A Suécia é o terceiro maior país da União Europeia, mas muita gente comete um erro grave ao planejar a primeira viagem: tenta enfiar essa área enorme num único roteiro de uma semana. A distância de Malmö, no sul, até Kiruna, no norte, é praticamente a mesma que separa São Paulo de Salvador. Na prática, o país se divide em dois destinos totalmente diferentes, que simplesmente não dá para juntar numa viagem comum.
Enquanto o sul verde e densamente povoado atrai com roadtrips tranquilos de verão, ilhas e cidades cheias de design, o norte selvagem representa uma aventura ártica pura. É justamente lá que, no inverno, você voa em busca da aurora boreal e dos passeios de snowmobile. Se você está pensando na viagem, prepare-se para muito espaço para respirar, porque, apesar do interesse crescente, o turismo de massa clássico, com praias lotadas, praticamente não existe por aqui.
Mas prepare-se para um país que funciona segundo regras um pouco diferentes. Dinheiro em espécie quase ninguém quer mais, toda tarde o tempo para religiosamente para um café e álcool no fim de semana você simplesmente não compra num supermercado comum. Os viajantes, porém, elogiam demais a tranquilidade local, o inglês onipresente e uma natureza que, graças ao exclusivo direito de livre acesso, deixa você ir simplesmente a qualquer lugar.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Sul versus norte: Decida logo no começo. O sul (Skåne, Gotemburgo, Estocolmo) é ideal para viagens de carro no verão. O norte (Lapônia) é exotismo ártico, para onde se vai no inverno atrás da aurora boreal e do frio congelante.
- A armadilha do país sem dinheiro: A Suécia é quase 100% cashless. Notas de coroa você não vai usar, tudo se paga no cartão. Os locais adoram o app Swish, que infelizmente você, como estrangeiro, não consegue ter.
- Monopólio do álcool: Qualquer coisa acima de 3,5% de álcool você só compra nas lojas estatais Systembolaget. No sábado elas fecham já às 15h e no domingo ficam inflexivelmente fechadas.
- Transporte e pedágio: As rodovias são gratuitas para carros de passeio. Só se paga a entrada nos centros de Estocolmo e Gotemburgo e as grandes pontes. A boa notícia é que dá para chegar a Estocolmo com voos diretos de São Paulo pela TAP (via Lisboa) direto ao principal aeroporto, o Arlanda.
- Gastronomia com esperteza: Não quer deixar uma fortuna nos restaurantes? Procure na hora do almoço as placas “dagens lunch”. Por cerca de 120 a 150 SEK (R$ 65 a R$ 80) você ganha um prato principal, um buffet farto de saladas, café e pão.
- O fenômeno stuga: Alugar uma típica cabana vermelha de madeira à beira do lago é a maneira mais autêntica e melhor de passar as férias de verão no país.
- Cuidado com as férias de verão: Em julho, a maioria dos suecos entra no chamado industrisemester. As cidades esvaziam e muitos negócios menores podem ficar fechados por um mês.

Quando ir para a Suécia
Escolher o mês certo é absolutamente crucial, porque aqui as expectativas costumam esbarrar na dura realidade. As perguntas sobre a melhor época para visitar lotam os fóruns de viagem todos os dias. Os meses de verão atraem pelos dias infinitamente longos, mas as temperaturas em Estocolmo giram, em julho, em torno de apenas 21 °C. As noites à beira d’água costumam ser bem frias, então um suéter quente é útil mesmo no meio do verão. Julho ainda traz o chamado industrisemester, quando muitos locais fazem as malas e vão para as cabanas. Isso significa cidades meio vazias, mas, por outro lado, campings e balsas irremediavelmente lotados.
Um capítulo à parte é o midsommar sueco, ou seja, a celebração do solstício de verão, que cai na sexta-feira entre 19 e 24 de junho. É o feriado mais mágico do ano. Os locais erguem um mastro enfeitado (klädd stång), tecem coroas de flores do campo e dançam a tradicional e ligeiramente absurda dança das pequenas rãs. Mas há um detalhe enorme: o país simplesmente fecha por completo. Restaurantes, lojas e cafés não funcionam e o transporte entra em regime de feriado. Se você quer viver essas tradições na pele, precisa ir para o interior ou para o museu a céu aberto Skansen, em Estocolmo, caso contrário vai ficar de barriga vazia numa cidade deserta.
Um enorme terror do verão no norte e no interior são os mosquitos e as pequenas moscas mordedoras chamadas knott. Da metade de junho até a metade de agosto, elas conseguem transformar pântanos e lagos num verdadeiro inferno, então um repelente local forte é absolutamente indispensável. Por isso, viajantes experientes muitas vezes recomendam setembro para as viagens de verão. A natureza começa a se colorir com incríveis tons de outono, os mosquitos desaparecem após as primeiras geadas e, no norte, você já tem enorme chance de ver a primeira aurora boreal, que ainda se reflete lindamente nos lagos que ainda não congelaram.
Se, ao contrário, você segue para o extremo norte, prepare-se para o jogo de luz e escuridão. Acima do Círculo Polar Ártico, do fim de maio até a metade de julho, você vive o sol da meia-noite, quando a luz simplesmente não deixa o céu e a máscara de dormir vira sua melhor amiga. Já em dezembro e janeiro reina aqui a noite polar. O sol não aparece e, por apenas algumas horas por dia, uma penumbra azul mágica inunda a paisagem. Para as brincadeiras de inverno e a caça à aurora, os meses estatisticamente muito mais agradáveis são fevereiro e março, quando as geadas já não são tão cruéis e os dias se alongam rapidamente.

Onde se hospedar na Suécia
💡 Dica de hospedagem e experiências: A gente prefere procurar hospedagem no Booking.com, onde costumam ter as melhores condições de cancelamento. Ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.
A hospedagem não está entre os itens mais baratos do orçamento, mas, por outro lado, oferece um padrão realmente excelente. Um quarto de casal comum num bom hotel sai por cerca de R$ 600 a R$ 840 a diária. Uma ótima alternativa para famílias e grupos são os campings luxuosamente equipados ou os aluguéis das tradicionais cabanas vermelhas (stuga), onde, graças à cozinha própria, você economiza enormemente em comida nos caros restaurantes.
Se você planeja explorar a capital e os arredores, hospede-se estrategicamente bem no centro, perto da estação central. O elegante Downtown Camper by Scandic, na praça Brunkebergstorg, fica a poucos minutos a pé do centro histórico, e a piscina no terraço com vista para a cidade você vai precisar mesmo depois de um dia inteiro caminhando entre monumentos. 😌 Para um orçamento um pouco mais apertado, uma ótima escolha é o vizinho Hobo Hotel. Ele marca pontos pela atmosfera hipster descontraída, quartos menores e práticos e uma excelente cafeteria local logo no lobby.
No sul do país, especialmente se você chega de carro da Dinamarca pela Ponte de Öresund, Malmö é a base ideal. Experimente o famoso Clarion Hotel Malmö Live, que se ergue bem acima da cidade como um marco moderno. Dos andares superiores você tem uma vista de tirar o fôlego direto para o estreito do mar e a costa de Copenhague. Além disso, fica a um passo do lindo e sustentável bairro Västra Hamnen e perto da estação de trem.
E se sua viagem dos sonhos aponta para o gélido norte, na Lapônia, Kiruna funciona como o ponto de apoio mais lógico. Muito popular é o resort familiar Camp Ripan, onde você não fica num bloco gigante de concreto, mas em aconchegantes cabanas separadas espalhadas por um bosque de bétulas. O resort tem seu próprio e premiado spa ártico e, graças à leve distância do centro da cidade, dá para observar a aurora boreal direto de lá. Assim você não precisa pagar caro pelos passeios noturnos em busca do silêncio e da escuridão.
Mas os caçadores de aurora boreal muitas vezes escolhem, cem quilômetros adiante, o STF Abisko Turiststation, bem ao pé do monte Nuolja. Você fica em quartos simples ou cabanas da associação turística por uma fração do preço dos lodges árticos, está a poucos minutos do teleférico até a Aurora Sky Station e, principalmente, bem embaixo do famoso “buraco azul”, onde o céu se abre mesmo com tempo ruim. Reserve com bastante antecedência, a capacidade é pequena e na temporada lota meses antes.
Uma liga completamente diferente é a hospedagem de verão no sul. Em Öland funciona o Böda Sand, o maior camping da Suécia, com 1.350 vagas, 125 cabanas, padaria própria e quilômetros de praia de areia branca que você não esperaria no Báltico. Uma cabana para quatro sai mais barata que um quarto de casal em Estocolmo, você tem cozinha própria e ainda economiza com comida. Funcionam de modo parecido os albergues STF (vandrarhem) espalhados pelo país inteiro, inclusive nas ilhas do arquipélago, onde por um quarto limpo com cozinha compartilhada você paga cerca de R$ 145 a R$ 215 a diária.

30 dicas do que ver e fazer na Suécia
Seja qual for o seu plano — um fim de semana prolongado e corrido em Estocolmo ou um roadtrip de verão de três semanas com o carro lotado até o teto —, este país não te dá tempo de respirar. As trinta dicas a seguir vão do sul plano até o norte ártico, então escolha à vontade só a metade que combina com a sua estação.

1. Gamla Stan, em Estocolmo: beleza de cartão-postal
O coração histórico de Estocolmo se estende pela ilha de Stadsholmen e funciona como um ímã perfeito para os visitantes. É formado por uma rede de vielas de paralelepípedos, fachadas ocre e a praça Stortorget com suas casinhas coloridas. É justamente aqui que você encontra o Palácio Real, com sua regular troca de guarda, que nos meses de verão vira um grande acontecimento.
Gamla Stan é especialmente encantador logo cedo, antes de as multidões dos cruzeiros saírem às ruas, mas é melhor evitar a artéria principal Västerlånggatan — ela funciona como uma clássica armadilha para turistas, com comida superfaturada, sendo que basta virar duas vielas em direção à água para topar imediatamente com bistrôs mais tranquilos. Uma ótima opção para vegetarianos são as cafeterias locais, onde no almoço você pede um sanduíche delicioso ou uma sopa reforçada.
💡 Dica: Tente achar a viela Mårten Trotzigs gränd. É a rua mais estreita da cidade, com incríveis 90 centímetros de largura, e nas fotos fica absolutamente fantástica.

2. Museu do navio Vasa: a mancada mais famosa da história
Na verde ilha de Djurgården fica o museu que recebe todos os anos mais de 1,3 milhão de visitantes e é considerado o mais visitado de toda a Escandinávia. Numa enorme sala escura esconde-se o Vasa. Este navio de guerra do século 17 deveria ser o orgulho do rei Gustavo II Adolfo, mas, por excesso de canhões e um centro de gravidade mal calculado, afundou em 1628 após apenas 1.300 metros de sua primeira viagem.
No fundo do porto passou longos 333 anos. Os engenheiros o ergueram de volta à superfície em 1961 e, graças à baixa salinidade do Mar Báltico, a madeira se conservou em estado quase perfeito. Hoje diante de você está um colosso feito com 98% de madeira de carvalho original, e a visão dele é de tirar o fôlego. Você vai se sentir num cenário de filme de Piratas do Caribe.
💡 Dica: O museu adotou preço dinâmico (240 SEK / cerca de R$ 130 no verão, 195 SEK / cerca de R$ 105 no inverno) e é 100% sem dinheiro em espécie. Já pode deixar as notas de coroa na carteira. Crianças e jovens até 18 anos ainda entram totalmente de graça.

3. Ilha de Djurgården: Skansen e o ABBA mundial
Djurgården já serviu de coutada real de caça, mas hoje cumpre o papel de enorme coração museológico de Estocolmo. A maior atração é o Skansen, o mais antigo museu a céu aberto do mundo, fundado em 1891. Não são só algumas casas de madeira. É um parque gigantesco com casas históricas de todo o país e um zoológico nórdico, onde você vê alces, ursos e carcajus. Crianças entram de graça, mas você precisa “comprar” online um ingresso de valor zero.
Os fãs de música, por outro lado, não podem perder o totalmente interativo ABBA The Museum. O slogan da exposição é “Walk in, dance out” e os visitantes elogiam demais, mesmo que o ingresso (cerca de 250 SEK / R$ 135) não seja dos mais baixos. Aqui você pode cantar num estúdio de holograma direto com a banda ou levantar um telefone especial cujo número só quatro membros do grupo conhecem. E, de vez em quando, dizem que eles realmente ligam.
💡 Dica: Os ingressos para o museu Vasa, para o ABBA The Museum e para o Skansen dá para comprar online com antecedência, por exemplo pelo GetYourGuide. Em julho e agosto você fura as filas das bilheterias; fora de temporada, pode comprar no local à vontade, o preço costuma ser o mesmo.

4. Metrô de Estocolmo: a galeria mais longa do mundo
Uma viagem comum de transporte público em Estocolmo se transforma numa experiência cultural. O metrô local, o Tunnelbana, ostenta o título de galeria de arte mais longa do mundo. Cerca de noventa de cada cem estações foram decoradas por artistas com esculturas, mosaicos incríveis e instalações espaciais. E para visitar basta um bilhete comum de 42 SEK (cerca de R$ 23), que vale por 75 minutos e deixa você fazer quantas baldeações quiser.
A mais fotogênica é, sem discussão, a linha azul. A estação T-Centralen te envolve com relaxantes videiras azuis pintadas direto na rocha bruta da caverna subterrânea. Já a parada Solna Centrum tira o fôlego com seu teto vermelho vivo que lembra o céu do entardecer sobre uma floresta verde e infinita de abetos. Tente ir num fim de semana pela manhã, quando o subterrâneo não está apinhado de gente indo trabalhar, e você vai tirar as melhores fotos.

5. Mirantes sobre a água: Monteliusvägen e Fjällgatan
Estocolmo fica em quatorze ilhas, então vistas fantásticas para a água não faltam por aqui. As absolutamente melhores se escondem na ilha de Södermalm, que se ergue de forma abrupta acima do casario ao redor. O antigo bairro operário se transformou no endereço mais descolado da cidade. Foque na área chamada SoFo, cheia de cafés independentes e ótimas lojas vintage.
Quando bater a vontade de tirar fotos incríveis, procure a promenade Monteliusvägen. É uma trilha estreita, de cerca de meio quilômetro, cravada direto na rocha, de onde você tem o histórico Gamla Stan e a majestosa prefeitura como na palma da mão. A segunda ótima opção é a histórica rua Fjällgatan, no lado leste da ilha. Para o jantar, desça até o bairro de Vasastan, na rua Rörstrandsgatan, onde há excelentes bistrôs com farta oferta de pratos vegetarianos.

6. Arquipélago de Estocolmo: trinta mil ilhas
A apenas uma hora de barco do centro de Estocolmo fica um mundo completamente diferente. O arquipélago local (skärgården) não é formado por umas poucas ilhotas, mas por um gigantesco labirinto de 30 mil ilhas, recifes e ilhéus. Cada pedaço de terra respira uma atmosfera própria. Para famílias e passeios rápidos, recomendo Vaxholm, com sua fortaleza histórica e muitos cafés. Já os amantes do mar aberto e da vela seguem para a mais distante Sandhamn.
Uma grande novidade para os viajantes é a criação do novo parque nacional Nämdöskärgården, em setembro de 2025. É o primeiro parque nacional marinho do Mar Báltico. Oferece água incrivelmente limpa e condições perfeitas para caiaque, e a entrada é totalmente gratuita. Pelas ilhas você se locomove melhor nos barcos brancos da empresa Waxholmsbolaget, para os quais vale a pena comprar o passe insular Båtluffarkort.
💡 Dica: Se você pretende explorar as ilhas mais distantes na temporada de verão, sempre confira com cuidado o horário do último barco de volta à cidade. Hospedagem nas ilhas sem reserva prévia você praticamente não encontra.

7. Palácio de Drottningholm: residência real
O Versalhes sueco, como Drottningholm costuma ser apelidado, fica a um passo do centro de Estocolmo, na ilha de Lovön. Este grandioso complexo do século 17 é a residência permanente da família real sueca e figura, com razão, na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Enquanto a ala sul permanece rigorosamente privada, o resto do palácio está aberto ao público e vai te impressionar pelo estado de conservação.
Além dos maravilhosos interiores, você vai ficar absolutamente encantado com os enormes jardins barrocos com labirinto e o extenso parque inglês, ideal para um piquenique de tarde. Faz parte do complexo também o único teatro da corte (Slottsteater), que se conservou até hoje em seu estado original, com maquinário cênico funcional do século 18 — os cenários se movem exatamente como os engenheiros barrocos projetaram, e é uma coisa meio mágica. O caminho mais estiloso até o palácio é pela água: barcos a vapor históricos partem direto da prefeitura de Estocolmo e a travessia em si já é um grande passeio.

8. Uppsala e Gamla Uppsala: túmulos vikings
Uppsala fica cerca de 70 quilômetros ao norte de Estocolmo e é o bate-volta perfeito atrás de história. A cidade é dominada pela maior catedral da Escandinávia, onde descansa o lendário rei Gustavo Vasa. Aqui também fica a mais antiga universidade sueca, fundada já em 1477. As ruas estão cheias de estudantes, bicicletas e cafeterias aconchegantes, que dão à cidade uma atmosfera muito viva.
Bem depois da cidade fica Gamla Uppsala (a Velha Uppsala). Já foi o mais importante centro de poder e religião do norte pagão. Hoje você encontra fascinantes túmulos reais do século 6, onde, segundo as lendas, foram sepultados os primeiros reis suecos. O excelente museu local mostra tudo sobre os rudes rituais vikings. Durante o passeio pelos arredores, você ainda vai topar, com certeza, com pedras rúnicas isoladas.

9. Gotemburgo: a segunda cidade e os caracóis gigantes
Gotemburgo, na costa oeste, tem uma atmosfera bem mais descontraída, levemente industrial e operária, se comparada à nobre Estocolmo. A vida corre mais devagar aqui e o ar marinho onipresente te carrega de energia na hora. Das docas industriais, onde antes se construíam navios, cresceram galerias, restaurantes e um bairro novinho em folha, de modo que, ao caminhar pelo porto, você tem a sensação de ter virado, por engano, para Copenhague. O rosto da cidade mudou recentemente com o novíssimo arranha-céu Karlatornet. Com seus 246 metros e um deck de observação, é atualmente o edifício mais alto da Escandinávia.
O coração da cidade velha é o bairro de Haga, com ruas de paralelepípedos e casas de madeira preservadas. Aqui é obrigatório fazer a sua fika no Café Husaren, onde assam os lendários caracóis de canela do tamanho de um prato de jantar. Já as famílias com crianças seguem para o Liseberg, o maior parque de diversões da Escandinávia. A entrada começa em 95 SEK (cerca de R$ 51) e o parque se prepara para uma expansão gigante com o mundo aquático Oceana, cuja abertura, após o incêndio recente, está prevista para 2027.
💡 Dica: Ingressos para o Liseberg e vagas nos passeios pela costa oeste você garante com antecedência, por exemplo pelo GetYourGuide, o que ajuda muito nas férias. Nos passeios de pesca menores e no Seafood Safari em Bohuslän, porém, costuma sair mais barato acertar direto no porto, então compare os dois preços.

10. Arquipélago sul de Gotemburgo: ostras e sossego
Logo depois dos portões de Gotemburgo esconde-se o arquipélago sul (Södra skärgården), do qual muitos turistas estrangeiros nem desconfiam. É formado por dezenas de ilhas de granito, nas quais vigora a proibição total de carros. Os locais se movem exclusivamente a pé, de bicicleta ou em uns mopeds de carga especiais. Você chega aqui de forma incrivelmente fácil: basta pegar o bonde número 11 e, no porto de Saltholmen, baldear para o barco com um bilhete comum de transporte público.
Pare na ilha de Styrsö para caminhadas românticas entre casas de madeira, ou vá até a distante ilha de Vrångö, com praias de areia e paz absoluta. Toda a região é ainda famosa por frutos do mar fantásticos. No outono explode aqui uma verdadeira febre das lagostas e os pescadores locais organizam o popular Seafood Safari. Os pescadores esperam por essa temporada o ano inteiro e comem lagosta com tamanha concentração séria que é melhor você nem falar com o prato dos outros. 😄
💡 Dica: Vá às ilhas durante a semana. Nos fins de semana de sol, metade de Gotemburgo foge para cá e as balsas ficam bem apertadas.

11. Bohuslän e Fjällbacka: os passos de Camilla Läckberg
Assim que você sai de Gotemburgo rumo ao norte, em direção à fronteira norueguesa, é recebido por uma paisagem de ilhotas de granito lisas e rosadas e um mar azul-escuro. A costa de Bohuslän é salpicada de pitorescas vilas de pescadores com as típicas casinhas vermelhas e brancas. Para esse roadtrip, reserve com certeza pelo menos três dias, porque tudo aqui é absolutamente encantador e você não vai querer ir embora.
Parada obrigatória é Fjällbacka, que é a meca de todos os fãs dos policiais nórdicos. É justamente aqui que a escritora Camilla Läckberg ambienta seus romances sangrentos. Na realidade, o lugar é extremamente calmo e seguro. Passeie pela estreita garganta rochosa de Kungsklyftan, que apareceu até no filme da Ronia, a Filha do Bandido. Depois siga até o porto, sobre o qual olha um busto de bronze da atriz Ingrid Bergman, que passava aqui os verões por anos.

12. Parque Nacional Kosterhavet: paraíso submarino
Bem na fronteira norueguesa, a costa oeste culmina no Parque Nacional Kosterhavet. Foi criado em 2009 como o primeiro parque nacional marinho do país. A maior parte de sua área fica sob a superfície, onde, graças às correntes limpas e frias do Mar do Norte, prosperam mais de 6.000 espécies de animais, incluindo raros corais de água fria.
O centro do parque são as ilhas de Nordkoster e Sydkoster, aonde você chega de balsa a partir da cidadezinha de Strömstad. Carros não entram, então logo no porto você aluga uma bicicleta e pedala entre pastagens, charnecas e pequenas enseadas, onde te toma um sossego absoluto. A água aqui é incrivelmente limpa e, no verão, atrai para o banho até os viajantes mais novinhos. Só não esqueça que, no parque nacional, valem regras mais rígidas para acampar.

13. Ponte de Öresund: maravilha da engenharia
Para muitos viajantes que seguem para o norte de carro, a famosa Ponte de Öresund representa o auge sonhado da viagem. Essa maravilha de engenharia de dezesseis quilômetros, que o sombrio seriado policial Bron/Broen tornou famosa, liga Copenhague, na Dinamarca, a Malmö, na Suécia. Parte do caminho você faz por um túnel debaixo do mar, para emergir na ilha artificial de Peberholm e cruzar o resto bem acima das ondas. É uma experiência monumental.
Mas é uma diversão que se paga bem. O pedágio padrão de mão única para um carro de passeio custa, em conversão, cerca de R$ 370 a R$ 410. A Suécia, além disso, prorrogou os controles aleatórios em suas fronteiras Schengen até, no mínimo, novembro de 2026. Por isso, antes de entrar na ponte, sempre confira se todos os passageiros do carro têm passaporte ou documento de identidade válido — os controles costumam ser bem rigorosos.
💡 Dica: Se você planeja atravessar a ponte na ida e na volta, contrate com antecedência online a assinatura ØresundGO. Você paga uma taxa anual, mas o preço da travessia em si cai tanto que o investimento se paga já na primeira viagem de ida e volta.

14. Malmö: falafel e um futuro sustentável
Malmö é a terceira maior cidade sueca e tem, entre os turistas, uma fama meio de patinho feio. Mas o antigo porto industrial pesado virou um centro incrivelmente dinâmico e multicultural. O símbolo dessa transformação é o arranha-céu Turning Torso, que se ergue sobre o ecológico bairro de Västra Hamnen como um gigantesco saca-rolhas branco. Nele se mora, então não há mirante público, mas uma caminhada pelos molhes de madeira abaixo dele vale a pena.
Na cidade se misturam culturas de 180 países, o que se refletiu genialmente na gastronomia local. Para o bairro de Möllevången você simplesmente precisa ir atrás do famoso falafel de Malmö. É uma verdadeira instituição cultural, onde por cerca de 50 a 70 SEK (aprox. R$ 27 a R$ 38) você compra uma porção enorme de excelente comida vegetariana, que agrada até os orçamentos mais controlados. As histórias sobre perigosas zonas de gangues dizem respeito a periferias distantes. Os centros históricos, monumentos e zonas turísticas de Estocolmo, Gotemburgo e Malmö são tranquilos de dia e de noite.

15. Lund: catedral e estudantes
Enquanto Malmö é agressiva e moderna, a apenas vinte minutos de trem fica Lund, que é o total oposto dela. Essa antiquíssima cidade acadêmica, com uma universidade de prestígio, pertence aos estudantes e às bicicletas. As ruas de paralelepípedos são ladeadas por casinhas de tijolo cobertas de hera e reina aqui um fantástico sossego histórico. É um destino ideal para uma escapada de meio dia da agitação da metrópole.
A cereja do bolo é a majestosa Catedral de Lund, românica do século 12, com um fascinante relógio astronômico mecânico do século 15, no qual duas vezes por dia se encena um espetáculo de cavaleiros de madeira travando um duelo, e para a cripta escura embaixo da igreja se vai investigar o gigante petrificado Finn, que, segundo a lenda, tentou destruir a construção.

16. Ystad e o circuito sul: as praias brancas de Skanör
A província de Skåne, no extremo sul da Suécia, derruba com confiança todos os mitos sobre as sombrias florestas nórdicas. Aqui você encontra planícies verdes onduladas, bosques de faias e uma costa incrivelmente bonita. Pare na península de Falsterbo, onde se estendem quilômetros de areia branca reluzente, ladeados por pequenas cabines de praia em tons pastel. No verão, o lugar parece a versão sueca dos Hamptons e o mar convida ao banho.
Um pouco adiante, a leste, fica a pitoresca cidadezinha de Ystad. Seu centro histórico é entrecortado por vielas com casas enxaimel perfeitamente conservadas, mas a fama mundial lhe veio do fictício comissário Kurt Wallander. No centro de turismo, entregam com prazer um mapinha com o qual você percorre os locais dos populares livros de Henning Mankell e, no final, toma um café no café favorito do comissário, o Fridolfs konditori.

17. Ales stenar: o Stonehenge sueco
Cerca de vinte quilômetros a leste de Ystad, num alto penhasco gramado bem acima das ondas do Mar Báltico, ergue-se um dos lugares mais mágicos de toda a Escandinávia. Ales stenar é formado por 59 blocos de pedra enormes dispostos no impressionante formato de um barco de quase setenta metros de comprimento. O ambiente é absolutamente místico.
Este monumento megalítico é da Idade do Ferro, por volta do ano 600 d.C., e provavelmente servia como calendário solar ou cemitério. A subida do pequeno estacionamento no porto de Kåseberga até o alto do penhasco leva apenas cerca de quinze minutos. Lá em cima te espera uma atmosfera incrível, embalada pelo rugir do mar e por um vento forte. Se você ficar mais tempo no sul, não pule essa parada de jeito nenhum — as fotos daqui são fenomenais.

18. Öland: savana de calcário e clima de verão
A ilha de Öland está ligada ao continente por uma ponte gratuita de seis quilômetros a partir de Kalmar e é considerada o destino de verão sueco definitivo. É uma faixa de terra estreita e absolutamente plana, que ostenta o maior número de horas de sol do país. Aqui você encontra campings gigantes, como o famoso Böda Sand, com praias caribenhas de areia branca, e centenas de históricos moinhos de vento de madeira ladeando as estradas.
A paisagem, porém, é surpreendentemente rude e peculiar. A metade sul da ilha é coberta por Stora Alvaret, uma enorme estepe de calcário inscrita na lista da UNESCO, que costuma ser apelidada de savana sueca. A camada de solo é tão fina que as árvores não sobrevivem, mas em maio e junho prosperam por ali dezenas de espécies de orquídeas selvagens. No oeste da ilha, não esqueça de visitar a impressionante ruína de Borgholm e os vizinhos jardins de Solliden, que servem de residência de verão à família real.

19. Kalmar: o portal renascentista
Antes de atravessar a ponte para Öland, pare com certeza na histórica Kalmar. A cidade funcionou por séculos como importante bastião militar na então fronteira com a Dinamarca, e seu principal ímã é o Kalmar slott, disparado o castelo renascentista mais bem conservado da Escandinávia. Foi justamente aqui que, em 1397, se assinou a famosa União de Kalmar, que por mais de cem anos uniu Suécia, Dinamarca e Noruega sob uma única coroa.
Hoje o castelo oferece belíssimos interiores e excelentes visitas interativas, que divertem adultos e crianças. Kalmar pode se gabar também de uma linda cidade velha (Gamla stan) com ruas estreitas e uma marina animada, cheia de cafés, de onde você pode tomar um café e observar os barcos partindo rumo ao Báltico aberto. É o lugar perfeito para uma pausa de almoço.

20. Glasriket: o reino do vidro nas florestas
No meio das florestas profundas da província de Småland esconde-se o Glasriket, ou Reino do Vidro. Desde o século 18, funcionaram por aqui dezenas de fábricas de vidro, que tiravam proveito das reservas infinitas de madeira. Hoje sobreviveram só algumas, mas por isso mesmo elas se concentram em experiências intensas. Em fábricas como a famosa Kosta Boda, fundada em 1742, você pode, de pertinho, observar mestres vidreiros trabalhando e comprar peças de design nos outlets locais.
Totalmente única é a tradição chamada hyttsill. No passado, os vidreiros pobres se reuniam junto aos fornos que esfriavam para se aquecer e assar comida. Hoje esse costume revive nas noites de verão, quando você se senta às longas mesas dentro da própria fábrica. Enquanto às mesas chegam as tradicionais batatas assadas com airela (lingon) para os vegetarianos e arenques salgados para os amantes de peixe, toca música ao vivo.
💡 Dica: As noites hyttsill só acontecem em dias selecionados do verão e os lugares somem num piscar de olhos — reservar com muita antecedência é indispensável.

21. Vimmerby e Astrid Lindgren: volta à infância
Isto aqui é parada absolutamente obrigatória para todas as famílias e amantes da literatura nórdica. A cidadezinha de Vimmerby, em Småland, é o berço da famosa escritora e abriga o enorme parque teatral Astrid Lindgrens Värld. Não espere carrosséis piscando nem montanhas-russas barulhentas. As crianças correm livres entre cenários perfeitos, entram na Vila Vilekula ou exploram o majestoso castelo do Mattis.
Por todo o parque acontecem espetáculos ao vivo com a Píppi Meia-Longa e o Emil, nos quais os atores envolvem ativamente as crianças ao final. A entrada é dinâmica e, no verão, bem cara, mas a experiência é fenomenal. A um passo do parque fica a verdadeira vilazinha de Gibberyd, onde nos anos 1970 se filmou a lendária série sobre o Emil de Lönneberga. A fazenda de filmagem Katthult continua de pé até hoje e você pode até ver o famoso galpão do Emil.

22. Gotland e Visby: a cidade das rosas e das ruínas
A maior ilha do Mar Báltico é uma grande paixão dos alemães e dos moradores de Estocolmo, mas os turistas de fora ainda a deixam de lado de forma imperdoável. A capital, Visby, figura na lista da UNESCO e te recebe com uma imponente muralha de pedra de 3,4 quilômetros e 44 torres. Dentro dela se entrelaçam vielas de paralelepípedos ladeadas por casinhas pastel baixas, que da primavera ao outono se afogam em flores de rosas. Alugue uma bicicleta e percorra a ilha, que esconde incríveis 92 igrejas medievais.
Por toda a cidade você topa com torsos de grandiosas construções medievais, que ficaram abandonadas após as pragas da peste. Mas a cidade tranquila vira, no início de agosto, um caldeirão fervente, porque explode aqui a Medeltidsveckan. Para o maior festival medieval do norte da Europa chegam mais de 40 mil pessoas em fantasias históricas impecáveis. A hospedagem e as balsas de Nynäshamn nessa semana você precisa resolver com até um ano de antecedência.

23. Fårö: paisagem lunar e Ingmar Bergman
Bem na ponta norte de Gotland fica a ilhota de Fårö, aonde uma pequena balsa amarela te leva de graça em dez minutos. É um planeta mais selvagem, mais deserto e mais melancólico. Onipresentes por aqui são as ovelhas locais de lã cinza encaracolada, mas a atração principal são as chamadas raukar. São colunas de calcário gigantes despontando do mar e das praias, esculpidas por milhões de anos pelo vento cortante e pelo sal marinho. O campo mais conhecido você encontra na reserva de Langhammars.
Caminhar entre esses gigantes de pedra de até dez metros, que muitas vezes lembram rostos petrificados de troles, é uma experiência fortemente mística. Foi justamente essa beleza crua que enfeitiçou o lendário cineasta sueco Ingmar Bergman. Ele viveu na ilha, filmou seus famosos filmes e acabou sepultado num pequeno cemitério aqui. Os fãs de cinema hoje se reúnem no Centro Bergman, que mapeia em detalhes sua vida fascinante.

24. Kiruna: a cidade que se muda
Se você for no inverno para o extremo norte, provavelmente vai pousar em Kiruna. Essa cidade tem um destino incrível, porque fica sobre uma jazida gigante de minério de ferro, e a mineração da empresa LKAB solapou tanto o solo abaixo dela que havia risco de afundamento — então os suecos decidiram mudar o centro inteiro três quilômetros adiante. Mudar uma cidade inteira de lugar é acompanhado pelo mundo todo, porque nada parecido havia sido testado em nenhum outro lugar, e em agosto de 2025 os operários conseguiram transferir inteira até uma igreja de madeira enorme, com mais de cem anos.
Kiruna funciona como um portal perfeito para o Ártico, onde operam dezenas de empresas que organizam atividades de inverno e safáris com cães. Na própria cidade, porém, há forte poluição luminosa, então, para caçar a aurora boreal, você precisa sair com uma agência um pouco além do casario, ou se deslocar mais para os parques nacionais.

25. Icehotel Jukkasjärvi: uma noite no congelador
A cerca de vinte minutos de Kiruna fica um fenômeno que definiu o turismo de inverno no norte. O ICEHOTEL é reconstruído todo inverno com blocos de gelo do rio Torne e, na primavera, derrete de volta em água. Dormir num quarto de gelo numa temperatura que se mantém permanentemente em -5 °C, num saco de dormir especial de expedição, é uma experiência enorme, mesmo que você pague caro por ela, já que os preços começam por volta de R$ 3.100 por uma única noite.
Os viajantes costumam aconselhar pagar exatamente uma noite no gelo e passar o resto da estadia nas clássicas cabanas quentes que o complexo felizmente também oferece. Mais noites no frio, na real, você não vai valorizar. Se dormir no gelo é demais para você, dá para comprar só a entrada diurna da galeria de gelo (custa 325 SEK / cerca de R$ 175), percorrer as incríveis esculturas iluminadas e tomar um drinque num copo de gelo no bar local.
💡 Dica: Graças aos painéis solares, funciona também a parte chamada ICEHOTEL 365, que você pode visitar tranquilamente no meio do verão escaldante — ela não derrete.

26. Abisko e a aurora boreal: o buraco azul no céu
Enquanto Kiruna é ótima para compras e atividades, para caçar a aurora boreal se vai até Abisko, a cem quilômetros de distância. Essa vilazinha à beira de um lago enorme tira proveito do fenômeno chamado “buraco azul”. Graças à sombra de chuva das montanhas ao redor, as nuvens costumam se abrir aqui mesmo nos momentos em que o resto da Lapônia está debaixo de um cobertor de nuvens. Isso faz de Abisko o lugar estatisticamente mais bem-sucedido para caçar a aurora, com taxa de sucesso declarada de até 70% de noites claras.
O maior hit por aqui é a Aurora Sky Station, aonde um teleférico de cadeirinha te leva à escuridão total, mas os ingressos costumam ser bem caros (por volta de 750 a 900 SEK / cerca de R$ 405 a R$ 485). Não esqueça da regra de ouro das três a quatro noites. A aurora boreal não funciona sob encomenda e uma única noite nublada poderia estragar sua viagem inteira. Muito mais importante do que os índices geomagnéticos é acompanhar os modelos locais de nebulosidade. Para ótimas fotos, vá já em setembro, quando a aurora ainda se reflete na superfície dos lagos.

27. Kungsleden e Höga Kusten: as trilhas reais
A Kungsleden (Trilha Real) mede respeitáveis 440 quilômetros, mas a maioria dos trekkers vai direto para o trecho norte mais popular, de 108 quilômetros, entre Abisko e Nikkaluokta — aquele que é fotografado em todos os cartazes. A trilha, que um caminhante comum vence em pouco menos de uma semana, é ladeada por práticas cabanas de madeira da Associação Turística Sueca (STF). O preço da diária para membros gira em torno de 470 SEK (cerca de R$ 255), então você não precisa carregar barraca pesada nem provisões de comida para todo o percurso.
Se você não quer ir tão para o extremo norte, uma alternativa incrível é a Höga Kusten (Costa Alta), situada bem na rodovia E4. A costa local se elevou quase 300 metros desde a era glacial, o que a torna Patrimônio da UNESCO. Aqui você encontra dramáticos penhascos vermelhos, a majestosa ponte Högakustenbron e o Parque Nacional Skuleskogen com a imponente ravina rochosa de Slåttdalsskrevan. É uma experiência nórdica de fácil acesso para quem viaja de carro e quer ver montanhas sem uma logística complicada.
💡 Dica: Em julho e agosto, as montanhas da Kungsleden ficam cheias de gente e mosquitos. Os viajantes recomendam ir na segunda metade de setembro, quando a natureza se colore com tons flamejantes e as geadas noturnas eliminam os insetos com eficiência.

28. Sarek: a última natureza selvagem da Europa
Se a Kungsleden é uma rodovia para os mochileiros, o Parque Nacional Sarek lembra uma selva intransponível. Ele recebe muitas vezes o rótulo justo de última grande natureza selvagem da Europa, porque aqui você não encontra absolutamente nenhuma trilha sinalizada, nem cabanas turísticas nem pontes sobre os furiosos rios glaciais. Você fica aqui completamente cortado do sinal de celular.
É um lugar reservado exclusivamente para experts e aventureiros solo em busca de uma desconexão absoluta da civilização. Aqui é só você, a bússola, o mapa e a mochila, que no começo pesa tranquilamente mais de vinte e cinco quilos. Atravessar rios gelados a vau testa de verdade os limites da resistência física e psicológica, e por isso só se aventure no Sarek com muita experiência em treks de vários dias com equipamento completo. Caso contrário, fique de preferência na bem mais segura Kungsleden.

29. Jokkmokk: cultura sámi e safári de alce
Os sámi são o único povo indígena reconhecido na União Europeia e a Lapônia sueca é o seu lar. Se você quer conhecer de perto e com respeito a cultura viva deles, evite as armadilhas comerciais e procure operadores conduzidos diretamente por locais (por ex., a Nutti Sámi Siida). Você vai descobrir tudo sobre o pastoreio de renas e vai se sentar numa tenda tradicional lávvu. No início de fevereiro, a pequena cidade de Jokkmokk se transforma num caldeirão incrível. Realiza-se aqui uma tradicional feira de inverno com mais de quatrocentos anos de história, para a qual acorrem dezenas de milhares de pessoas.
Mas o norte não é só renas; o rei absoluto das florestas aqui é o alce (älg). Na Suécia vivem cerca de 300 mil deles e, para os motoristas, representam um risco enorme depois do anoitecer — daí aquelas placas de advertência onipresentes. Se você quer ver e fotografar o maior mamífero europeu em segurança, vá a um safári de alce organizado. Pode escolher passeios noturnos com guia mata adentro ou visitar parques de alces seguros (por ex., o Smålandet Markaryd, no sul), onde você chega a alimentar esses majestosos animais de pertinho.

30. Stuga e allemansrätten: a arte de desacelerar
A experiência mais forte que você leva da Suécia não tem a forma de uma cidade nem de um museu. Ela parece uma pequena cabana de madeira vermelho-escuro (stuga) à beira do lago, perdida em algum lugar da floresta profunda. Alugar uma cabana dessas, com sauna própria e um barquinho de alumínio no cais, é a maneira mais autêntica de aproveitar o país. Os preços no verão vão de 5.000 a 12.000 SEK (cerca de R$ 2.700 a R$ 6.500) por semana. Só não esqueça de checar se a cabana tem vaso sanitário com descarga ou o clássico banheiro seco externo (mulltoa), e leve a sua própria roupa de cama.
Todo esse acampamento ao ar livre funciona graças ao exclusivo direito allemansrätten (direito de acesso público). Segundo ele, você pode circular livremente pela natureza, colher mirtilos e, por uma ou duas noites, montar barraca praticamente em qualquer lugar fora da vista de moradias (cerca de 150 metros). Mas cuidado com um grande engano: esse direito vale exclusivamente para caminhantes e turistas não motorizados. Com carro ou motorhome, você simplesmente não pode entrar num prado nem numa praia, e precisa usar estacionamentos oficiais ou campings.

O que provar na Suécia (e o que é fika)
A cultura sueca não gira em torno de grandes almoços de três pratos; gira em torno de um ritual sagrado chamado fika. Não é só uma pausa comum para o café. É o momento em que o trabalho e o tempo param, você se senta com os amigos e come algo doce. O rei da fika é o kanelbulle (caracol de canela) ou o seu irmão mais apimentado, o kardemummabulle. Café com pãozinho numa cafeteria (que aqui se chama fik ou konditori) sai por cerca de 65 a 100 SEK (aprox. R$ 35 a R$ 54). Os suecos levam o doce tão a sério que o caracol de canela tem até seu feriado nacional, em 4 de outubro.
Se você vier à Suécia no inverno ou na primavera, com certeza vai topar com o semla, que é uma brioche fofa de cardamomo recheada com pasta de amêndoa e um enorme chapéu de chantilly. Outra sobremesa típica é o prinsesstårta (bolo da princesa). Você o reconhece de longe pela típica cobertura de marzipã verde vivo, sob a qual se escondem pão de ló, creme de baunilha e framboesas. Na floresta, não esqueça de procurar o tesouro dourado do norte, a amora ártica (hjortron), com a qual se faz uma geleia excelente, e, claro, as onipresentes airelas (lingonberry). Para o café da manhã ou um lanche rápido, o crocante pão knäckebröd cai muito bem.
Comer em restaurantes consegue apertar bem o orçamento, mas existe um truque genial. Procure na frente dos estabelecimentos uma placa com os dizeres dagens lunch (almoço do dia). Por bem razoáveis 120 a 150 SEK (R$ 65 a R$ 80), além do prato principal você ganha acesso a um farto buffet de saladas, pão com manteiga, água e um café no final. É de longe a melhor forma de comer na Suécia e, para nós vegetarianos, esses buffets são a base absoluta de uma sobrevivência feliz. Quando estiver no sul, em Malmö, não esqueça de comprar na rua o gigante e fantástico falafel, que custa uns trocados por aqui.
Quando o assunto são os produtos de origem animal, o clássico local é bem conhecido de todos. Tradicionalmente servem-se as almôndegas (köttbullar) com purê de batata e uma montanha de airelas, ou arenques em conserva (sill), que os suecos comem no solstício de verão e também no Natal. Na costa oeste você encontra lagostas premium e o chamado gravad lax, salmão curado com endro. E depois há o infame surströmming. Arenque fermentado em lata, cujo lendário fedor apavora turistas a quilômetros de distância, aberto exclusivamente ao ar livre e enrolado num pão fino com uma porção enorme de cebola, que abafa aquele sabor forte.

Onde comer bem na Suécia
Em Estocolmo, não perca o histórico mercado Östermalmshallen, de 1888, onde sob um único teto art nouveau se encontram balcões de pães, queijos, azeitonas e café. O restaurante Lisa Elmqvist, lá dentro, é uma instituição local e os moradores vão até ele atrás de peixe, mas ao lado você também encontra balcões com buffet de saladas e sopas. Para uma fika clássica, siga para a cafeteria Vete-Katten, na Kungsgatan, que assa segundo receitas de 1928. Em Södermalm, os vegetarianos se satisfazem no Meatballs for the People, onde, além das clássicas de carne, servem versões de ervilha e cogumelo.

Em Gotemburgo, vale a parada na Feskekôrka, um histórico mercado de peixe que lembra uma igreja, aonde os locais vão atrás de gravad lax e sanduíches de camarão räksmörgås. Você, um pouco adiante em Haga, prove o lendário caracol de canela do Café Husaren, que tem o tamanho de um prato de jantar. No sul, em Malmö, siga para a praça Möllevångstorget, onde você compra o famoso falafel nas barracas de rua por uns trocados e onde se concentram cafés baratos e bistrôs com cozinha do Oriente Médio.
E, por fim, um enorme aviso sobre o álcool. Num supermercado comum você só compra cerveja fraca, de até 3,5%. Tudo mais forte está nas mãos do monopólio estatal e é vendido exclusivamente nas lojas Systembolaget. Se você planeja uma comemoração de fim de semana na cabana, compre com antecedência. Não existe exceção nenhuma, então quem não comprar na sexta ou no sábado de manhã vai beber só água ou cerveja fraca no churrasco da noite.
Para onde ir depois da Suécia
A região nórdica é enorme e convida a explorar ainda mais. Se você chegou ao sul, à Ponte de Öresund, fica a apenas alguns minutos de trem da fronteira, onde te espera Copenhague: mais de 25 dicas do que ver e fazer. Da costa leste, por sua vez, oferece-se um confortável ferry noturno para a Finlândia, então você já pode planejar quais Helsinque: 15 dicas do que ver e fazer na capital finlandesa vai incluir no roteiro.
Se a rude natureza nórdica te encantou e você pensa em seguir mais para o norte, estude o guia Lapônia: 20 dicas do que ver e viver. Muitos viajantes também cruzam direto a fronteira montanhosa, então vão te ser úteis as informações detalhadas do artigo Noruega: 50 dicas do que ver. E se você ainda está em dúvida sobre quando e para onde ir atrás do maior milagre de inverno, dê uma olhada no nosso resumo Aurora boreal: onde e quando você vai vê-la.
Para três temas deste resumo, escrevemos guias detalhados à parte. Se a capital te atrai, no artigo Estocolmo: 25 dicas do que ver e viver você encontra também as questões práticas de transporte e orçamento. A viagem ao norte ártico é abordada em Kiruna: 18 dicas do que ver e viver na cidade que se muda. E se você planeja chegar de carro pela Dinamarca, leia primeiro Ponte de Öresund: pedágio, trem e como atravessar, para que nem o pedágio nem uma cobrança extra te peguem de surpresa.
Aos poucos vão surgindo outros guias detalhados. A ilha hanseática com muralhas é abordada em Gotland e Visby: 20 dicas do que ver na ilha hanseática, e todo o norte ártico em Lapônia sueca: 20 dicas do que viver acima do Círculo Polar Ártico. A segunda maior cidade ganhou seu próprio artigo, Gotemburgo: 20 dicas do que ver na segunda cidade da Suécia, e tudo sobre comida você encontra no guia Cozinha sueca: 18 pratos que você precisa provar.
Perguntas frequentes
A Suécia é enorme e, em muita coisa, funciona diferente do resto da Europa, então as perguntas antes da primeira viagem costumam ser muitas. As mais frequentes giram em torno de preços, álcool, camping selvagem e segurança.
Por isso, reuni para você as dúvidas mais latejantes num só lugar. Seja para resolver a questão da aurora boreal ou a de saber se vão te vender cerveja no supermercado para o churrasco da noite, aqui você encontra respostas claras. 😉
