Svalbard, Noruega: 15 dicas do que ver e viver no fim do mundo em 2026

Talvez você imagine que a natureza selvagem nórdica termina em algum ponto da Islândia ou no norte da Noruega. Engano seu. Mil quilômetros além do famoso Cabo Norte fica um arquipélago onde vivem mais ou menos tantos ursos-polares quanto pessoas. Svalbard, na Noruega (também conhecido como Spitsbergen), é exatamente aquele tipo de destino que soa como algo saído de um documentário inacessível da National Geographic, mas que na verdade fica a apenas três horas de voo de Oslo. É provavelmente a natureza selvagem ártica mais acessível que você pode visitar sem grandes complicações logísticas.

Ao mesmo tempo, é preciso ser honesto: não é um destino para mochileiros low-cost que gostam de caminhar sozinhos pelas montanhas. Praticamente cada passeio para fora da capital, Longyearbyen, é uma excursão paga, porque devido ao risco onipresente de encontrar um urso-polar, simplesmente não se pode entrar na natureza sem um guia armado. Mas se você já contar com isso no orçamento, espere um fim de semana ártico absolutamente inacreditável, cheio de gelo azul, geleiras majestosas e natureza nórdica intocada.

Preparei um guia completo para você — desde a hospedagem, passando pelos melhores passeios, até quanto tudo isso vai custar. Continue lendo, vale muito a pena. Você vai descobrir que em Svalbard existem ótimos restaurantes e hotéis de luxo, mas também regras rígidas de proteção ambiental, que ficaram ainda mais severas a partir de 2025. Vamos conhecer juntos o melhor que esse arquipélago gelado oferece.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Como chegar: A SAS e a Norwegian voam para cá o ano todo, direto de Oslo ou via Tromsø, e o voo dura menos de três horas.
  • Segurança: Fora da chamada Zona 10 (arredores de Longyearbyen) é obrigatório levar meios para afugentar um urso, e os turistas se locomovem exclusivamente em passeios pagos com guia armado.
  • Documentos: Svalbard não faz parte do Espaço Schengen, você precisa obrigatoriamente do passaporte, mas em compensação não precisa de nenhum visto.
  • Seguro: Aqui é indispensável ter um bom seguro-viagem comercial, com boa cobertura para resgate no Ártico.
  • Quando ir: Para atividades de inverno (motos de neve, cães, cavernas) o ideal é março e abril; para passeios de barco, os meses de verão, de junho a agosto.
  • Orçamento: Prepare-se para preços altos. Como referência, quatro dias saem por cerca de R$ 9.700 a R$ 15.700 por pessoa, dependendo da quantidade de atividades contratadas.

Quando ir a Svalbard

O planejamento de uma viagem a Svalbard gira principalmente em torno da luz, porque aqui as estações do ano são definidas pela posição do sol. De meados de novembro até o fim de janeiro reina a escura noite polar, quando o sol simplesmente não passa do horizonte e as atividades ficam bem limitadas. Os viajantes concordam que, a não ser que você venha buscar especificamente a experiência extrema da escuridão total, é muito melhor escolher os meses um pouco mais claros, quando você enxerga da paisagem ártica bem mais do que apenas os contornos das montanhas.

O grande campeão para as diversões de inverno é abril, quando a paisagem ainda está coberta por uma neve profunda, mas os dias já são lindos, longos e cheios de sol. A partir do fim de fevereiro começa a chamada temporada azul, que os fotógrafos simplesmente amam pelas suas incríveis cores pastel, que transitam do azul profundo até o rosa. A temperatura média nesses meses fica em torno de menos quatorze graus, mas com o vento onipresente a sensação térmica cai tranquilamente para trinta abaixo de zero. Em abril você tem as melhores condições para motos de neve, trenós puxados por cães e exploração de cavernas glaciais, então prepare-se: os hotéis e passeios costumam esgotar com muita antecedência.

Se o que te atrai são mais os passeios de barco, a observação de baleias e morsas ou longas caminhadas, você precisa vir na temporada de verão. O sol da meia-noite brilha aqui sem parar de 20 de abril a 23 de agosto, então você tem 24 horas por dia para explorar. Os meses de verão, de junho a agosto, oferecem temperaturas mais suportáveis, entre cinco e oito graus acima de zero, mas conte com o fato de que a neve derretendo e o permafrost transformam a tundra em um terreno bem lamacento. Por isso, não esqueça de levar botas realmente boas e impermeáveis para atravessar riachos, e uma boa máscara de dormir, porque com o sol constante o corpo fica incrivelmente esgotado depois de alguns dias.

O meio-termo perfeito pode ser a virada de agosto para setembro, porque nessa época a escuridão volta aos poucos e a tundra se pinta com tons de outono maravilhosos. Os barcos ainda navegam, o terreno está mais seco depois do verão e o número de turistas já diminuiu bastante, então você pode curtir a natureza ártica com muito mais tranquilidade.

Onde se hospedar em Longyearbyen

💡 Dica de hospedagem e experiências: Nós preferimos procurar hospedagem no Booking.com, onde costumam ter as melhores condições de cancelamento. Já os ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pela GetYourGuide.

A capital Longyearbyen é bem pequena e a grande maioria das opções de hospedagem fica ou no próprio centro ou no bairro vizinho, mais tranquilo, de Nybyen. Uma enorme vantagem é que o ônibus do aeroporto para em todos os principais hotéis e pousadas, então, ao chegar, você não precisa se preocupar com transfers complicados arrastando malas pela neve. A passagem de ida e volta sai por 170 coroas norueguesas (cerca de R$ 90) e o ônibus sempre conecta de forma confiável com todos os pousos e decolagens. Mas não deixe a reserva da hospedagem para depois: em abril os hotéis e guesthouses simplesmente lotam de uma hora para outra.

Se você procura a opção mais em conta, os viajantes recomendam muito o Gjestehuset 102 na parte de Nybyen. É um guesthouse simples, mas limpo, com café da manhã excelente, onde uma cama em quarto compartilhado sai por cerca de R$ 360 a diária. Daqui até o centro são uns trinta minutos a pé, o que dá para fazer tranquilamente, mas numa nevasca de inverno pode virar uma aventura e tanto. Bem ao lado você encontra o queridinho Coal Miners’ Cabins (a partir de R$ 700 a diária), instalado em cabanas históricas dos antigos mineiros, cuidadosamente reformadas, com uma atmosfera autêntica realmente linda.

Para quem gosta de mais conforto bem no centro da cidade, uma escolha fantástica é o Basecamp Hotel (a partir de R$ 2.700 a diária), que encanta à primeira vista com seu design luxuoso de trapper, cheio de madeira maciça e peles de foca. Também é muito popular o moderno Radisson Blu Polar Hotel Spitsbergen (a partir de R$ 1.700 a diária), que fica num ponto estratégico bem perto do supermercado principal, e cujas banheiras de hidromassagem ao ar livre você vai adorar depois de um dia inteiro no frio. Se você busca algo realmente diferente, experimente o Mary-Ann’s Polarrigg (a partir de R$ 970 a diária), uma pousada incrivelmente peculiar construída num antigo alojamento de mineiros, com um restaurante absolutamente único. E para quem quer se dar o luxo de uma verdadeira experiência boutique e não se importa com uma leve subida, recomendo de coração o elegante Funken Lodge, que se orgulha de uma cozinha fantástica e de uma vista incrível para todo o vale nevado.

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15 dicas do que ver e fazer em Svalbard, na Noruega

Quer você opte pelo conto de fadas do inverno nevado, ou pela exploração de verão dos fiordes verdes, Svalbard tem, sem dúvida, muito a oferecer em qualquer estação do ano. Aqui estão as minhas quinze dicas — desde as imperdíveis até algumas joias escondidas com as quais você só vai esbarrar se souber onde procurar.

1. Absorva a atmosfera de Longyearbyen

A cidade mais ao norte do mundo com transporte aéreo regular é, por si só, um lugar fascinante, que você percorre a pé em uma única tarde. Vivem aqui cerca de dois mil e quinhentos habitantes de mais de cinquenta países, o que, no meio do deserto gelado, cria uma comunidade incrivelmente cosmopolita e acolhedora. Caminhe entre as casinhas de madeira coloridas, que contrastam fortemente com a paisagem ártica áspera, e não deixe de tirar uma foto na famosa placa de trânsito com o urso-polar, que com os dizeres “Gjelder hele Svalbard” avisa que o perigo vale para todo o arquipélago. A placa fica logo na saída da cidade, em direção ao vale de Adventdalen, e além dela ninguém pode ir sem uma arma.

Uma marca da cidade é a forte herança do passado minerador, que se reflete em um costume bem surpreendente para os turistas. Praticamente em todo lugar se tira os sapatos aqui, e não só no seu hotel, mas também no museu, na universidade ou no centro de informações turísticas. Esse costume surgiu na época em que os mineiros carregavam nas solas o onipresente pó de carvão, e é seguido rigorosamente até hoje, então leve com certeza meias de lã quentinhas na mala. Em contraste com esse aconchego doméstico estão os rifles onipresentes, para os quais existem armários especiais com cadeado em frente ao supermercado e ao banco locais.

💡 Dica: Outra curiosidade absoluta é o fato de que, nas ilhas, é oficialmente proibido morrer e nascer. Por causa do permafrost, que empurraria os corpos de volta à superfície, o cemitério já não aceita novos enterros há décadas, e as gestantes precisam voar para uma maternidade no continente algumas semanas antes da data prevista.

2. Explore os museus árticos e a igreja mais ao norte

Se lá fora estiver caindo uma nevasca ou se você simplesmente quiser descansar depois de um passeio puxado de dia inteiro, é o momento ideal para se refugiar no calor dos museus locais. O principal e mais importante é o lindamente elaborado Svalbard Museum, que fica no moderno edifício do centro universitário, bem junto ao fiorde. A exposição interativa te guia pela história completa do arquipélago, desde os primeiros exploradores e os rudes trappers, passando pelas minas de carvão, até a pesquisa moderna sobre o derretimento do permafrost. A entrada custa 160 coroas norueguesas (cerca de R$ 85), crianças até dezoito anos entram de graça e costuma abrir todos os dias das dez às cinco.

A segunda joia para os amantes da história é o North Pole Expedition Museum, que se dedica em detalhes às tentativas fascinantes e frequentemente trágicas de conquistar o polo norte. Você vai descobrir aqui absolutamente tudo sobre os enormes dirigíveis Norge e Italia, com os quais Roald Amundsen e Umberto Nobile tentaram sobrevoar as planícies de gelo. A entrada sai por cerca de cem coroas norueguesas, e os dois museus juntos rendem uma agradável meia jornada.

💡 Dica: Durante o passeio pela cidade, não deixe de visitar a Svalbard Kirke. Trata-se da igreja mais ao norte do mundo, que funciona como centro comunitário e fica aberta 24 horas por dia, sem parar. Lá dentro você pode se sentar com calma, se esquentar e até se servir de graça de um café ou chá quente.

3. Passe pelo cofre do juízo final

O Banco Global de Sementes, conhecido no mundo todo como Svalbard Global Seed Vault, é sem dúvida um dos projetos mais interessantes e importantes do nosso planeta. Esse enorme cofre está cravado 120 metros dentro da rocha, no solo eternamente congelado, um pouco acima do aeroporto, e serve como reserva definitiva em caso de uma catástrofe natural ou bélica em escala mundial. Segundo dados de 2026, dentro dele há atualmente mais de 1,4 milhão de amostras de sementes de plantas agrícolas do mundo todo, que dormem em segurança a uma temperatura bem abaixo de zero.

Infelizmente você não entra: o cofre é rigorosamente fechado ao público e, no passado, ainda enfrentou problemas com infiltração de água do permafrost derretendo, então todo o túnel de entrada passou por impermeabilização. Mas há uma estrada comum passando ao lado do portal, e a icônica construção de concreto, com uma instalação luminosa que brilha em turquesa no telhado, vale cada passo.

💡 Dica: A pé, o cofre fica bem longe do centro e ainda é subida. Mas a maioria dos city tours te leva até lá com todo o conforto, como o popular passeio de minivan Kalo Sightseeing, que por 385 coroas norueguesas oferece uma ótima introdução de duas horas aos segredos de Longyearbyen.

4. Desça ao interior de uma caverna glacial

Segundo muitos viajantes empolgados nos fóruns, esse é o ponto alto absoluto de uma visita de inverno a Svalbard e uma experiência inesquecível. Durante o breve degelo do verão, a água cava canais profundos dentro das geleiras, que voltam a congelar no inverno e formam cavernas fascinantes e cintilantes, cheias de gelo azul. Esses passeios populares acontecem tipicamente do fim de janeiro até meados de maio e conduzem, na maioria das vezes, à geleira Longyearbreen, ali perto, que se ergue majestosa no vale logo depois da cidade.

Chegar à própria caverna já é uma aventura por si só, porque você é levado até lá por um veículo especial de esteiras chamado snowcat. Na entrada da geleira você recebe um capacete com lanterna de cabeça e vai se espremer com o guia por corredores de gelo estreitos, que brilham em todos os tons possíveis de azul e branco. Alguns trechos exigem um pouco de rastejar e escorregar, mas com um preparo físico mediano qualquer um consegue. Um passeio de três horas com uma agência como a Snowfox Travel sai por cerca de 1.300 coroas norueguesas (uns R$ 700), e a vista daquele gelo de milhares de anos vale, sem dúvida, cada centavo.

5. Viva o silêncio num trenó puxado por cães

Enquanto as motos de neve fazem um barulho enorme e cheiram a gasolina, andar num trenó puxado por uma matilha de huskies animados permite viver a natureza ártica de um jeito que você não experimenta nem da cabine de uma moto de neve nem do convés de um barco: no silêncio absoluto, só você e a matilha. O trenó puxado por cães é uma das atividades de inverno mais populares e você pode escolher desde passeios mais curtos, de três horas, pelo vale de Adventdalen, até expedições de vários dias, bem exigentes. Nos fóruns, os viajantes elogiam muito a postura das fazendas familiares locais, como a Green Dog Svalbard ou a Arctic Husky Travellers, onde dá para ver à primeira vista que os cães são verdadeiros parceiros dos donos e que os animais são muito bem cuidados. Um passeio de meio dia sai por cerca de dois a três mil coroas norueguesas.

A boa notícia é que você não perde essa experiência autêntica nem se vier nos meses de verão, sem neve. Isso porque, no verão, os operadores atrelam os cães a carrinhos especiais com rodas, o que é um ótimo treino de verão para os animais e uma aventura não menos empolgante para você. Os cães simplesmente adoram o inverno e o correr, e o latido animado e alto deles antes da largada te enche de energia na hora. Além disso, é uma das poucas atividades ao ar livre que faz muito sentido até durante a noite polar profunda, quando, por volta do meio-dia, você consegue ao menos distinguir um pouco as colinas nevadas ao redor.

6. Vá de moto de neve até uma geleira

Em Longyearbyen há um pouco mais de motos de neve registradas do que habitantes, e nos meses de inverno elas são o principal meio de transporte da população local. O passeio de dia inteiro mais popular te leva ao fiorde congelado Tempelfjorden, onde, depois de algumas dezenas de quilômetros, se abre à sua frente a parede de tirar o fôlego da geleira Tunabreen. Esses passeios são uma escolha perfeita para um primeiro contato com a condução de moto de neve e são oferecidos, por exemplo, pela Hurtigruten Svalbard, que há pouco tempo passou a oferecer até motos de neve elétricas silenciosas.

Para os mais experientes e corajosos, há a opção de uma longa travessia até a remota costa leste, onde você tem muito mais chances de avistar ao longe o rei do Ártico. Mas conte com o fato de que vai passar tranquilamente oito horas seguidas na moto, e o frio ártico combinado com a velocidade da viagem pode ser realmente impiedoso, mesmo com o macacão emprestado. A partir de 2025, ainda vale uma proibição rigorosa de entrar com motos de neve no gelo marinho dos fiordes protegidos após 1º de março, para que os turistas não perturbem os ursos que caçam focas.

💡 Dica: O passeio até o Tempelfjorden sai por cerca de 3.500 coroas norueguesas para o condutor (uns R$ 1.900). Mas se você não tem experiência com a condução ou quer economizar, não hesite em se inscrever como passageiro, que costuma pagar só cerca de 2.100 coroas norueguesas e pode aproveitar a viagem inteira admirando a paisagem que passa.

7. Navegue por um fiorde de gelo de barco

Na temporada de verão, de meados de maio a outubro, a neve derrete e a ação principal se transfere da terra para a água. O Isfjorden é um enorme sistema de fiordes que, graças à influência da quente Corrente do Golfo, permanece livre de gelo firme durante boa parte do ano. Uma das formas mais agradáveis e ecológicas de explorá-lo são os passeios nos modernos barcos elétricos híbridos da Brim Explorer, que oferecem uma navegação absolutamente silenciosa e enormes janelas panorâmicas. Um passeio de quatro horas custa cerca de 2.295 coroas norueguesas e te leva a lindas falésias cheias de aves.

Durante a navegação você chega bem perto das frentes majestosas das geleiras, das quais se desprendem, com um estrondo, enormes blocos de gelo azul direto no mar. A bordo o conforto é ótimo: você pode tomar um café ou chá quente no salão aquecido e correr para o convés aberto só quando aparece algo interessante para fotografar. Mas tenha em mente que, a partir de 2025, entraram em vigor novas regras de proteção, segundo as quais barcos com capacidade acima de 200 passageiros não podem entrar nos parques nacionais protegidos, e o capitão deve manter uma distância obrigatória dos ursos-polares de 300 a 500 metros.

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8. Descubra a cidade fantasma soviética de Pyramiden

Visitar o povoado de Pyramiden é como uma viagem fascinante numa máquina do tempo até a era da profunda União Soviética. Esse antigo orgulho minerador, administrado até hoje pela empresa estatal russa Trust Arktikugol, foi completamente abandonado em 1998, apenas dois anos depois do trágico acidente aéreo em que morreram 141 moradores locais. Graças ao frio ártico, o povoado ficou perfeitamente conservado e hoje vivem ali só cerca de dez a vinte pessoas, que cuidam da manutenção. Você chega até aqui no verão, de barco, num passeio de dia inteiro por cerca de 2.800 coroas norueguesas.

Ao caminhar entre os prédios vazios, você sente uma atmosfera realmente estranha e levemente arrepiante. Dá para ver aqui uma casa de cultura surpreendentemente conservada, uma antiga piscina, refeitórios vazios e também a estátua de Lenin mais ao norte do mundo, que da praça observa a majestosa geleira Nordenskiöldbreen. Como se trata de uma área abandonada, sem patrulhas fixas contra ursos, e como os ursos às vezes passam bem entre as casas, a caminhada pela cidade acontece rigorosamente em grupo fechado, com um guia armado, e você não pode se afastar do grupo nem um passo — e, sinceramente, num lugar onde os ursos passam entre as casas, ninguém reclama muito disso.

9. Espie a russa Barentsburg

Ao contrário de Pyramiden, Barentsburg ainda é um povoado minerador ativo, habitado por cerca de quatrocentos mineiros russos e ucranianos, e onde ainda se extraem por ano cerca de cem mil toneladas de carvão. A maioria dos prédios é dos anos setenta e oitenta, e você encontra ali uma escola em funcionamento, uma capela ortodoxa e uma cervejaria única, a Urso Vermelho (Krasnyj Medveď), onde se produz cerveja local em condições árticas. Costuma-se ir a Barentsburg de barco em passeios de meio dia ou, no inverno, de moto de neve.

Mas é preciso mencionar o complexo contexto político atual, que afeta as possibilidades de visita. Depois da invasão da Ucrânia, a central de turismo norueguesa Visit Svalbard convocou um boicote à empresa estatal russa Trust Arktikugol, que administra tanto Barentsburg quanto Pyramiden. Por esse motivo, a maioria dos barcos noruegueses, como o Polar Charter, oferece por cerca de 2.300 coroas norueguesas apenas uma navegação até o fiorde com vista para a cidade, o chamado “window shopping”. Ou você pode andar pelo povoado sem gastar nenhum dinheiro em serviços e, assim, sem financiar a estatal russa.

10. Faça uma trilha com guia armado

Svalbard oferece belíssimas possibilidades para o trekking, mas, como você já sabe da introdução, fora da cidade, além da placa do urso, você não pode dar um passo sem um rifle carregado. Para passeios individuais fora da chamada Zona 10 você precisa até de um seguro especial e de autorização do governador. Por isso, as agências locais organizam ótimas caminhadas guiadas aos picos ao redor, que você faz com segurança mesmo com preparo físico mediano, e o guia cuida de toda a segurança. Muito popular é a subida ao monte Trollsteinen ou ao Sarkofagen, do qual se tem uma vista fantástica para duas geleiras vizinhas.

Uma opção mais curta e simples é a trilha noturna ao monte de topo plano Platåberget, bem acima de Longyearbyen, oferecida, por exemplo, pela Svalbard Wildlife Expeditions por 870 coroas norueguesas (cerca de R$ 460) e muito elogiada pelos viajantes. Durante o caminho, os guias cuidam não só da sua segurança, mas também contam histórias fascinantes sobre geologia, mineração de carvão e a fauna ártica.

💡 Dica: Se você for numa trilha de verão, prepare-se para o fato de que o permafrost derretido transforma a paisagem numa esponja gigante. Você vai atravessar lama e cruzar riachos gelados, então botas de cano alto e cem por cento impermeáveis são absolutamente indispensáveis, senão você fica com os pés totalmente molhados em cinco minutos.

11. Observe a fauna ártica única

Embora não seja tão fácil avistar de perto um urso-polar, há uma quantidade enorme de animais para ver aqui, e a natureza ártica é surpreendentemente viva. Praticamente em toda a região ao redor da cidade você vai esbarrar em fofíssimas renas de Svalbard, das quais vivem nas ilhas mais de vinte e dois mil. Por adaptação ao inverno, elas têm pernas surpreendentemente curtas e um corpinho arredondado, então mais do que um majestoso animal nórdico, lembram um pônei peludo. Não têm predador natural, então não têm nenhum medo de gente e deixam você se aproximar a poucos metros — só, por favor, não as estresse fotografando de muito perto.

Ao redor das falésias de aves, como a famosa região de Alkefjellet, costumam rondar ágeis raposas-do-ártico, nas variações de pelagem azul e branca, que no verão procuram por ovos caídos. Nos fiordes, você pode avistar do barco enormes morsas descansando nas praias, por exemplo na popular parada de Poolepynten. Mas lembre-se de que, a partir de 2025, valem regras rigorosas e os barcos devem manter uma distância mínima de 150 metros das colônias de morsas. E, se você quiser fazer um passeio direto atrás dos ursos, saiba que nenhum “polar bear tour” comercial existe oficialmente aqui, porque rastrear ursos ativamente é rigorosamente proibido e punido com multa.

12. Celebre o retorno do sol no Solfest

O fim da noite polar é, em Svalbard, um acontecimento absolutamente fundamental do ano, pelo qual todos os moradores esperam com uma ansiedade incrível depois de longos meses de escuridão total. O sol até aparece sobre o horizonte já em meados de fevereiro, mas por causa das montanhas altas, que cercam Longyearbyen de todos os lados, os primeiros raios só caem direto na cidade no dia 8 de março, exatamente. Esse dia é comemorado com o grandioso festival Solfest, quando toda a comunidade se reúne nos degraus do antigo hospital e, com um entusiasmo enorme, dá as boas-vindas ao sol de volta. Justamente o período pouco antes dessa data, a chamada hora azul, é considerado a parte mais gratificante do ano para a fotografia.

A partir de 20 de abril, o sol já não se põe mais atrás do horizonte e começa o período do sol da meia-noite, que dura ininterruptamente até 23 de agosto. É um enorme baque para o biorritmo, porque às três da manhã o sol brilha lá fora com exatamente a mesma intensidade que às três da tarde, o que confunde o corpo. Se você vier no verão, recomendo muito levar na mala uma máscara de dormir realmente boa. Muitos viajantes desabafam nos fóruns que, depois de uma semana de sol constante, ficaram totalmente esgotados, porque simplesmente não conseguiram dormir direito no quarto de hotel iluminado.

13. Circunavegue o arquipélago num navio de expedição

Se você tem à disposição um orçamento mais generoso e quer ver o absolutamente melhor do Ártico selvagem, uma navegação de expedição de vários dias é simplesmente outro nível — e o preço, infelizmente, corresponde a isso. Tradicionalmente vai-se à costa oeste, até o Magdalenefjorden, ou, em julho e agosto, quando o gelo da costa leste derrete, faz-se a circunavegação completa de todo o arquipélago. Uma navegação assim, de dez a quatorze dias, sai por cerca de 7.000 a 12.000 euros (R$ 42.000 a R$ 72.000). Em barcos menores você chega a lugares onde o turista comum não põe os pés, e é justamente daí que se tem de longe a maior chance de observar com segurança os ursos-polares caçando sobre os blocos de gelo.

Mas preste enorme atenção às novas regras, que valem desde o início de 2025. A Noruega endureceu radicalmente a proteção da natureza, então só barcos com capacidade de até 200 passageiros podem entrar nas áreas protegidas e nos parques nacionais. Além disso, o desembarque em terra por meio de botes infláveis Zodiac só é permitido em 43 pontos previamente selecionados, em vez das centenas de locais originais. A bordo e em terra também vale agora uma proibição absoluta de voar com drones, então pode esquecer as tão desejadas imagens aéreas das geleiras — as multas por descumprimento são astronômicas.

14. Não caia no mito da aurora boreal

Muitos viajantes compram passagens aéreas caras para Svalbard no meio do inverno profundo achando que vão ver aqui a melhor e mais brilhante aurora boreal do mundo. Mas a verdade é cruel para muitos: Svalbard fica, paradoxalmente, ao norte demais e frequentemente está fora do chamado oval auroral, que se estende mais ao sul, sobre a Escandinávia continental. Os guias locais e os viajantes experientes nos fóruns concordam à unanimidade: se o seu objetivo principal é a aurora boreal dançante, você faz muito melhor rumando para o continente norueguês, para Tromsø ou para as ilhas Lofoten.

Mesmo assim, Svalbard tem uma enorme raridade que você não vive em nenhum outro lugar do mundo. Como durante a noite polar, de novembro ao fim de janeiro, reina a escuridão total até de dia, este é o único lugar habitado da Terra onde você pode observar a aurora polar tranquilamente ao meio-dia. Chamam isso de “daytime aurora”, e dizem que ela tem um tom levemente diferente da noturna. Se, no escuro do inverno, faltar um programa à noite, recomendo muito uma visita à cabana Camp Barentz, um pouco depois da cidade, onde por cerca de 1.545 coroas norueguesas você ganha, à beira do fogo, um ótimo jantar quente e uma palestra envolvente sobre a vida dos ursos-polares.

15. Descubra a alta gastronomia ártica e a cervejaria

Para uma cidade tão pequena e extremamente remota, Longyearbyen oferece uma cena gastronômica surpreendentemente fantástica, que não fica atrás das grandes cidades europeias. Trazer ingredientes frescos por via aérea é extremamente caro, mas os cozinheiros locais fazem verdadeiras mágicas com eles. Para uma noite especial, vá ao cultuado restaurante Huset, que oferece fine dining de primeira e se orgulha de uma adega inacreditável, com mais de 15.000 garrafas, o que faz dela uma das maiores de toda a Escandinávia. Outra raridade local é a cervejaria mais ao norte do mundo, a Svalbard Bryggeri, onde você pode fazer uma visita guiada e provar cerveja feita com água de uma geleira antiga.

Para um almoço ou jantar tranquilo, cai muito bem o lendário restaurante Kroa, que faz uma pizza excelente (conte com um preço em torno de R$ 160), ou o moderno gastropub Svalbar, famoso por seus hambúrgueres caprichados. Um café excelente e bombons de chocolate você encontra na cafeteria mais ao norte do mundo, a Fruene. Para quem não come carne, é bom saber que dá para se virar aqui sem grandes problemas — um ótimo cardápio vegetariano é oferecido, por exemplo, pelo restaurante do Funken Lodge. Isso porque as especialidades locais de carne descritas nos cardápios giram exclusivamente em torno de rena, baleia e foca, o que definitivamente não é para todo mundo.

💡 Dica: O álcool é vendido nas ilhas em regime de zona franca, então é mais barato do que no continente norueguês, mas a compra tem regras históricas bem rígidas. Os moradores têm cotas mensais e você, como turista, precisa obrigatoriamente mostrar o cartão de embarque ou a passagem de volta no caixa da loja Nordpolet, senão eles não vendem para você nem uma única cerveja ou vinho.

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Para onde ir a partir de Svalbard

Sua aventura ártica definitivamente não precisa terminar aqui. As conexões aéreas via Noruega continental oferecem uma ótima oportunidade de unir a visita ao arquipélago gelado a outras belezas nórdicas.

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Perguntas frequentes

Planejar uma viagem acima do círculo polar traz consigo uma série de especificidades que você não precisa resolver numa viagem comum pela Europa. Por isso, selecionei as perguntas mais frequentes que recebo sobre Svalbard e preparei respostas claras, para que nada te pegue de surpresa antes da viagem.

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