uma torre concluída é um elemento arquitetônico único. A catedral sempre funcionou como parada obrigatória para os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, que vinham prestar homenagem às relíquias sagradas guardadas aqui. A entrada na nave principal custa cerca de 7 euros e inclui um audioguia bastante completo sobre a rica história do lugar.

O maior tesouro do complexo, porém, é a Cámara Santa — a Câmara Sagrada — que data do século IX e está inscrita na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Nesse ambiente escuro e místico, está guardado o lendário Sudário de Oviedo, que os fiéis acreditam ter envolto o rosto de Jesus Cristo após a crucificação. Você também pode admirar lindas cruzes cravejadas de pedras preciosas, incluindo a Cruz da Vitória (Cruz de la Victoria), hoje símbolo orgulhoso de toda a Astúria e presente em sua bandeira.

💡 Dica local: Se quiser visitar a catedral sem aglomeração de grupos turísticos, vá logo na abertura pela manhã — a luz do sol atravessa os vitrais coloridos e cria uma atmosfera mágica que vale muito a pena.

2. Oviedo: Passeio pelo Centro Histórico (Casco Antiguo)

O centro histórico de Oviedo, conhecido como Casco Antiguo, é incrivelmente bem preservado, elegante e totalmente reservado para pedestres. As ruelas sinuosas são ladeadas por casarões coloridos, palácios de pedra com brasões de família e dezenas de cafés aconchegantes que convidam a uma pausa à tarde. A cidade é famosa pela sua limpeza impecável e espaços públicos bem cuidados — tanto que ganha regularmente prêmios de cidade mais limpa de toda a Espanha. Reserve um tempo para a Plaza de la Constitución, onde ficam a histórica câmara municipal e a bela Igreja de San Isidoro.

Uma curiosidade do centro histórico é a enorme quantidade de estátuas em tamanho natural espalhadas pelas ruas — você vai tropeçar nelas literalmente em cada esquina. Tire uma foto com o bronzeado Woody Allen, que adora Oviedo publicamente e a chamou de cidade de conto de fadas fora da realidade, ou com a simpática Mafalda. Para quem gosta de mercados, a Mercado del Fontán é uma visita obrigatória: sob arcos de ferro forjado, feirantes locais vendem os queijos mais frescos, legumes e pãezinhos crocantes vindos direto das fazendas da região.

💡 Dica local: Aos finais de semana, músicos locais costumam se reunir na Plaza del Fontán para tocar na gaita asturiana (gaita), o instrumento tradicional da região, dando ao lugar uma atmosfera completamente inesquecível e quase celta.

3. Oviedo: Igrejas Pré-Românicas no Monte Naranco (UNESCO)

Logo nos arredores da cidade, nas encostas do verde Monte Naranco, escondem-se tesouros arquitetônicos de valor incalculável. São construções pré-românicas únicas do século IX, mandadas erguer pelos reis asturianos num período em que o restante da Península Ibérica estava sob domínio mouro. A mais famosa é Santa María del Naranco, originalmente um palácio de verão do rei Ramiro I, que impressiona pelas suas proporções elegantes e varandas decoradas. Essa construção é tão excepcional que deu nome a um estilo arquitetônico próprio, conhecido como arquitetura ramirenha.

Algumas centenas de metros adiante, você encontra a igrejinha de San Miguel de Lillo, da qual sobreviveu apenas cerca de um terço da construção original. Ainda assim, fascina pelos detalhes dos seus relevos em pedra, que representam cenas da vida cotidiana da época, incluindo acrobatas e músicos. Os monumentos ficam a uma agradável caminhada de uma hora do centro de Oviedo, ou a uma curta viagem de ônibus, e o ingresso combinado para os dois locais sai por cerca de 4 euros.

💡 Dica local: Tente planejar a visita para o final da tarde, quando o sol poente pinta as pedras antigas de dourado — e do alto do morro você ainda tem uma vista fantástica de toda Oviedo espalhada no vale lá embaixo.

4. Gijón: Praia de San Lorenzo e o Calçadão

Se Oviedo é a alma histórica e aristocrática da região, Gijón é o seu coração pulsante e irreverente, situado diretamente na costa. O principal atrativo da cidade é a deslumbrante Praia de San Lorenzo, que se estende por mais de um quilômetro e meio em formato de meia-lua perfeita. As águas do Golfo da Biscaia banham a areia dourada e atraem surfistas entusiastas de toda a Europa durante o ano inteiro. A praia é ladeada por um calçadão largo e sempre movimentado, carinhosamente chamado de El Muro, onde os moradores caminham, correm e andam de bicicleta com sol ou chuva.

Banhar-se no oceano é uma experiência para os mais corajosos, já que a água raramente passa dos 20 graus, mas depois de um dia intenso pela cidade o frescor é simplesmente irresistível. Na maré baixa, a praia se expande dramaticamente e cria um enorme espaço para vôlei de praia, futebol ou longas caminhadas românticas ao longo das rochas da orla. Na ponta leste do calçadão fica a Igreja de San Pedro, cuja silhueta contra as ondas bravias é um dos registros fotográficos mais icônicos de toda Gijón.

💡 Dica local: Ao longo do calçadão, você encontra escadarias numeradas chamadas “escaleras”. Os moradores locais costumam marcar encontros pelo número da escadaria — a favorita é a “Escalera 4”, onde a areia é mais fina.

5. Gijón: O Bairro Histórico de Pescadores, Cimadevilla

A parte mais antiga e sem dúvida mais charmosa de Gijón é a península de Cimadevilla, que antigamente abrigava pescadores humildes, marinheiros e trabalhadores da indústria do tabaco. Hoje, esse bairro se transformou no centro boêmio da cidade, com vielas estreitas de paralelepípedos, casinhas coloridas e descascadas — mas muito fotogênicas — e dezenas de bares e restaurantes tradicionais. É para cá que a maioria dos moradores e turistas migra depois do pôr do sol, em busca da autêntica hospitalidade asturiana e da animação da noite. Passeando pelo bairro, você vai encontrar os vestígios das antigas termas romanas, lembrando que a ocupação desse ponto estratégico remonta à Antiguidade.

No topo da península se estende o parque Cerro de Santa Catalina, que oferece vistas panorâmicas de tirar o fôlego tanto para o oceano quanto para as duas praias da cidade. No ponto mais alto do penhasco está a enorme escultura de concreto Elogio del Horizonte, obra do famoso escultor basco Eduardo Chillida. Quando você se posiciona bem no centro dessa obra imponente, escuta um efeito acústico fascinante que amplifica o som das ondas se quebrando lá embaixo.

💡 Dica local: Reserve um tempo para o “txikiteo” noturno — o roteiro pelos bares das ruelas de Cimadevilla. Vá onde tiver mais barulho e mais gente na calçada, porque é sinal infalível da melhor atmosfera do pedaço.

6. A Sidra Asturiana e a Arte de Servi-la

Visitar as Astúrias sem provar a cidra local — conhecida como sidra — seria um verdadeiro pecado de viajante, porque essa bebida define toda a cultura local. Mas não espere um drink doce e borbulhante de supermercado: a sidra asturiana é fermentada naturalmente, não filtrada e tem um sabor muito específico, quase terroso e amargo. Ela é consumida em casas especializadas chamadas sidrerías, onde o chão costuma ser coberto de serragem — porque boa parte da bebida acaba no chão durante o serviço. Todo o processo de beber sidra é um ritual social fascinante, com regras bem definidas e imutáveis.

O momento mais importante é o próprio serviço, chamado de “escanciar”. O garçom levanta a garrafa bem acima da cabeça e despeja um fio fino de sidra na borda de um copo largo que segura bem embaixo, na altura da cintura. Esse truque acrobático serve para oxigenar a bebida rapidamente, dando a ela uma leve efervescência por alguns segundos e liberando todo o aroma de maçã. Serve-se sempre uma quantidade pequena, o chamado “culín”, que você precisa beber de um gole só imediatamente — antes que a sidra “morra” e perca a frescura.

💡 Dica local: Nunca sirva a sidra você mesmo direto da garrafa sobre a mesa — isso revelaria total falta de conhecimento. Se o garçom não estiver por perto, peça a alguém da mesa ao lado: os locais adoram mostrar a sua habilidade no escanciar.

7. Degustação de Queijos Locais (Cabrales) e a Famosa Fabada

As pastagens verdes das Astúrias produzem os melhores laticínios da Espanha, e a região se orgulha com razão do título de “terra dos queijos”, pois fabrica mais de 40 variedades diferentes. O mais famoso de todos é o Cabrales, um queijo azul extremamente intenso e picante que matura por vários meses em cavernas naturais de calcário nas montanhas dos Picos de Europa. O aroma é tão forte que você o sente a metros de distância — e ele é melhor aproveitado espalhado sobre pão crocante, acompanhado de uma sidra refrescante. Também valem muito a pena o cremoso Afuega’l pitu e o delicadamente defumado Gamonéu.

Quando o assunto é prato principal, o símbolo da região é indiscutivelmente a fabada asturiana, presente no cardápio de absolutamente todo restaurante tradicional. Trata-se de um guisado incrivelmente farto de feijão branco grande, cozido lentamente com embutidos, morcela e carne de porco. É uma autêntica bomba calórica, que os amantes de carne apreciam especialmente nos meses mais frios, para repor as energias depois de um dia no campo. Como alternativa, peça uma tortilha de batata local ou os doces crepes chamados frixuelos, recheados com compota de maçã.

💡 Dica local: Se quiser levar o queijo Cabrales como lembrança, peça para embalar a vácuo na loja. Caso contrário, o odor intenso vai perfumar toda a sua mala e suas roupas por um bom tempo.

8. Parque Nacional Picos de Europa e seus Picos Calcários

Parque Nacional Picos de Europa e seus picos calcários nas Astúrias
Foto: Erty12345 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Os Picos de Europa representam um dos parques nacionais mais antigos e impressionantes de toda a Península Ibérica. Seu nome poético vem dos marinheiros espanhóis que retornavam da América, pois os picos calcários eram a primeira terra firme que avistavam no horizonte ao aproximar-se da Europa. Esse maciço fascinante fica a apenas 15 quilômetros do litoral atlântico, mas seus cumes dentados chegam a impressionantes 2.600 metros de altitude. Justamente essa proximidade dramática entre o oceano e as montanhas é responsável pelas névoas e chuvas frequentes que, ao longo de milhões de anos, esculpiram profundos cânions cársticos na região.

O parque tem várias entradas, e o lado asturiano é famoso por pastagens de um verde intenso e vales profundos onde rebanhos de cabras e vacas pastam livremente. Para caminhantes, o destaque absoluto é a famosa Ruta del Cares, uma trilha estreita cortada diretamente na parede vertical da rocha, bem acima de um rio selvagem. O percurso é longo, mas quase plano, então com boas botas até os caminhantes ocasionais conseguem fazer — e as vistas para o abismo são de tirar o fôlego.

💡 Dica local: O tempo nos Picos de Europa é extremamente imprevisível. Mesmo com sol forte no vale, lá em cima pode surgir uma neblina densa que pinga água. Sempre leve na mochila uma camada impermeável e um agasalho quente.

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9. Santuário de Covadonga e o Início da Reconquista Espanhola

Santuário de Covadonga e o início da Reconquista espanhola nas Astúrias
Foto: Adolfobrigido / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Se você se interessa por história europeia, o vale de Covadonga vai ser um lugar absolutamente mágico — foi aqui que a história da Espanha moderna começou a ser escrita. Nessa selvagem garganta de montanha, o nobre visigodo Pelayo derrotou o exército mouro em 722, dando início à famosa Reconquista, ou seja, a retomada dos territórios cristãos na Península Ibérica. O próprio santuário de Santa Cueva é dramaticamente esculpido em uma rocha vertical de calcário, sob a qual cai uma cachoeira possante e imponente, formando uma lagoa cristalina logo abaixo.

A capelinha na caverna — onde fica a imagem em madeira da Virgem de Covadonga e o túmulo do rei Pelayo — é alcançada por uma longa escadaria, pela qual os fiéis frequentemente sobem de joelhos. Logo à frente da rocha se ergue a monumental basílica neo-românica construída em calcário rosado, cujas duas torres esguias contrastam com o verde denso da floresta ao redor. O lugar tem enorme importância nacional e espiritual — para os espanhóis, Covadonga é símbolo de resistência, orgulho e identidade nacional.

💡 Dica local: O estacionamento junto ao santuário é muito limitado e, na alta temporada, praticamente impossível. Deixe o carro embaixo, na cidade de Cangas de Onís, e use os ônibus de linha regular — vai poupar muito estresse nas curvas da estrada de montanha.

10. Lagos Glaciais de Covadonga

A partir do Santuário de Covadonga, uma estrada de montanha incrivelmente estreita, íngreme e sinuosa sobe ainda mais fundo dentro do Parque Nacional, até chegar a um par mágico de lagos glaciais. Os lagos Enol e Ercina ficam a cerca de 1.100 metros de altitude e representam uma das paisagens mais icônicas de toda a Espanha — tanto que aparecem frequentemente nas transmissões televisivas da famosa Vuelta a España. A água cristalina dos lagos reflete os picos dentados das montanhas ao redor, enquanto nas margens de um verde intenso pastam livremente rebanhos de vacas asturianas de pelo castanho com sinos ao pescoço.

Ao redor dos dois lagos passa uma trilha circular muito agradável e tranquila, que leva cerca de duas a três horas e conduz a vários mirantes fantásticos. Durante a alta temporada de verão, geralmente de junho a setembro, e também em feriados nacionais, a estrada de acesso fica fechada para carros particulares durante o dia, para evitar caos de tráfego. Nessa época, você sobe exclusivamente em ônibus especiais a partir dos estacionamentos no vale, e o bilhete de ida e volta sai por cerca de 9 euros.

💡 Dica local: As vacas perto dos lagos são fotogênicas e acostumadas a pessoas, mas continuam sendo animais semi-selvagens. Não se aproxime demais, não as acaricie e, definitivamente, não as alimente com comida humana — para evitar acidentes desnecessários.

11. Teleférico de Fuente Dé e Vistas de Outro Mundo

Teleférico de Fuente Dé nos Picos de Europa, perto de Oviedo
Foto: Sitomon / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.5

Embora fique tecnicamente do lado da Cantábria vizinha, esse teleférico é parte integrante da experiência nos Picos de Europa e é facilmente acessível pelo lado asturiano. O Teleférico de Fuente Dé é a maior telecabine mono-cabo de toda a Europa, e a viagem nele é uma experiência de adrenalina que você não vai esquecer cedo. A cabine envidraçada te leva, em menos de quatro minutos, do fundo do vale a 1.070 metros de altitude até a estação superior El Cable, localizada a incríveis 1.823 metros.

O mais fascinante é que a diferença de altura de mais de 750 metros é vencida sem nenhum pilar de sustentação intermediário, então a cabine simplesmente flutua no ar na frente de uma parede rochosa quase vertical. Da estação superior, você tem vistas que literalmente tiram o fôlego, podendo partir dali para trilhas de diferentes níveis de dificuldade pelo coração do maciço central. O bilhete de ida e volta custa cerca de 17 euros; no verão, recomendo comprar com antecedência online para evitar filas longas.

💡 Dica local: Suba na primeira cabine da manhã. À tarde, a neblina que vem do oceano costuma encher o vale e da plataforma superior você pode não ver absolutamente nada além de uma nuvem branca e densa.

12. Falésias Dramáticas e Praias Selvagens (Playa del Silencio)

O litoral asturiano, conhecido como Costa Verde, é bravio, indomável e pontuado por centenas de pequenas enseadas escondidas entre falésias íngremes de calcário. O absoluto destaque é a Playa del Silencio — a Praia do Silêncio —, que regularmente aparece nos rankings das praias mais fascinantes de toda a Espanha. Para chegar a essa enseada em formato de meia-lua perfeita, não há estrada larga: você precisa deixar o carro no alto da falésia e descer a pé por uma trilha íngreme de cascalho, o que já afasta a maioria dos turistas comuns.

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