Pyramiden e Barentsburg: cidades fantasmas soviéticas em Svalbard, na Noruega

Pyramiden e Barentsburg, cidades soviéticas fascinantes e isoladas em Svalbard, na Noruega, transportam você instantaneamente décadas para trás no tempo. A estátua de Lenin mais ao norte do mundo fica aqui, encarando um fiorde congelado bem em direção a uma geleira majestosa. É uma cena bizarra numa cidade abandonada, onde o tempo parou em 1998 e as chaves dos apartamentos ainda estão penduradas nas fechaduras. Essa utopia forma, junto com a vizinha Barentsburg, um verdadeiro fenômeno único no mundo.

Nesse arquipélago norueguês você encontra cidades carvoeiras que funcionam legalmente há quase cem anos. Enquanto Pyramiden é hoje um museu a céu aberto abandonado, onde no verão você encontra apenas um punhado de zeladores, Barentsburg ainda é um povoado mineiro em funcionamento, onde vivem pouco menos de quatrocentas pessoas. É um mundo de enormes contrastes, natureza nórdica selvagem e uma estética soviética onipresente diante da qual você vai ficar de boca aberta por alguns instantes.

Reunimos para você dez coisas que vale a pena saber antes de embarcar — desde como chegar lá, passando pelo dilema moral com o caixa russo, até o que você (não) pode levar da rua no bolso. Você vai descobrir onde dormir com segurança e como a atual situação geopolítica embaralhou as cartas para o viajante comum. Acredite: Lenin encarando o vazio ártico não sai da sua cabeça tão fácil. 😅

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Dois assentamentos russos: Em Svalbard, na Noruega, funcionam a abandonada Pyramiden e a ainda viva Barentsburg, sob administração do trust estatal russo Arktikugol.
  • Acesso conforme a estação: No verão você chega aos povoados de barco a partir de Longyearbyen; no inverno, em passeios de vários dias em motos de neve.
  • Dilema geopolítico: As agências de turismo norueguesas boicotam os serviços estatais russos, então os barcos noruegueses levam você apenas para uma visita, sem gastar no local.
  • Cidade congelada no tempo: Pyramiden foi abandonada em 1998, mas ainda hoje continuam de pé a casa de cultura, a piscina e o Hotel Tulpan, onde é até possível pernoitar.
  • Último povoado vivo: Barentsburg tem cerca de 300 habitantes, uma mina de carvão em atividade, uma capela ortodoxa e a cervejaria russa mais ao norte do mundo.
  • Proteção rigorosa: Tudo que é anterior a 1946 é um patrimônio rigorosamente protegido e não pode ser manuseado de forma alguma.

Quando visitar os povoados russos em Svalbard, na Noruega

Planejar uma viagem a Svalbard segue regras completamente diferentes do resto da Europa, porque aqui as estações do ano ditam as opções de transporte. Ao arquipélago você chega apenas de avião a partir de Oslo ou de Tromsø, e as rotas são operadas exclusivamente pelas companhias SAS e Norwegian. Uma passagem de ida e volta a partir de Oslo costuma custar cerca de 280 dólares, mas em promoções dá para achar mais barato. Não esqueça o passaporte, porque Svalbard fica fora do espaço Schengen e no aeroporto você passa por controle de passaporte. Para chegar até Oslo, brasileiros costumam voar de São Paulo com a TAP ou a LATAM, com conexão na Europa.

Se você quiser ver as duas cidades soviéticas do convés de um barco, a época ideal é do fim de maio a outubro. Nesse período, o gelo marinho derrete nos fiordes e os barcos turísticos que saem de Longyearbyen conseguem atracar com segurança nos píeres de Pyramiden e Barentsburg. Durante o verão ártico você vai curtir o fenômeno do sol da meia-noite, quando, do fim de abril ao fim de agosto, há luz 24 horas por dia. As temperaturas em julho e agosto ficam em torno de 5 a 8 °C, o que soa como um friozinho ameno, mas o vento ártico reduz bastante a sensação térmica. Roupa térmica de lã, uma boa jaqueta corta-vento e luvas do tipo mitene em vez de luvas de dedos serão seus melhores amigos. ☺️ Além disso, saiba que a tundra de verão costuma ficar bem encharcada e enlameada, então de jeito nenhum você vai sobreviver sem botas impermeáveis de qualidade.

Já uma visita no inverno, de fevereiro ao começo de maio, promete uma aventura ártica mais radical. Os fiordes ficam firmemente congelados e as pessoas vão aos povoados em passeios de várias horas em motos de neve. A virada de fevereiro para março é extremamente procurada, quando aquela linda luz azul volta à paisagem e os fotógrafos se deliciam, mas as temperaturas costumam cair para -20 °C. Desde 2025, além disso, vigoram em todo o arquipélago regras muito rígidas de proteção à natureza. Os barcos turísticos em áreas protegidas podem levar no máximo 200 passageiros a bordo, e as distâncias obrigatórias em relação aos animais selvagens aumentaram bastante. Os barcos podem se aproximar dos ursos-polares no máximo a 300 metros, e na primavera até a meio quilômetro, então um bom binóculo hoje é absolutamente indispensável.

Onde se hospedar em Svalbard e nos povoados

💡 Dica de hospedagem e experiências: A gente prefere procurar hospedagem no Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Já ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.

A maioria dos viajantes escolhe como base principal a cidade norueguesa de Longyearbyen, de onde saem os passeios de um dia pela região. Longyearbyen tem muito a oferecer — desde albergues aconchegantes em antigos alojamentos de mineiros reformados até hotéis onde você relaxa numa banheira de hidromassagem com vista para o fiorde. Os preços acompanham, então faça as reservas com bastante antecedência e recomendo escolher com calma. A alta temporada, de março a agosto, costuma esgotar num piscar de olhos.

Para o máximo de conforto, uma ótima escolha é o Radisson Blu Polar Hotel Spitsbergen, que fica bem no centro da cidade. As banheiras de hidromassagem ao ar livre oferecem vistas incríveis do fiorde, e uma noite em quarto duplo costuma sair por 300 a 400 dólares. Se você busca uma atmosfera inesquecível de caçador polar, dê uma olhada no Basecamp Hotel, construído com madeira de deriva e velhas peles de foca. É uma joia de design lindíssima, onde você vai se sentir um verdadeiro explorador polar, mas o preço fica um pouco mais alto.

Para viajantes com orçamento mais apertado, os locais costumam recomendar o Gjestehuset 102, no vale de Nybyen. Fica a cerca de trinta minutos de caminhada do centro, o que numa nevasca pode ser um baita desafio, mas a atmosfera de antigo alojamento de mineiros tem um charme enorme. Uma cama em quarto compartilhado sai a partir de 70 dólares por noite, e para os padrões árticos isso é um preço quase inacreditável — aqui, por essa noite, você mal pagaria um táxi até o aeroporto. E a cozinha compartilhada ainda é um ótimo lugar para trocar histórias com outros aventureiros à noite.

Se você anseia por uma experiência totalmente isolada, dá para pernoitar direto nos povoados russos. Em Pyramiden funciona no verão o Hotel Tulpan, bem espartano, mas dizem que passar a noite numa cidade fantasma abandonada é uma experiência de arrepiar. Já na mais movimentada Barentsburg você encontra o reformado Hotel Barentsburg, com estrutura bem mais moderna. Só que os quartos desses povoados russos você não acha nos portais comuns, e hoje a reserva é feita exclusivamente direto com o operador russo local.

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10 dicas e fatos sobre Pyramiden e Barentsburg

Esses dois povoados árticos não são só um passeio comum ao Círculo Polar. São lugares onde a natureza nórdica selvagem se encontra de cheio com a história e uma política muito complexa. Quando você caminha pelas ruas abandonadas, sente o peso do passado a cada passo, enquanto as gaivotas gritam por cima da sua cabeça e ao longe a geleira estala.

Selecionamos para você o mais importante que precisa saber antes da viagem, seja você fã da arquitetura soviética esquecida ou alguém que se pergunta se é ético viajar para cá nos dias de hoje. Prepare-se: Svalbard vai mostrar a você um mundo que você realmente não vê em nenhum outro lugar.

1. Por que há cidades russas em território norueguês?

Talvez você fique intrigado com o fato de existirem, em pleno território soberano da Noruega, povoados carvoeiros totalmente russos funcionando legalmente. A resposta está no famoso Tratado de Svalbard, de 1920, que entrou em vigor cinco anos depois. Ele atribuiu plena soberania sobre o arquipélago à Noruega, mas ao mesmo tempo garantiu aos cidadãos de todos os países signatários exatamente os mesmos direitos de residência e de fazer negócios. As ilhas tiveram de permanecer permanentemente desmilitarizadas, e todos os impostos arrecadados devem ser reinvestidos na dura infraestrutura local.

A União Soviética aproveitou essa brecha geopolítica única e, em 1932, comprou Pyramiden dos antigos donos suecos. Desde então, a administração das duas cidades fica a cargo do trust estatal russo Arktikugol, que construiu aqui um mundo próprio, funcional e independente dos noruegueses. Uma curiosidade importante para o viajante brasileiro: graças a esse tratado, cidadãos de qualquer país signatário podem viver, trabalhar e empreender em Svalbard legalmente e sem precisar de visto, o que faz das ilhas um dos lugares mais livres do planeta.

2. Pyramiden como vitrine da União Soviética

Na sua era de ouro, nos anos 70 e 80, Pyramiden não era um acampamento carvoeiro qualquer, mas uma verdadeira utopia ártica. A cidade, aliás, ganhou o nome de uma montanha em formato de pirâmide que se ergue bem acima dela. Ali viviam permanentemente mais de mil habitantes, que dispunham, em meio ao deserto de gelo, de um luxo e conforto inacreditáveis. A União Soviética mandava para cá subsídios gigantescos, para mostrar ao mundo ocidental como se podia viver de forma incrível e moderna mesmo bem além do Círculo Polar. Era, em suma, uma cidade-vitrine do regime comunista, construída nas condições climáticas mais extremas possíveis.

Os mineiros locais e suas famílias podiam usufruir de um lindo palácio da cultura com um grande salão de concertos, onde até hoje há um piano abandonado no palco. Não faltava nem mesmo uma piscina totalmente aquecida, uma ampla quadra esportiva com piso de madeira trazido lá da distante Sibéria e até estufas aquecidas para o cultivo de verduras frescas. Havia também criação de gado, para que os moradores tivessem leite. Quem viveu aqui lembra que as pessoas vinham do continente como numa corrida do ouro, atrás de um salário bem melhor, leite fresco e verduras que, de outra forma, dificilmente apareciam na rede de abastecimento soviética.

3. O Lenin mais ao norte encarando a geleira

Quando você chega a Pyramiden hoje em dia, provavelmente a primeira coisa que salta aos olhos é o busto de Vladimir Ilyich Lenin mais ao norte do mundo. Esse monumento majestoso fica numa praça vazia diante da casa de cultura, e o seu olhar aponta diretamente, cruzando o fiorde congelado, para a linda geleira Nordenskiöldbreen. É um contraste tão absurdo e visualmente forte que fotógrafos do mundo inteiro vêm até aqui em passeios de um dia inteiro só por causa dessa única foto.

A cidade respira um vazio estranho: os bulevares estão silenciosos, o reboco descasca dos prédios e, em algum lugar entre as casas, tranquilamente circulam ursos-polares que não têm nenhum interesse na sua chegada. Viajantes estrangeiros descrevem a atmosfera como profundamente perturbadora — você tem a impressão de que os moradores só saíram um instante e vão voltar a qualquer momento, só que eles não voltam desde 1998. Justamente por causa dos ursos onipresentes, você só pode circular pela cidade acompanhado de um guia armado, que carrega um rifle e uma pistola de sinalização. E desde 2025 vale a regra rígida de manter no mínimo 300 metros de distância dos ursos, então para fotos detalhadas dos animais você vai precisar de uma bela teleobjetiva.

4. Noite na zona fantasma: o Hotel Tulpan

Por muitos anos depois do abandono da cidade, era impossível pernoitar oficialmente em Pyramiden — os turistas vinham de Longyearbyen apenas para uma visita relâmpago de algumas horas. Isso mudou em 2013, quando o trust Arktikugol reformou parcialmente e reabriu o Hotel Tulpan. Hoje, na temporada de verão, moram aqui cerca de dez a vinte funcionários, que cuidam do funcionamento do hotel, mantêm os enormes geradores a diesel e servem de guia ao punhado de aventureiros que decide passar a noite. A viagem de barco até aqui custa cerca de 2.800 a 3.900 coroas norueguesas, dependendo do operador (aproximadamente R$ 1.500 a R$ 2.100).

Mas não espere nenhum spa de luxo. A hospedagem é muito simples e espartana, os quartos lembram mais um alojamento razoável dos anos setenta e a água quente só sai de vez em quando. Ainda assim, o hotel tem um pequeno bar e uma lojinha de souvenirs, onde você pode comprar broches soviéticos originais, difíceis de achar em outro lugar. Viajantes alertam em fóruns que os serviços funcionam num modo meio retrô e que muitas vezes é exigido pagamento em dinheiro. Mesmo assim, dizem que a caminhada noturna pela cidade abandonada, quando os motores dos barcos turísticos se calam e reina o silêncio ártico absoluto, é uma experiência absolutamente fascinante que você não vive em nenhum outro lugar do mundo.

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5. A tragédia em Operafjellet e o fim de uma era

O que, afinal, transformou uma cidade tão próspera e subsidiada numa cidade fantasma abandonada? O começo do fim foi uma enorme tragédia aérea, em 29 de agosto de 1996. O avião russo Tupolev Tu-154, que levava mineiros e suas famílias de Moscou de volta às minas de Svalbard, colidiu, em meio ao mau tempo, com a montanha Operafjellet, perto de Longyearbyen. No acidente morreram todas as 141 pessoas a bordo, o que até hoje representa o pior desastre aéreo da história de toda a Noruega.

Esse acontecimento foi um enorme golpe psicológico e econômico para a comunidade russa em Svalbard. Além disso, a mineração em Pyramiden estava deixando de ser rentável, e manter dois povoados totalmente funcionais era insustentável para a combalida economia russa dos anos noventa. Tomou-se, então, a decisão definitiva de evacuar completamente a cidade. Ao longo de alguns meses de 1998, as pessoas fizeram apenas as malas com o essencial, trancaram os apartamentos e deixaram a cidade à mercê do frio ártico, que a preservou perfeitamente para as gerações futuras.

6. Barentsburg: o último povoado russo vivo

Enquanto Pyramiden adormeceu, Barentsburg segue viva e continua extraindo carvão. Atualmente, segundo as últimas estatísticas, moram aqui permanentemente pouco mais de trezentas pessoas, na maioria mineiros da Rússia e do Tadjiquistão. Quando você chega de barco, é recebido por uma atmosfera bem mais viva, ainda que o pó de carvão onipresente e a fumaça das chaminés deixem claro que se trata de um lugar industrial extremamente duro. A mina de carvão local ainda produz, nos dias de hoje, cerca de 100.000 toneladas de carvão por ano.

A história do povoado é bastante conturbada: durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi praticamente arrasado pelos navios de guerra alemães Tirpitz e Scharnhorst. Por isso, a maioria dos prédios atuais é da reconstrução do pós-guerra. Na caminhada, você para diante dos mosaicos soviéticos nas fachadas das casas, que celebram a conquista do Ártico e parecem surpreendentemente bem conservados. Bem ao lado fica uma capela ortodoxa de madeira, que, em todo aquele cenário industrial, chega a parecer poética. Você também encontra um museu interessante dedicado à história dos antigos caçadores russos e até um consulado russo em pleno funcionamento, cuja presença no meio do deserto de gelo parece totalmente surreal. Barentsburg melhorou recentemente seus serviços, então em muitos casos já dá para pagar com cartão, e funciona até um pequeno correio, de onde você manda para casa um cartão-postal com selo russo.

7. Onde comer: a cervejaria mais ao norte e o tradicional borsch

💡 Dica: Se você chegar a Barentsburg, não pode deixar de visitar a cervejaria Krasny Medved, que ostenta o título de cervejaria russa mais ao norte do mundo. A cerveja artesanal local é feita com água pura de geleira e, depois de uma caminhada gelada pela cidade, garantidamente te coloca de pé. Sobre o álcool em Svalbard daria para escrever romances, porque em todo o arquipélago vigora um rígido sistema de racionamento. Os moradores locais podem comprar, por mês, no máximo 24 cervejas e duas garrafas de destilado. Como turista, você só compra álcool nas lojas se apresentar sua passagem de volta no caixa.

Do complexo da cervejaria faz parte também um restaurante tradicional, onde servem pratos clássicos russos e ucranianos. Segundo as avaliações dos viajantes, fazem aqui um excelente borsch quente e tradicionais pelmeni; no cardápio aparecem até versões sem carne. A comida é honesta, farta e combina perfeitamente com o clima ártico rigoroso. E você percebe isso ainda mais quando pensa que cada uma dessas batatas teve que atravessar meia Ártico para chegar até aqui.

8. Geopolítica e o dilema moral dos viajantes

Visitar os povoados russos tem, desde o início de 2022, um grande impasse moral. Depois da invasão russa da Ucrânia, o órgão de turismo norueguês Visit Svalbard decidiu boicotar por completo o trust estatal Arktikugol, que administra as duas cidades. Os produtos do braço turístico russo Grumant desapareceram totalmente de todos os portais oficiais noruegueses de reserva, de modo que, pelo caminho comum, através do centro de informações norueguês, você simplesmente não consegue reservá-los.

Como viajante, você fica diante de uma escolha complicada. Pode ir com uma companhia de navegação norueguesa, como a Henningsen, que leva você aos povoados, mas onde, por razões éticas, vigora a proibição rigorosa de qualquer gasto no local. Assim, você só pode caminhar e fotografar. Ou pode comprar uma experiência de dia inteiro direto com os operadores russos, pela qual vai pagar cerca de 3.900 coroas norueguesas (aproximadamente R$ 2.100), ciente de que o seu dinheiro vai direto para o caixa estatal russo. É um tema muito delicado, discutido com paixão nos fóruns de viagem, e cada um precisa responder a essa questão por si mesmo.

9. A situação em 2026 e o ultimato ecológico

E qual é a situação atual nos povoados? Segundo estatísticas oficiais do órgão norueguês, no começo de 2026 viviam em Barentsburg e Pyramiden, juntas, 392 pessoas, o que representa uma queda bastante expressiva em relação aos anos pré-guerra. A Noruega, além disso, tenta reforçar sua própria influência na região e acompanha de perto todas as atividades da empresa russa de mineração. Um contraste eloquente: os noruegueses fecharam solenemente a sua última mina de carvão, a Gruve 7, no verão de 2025, enquanto, logo ali adiante, a mineração russa segue tranquilamente em frente.

Em inspeções recentes, as autoridades norueguesas descobriram graves irregularidades ambientais, sobretudo no que diz respeito a vazamentos perigosos de tanques de combustível antigos. Por isso, o trust Arktikugol recebeu do governador local um ultimato duro e um prazo ecológico para regularizar a situação até outubro de 2026. Se não corrigir essas falhas enormes a tempo, corre o risco de multas astronômicas e de uma possível e dramática restrição das operações. O futuro dos dois povoados russos é, portanto, muito incerto no momento, e é possível que estejamos à beira do seu fim.

10. Regras rigorosas e patrimônios intocáveis

Se você for a Pyramiden ou Barentsburg, precisa respeitar sem exceção as leis locais de proteção ao patrimônio cultural. Em todo o arquipélago de Svalbard vale uma regra fascinante: todos os objetos e construções anteriores a 1946 são automaticamente patrimônio protegido. Isso vale para velhos barris enferrujados, cabanas de madeira abandonadas e até ossos de baleia na praia. Além disso, em torno de todos esses relíquias históricas vigora uma rígida zona de proteção de cem metros.

Assim, de Pyramiden você não pode levar absolutamente nada, nem o parafuso mais insignificante esquecido, nem um pedacinho de carvão da rua. E desde 2025 vale a proibição rigorosa de voar drones em todos os parques nacionais e reservas, então pode esquecer as tomadas aéreas. Vale também a proibição absoluta de entrar em prédios abandonados sem um guia local oficial. As velhas estruturas decadentes podem ser muito instáveis e há um risco real de acidente, então mantenha-se sempre apenas nas trilhas marcadas e siga as orientações do acompanhante.

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Para onde ir depois de Svalbard

Se você está planejando uma viagem a essa incrível região selvagem do Ártico, não deixe de conferir nossos outros guias, que vão ajudar você na preparação. Uma visão geral de como fazer as malas e o que esperar você encontra no artigo Svalbard: o que ver e viver no fim do mundo. Para explorar a fundo a base norueguesa, leia nossas dicas em Longyearbyen: o que ver.

Se você procura inspiração concreta de atividades fora das cidades, temos um detalhamento completo no texto Passeios e cruzeiros em Svalbard. E se você curte mais as curiosidades locais e quer saber por que aqui vale o racionamento de álcool ou por que gatos não podem viver na ilha, dê uma olhada em Curiosidades sobre Svalbard.

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Perguntas frequentes

É possível visitar Pyramiden?

Sim, é possível visitar legalmente a cidade abandonada, seja em barcos turísticos no verão ou em motos de neve a partir de Longyearbyen no inverno. Porém, você deve sempre se deslocar acompanhado de um guia armado, pois ursos polares ocasionalmente circulam entre os prédios.

É seguro estar lá?

A segurança é prioridade absoluta em Svalbard. Nas próprias comunidades não há risco de criminalidade; o maior risco é o clima ártico e a fauna selvagem. Os passeios organizados sempre contam com guias equipados com rifle e pistola de sinalização para o caso de encontro com ursos. Por motivos de segurança, não é permitido entrar em prédios em ruínas sem supervisão.

Dá para ir no inverno também?

A visita no inverno é possível e popular entre aventureiros, mas fisicamente bem mais exigente, pois o acesso às comunidades é feito sobre os fiordes congelados em motos de neve. Durante o período da noite polar (até fevereiro), os passeios são raros; a alta temporada vai de março ao início de maio, quando a luz do dia retorna e as condições para deslocamento são absolutamente ideais.

É permitido entrar nos prédios antigos de Pyramiden?

A regra básica é que a entrada independente em qualquer prédio abandonado é estritamente proibida. Tetos e pisos deteriorados podem ser perigosos. Porém, os guias oficiais levam você com segurança para dentro da casa de cultura, da piscina ou do antigo refeitório durante o tour, onde o estado das construções é monitorado regularmente.

Quantas pessoas vivem lá hoje em dia?

Segundo as estatísticas oficiais norueguesas, no início de 2026 viviam em Barentsburg e Pyramiden juntas exatamente 392 habitantes. A maioria vive permanentemente em Barentsburg, enquanto em Pyramiden há apenas pessoal sazonal, cerca de 10 a 20 pessoas cuidando da manutenção e dos turistas.

Por que a Rússia ainda está lá, se é deficitário?

Para a Federação Russa, as comunidades em Svalbard têm enorme significado geopolítico e estratégico. Manter uma comunidade ativa, a mineração e um consulado próprio garante presença física legal no Ártico, diretamente em território de um estado-membro da OTAN. A mineração de carvão é, portanto, mais uma fachada para manter a influência de poder na região.

Dá mesmo para dormir em Pyramiden?

Sim, por mais incrível que pareça, é possível pernoitar no Hotel Tulpan, que foi parcialmente reformado após anos. Não espere conforto algum — os quartos são muito básicos e água quente só corre de vez em quando —, mas a possibilidade de passar a noite no silêncio absoluto de uma cidade fantasma ártica atrai fotógrafos do mundo inteiro.

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