Existem poucos lugares no mundo onde até o adulto mais durão de repente sente que entrou dentro de um conto de fadas que alguém realmente construiu. A Lapônia finlandesa é exatamente esse tipo de lugar. Florestas cobertas de neve, em que os galhos dos abetos se curvam sob mais de cem quilos de neve, o céu que numa noite clara se acende em verde, renas que atravessam a estrada como veados por aqui, e em algum ponto além do Círculo Polar Ártico a verdadeira aldeia do Papai Noel, para onde o ano inteiro afluem crianças do mundo todo. ☺️
Neste guia você vai encontrar 20 dicas do que ver e viver na Lapônia finlandesa, da caça à aurora boreal e do passeio de trenó puxado por cães, passando pela Santa Claus Village em Rovaniemi, até dormir num iglu de vidro e os cachoeiras congeladas. Vou te contar qual a melhor época para ir (e como funciona de verdade essa história da aurora boreal), como chegar à Lapônia a partir do Brasil, onde se hospedar e quanto custa, mais ou menos, esse conto de fadas de inverno.
Mas já vou ser sincera logo no começo: a Lapônia não é uma viagem barata e a aurora boreal não se encomenda como uma pizza. Porém, se você encarar isso com expectativas realistas e roupa quente, ela está entre as experiências mais fortes que dá para ter na Europa.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo todo
- Onde: Lapônia finlandesa, cujo coração é Rovaniemi, no Círculo Polar Ártico (e sua Santa Claus Village). Mais ao norte ficam a mais tranquila Saariselkä, Inari e as estações de Levi e Ylläs.
- Quando: pela aurora boreal e pelo conto de fadas de inverno, do fim de agosto ao início de abril. O melhor equilíbrio entre luz, preço e chance de aurora é em fevereiro e março; o clima mais “natalino” (e mais caro) é em dezembro.
- Aurora boreal: não é garantida, é uma loteria com o tempo. Reserve pelo menos 3 noites para ela, idealmente mais, e conte com saídas para longe da cidade em busca de céu limpo.
- O que não perder: Santa Claus Village e a travessia do Círculo Polar Ártico, safári com huskies, trenó de renas, caça à aurora boreal, uma noite num iglu de vidro e o quebra-gelo Sampo em Kemi.
- Quanto: um pacote de agência de 4–5 dias sai por cerca de 1.500–2.500 € por pessoa; por conta própria dá para economizar no transporte, mas as atividades são caras de qualquer jeito (safári de husky a partir de ~95 €, caça à aurora ~120–150 €).
- Como se vestir: sistema de camadas e roupa térmica de qualidade. Boa notícia: para os passeios de husky e snowmobile, na maioria das vezes emprestam um macacão ártico quente no local.
Quando ir à Lapônia (e como funciona de verdade a aurora boreal)
A Lapônia tem duas faces completamente diferentes, e dependendo de qual você quer, muda também a época ideal para ir. No inverno é o reino nevado do Papai Noel, da aurora boreal, dos huskies e das renas. No verão, uma natureza verde e selvagem com o sol da meia-noite, que não se põe nunca. A maioria das pessoas vai atrás do conto de fadas de inverno, então vamos começar por ele, mas também vamos dar uma olhada no verão, porque ele é surpreendentemente bonito e bem mais barato.

Mês a mês: qual a melhor época
A aurora boreal pode ser avistada na Lapônia finlandesa mais ou menos do fim de agosto ao início de abril, ou seja, no período em que as noites são escuras o suficiente. Aqui vai um resumo rápido do que diferencia cada mês:
- Dezembro é o mais “natalino”, mas também o mais caro e o mais escuro. Por volta do solstício de inverno o sol praticamente não nasce em Rovaniemi e você tem só 3–4 horas de uma penumbra azulada. A neve ainda pode não ser totalmente garantida e a Santa Claus Village fica lotada.
- Janeiro é o mais frio (normalmente de −10 a −25 °C, excepcionalmente até abaixo de −30 °C), mas, depois do pico do Natal, os preços caem e a neve é garantida. Melhor relação custo/experiência para curtir o inverno de verdade.
- Fevereiro e março são, na minha opinião, o melhor meio-termo: aumenta a luz, o céu fica mais limpo (e, com isso, melhores chances de aurora), há o máximo de neve e o frio é mais ameno. Em março começa ainda o famoso “esqui de primavera”.
- Verão (junho–julho) traz o sol da meia-noite, trekkings e canoagem, mas nada de aurora (há luz demais) e muitos mosquitos. Setembro pertence à “ruska”, as cores ardentes do outono, quando a aurora boreal também volta.
💡 Dica: se você vai principalmente pela aurora boreal e não liga tanto para o clima natalino, prefira o fim de fevereiro ou março. É mais barato que em dezembro, os dias são mais longos e, estatisticamente, perto do equinócio a aurora é mais ativa. O site oficial Visit Finland recomenda exatamente isso.
Aurora boreal: expectativas realistas para você não se frustrar
Este é o parágrafo mais importante do artigo inteiro, então, por favor, não pule. A aurora boreal não é garantida e ninguém pode te assegurar que vai vê-la, nem mesmo uma agência de viagens. O que decide tudo é principalmente o tempo, mais especificamente se o céu está limpo, e a atividade do Sol, que ninguém controla. Viajantes que passaram dezembro inteiro em Rovaniemi contam que viram uma aurora marcante umas três vezes no mês, porque o céu estava sempre encoberto.
E o que fazer com isso? Reserve o máximo de noites possível, idealmente de cinco a sete. Com três noites, a chance de vê-la pelo menos uma vez fica em torno de 75%, mas mesmo assim é uma aposta. Ajuda muito fazer um passeio guiado de caça à aurora boreal, porque os guias acompanham a previsão de nebulosidade e dirigem horas para longe da cidade, às vezes até a fronteira com a Noruega ou a Suécia, para te levar a um céu limpo. E vale uma regra simples: quanto mais longe das luzes das cidades e quanto mais ao norte, melhor. Saariselkä, Inari e Utsjoki têm, estatisticamente, condições bem melhores do que o centro de Rovaniemi.
Se você quer se aprofundar em como e onde caçar a aurora, tenho um artigo separado para você: Islândia, Finlândia e Noruega: como e onde ver a aurora boreal.
O que levar para o inverno ártico
Um frio de −20 a −30 °C soa assustador, mas tenho uma boa notícia: o frio ártico seco é bem mais fácil de suportar do que o frio úmido. A chave é o sistema de camadas: roupa térmica de qualidade (lã merino ou sintética funcional) como base, fleece ou lã como isolamento e uma jaqueta e calça impermeáveis e forradas por cima. Leve um conjunto extra de roupa térmica, gorro quente que cubra as orelhas, cachecol, luvas tipo mitene (esquentam mais que as de dedos) e botas de inverno firmes um número maior, para caberem meias grossas.
E agora o que surpreende muita gente: nos safáris (husky, renas, snowmobiles) geralmente emprestam no local um macacão ártico quente, botas e luvas. Ou seja, você não precisa enfiar uma expedição polar inteira na mala. O essencial é uma boa roupa térmica e camadas para andar pela cidade e nas atrações.
Como chegar à Lapônia a partir do Brasil e quanto custa tudo isso
A Lapônia é um dos destinos europeus mais caros, não vamos enganar ninguém. Mas dá para encará-la de duas formas, e cada uma combina com um tipo de viajante. Vamos ver como chegar lá, quanto custa, mais ou menos, e se vale mais a pena um pacote de agência ou ir por conta própria.
Transporte: via Helsinque ou de trem-leito
Do Brasil não existe voo direto, mas o caminho é simples. A partir de São Paulo ou do Rio de Janeiro, você voa até Helsinque (com uma conexão na Europa, por exemplo com a Finnair, Lufthansa ou KLM) e, de lá, segue para a Lapônia. A rota por Helsinque dá a maior liberdade: você pode pegar um voo doméstico até Rovaniemi (cerca de uma hora e meia) ou somar uma experiência a mais.
Essa experiência é o trem noturno Santa Claus Express. O vagão-leito de dois andares sai de Helsinque à noite e te deixa em Rovaniemi de manhã; a viagem dura quase doze horas. A cabine para duas pessoas começa em cerca de 49 € e dá até para transportar o carro no trem. As passagens você compra no site da ferrovia finlandesa VR. Vale saber que, além de Rovaniemi (RVN), a Finnair também voa para Kittilä (para Levi e Ylläs) e para Ivalo (para Saariselkä e Inari).
💡 Dica: se quiser percorrer a Lapônia de carro, as locadoras já colocam automaticamente pneus de inverno com cravos, e conte que é preciso pré-aquecer o motor antes de dirigir e manter o tanque cheio, porque os postos ficam longe uns dos outros. E, no escuro, cuidado com as renas na estrada — elas são imprevisíveis. ☺️
Pacote de agência ou por conta própria? E quanto reservar
Um pacote de agência faz sentido quando você quer tudo resolvido e vai fazer uma viagem curta e intensa. No preço costumam estar o voo, os transfers, a hospedagem, um guia e as atividades incluídas, então você não se preocupa com nada. Um fim de semana prolongado (4–5 dias) sai por cerca de 1.500 a 2.500 € por pessoa, dependendo da data e do programa. O mais caro é, claro, o pico do Natal.
Por conta própria você ganha mais liberdade e tempo, e muitas vezes economiza no transporte e na hospedagem. Mas precisa reservar as atividades você mesmo e, principalmente, com bastante antecedência, porque na temporada costuma esgotar com meses de antecedência. De um jeito ou de outro, no local quase tudo é caro. Como referência, conte com estes valores nas principais atividades (preços por pessoa):
- Safári de husky: passeio curto a partir de ~95 €, passeio self-drive mais longo ~110–200 €.
- Caça à aurora boreal com guia: cerca de 120–150 €.
- Snowmobiles: em torno de 100–150 € por algumas horas.
- Fazenda de renas e trenó: entrada na fazenda a partir de ~15 €, o passeio à parte.
- Noite num iglu de vidro ou de gelo: a partir de ~400 € para cima, no pico até o dobro.
No total, para uma opção de inverno razoável para duas pessoas (hospedagem na cidade mais duas ou três atividades, 4–5 dias), reserve a partir de cerca de 1.800 € para cima; com iglu de vidro e no pico do Natal, tranquilamente o dobro. Dá para economizar indo em janeiro, escolhendo hospedagem com cozinha e comprando no supermercado (Lidl, K-Market, S-Market) em vez de restaurantes. E não esqueça do que é de graça: a entrada na Santa Claus Village, a travessia do Círculo Polar Ártico e as caminhadas para fora da cidade sob as estrelas.
Onde se hospedar na Lapônia
A hospedagem na Lapônia é metade da experiência e varia muito conforme o que você espera da viagem. Tem quem queira uma base prática em Rovaniemi para sair em passeios, e tem quem queira realizar um sonho e adormecer sob um teto de vidro com vista para a aurora boreal. Selecionei dicas específicas e bem avaliadas em todas as categorias, para cada um encontrar a sua. Um aviso: as hospedagens mais incríveis ficam esgotadas com meses de antecedência, então não deixe a reserva para a última hora.

Rovaniemi: hotéis práticos para explorar
Se você quer ficar no centro, ter tudo a pé e sair daqui para as atividades, Rovaniemi é a base ideal. Uma opção confiável de categoria média é o Santa’s Hotel Santa Claus, elogiado pelos hóspedes principalmente pelo café da manhã farto e a equipe atenciosa, além de ter sauna e tudo a poucos passos. Igualmente boa é a Original Sokos Hotel Vaakuna, com localização perfeita e quartos espaçosos, ou o Arctic City Hotel, com restaurante próprio. Quem quer economizar vai gostar do Hostel Café Koti, no centro.
Hospedagem de experiência: dormir sob a aurora boreal
Este é o motivo pelo qual muita gente vai à Lapônia. Os iglus de vidro têm um teto de vidro aquecido bem acima da cama, então você espera pela aurora no quentinho, debaixo do edredom. Perto de Rovaniemi fica o ótimo Arctic SnowHotel & Glass Igloos, onde, além do iglu, você ainda visita o hotel de gelo e o bar de gelo, com uma banheira de hidromassagem externa e alarme de aurora. Também é muito popular o Arctic TreeHouse Hotel, com apartamentos privativos nas copas das árvores e parede de vidro do chão ao teto, ou o mais tranquilo Apukka Resort, à beira de um lago.
Mais ao norte, onde o céu é mais escuro e a chance de aurora é maior, reina o lendário Kakslauttanen Arctic Resort, perto de Saariselkä, o inventor de todo o conceito de iglus de vidro. É um nome de bucket list, mas, pelos preços atuais (tranquilamente 800 € ou mais por noite), leia as avaliações para saber no que está se metendo. Excelente nota e panorama sem poluição luminosa têm o Northern Lights Village Saariselkä, com cabanas de aurora, e, na colina acima de Saariselkä, o Star Arctic Hotel, com uma vista deslumbrante.
💡 Dica: o iglu de vidro não é um atalho mágico para a aurora; mesmo de lá você só a verá com o céu limpo. Encare-o como uma experiência de luxo e um romance a mais, não como garantia de que vai ver a aurora.
Rovaniemi e a aldeia do Papai Noel: 5 lugares que você precisa ver
Rovaniemi é a capital da Lapônia, a porta de entrada para o Círculo Polar Ártico e, para a maioria dos visitantes, a primeira parada. É aqui que se concentra o mais famoso: a Santa Claus Village, o museu científico Arktikum e o zoo ártico. Vamos dar uma olhada nos cinco lugares que você não deveria deixar de ver por aqui, viaje com crianças ou sem elas.
1. Santa Claus Village e a travessia do Círculo Polar Ártico

Oito quilômetros ao norte de Rovaniemi fica a Santa Claus Village, um complexo temático construído bem em cima do Círculo Polar Ártico, que aqui é marcado por uma linha no chão e que você pode cruzar solenemente. É a atração mais visitada de toda a Lapônia e o maior ícone natalino da Finlândia. E agora o melhor: a entrada no complexo e o encontro com o Papai Noel são de graça.
Você só paga pela foto oficial com o Papai Noel, e bem caro (os pacotes começam em torno de 40–55 €), o que costuma ser uma surpresa desagradável para muita gente. O complexo fica aberto o ano inteiro, mas em dezembro e perto do Natal há aglomeração e filas à beira da loucura. 💡 Dica: chegue logo de manhã, na abertura, e encare a foto com o Papai Noel como um luxo opcional, não uma obrigação. Mais informações no site oficial da aldeia.
2. O correio oficial do Papai Noel e o cartão com o carimbo do Círculo Polar Ártico

Dentro da aldeia fica o correio oficial do Papai Noel, operado pelos Correios finlandeses, para onde chegam anualmente dois milhões de cartões-postais do mundo todo. Mande daqui um cartão para casa com o carimbo especial do Círculo Polar Ártico, que você não consegue em nenhum outro lugar, e ainda atendido por “elfos do correio”. É uma experiência fofa e, o melhor, barata.
Você também pode encomendar um cartão “do Papai Noel” que chega bem no Natal, o que as crianças adoram. E, mesmo que você chegue fora do horário de funcionamento, a caixa de correio amarela na entrada também recebe aquele carimbo mágico.
3. SantaPark, a caverna subterrânea do Papai Noel

Bem perto da aldeia, escavado na rocha, está o SantaPark, um parque temático natalino feito embaixo da terra. Aqui você encontra uma escola de elfos, uma padaria de biscoitos de gengibre, uma galeria de gelo e um trenzinho, e tudo respira Natal, chegando você em dezembro ou em março. Ao contrário da aldeia, aqui se paga entrada (a partir de ~49 € por adulto), mas é uma diversão coberta para qualquer clima, o que você vai valorizar especialmente com crianças, quando venta lá fora.
A temporada de inverno geralmente vai do fim de outubro a meados de janeiro, então confira o horário atualizado antes da viagem no site do SantaPark.
4. Arktikum: o museu onde você entende por que o céu brilha

O icônico edifício de vidro apontado para o rio abriga o Arktikum, um museu e centro científico sobre o Ártico. Aqui você descobre sobre a vida na Lapônia, sobre a cultura sami e sobre o que de fato causa a aurora boreal. É a melhor dica “para qualquer clima” e o complemento ideal à caça à aurora. Afinal, quando o céu está encoberto e você não consegue ver a aurora, aqui pelo menos entende como esse milagre acontece.
A entrada sai por cerca de 30 € por adulto; a familiar é mais vantajosa. Pertinho dali você encontra também o centro científico interativo sobre a floresta Pilke (ótimo para crianças, dá para tocar em tudo) e a casa de cultura Korundi, com galeria. Detalhes no site do Arktikum.
5. O zoo ártico de Ranua e o encontro com o urso-polar

A uma hora de carro de Rovaniemi (cerca de 80 km) fica o zoo mais ao norte do mundo, o Ranua Wildlife Park. Ele se dedica a animais árticos em seu ambiente natural de inverno, então aqui você encontra o único urso-polar da Finlândia, além de lobos, linces, glutões, raposas-do-ártico, corujas e, claro, renas. Você observa os animais a partir de passarelas de madeira cobertas de neve, o que já é uma experiência por si só.
É uma aposta certeira com crianças e um plano B ideal para um dia em que você não tenha nenhuma grande atividade marcada. A entrada custa em torno de 24,50 € por adulto, e fica aberto o ano inteiro. Os preços atualizados estão no site do Ranua Resort.
As experiências árticas por causa das quais você vai à Lapônia
Aqui está o coração de toda a viagem. A Lapônia não é tanto sobre pontos turísticos, e sim sobre experiências que você nunca vai esquecer: o silêncio cortado apenas pelo ofegar dos cães do trenó, a rena puxando o trenó pela floresta nevada, o céu acendendo em verde. Selecionei oito experiências que simplesmente fazem parte da Lapônia, das mais famosas a algumas menos óbvias.
6. Caça à aurora boreal (aurora borealis)

Vou começar pelo motivo que traz a maioria das pessoas. A aurora boreal, em finlandês revontulet, é a principal atração de inverno da Lapônia, e vê-la ao vivo é algo completamente diferente de ver nas fotos. Não é uma mancha verde estática, mas cortinas de luz que ondulam e dançam pelo céu. Você pode caçá-la sozinho fora da cidade ou num passeio guiado que te leva para longe das luzes, em busca de céu limpo.
Como escrevi acima, ela não é garantida e exige paciência, mas, quando rola, é uma experiência para a vida toda. Muitos hotéis e iglus têm um “alarme de aurora”, que te acorda de noite quando o céu se acende. Um passeio guiado custa, em média, 120–150 € por pessoa, e a chance com ele costuma ser bem maior do que por conta própria. Você pode reservar passeios específicos com antecedência pela GetYourGuide.
7. Safári de husky, passeio de trenó puxado por cães

Se a Lapônia tem algum som inconfundível, é o ofegar e o latido dos huskies pouco antes da largada, que dá lugar a um silêncio absoluto assim que a matilha começa a correr. Visitar uma fazenda de huskies e andar no trenó puxado pela matilha está entre as experiências árticas mais autênticas de todas. Você pode ir como passageiro ou conduzir o seu próprio trenó, e, no caminho, fazer carinho nos cães, que, por sinal, são surpreendentemente carinhosos.
O passeio curto perto da Santa Claus Village custa algumas dezenas de euros; um safári self-drive completo, de 95 a 200 €, conforme a duração. 💡 Dica: algumas fazendas oferecem um combo com renas no mesmo dia, uma boa forma de fazer duas experiências de uma vez. Mas conte que o passeio em si costuma ser mais curto do que você imagina e, no frio, bem intenso.
8. Trenó de renas e o encontro com os sami

Se o safári de husky é rápido e selvagem, o passeio de trenó de renas é o seu contraponto calmo e mágico. A rena anda a passo, a cena é silenciosa, só a neve range e ao redor se estende a floresta nevada. Visitar uma fazenda de renas tradicional, muitas vezes administrada por famílias de pastores há gerações, é, ainda por cima, a porta de entrada mais autêntica para a cultura sami, o único povo indígena da União Europeia.
Depois de completar o circuito, você ganha uma divertida “carteira de motorista de renas”, que alegra tanto crianças quanto adultos. Junto à fogueira, os pastores contam sobre a vida com os rebanhos e sobre o que as renas significam para os sami. É uma experiência que esquenta o coração, mesmo no maior frio. ☺️
9. Snowmobiles através da natureza selvagem

Para os amantes de adrenalina, existe o safári de snowmobile. Num passeio guiado você cruza a paisagem nevada por onde não chegaria a pé nem de trenó, e isso costuma ser combinado com pesca no gelo ou caça à aurora boreal. As opções vão de tranquilos circuitos de uma hora até passeios de dia inteiro e noturnos.
Um detalhe importante que muita gente esquece: quem quiser conduzir o snowmobile precisa ter carteira de motorista física categoria B e ser maior de 18 anos. Sem ela, só pode ir como passageiro num trenó acoplado. Os preços ficam em torno de 100–150 € por algumas horas.
10. Uma noite no hotel de gelo e um drinque no bar de gelo

Dormir numa cama de gelo e neve soa maluco, mas é uma das experiências mais marcantes da Lapônia. O Arctic SnowHotel, perto de Rovaniemi, é reconstruído a cada inverno a partir de neve fresca, então nunca fica igual. Aqui você encontra quartos de gelo, um restaurante de gelo, uma capela de gelo e um bar de gelo, onde o drinque é servido num copo esculpido em gelo.
Você dorme num saco de dormir térmico sobre peles e, surpreendentemente, não passa frio, porque a neve isola muito bem. E mesmo que você não se arrisque a passar a noite, pode entrar só para conhecer ou tomar um drinque (entrada em torno de 29 €). É como passear por dentro de uma escultura de gelo gigante.
11. Iglu de vidro: aurora boreal direto da cama

Já falamos dos iglus de vidro na parte das hospedagens, mas eles merecem espaço aqui também, porque são uma experiência por si só. Você fica deitado no quentinho, debaixo do edredom, com uma cúpula de vidro aquecida acima da cabeça (a neve escorrega dela, então a vista fica sempre limpa) e espera para ver se o céu se acende. Quando a aurora boreal aparece, você a observa sem precisar nem tirar o nariz da cama.
É romantismo do mais alto nível e um sonho de Instagram realizado, mas prepare-se para preços mais altos (a partir de ~400 € por noite) e, principalmente, para o fato de que nem o vidro garante que você vai ver a aurora. Encare como uma cereja de luxo no bolo, não como uma certeza.
12. O quebra-gelo Sampo e o castelo de neve em Kemi

Esta é a minha dica para quem quer algo que realmente não vai viver em nenhum outro lugar. Na cidade portuária de Kemi, no sul da Lapônia, está ancorado o quebra-gelo Sampo, hoje aposentado, que leva turistas para um passeio pelo congelado Golfo de Bótnia e, à frente deles, quebra um metro de gelo. O ápice é nadar entre os blocos de gelo num traje térmico seco especial, no qual você flutua na água como uma rolha e não sente frio nenhum. Inesquecível.
Na mesma cidade, reconstruído a cada inverno, está o SnowCastle, a maior fortaleza de neve do mundo, com hotel de neve, restaurante de gelo e capela, onde até casamentos acontecem. O passeio de quebra-gelo é uma experiência cara (conte com algumas centenas de euros e um dia inteiro), mas definitivamente vale a pena considerar. Detalhes no Visit Rovaniemi.
13. Sauna, banho de gelo e outros clássicos de inverno

A Finlândia é o berço da sauna, e na Lapônia você eleva isso a uma arte. O clássico é: esquentar na sauna e depois pular num buraco aberto num lago congelado (o chamado avanto). Parece loucura, mas é incrivelmente revigorante, e os locais juram que é o máximo. Se você não tiver coragem para o banho de gelo, só a sauna com vista para a paisagem nevada já é um bálsamo por si só.
Entre outros clássicos de inverno mais tranquilos estão a pesca no gelo (você fura um buraco e espera com uma garrafa térmica de bebida quente), a caminhada com raquetes de neve pela floresta silenciosa ou um passeio de fatbike por trilhas compactadas. Ótimo para um dia em que você quer desacelerar e só absorver aquele silêncio ártico.
A natureza da Lapônia e o norte sami: 6 lugares mais distantes de Rovaniemi
Rovaniemi é um ótimo ponto de partida, mas a verdadeira magia da Lapônia se estende bem além dela. Quando você tem mais dias para a viagem (idealmente uma semana) e vontade de conhecer a Lapônia mais tranquila, mais selvagem e mais autêntica, vá aos parques nacionais e ao norte sami. Aqui estão os seis lugares pelos quais vale a pena ir mais longe.
14. Esqui e cross-country: Levi, Ylläs, Pyhä e Saariselkä

A Lapônia é um paraíso nórdico do esqui, e as estações daqui têm uma temporada longa e confiável (mais ou menos de novembro a abril, em alguns lugares até mais). Levi é a mais animada, cheia de après-ski, snowparks e áreas infantis. Ylläs tem a maior extensão de pistas e as descidas mais longas do país, mas é mais tranquila. Pyhä-Luosto e Saariselkä são mais intimistas, sendo que Saariselkä, pela localização bem ao norte, tem as melhores condições para a aurora boreal.
Mesmo que você não esquie, vale a pena vir até aqui pelo cross-country, porque há centenas de quilômetros de trilhas preparadas, e percorrer a paisagem nevada das colinas (os fells) é uma experiência por si só.
15. Riisitunturi e as árvores nevadas assustadoramente belas

O parque nacional Riisitunturi, perto de Posio, é uma das paisagens de inverno mais fotografadas de toda a Finlândia, e quando você vir as fotos vai entender na hora por quê. Os abetos aqui são cobertos por uma camada de neve tão pesada (localmente chamada de “tykky”) que se transformam em fantasmagóricas esculturas brancas, lembrando gigantes petrificados. Uma única dessas árvores chega a suportar três ou quatro toneladas de neve.
Essas “esculturas de neve” estão no auge de janeiro a março. A entrada no parque é de graça, e a caminhada com raquetes de neve entre elas é absolutamente mágica e surpreendentemente calma, longe das multidões. Mais informações no site oficial dos parques nacionais finlandeses.
16. Pyhä-Luosto e a mina de ametista, onde você escava sua própria gema

O parque nacional Pyhä-Luosto protege algumas das rochas mais antigas da Finlândia, com cerca de dois bilhões de anos, e no topo do Lampivaara esconde uma raridade: a única mina de ametista ativa da Europa, que ainda por cima é aberta ao público. Você sobe, escuta a história da jazida e depois escava sua própria ametista com as próprias mãos, que pode levar para casa, desde que caiba na palma da mão.
É uma experiência divertida para a família toda, ambientada numa linda paisagem de fells, e no inverno se sobe num trenzinho de neve ou de raquetes. Fique de olho na reserva e no horário de funcionamento no site da mina.
17. Korouoma: cachoeiras congeladas de outro planeta

A cerca de 110 km de Rovaniemi se rasga o cânion Korouoma, um desfiladeiro de 30 quilômetros de extensão e, em alguns pontos, mais de cem metros de profundidade, com as cachoeiras congeladas mais marcantes da Finlândia. No inverno, as correntes de água se transformam em paredes de gelo branco-azuladas de até 60 metros de altura, que atraem tanto turistas quanto escaladores de gelo com seus piquetas.
A maioria das pessoas vem para cá num passeio de dia inteiro a partir de Rovaniemi, que costuma incluir um trekking entre as cachoeiras de gelo e um lanche assado na fogueira. As cachoeiras estão mais bonitas de dezembro a março. É uma daquelas experiências depois das quais você sente que esteve num planeta completamente diferente.
18. Inari, o lago e o museu Siida: o coração da cultura sami

Bem ao norte, a cerca de 330 km de Rovaniemi, fica Inari, o coração da cultura sami na Finlândia. Não espere turismo de fábrica aqui; esta é a Lapônia de verdade, vivida. Você encontra o excelente museu Siida, que conecta a história sami com a natureza do norte da Lapônia, e o lago Inari, o terceiro maior da Finlândia, salpicado por mais de três mil ilhas, incluindo a ilha sagrada de Ukonkivi.
O caminho até aqui é longo, mas a recompensa é o vislumbre mais autêntico da vida do único povo indígena da UE e, ainda por cima, condições de primeira para a aurora boreal, porque um céu mais escuro e mais ao norte simplesmente não existe. Mais sobre o museu no site do Siida.
19. Tankavaara e a garimpagem de ouro

Entre Saariselkä e Inari fica a Vila do Ouro de Tankavaara, onde se unem a história da corrida do ouro da Lapônia com uma boa dose de diversão. Há o Museu do Ouro, que mapeia a extração de ouro pelo mundo todo, e, principalmente, você pode experimentar garimpar ouro numa bateia, sob a supervisão de um instrutor. E o que encontrar, você fica.
O equipamento, incluindo as botas de borracha, é emprestado no local, e é uma parada ideal para famílias a caminho do norte. No verão garimpa-se ao ar livre, no riacho; no inverno, dentro. Uma pequena aventura na qual você perde a noção do tempo.
A Lapônia no verão: sol da meia-noite e as cores da “ruska”
Se você acha que a Lapônia é só sobre neve, tenho uma surpresa. No verão, ela se transforma numa paisagem completamente diferente, verde e surpreendentemente colorida, e ainda por cima é bem mais barata e sem multidões.
20. Sol da meia-noite, trekkings e a “ruska” do outono

No verão, você vive aqui o sol da meia-noite, quando, mais ou menos do início de junho ao início de julho, o sol não se põe e a noite nunca escurece de verdade. Assim, você pode sair para um trekking ou descer um rio de canoa tranquilamente à meia-noite, sob plena luz do dia, o que é uma experiência surreal. Só cuidado com os mosquitos, que têm seu auge justamente em junho e julho.
Mas minha favorita é setembro e a “ruska”, ou seja, a curta janela em que as florestas e a tundra se tingem de laranja e vermelho ardentes e a primeira aurora boreal volta ao céu cada vez mais escuro. Sem mosquitos, temperaturas amenas, trekkings fantásticos em parques nacionais como o Urho Kekkonen ou o Pallas-Yllästunturi, onde, segundo cientistas, os turistas respiram o ar mais puro do mundo. Uma Lapônia diferente, mas igualmente mágica.
O que comer na Lapônia (inclusive como vegetariano)
A culinária lapã é honesta e reconfortante, construída sobre o que a natureza áspera daqui oferece. A especialidade local é o poronkäristys, ou seja, carne de rena refogada com purê de batata e geleia de mirtilo vermelho, além do onipresente salmão ou do peixe-branco defumado. Menciono isso principalmente para você saber com o que vai se deparar. Eu e o Lukáš somos vegetarianos, então, se você está na mesma situação, tenho uma boa notícia: até os vegetarianos vão se deliciar com um monte de coisas por aqui.
Entre os clássicos vegetarianos, experimente as tortinhas da Carélia (karjalanpiirakka), uma fina casca de centeio recheada com mingau de arroz, servida com manteiga de ovo, ou o leipäjuusto, um queijo suave “que range”, servido quente com geleia de amora-ártica. Com o café, peça os caracóis de canela korvapuusti e, no inverno, esquente-se com o vinho quente glögi. Em Rovaniemi, têm ótimas opções vegetarianas e veganas o bistrô Roka Street Bistro e o café WOODSS, enquanto a culinária finlandesa moderna com ingredientes locais é oferecida pelo Gustav Kitchen & Bar.
Para onde ir depois: dicas de outras viagens ao norte
Se a Lapônia te encantou, tenho mais algumas dicas para o norte que combinam lindamente com ela. Aqui estão artigos nos quais você pode mergulhar:
- Islândia, Finlândia e Noruega: como e onde ver a aurora boreal (guia completo de caça à aurora pelo norte)
- Tromsø: dicas do que ver e fazer na porta de entrada do Ártico (a alternativa norueguesa para a aurora boreal)
- Ilhas Lofoten no inverno: aurora boreal, neve e onde vê-la (as dramáticas ilhas norueguesas)
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Comparar preços de carros na Finlândia →Perguntas frequentes sobre a Lapônia
Quando é a melhor época para ir à Lapônia ver a aurora boreal?
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A aurora boreal pode ser vista na Lapônia finlandesa aproximadamente do final de agosto até o início de abril. O melhor equilíbrio entre luz, preço e chance de ver a aurora é em fevereiro e março, quando o céu está mais claro e os dias são mais longos. Dezembro é o mês mais natalino, mas também o mais escuro, mais caro e frequentemente nublado.
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É garantido ver aurora boreal na Lapônia?
Não existe. A aurora boreal depende principalmente do clima (céu limpo) e da atividade solar, então ninguém pode garantir, nem mesmo agências de viagem. Reserve pelo menos 3 noites para isso, idealmente de 5 a 7, e aproveite os passeios guiados que vão atrás de céus limpos bem longe da cidade. Quanto mais ao norte e longe das luzes urbanas, maiores as chances.
Quanto custa uma viagem para a Lapônia?
A Lapônia é um dos destinos mais caros. Um pacote com agência de viagens de 4 a 5 dias custa aproximadamente 1.500 a 2.500 EUR por pessoa. Por conta própria você economiza em transporte e hospedagem, mas as atividades são caras de qualquer jeito: safári com huskies a partir de ~100 EUR, caça à aurora boreal em torno de 120 a 160 EUR, uma noite em iglu de vidro a partir de ~400 EUR.
Como chego à Lapônia saindo da República Tcheca?
Z República Tcheca não existe uma linha direta regular. O mais confortável é o charter de inverno Praga–Rovaniemi através de agência de viagens. A segunda opção é o voo via Helsinque e de lá um voo doméstico para Rovaniemi (1,5 h) ou o trem noturno Santa Claus Express (quase 12 horas, cabine a partir de ~49 €). Visto não é necessário, paga-se em euro e o roaming funciona como em casa.
Lapônia é adequada para crianças?
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Sim, é um dos melhores destinos de inverno para famílias. A entrada no Santa Claus Village e o encontro com o Papai Noel são gratuitos, as crianças adoram os huskies, as renas, o zoológico ártico Ranua e o SantaPark coberto. O frio seco é bem tolerado pelas crianças, só vista-as em camadas e leve em conta os dias curtos.
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Como se vestir para o inverno ártico na Lapônia?
A chave é usar camadas tipo cebola: roupa térmica de qualidade, fleece ou lã e uma camada externa impermeável e isolante. Não esqueça de um gorro quente que cubra as orelhas, luvas e botas de inverno resistentes com meias grossas. Nos safáris (huskies, renas, motos de neve) geralmente emprestam macacão ártico quente e botas diretamente no local.
Vale a pena fazer uma viagem com agência de turismo ou viajar por conta própria?
Depende de você. Um pacote com agência de viagens é ideal para uma estadia curta e intensa, quando você quer tudo organizado (voo, transfers, hospedagem, atividades, guia em tcheco). Por conta própria você ganha mais liberdade e tempo e muitas vezes economiza no transporte, mas precisa reservar as atividades por conta própria e com bastante antecedência, porque na alta temporada costuma estar esgotado.
