Kiruna, Suécia: 18 dicas do que ver na cidade que se muda de lugar

TL;DRKiruna oferece 18 dicas essenciais para conhecer a cidade ártica sueca que, por causa da mineração de minério de ferro, está se mudando três quilômetros para o lado — da nova prefeitura Kristallen e da igreja de madeira Kiruna kyrka, que também foi transferida, passando pelas minas da LKAB até o hotel de gelo ICEHOTEL em Jukkasjärvi. A melhor época para neve e aurora boreal são os meses de fevereiro e março, quando as temperaturas ficam em torno de dez graus negativos, enquanto a melhor chance de ver a aurora sem nuvens é no parque nacional Abisko, com o seu microclima chamado de buraco azul. Uma estadia de inverno típica dura de três a cinco dias, a entrada diária no Icehotel custa 325 SEK (cerca de R$ 720) e um passeio de trenó puxado por cães sai por 1.000 a 1.500 SEK. O verão, de junho a agosto, traz o sol da meia-noite e trilhas até a montanha mais alta da Suécia, o Kebnekaise.

Na ártica Kiruna, no norte da Suécia, está acontecendo agora um milagre da engenharia e da arquitetura que o mundo inteiro acompanha de boca aberta. Por causa de uma gigantesca mina subterrânea de minério de ferro, a cidade inteira precisa se mudar três quilômetros para o lado, para que as suas ruas não afundem no chão.

O que antes era um rude povoado industrial se transformou numa porta de entrada absolutamente fascinante para a natureza selvagem do Ártico, para onde os viajantes seguem em busca das experiências nórdicas mais intensas. Aqui você encontra de tudo. Do lendário hotel de gelo na vizinha Jukkasjärvi às infinitas planícies nevadas e às condições perfeitas para observar a mágica aurora boreal.

Seja pela aurora boreal, por um passeio de trenó de renas ou por uma trilha nas montanhas no verão, aqui estão 18 dicas para explorar Kiruna e os arredores como se deve. Também vou te ajudar a definir a melhor estratégia para caçar a aurora, onde se hospedar de forma estratégica e quanto custa, de fato, uma aventura dessas na Lapônia.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Uma cidade em movimento: Kiruna está se mudando por causa da mineração de minério e, em agosto de 2025, a enorme igreja histórica de madeira também foi transferida com sucesso.
  • Reino de gelo: a um pulo da cidade fica o famoso ICEHOTEL, que você pode visitar com uma entrada diária bem mais barata.
  • Atividades árticas: prepare-se para passeios cheios de adrenalina em snowmobiles e para a beleza silenciosa do trenó puxado por cães.
  • Aurora boreal: para ter a maior chance de ver o céu verde, saia de Kiruna rumo ao parque nacional Abisko, que tem um microclima específico.
  • Cultura sami: conheça a vida dos povos originários da Lapônia, veja as manadas de renas e prove os ingredientes tradicionais.
  • A face do verão: de junho a agosto, a neve dá lugar ao sol da meia-noite e abrem-se belíssimas trilhas, incluindo a subida à montanha mais alta da Suécia.
  • Planejamento prático: uma estadia de inverno típica dura de três a cinco dias e exige um sistema de camadas de roupa de qualidade feito com muito cuidado.

Quando ir a Kiruna

Escolher a data certa para a viagem além do círculo polar é absolutamente fundamental, porque a natureza ártica dita tudo, do horário de funcionamento das atrações à sua resistência física. Se o seu objetivo principal é neve e aurora boreal, a melhor época para visitar são os meses de fevereiro e março. Nessa época os dias já se prolongam de forma agradável e o sol banha as vastidões brancas. Assim você aproveita ao máximo todas as atividades diurnas, do esqui cross-country aos snowmobiles, sem passar frio o tempo todo no escuro. E as noites ainda são longas o suficiente para você ter uma enorme chance de ver a aurora boreal, que costuma ficar excepcionalmente ativa por volta do equinócio de primavera. Nesse período, além disso, as temperaturas diurnas ficam em torno de dez graus negativos, um frio nórdico honesto, mas ainda suportável.

Dezembro e a primeira metade de janeiro, por outro lado, são a época do romantismo sombrio, quando o sol simplesmente não aparece no horizonte. A cidade mergulha na noite polar, o que não significa escuridão total. Por volta do meio-dia, durante algumas horas, a paisagem se tinge de tons incríveis de roxo e azul, que os fotógrafos chamam de hora azul. Mas prepare-se: nesse período as temperaturas costumam cair para vinte ou até trinta graus negativos. Um frio desses pode complicar perigosamente uma estadia mais longa ao ar livre, e muitos operadores cancelam os passeios de trenó em temperaturas extremas por segurança dos animais. Se você sair, precisa mesmo prestar muita atenção aos sinais de alerta do seu próprio corpo e não bancar o herói.

Uma alternativa interessante e muitas vezes ignorada é o outono. Durante setembro e outubro você pode observar a aurora boreal em temperaturas bem mais agradáveis, acima de zero. E um bônus enorme para os fotógrafos: os lagos ainda não estão congelados e o céu verde se reflete lindamente na superfície da água, criando reflexos absolutamente mágicos. Você não precisa comprar equipamento ártico pesado e ainda escapa das nuvens de insetos do verão.

O verão na Lapônia é um capítulo à parte. Oferece um mundo completamente diferente, mas nem por isso menos deslumbrante. Do fim de maio até meados de julho reina o sol da meia-noite, quando a luz nunca acaba e a natureza explode de verde. É a época ideal para caminhadas, camping e para conquistar picos de montanha. Só tenha em mente que, em julho, nas áreas pantanosas perto dos lagos, surgem nuvens gigantescas de mosquitos, então um bom repelente potente comprado no próprio local vira o seu melhor amigo. Os produtos comprados no Brasil geralmente não fazem muito efeito contra os mosquitos árticos.

Onde se hospedar em Kiruna e arredores

💡 Dica de hospedagem e experiências: a gente prefere procurar hospedagem no Booking.com, que costuma ter as melhores políticas de cancelamento. Já os ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.

A escolha da hospedagem no extremo norte influencia radicalmente não só o seu orçamento, mas também a facilidade de chegar à observação noturna do céu. A maioria dos viajantes enfrenta o dilema clássico: ficar na civilização ou ir direto para a natureza selvagem. Se você busca todo o conforto, bons restaurantes e fácil acesso ao aeroporto, fique direto no novo centro de Kiruna. Daqui os operadores te buscam confortavelmente para todos os passeios planejados e você fica pertinho dos mercados, o que alivia bastante o seu bolso.

Para os amantes da natureza e caçadores de aurora boreal, por outro lado, vale a pena avançar uns cem quilômetros a noroeste, até o parque nacional Abisko. É justamente ali que você escapa da poluição luminosa da cidade e pode observar a aurora direto da janela do seu quarto. Mas a hospedagem em toda a região não é elástica e, na alta temporada de inverno, some rápido mesmo, então reservar tranquilamente meio ano antes é sem dúvida uma sábia decisão. Por um quarto duplo comum de categoria média você paga valores de R$ 840 a R$ 1.440 por noite. Os preços podem subir bastante em períodos de feriados nacionais suecos e de férias escolares.

Aqui vão dicas concretas de hospedagens que os viajantes elogiam há muito tempo e que têm ótimas avaliações:

  • Camp Ripan: um resort fantástico bem na beira de Kiruna, que oferece cabanas aconchegantes independentes. O seu maior atrativo é o próprio centro de wellness ártico de primeira linha, com piscinas externas aquecidas, onde você se aquece perfeitamente depois de um dia no frio.
  • Scandic Kiruna: um hotel novinho em folha e arquitetonicamente muito interessante, bem no novo centro da cidade. Os hóspedes elogiam principalmente os fartos cafés da manhã nórdicos e o bar panorâmico no último andar, de onde se tem uma vista maravilhosa das montanhas ao redor.
  • STF Abisko Turiststation: uma icônica estação de montanha situada bem à beira do lago Torneträsk, no parque nacional. É o Santo Graal absoluto para todos os caçadores de aurora boreal, porque fica no chamado buraco azul, com pouquíssimas nuvens.
  • Icehotel Jukkasjärvi: se você quer realizar um sonho de vida, reserve uma estadia combinada. Você passa uma noite no famoso quarto de gelo dentro de um saco de dormir e o resto das férias descansa numa cabana de madeira aquecida, que o complexo também oferece.

18 dicas do que ver e fazer em Kiruna

Kiruna oferece surpreendentemente muita coisa: de curiosidades da engenharia à cultura sami e a uma natureza que simplesmente tira o fôlego. Aqui estão as melhores dicas. Vou te ajudar a organizar o tempo com inteligência para você conseguir ver o mais importante e não jogar dinheiro fora com atrações superfaturadas. Recomendo planejar no máximo uma grande atividade por dia, porque o inverno nórdico e o escurecer cedo cansam você bem mais do que você imagina.

1. A nova prefeitura Kristallen

O coração da cidade em construção é a inconfundível prefeitura chamada Kristallen, cujo desenho circular simboliza o renascimento e a união dos moradores. Dentro desse edifício moderno você encontra não só as repartições públicas, mas também belas salas de exposição que contam a história da mineração e o complexo processo de transferência de todo o conjunto urbano. A prefeitura antiga infelizmente teve que ser demolida, mas os arquitetos salvaram dela o icônico campanário de ferro, incorporado com muita sensibilidade à nova praça.

Começar por aqui faz muito sentido. Em uma hora você entende por que a cidade inteira está se mudando e que desafio de engenharia isso representa na prática. A entrada nas áreas públicas do edifício e nas exposições é totalmente gratuita, o que com certeza agrada o seu orçamento no norte. Não deixe de ver também as maquetes detalhadas do novo plano urbano, que mostram como Kiruna vai ficar daqui a algumas décadas, quando não restar nem lembrança da construção original.

Dentro da prefeitura funciona também um café muito agradável, onde você pode se abrigar do frio ártico. Os suecos adoram o seu ritual do café, o fika, então dá para planejar tranquilamente o resto do dia por ali, com uma xícara de bebida quente e um pãozinho de canela fresco.

💡 Dica: a prefeitura está aberta principalmente no horário comercial, em dias úteis. Se você chegar no fim de semana, provavelmente só vai conseguir ir à praça externa, junto ao campanário.

2. A igreja de madeira Kiruna kyrka

Esta linda igreja vermelho-tijolo, de 1912, lembra pelo formato uma tenda tradicional sami e os suecos, no passado, chegaram a elegê-la a construção mais bonita do país inteiro. Mas, por causa da expansão da mineração de minério, ela acabou numa zona crítica de afundamento e, em agosto de 2025, aconteceu o seu salvamento acompanhado de perto pela imprensa. Os engenheiros colocaram todo o edifício, de 672 toneladas, sobre plataformas especiais e o transportaram, a passo de caminhada, ao longo de um trajeto de cinco quilômetros até um novo local seguro. Foi uma das operações mais complexas da história moderna europeia.

Hoje a igreja já está orgulhosamente instalada no novo centro e você pode ver com calma o seu interior de madeira único, decorado por um belíssimo retábulo banhado por uma luz ártica especial. Não deixe de reparar nos detalhes da fachada e no imponente campanário, que faz parte inseparável do edifício e aguentou a mudança sem um único arranhão. Lá dentro reina uma calma incrível, em forte contraste com o barulho das máquinas de mineração ao longe.

A entrada é gratuita, mas a igreja costuma fechar durante missas ou casamentos. Ainda assim, não deixe de dar pelo menos uma volta por fora, porque aquela madeira vermelha contra a neve branca é um baita cenário. Tente registrar justamente durante o amanhecer ou no pôr do sol, quando a fachada ganha uma cor incrivelmente intensa.

💡 Dica: a igreja tem um horário de visitação específico para turistas, então antes de ir confira os horários atuais no site oficial da paróquia local, para não fazer a viagem à toa.

3. A mina da LKAB e o InfoMine

A razão da existência e da mudança de toda a cidade é a gigantesca mina da estatal LKAB, que é a maior jazida subterrânea de minério de ferro do mundo. A extração acontece em profundidades incríveis e a empresa oferece excursões cativantes ao público direto para as entranhas da terra. Um ônibus especial te leva a mais de quinhentos metros abaixo da superfície, até o enorme centro de visitantes InfoMine, onde você vê com os próprios olhos maquinário pesado de mineração e túneis intermináveis.

Durante a visita de cerca de três horas você entende a enorme escala de todo esse colosso industrial. Guias experientes explicam em detalhe como enormes blocos de rocha dura se transformam em pequenas pelotas prontas para o transporte por ferrovia até Narvik, na Noruega. Você descobre, entre outras coisas, como todo esse labirinto subterrâneo cresce e muda constantemente, moldando o destino das pessoas na superfície.

Os ingressos somem bem rápido, tranquilamente com meses de antecedência, então não deixe a reserva para depois. O ingresso de adulto sai por cerca de 400 SEK, o que dá em torno de R$ 880. No subsolo reina uma temperatura estável de uns dez graus acima de zero, então, enquanto lá fora pode congelar tudo, embaixo você fica bem aquecido. Você ganha um capacete de segurança obrigatório e um café com biscoito no café subterrâneo local.

💡 Dica: as excursões saem sempre do centro de informações turísticas da cidade, de onde você é levado de ônibus. Não tente chegar à mina de carro próprio, porque a segurança não deixa você entrar sozinho, sem guia, nessa área rigorosamente vigiada.

4. A entrada diária no ICEHOTEL em Jukkasjärvi

A cerca de vinte minutos de Kiruna fica o vilarejo de Jukkasjärvi, que abriga o primeiro e mais famoso hotel de gelo do mundo. Todo outono chegam aqui artistas dos mais diversos países para esculpir novas suítes de arte a partir de blocos maciços de gelo puro extraído do vizinho rio Torne. Os blocos de gelo são retirados no início da primavera e guardados em galpões de refrigeração especiais durante todo o verão. Se você não quer pagar quantias exorbitantes para pernoitar no frio, pode pagar a entrada diária por 325 SEK (cerca de R$ 720) e percorrer todo o complexo como uma galeria de tirar o fôlego.

Durante a visita diurna você espia todos os quartos de gelo, fotografa esculturas incrivelmente detalhadas e admira o jogo de luz atravessando as paredes congeladas. Cada quarto tem um design totalmente único e o nome do seu criador esculpido numa placa de gelo. Para famílias com crianças é um compromisso absolutamente ideal, porque os pequenos visitantes pagam apenas simbólicos 39 SEK (cerca de R$ 85) e você volta à noite com tranquilidade para a pousada aquecida. Além disso, hoje já existe também o edifício ICEHOTEL 365, refrigerado com energia solar, que não derrete nem no verão.

De Kiruna você chega ao hotel muito facilmente pelo ônibus local número 501, então não precisa necessariamente alugar um carro caro. O trajeto é rapidinho e o ponto fica a um pulo da recepção principal. As paradas de ônibus na Suécia nem sempre têm placas digitais, mas os motoristas avisam com confiança a descida no hotel para todos os turistas.

💡 Dica: reserve cerca de duas horas para a visita ao hotel. Lá dentro a temperatura fixa é de cinco graus negativos, então mantenha o casaco de inverno e o gorro, mesmo que vá só dar uma olhadinha.

5. Pernoite num quarto de gelo

Para os aventureiros de verdade, dormir dentro de um freezer gigante é uma experiência que eles vão contar com empolgação até para os netos. Nos quartos a temperatura se mantém permanentemente em cinco graus Celsius negativos e os hóspedes dormem em sacos de dormir de expedição especiais colocados sobre peles de rena. Para a próxima temporada 2026/2027, além disso, abre o jubilar ICEHOTEL 37, que vai receber os primeiros hóspedes congelados na sexta-feira, 11 de dezembro de 2026.

Os viajantes experientes concordam unanimemente numa dica absolutamente essencial. Pague apenas uma única noite no gelo. Dormir no frio é fisicamente muito exigente e lembra mais uma expedição polar do que umas férias de descanso. Banheiros e chuveiros no quarto, claro, não existem: no meio da noite você tem que atravessar correndo um corredor gelado até o edifício aquecido ao lado. E, no próprio quarto de gelo, você não leva nenhuma bagagem, que fica trancada num vestiário aquecido para não congelar até virar pedra durante a noite. De manhã, a equipe te acorda com uma caneca de suco quente de oxicoco direto na cama.

O preço dessa experiência única não é nada baixo. Um quarto de gelo comum começa em torno de 6.000 SEK (mais de R$ 13.200) por noite, e as luxuosas suítes de arte com esculturas próprias custam bem mais.

💡 Dica: planeje o resto da sua estadia nas cabanas quentes clássicas que o complexo em Jukkasjärvi também oferece. Depois de uma noite no gelo, você vai valorizar de verdade um banho quente e um colchão macio comum.

6. O ICEBAR e os drinks de gelo

Mesmo que você decida não dormir no hotel e vá só para a visita diurna, não deveria pular a passada pelo bar de gelo local, que é parte fixa do roteiro. Lá dentro você encontra um maciço balcão congelado, mesas de gelo e poltronas cobertas por peles quentes. Bartenders experientes preparam para você coquetéis coloridos em copos maciços feitos de gelo puro do rio. Cada bebida tem o seu nome e cor específicos, que iluminam lindamente o copo de gelo.

A atmosfera lá dentro é bem descontraída e um drink num copo de gelo é uma das fotos mais icônicas que você pode trazer da Lapônia de lembrança. Mas não tire as luvas quentes, senão o copo cheio de bebida gelada gruda muito rápido e de forma bem desagradável na sua pele nua. Os coquetéis custam em geral cerca de 150 SEK (uns R$ 330) e há no cardápio também versões sem álcool excelentes, cheias de frutas silvestres nórdicas, como amoras e oxicocos.

O bar costuma abrir já a partir do almoço para os visitantes diurnos, então você não precisa esperar até a noite. Lá dentro você encontra gente do mundo todo em enormes casacos de pluma, tentando tomar elegantemente um drink de um pedaço de gelo de cinco centímetros de espessura. 😅

💡 Dica: o copo de gelo vazio não precisa ser devolvido em lugar nenhum ao final. Muitos visitantes simplesmente jogam na neve em frente ao hotel, onde ele derrete naturalmente de volta ao rio na primavera.

7. Passeio de trenó puxado por cães (Husky safari)

Ouvir só o ranger da neve e o resfolegar de uma matilha de cães de tração empolgados é um dos momentos mais românticos que o rude inverno nórdico oferece. Os huskies do Alasca e da Sibéria nasceram literalmente para correr na neve e a energia deles é incrivelmente contagiante. Mas, na hora de reservar, preste muita atenção ao tipo de passeio que você está comprando. Você pode escolher a variante mais confortável, em que fica sentado enrolado em cobertores enquanto um guia experiente conduz o trenó, ou pagar um extra pela possibilidade de conduzir o seu próprio trenó menor, o que dá uma dimensão totalmente nova à experiência.

Guiar o trenó é fisicamente bem exigente. Você tem que ajudar os cães ativamente na subida, saltando dos patins e empurrando, frear com firmeza na descida e equilibrar o peso nas curvas fechadas, então você sua debaixo do casaco grosso. Ao mesmo tempo, precisa confiar na experiência dos cães líderes, que sabem muito bem qual rastro seguir. Os preços do husky safari costumam ficar entre R$ 2.200 e R$ 3.400 por pessoa (1.000 a 1.500 SEK). Um passeio comum dura de duas a quatro horas e, no meio do caminho, há uma pausa numa tenda tradicional junto à fogueira, com chá quente e bolo.

Os operadores sempre emprestam, antes do passeio, macacões árticos maciços e botas quentes especiais, então você não precisa se preocupar em congelar com a própria roupa. Os animais são incrivelmente amigáveis e, depois do passeio, você pode fazer todo o carinho que quiser, o que a maioria dos cães recebe com entusiasmo.

💡 Dica: se a temperatura cair abaixo de vinte graus negativos, os operadores costumam cancelar os passeios pela saúde dos cães. Por isso, as condições mais estáveis aparecem só em fevereiro e março, quando de dia já está mais quente e a neve tem a consistência certa.

8. Snowmobiles rumo à natureza selvagem

Enquanto os cães representam a calma e a conexão com a natureza, uma expedição de snowmobile significa adrenalina pura e uma eficiência enorme para vencer distâncias. Os lagos congelados e as infinitas planícies nevadas ao redor de Kiruna funcionam como uma rede perfeita de rodovias de inverno. Por elas você chega fundo na natureza intocada, aonde de outro modo precisaria caminhar dias inteiros de raquetes de neve.

Para conduzir o snowmobile basta uma carteira de habilitação comum de carro e, antes de sair, você passa por um treinamento completo de segurança. Você aprende como desviar de pedras escondidas, como trabalhar com o acelerador e que frear no gelo puro não adianta muito. Conte com um frio cruel e um vento forte em espaços abertos, que derrubam a sensação térmica bem abaixo do ponto de congelamento. Mas o equipamento de qualidade emprestado pelo operador e as manoplas aquecidas da máquina garantem que você sobreviva ao passeio de três horas com relativo conforto. Os passeios costumam sair por R$ 1.900 a R$ 3.100 (80 a 130 EUR), conforme a duração do trajeto.

Num snowmobile podem ir duas pessoas e, na metade do caminho, você pode revezar na condução. O piloto aproveita a adrenalina e a concentração total na pista, enquanto o passageiro tem tempo de admirar a paisagem nevada que passa, que parece de outro planeta.

💡 Dica: leve sob o capacete uma boa balaclava, que protege o pescoço e o queixo do ar gelado. Um cachecol solto não serve de nada no vento do snowmobile, porque se desenrola facilmente e perde o poder de isolamento.

9. Caça à aurora boreal nos arredores de Kiruna

A própria cidade produz uma poluição luminosa bastante forte, que infelizmente impede a observação de tempestades geomagnéticas mais fracas direto das ruas. Se você quer ver a aurora boreal em toda a sua beleza, tem que chegar à escuridão absoluta, fora das áreas habitadas. As agências locais resolvem isso com saídas noturnas organizadas em vans, em que guias experientes te levam exatamente aonde os modelos prometem céu limpo. Hoje qualquer um pode baixar aplicativos inteligentes como o My Aurora Forecast ou o SpaceWeatherLive, mas os guias locais sabem exatamente em que vale as nuvens se abrem com mais frequência.

Enquanto você espera pelo espetáculo verde, os guias em geral acendem uma fogueira na floresta, preparam chá quente e ajudam a ajustar a câmera para longa exposição. Sem tripé e foco manual nas estrelas simplesmente não dá. Esses passeios saem por cerca de R$ 2.000 a R$ 3.000 por pessoa. Vale saber que os caçadores experientes de aurora não olham só o famoso índice KP, mas principalmente os valores detalhados do vento solar e os mapas de nebulosidade. Basta uma atividade magnética mínima para criar um show maravilhoso, desde que você tenha o céu limpo sobre a cabeça.

E mais uma coisa importante: a olho nu, a aurora parece a princípio mais uma nuvem cinzenta suspeita. A cor verde intensa só aparece na câmera, então não se assuste achando que veio à toa. 😅 Mas, no momento em que uma forte tempestade solar irrompe, faixas incríveis de verde, rosa e roxo se põem a dançar diante dos seus olhos, mesmo sem câmera, cruzando todo o horizonte.

💡 Dica: a maioria dos tours comerciais tem a regra de não devolver o dinheiro caso você não veja a aurora. Não dá para mandar no tempo, então encare como uma loteria com uma noite agradável na floresta e não espere milagres na hora.

10. O parque nacional Abisko e o Buraco Azul

A cerca de cem quilômetros de Kiruna fica o parque nacional Abisko, famoso no mundo inteiro como um dos lugares absolutamente mais confiáveis para observar a aurora boreal. Deve esse status a um microclima único e à sombra de chuva das montanhas ao redor. Elas criam o chamado buraco azul sobre o enorme lago Torneträsk. Graças a isso, as nuvens se abrem aqui com muita frequência, mesmo quando o resto da Lapônia anuncia céu fechado e neve sem esperança.

Durante o dia, o parque oferece belíssimas possibilidades para caminhadas de inverno. A mais popular é a trilha curta e leve até o cânion congelado do rio Abiskojåkka, que você faz até sem raquetes de neve. Você pode observar formações de gelo curiosas nas corredeiras congeladas e curtir o silêncio absoluto da floresta boreal. De Kiruna você chega a Abisko muito facilmente por um trem confortável (o trajeto dura cerca de uma hora e meia) ou de carro alugado. Vale mesmo a pena passar aqui pelo menos duas ou três noites, o que aumenta radicalmente as suas chances de uma caça bem-sucedida.

O vilarejo de Abisko é minúsculo, você encontra ali só algumas hospedagens, um pequeno supermercado e uma estação turística. Mas por isso mesmo é aqui que se sente com mais força a conexão com a verdadeira natureza ártica, longe das luzes das aglomerações urbanas.

💡 Dica: se você dorme direto na estação turística de Abisko, não precisa pagar nenhum tour noturno caro. Basta se agasalhar bem, andar uns quinhentos metros até o lago, no escuro, e esperar com uma caneca térmica na mão. Assim você economiza uma boa grana, que pode investir numa hospedagem melhor.

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11. A Aurora Sky Station na montanha Nuolja

Bem em Abisko funciona uma estação de observação única, situada bem alto nas encostas da montanha Nuolja, numa escuridão absolutamente perfeita, sem uma única luz de rua. Um antigo teleférico de cadeira aberta te leva até o topo, o que já é, por si só, uma experiência bem intensa no frio ártico, em que você vai rezar o caminho inteiro pela roupa mais quente possível. No alto te espera então um edifício aquecido com um pequeno café e um enorme deck panorâmico, de onde você tem o céu inteiro na palma da mão.

Os ingressos para a visita noturna, o chamado Night Visit, costumam ser bem caros (giram em torno de 750 a 900 SEK, ou seja, R$ 1.650 a R$ 2.000). E, na alta temporada, esgotam muito rápido, então reservar com meses de antecedência é absolutamente indispensável, porque a capacidade do topo é rigorosamente limitada por segurança. Se você quer economizar, basta subir de teleférico durante o dia, quando você paga só uma fração do preço (em torno de 220 SEK).

As vistas diurnas da montanha para o lago congelado e para o famoso perfil de montanhas em forma de U, chamado Lapporten, são absolutamente de tirar o fôlego. Lá em cima você pode tomar um café no calorzinho, fotografar panoramas banhados pelo sol baixo da tarde e curtir o cenário sem o frio da noite.

💡 Dica: a subida de teleférico dura cerca de vinte minutos. Os operadores emprestam lá embaixo cobertores grossos e macacões, mas mesmo assim vista tudo o que tiver na mochila, porque o teleférico anda bem devagar e te expõe a um vento cortante.

12. Encontro com renas e a cultura sami

Os sami são os povos originários das regiões nórdicas e o único povo indígena reconhecido na União Europeia. A criação de renas segue até hoje como parte absolutamente central da sua cultura e do seu sustento. Se você quer saber mais sobre a vida fascinante deles, os viajantes recomendam muito uma visita à comunidade Nutti Sámi Siida, que fica a um pulo de Jukkasjärvi e é administrada pelos próprios moradores locais, com enorme respeito às tradições.

Isso aqui, de verdade, não é aquela cafonice de Papai Noel do lado finlandês da fronteira. É uma comunidade real, onde as tradições são vistas com respeito e sem teatralidade. Durante a visita, você chega bem perto das renas semisselvagens, que pode alimentar com cuidado, dando na mão um líquen seco especial. Você escuta relatos cativantes de como o antigo pastoreio se adapta aos tempos modernos, cheios de mudanças climáticas e da mineração onipresente, que rompe as antigas rotas de migração dos animais.

A excursão costuma durar de duas a três horas. O encontro acontece numa tenda tradicional lávvu, junto a uma fogueira aberta, onde se serve café da caneca de metal e se contam histórias da vida na natureza selvagem que você com certeza não encontra nos guias turísticos.

💡 Dica: no encontro com as renas, fique calmo e não faça movimentos bruscos. As renas até estão acostumadas com gente, mas continuam sendo animais semisselvagens e assustadiços, que se espantam fácil com barulho inesperado ou com o flash da câmera.

13. A feira de inverno de Jokkmokk

Se você planeja a viagem para o começo de fevereiro, deveria considerar seriamente um passeio de dia inteiro até a cidadezinha de Jokkmokk, ao sul de Kiruna. É lá que acontece a lendária feira de inverno, com uma tradição ininterrupta de mais de quatrocentos anos, para a qual convergem, todo ano, os sami de todo o norte. A cidadezinha, com uns poucos milhares de habitantes, se transforma por três dias num centro pulsante, para onde chegam até trinta mil visitantes empolgados e dezenas de vendedores de toda a Escandinávia.

Você vê ali belíssimas mostras de artesanato tradicional, chamado duodji, escuta o canto gutural joik e pode assistir a emocionantes corridas de trenós de renas bem no lago congelado. A atmosfera é absolutamente eletrizante e é a melhor oportunidade para comprar peças artesanais realmente autênticas de madeira de bétula, prata ou couro de qualidade, que duram a vida inteira.

A hospedagem nos arredores da feira some tranquilamente com até um ano de antecedência, então a maioria das pessoas opta por uma chegada bem cedo de Kiruna e um retorno à base à noite. O trajeto de carro leva cerca de três horas em cada sentido, mas aquelas vistas pelo caminho, ao longo dos velhos leitos de rio, valem muito a pena.

💡 Dica: vista-se de forma extremamente quente. Você vai passar o dia inteiro ao ar livre entre as barracas, e as temperaturas em Jokkmokk em fevereiro caem baixíssimo, muitas vezes bem abaixo de trinta graus. Uma bebida quente na garrafa térmica é absolutamente indispensável; sem ela, nem saia para a feira.

14. Provando a cozinha ártica e sami

A gastronomia nórdica é rude, simples e se apoia em ingredientes locais capazes de sobreviver em condições extremas. Embora, para a cultura sami tradicional, seja típica a carne de rena defumada servida com purê de batata e os mais diversos tipos de peixes árticos (principalmente o salvelino ártico), a Suécia é um dos países mais conscientes, com enorme oferta de ótimas alternativas sem carne. Em qualquer restaurante você encontra sopas cremosas excelentes, saborosas batatas assadas com ervas ou fartas saladas nórdicas com raízes.

Entre as especialidades locais, prove sem falta as amarelo-alaranjadas amoras-árticas (cloudberries), apelidadas no norte de ouro do Ártico. Crescem principalmente em pântanos e ficam ótimas com waffles quentes, chantilly, sorvete ou até salgadas, com um queijo especial. Depois de um dia puxado no frio, você é salvo com certeza absoluta pelo sagrado ritual sueco chamado fika, em que você toma um café forte com um pãozinho de canela quente (kanelbulle) ou um doce de cardamomo. Esse relaxamento doce sai por cerca de 65 a 100 SEK (R$ 140 a R$ 220).

Uma curiosidade é a abordagem local ao álcool. Na Suécia funciona o monopólio estatal Systembolaget, o que significa que cerveja mais forte e vinho você não compra num supermercado comum, mas apenas em lojas especializadas, com horário de funcionamento bem limitado. Se você planeja um brinde noturno na cabana, compre os estoques com antecedência, durante o dia. Já a água da torneira aqui é tão pura e gostosa que seria literalmente um pecado comprar água engarrafada em plástico.

💡 Dica: a comida do cardápio noturno nos restaurantes é extremamente cara. Por isso vale procurar lugares que oferecem o menu de almoço promocional, chamado dagens rätt. Por cerca de 120 a 150 SEK (R$ 270 a R$ 330) você recebe um prato principal quente, bufê livre de salada, pão crocante e um café no fim.

15. Sauna ártica e banho de gelo

A bastu, ou sauna, não é na Suécia apenas um mimo de luxo de hotéis mais caros, mas uma necessidade absoluta da vida e um espaço de convívio social entre gerações. Depois de um dia passado ao ar livre a vinte graus negativos, não existe nada melhor do que uma sauna de madeira quentíssima construída bem à beira de um lago congelado. O calor irradiante e agradável ajuda na hora a relaxar os músculos duros depois do passeio de snowmobile, dá aquele impulso na imunidade e aquece você até a medula dos ossos.

À sauna ártica tradicional, no entanto, pertence inseparavelmente um buraco aberto no gelo (isvak), no qual você tem que mergulhar corajosamente por pelo menos alguns segundos. O choque da água gelada libera no corpo uma quantidade incrível de endorfina. Assim que você sai, mesmo o frio nórdico mais cruel parece por um instante uma brisa agradável de primavera e a pele formiga gostosamente.

Um excelente spa ártico de acesso público você encontra, por exemplo, no resort Camp Ripan, onde a entrada de dia inteiro sai por cerca de 400 SEK (uns R$ 880). Eles têm ali também piscininhas externas aquecidas, de onde dá para observar à noite, com calma e conforto, o céu estrelado cheio de aurora.

💡 Dica: nas saunas públicas da Suécia costuma-se entrar sem roupa de banho, mas homens e mulheres em geral têm salas separadas. Já nas saunas mistas ou banheiras externas a céu aberto, a roupa de banho é obrigatória, então melhor sempre levar com você.

16. Subida ao Kebnekaise

Se você vier a Kiruna nos meses de verão, o seu maior desafio provavelmente será a subida à montanha mais alta da Suécia, que tem pouco mais de dois mil metros. O ponto de partida é o pitoresco vilarejo de Nikkaluokta, no fim da estrada, a cerca de setenta quilômetros da cidade. Daqui você primeiro precisa caminhar uns dezenove quilômetros até a estação de montanha Kebnekaise Fjällstation, onde pode montar a sua própria barraca ou pernoitar confortavelmente numa cama. Essa base é, além disso, muito bem equipada, com restaurante e secador para as botas encharcadas.

A subida ao topo em si é uma trilha diária muito longa e fisicamente exigente, por terreno pedregoso, que leva de dez a quatorze horas ida e volta, conforme a rota escolhida (a leste ou a oeste). O topo da montanha é coberto por uma geleira que, infelizmente por causa das mudanças climáticas, derrete aos poucos, então a sua altura exata muda um pouco a cada ano, diminuindo. O aquecimento, além disso, torna as fendas da geleira cada vez mais imprevisíveis.

Para a subida pela rota oeste você não precisa de equipamento de alpinismo especial, mas de um preparo físico perfeito e de roupas impermeáveis absolutamente confiáveis. O tempo nessas latitudes muda de minuto a minuto e, em agosto, você pode ser surpreendido tranquilamente por uma nevasca inesperada ou por neblinas impenetráveis.

💡 Dica: se você quer poupar energia para o topo, pode encurtar o caminho de Nikkaluokta à estação de montanha pegando um barco pelo lago Ladtjojaure, o que te poupa cerca de seis quilômetros de caminhada cansativa pelo vale.

17. Trekking na famosa Kungsleden

O parque nacional Abisko não serve só aos caçadores de aurora do inverno: no verão ele funciona como porta norte da mais famosa trilha de longa distância da Suécia, chamada Kungsleden, ou Trilha do Rei. A rota inteira tem mais de quatrocentos quilômetros, mas a maioria dos viajantes comuns escolhe só o seu trecho norte mais bonito e mais acessível, de Abisko a Nikkaluokta, que leva cerca de cinco a sete dias de caminhada tranquila por belíssimas montanhas e selas.

No caminho você dorme em cabanas de montanha simples, mas fantasticamente conservadas, da associação turística STF. O pernoite sai por cerca de 400 a 500 SEK (uns R$ 880 a R$ 1.100). Em muitas delas você pode comprar mantimentos básicos não perecíveis, então não precisa carregar comida para a semana inteira nas costas, e à noite pode descansar junto ao fogão aceso, na companhia agradável de outros turistas do mundo todo.

A paisagem ao redor da trilha é absolutamente de tirar o fôlego, cheia de rios selvagens e caudalosos, profundos vales glaciais e renas pastando livremente nos prados floridos do verão. A orientação é muito fácil, porque a trilha é perfeitamente sinalizada com as típicas cruzes vermelhas e, nos piores trechos pantanosos, há passarelas de madeira confiáveis.

💡 Dica: a melhor época para essa trilha é agosto e o começo de setembro, quando as piores nuvens de mosquitos já foram embora, as temperaturas são agradáveis para caminhar e a natureza começa aos poucos a se tingir de belíssimos tons de laranja e vermelho do outono.

18. O sol da meia-noite e a face de verão da Lapônia

Enquanto o inverno é marcado pela escuridão e pelo frio cortante, do fim de maio até meados de julho toda a região mergulha numa luz que não acaba. Nesse período o sol simplesmente não se põe abaixo do horizonte, apenas desliza rente à linha da floresta. Esse fenômeno incrível, chamado sol da meia-noite, dá à paisagem uma energia enorme e permite que você faça trilhas tranquilamente às três da manhã, com toda a natureza só para você, banhada por uma luz dourada especial, sem medo de se perder no escuro.

Kiruna no verão é surpreendentemente verde e, nos dias de sol, as temperaturas podem subir até uns vinte graus, o que convida a passeios de camiseta. Mas você tem que contar com um pequeno detalhe, na forma dos insetos onipresentes. Coloque na mochila, sem falta, um bom repelente local (a marca sueca testada e aprovada se chama Mygga). Os mosquitos árticos conseguem ser bem irritantes e ferozes perto dos lagos, sem vento, embora nas cristas ventosas e abertas das montanhas, felizmente, você nem vá notá-los.

A recompensa pela visita de verão são lagos perfeitamente calmos, prontos para a canoagem, a possibilidade de acampar na natureza em quase qualquer lugar graças ao direito sueco allemansrätten e vistas maravilhosas que o inverno esconde sob a nevasca.

💡 Dica: dormir com luz total pode ser difícil e o corpo custa a entrar no modo noturno. Se você vier no verão e dormir numa barraca ou numa cabana mais barata, sem cortinas blackout, uma boa máscara de dormir é absolutamente indispensável, a não ser que você queira ficar exausto depois de três dias.

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Onde comer em Kiruna

Essa cidade ártica do tamanho de um município tem uma oferta surpreendentemente decente, embora você precise se acostumar com ela: o jantar termina mais cedo do que na Europa Central e, aos domingos, muitos estabelecimentos ficam fechados. Conte com um prato principal por 150 a 250 SEK (R$ 330 a R$ 550).

A melhor parada durante o dia é o Café Safari, no centro. É o coração natural da vida social local, onde se assa um pãozinho de canela enorme, e o café com pão sai por volta de 80 SEK (R$ 175). Os vegetarianos se saem bem aqui mesmo no frio, assim como nos lugares com sopas e bufê de salada, que ao meio-dia oferecem o dagens lunch por 120 a 150 SEK, incluindo café.

Para conhecer a cozinha nórdica moderna, dá para espiar no restaurante Spis Mat & Dryck, no novo centro, que caiu no gosto até dos locais. A cozinha aqui se apoia em ingredientes locais, então, além das variantes vegetarianas, você encontra também os tradicionais peixes árticos e a caça, que os suecos consomem bastante. Funciona de forma parecida o Stejk Street Food, numa tenda lávvu com fogueira dentro, onde se servem hambúrgueres de carne de rena e de alce como clássico local, mas também versões sem carne.

💡 Dica: em Kiruna e arredores há só uns poucos supermercados e, em Jukkasjärvi, praticamente nenhum. Se você pega uma hospedagem com cozinha, faça as compras na cidade antes de seguir para o norte.

Como chegar a Kiruna

A viagem além do círculo polar, saindo do Brasil, já não significa há muito tempo uma expedição exaustiva de uma semana. Você tem três opções principais para chegar da Escandinávia até Kiruna, que se diferenciam em tempo, preço e dose de aventura.

De avião: essa é sem dúvida a opção mais rápida e confortável. Do Brasil você voa primeiro à Europa, por exemplo com a LATAM, a GOL ou a TAP a partir de São Paulo, e chega a Estocolmo, ao aeroporto principal de Arlanda (ARN). De Arlanda partem então voos domésticos da SAS diretamente para Kiruna, o trajeto dura uma hora e meia e no aeroporto te esperam ônibus ou táxis. Muito cuidado com os voos low-cost para os aeroportos de Skavsta ou Västerås, porque eles ficam a cem quilômetros de Estocolmo e a transferência seguinte até Arlanda te devora uma enorme quantidade de tempo e dinheiro preciosos.

De trem: para os amantes das viagens lentas e do romantismo sem fim, há um confiável trem noturno. De Estocolmo saem toda noite longos comboios-leito (operados pelas empresas SJ ou Vy), que te levam em 15 a 18 horas por uma paisagem nevada mágica direto até Kiruna ou adiante, até Abisko. Um assento você consegue a partir de cerca de 475 SEK (R$ 1.050); um leito mais confortável e bem mais privativo, numa cabine compartilhada, começa em 835 SEK (R$ 1.840). A viagem passa surpreendentemente rápido graças ao vagão-restaurante, mas conte com o fato de que a linha norte Malmbanan costuma ficar extremamente sobrecarregada no inverno com trens de carga de minério de ferro, e atrasos por causa dos montes de neve não são grande exceção aqui, então não planeje para o dia da chegada nenhuma atividade paga importante com horário fixo.

De carro: se você tem tempo de sobra, dirigir no inverno te assusta só um pouco e está levando o seu próprio equipamento volumoso, pode seguir de carro pela longa e linda rodovia E10, que atravessa toda a Suécia rumo ao norte. As estradas nas regiões árticas não recebem sal nenhum, apenas são raspadas de vez em quando e recebem uma leve camada de cascalho fino para a tração básica, então é totalmente normal dirigir sobre uma camada dura de neve compactada ou direto sobre o gelo (o chamado black ice). Por isso os pneus de inverno são indispensáveis, e os motoristas locais usam exclusivamente pneus com pinos de metal (dubbade däck), que, aliás, podem ser alugados em muitos lugares na Suécia junto com o carro. Nas estradas você tem que ficar sempre atento, porque o principal perigo, por incrível que pareça, não são as derrapagens, mas as enormes renas e os imprevisíveis alces, que, especialmente ao entardecer, adoram se aproximar das estradas raspadas para lamber o sal preso. Os carros das locadoras locais, além disso, vêm de série equipados com um pequeno conector na grade dianteira — trata-se da ligação do chamado motorvärmare, ou seja, o pré-aquecimento do motor a partir de uma tomada elétrica comum, muito usado à noite nos estacionamentos dos hotéis.

O que levar para o inverno ártico

A Lapônia no inverno não perdoa nenhum erro grosseiro de equipamento. A temperatura diária comum, na maior parte da temporada, fica entre quinze e trinta graus negativos, então jeans finos e camisetas comuns de algodão você pode, sem pensar, deixar direto na gaveta em casa. A base de todo o sucesso e da sensação de calor é um sistema de camadas de roupa bem pensado, e não um único casacão disforme.

Roupa: como a primeira e mais importante camada, direto sobre a pele nua, use uma lã merino de qualidade e grossa (idealmente uma camiseta de manga longa com gramatura de pelo menos 200 a 250 g/m² e uma ceroula igual). A lã merino, ao contrário da sintética, aquece lindamente mesmo levemente úmida e afasta o suor da pele de forma confiável. O algodão absorveria na hora toda a umidade, esfriaria as suas costas e você com certeza pegaria frio bem rápido. Como camada intermediária de isolamento, serve muito bem um fleece técnico grosso ou um bom suéter grosso de lã, ou os dois sobrepostos, dependendo do frio que estiver. Depois vem a camada principal de isolamento, na forma de um casaco de pluma de qualidade e bem fofo, que segura o ar. Por fim, você tem que fechar tudo com uma casca resistente ao vento gelado, ou seja, um casaco e calça externos de goretex, através dos quais nem a neve nem o vento têm a mínima chance de passar.

Proteção das extremidades: a cabeça, as mãos e principalmente os pés sofrem mais que tudo no frio extremo, porque o corpo, por instinto, puxa o sangue quente para o centro, para os órgãos vitais. Por isso, leve dois pares de luvas. As luvas finas de dedo em merino você coloca por baixo das luvas externas grossas, para conseguir operar facilmente o celular ou a câmera lá fora sem que os dedos congelem. As botas escolha sempre pelo menos um número inteiro maiores, para caber tanto uma meia liner fina quanto uma camada grossa de lã tricotada por cima e, ao mesmo tempo, sobrar espaço na bota para uma camada isolante de ar. O pé apertado congela primeiro. Na cabeça vai um gorro bem grosso e, sob o capacete do snowmobile, cai bem uma balaclava tricotada, que protege de forma confiável o nariz e o rosto de queimaduras perigosas de frio causadas pelo traiçoeiro vento gelado.

Você não precisa comprar tudo: a boa notícia para o seu bolso e para o espaço na mala é que, felizmente, você não precisa comprar já no Brasil pesadas botas de neve de expedição para menos quarenta graus, por milhares de reais, que depois você nunca mais usaria em casa. Quase todos os operadores sérios em Kiruna e arredores emprestam automaticamente, no valor da atividade, antes de qualquer passeio planejado de trenó ou de snowmobile, macacões árticos enormes e quentes, além das botas maciças certas, dimensionadas para o frio mortal daqui.

Tecnologia no frio: as baterias de smartphones e das câmeras modernas morrem nas condições árticas num ritmo relâmpago, muitas vezes indo tranquilamente da carga total ao desligamento em apenas vinte minutos ao ar livre. Carregue o celular no bolso do peito, para que o seu calor o aqueça, tire-o só na hora de fotografar e leve sempre uma powerbank potente — essa é a lei número um do turismo ártico. Se você leva a sério a fotografia noturna da aurora boreal, compre antecipadamente pequenos aquecedores químicos adesivos e prenda-os com um elástico direto no corpo da objetiva ou perto do compartimento da bateria da câmera, para prolongar bastante a autonomia.

Quanto custa a viagem a Kiruna: 3 orçamentos-modelo

A Suécia sem dúvida não está entre os destinos baratos e de baixo custo, mas com um pouco de esperteza e planejamento de longo prazo dá para montar essa viagem nórdica até sem quebrar o cofrinho da família. Aqui estão três orçamentos aproximados por pessoa para uma bela estadia de inverno de cinco dias (convertidos em reais a uma taxa de cerca de R$ 0,53 por 1 SEK).

1. DIY Backpacker (cerca de R$ 9.500 – 11.000) Você viaja de forma esperta e bem econômica, mas ainda assim ganha experiências maravilhosas. Voa até a Europa e pega uma companhia low-cost até Estocolmo, de onde segue num trem noturno-leito ou de assento barato direto para Abisko. Você dorme num modesto quarto compartilhado em algum dos poucos hostels locais (por exemplo, na STF Turiststation). Toda a comida você prepara sozinho, com ingredientes básicos comprados no pequeno mercado local. Em vez de comprar caros tours organizados de aurora, você vai à noite simplesmente a pé, de garrafa térmica na mão, até o lago, onde há escuridão total e a aurora boreal aparece linda pela objetiva mesmo sem guia. Você paga, com o dinheiro poupado, só a entrada diária básica no famoso Icehotel e um passeio de trenó puxado por cães de três horas, revezando a condução com alguém.

2. O meio-termo dourado (cerca de R$ 13.000 – 16.000) Este é o compromisso absolutamente ideal e muito comum para casais jovens e mais velhos sem filhos. Você voa confortavelmente do Brasil, via Estocolmo, até o pequeno aeroporto de Kiruna. Você fica no seu próprio quarto duplo privativo e agradavelmente aquecido, numa bela pousada ou cabana (por exemplo, no queridinho Camp Ripan). Durante o dia, de vez em quando você faz um farto menu de almoço promocional (dagens rätt), que te sacia por bastante tempo, e à noite ou cozinha na cozinha ou vai tomar uma boa fika sueca num café. No orçamento das atividades você já inclui a visita diurna ao Icehotel, um passeio fantástico de snowmobile com todo o equipamento quente emprestado e uma caça noturna organizada à aurora boreal, com guia, para a natureza selvagem dos arredores, onde ele garante a fuga das nuvens.

3. Conforto ártico (cerca de R$ 24.000+) Você quer simplesmente viver tudo do inverno ao máximo, absolutamente sem compromissos ou abrir mão do conforto. Você fica num lindo hotel moderno com vista panorâmica bem no centro de Kiruna, incluindo o farto café da manhã, e, por uma única noite, por curiosidade, se transfere para o famoso quarto de gelo artístico no Icehotel. Você janta sempre nos renomados restaurantes clássicos locais e saboreia a excelente gastronomia ártica de rena e de peixe. Você tem o ingresso pago e a subida no velho teleférico até a prestigiada Aurora Sky Station para uma exclusiva observação noturna da aurora boreal, conduz exclusivamente o seu próprio trenó menor de huskies só para você e, no fim da viagem, experimenta um wellness ártico de primeira, com piscinas externas quentes e uma verdadeira sauna sueca, com direito a banho de gelo.

Para onde ir depois de Kiruna

Se você está pensando num roteiro escandinavo mais amplo ou procura mais inspiração para caçar a aurora, dê uma olhada nos nossos artigos detalhados da região. Escrevemos para você vários guias, onde você descobre como montar a melhor viagem mais ao sul ou como visitar os impressionantes parques nacionais dos países nórdicos vizinhos.

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Perguntas frequentes

Quando há maior chance de ver a aurora boreal?

Estatisticamente, as melhores condições ocorrem nos meses de fevereiro e março, quando as noites começam a ficar mais claras e a atividade geomagnética ao redor do equinócio de primavera se intensifica. Além disso, ao contrário de dezembro, o frio já não é tão extremo e os dias são visivelmente mais longos, então você pode praticar esportes de inverno durante o dia sob o sol e à noite observar o céu verde.

Quantos dias devo reservar para Kiruna?

A duração ideal da estadia fica entre três e cinco dias. Este período oferece tempo suficiente para todas as atividades principais, como passeio de trenó puxado por cães ou visita ao hotel de gelo. Mas principalmente, proporciona uma margem adequada caso as duas primeiras noites estejam nubladas e você não consiga ver a aurora por causa das nuvens.

Qual a melhor forma de chegar a Kiruna saindo do Brasil?

A maneira mais rápida e confortável é voar de São Paulo para Estocolmo via aeroporto principal Arlanda, de onde partem voos domésticos diretos para Kiruna. Se você prefere viajar mais devagar, uma alternativa mais romântica é utilizar o trem noturno com cabines-leito, que parte da capital sueca e leva você através de paisagens nevadas até o Círculo Polar Ártico.

Quanto custa um passeio de trenó puxado por cães?

Os preços do safari com huskies geralmente ficam entre R$ 310 e R$ 480 por pessoa, ou seja, aproximadamente 1.000 a 1.500 coroas suecas. O valor final depende principalmente se você apenas compartilha o trenó com um guia experiente e fica sentado nas mantas, ou se paga a mais pela experiência fisicamente mais exigente de conduzir sua própria equipe menor de cães.

Preciso de roupas especiais para o frio intenso?

A base são camadas de qualidade em lã merino e fleece aquecido, mas você não precisa comprar roupas de expedição pesadas no Brasil. Macacões árticos maciços e botas enormes para temperaturas de menos trinta graus são normalmente emprestados de boa vontade pelos operadores no local, sempre incluídos no preço da atividade que você reservou, como motos de neve ou passeios com cães.

É possível visitar o Icehotel sem dormir no gelo?

Sim, e esta é inclusive a opção mais popular e inteligente. A entrada diurna custa 325 SEK, o que equivale a aproximadamente R$ 180. Durante o dia você pode explorar com calma todos os lindos quartos artísticos como uma galeria congelada única, e à noite volta para o conforto e calor da sua pousada tradicional aquecida.

Quão escuro fica em dezembro durante a noite polar?

Não é uma escuridão completamente preta como a que conhecemos à meia-noite, mas sim um tipo de penumbra que dura o dia todo. O sol não chega a nascer acima do horizonte, mas por volta do meio-dia a paisagem se ilumina lindamente por algumas horas em tons maravilhosos de azul e violeta. Os fotógrafos chamam esse fenômeno de hora azul e é uma experiência visual absolutamente única.

Férias em Kiruna são caras?

Infelizmente, a Lapônia no inverno está entre os destinos financeiramente mais exigentes. Mesmo com planejamento independente muito cuidadoso e hospedagem de categoria média, você deve contar com um orçamento de aproximadamente R$ 2.800 a R$ 4.200 por pessoa para uma estadia de cinco dias. O valor inclui passagens aéreas, alimentação, hospedagem aquecida e as atividades árticas pagas mais populares.

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