Adiamos o primeiro voo do Jonáš até ele quase completar dois anos, mas hoje o avião é para nós a forma mais fácil de nos deslocarmos. O medo de viajar de avião com crianças pequenas é compreensível, mas com o preparo certo você supera esse desafio sem estresse.
O essencial é conhecer as regras, porque elas mudam de companhia para companhia. Enquanto nas companhias tradicionais você paga por um bebê de colo apenas um décimo da tarifa de adulto, as companhias de baixo custo cobram taxas fixas — na Ryanair são 25 euros por trecho. Além disso, cada criança precisa do próprio passaporte.
Abaixo você encontra um panorama completo de 14 tópicos que precisa resolver antes da viagem. Reuni tudo, desde a compra das passagens e as regras para carrinhos de bebê até o despacho de líquidos e dicas para entreter a criança a bordo.

Resumo
- A taxa por bebê não é zero: Nas low cost você paga um valor fixo (Ryanair 25 EUR por trecho, Wizz Air cerca de 27 EUR), enquanto as companhias tradicionais cobram 10% da tarifa de adulto.
- Líquidos em aeroportos europeus: Alguns terminais já usam novos scanners de tomografia e permitem até 2 litros por pessoa, mas em muitos ainda vale a antiga regra dos 100 ml. Confira sempre o seu terminal.
- Novas regras europeias sobre assentos: A revisão do regulamento EU 261/2004 foi aprovada em 13 de julho de 2026, mas o assento garantido e gratuito ao lado do pai para crianças de até 14 anos só entra em vigor a partir de meados de 2027.
- As máscaras de oxigênio definem o lugar: Na Ryanair, o adulto com bebê de colo é obrigado a sentar na janela, porque só ali há duas máscaras de oxigênio.
- Cartões de embarque digitais: A Ryanair, desde 12 de novembro de 2025, emite exclusivamente cartões de embarque digitais pelo aplicativo.
- A criança precisa do próprio passaporte: Até um recém-nascido de uma semana precisa do seu documento de viagem, e a foto deve sempre corresponder à aparência atual da criança.
- Segurança a bordo: A proteção mais confiável contra turbulências para crianças de até dois anos é uma cadeirinha certificada, não o colo do adulto.
14 coisas que você precisa saber para viajar de avião com crianças
Assim que você decide comprar as passagens, vem uma série de pequenas decisões. Este guia funciona como pilar central de todo o tema de voar com crianças, então em cada grande área você encontra o que há de mais importante e as regras concretas.
1. A partir de quantos meses uma criança pode viajar de avião

As companhias aéreas têm suas próprias regras sobre a idade mínima do bebê para embarcar. Enquanto a KLM não tem idade mínima e, em teoria, você poderia voar logo após o nascimento, algumas companhias não transportam bebês com menos de 48 horas de vida. Entre 48 horas e sete dias, geralmente é preciso um formulário médico especial. A Wizz Air e a easyJet têm o limite fixado rigorosamente em 14 dias de idade.
Os pediatras, porém, veem a coisa de forma um pouco diferente e costumam recomendar esperar pelo menos dois ou três meses até o primeiro voo. O motivo não é o voo em si nem a pressão na cabine, mas principalmente o sistema imunológico imaturo do recém-nascido. Os saguões de aeroporto estão cheios de gente do mundo todo e o espaço fechado da cabine representa um risco desnecessário de infecção, melhor evitado nas primeiras semanas.
Se você já vai voar, um tema enorme é o resfriado comum das crianças. O nariz entupido significa que a criança não consegue equalizar a pressão no ouvido médio, o que pode causar dores fortíssimas na descida. Antes do voo, sempre converse com o pediatra sobre um spray nasal adequado e, com crianças pequenas, leve na mala de mão um bom aspirador nasal.
A idade mínima em cada companhia, as recomendações dos pediatras e dicas de para onde ir na primeira viagem detalhamos no artigo A partir de quantos meses uma criança pode voar de avião.
2. Documentos, passaportes e a nova burocracia

Toda criança precisa do próprio documento de viagem para cruzar fronteiras, mesmo que tenha nascido há poucas semanas. Para quem vem do Brasil e viaja para a Europa ou outros continentes, o passaporte válido é obrigatório para o bebê, além do visto ou autorização exigida pelo país de destino. Confira sempre os requisitos da embaixada do país para onde você vai.
A maior pegadinha está na aparência da criança na foto. A lei diz claramente que o titular do documento precisa ser parecido com a foto, o que muda numa velocidade absurda nos bebês e crianças pequenas. Se o passaporte tem a foto de um bebê dormindo com um mês de vida e você viaja com um filho de dois anos cheio de cachos, é melhor trocar o documento com antecedência. Os agentes no aeroporto podem, sem dó, mandar você voltar por causa da divergência de aparência.
Vale lembrar ainda que a Europa está implementando novos sistemas de fronteira. O sistema EES (Entry/Exit System) já está totalmente em vigor para viagens de fora do Espaço Schengen, e a boa notícia é que crianças de até 12 anos não têm as digitais coletadas, apenas é feita uma foto do rosto. No fim do ano começa a valer o sistema ETIAS, no qual crianças de até 18 anos não pagam a taxa, mas cada uma precisa da própria autorização aprovada. Se você viaja com o filho sozinha ou têm sobrenomes diferentes, tenha sempre em mãos uma autorização por escrito do outro responsável — no Brasil, a autorização de viagem para menores com firma reconhecida em cartório — e, por garantia, uma cópia da certidão de nascimento.
O modelo de autorização, o reconhecimento de firma e os documentos necessários você encontra no guia separado Autorização de viagem de menores e documentos para crianças.
3. Passagem para bebê e o aniversário traiçoeiro

Muitos pais vivem o engano de achar que uma criança de até dois anos sem assento próprio voa totalmente de graça. A realidade é que a taxa por bebê costuma surpreender de forma desagradável. As companhias tradicionais em rede geralmente cobram cerca de 10% da tarifa de adulto, o que em voos de longa distância é um ótimo preço. Já as low cost têm taxas fixas pesadas por cada trecho.
Na Ryanair você paga pelo bebê de colo 25 EUR fixos por trecho, então a passagem de ida e volta para o bebê sai por 50 EUR. Na prática, é comum a passagem do seu filho ficar mais cara que o seu próprio assento em promoção. A Wizz Air cobra cerca de 27 EUR por trecho, mas se a passagem do adulto for mais barata, a taxa cai de forma justa até esse valor.
Fique muito atenta à comemoração do segundo aniversário durante as férias. As companhias aéreas não ligam para a idade da criança na hora da compra, e sim para a idade no dia do embarque. Se a criança completar 2 anos durante a viagem, na volta ela já precisa de assento próprio comprado. As companhias tratam isso de formas diferentes, então confirme com a sua antes de comprar para não ter que pagar a tarifa cheia de adulto no aeroporto.
O panorama completo das taxas por bebê e o cálculo de quando vale a pena comprar assento próprio você encontra no artigo Passagem aérea para criança.
4. Pai ou mãe sozinho e a regra de um bebê por adulto

Se você planeja viajar sozinha com os filhos, sem outro adulto, precisa conhecer uma regra aérea absolutamente inflexível. Um adulto só pode ser responsável por um único bebê menor de dois anos. É pura física e segurança em situações de emergência: um adulto não consegue segurar com firmeza duas crianças pequenas no colo ao mesmo tempo.
Isso significa que, se você viaja sozinha e tem gêmeos com menos de dois anos, pode esquecer as passagens de colo para os dois. No balcão simplesmente não vão despachar você. Nesse caso, ou viaja um segundo adulto, ou você precisa comprar um assento completo para a segunda criança e colocá-la em uma cadeirinha certificada e aprovada para uso aéreo.
A idade do acompanhante também varia conforme a companhia. Enquanto na Ryanair o acompanhante precisa ter pelo menos 18 anos, na Wizz Air basta ter mais de 16. Regras especiais valem também para crianças mais velhas desacompanhadas. Algumas companhias tradicionais oferecem esse serviço para crianças de 6 a 11 anos, mas low cost como Ryanair, Wizz Air ou easyJet não oferecem serviço de menor desacompanhado, e nelas só passageiros a partir de 16 anos podem voar sozinhos.
Como resolver com gêmeos, com a avó e com sobrenomes diferentes explicamos no artigo Pai ou mãe sozinho e gêmeos no avião.
5. Onde sentar no avião e as novas regras europeias

Acomodar famílias no avião foi por anos um jogo de nervos, mas a situação finalmente está mudando. O Parlamento Europeu e o Conselho da UE aprovaram, em 13 de julho de 2026, o texto final da revisão dos direitos dos passageiros. Pela nova lei, uma criança de até 14 anos deve sentar ao lado do acompanhante gratuitamente. Por causa do período de transição, essa garantia legal só valerá de fato a partir de meados de 2027, então por enquanto é preciso ficar de olho nas regras de cada companhia.
A Ryanair, após pressão dos reguladores, já eliminou em 25 de junho de 2026 a taxa obrigatória de assentos familiares. Se você escolher a atribuição aleatória, o sistema coloca crianças de até 12 anos junto do adulto de graça. Mas há um porém importante: as famílias que apostam no acaso quase sempre acabam na parte de trás do avião, já que as fileiras da frente são tomadas pelos passageiros pagantes.
Se você voa com um bebê no colo, nunca escolha assento no corredor. Na Ryanair vale a regra rígida de que o adulto com bebê deve sentar exclusivamente na janela, por motivos de segurança. Só acima dos assentos da janela existem duas máscaras de oxigênio. Essa regra derruba aquele conselho tradicional da internet de nunca pagar por assento: se você quer a garantia de voar toda a família junta, tem que comprar a janela.
Como evitar a separação de graça e o que fazer quando ela acontece explicamos no artigo Onde sentar com a criança no avião.
6. Carrinho de bebê no avião e as armadilhas do aeroporto

O carrinho de bebê entra na categoria de equipamento infantil e, na grande maioria das companhias, viaja com você gratuitamente. Em casa temos um carrinho de viagem compacto Joolz Aer e estamos super satisfeitos com ele para viagens de avião, porque é incrivelmente fácil de manusear. Mas sempre confira antes quantas peças de equipamento a companhia realmente permite levar.
A prática mais comum é o chamado gate-check, quando você leva o carrinho até o portão de embarque, dobra ali e a equipe leva para o compartimento de carga. Se você viaja de férias com uma companhia charter, fique muito atenta às condições de transporte. Muitas dizem expressamente que não se responsabilizam por danos a carrinhos não embalados. Uma capa protetora para o carrinho ou uma boa camada de filme plástico é praticamente obrigatória.
Quando o carrinho chega danificado na esteira do destino, nunca saia do saguão do aeroporto. Todos os voos internacionais são regidos pela Convenção de Montreal, e o dano deve ser comunicado imediatamente no balcão de reclamações, onde emitem o relatório PIR. Em seguida, você é obrigada a formalizar a reclamação por escrito diretamente com a companhia em até 7 dias, senão o direito à indenização caduca.
Os três cenários de despacho, as regras das companhias e a reclamação de danos você encontra no artigo Carrinho de bebê no avião.
Todo o passo a passo da reclamação, incluindo os prazos, está no artigo Carrinho danificado ou extraviado.
7. Cadeirinha e segurança a bordo

A maioria dos pais escolhe, para crianças de até dois anos, viajar no colo com o cinto infantil auxiliar. Do ponto de vista da economia é totalmente compreensível, mas a agência americana FAA alerta com veemência que o lugar mais seguro para uma criança tão pequena é uma cadeirinha certificada fixada no próprio assento.
O motivo não são eventuais acidentes aéreos, e sim as turbulências fortes, que são a causa mais comum de ferimentos em crianças a bordo. Um adulto simplesmente não consegue segurar fisicamente a criança no colo durante uma queda brusca do avião. Se você comprar passagem própria para a criança, pode levar a bordo uma cadeirinha aprovada para uso aéreo, que sempre vai no assento da janela para não bloquear uma eventual evacuação.
Uma alternativa para crianças a partir de um ano, com peso entre 10 e 20 quilos, é o sistema de cinto certificado CARES harness. Ele se ajusta no encosto da poltrona e cria um cinto de cinco pontos. É aceito, por exemplo, pela Ryanair, Lufthansa e Emirates, mas as regras de cada companhia mudam o tempo todo, então confirme sempre por escrito a possibilidade de uso com a sua companhia.
Como reconhecer a certificação aérea, o que o CARES harness faz e como resolver a cadeirinha no destino escrevemos no artigo Cadeirinha no avião.
8. Bagagem gratuita para crianças

O que exatamente você recebe pelo seu dinheiro varia radicalmente conforme o tipo de companhia. Enquanto na Lufthansa um bebê de colo muitas vezes tem direito à própria bagagem despachada de até 23 kg (dependendo da tarifa comprada), nas low cost a situação é bem mais rígida.
A Ryanair permite para o bebê de colo apenas uma bolsa pequena de até 5 kg e, desde 12 de novembro de 2025, exige cartões de embarque exclusivamente digitais no aplicativo, então o espaço poupado você deve dedicar a um bom power bank. A Wizz Air permite para o bebê uma peça pequena de bagagem, mas com uma regra bem específica para carrinhos. Essa companhia húngara proíbe totalmente o transporte de qualquer carrinho elétrico ou motorizado, inclusive no porão.
Já as mais generosas são as companhias nórdicas e holandesas. A KLM, por exemplo, dá aos bebês sem assento próprio direito a uma bolsa de generosos 12 kg. Se você precisa de números exatos, dê uma olhada nos nossos artigos Bagagem Ryanair: dimensões, peso e taxas ou Bagagem Wizz Air, onde detalhamos esses limites até o último centímetro.
A tabela completa do que a criança tem de graça em cada companhia você encontra no artigo Bagagem para crianças no avião.
9. O que colocar na mochila de mão das crianças

A mochila de mão é a peça-chave da viagem, por isso vale investir em uma boa mochila para viajar de avião, e você deve arrumá-la pensando no pior cenário possível: um voo com três horas de atraso ou a mala despachada que não chega no destino. A maioria das mães arruma direitinho duas mudas completas de roupa para a criança, mas esquece regularmente de uma coisa absolutamente crítica.
Na mochila, leve sempre uma camiseta e uma legging reserva para você. Em fóruns de viagem aparece com frequência o cenário de terror em que os pais passaram um voo de doze horas com a roupa completamente coberta de vômito do bebê de oito meses que passou mal logo após a decolagem. Uma camiseta de adulto enrolada não ocupa quase nada de espaço e, numa crise, literalmente salva a sua sanidade.
Não esqueça de levar pelo menos dois saquinhos Ziploc com fecho, para guardar as coisas molhadas e sujas de forma hermética. A quantidade de fraldas não conte por dia, mas estime o consumo só para a viagem mais uma reserva razoável para atrasos. Fralda você compra em qualquer lugar do mundo, e na mochila elas só roubam um espaço precioso. Para saber como escolher a mochila certa para a cabine, veja nosso guia Mochila para viajar de avião: como escolher a ideal.
A lista completa por idade da criança, do bebê ao escolar, você encontra no artigo O que colocar na bagagem de mão das crianças.
10. Comida, bebida e o limite de líquidos no aeroporto

Este é hoje um dos maiores pontos de confusão. Os aeroportos europeus estão implementando aos poucos novos scanners de tomografia, que eliminam o chato limite de 100 ml para líquidos. Em vários terminais já vale esse regime mais flexível, no qual você pode levar um recipiente com líquido de até 2 litros por pessoa. Mas essa regra ainda não é uniforme.
Fique muito atenta, porque em muitos terminais e aeroportos ainda vale o limite rígido de 100 ml num único saquinho de um litro. O regime não depende da companhia aérea, mas sim do aeroporto e do terminal de onde você parte. Confira sempre as regras atuais do aeroporto do seu embarque antes de arrumar as malas.
A boa notícia é a exceção para famílias. Alimentação infantil, papinhas, leite em pó e água em garrafa térmica para o preparo estão fora do limite de 100 ml, na quantidade necessária para a viagem. Essa exceção segue as regras do próprio aeroporto, não da companhia. A segurança pode pedir que você abra o frasco, mostre o conteúdo ou, excepcionalmente, prove. Colabore com eles, faz parte do trabalho. Mais sobre o que pode ir a bordo você encontra no artigo O que posso levar no avião e o que não.
O que exatamente passa pela inspeção e quanto de líquido eles aceitam explicamos no artigo Comida e bebida no avião para crianças.
11. O aeroporto passo a passo

Assim que você chega ao saguão de partidas, segue para o balcão de check-in, onde pesam as malas e colam a etiqueta de bagagem no carrinho ou na cadeirinha. Com o carrinho, você segue até a inspeção de segurança, onde precisa esvaziá-lo completamente.
Nos aeroportos maiores, procure a fila prioritária especial para famílias com crianças pequenas, o chamado fast track. Ela economiza um bom tempo de fila, e a equipe ali já sabe que dobrar o carrinho leva tempo. Se você entregou o carrinho grande direto no balcão, em muitos aeroportos dá para pegar emprestado um carrinho de bebê gratuito na área de trânsito e ir com ele até o portão de embarque.
Na área de trânsito, tente cansar a criança o máximo possível. Muitos aeroportos oferecem cantinhos infantis bem equipados e salas tranquilas com micro-ondas e trocador. Não deixe a criança sentada no portão com o tablet: melhor que ela observe o movimento na pista e embarque cheia de novidades e pronta para dormir.
Cantinhos, salas de descanso, carrinhos e fast track reunimos no artigo Aeroporto com crianças: o que esperar.
12. Dor de ouvido na decolagem e na descida

A física da cabine incomoda até adultos, imagina os ouvidos das crianças. A pressão no avião não se equaliza automaticamente, e a pressão mais alta começa a empurrar o tímpano, o que causa aquela dor aguda. Muitos pais se surpreendem, mas a descida do avião costuma ser bem pior e mais desagradável para os ouvidos do que a própria decolagem.
A arma mais eficaz é engolir, que abre a tuba auditiva. Em bebês, funciona melhor a amamentação ou a mamadeira. Em crianças maiores, funciona beber com canudo ou mastigar aquele salgadinho favorito. Se a criança está resfriada ou com o nariz entupido, a dor se multiplica, então converse sempre antes com o pediatra sobre um spray nasal adequado.
Nunca tente dar às crianças, num voo longo, remédios para dormir que uma amiga recomendou. A International Paediatric Sleep Association proíbe terminantemente dar melatonina a crianças de até dois anos e, nas maiores, permite exclusivamente após consulta com o médico. Prefira levar a bordo um bom fone infantil com limitador de volume, que abafa o ruído monótono dos motores. Não esqueça também de levar os remédios básicos para febre, sobre os quais falamos no nosso guia Kit de primeiros socorros de viagem: o que colocar nele.
O que funciona por idade e quando é melhor adiar o voo escrevemos no artigo Dor de ouvido no avião em crianças.
13. Como entreter a criança no avião

O maior erro dos pais de primeira viagem é gastar todos os trunfos de diversão antes mesmo de o avião sair do chão. Aplique a bordo a regra de ferro do rodízio e dose as atividades no máximo a cada trinta minutos.
Primeiro explore junto o folheto de instruções de segurança, depois tire o primeiro brinquedinho. Um ótimo truque é embrulhar as novidades da papelaria em papel comum de embrulho, porque só o ato de desembrulhar já toma um bom tempo. No avião definitivamente não cabe nada que toque música, apite ou seja feito de centenas de peças pequenas que se espalham.
E agora o mais importante: largue toda a culpa por causa do tablet. Até os especialistas em desenvolvimento infantil concordam que as telas no avião não causam nenhum mal, então as regras de casa podem ficar de lado por essas poucas horas. Mas segure o tablet na reserva como a arma mais pesada, para o momento em que a criança realmente não aguenta mais, está cansada, ou quando você pegar um atraso na pista. Baixe o conteúdo no aparelho antecipadamente, porque o Wi-Fi do aeroporto costuma ser instável.
Dicas concretas por idade e a regra de dosagem de atividades você encontra no artigo Como entreter a criança no avião.
14. Atraso de voo, cancelamento e direitos da família

Quando o avião atrasa mais de três horas em voos na Europa, entra em cena o regulamento EU 261/2004, que garante compensação financeira. Mas nas famílias com crianças esconde-se aqui uma área enorme e muito controversa. Parte das companhias afirma que o bebê de colo sem assento próprio não tem direito, enquanto interpretações jurídicas dizem que, se você pagou qualquer taxa pela criança, o direito existe. A prática varia, as companhias costumam negar os pedidos, mas o conselho é claro: sempre faça o pedido pelo bebê e não desista de primeira. Mais sobre o processo de cobrança está no artigo AirHelp: análise da cobrança de indenização por voo.
Com a viagem em família, multiplica-se de forma extrema o risco de as férias inteiras irem por água abaixo por causa de uma doença da criança na noite anterior ao embarque. Um bom seguro com cobertura de cancelamento é absolutamente indispensável. Se a criança adoecer às duas da manhã e você voar às seis, não dá tempo de cancelar as passagens no sistema. Nesse caso, você precisa de um comprovante da companhia de que não embarcou e de um atestado médico de que estava impossibilitada de viajar, senão o seguro não reembolsa nada.
💡 Dica: Se você viaja para destinos mais distantes, evita muita dor de cabeça escolhendo a cadeirinha certa na locadora, porque as leis do país de destino podem variar bastante. Na Espanha, por exemplo, crianças com até 135 cm são obrigadas a viajar no banco de trás, e as multas são inflexíveis.
Quando surge o direito à compensação e como fazer o pedido explicamos em detalhes no artigo Atraso de voo com crianças.
Resumo prático e preços de referência

Para você ter uma ideia melhor de quanto vai custar a passagem do menorzinho, preparei um panorama das taxas nas companhias mais comuns. Esses valores valem para bebês de até dois anos que viajam no seu colo, sem assento próprio. Confira sempre os preços na reserva concreta, porque as companhias adoram mudá-los sem avisar.
| Companhia aérea | Taxa por bebê (0-2 anos) | O que está incluído grátis na passagem |
|---|---|---|
| :— | :— | :— |
| Ryanair | 25 EUR / 25 GBP por trecho | 2 peças de equipamento (carrinho + cadeirinha) |
| Wizz Air | cerca de 27 EUR por trecho | 1 peça de equipamento (carrinho ou cadeirinha) |
| Companhias charter | Tarifa reduzida (conforme o voo) | Carrinho, berço e cadeirinha |
| Lufthansa / SWISS | 10% da tarifa de adulto | Bagagem despachada até 23 kg + 2 peças de equipamento |
| British Airways | 10% da tarifa de adulto | 2 peças de equipamento |
| easyJet | Taxa fixa (conforme tabela atual) | Até 2 peças de equipamento (incluindo canguru/mochila) |
Para onde ir depois
Se você já resolveu as passagens e está pensando para onde exatamente viajar com a família, inspire-se nos nossos roteiros e dicas de lugares que amamos. Viajar com crianças tem uma dinâmica totalmente diferente, então reunimos para você guias práticos para destinos favoritos:
- Ilhas Lofoten com crianças
- Croácia com crianças
- Roma com crianças
- Paris com crianças
- Nova York com crianças
- Seguro viagem para crianças e cancelamento por doença
- Enjoo de movimento e doença em crianças nas viagens
- Criança sozinha no avião: a partir de quantos anos
- Melhores companhias aéreas para famílias: comparativo
Perguntas frequentes
O que fazer quando a criança completar dois anos durante as férias?
Esta é uma armadilha financeira comum. As companhias aéreas não se importam com a idade no momento da compra, mas sim no dia do voo. Uma criança que completa dois anos durante a viagem precisa ter um assento completo comprado para o voo de volta. Na maioria das empresas você terá que pagar a tarifa integral, por isso resolva isso já na reserva inicial.
Posso levar a bebida favorita do meu bebê?
Depende do terminal. Em São Paulo no Terminal Internacional você pode ter até 100 ml de líquidos conforme as regras da ANAC. Exceção é feita para alimentação infantil e leite, mas para bebidas comuns para crianças maiores a segurança frequentemente insiste sem concessões no descarte.
Onde no aeroporto nos devolvem o carrinho de bebê?
Depende do aeroporto específico e da situação no pátio naquele momento. O carrinho pode ser devolvido logo na saída da aeronave (na ponte de embarque), na esteira normal de bagagens no saguão de desembarque, ou no balcão especial para bagagens de tamanho especial. Sempre pergunte à tripulação de bordo ao desembarcar.
Por que preciso sentar com o bebê na janela?
Companhias de baixo custo como a Ryanair têm a regra estrita de que um adulto com bebê de colo deve sentar na janela. O motivo é o número de máscaras de oxigênio, porque apenas acima dos assentos na janela estão instaladas duas máscaras, que você absolutamente precisa em caso de queda de pressão na cabine.
Posso viajar sozinha com gêmeos?
Se ambas as crianças têm menos de dois anos e você planeja tê-las no colo, não pode viajar sozinha. Por razões de segurança vale a regra de um bebê por adulto. Para a segunda criança você teria que comprar um assento próprio e colocá-la em uma cadeirinha de avião certificada.
É seguro dar remédios para dormir para a criança no avião?
A Associação Pediátrica do Sono proíbe enfaticamente administrar melatonina a crianças menores de dois anos e em crianças maiores permite apenas com recomendação expressa do médico. Não dê remédios às crianças a bordo por conta própria, aposte melhor no cansaço natural do aeroporto e em fones de ouvido infantis de qualidade.
Como funciona a reclamação de carrinho de bebê danificado?
Se o seu carrinho sair danificado na esteira, nunca deixe a zona de desembarque. Encontre o balcão de reclamações, solicite a emissão de um protocolo PIR e guarde cuidadosamente a etiqueta de bagagem (tag). Em seguida você deve reportar o dano por escrito à companhia aérea no prazo máximo de 7 dias, caso contrário o direito à compensação expira.
