Se você está pensando em embarcar para o Alasca, preciso te avisar uma coisa logo de cara: é um pedaço do mundo tão infinito e de tirar o fôlego que vai te engolir completamente — mas, ao mesmo tempo, sua carteira vai levar um baita susto 😅. Eu e o Lukáš sonhávamos com essa viagem há muito tempo e a logística sempre nos deixou com aquele frio na barriga. Afinal, não é exatamente o tipo de destino para o qual você compra passagem na sexta à noite e embarca na manhã seguinte com uma mochilinha nas costas.
Por lá te esperam lagos de água turquesa, montanhas majestosas que parecem tocar o céu, ursos pescando salmões diretamente em rios selvagens e geleiras que vão te deixar de queixo caído. Mas para ver tudo isso com os próprios olhos, você precisa chegar lá primeiro. Por isso resolvi destrinchar tudo para vocês: desde a passagem e o ESTA, passando pelo aluguel de carro, até o que fazer se um grizzly aparecer do nada na trilha. Assim você não esquece nada 😉. Você vai ver que, com antecedência e planejamento, tudo vira uma baita aventura! ☺️

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
Separei aqui os pontos mais essenciais que você precisa saber antes de viajar, para ter uma base sólida logo de início.
Se você garantir esses itens, já está com metade do caminho andado — o resto se resolve na hora.
- Entrada nos EUA: Brasileiros precisam de visto americano (tipo B1/B2) para entrar nos EUA. Não é possível usar o ESTA, pois o Brasil não faz parte do Visa Waiver Program. Solicite o visto com bastante antecedência pelo site oficial do Consulado Americano.
- Passagens aéreas: Do Brasil não há voos diretos para Anchorage. As rotas mais comuns partem de São Paulo (GRU) ou do Rio de Janeiro (GIG) com escala em cidades como Los Angeles, Dallas, Houston ou Seattle, operadas por companhias como LATAM, American Airlines, United Airlines ou Delta.
- Aluguel de carro: Reserve com 6 a 9 meses de antecedência. As locadoras tradicionais proíbem terminantemente o uso em estradas de cascalho (gravel roads).
- Dinheiro e gorjetas: Paga-se em dólar americano (USD) e cartões são aceitos em quase todos os lugares. O Alasca não tem imposto estadual sobre vendas. Em restaurantes, a gorjeta é de 18 a 22%.
- Internet: O roaming internacional pode sair caro e a cobertura é limitada. O ideal é contratar um eSIM com antecedência (como Holafly), mas na natureza selvagem espere ficar sem sinal mesmo assim.
- Spray anti-urso: É item obrigatório, mas não pode ser levado no avião (nem na bagagem de mão nem no despacho). Compre somente após chegar em Anchorage.
Quando ir e como chegar ao Alasca
A logística também me assustou bastante no começo, então vamos direto ao ponto: o que resolver primeiro, ainda de pijama tomando café em casa.
1. Burocracia e visto: o que o brasileiro precisa saber
A burocracia americana pode ser implacável e não perdoa erros, mas para turismo comum o processo, apesar de trabalhoso, é bem estabelecido. Diferentemente de cidadãos de países europeus, brasileiros não podem usar o ESTA — o programa de isenção de visto dos EUA. Você precisará solicitar o visto de turista americano (B1/B2) presencialmente no Consulado ou Embaixada dos EUA.
O requisito básico é ter um passaporte válido com pelo menos 6 meses de validade além da data de retorno planejada. A entrevista consular deve ser agendada com bastante antecedência pelo portal oficial do Consulado Americano no Brasil. A taxa de solicitação (MRV fee) é de 185 USD. Atenção especial aos prazos: em períodos de alta demanda, os agendamentos podem demorar semanas ou meses. O visto americano, uma vez aprovado, costuma ter validade de 10 anos com entradas múltiplas.
Uma dica de ouro: evite sites de terceiros que cobram taxas extras para “facilitar” o processo. Use sempre os canais oficiais do governo americano para não cair em armadilhas.
2. Passagem aérea para o Alasca: voo direto do Brasil não existe
A geografia não nos ajuda aqui, e não existe nenhum voo direto do Brasil para Anchorage. Seu destino final será o Aeroporto Internacional Ted Stevens de Anchorage (ANC), um dos maiores aeroportos de carga do mundo inteiro. A viagem costuma ter uma ou duas escalas e, entre voos e terminais, você pode facilmente passar de 18 a 26 horas em trânsito.

As rotas mais comuns saem de São Paulo (GRU) ou Rio de Janeiro (GIG) com escala em Los Angeles (LAX), Dallas (DFW), Houston (IAH) ou Seattle (SEA). As principais companhias que operam essas conexões são LATAM, American Airlines, United Airlines e Delta. Uma passagem de ida e volta do Brasil para Anchorage gira em torno de R$ 5.000 a R$ 12.000, dependendo de quanto tempo antes você compra e da época do ano. A regra de ouro é: quem compra antes, voa mais barato!
3. Qual é a melhor época para ir ao Alasca
Sinceramente, eu evitaria qualquer aventura no inverno, a menos que você realmente queira enfrentar a aurora boreal com temperaturas de menos 40°C. A temporada turística principal no Alasca dura basicamente de final de maio ao início de setembro — não tem muito mais do que isso. Nossa preferência é o período de meados de junho até o final de agosto.

Nesses meses você tem maior chance de encontrar clima razoável, todas as estradas dos parques nacionais estão abertas e os animais estão bem mais ativos. Por outro lado, Anchorage fica lotada de turistas nesse período, os preços de hospedagem disparam e as estradas ficam cheias de motorhomes. Mesmo assim, vale cada centavo.
Onde se hospedar em Anchorage e quanto custa
Anchorage não é a capital do Alasca (surpreendentemente, a capital é Juneau), mas na prática é o centro de tudo. É daqui que você parte e para cá que você volta. A cidade tem quase 300 mil habitantes, o que representa quase 40% de toda a população do estado. Você provavelmente vai passar pelo menos a primeira e a última noite do seu roteiro aqui. Já aviso de cara: a hospedagem custou mais do que esperávamos, e isso que já estávamos preparados para os preços altos.

Para ser completamente honesta: os preços no Alasca sofrem uma sazonalidade absurda. Um quarto simpático que custaria 100 dólares em fevereiro pode chegar a 350–500 USD (aproximadamente R$ 2.000–2.800) por noite em julho. Pode riscar “viagem barata” da lista. Se você curte luxo, o icônico Hotel Captain Cook tem vistas deslumbrantes para a cidade inteira, com diárias a partir de 450 USD. Nós preferimos a justa medida no centro, com hotéis em torno de 250–350 USD (cerca de R$ 1.400–2.000) por noite.
Se o seu voo parte muito cedo ou você chega exausto tarde da noite, faz todo sentido se hospedar perto do aeroporto ou da base de hidroaviões no Lake Hood. Os preços são um pouco mais amigáveis por lá, na faixa de 200–250 USD por noite. Muita gente resolve essa questão pegando o motorhome alugado já na chegada e passando a primeira noite num camping nos arredores da cidade, o que representa uma boa economia no orçamento.
Aluguel de carro e locomoção no Alasca: o que você precisa saber
Viajar de forma independente pelo Alasca depende completamente de ter um carro alugado. O transporte público serve, no máximo, para se locomover dentro de Anchorage — para a natureza selvagem, sem um veículo próprio, você simplesmente não chega. E as locadoras têm capacidade limitada por conta da temporada curta.
4. Reserve o carro antes mesmo da passagem
Isso pode soar exagerado, mas acredite em mim: não é. Ter as passagens para o Alasca é ótimo, mas descobrir que não há um único carro disponível para alugar em nenhuma locadora do aeroporto é de chorar. Reservar com 6 a 9 meses de antecedência é uma necessidade absoluta. Um SUV compacto tipo Toyota RAV4 custa em torno de 150–300 USD por dia (cerca de R$ 850–1.700) na alta temporada de julho e agosto. Eu e o Lukáš temos boa experiência com o DiscoverCars, que usamos em viagens pelo mundo todo.
Nós reservamos o carro já em janeiro e mesmo assim pegamos um dos últimos disponíveis na nossa categoria. Certifique-se de que o veículo tenha quilometragem ilimitada, porque as distâncias aqui se acumulam num piscar de olhos. E um conselho de ouro: verifique se a locadora oferece cancelamento gratuito. Isso nos deu uma tranquilidade enorme quando precisamos ajustar os planos.
5. A armadilha das estradas de cascalho
Esse é um alerta que dou para todo mundo que vai ao Alasca. Os contratos das grandes locadoras internacionais proíbem terminantemente o uso do veículo em estradas não pavimentadas de cascalho, as chamadas Gravel Roads. Se você desrespeitar essa cláusula e algo acontecer com o carro, o seguro é anulado imediatamente e sem discussão — e você paga o prejuízo do próprio bolso.

As estradas geralmente proibidas incluem lendas como a Dalton Highway, a Denali Highway e a McCarthy Road. Se você planeja visitar essas regiões, precisa buscar locadoras locais especializadas, que alugam veículos modificados com dois pneus sobressalentes. Só que prepare o bolso: essas locadoras cobram de 30 a 50% a mais do que as convencionais. Nós ficamos só nas estradas permitidas e mesmo assim vivemos momentos de verdadeiro off-road que a gente ri até hoje.
6. Motorhome: liberdade sobre quatro rodas
O aluguel de motorhome (também chamado de campervan ou trailer) é um sucesso absoluto por aqui — e faz todo sentido. Você resolve transporte e cama ao mesmo tempo. O maior player do mercado local é a empresa Great Alaskan Holidays, localizada pertinho do aeroporto.

Alugar um modelo menor por uma semana sai em torno de 250 USD por noite na temporada de verão. A vantagem é que o veículo já vem equipado com edredom, travesseiros e panelas, então você pode sair direto do aeroporto para o supermercado e rumar para a natureza. Os campings costumam lotar bastante, então se optar por essa modalidade, reserve os spots de pernoite com bastante antecedência — de preferência na primavera — para não ficar procurando lugar para parar no escuro.
7. Como são as estradas do Alasca na prática
Não pense em “rodovias” como as que temos no Brasil. A malha viária do Alasca é extremamente escassa e a maior parte do enorme estado simplesmente não tem acesso por terra. A logística rodoviária se apoia em poucos eixos principais.

A Glenn Highway asfaltada te leva até a deslumbrante geleira Matanuska. A Parks Highway é o eixo principal que liga Anchorage a Fairbanks e é o único acesso ao famoso Parque Nacional de Denali. E a minha favorita é a Seward Highway, que acompanha a costa por quilômetros. Às vezes venta demais, mas a sensação de avistar baleias beluga brancas nadando perto da costa pela janela do carro não tem preço. Só fique atento às enormes crateras que o degelo do inverno deixa na pista — o Lukáš quase perdeu uma roda por causa de uma delas.
8. Regras de inverno nos meses fora de temporada
Se mesmo assim você decidir ir fora da temporada principal — ou seja, de outubro a abril —, saiba que as regras de inverno são bem rígidas por aqui. Os veículos precisam estar equipados com pneus de inverno com pinos (studded tires) e a tração nas quatro rodas (AWD/4WD) não é frescura, é necessidade real.

O clima aqui pode mudar em questão de minutos, e ficar preso numa nevasca a 50 quilômetros da civilização mais próxima não é uma aventura que você vai querer contar. Além disso, muitos postos de gasolina fecham no inverno, então você precisa ficar de olho no combustível e abastecer em toda oportunidade que aparecer. Já ouvimos histórias de turistas que tiveram que dormir no carro até que o arado passasse de manhã.
Dinheiro, internet e segurança no Alasca
Certo, passagem e carro resolvidos — mas isso é só o começo. O estilo de vida americano traz algumas surpresas para quem chega do Brasil e que ninguém te conta antes, então deixa eu resolver isso agora.
9. Moeda, gorjetas e a (in)existência de impostos
Paga-se em dólar americano e, na minha experiência, o Alasca é extremamente digitalizado. Cartões Visa e Mastercard, incluindo Apple Pay e contactless, são aceitos em quase todo lugar, até em postos de gasolina no meio do nada. Mesmo assim, recomendo ter uns 100 a 200 dólares em dinheiro vivo para pequenas compras ou campings sem sinal.
O que pode te surpreender é o sistema de gorjetas. Gorjeta não é opcional nos EUA — a equipe de atendimento depende dela como principal fonte de renda. Em restaurantes, o padrão é 18 a 22% sobre o valor antes do imposto. Para camareiras, deixe 2 a 5 dólares por noite sobre a mesa, e guias em passeios às geleiras costumam esperar cerca de 10% do valor do tour. Uma vantagem curiosa do Alasca é que ele é um dos apenas cinco estados americanos sem imposto estadual sobre vendas! Eletrônicos e roupas de outdoor de qualidade podem sair mais em conta aqui do que no resto dos EUA, embora algumas cidades cobrem um pequeno imposto municipal.
10. Dados móveis e por que o seu chip brasileiro não vai te salvar
Se você depende do roaming internacional do seu chip brasileiro, prepare-se para uma conta salgada e cobertura muito irregular. A infraestrutura aqui é bem específica — até o gigante americano T-Mobile opera em roaming em boa parte do Alasca. A melhor cobertura local é da operadora GCI.
Eu e o Lukáš resolvemos isso com eSIM, que a gente ativa ainda em casa antes de embarcar, sem aquela correria de procurar chip no aeroporto. Recomendo muito o Holafly, que oferece dados ilimitados por uma semana por menos de 30 dólares. Outra boa alternativa é o Airalo. Mas lembre-se: assim que você sair das estradas principais e entrar fundo nos parques nacionais, o sinal desaparece de vez. Baixe os mapas offline do estado inteiro no seu celular — isso é sobrevivência básica.
11. Bear spray: como sobreviver a um encontro com urso
O Alasca abriga uma quantidade enorme de ursos pardos (os famosos grizzlies) e ursos negros. Carregar o spray anti-urso preso ao cinto durante as trilhas é um padrão absoluto e inegociável — sair para a mata sem ele é imprudência. O produto funciona com capsaicina em alta concentração, alcança de 7 a 10 metros de distância e você encontra nas lojas de artigos outdoor em Anchorage por cerca de 50 dólares.

⚠️ Mas aqui vem a regra mais importante: pelas normas da aviação americana, o spray anti-urso não pode embarcar em nenhum voo comercial!
Não pode nem na bagagem de mão nem no bagageiro despachado. O risco de explosão por pressão faz com que a fiscalização confisque sem cerimônia. A única solução é comprar ao chegar em Anchorage e, antes do voo de volta, entregar aos rangers do parque ou deixar na recepção do hotel. Não tente burlar essa regra.
12. Seguro viagem (Uma perna quebrada pode custar o preço de um apartamento)
Ir para os EUA sem um seguro viagem de qualidade é, na minha opinião, uma roleta-russa financeira. O sistema de saúde americano tem preços astronômicos — um simples atendimento de emergência com gesso numa perna quebrada pode custar entre 15.000 e 30.000 USD.
O Alasca ainda adiciona o problema das distâncias extremas. Se você se machucar numa trilha remota num parque nacional, vai precisar de helicóptero de resgate. Uma evacuação aérea pode facilmente custar 100.000 dólares ou mais. Recomendo contratar um seguro com cobertura mínima de despesas médicas de pelo menos R$ 500.000, de preferência mais. Se você planeja fazer trilhas de altitude, confirme que o seguro cobre trekking acima de 3.000 metros de altitude.
13. Tomadas, fuso horário e água potável
Vamos passar rapidinho por alguns detalhes práticos que costumam ser esquecidos na hora de arrumar a mala. O fuso horário do Alasca em relação a Brasília é de menos 8 horas no verão (horário de verão brasileiro) ou menos 7 horas. Nos primeiros dias você vai acordar antes do amanhecer se sentindo na hora do almoço — o jet lag aqui é sério. A tensão elétrica é 120V americana e as tomadas têm dois pinos chatos. Um adaptador universal simples, que você encontra em qualquer loja de eletrônicos, resolve o problema.
Quanto à água, em Anchorage a água da torneira é absolutamente segura para beber — ela vem de um lago glacial. Mas assim que você aventurar para a natureza selvagem, toda água de rios e riachos precisa ser filtrada. Mesmo a água cristalina que escorre direto de uma geleira pode conter parasitas que vão te dar dias de câimbras estomacais — e não é esse o tipo de souvenir que você quer trazer do Alasca 😁.
Anchorage: 3 lugares para visitar durante a aclimatação
A cidade se espalha por uma área enorme e, à primeira vista, a arquitetura pode não impressionar muito. Em 1964, Anchorage foi atingida pelo segundo maior terremoto já registrado na história, com magnitude 9,2, que destruiu grande parte dos bairros originais. Mesmo assim, há lugares incríveis aqui que vão te deixar no clima perfeito antes de partir para a vida selvagem.
14. Tony Knowles Coastal Trail e a vista para Denali
Essa trilha asfaltada de quase 18 quilômetros é o orgulho da cidade e é exclusiva para pedestres e ciclistas. Começa bem pertinho da estação ferroviária no centro e, se você alugar uma bicicleta, dá para pedalar tranquilamente até o enorme Kincaid Park.
O nosso ponto favorito é o mirante de Point Woronzof, de onde em dias claros você consegue avistar a neve do Monte Denali a quase 200 quilômetros de distância — e se tiver sorte, dá para ver baleias beluga brancas nadando perto da costa. A gente sempre leva um lanche para sentar por lá e contemplar o mar. Depois de um voo tão longo, é a reinicialização perfeita para a mente e para o corpo.
15. Cultura no Anchorage Museum
Se o tempo não colaborar, vá aproveitar a parte cultural. O Anchorage Museum ocupa mais de 10.000 metros quadrados e a entrada para adultos custa cerca de 25 dólares.
O acervo conta com mais de 600 artefatos impressionantes dos povos originários. O que mais nos marcou foram os capacetes de guerra das tribos indígenas — honestamente, não esperava ficar de boca aberta na frente de uma vitrine assim. É uma forma incrível de entender a história complexa do grande norte antes de explorar as aldeias menores no interior. Vale cada centavo da entrada — reserve um tempo para ver com calma.
16. Trilha na Flattop Mountain
Os moradores do Alasca adoram a natureza e a atividade de fim de semana favorita deles é subir a Flattop Mountain — de longe a montanha mais escalada de todo o estado. O ponto de partida fica a uns 20 minutos de carro do centro da cidade. O percurso tem pouco mais de 2 quilômetros, mas com um ganho de altitude de 410 metros é uma subida que exige esforço de verdade.

Já perto do cume você ainda vai encontrar um trecho que exige um pouco de escalada em rocha, então tênis firme é indispensável. A recompensa é uma vista de tirar o fôlego: Anchorage inteira, o oceano se estendendo ao horizonte e os picos das montanhas ao redor. Aproveite cada gole do ar frio do norte, porque é exatamente por momentos assim que valeu a pena vir ao Alasca!
Onde comer em Anchorage (da pizza ao caribu)
A comida no Alasca pode ser fantástica, as porções são bem americanas — ou seja, imensas — e os peixes são mais frescos do que em qualquer outro lugar. Não tem nada melhor do que, depois de um dia inteiro de trilha, entrar num boteco quentinho e pedir aquela coisa nada saudável que você estava sonhando 😅.
Uma instituição absolutamente indiscutível é o Moose’s Tooth Pub & Pizzeria. É uma das pizzarias independentes mais lucrativas de todos os EUA! Eles fazem pizzas enormes e deliciosas e ainda produzem a própria cerveja artesanal. Só um aviso: o lugar não aceita reservas e jantar aqui na temporada pode significar até uma hora e meia de fila na calçada. Vale horrores pedir a “Large Avalanche” com frango e bacon — é puro paraíso.
Para um café da manhã tão farto que dispensa o almoço, vá ao Snow City Cafe, no centro. Os ovos benedict com carne de caranguejo são famosos por aqui. E se quiser algo típico do norte por um preço mais em conta, passe em algum dos trailers da 4th Avenue. Eles vendem o icônico cachorro-quente de linguiça de rena (Reindeer Sausage) com uma montanha de cebola caramelizada, por uns 10 dólares. Uma delícia que resume muito bem o espírito do lugar!
Dicas e truques: como economizar no Alasca
Para fechar, veja os nossos truques testados e aprovados para não jogar dinheiro fora — não só no Alasca, mas em qualquer viagem internacional.
Onde encontrar passagens aéreas baratas
Para passagens baratas para os EUA e o mundo todo, use o comparador Kiwi, nosso favorito para montar itinerários com múltiplas escalas.
Vale muito a pena configurar alertas de preço com até nove meses de antecedência. Foi assim que economizamos bastante: o app avisou sobre uma boa promoção e não hesitamos nem um segundo em garantir os bilhetes.
Aluguel de carro nos EUA
Usamos regularmente o comparador DiscoverCars.com. Lembre-se: no Alasca você precisa reservar com pelo menos seis meses de antecedência.
Falei mais sobre carros lá em cima na dica nº 4. O que mais gosto nesse comparador são as condições de seguro bem claras, sem aquele estresse no balcão após um voo longo. Além disso, ter todos os vouchers reunidos num único app é uma mão na roda.
Reserva de hospedagem
O Booking.com é o nosso buscador de hotéis preferido. Em Anchorage vale a pena reservar hotéis com cancelamento gratuito e verificar de tempos em tempos se o preço não caiu.
Aconteceu conosco algumas vezes de, poucas semanas antes da viagem, aparecer uma oferta melhor para a mesma hospedagem. Aí é só cancelar a reserva antiga e refazer com o preço mais baixo — economizamos o suficiente para um jantar especial.
Não esqueça do seguro viagem
Como já mencionei aqui no artigo, ir para os EUA sem seguro viagem é um risco que não vale a pena correr.
Para viagens curtas usamos a AXA, que às vezes oferece até 50% de desconto, e para viagens mais longas optamos pelo True Traveller, com cobertura excelente inclusive para trekking em altitude. Antes de viajar, leia com atenção as exclusões da apólice para saber exatamente até que altitude você está coberto. Alguns minutos lendo o contrato podem evitar muitas noites sem dormir nas montanhas.
Continue explorando o Alasca
Se o Alasca despertou sua curiosidade e você quer começar a planejar roteiros e destinos específicos, confira também os nossos outros artigos sobre essa região. Cobrimos tudo, dos custos detalhados ao roteiro completo:
- Roteiro pelo Alasca: O que ver em 7, 14 ou 21 dias
- Orçamento para o Alasca: Quanto custa a viagem para a natureza selvagem?
- O que ver e fazer em Anchorage (Guia detalhado da cidade)
- Clima e temporada: Qual é a melhor época para ir ao Alasca?
Perguntas frequentes (FAQ)
Quando vocês nos mandam mensagens sobre essa viagem dos sonhos, as dúvidas práticas se repetem bastante. Por isso resolvi reunir as mais frequentes nesta seção de perguntas e respostas, para você não precisar vasculhar o texto inteiro.
1. Como chegar ao Alasca saindo do Brasil?
Não existe voo direto saindo de cidades brasileiras. Você sempre precisará fazer pelo menos uma conexão, geralmente em grandes hubs europeus como Frankfurt ou em cidades dos EUA e Canadá, de onde segue direto para Anchorage ou com mais uma escala. A viagem é bem longa e cansativa, então não esqueça de levar algo para ler e roupas confortáveis no avião. Quanto antes você começar a pesquisar passagens, melhores e mais rápidas serão as conexões que você vai conseguir encontrar.
2. Quanto tempo dura o voo para o Alasca?
Depende do voo escolhido e do tempo de conexão. Se você pegar um voo direto de Frankfurt, na Alemanha, para Anchorage, o voo em si leva cerca de 10 horas. Mas no total, saindo do Brasil, você vai gastar entre 16 e 22 horas de viagem. A gente sempre tentava tornar a viagem mais agradável com um bom livro, e assim o tempo passava bem mais rápido.
3. Quanto custa em média uma passagem para o Alasca?
Os preços variam bastante dependendo da temporada e de quando você compra. Na alta temporada de verão, conte com valores entre 1.500 e 3.000 dólares (aproximadamente 1.350 a 2.700 euros) para passagens de ida e volta. Passagens promocionais saindo da Alemanha podem ser encontradas por valores ainda menores. Vale muito a pena ficar de olho nos comparadores de passagens desde o outono e não hesitar quando encontrar um preço bom.
4. Qual é a melhor época para visitar?
A melhor época para visitar o Alasca são os meses de junho, julho e agosto. O clima nesses meses é mais estável, todas as estradas e parques estão abertos e você tem as melhores condições para observar ursos e outros animais. Mas lembre-se de que essa também é a época mais movimentada do ano. Você vai encontrar mais turistas em todos os lugares e os preços de hospedagem ficam no seu pico máximo.
5. Preciso de visto americano tradicional para a viagem?
Para viagens turísticas comuns de até 90 dias, você não precisa de visto tradicional. Basta fazer o registro eletrônico ESTA, que você solicita online no site oficial do governo por 21 dólares. O processo de aprovação geralmente leva apenas alguns minutos, mas as autoridades recomendam fazer tudo com pelo menos 72 horas de antecedência do voo. Assim você evita um monte de nervosismo e estresse desnecessário no aeroporto.
6. Posso alugar qualquer carro e ir com ele para qualquer lugar?
Infelizmente não. As grandes locadoras internacionais no Alasca têm nos contratos uma proibição rigorosa de dirigir em estradas não pavimentadas (de cascalho). Se você quiser se aventurar mais fundo na natureza selvagem por esse tipo de estrada, precisa alugar um carro com especialistas locais, onde os preços são compreensivelmente mais altos. Definitivamente não tente arriscar com um carro comum, não vale a pena a dor de cabeça.
7. É necessário ter spray de urso comigo?
Sim, o bear spray é absolutamente essencial sempre que você sair da área urbana. Os ursos estão em casa no Alasca e encontros com eles podem não ser nada raros. Mas lembre-se de que, por motivos de segurança, você não pode levá-lo no avião. Você precisa comprá-lo depois de chegar em Anchorage em uma loja local e, antes de voltar, descartá-lo adequadamente.
