Escadarias íngremes, ruelas de pedra e casas esculpidas diretamente na rocha — essa é Matera, Itália, um dos lugares mais antigos continuamente habitados do mundo. Quando vi a cidade pela primeira vez no filme de James Bond 007 – Sem Tempo Para Morrer, soube na hora que precisava conhecê-la. E pode acreditar — a realidade supera as cenas do filme. 😊
Matera fica na região da Basilicata, no sul da Itália, e até pouco tempo atrás era considerada a vergonha do país — uma cidade de pobres, doentes e pessoas vivendo sem água quente ao lado de animais domésticos. Hoje é o oposto: Matera é o orgulho da Itália, Patrimônio Mundial da UNESCO e foi Capital Europeia da Cultura em 2019.
Neste guia você encontra tudo o que precisa: o que ver em Matera, onde comer, como chegar e onde se hospedar — incluindo hotéis-caverna, orçamento e dicas de passeios nos arredores.

Como chegar em Matera
Matera não tem aeroporto próprio nem estação na linha ferroviária principal. O ponto de partida mais comum é Bari — de lá são menos de uma hora. Para quem vem do Brasil, a melhor opção é voar até Roma ou Milão e de lá pegar um voo doméstico ou trem até Bari.
Saindo de Bari (opção mais comum)
De ônibus (recomendamos): A empresa Marozzi ou a FlixBus fazem o trajeto de Bari Centrale direto para Matera. A viagem dura 60–70 minutos, e a passagem custa 6–9 €. Os ônibus saem a cada hora, o primeiro às 6h30 e o último por volta das 21h.
De trem: A linha FAL (Ferrovie Appulo Lucane) sai de Bari Centrale até Matera Centrale. A viagem dura cerca de 90 minutos e custa aproximadamente 5 €. Os trens são mais lentos que os ônibus, mas têm seu charme — você atravessa a paisagem rural da Basilicata.
De carro: De Bari, pela SS96 passando por Altamura, são cerca de 65 km / 1 hora. O estacionamento em Matera fica na Via Aldo Moro (2 €/hora) ou na Piazza Matteotti. Não dá para entrar de carro nos bairros Sassi — as ruelas são estreitas demais.
Saindo de Nápoles e de Roma
De Nápoles: Ônibus direto Marozzi (cerca de 4 horas, 20–25 €). Alternativamente, trem Trenitalia até Salerno e depois ônibus. As conexões são menos frequentes, então planeje com antecedência.
De Roma: Ônibus direto Marozzi ou FlixBus (cerca de 5–6 horas, 25–35 €). Ou trem até Bari e de lá ônibus — no geral mais confortável, mas demora mais.

Quando ir a Matera e quantos dias ficar
Você pode visitar Matera o ano inteiro, mas os meses mais agradáveis são abril a junho e setembro a outubro. No verão (julho–agosto) as temperaturas chegam a 40 °C e as ruelas de pedra queimam os pés — além de tudo estar lotado. No inverno (janeiro–fevereiro) as temperaturas ficam entre 8–15 °C, o que ainda é agradável para caminhar, e os turistas são pouquíssimos.
Quantos dias em Matera? O mínimo é um dia inteiro — dá para conhecer os Sassi, os principais pontos turísticos e almoçar. Mas o ideal é planejar 2 noites para curtir a cidade ao anoitecer (as casas-caverna iluminadas são mágicas) e ainda fazer um passeio nos arredores. Eu combinei minha visita com a cidadezinha de Alberobello.
DICA: Para onde viajar na Itália — confira nosso guia AQUI.
Sassi di Matera: coração da cidade e Patrimônio UNESCO
Sassi (literalmente “pedras”) são dois bairros históricos esculpidos no penhasco de calcário sobre o cânion Gravina. Sua história remonta ao paleolítico e desde 1993 são Patrimônio Mundial da UNESCO. As pessoas escavaram suas casas na rocha de tufo calcário e dividiam o espaço com animais domésticos — cavalos, vacas, porcos e galinhas. Viveram sem água quente e eletricidade até os anos 1950. 😯
Matera era uma região extremamente pobre — a mortalidade infantil ultrapassava 50%. Mussolini declarou que a cidade só servia para exílio interno, e o primeiro-ministro De Gasperi nos anos 1950 ordenou a remoção de metade dos moradores. Hoje é o contrário — onde havia miséria, você encontra hotéis boutique e restaurantes charmosos.

Sasso Caveoso — núcleo turístico
O bairro sul é mais acessível para turistas. Aqui você encontra a maioria dos museus, a Casa Grotta (reconstrução de uma moradia em caverna, entrada 5 €) e igrejas rupestres com afrescos bizantinos. Dica: A Igreja Santa Maria de Idris oferece provavelmente a melhor vista de todo o Sassi.
Sasso Barisano — experiência mais autêntica
O bairro norte é menos turístico, mas muito mais interessante por isso. Mais restaurantes, menos lojas de souvenirs. A maioria dos hotéis-caverna fica justamente aqui. Caminhe pelas ruelas ao redor da Via Fiorentini — essa é a Matera como os moradores locais a conhecem.
Ingressos e dicas práticas para os Sassi
Passear pelos Sassi é gratuito. Para entrar nas igrejas rupestres, na Casa Grotta e nos museus você paga 3–8 € por cada. O ingresso combinado (cerca de 15–20 €) vale a pena se quiser visitar mais de 2 lugares — compre no centro de informações na Via Ridola.
Se posso dar uma recomendação — planeje seu roteiro com antecedência. No labirinto de ruelas de pedra é fácil se perder e acabar deixando de ver lugares incríveis. Visitas guiadas estão disponíveis no GetYourGuide:
O que ver em Matera: principais atrações
Matera encanta à primeira vista com suas vistas panorâmicas, o labirinto de rochas e uma história fascinante. Aqui estão os lugares que você não pode deixar de visitar.
Mirante Belvedere di Murgia Timone
Se você quer curtir a vista panorâmica de toda a cidade como num cartão-postal, vá até o mirante Belvedere. Dali você tem uma vista deslumbrante de toda Matera — especialmente ao pôr do sol, quando as casas de pedra ganham tons alaranjados. Esse é um daqueles lugares onde você simplesmente precisa parar e respirar por um momento.
Catedral di Matera
Não deixe de visitar a catedral em estilo românico apuliano, dedicada à Madonna della Bruna e a Santo Eustáquio, padroeiros de Matera. O que mais chama atenção é o campanário decorado de quatro andares. A catedral fica no ponto mais alto entre os dois Sassi e oferece belas vistas dos arredores.

Casa Grotta di Vico Solitario
Visite uma moradia original autêntica, onde uma família de onze pessoas vivia junto com um cavalo, um porco e galinhas. O espaço da casa era aproveitado ao máximo — as crianças dormiam em gavetas e ao lado da cama ficava o estábulo. A entrada custa 5 € e vale cada centavo, porque você consegue realmente imaginar como era a vida ali.
Igrejas rupestres nos Sassi
Em Matera você encontra dezenas de pequenas igrejas rupestres com afrescos bizantinos. Três que mais valem a visita:
- Santa Maria di Idris — encantadora igrejinha esculpida na rocha com afrescos excepcionais e uma vista deslumbrante dos Sassi.
- San Francesco D’Assisi — igreja barroca na praça no coração de Matera.
- Chiesa del Purgatorio — igreja barroca na Via Ridola, dedicada às almas do purgatório. A fachada é decorada com caveiras e motivos de morte assustadores — definitivamente original. 😅

Museu Ridola
O Museu Ridola foi fundado pelo senador Domenico Ridola em 1911. Fica nas instalações do convento Santa Chiara e abriga uma coleção de artefatos arqueológicos do paleolítico até a Idade Média — cerâmica, esculturas, ferramentas e outros objetos encontrados em Matera e região. A entrada custa 5 €.

Palombaro Lungo
O Palombaro Lungo é uma cisterna subterrânea do século XVI que servia para armazenar água para os moradores da cidade. Fica embaixo da Piazza Vittorio Veneto e a entrada custa 5 €. O enorme espaço subterrâneo vai te surpreender — parece quase uma catedral debaixo da terra.

Palácio Lanfranchi e museu de Dalí
O Palácio Lanfranchi abriga o museu de arte medieval e moderna e é um exemplo marcante da arquitetura local. Além disso, espalhadas por Matera há diversas esculturas de Salvador Dalí — e se você é fã do estilo dele, pode visitar o museu dedicado (entrada 12 €).
Castello Tramontano
No topo da colina acima do centro ergue-se uma fortaleza inacabada do século XVI. Foi mandada construir pelo conde Giovan Carlo, que cobrava impostos pesados dos moradores para financiar a obra. O resultado? Em 1514, os cidadãos revoltados o assassinaram — e o castelo ficou para sempre inacabado. 😅

La Fontana Dell’amore
A Fontana Dell’amore é composta por várias esculturas lindas e tem uma história encantadora — os rapazes esperavam junto à fonte, e quando uma moça vinha buscar água, puxavam conversa com ela. Uma versão histórica do Tinder, basicamente. 😁
Onde comer em Matera: 6 restaurantes imperdíveis
A comida em Matera é tipicamente sul-italiana — simples, com ingredientes de qualidade e preços surpreendentemente acessíveis. Aqui vai minha seleção de seis restaurantes onde você vai se deliciar.
Econômico (até 15 € por prato principal)
- Trattoria del Caveoso — orecchiette caseira com cime di rapa bem no coração dos Sassi. Prato principal de 8–12 €. Atmosfera autêntica e porções que vão te deixar de queixo caído.
- Il Terrazzino — terraço com vista para os Sassi, pizza e massa com preços justos. Ideal para almoçar depois de uma manhã inteira subindo escadas.
Categoria intermediária (15–25 €)
- Baccanti — cozinha apuliana moderna, burrata e focaccia excelentes. Se você gosta de uma abordagem mais criativa às receitas tradicionais, vai estar no paraíso.
- Osteria al Casale — fora dos Sassi, atmosfera mais local, ragù de vitela. Menos turistas, mais moradores — e isso sempre é um bom sinal. 😉
Para se mimar (25+ €)
- Vitantonio Lombardo — mencionado no guia Michelin, menu degustação a partir de 60 €. Se você quer uma noite especial em Matera, esse é o endereço certo.
- Oi Mari — restaurante em caverna com cozinha criativa em um ambiente único.
O que experimentar: Pane di Matera (pão com denominação protegida IGP — provavelmente o melhor pão que já comi na vida), peperoni cruschi (pimentões secos e crocantes), orecchiette alle cime di rapa e agnello alla lucana (cordeiro).
Onde se hospedar em Matera: hotéis-caverna e opções econômicas
Dormir em Matera pode ser uma experiência incrível — onde mais você pode dizer que dormiu numa caverna? Você tem duas opções: se hospedar diretamente nos Sassi (experiência única, mais caro) ou na parte moderna da cidade (prático, mais barato). Outra opção é ficar em Bari e fazer um bate-volta.
Hotéis-caverna (cave hotels)
- Sextantio Le Grotte della Civita (a partir de 250 €/noite) — hotel de luxo em cavernas autênticas do século XVIII. Design minimalista, sem TV. O hotel mais fotogênico de Matera.
- Corte San Pietro (a partir de 120 €/noite) — ótimo custo-benefício, quartos em caverna com conforto moderno.
- L’Hotel In Pietra (a partir de 90 €/noite) — cave hotel mais acessível, bem no Sasso Barisano.
Alternativas econômicas
- B&Bs e apartamentos nos Sassi (a partir de 50–70 €/noite) — no Booking.com e Airbnb, muitos com elementos de caverna por uma fração do preço dos hotéis.
- Hotel San Biagio (a partir de 60 €/noite) — fora dos Sassi, mas a 5 min a pé. Quartos modernos e estacionamento.

Matera e arredores: passeios que valem a pena
A partir de Matera dá para fazer vários passeios incríveis. Aqui estão os que mais recomendamos:
Parque Murgia Materana e ponte tibetana
Parque nacional em frente aos Sassi, do outro lado do cânion Gravina. Aqui você encontra igrejas rupestres com afrescos dos séculos VIII a XIII, trilhas com vistas para Matera e uma ponte suspensa tibetana de nove metros (Ponte Tibetano della Gravina) que liga as duas margens do cânion. A entrada no parque é gratuita, e recomendamos uma trilha de 2–3 horas partindo do Belvedere di Murgia Timone.


Craco — cidade fantasma
A cerca de 30 minutos de carro de Matera, você encontra uma cidade medieval abandonada no topo de uma colina, evacuada nos anos 1960 por causa de deslizamentos de terra. Hoje é acessível apenas com guia (8 €, reserva obrigatória). Cenas de James Bond e do filme Cristo Parou em Eboli foram filmadas aqui — e a atmosfera é realmente de outro mundo.
Altamura — cidade do pão
A apenas 20 minutos de Matera. Altamura é famosa pelo seu pão (Pane di Altamura DOP), assado tradicionalmente em fornos a lenha. Além disso, você encontra uma bela catedral românica e o Museu do Homem. Parada ideal no caminho de/para Bari.
Outros passeios pela Puglia
Inspire-se com a rica oferta de passeios no portal GetYourGuide. Recomendo visitar estes lugares:
- Bari — capital da Puglia, na costa do Mar Adriático. Combinação de metrópole vibrante e centro histórico encantador. Ótimo ponto de partida graças ao aeroporto.
- Alberobello — as famosas casinhas trulli construídas sem argamassa, com reboco branco de cal. Uma cidadezinha de conto de fadas que você precisa ver.
- Polignano a Mare — casas brancas sobre falésias com mar turquesa. Uma das praias mais bonitas da Itália.
- Pompeia — passeio mais longo (cerca de 3 horas de carro), mas se tiver tempo, a cidade antiga soterrada pelas cinzas vulcânicas vale muito a pena. Perto de Nápoles.

Quanto custa Matera: orçamento para 2026
Matera é surpreendentemente mais acessível que as grandes cidades italianas como Roma ou Florença. Aqui vai um orçamento estimado para duas pessoas em 2 dias / 1 noite:
- Hospedagem: 60–250 € por noite (B&B vs. cave hotel)
- Alimentação: 30–60 € por dia para dois (almoço + jantar)
- Ingressos: 15–25 € pelo ingresso combinado (museus, casas-caverna, igrejas)
- Transporte de Bari: 10–18 € passagem de ida e volta de ônibus
- Total versão econômica: cerca de 150–200 € para dois no fim de semana
- Total versão conforto: cerca de 400–600 € para dois no fim de semana
Dicas práticas para visitar Matera
- Sapatos confortáveis são essenciais — Matera é só escadaria e calçamento irregular. Deixe os saltos em casa.
- Leve água — especialmente no verão. Nos Sassi não há muitas fontes de água e subir escadas no calor é puxado.
- Cartão é aceito quase em todo lugar, mas em cafezinhos menores e barracas tenha dinheiro em espécie por garantia.
- Matera é segura — mesmo à noite dá para passear tranquilamente. Só cuidado com o terreno irregular no escuro.
- Acessibilidade: Os Sassi infelizmente não são acessíveis para cadeirantes. As partes mais altas da cidade (Piazza Vittorio Veneto, Via Ridola) são mais planas.
Para a viagem a Matera, recomendamos contratar um seguro viagem. Nós usamos o SafetyWing — cobre inclusive estadias mais longas e é fácil de contratar online. Para brasileiros, o seguro viagem é obrigatório para entrar na Europa com o Espaço Schengen.
DICA: Ainda não se cansou da Itália? Visite o parque nacional Cinque Terre ou confira as Dolomitas.
Curiosidades sobre Matera
- Em 2019, Matera se tornou Capital Europeia da Cultura.
- Foi inscrita na lista da UNESCO em 1993.
- Matera é apelidada de “Jerusalém do sul da Itália” — pela semelhança da paisagem e das construções históricas em rocha.
- O símbolo da cidade é uma galinha. 🐔
- Além do filme de James Bond, foram rodados aqui A Paixão de Cristo com Mel Gibson e Mulher-Maravilha de 2017.
- O turismo cinematográfico provocou um crescimento meteórico de visitantes — de 10.000 turistas em 2004 para 620.000 em 2019.
Perguntas frequentes sobre Matera
Como chegar em Matera saindo de Bari?
O jeito mais fácil é de ônibus (Marozzi ou FlixBus) saindo de Bari Centrale — a viagem dura 60–70 minutos e custa 6–9 €. Alternativamente, você pode ir de trem FAL (90 min, cerca de 5 €) ou de carro pela SS96 (65 km, 1 hora). O estacionamento em Matera fica na Via Aldo Moro ou Piazza Matteotti.
Precisa pagar entrada para visitar Matera?
Passear pela cidade e pelos bairros Sassi é gratuito. Para entrar nas igrejas rupestres, museus e na Casa Grotta você paga 3–8 € por cada. O ingresso combinado (15–20 €) vale a pena se quiser visitar mais de 2 lugares.
Quantos dias preciso para conhecer Matera?
O mínimo é um dia inteiro — dá para conhecer os Sassi, os principais pontos turísticos e almoçar. O ideal é planejar 2 noites para curtir a cidade ao anoitecer e ainda fazer um passeio nos arredores (Craco, Altamura, Murgia Materana).
Matera é segura?
Sim, Matera é uma cidade muito segura. Mesmo à noite você pode passear sem preocupação. O único perigo é o terreno irregular nos Sassi após o anoitecer — leve calçados bons e, se possível, uma lanterna.
Dá para pagar com cartão em Matera?
A maioria dos restaurantes, hotéis e museus aceita cartão. Em cafezinhos menores, barracas e vendedores ambulantes, tenha dinheiro em espécie por garantia (pelo menos 20–30 €).
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