Se você procura um destino onde dá para explorar fortalezas antigas de manhã e mergulhar em enseadas pitorescas à tarde, a região de Bastia, na Córsega, vai te conquistar completamente. Quando você desembarca do ferry e respira fundo pela primeira vez, sente na hora o aroma inconfundível do tomilho selvagem, do alecrim e da terra ressecada pelo sol. Os locais chamam essa vegetação de maquis, e conta-se que Napoleão Bonaparte reconheceria sua ilha natal de olhos vendados só por esse perfume único.
Mas não espere encontrar aqui uma Riviera francesa polida com calçadões impecáveis. A Córsega é mais selvagem, áspera e orgulhosa. As estradas serpenteiam bem acima de precipícios e o mar costuma ter aquela cor que você normalmente só vê em catálogos do Caribe distante. Neste artigo vamos conhecer juntos a cidade portuária de Bastia e a rústica península de Cap Corse, que no mapa parece um dedo levantado apontando para Gênova, na Itália. Vou te contar quais lugares não pode perder, onde se hospedar de forma estratégica e o que ficar de olho ao planejar a viagem.
Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Sem carro não rola: O transporte público na ilha é muito pouco confiável, então o carro é absolutamente essencial para explorar o norte.
- Evite agosto: Em agosto a ilha lota completamente, os preços disparam e as estradas viram estacionamento.
- Porto Velho de Bastia: A parte mais charmosa da cidade, com casas altas e coloridas e um monte de restaurantes ótimos.
- Circuito de Cap Corse: Um roadtrip deslumbrante por estradinhas estreitas à beira das falésias; recomendo fazer no sentido anti-horário.
- Vila de Nonza: Vilarejo dramático sobre uma falésia, com uma icônica praia de areia preta originada de uma pedreira próxima.
- Região vinícola de Patrimonio: Um paraíso para os amantes de vinho, com as melhores castas corsas.
Quando ir a Bastia e Cap Corse
A regra básica para planejar a viagem é bem clara: é melhor pular agosto por completo. É o mês em que franceses e italianos literalmente tomam a ilha de assalto, e em comparação com julho há de duas a três vezes mais gente. Nessa época, as estradas de Cap Corse viram congestionamentos intransitáveis, os preços de hospedagem chegam a alturas absurdas e as melhores enseadinhas ficam lotadas até não caber mais ninguém. Para umas férias tranquilas cheias de descobertas, definitivamente não é a melhor época.
Os meses ideais para visitar são, sem dúvida, maio, junho e setembro. No início do outono o mar ainda está delicioso, aquecido pelo verão, e nas estradinhas estreitas de montanha dá para respirar e manobrar com muito mais segurança. Já a primavera traz uma natureza lindamente florida, e a ilha exala nessa época um perfume inebriante das ervas selvagens do maquis. As temperaturas na primavera giram em torno de agradáveis 20 a 25 graus, perfeitas para trilhas e caminhadas pelas cidades, embora a água do mar ainda possa estar um pouco fresca.
Quanto ao transporte, sem carro você está totalmente perdido na Córsega, porque o transporte público por aqui é muito pouco confiável e muitas vezes simplesmente não existe. Por isso, a maioria dos viajantes opta por levar o próprio carro no grande ferry de companhias como a Corsica Ferries. Os preços das passagens oscilam bastante de acordo com a temporada e a antecedência da compra. Conte com algo entre 250 e 1000 euros para a ida e volta de duas pessoas com carro. A rota mais rápida sai de Nice, na França, direto para Bastia, e leva cerca de 6 a 7 horas de travessia. Saindo de Toulon, são de 8 a 10 horas, e de Marselha a viagem se estende para longas 11 a 14 horas. Para quem vem do Brasil, o caminho mais prático é voar até Nice (geralmente com conexão em cidades como Paris, Lisboa ou Madri) e de lá pegar o ferry ou um voo curto até Bastia.

Onde se hospedar em Bastia e arredores
💡 Dica de hospedagem e experiências: a gente gosta de procurar hospedagem no Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Já ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.
Bastia é o ponto de partida perfeito para explorar o norte, e recomendo passar aqui pelo menos duas ou três noites. A cidade não é enorme, mas tem uma atmosfera incrível e levemente desgastada, que você capta melhor de manhã cedo ou no fim da noite, quando as multidões dos cruzeiros já foram embora. A melhor região para se hospedar é, com certeza, os arredores do Porto Velho ou perto da ampla Place Saint-Nicolas, de onde você chega a todos os pontos turísticos a poucos passos. Estacionar no centro histórico é um osso duro de roer, então vale usar o enorme estacionamento subterrâneo bem embaixo da praça, onde você paga cerca de 20 euros por dia.
Para uma experiência absolutamente inesquecível, dá uma olhada no Hôtel Des Gouverneurs, que fica dentro da histórica cidadela de Terra Nova. Ele oferece vistas deslumbrantes para o mar, piscina coberta e quartos elegantes que fazem você se sentir num conto de fadas de verdade. Os preços na temporada começam em torno de 180 euros por noite. Se você busca algo mais em conta no próprio centro, muito popular é o Hôtel Port Toga. Ele tem uma ótima localização pertinho do terminal de ferries, instalações modernas e um terraço com vista muito agradável, onde dá para curtir um drinque à noite por cerca de 110 euros a diária.
Se você prefere fugir da cidade agitada para o sossego total, a península de Cap Corse oferece hospedagens encantadoras em pequenos vilarejos de pescadores. Uma escolha maravilhosa é o Hôtel Castel Brando, no vilarejo de Erbalunga, que ocupa uma residência aristocrática histórica do século 19 e tem um lindo jardim sombreado com piscina. Recomendo resolver a reserva de hospedagem em toda a Córsega com bastante antecedência pelo Booking, porque os melhores hoteizinhos e pousadas costumam esgotar para a alta temporada de verão já no começo da primavera.

11 dicas do que ver e fazer em Bastia e Cap Corse
Comparada a outras cidades corsas, Bastia é muito mais autêntica, um pouco mais desgastada e mais rústica. As ruelas estreitas exalam cheiro de mar, de pão fresquinho e de queijos locais. Já a península de Cap Corse é como uma Córsega em miniatura, onde você encontra num espaço pequeno montanhas, falésias, torres de vigia e praias escondidas. Vamos conhecer juntos os lugares que definitivamente não podem faltar no seu roteiro. As atividades e os passeios de barco você pode reservar com antecedência, com toda a comodidade, pela plataforma GetYourGuide.

1. Praça Place Saint-Nicolas e o café da manhã
Sua visita à cidade deveria começar na enorme Place Saint-Nicolas, que é o verdadeiro coração de toda Bastia. Com quase 300 metros de comprimento, essa praça é uma das maiores de toda a França e é ladeada em toda a sua extensão por palmeiras altas e plátanos centenários. Nos meses quentes de verão, eles fornecem a sombra tão necessária e criam um calçadão perfeito. É exatamente o lugar onde os moradores vêm ler jornal, bater papo com os vizinhos e observar os enormes ferries amarelos da Corsica Ferries, que a todo momento chegam ao porto ali pertinho.
Sente-se em um dos muitos terraços agradáveis, peça um café da manhã com um espresso forte e um croissant fresquinho e crocante. A atmosfera por aqui é maravilhosamente preguiçosa e ninguém tem pressa de ir a lugar nenhum. Na praça você também encontra a majestosa estátua de Napoleão Bonaparte, retratado numa toga romana. Mas os moradores costumam ter uma relação meio fria com ele, porque sua cidade natal, Ajaccio, fica do outro lado da ilha, e entre as duas existe uma rivalidade histórica de longa data.
💡 Dica: à tarde, recomendo trocar o café pela excelente cerveja local Pietra, fabricada com uma mistura de malte e farinha de castanha. Ela tem um sabor inconfundível, levemente adocicado e encorpado. Todo domingo de manhã, ainda por cima, rola ali um animado mercado de pulgas cheio de antiguidades e quitutes locais.

2. Porto Velho (Vieux Port)
Da grande praça são apenas alguns passos até o Porto Velho, que é, sem dúvida, a parte mais fotogênica de toda a cidade. A enseada em formato de ferradura está cheia de pequenos barquinhos de madeira de pescadores e de iates mais modernos, que balançam suavemente nas ondas e criam um cenário mediterrâneo perfeito. O porto é cercado de perto, por todos os lados, por casas incrivelmente altas e levemente desgastadas, com persianas em tons pastel, das quais emana a verdadeira e genuína atmosfera corsa.
É justamente nesse cais que você encontra os melhores restaurantes e pequenos cafés tradicionais, de onde dá para observar o vaivém à beira d’água. Tente almoçar por aqui e provar as deliciosas especialidades vegetarianas locais. Imperdíveis são as massas recheadas com brocciu, o queijo corso fresquinho, ou a tradicional e nutritiva polenta de farinha de castanha, que com certeza vai te recarregar de energia para continuar a explorar. À noite, todo o porto se ilumina lindamente com a luz amarela das lâmpadas e se torna o principal centro da vida noturna, onde os bares ficam animados até altas horas.
💡 Dica: o cais costuma ficar bem cheio na hora do almoço. Tente se embrenhar pelas ruelas estreitas logo atrás da primeira fileira de casas, onde você encontra bistrôs familiares menores, que cozinham para os locais a preços bem mais amigáveis.
3. Igreja de São João Batista
Quando você estiver no Porto Velho olhando ao redor, seu olhar será certamente atraído pela monumental Igreja de São João Batista (Église Saint-Jean-Baptiste). Suas duas torres sineiras notavelmente altas formam o marco absolutamente icônico de toda a cidade e aparecem em praticamente todo cartão-postal que você pode levar de Bastia. É a maior igreja de toda a Córsega, e sua majestosa fachada neoclássica do fim do século 16 causa, vista do mar, uma impressão realmente grandiosa e imponente.
Recomendo muito espiar também o interior, porque o seu interior é ricamente decorado em ostentoso estilo barroco, e você encontra lá lindos altares de mármore, afrescos raros e um órgão enorme. A própria igreja está encravada num emaranhado de ruelas estreitas do antigo bairro operário de Terra Vecchia. Nessa parte da cidade você pode simplesmente perambular sem mapa, descobrir pequenas pracinhas escondidas e absorver a atmosfera tranquila da cidade velha. Bem acima da sua cabeça, vai pendurar com frequência roupa recém-lavada esticada entre as janelas, o que só reforça a autenticidade do lugar.
💡 Dica: para as melhores fotos da igreja e do Porto Velho, recomendo dar um passeio pouco antes do pôr do sol, quando toda a enseada ganha um tom dourado e acolhedor incrível.

4. Cidadela Terra Nova e vistas da cidade
Bem acima do Porto Velho ergue-se com orgulho a histórica cidadela de Terra Nova, construída pelos governantes de Gênova entre os séculos 14 e 15 como seu centro de poder. A melhor forma de subir é por uma agradável caminhada pelos jardins em socalcos de Romieu, que oferecem muito verde, arbustos floridos e a tão bem-vinda sombra. A subida ladeira acima até dá um certo trabalho em um dia quente de verão, mas as fantásticas vistas panorâmicas de toda a cidade e da ampla baía valem totalmente o esforço.
Dentro das robustas muralhas de pedra esconde-se uma pequena cidade independente, com ruelas estreitas calçadas e pitorescas casas em tom pastel, onde antigamente vivia exclusivamente a nata genovesa. Você também encontra ali o restaurado Palácio dos Governadores, que hoje abriga um interessante museu que mapeia a rica história de Bastia e de toda a ilha. A atmosfera na cidadela é bem mais tranquila e elegante do que lá embaixo, no porto barulhento, e é o lugar absolutamente ideal para um passeio romântico no fim da tarde, quando as ruas se livram das multidões de turistas de bate e volta.
💡 Dica: nas ruelas sinuosas da cidadela escondem-se vários bistrôs pequenos e excelentes, com aconchegantes mesas ao ar livre, onde assam uma pizza vegetariana absolutamente fantástica e servem junto um ótimo vinho local das vinhas próximas de Cap Corse.

5. Roadtrip pela península de Cap Corse
Assim que você explorar todos os cantinhos de Bastia, é hora de partir direto para o norte e percorrer a lendária península de Cap Corse. Essa língua de terra de cerca de trinta quilômetros de comprimento por quinze de largura oferece alguns dos cenários costeiros mais bonitos de toda a Europa. A estreita estrada D80 serpenteia selvagemente bem acima do mar, corta diretamente as rochas íngremes, e a cada curva, sem exceção, te espera uma nova vista de tirar o fôlego das ondas agitadas e das antigas torres de vigia.
O conselho fundamental para esse roadtrip é claro, e com certeza vale guardar bem: vá sempre no sentido anti-horário. Isso significa que você sai de Bastia pela costa leste rumo ao norte e volta pela costa oeste de volta ao sul. Assim, você dirige o tempo todo na faixa mais próxima do mar, o que te garante as melhores vistas possíveis e paradas muito mais fáceis nos mirantes panorâmicos das falésias. As estradinhas aqui são realmente extremamente estreitas, cruzar com ônibus em sentido contrário exige nervos de aço, e é comum encontrar vacas ou cabras pastando soltas, então não tenha pressa nenhuma.
💡 Dica: reserve pelo menos um dia inteiro para todo o circuito. A direção em si leva cerca de 3 a 4 horas de tempo puro, mas você vai querer parar o tempo todo para fotografar e curtir os vilarejos pitorescos.

6. Vila de pescadores de Erbalunga
A primeira parada maior na costa leste da península deveria ser o encantador vilarejo de pescadores de Erbalunga, que fica a apenas dez quilômetros ao norte de Bastia. Toda a parte histórica da vila é rigorosamente fechada ao tráfego de carros, então você precisa deixar o veículo no estacionamento pago junto à estrada principal e seguir a pé. As ruelas estreitas são pavimentadas com pedras rústicas e ladeadas por antigas casas de pedra com telhados de ardósia, que em muitos pontos parecem literalmente brotar das próprias ondas do mar.
Numa pequena península rochosa, bem na ponta da vila, ergue-se a fotogênica ruína de uma antiga torre de vigia genovesa do século 16, contra a qual as ondas do mar se quebram de forma muito impressionante. Torres parecidas você vai ver às dezenas no litoral recortado da Córsega, pois serviam como um sistema de alerta muito engenhoso contra os devastadores ataques de piratas. Erbalunga tem uma atmosfera incrivelmente tranquila e inspiradora, e não é de admirar que no passado tenha atraído uma série de pintores franceses e corsos em busca de inspiração.
💡 Dica: na pequena pracinha sombreada, bem ao lado do porto, você encontra vários ótimos restaurantes familiares, onde pode saborear uma sobremesa incrível de farinha de castanha com uma vista perfeita para o mar e os barquinhos balançando.

7. Região vinícola de Patrimonio
Quando você sair da península de Cap Corse pelo seu lado oeste íngreme, vai chegar à famosa e ensolarada região vinícola de Patrimonio. As vinhas verdes se estendem por colinas suaves, do interior até o próprio litoral, e criam um contraste de cores absolutamente lindo com o azul profundo da baía de Saint-Florent, ali pertinho. É a primeira região de toda a Córsega que, já em 1968, recebeu a prestigiada denominação de origem AOC, o que comprova de forma clara a qualidade e a tradição excepcionais dos vinhos daqui.
Recomendo muito parar pelo menos um pouco em alguma das dezenas de vinícolas familiares locais para uma degustação guiada. Prove principalmente os vinhos da tradicional casta corsa Nielluccio, que dá origem a tintos muito encorpados e a ótimos rosés refrescantes. Se você prefere as castas brancas, com certeza vai se encantar com o Vermentino, fresco e agradavelmente mineral. A maioria dos viticultores locais é muito simpática, mostra com orgulho suas antigas adegas e conta sobre as particularidades do solo da região.
💡 Dica: comprar vinho direto dos produtores em Patrimonio é muitas vezes bem mais barato do que nos supermercados ou nas vinotecas de Bastia. Além disso, você apoia diretamente os agricultores locais e leva para casa o melhor souvenir possível.

8. A dramática vila de Nonza e a praia de areia preta
Na costa oeste íngreme de Cap Corse você encontra um lugar que vai lembrar para sempre: o vilarejo incrivelmente dramático de Nonza. Ele está literalmente colado a uma falésia íngreme bem acima do mar e, de longe, parece absolutamente inexpugnável. O marco de toda a vila é a bem preservada torre Tour Paoline, do século 18, até a qual leva uma curta subida a partir da igreja, e de onde se abre uma vista absolutamente fantástica e sem nenhuma obstrução de toda a costa oeste.
Bem lá embaixo das falésias da vila estende-se uma praia enorme e larga, de areia cinza-escura quase preta, que cria um contraste visual incrível com o mar turquesa. Surpreendentemente, porém, a cor da areia não é de origem vulcânica. Ela vem de uma antiga pedreira de amianto que um dia funcionou um pouco mais ao norte e foi definitivamente fechada em 1965. Hoje toda a área é cuidadosamente monitorada pelas autoridades e o banho de mar é totalmente seguro. A praia costuma ficar quase sempre vazia, porque o acesso a ela é feito por escadas muito longas e íngremes diretamente da vila.
💡 Dica: a subida de volta da praia até a vila dá um belo trabalho no sol da tarde. Não esqueça de levar calçado firme e bastante água potável, porque na praia você não encontra absolutamente nenhuma sombra nem nada para comprar.

9. Trilha dos Aduaneiros (Sentier des Douaniers)
Bem na ponta norte da península, perto da cidadezinha portuária de Macinaggio, começa a famosa Trilha dos Aduaneiros, em francês Sentier des Douaniers. Esse popular percurso a pé acompanha exatamente o litoral mais ao norte da ilha e te leva a lugares selvagens, aonde você não tem a menor chance de chegar de carro. O caminho é lindamente ladeado pelos arbustos perfumados do maquis e por raras plantas protegidas, e oferece vistas inacreditáveis de enseadas turquesa escondidas e pequenas ilhotas.
Todo o percurso de Macinaggio até a pitoresca vila de pescadores de Centuri leva cerca de 8 horas de caminhada honesta, mas você pode com certeza fazer só um trecho mais curto e menos exigente e voltar pelo mesmo caminho. A trilha não é nada extremamente puxada do ponto de vista físico, mas segue predominantemente por terreno pedregoso e irregular, então bons calçados firmes são absolutamente indispensáveis para um passo seguro. Não esqueça também de levar água potável suficiente e um lanche para o dia inteiro, porque pelo caminho você não vai encontrar absolutamente nenhuma loja.
💡 Dica: se você for fazer a trilha nos meses quentes de verão, saia realmente bem cedo, logo ao nascer do sol. É que na trilha praticamente não há sombra alguma, e o sol do meio-dia neste litoral aberto é absolutamente impiedoso e perigoso.

10. Mirante do moinho de vento Moulin Mattei
Ao atravessar a ponta norte do lado leste para o oeste, você passa pelo desfiladeiro de montanha Col de la Serra, onde, a 365 metros acima do mar, te espera o moinho de vento branco lindamente restaurado, o Moulin Mattei. Do pequeno estacionamento de apoio junto à estrada principal, são cerca de dez minutos de caminhada tranquila numa subida leve até o próprio moinho. Durante o trajeto, é bem provável que você seja acompanhado pelos olhares curiosos das vacas corsas que pastam soltas e costumam circular por ali em busca de comida.
Do topo, junto ao moinho, abre-se uma das melhores vistas panorâmicas de todo o Cap Corse. De lá você vê os dois lados da península ao mesmo tempo, tanto as dramáticas e íngremes falésias oeste despencando no mar quanto a costa leste, um pouco mais suave. Em dias bem claros, dá até para distinguir no horizonte distante os contornos da Itália continental e da ilha vizinha de Capraia. É um lugar absolutamente ideal para uma pausa rápida de descanso.
💡 Dica: no topo, junto ao moinho, quase sempre venta muito forte, não importa o tempo que esteja fazendo lá embaixo, à beira-mar. Leve com certeza uma jaqueta leve ou um casaco, para não sentir frio por lá.

11. A praia escondida de Tamarone
Se, depois de um dia inteiro de viagem, você procura o lugar perfeito para descansar à beira d’água, vá em direção à linda e meio escondida praia de Tamarone. Ela fica um pouco ao norte de Macinaggio, e você chega lá a pé pelo trecho inicial da já citada Trilha dos Aduaneiros, ou de carro por uma estrada de terra bastante empoeirada e esburacada. Justamente por causa dessa acessibilidade um pouco pior, aqui nunca rola aquele aglomerado desagradável de gente como nas famosas praias do sul da ilha, ao redor de Porto-Vecchio.
Ao contrário da maioria das praias de seixos do norte, a praia de Tamarone tem areia clara e fininha, e a água por aqui é lindamente rasa e cristalina. Isso faz dela um lugar absolutamente ideal e seguro até para famílias com crianças pequenas ou para quem só quer relaxar preguiçosamente nas águas rasas. Na alta temporada de verão, funciona ainda por aqui um pequeno bar de praia de madeira, onde você pode comprar bebidas geladas, café e petiscos vegetarianos simples na forma de saladas. A enseada é muito bem protegida do vento forte, então a superfície do mar costuma ficar, na maioria dos dias, maravilhosamente calma e própria para nadar.
Para onde ir depois de Bastia
Depois de explorar o norte, a Córsega ainda oferece inúmeras outras possibilidades de para onde seguir. Se você está com saudade de montanhas e de uma natureza mais rústica, vá até a cidade interiorana de Corte, cercada por picos altos e profundas florestas de castanheiras. Para planejar sua viagem com mais detalhes, leia com certeza nosso grande guia da Córsega, onde você encontra um monte de outras dicas úteis.
Se você decidir seguir pela costa oeste rumo ao sul, vai esbarrar nas deslumbrantes rochas vermelhas das Calanques de Piana e, mais adiante, chegar à capital da ilha. Dá uma olhada no nosso artigo sobre o que ver em Ajaccio, onde nasceu o próprio Napoleão e onde reina uma atmosfera de café bem mais descontraída, quase francesa.
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Comparar preços de carros na Córsega →Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para percorrer o Cap Corse?
A viagem de carro pelo circuito de Cap Corse leva aproximadamente 3 a 4 horas de tempo puro. Recomendo reservar o dia inteiro para o passeio, para que você tenha tempo suficiente para paradas nas vilinhas, fotos nas antigas torres genovesas, curtas caminhadas até os mirantes e um almoço agradável em algum lugar à beira-mar com vista para os penhascos.
Dirigir na Córsega é perigoso?
Dirigir exige concentração total e uma boa dose de paciência, mas não é exatamente perigoso, desde que você dirija com cuidado e sem pressa. As estradas são frequentemente muito estreitas e cheias de curvas fechadas, muitas vezes faltam guardas de proteção e é comum encontrar vacas, cabras ou javalis pastando livremente na estrada. Definitivamente evite dirigir à noite.
Qual é a comida típica do norte?
A culinária corsa é muito farta e rústica. Não deixe de provar tudo que leva o queijo fresco local brocciu, seja em massas recheadas, tortas salgadas ou sobremesas. Também são muito populares os pratos fartos feitos com farinha de castanha, com a qual se prepara uma polenta deliciosa, e para beber peça uma refrescante cerveja de castanha Pietra.
Existem praias de areia no Cap Corse?
A maioria das praias da península é mais de pedras ou rochosa, mas isso garante uma água lindamente limpa e cristalina, ideal para mergulho com snorkel. Uma bela praia de areia com água rasa você encontra no norte na enseada de Tamarone, ou um pouco mais adiante na costa leste perto da tranquila vila de Pietracorbara.
As crianças conseguem fazer a Trilha dos Alfandegários?
Sim, trechos mais curtos da Trilha dos Alfandegários são relativamente fáceis e podem ser percorridos sem problemas até por famílias ativas com crianças maiores. O trajeto inicial de Macinaggio até a praia de Tamarone leva apenas cerca de 45 minutos e segue por terreno mais plano. Mas definitivamente não venha com carrinho de bebê, o caminho é bem pedregoso e empoeirado.
Como é o estacionamento em Bastia?
Estacionar diretamente no centro histórico e nas ruelas estreitas é bem complicado e há pouquíssimas vagas para não residentes. O melhor é usar o enorme estacionamento subterrâneo sob a Place Saint-Nicolas, que é pago (cerca de 20 euros por dia), mas você tem a garantia de estacionar com segurança bem no coração da ação.
A praia preta de Nonza é segura para nadar?
Sim, nadar na praia preta é absolutamente seguro. Embora a areia venha de uma pedreira de amianto próxima, que foi definitivamente fechada em 1965, as autoridades testam a área regularmente e de forma muito rigorosa. A qualidade da água e da própria areia atende há muito tempo a todas as normas de saúde e ecológicas mais rigorosas.
