O sol aqui queima com tanta intensidade que ao meio-dia as cores perdem o contorno e desbotam até o branco. O ar cheira a resina de pinheiro, água salgada e tomilho, enquanto a trilha sonora fica por conta do barulho ininterrupto das cigarras. O Parque Nacional de Calanques e a vizinha cidadezinha de Cassis, na França, não são apenas mais uma parada comum na Riviera Francesa. É uma experiência física, um canto bruto de penhascos calcários e enseadas turquesa que você precisa viver na própria pele.
Imagine os fiordes noruegueses, mas banhados pelo sol mediterrâneo escaldante e cercados de vinhedos. Cassis é um porto elegante, que brinca com cores pastel, formando um contraste absoluto com a vizinha Marselha, selvagem e crua. Neste artigo, trago um guia completo de como aproveitar essa pérola do sul da França sem estresse desnecessário. Vou te indicar para onde ir em busca das vistas mais bonitas, onde se banhar e como escapar com elegância das maiores multidões do verão.

Resumo
- Calçado firme é fundamental: não dá para chegar às enseadas (calanques) de chinelo, o terreno é cheio de pedras afiadas e raízes escorregadias.
- A água é gelada: mesmo em agosto, a água em enseadas como En-Vau costuma ter apenas cerca de 18 graus, porque o sol só bate ali por poucas horas por dia.
- Novas regras para 2026: a enseada de Sugiton só pode ser acessada no verão com reserva online gratuita, que você precisa fazer com antecedência.
- Passeios de barco como alternativa: se você não quiser caminhar no calor, ou se as trilhas estiverem fechadas por causa de incêndios, compre um bilhete para um barco de passeio que sai do porto.
- O vinho que você tem que provar: Cassis tem sua própria denominação AOC e o vinho branco seco daqui é conhecido no mundo todo.
- Marselha e o carro: a partir de 2026 vale em Marselha uma rígida zona de baixas emissões; sem o adesivo Crit’Air você arrisca uma multa salgada.

Quando ir para Cassis e Calanques
Os meses ideais para visitar esse canto da França são definitivamente maio, junho e setembro. O clima nessa época é muito agradável, os dias são longos e as multidões de turistas nas ruelas estreitas de Cassis são totalmente suportáveis. A água do mar já costuma estar quente o suficiente para o banho, embora nas próprias enseadas do parque nacional você deva sempre contar com um refresco bem mais gelado. O mar de setembro fica delicioso depois de aquecer o verão inteiro, e as névoas matinais dão ao litoral uma atmosfera incrível.
Julho e agosto, por outro lado, são um extremo total, que recomendo evitar. As temperaturas no sul chegam normalmente a 35 a 43 °C, o que transforma qualquer caminhada pelas rochas brancas escaldantes em um pequeno purgatório 😅. Além disso, as férias de verão na França duram cerca de oito semanas a partir do início de julho, e o país inteiro se desloca para o sul nessa época. As rodovias formam engarrafamentos gigantescos, que os locais chamam de “dias negros”. As principais vias A6 e A7 ficam especialmente entupidas na virada de julho para agosto.
Um fator absolutamente essencial para a visita de verão é também o risco de incêndios florestais e o forte vento mistral. As autoridades muitas vezes fecham de um dia para o outro toda a área do Parque Nacional de Calanques para os caminhantes, sem dó. Por isso, acompanhe sempre as informações atualizadas no aplicativo oficial do parque. Se você for até a Provence também atrás da lavanda florida, precisa cronometrar bem a viagem. Os campos infinitos do platô de Valensole ficam com o roxo mais intenso na virada de junho para julho, enquanto em agosto você já verá apenas arbustos marrons cortados. Uma floração mais tardia só acontece na região mais alta de Sault, onde a lavanda aguenta até meados de agosto.
Como você provavelmente chega do Brasil de avião, a opção mais cômoda é voar até o sul da França e alugar um carro no aeroporto. Há boas conexões a partir das principais cidades, geralmente com escala em Paris, Lisboa ou em outro hub europeu, com destino a Marselha ou à vizinha Nice. Vale a pena reservar o carro com antecedência. Atenção: as rodovias francesas são excelentes, mas cobram pedágio em praças de pedágio, e não no formato de vinheta. Conte com um gasto de cerca de 9,50 euros a cada cem quilômetros.

Onde se hospedar em Cassis
💡 Dica de hospedagem e experiências: gostamos de procurar acomodação no Booking.com, onde costumam ter as melhores condições de cancelamento. Já os ingressos, passeios e atividades vale comparar e comprar pelo GetYourGuide.
Cassis é um destino pequeno, exclusivo e, para ser sincero, bastante caro. Se você quiser ficar direto na cidade, para poder ir a pé tomar um vinho perto do porto à noite, prepare um orçamento generoso. Recomendo resolver a reserva da hospedagem com enorme antecedência, tranquilamente uns seis meses antes, porque as vagas nessa cidadezinha somem num piscar de olhos e os preços disparam à medida que o verão se aproxima. Além disso, há um problema enorme de estacionamento na cidade, então confirme sempre antes se o seu hotel oferece vaga reservada.
Se você procura o luxo absoluto com uma vista de tirar o fôlego, dê uma olhada no histórico Hôtel Les Roches Blanches. Esse hotel cinco estrelas dos anos 1920 fica pertinho do centro, na direção das enseadas, e oferece elegância perfeita e acesso privativo ao mar. No preço é um verdadeiro exagero, mas para uma ocasião especial ou um fim de semana romântico é um sonho absoluto, que você não vai esquecer.
Bem no coração do agito, junto ao porto, você encontra o mais acessível Hôtel Le Cassitel. Daqui você tem todos os restaurantes e mercados ao alcance da mão, os quartos são limpos e modernos, só precisa contar que o barulho noturno das ruas às vezes chega até você. Uma ótima alternativa para um orçamento menor é se hospedar na própria Marselha e ir até Cassis de trem regional TER. A viagem leva apenas vinte minutos e o dinheiro economizado pode ser melhor investido em ótima comida provençal e vinho local. Mas, se você optar por ficar em Marselha e tiver carro próprio ou alugado, tome muito cuidado com a nova zona de baixas emissões ZFE-m. Ela proíbe a entrada de veículos sem o adesivo ecológico Crit’Air, que você precisa providenciar online com antecedência, caso contrário arrisca uma multa de até 375 euros.

11 dicas do que ver e fazer em Cassis e Calanques
Vamos dar uma olhada no melhor que essa região banhada de sol tem a oferecer. Esperam por você caminhadas puxadas, vistas perfeitas dos penhascos íngremes e passeios por ruelas pitorescas. O parque nacional e seus arredores escondem tanta beleza bruta que dá para passar aqui, sem problema, um fim de semana prolongado ou uma semana inteira.

1. O porto e a cidade de Cassis
O coração de tudo é o porto pitoresco. Você encontra ali dezenas de barcos de pesca tradicionais chamados pointus, que balançam suavemente nas ondas bem ao lado de iates de luxo. Ao redor da água se estende uma orla ladeada por casas pastel, que escondem cafés, butiques e restaurantes com excelentes especialidades provençais. A atmosfera aqui é descontraída, elegante e incrivelmente fotogênica.
Perca-se nas ruelas estreitas da cidade velha, que sobem suavemente do mar morro acima. De manhã, você vai dar de cara com mercados tradicionais cheios de azeitonas, queijos, frutas frescas e sabonetes de lavanda. Se quiser comer por aqui, lembre-se das regras rígidas da França. O almoço é servido exatamente entre meio-dia e duas da tarde. Se você chegar às três, a cozinha já estará fechada e, no máximo, você tomará um café com castanhas. Um clássico menu de almoço de três pratos sai por cerca de 15 a 25 euros, já o jantar fica entre 20 e 35 euros. Na França, a gorjeta de quinze por cento já está automaticamente incluída no preço, mas, por um bom serviço, é costume deixar um ou dois euros em dinheiro na mesa.
💡 Dica: vá de manhã comprar uma baguete fresquinha, sente num banco bem à beira da água e observe a cidade despertando. E não esqueça a etiqueta local. Sempre comece a conversa com um sorriso e um claro “Bonjour”, só depois pergunte sobre o inglês. Esse pequeno gesto de respeito ao idioma transforma garçons emburrados em anfitriões prestativos.

2. O Parque Nacional de Calanques de barco
Se você não tem preparo físico para caminhadas puxadas pelas rochas, não vai perder de jeito nenhum o melhor. Direto do porto de Cassis saem todos os dias dezenas de barcos de passeio que te levam a conhecer as enseadas mais famosas a partir da água. É a solução ideal para famílias com crianças pequenas ou para os dias em que o parque está fechado aos caminhantes por causa do risco de incêndios florestais. Recomendo acompanhar as informações sobre fechamentos toda manhã no aplicativo oficial do parque nacional.
Você pode escolher entre alguns roteiros predefinidos; normalmente os trajetos incluem três, cinco ou oito enseadas. Do convés, você verá paredões enormes de calcário caindo a pique no mar a partir de uma perspectiva totalmente única, impossível de viver em terra firme. A maioria desses passeios coletivos infelizmente não permite o banho — é puramente um passeio panorâmico —, mas mesmo assim o espetáculo visual vale cada euro gasto.
💡 Dica: garanta os bilhetes com bastante antecedência na alta temporada de verão. Funciona muito bem comprar por plataformas como o GetYourGuide, onde você muitas vezes encontra também catamarãs menores para uma experiência mais intimista. Assim você evita a aglomeração nos grandes conveses com dezenas de outros turistas e aproveita o passeio com muito mais calma e privacidade.

3. Trilha a pé de Port-Miou a Port-Pin
A trilha a pé mais famosa começa logo depois da cidade, na calanque de Port-Miou. Essa enseada é bem comprida, estreita e funciona como um porto natural gigante para centenas de veleiros e iates branquíssimos. Dali você segue por um caminho sinalizado pelo maciço calcário que, depois de uns quarenta minutos de caminhada num ritmo bom, leva você até a primeira enseada realmente selvagem. O caminho passa por pedras afiadas e raízes escorregadias, então pode esquecer chinelo ou sandália.
A primeira parada é Port-Pin, uma enseada linda ladeada por pinheiros perfumados, que acabaram dando o nome a ela. O caminho até aqui é pedregoso e por trechos íngreme, mas, com bons calçados, até um caminhante mediano dá conta. Você encontra ali uma pequena praia de seixos e a água tem uma cor turquesa absolutamente inacreditável, que no calor do verão literalmente convida a um mergulho imediato.
💡 Dica: saia para a trilha bem cedo, idealmente já por volta das oito da manhã. Além de fugir do calor escaldante do meio-dia, você terá a chance de achar um lugar confortável para a toalha na pracinha de Port-Pin, que é bem pequena. Por volta das dez da manhã já costuma estar uma cabeça encostada na outra. Se for de carro, estacione no estacionamento gratuito Les Gorguettes, acima da cidade, e desça de ônibus lançadeira (shuttle).

4. A deslumbrante Calanque d’En-Vau
Esta é a joia absoluta de todo o parque nacional e provavelmente a enseada mais fotografada de toda a França. De Port-Pin, você precisa seguir mais para o interior e depois descer abruptamente. O caminho a partir de Port-Pin leva mais ou menos uma hora e quinze e já é fisicamente bem puxado. Em alguns trechos você vai precisar usar até as mãos, e a descida até a própria enseada vai dar trabalho de verdade aos seus joelhos sobre as pedras escorregadias.
Mas a recompensa pela camiseta encharcada de suor é grandiosa. En-Vau é uma fenda profunda nas rochas, onde, acima da praia de seixos, erguem-se penhascos verticais enormes, queridinhos dos alpinistas. A água aqui é tão incrível que, mesmo de uma altura de vinte metros, você enxerga cada pedrinha no fundo. Mas prepare-se para um baita choque, porque a água aqui é realmente gelada. A enseada é tão estreita e profunda que o sol só penetra por poucas horas no dia.
💡 Dica: em todo o parque nacional não há absolutamente nenhuma possibilidade de reabastecer água potável nem comprar qualquer lanche. Também não há banheiros nem lixeiras. Você precisa trazer uma enorme reserva de líquidos e levar todo o lixo nas costas de volta para a civilização.

5. Mirante do Cap Canaille
Quando você olha do porto de Cassis em direção ao leste, vê um enorme penhasco avermelhado que se ergue majestosamente sobre o mar. É o Cap Canaille, um dos mais altos penhascos marítimos da Europa, que atinge uma altura respeitável de 394 metros. A cor da rocha bruta muda conforme o sol, do dourado ao ocre intenso, e forma um lindo contraste visual com o azul profundo do mar.
Você não precisa subir a pé e suar a camisa. Por cima dele passa a estrada panorâmica Route des Crêtes, que liga Cassis à vizinha cidadezinha portuária de La Ciotat. É um road trip curto e incrível, cheio de curvas fechadas e com vários mirantes seguros. Neles você pode parar, sair do carro e contemplar uma vista que literalmente dá vertigem.
💡 Dica: venha aqui idealmente no pôr do sol. As paredes de pedra ganham, na luz do fim de tarde, um tom incrivelmente intenso de laranja e vermelho. A vista do litoral branco e recortado do Parque Nacional de Calanques ao longe é um momento mágico que você vai levar da Provence guardado bem fundo na memória.

6. Banho e snorkel nas enseadas
Se você está ansioso por longos mergulhos em água morna como na Grécia ou na Croácia, preciso te decepcionar um pouco. O mar nas enseadas profundas de Calanques é muito frio mesmo no meio de agosto, o que faz dele mais um lugar para um refresco rápido e de choque depois de uma trilha puxada do que para horas boiando em colchão inflável. A temperatura da água aqui costuma ficar só em torno de dezoito graus.
Mas, para os amantes da vida subaquática, é um verdadeiro paraíso. Leve com certeza snorkel e óculos, porque, graças ao fundo pedregoso e à ausência de areia revolta, a visibilidade debaixo d’água aqui é absolutamente fenomenal. Você verá cardumes de peixinhos coloridos, ouriços-do-mar e, com um pouco de sorte, até polvos escondidos nas fendas das rochas logo abaixo da superfície.
💡 Dica: nenhuma dessas enseadas selvagens do parque nacional dispõe da menor estrutura para turistas. Não há banheiros, chuveiros, vestiários, barracas de café nem aluguel de espreguiçadeiras. Aqui você só pode contar consigo mesmo e com o que conseguir carregar na mochila nas costas.

7. Degustação de vinho Cassis AOC
Cassis não é nem de longe só sobre rochas brancas e mar; é também uma região vinícola muito específica. A pequena denominação local Cassis AOC foi criada já em 1936 e, dentro da França, é uma raridade absoluta. Os vinhedos aqui se estendem por encostas íngremes bem acima dos penhascos, o que dá às uvas uma salinidade única e uma mineralidade sutil que você não encontra em mais nenhum lugar da França.
Os viticultores locais se especializam, na esmagadora maioria, em vinhos brancos secos de altíssima qualidade, que combinam perfeitamente com noites quentes de verão, queijos provençais e saladas leves de vegetais. Ao redor da cidadezinha você encontra doze vinícolas tradicionais, os chamados domaines. Muitos deles oferecem visitas e degustações guiadas, onde você fica sabendo tudo sobre o terroir único da região e a história do cultivo da videira.
💡 Dica: faça uma reserva para uma degustação na prestigiada vinícola Clos Sainte Magdeleine. Os vinhedos verdes deles terminam literalmente na beira do penhasco sobre o mar, e a degustação com vista para o majestoso Cap Canaille é uma das experiências mais bonitas e melhores que você pode se permitir aqui depois de um dia puxado.

8. Relaxar nas praias urbanas de Cassis
Quando você não estiver no clima para trilhas e mochilas lotadas, pode simplesmente ficar na cidade. Cassis tem logo duas praias urbanas principais, que no verão ficam bem cheias de turistas e moradores locais, mas que, ao contrário da natureza selvagem, oferecem todo o conforto imaginável que vai te faltar nas enseadas do parque nacional.
A praia principal, Plage de la Grande Mer, fica bem no centro, junto ao porto pulsante. É de areia com pequenos seixos, e ali você encontra chuveiros práticos, cafés à beira da água e aluguel de barquinhos ou dos famosos pedalinhos. Um pouco mais adiante, na direção do parque nacional, fica a menor e mais tranquila Plage du Bestouan, que é de seixos, mas que, da toalha, oferece uma vista absolutamente icônica e sem interferências do maciço vermelho do Cap Canaille.
💡 Dica: se estiver soprando o forte e imprevisível vento mistral, as praias urbanas costumam ser o único lugar seguro para o banho. Isso porque elas são protegidas por quebra-mares artificiais e não há aqui o perigo das correntes fortes que existe em mar aberto, junto aos penhascos selvagens.

9. Como evitar as multidões e a reserva para Sugiton 2026
O overtourism atingiu toda essa região de cheio e a administração do parque teve de tomar uma medida drástica. Uma das enseadas mais bonitas, a Calanque de Sugiton, mais acessível a partir da periferia de Marselha, instituiu um rígido sistema de reservas para os meses de verão. Em 2026 vale a obrigatoriedade de reserva online gratuita, mais ou menos de meados de junho a meados de setembro.
O sistema abre exatamente em 11 de junho de 2026 às 9h da manhã, e as vagas somem num ritmo inacreditável. Após a reserva bem-sucedida, você recebe um QR code especial, com o qual os guardas do parque te deixam passar. A reserva é limitada a no máximo cinco pessoas por código, e sem ele você simplesmente não chega a Sugiton — as fiscalizações nas vias de acesso são absolutamente implacáveis e não deixam ninguém passar sem o código.
💡 Dica: também para as demais enseadas de acesso livre, como En-Vau ou Port-Pin, vale uma regra simples: quem chega primeiro se banha. Se você chegar ao estacionamento depois das nove da manhã em julho, provavelmente não vai conseguir vaga e vai passar uma hora só andando a passo de tartaruga no engarrafamento.

10. Passeio pelas ruelas de Le Panier em Marselha
Como Marselha é a porta de entrada lógica de toda a região, seria um erro enorme passar por ela só de raspão pela rodovia. Esqueça os preconceitos desnecessários sobre uma cidade perigosa. Vá logo de manhã ao porto Vieux-Port, onde os pescadores vendem a pesca da noite direto dos barcos, e conheça o supermoderno museu MuCEM, com sua incrível renda de concreto. Dali passe naturalmente para Le Panier, o bairro histórico mais antigo, de atmosfera absolutamente incrível.
Antigamente, era um temido covil de marinheiros; hoje é o pulsante coração artístico da cidade e uma zona muito segura para os turistas. É um labirinto de ruelas estreitas e íngremes cheias de street art colorida, pequenas galerias independentes e bistrôs aconchegantes, onde você pode comer um ótimo almoço vegetariano. Pare num café local, tome um espresso e simplesmente absorva aquele charme do sul, levemente descascado, mas exatamente por isso mais autêntico. À tarde, então, caminhe pela orla de cinco quilômetros La Corniche, bem à beira-mar.
💡 Dica: no centro de Marselha, cuidado com batedores de carteira, exatamente como em Roma ou em Barcelona. Evite os subúrbios do norte, para onde você, como turista, não tem motivo para ir, e, depois de anoitecer, fique mais atento nos bairros de Noailles, Belsunce e ao redor da estação principal Saint-Charles.

11. Pôr do sol na basílica Notre-Dame de la Garde
A melhor forma de entender a imensa extensão e a energia de Marselha é olhá-la de cima. A imponente basílica Notre-Dame de la Garde reina num íngreme morro calcário, cento e cinquenta metros acima do mar, e sua icônica estátua dourada da Virgem Maria no campanário funciona como um farol simbólico para toda a cidade e para os barcos que chegam.
A subida até lá, a partir do porto, vai dar um pouco de trabalho no calor do verão, mas você também pode usar o trenzinho turístico ou um cômodo ônibus urbano. Aquela vista panorâmica de 360 graus para o mar, as ilhas ao redor e a cidade infinita lá embaixo é simplesmente de tirar o fôlego, especialmente quando o sol começa a se inclinar para o horizonte e a tingir a cidade inteira de dourado intenso.
💡 Dica: se você for a Marselha de carro, lembre-se das regras rígidas. A cidade tem uma zona de baixas emissões ZFE-m instituída, que ficou bem mais rígida em 2026. Carros com adesivo Crit’Air 4 e 5 têm proibição de entrada vinte e quatro horas por dia, inclusive veículos estrangeiros. Você precisa comprar o adesivo online com antecedência por cerca de cinco euros, caso contrário arrisca uma multa de 68 a 375 euros.
Para onde ir a partir de Cassis
Depois de explorar todas as enseadas e provar todos os vinhos, a região oferece uma infinidade de outros destinos. Recomendo que você mergulhe mais fundo no interior e descubra o encanto de toda a região da Provence. Você vai encontrar lindas vilas de pedra no alto das colinas, como Gordes ou Roussillon, e, nos meses de verão, claro, os icônicos campos roxos cheios de lavanda florida, atrás dos quais as pessoas viajam até o platô de Valensole.
Se você anseia por mais agito urbano, história e cultura, reserve pelo menos um ou dois dias para uma boa exploração de Marselha. Do moderno museu MuCEM ao impressionante porto antigo Vieux-Port, essa cidade vai te conquistar com sua energia bruta. Uma parada bonita também é a elegante Aix-en-Provence, cheia de alamedas arborizadas e fachadas ocre.
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Como chegar de Marseille a Cassis?
A maneira mais simples e rápida é de trem (TER). A viagem da estação central Saint-Charles, em Marselha, até a estação de Cassis dura apenas cerca de 20 minutos, e os trens circulam com muita frequência e confiabilidade. No entanto, a estação de Cassis fica a aproximadamente 3 quilômetros do centro e do porto, então você precisa ir a pé ou usar a linha de ônibus local (a navete). Se for de carro, utilize o estacionamento de apoio Les Gorguettes.
Preciso de carro para ir a Cassis?
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Bem no centro de Cassis, o carro acaba mais atrapalhando do que ajudando – a cidade é pequenininha e dá pra conhecer tudo tranquilamente a pé. Agora, se você estiver planejando fazer uns bate-voltas pelo interior, aí sim o carro vai fazer diferença. Mas fica ligado: se vier de carro da República Tcheca, vai desembolsar uns 9,50 euros a cada 100 quilômetros de pedágio. Uma alternativa mais em conta pode ser pegar um voo da Ryanair até Marselha e alugar um carro por lá mesmo.
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O que é a zona ZFE-m em Marseille?
É uma zona de baixas emissões que foi significativamente enrijecida em 2026. Vale para todo o centro expandido de Marselha e proíbe a entrada de todos os veículos com selo ecológico Crit’Air 4 e 5. A proibição vale 24 horas por dia, inclusive para carros estrangeiros. Você precisa solicitar o selo com antecedência online, custa cerca de 5 euros. Sem ele, você corre o risco de levar uma multa bem salgada de 68 a 375 euros.
Consigo fazer a trilha em Calanques com crianças?
A trilha até a primeira enseada de Port-Pin é relativamente tranquila e crianças maiores acostumadas conseguem fazer com bons calçados sem problemas. Já o trajeto até En-Vau é uma trilha exigente com grande desnível e pedras escorregadias, que eu definitivamente não recomendaria para crianças pequenas. Como alternativa para famílias, considere sempre um passeio organizado de barco saindo do porto, que é totalmente sem esforço e você verá o melhor de tudo.
Posso levar meu cachorro para o parque nacional?
Sim, cães são permitidos no parque nacional de Calanques, mas devem estar estritamente na coleira o tempo todo. Mas tenha em mente que para os animais é extremamente exaustivo e perigoso caminhar sobre as rochas calcárias quentes e afiadas sem nenhuma sombra durante os meses de verão. Não esqueça de levar bastante água potável para eles também, pois você não encontrará nenhuma fonte pelo caminho.
Onde estacionar durante o passeio às enseadas?
O estacionamento mais próximo para o passeio a Port-Pin e En-Vau fica na península Presqu’île, logo acima da enseada Port-Miou. É pago e na alta temporada de verão costuma estar lotado antes das nove da manhã. Uma alternativa excelente e muito mais tranquila é deixar o carro no estacionamento gratuito Les Gorguettes acima da cidade e ir até o porto ou até o início da trilha em um ônibus especial que faz o trajeto.
Quando exatamente a lavanda floresce na Provença?
Lavanda não espera pelas férias de agosto. A alta temporada no planalto de Valensole dura aproximadamente de meados de junho a meados de julho. Fique atento aos festivais de lavanda, que muitas vezes já celebram a própria colheita. Se você for à Provença só em agosto, sua única chance de ver os campos roxos é o planalto mais elevado nos arredores da vilazinha de Sault, onde a lavanda floresce por um pouco mais de tempo.
