Lanzarote, Espanha: 20 dicas do que ver e fazer

Imagine uma paisagem que parece que você acabou de pousar em Marte, mas que na verdade fica a apenas cerca de nove horas de voo do Brasil. Lanzarote Espanha é uma ilha fascinante cheia de contrastes dramáticos, onde a lava vulcânica negra contrasta intensamente com o azul infinito do oceano e as casas brancas e brilhantes dos moradores locais. Embora as Ilhas Canárias pertençam politicamente à Espanha, elas emergem geologicamente da plataforma continental africana, o que lhes confere um clima incrivelmente estável e agradável durante o ano todo. Nesta ilha você não vai encontrar hotéis altos e feios nem poluição visual, porque graças ao visionário artista local César Manrique ela preservou sua identidade autêntica e esteticamente limpa. Se você deseja um destino que oferece muito mais do que apenas dias na praia, prepare-se para explorar crateras vulcânicas, vinhedos únicos escondidos nas cinzas e túneis de lava subterrâneos. Vamos juntos descobrir o melhor que essa ilha de fogo tem a oferecer para você planejar suas férias em detalhes.

Vista panorâmica de Lanzarote, Espanha, com paisagem vulcânica
Foto: Jerzy Strzelecki / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo completo

  • Paisagem vulcânica: O Parque Nacional de Timanfaya é visita obrigatória, onde você vai ver de perto anomalias geotérmicas e uma paisagem formada pelas erupções massivas do século XVIII.
  • Legado de César Manrique: A ilha toda é praticamente uma galeria desse artista — não deixe de visitar o Jameos del Agua, o mirante Mirador del Río e o incrível jardim de cactos.
  • Vinho único: A região vinícola La Geria vai te impressionar com a forma de cultivo das videiras em covas fundas de cinzas vulcânicas; o vinho vulcânico Malvasia é imperdível.
  • Praias e surf: Para banho tranquilo, vá às praias de Papagayo ao sul; já a selvagem praia de Famara, a noroeste, é o paraíso dos surfistas e amantes das ondas.
  • Clima e temporada: Lanzarote é um destino para o ano inteiro, com temperaturas entre 20 e 28 °C, ideal para escapar do frio ou do calor intenso do verão brasileiro.
  • Transporte: Para explorar todos os cantos escondidos, alugar um carro é fundamental — as estradas são ótimas e o trânsito fora dos resorts é mínimo.
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Quando ir para Lanzarote

As Ilhas Canárias são frequentemente chamadas, com razão, de “ilhas da primavera eterna”, porque praticamente não existe temporada baixa por aqui. Enquanto o Brasil vive o inverno frio no sul ou as chuvas torrenciais do norte, em Lanzarote você pode aproveitar temperaturas muito confortáveis, que ficam o ano todo entre 20 e 28 °C. Os meses de inverno (dezembro a março) representam o pico da temporada para visitantes europeus que fogem do frio, o que naturalmente reflete em preços de acomodação um pouco mais altos.

Se você decidir vir durante o verão brasileiro (julho e agosto), pode se surpreender com o fato de que aqui é muito mais agradável do que no litoral espanhol continental. Graças às correntes oceânicas frias e aos alísios constantes, raramente se experimenta calor extremo de 40 graus; o ar circula sem parar e à beira-mar sempre há uma brisa refrescante. O oceano, inclusive nos meses mais frios do ano, mantém uma temperatura suportável entre 18 e 22 °C, então os mais resistentes podem nadar praticamente na virada do ano.

Para quem gosta de férias ativas, ciclismo e caminhadas, os meses ideais são março, abril, outubro e novembro. Nesse período você evita as multidões tanto do inverno quanto do verão europeu, o sol esquenta na medida certa e as passagens aéreas costumam ter preços mais em conta. Não se esqueça de levar um casaco leve, porque o vento forte pode reduzir bastante a sensação térmica, especialmente no período noturno.

Onde se hospedar em Lanzarote

💡 Dica de hospedagem e passeios: Preferimos buscar acomodações no Booking.com, onde as condições de cancelamento costumam ser melhores. Para ingressos, passeios e atividades, vale a pena comparar no GetYourGuide.

A escolha do bairro certo para se hospedar em Lanzarote vai definir muito o estilo das suas férias. A maioria dos visitantes opta por um dos três principais resorts na costa leste e sul, onde você encontra infraestrutura turística completa e praias protegidas. O mais ao sul, Playa Blanca, é ideal para famílias e quem busca tranquilidade, com um belo calçadão à beira-mar e fácil acesso às famosas praias de Papagayo. O resort Puerto del Carmen é mais agitado, cheio de restaurantes e lojas, enquanto Costa Teguise atrai mais viajantes esportivos e famílias com crianças maiores.

Se você prefere uma experiência mais tranquila e autêntica, longe do turismo de massa, vale a pena procurar hospedagem no interior da ilha. Vilas como Haría, Yaiza ou Teguise oferecem lindas casas brancas tradicionais e as chamadas “fincas”, que costumam esconder piscinas privativas e jardins deslumbrantes. Para surfistas e espíritos livres, a opção mais óbvia é o vilarejo de Caleta de Famara, na costa noroeste selvagem, com uma atmosfera descontraída e ruas frequentemente tomadas pela areia.

A melhor forma de reservar a sua hospedagem é pelo Booking.com, onde você encontra de tudo, desde apartamentos simples até resorts cinco estrelas. Se quiser um luxo de verdade pertinho da praia, dê uma olhada no magnífico Princesa Yaiza Suite Hotel Resort em Playa Blanca, conhecido pelo atendimento de alto nível. Uma opção intermediária com ótimo design e localização privilegiada é o popular Hotel Lava Beach em Puerto del Carmen, de onde você fica perto de todas as principais atrações da ilha.

20 dicas do que ver e fazer em Lanzarote

A ilha oferece uma mistura fascinante de natureza vulcânica bruta, arquitetura única e litoral deslumbrante. Veja em detalhes 20 lugares e atividades que definitivamente não podem escapar do seu roteiro se você quiser conhecer a essência de Lanzarote de verdade.

1. Parque Nacional de Timanfaya e as Montanhas de Fogo

Parque Nacional de Timanfaya e as Montanhas de Fogo em Lanzarote
Foto: Jerzy Strzelecki / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

O ponto central absoluto de toda a ilha é o Parque Nacional de Timanfaya, um vasto território formado pelas devastadoras erupções vulcânicas ocorridas entre 1730 e 1736. A paisagem aqui é tão extraterrestre que, segundo consta, veículos para missões na Lua e em Marte foram testados nesse local. Ao chegar ao centro de visitantes de Islote de Hilario, você vai se deparar com demonstrações geotérmicas fascinantes, em que os guias jogam água em buracos no solo e ela jorra de volta como um potente gêiser de vapor.

A visita pelo parque não é permitida com carro próprio: você precisa embarcar em um ônibus especial que percorre a chamada Ruta de los Volcanes. Esse trajeto de aproximadamente quarenta minutos por caminhos estreitos entre campos de lava e crateras, acompanhado de música dramática e narração, é simplesmente de tirar o fôlego. Bem ao lado do centro de visitantes fica o incrível restaurante El Diablo, projetado por César Manrique, onde os pratos são preparados em uma enorme grelha alimentada exclusivamente pelo calor das entranhas do vulcão.

💡 Dica da viajante: As filas de carros na entrada do parque podem ser extremamente longas na alta temporada — dá para esperar mais de uma hora. Chegue logo na abertura, por volta das nove da manhã, ou então no final da tarde, quando os grupos organizados já voltaram para os hotéis.

2. Jameos del Agua

Jameos del Agua, obra de César Manrique em Lanzarote
Foto: H. Zell / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Uma das obras-primas do genial artista César Manrique mostra como é possível unir perfeitamente a natureza bruta com a arquitetura moderna. O Jameos del Agua faz parte de um imenso túnel de lava subterrâneo formado há milhares de anos pela erupção do vulcão Monte Corona. Manrique transformou uma parte do túnel em colapso num espaço cultural e social único, que exala uma estética digna de um filme do agente 007 dos anos 1970.

Dentro da caverna escura você vai encontrar uma lagoa subterrânea com água cristalina, habitada por raros caranguejos brancos e cegos da espécie Munidopsis polymorpha, que existem em um único lugar no mundo inteiro. De lá, você sobe por escadas em espiral até um átrio externo deslumbrante, todo branco, dominado por uma piscina turquesa cercada de vegetação tropical exuberante, onde ninguém pode mergulhar.

O complexo também abriga um auditório subterrâneo fenomenal com acústica excepcional, onde shows e eventos culturais acontecem com regularidade. Deixe essa visita para o período da tarde, quando os raios de sol entram pelas aberturas da caverna e criam um espetáculo de luz e sombra na superfície do lago subterrâneo.

3. A caverna Cueva de los Verdes

Interior da caverna Cueva de los Verdes em Lanzarote
Foto: Luis Miguel Bugallo Sánchez (Lmbuga) / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Logo pertinho do Jameos del Agua você pode entrar em outra seção do mesmo enorme túnel de lava, que está entre os mais longos do mundo inteiro. A Cueva de los Verdes te leva em um passeio fascinante de cerca de um quilômetro pelo subsolo, onde as paredes exibem incríveis tons de ocre, vermelho e preto. Essas cores não são produto de iluminação artificial, mas da oxidação natural do ferro e outros minerais presentes na lava solidificada.

A visita acontece exclusivamente com guia, em grupos pequenos, e dura pouco menos de uma hora, durante a qual você aprende bastante sobre vulcanologia e a história da ilha. No passado, a caverna servia aos moradores locais como refúgio seguro contra as invasões de piratas africanos que saqueavam a ilha com frequência.

No final da visita, aguarda você uma grande surpresa visual que os guias proíbem terminantemente de revelar. Posso apenas garantir que essa ilusão de ótica vai enganar completamente os seus sentidos e vai se tornar um dos momentos mais marcantes de toda a aventura subterrânea.

4. A região vinícola de La Geria

Se você achava que vinha precisava de encostas verdes e solo fértil para crescer, a região de La Geria vai mudar para sempre a sua visão sobre viticultura. Essa área protegida parece mais uma instalação artística numa paisagem lunar do que propriamente uma terra agrícola. Milhares de pequenas covas cônicas são escavadas nas cinzas vulcânicas negras e profundas, e em cada uma delas se encolhe um único pé de uva verde.

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10. A histórica Teguise e o mercado de domingo

Cidade histórica de Teguise com ruas de paralelepípedo e arquitetura colonial
Foto: Marc Ryckaert (MJJR) / Wikimedia Commons, CC BY 3.0

A Villa de Teguise foi a capital de toda a ilha até meados do século XIX e ainda hoje conserva um lindo charme colonial com ruelas de paralelepípedo e palácios históricos. É provavelmente a cidade interiorana mais pitoresca e bem preservada, onde por alguns momentos você tem a sensação de ter voltado alguns séculos no tempo.

O maior movimento acontece sempre nos domingos de manhã, quando a cidade toda vira um enorme mercado. O Mercadillo de Teguise atrai milhares de visitantes e dá para encontrar de tudo: queijos locais, artigos de couro, produtos de aloe vera, cerâmica tradicional e souvenirs artesanais.

Se você não curte multidão, prefira visitar Teguise numa tarde de dia de semana. As ruelas ficam quase desertas, você visita com calma a Igreja de Nuestra Señora de Guadalupe e pode se sentar em um dos charmosos cafés da praça, onde o tempo corre no ritmo tipicamente calmo das Canárias.

11. A lagoa verde Charco de los Clicos

A vila de El Golfo, na costa oeste, esconde uma das maravilhas naturais mais bizarras de toda a Espanha. Diretamente na praia de areia vulcânica negra, cercada por uma falésia íngreme de um vulcão erodido, fica uma lagoa de cor verde brilhante e saturada, quase venenosa.

Essa cor, que dá nome ao Charco de los Clicos (também chamado de Lago Verde), é causada pela alta concentração de micro-algas e enxofre na água. A lagoa é conectada ao oceano por fendas subterrâneas, então a água circula constantemente e nunca seca. O contraste da praia negra, da água verde, das rochas vermelhas e do oceano azul cria uma cena de tirar o fôlego — e impossível de não fotografar.

Uma curta e segura trilha de mirante parte do estacionamento antes da vila. O acesso à água é proibido por razões de proteção ambiental, mas o mirante oferece uma visão absolutamente perfeita de toda essa paisagem multicolorida.

12. A costa fervilhante de Los Hervideros

Poucos quilômetros ao sul da lagoa verde você encontra um lugar onde o oceano trava uma batalha constante e barulhenta com a terra firme. Los Hervideros (em tradução literal, “As Águas Ferventes”) é um complexo de falésias e cavernas submarinas de lava negra contra as quais as ondas do Atlântico arrebentam com força descomunal.

Quando as ondas estão suficientemente fortes, a água se espreme sob enorme pressão pelas fendas estreitas da lava e jorra para o alto em forma de espuma branca e densa. Parece de verdade que o oceano inteiro está borbulhando e fervendo. Há caminhos de pedra e varandas seguros construídos ali, de onde você pode observar esse espetáculo natural selvagem com toda a segurança.

💡 Dica da viajante: A experiência em Los Hervideros é mais intensa com maré alta e tempo ventoso. Se o mar estiver calmo, o lugar perde boa parte de seu dramatismo — por isso vale acompanhar a previsão de ondas antes de ir.

13. As salinas de Janubio

Continuando pela costa oeste em direção ao sul, vai aparecer diante de você um imenso tabuleiro cheio dos mais variados tons de rosa, branco e marrom. As Salinas de Janubio são as maiores salinas em funcionamento das Ilhas Canárias, criadas no final do século XIX e que até hoje produzem sal marinho de altíssima qualidade de forma tradicional.

A água do mar é bombeada para cá por moinhos de vento antigos e vai evaporando lentamente nas rasas piscinas sob o sol quente das Canárias. A coloração variada de cada tanque é causada por micro-organismos halófilos e algas, que mudam de cor conforme a concentração de sal na água vai aumentando.

Você pode contratar uma visita guiada e comentada, durante a qual aprende tudo sobre a extração desse “ouro branco”, ou simplesmente ir à loja local e comprar o excelente sal em flocos chamado Flor de Sal, que é um souvenir fantástico e super prático para a sua cozinha.

14. La Graciosa, a ilha sem carros

Ilha de La Graciosa vista de Lanzarote, sem carros e com praias desertas
Foto: H. Zell / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

Se você sentir que Lanzarote tem gente demais, existe um refúgio onde o tempo parou algumas décadas atrás. La Graciosa é uma pequena ilha habitada ao norte de Lanzarote, em que não há nenhuma estrada asfaltada e o tráfego de veículos motorizados comuns é estritamente proibido.

Você chega até lá de balsa regular saindo do porto de Órzola, no norte de Lanzarote; a travessia pelo canal dura cerca de 25 minutos. Assim que desembarcar no charmoso vilarejo de Caleta de Sebo, recomendo alugar uma bicicleta de montanha, que é de longe a melhor forma de explorar a ilha.

Você pode pedalar por trilhas de areia até chegar às lindas praias desertas, como a Playa de las Conchas no noroeste da ilha. Lembre-se apenas de que nadar aqui pode ser perigoso por causa das correntes fortes, mas a sensação de isolamento absoluto e de conexão com a natureza bruta vale muito a viagem.

15. O vale das mil palmeiras em Haría

A parte norte de Lanzarote vai te surpreender com sua vegetação, que contrasta fortemente com o sul árido e vulcânico. Isso vale especialmente para a cidadezinha de Haría, encravada num vale conhecido como Valle de las Mil Palmeras. Esse nome poético vem de uma antiga tradição: ao nascer cada menina se plantava uma palmeira no vale, e ao nascer um menino, duas.

A própria Haría é uma cidade linda, tranquila e bem cuidada, repleta de arquitetura tradicional, que César Manrique escolheu como lar para os últimos anos de sua vida. Você pode visitar ali sua segunda casa (Casa Museo César Manrique), que, ao contrário da fundação em Tahíche, foi preservada exatamente no estado em que o artista a deixou antes do seu trágico acidente.

Todo sábado de manhã, na sombreada praça central de Haría, acontece um mercadinho artesanal muito agradável, muito mais íntimo e autêntico do que o movimentado de Teguise. É um ótimo lugar para comprar joias feitas à mão ou xarope de palmeira local.

16. Passeio de camelo no Echadero de los Camellos

Embora possa soar como uma armadilha turística, o passeio de camelo na beira do Parque Nacional de Timanfaya é uma das experiências mais icônicas da ilha, especialmente se você viaja com crianças. Os camelos (na verdade dromedários) foram utilizados por séculos nas Ilhas Canárias como animais de trabalho indispensáveis e hoje servem para um passeio único pela paisagem vulcânica.

O ponto de partida Echadero de los Camellos fica bem ao lado da estrada que leva a Timanfaya. Os animais têm assentos duplos especiais e o passeio dura cerca de vinte minutos, durante os quais eles vão te balançando suavemente subindo uma pequena crista vulcânica, de onde se tem uma ótima vista dos campos de lava negra.

Os defensores dos animais podem ficar tranquilos: os camelos são tratados com muito cuidado e rigor, têm limite de horas de trabalho estabelecido e não podem carregar peso excessivo. O passeio não é lá muito longo, mas a visão da caravana caminhando pela paisagem lunar cria a ilusão perfeita de uma viagem pelo Saara africano.

17. Casa Museo del Campesino

No centro da ilha, perto do ponto geográfico central de Lanzarote, se ergue outro monumento importante dedicado ao povo local. A Casa Museo del Campesino (Museu do Camponês) é uma homenagem à incansável dedicação e resistência dos agricultores canários, que por séculos conseguiram cultivar alimentos em um solo vulcânico absolutamente inóspito.

O complexo projetado por César Manrique é formado por lindos edifícios tradicionais brancos e tem como destaque uma estátua branca de quinze metros chamada Fecundidad (Fertilidade), montada com antigos tanques de água de embarcações. Nas casinhas internas, artistas locais demonstram tecelagem, fabricação de cerâmica e cestaria.

💡 Dica da viajante: O museu abriga um famoso restaurante subterrâneo construído numa caverna de lava. Têm ótimas tapas locais e pratos com ingredientes da região, então é uma parada ideal para um almoço autêntico durante o seu roteiro pelo interior da ilha.

18. A capital Arrecife e o Castillo de San José

Embora Arrecife não seja tão pitoresca quanto a histórica Teguise, como capital atual da ilha ela merece uma parada rápida. Você vai encontrar aqui um belo calçadão à beira-mar, ruas comerciais cheias de vida e um pequeno porto interno chamado Charco de San Ginés, que às vezes é carinhosamente apelidado de “Veneza do Atlântico” pelas barquinhas azuis atracadas por lá.

Imperdível é a histórica fortaleza Castillo de San José, do século XVIII, originalmente construída para se defender dos piratas. Nos anos 1970, César Manrique a transformou no Museu Internacional de Arte Contemporânea (MIAC).

Passeando pelas muralhas, você curte a vista do porto industrial e, nas entranhas da fortaleza, aprecia esculturas e pinturas modernas. E claro, aqui também não falta um restaurante fantástico com uma enorme janela de vidro bem sobre o oceano, que oferece gastronomia bem moderna em um ambiente elegante.

19. Caminhada à beira-mar em Playa Blanca

Na ponta mais ao sul da ilha fica o adorado resort Playa Blanca, perfeito para passeios noturnos tranquilos. O grande destaque é um calçadão costeiro pavimentado com mais de sete quilômetros de extensão, que vai do farol de Pechiguera, a oeste, até o porto de Marina Rubicón, a leste.

Ao longo de todo esse caminho, você vai ter a ilha de Fuerteventura sempre à vista, do outro lado do oceano, além das ilhotas de Isla de Lobos. A atmosfera é simplesmente mágica ao pôr do sol, quando o céu fica laranjado e as luzes da costa de frente começam a acender.

Não deixe de parar no moderno porto de iatismo Marina Rubicón, que lembra uma charmosa aldeia cheia de butiques e cafés. Duas vezes por semana acontecem feiras por lá e é onde atracam lindos veleiros e catamarãs se preparando para a travessia do Atlântico. É o lugar perfeito para tomar um café e simplesmente observar o vai e vem ao redor.

20. A gastronomia canária tradicional sem carne

A culinária canária é conhecida pelos frutos do mar e carnes assadas lentamente, mas mesmo sem carne dá para ter experiências gastronômicas absolutamente incríveis por aqui. O pilar de qualquer refeição, presente em absolutamente todos os restaurantes, são as chamadas papas arrugadas — batatas canárias cozidas com casca em água bastante salgada até formar uma crosta de sal por fora.

Essas batatas são servidas inevitavelmente com dois tipos de molho chamados mojo. O molho vermelho (mojo rojo) é picante, com pimenta malagueta e alho, enquanto o molho verde (mojo verde) é feito com coentro fresco, salsinha e azeite de oliva. Juntos, formam uma combinação incrivelmente viciante que você não vai conseguir parar de comer.

Como outras delícias vegetarianas, não deixe de experimentar o queijo grelhado com mel de palmeira (queso asado con miel de palma), as excelentes pimentinhas verdes fritas Pimientos de Padrón polvilhadas com sal grosso, ou a tradicional sopa de grão-de-bico potaje de garbanzos. E se você ver no cardápio legumes grelhados diretamente no calor do vulcão, não hesite nem por um segundo.

Para onde ir depois de Lanzarote

Se a cultura espanhola te encantou e você está pensando na próxima viagem, a Península Ibérica oferece possibilidades infinitas. As Ilhas Canárias ficam geograficamente na África, mas se você quiser conhecer a verdadeira paixão da Espanha continental, recomendo focar no sul do país. Confira nosso guia de Sevilha, a cidade do flamenco e da incrível arquitetura moura, ou descubra o que esconde a linda Granada com o icônico palácio da Alhambra.

Se você curte história entrelaçada com influência islâmica, não pode perder nosso artigo com 15 dicas do que ver em Córdoba, onde fica a famosa mesquita Mezquita. Para uma experiência mais completa do sul ensolarado, você pode planejar um roadtrip inteiro com a ajuda do nosso roteiro pelos 20 lugares mais bonitos da Andaluzia.

Prefere grandes cidades cosmopolitas e arquitetura moderna? Leia nossas dicas sobre Barcelona com as obras-primas de Gaudí, explore a majestosa capital Madri, ou vá em busca de boa comida e arte contemporânea no País Basco, em Bilbao. E se a leitura sobre Lanzarote te deixou com fome, aprenda quais são os pratos típicos espanhóis que você precisa provar nas suas próximas aventuras.

Perguntas frequentes

Preciso alugar um carro em Lanzarote?

Embora entre as cidades grandes e os balneários funcionem ônibus confiáveis (os chamados guaguas), eu recomendo fortemente alugar um carro. Só com o carro você chega com conforto às praias mais isoladas, às visitas matinais aos parques nacionais sem multidões e aos pequenos povoados do interior. As estradas aqui estão em excelente estado e o trânsito fora das vias principais é muito tranquilo.

O vento na ilha é realmente tão forte assim?

Sim, as Ilhas Canárias ficam expostas aos constantes ventos alísios. Em Lanzarote você vai sentir isso especialmente no litoral norte e oeste (como na praia de Famara). Mas o vento muitas vezes é bem refrescante, principalmente nos meses de verão. Se você procura um lugar abrigado para um banho de mar tranquilo, escolha os balneários no sul da ilha, como Playa Blanca.

Dá para beber água da torneira na ilha?

A água da torneira em toda a ilha é própria do ponto de vista sanitário, mas a maioria dos moradores e turistas não a bebe. Isso acontece porque a ilha não tem nenhuma fonte natural de água doce e a água é obtida pela dessalinização da água do mar. Por isso tem um gosto bem específico, às vezes levemente químico. Recomendo comprar grandes galões de água engarrafada nos supermercados.

Quantos dias devo reservar para Lanzarote?

Para explorar com calma os principais pontos da ilha e ter tempo suficiente para descansar, o tempo ideal é uma semana (7 dias). Se você também quiser fazer um passeio de balsa até a ilha vizinha de Fuerteventura ou até a ilha de La Graciosa, vale a pena acrescentar mais dois ou três dias.

Lanzarote é boa para nômades digitais?

Embora o principal centro para nômades nas Canárias seja Las Palmas, em Gran Canaria, Lanzarote vem se tornando um refúgio cada vez mais popular para o trabalho remoto. Você encontra aqui uma excelente conexão de internet e um ambiente mais tranquilo. Além disso, a Espanha lançou recentemente vistos especiais para nômades. A melhor base para trabalhar junto a uma comunidade de pessoas com a mesma sintonia é a vila de Famara ou os arredores de Teguise.

Como são as praias da ilha, são só pretas?

De jeito nenhum! Embora Lanzarote seja de origem vulcânica, você encontra aqui praias lindas de areia clara e dourada. As mais bonitas ficam no sul, na região de Papagayo ou em torno do balneário de Playa Blanca. As praias vulcânicas pretas você encontra mais no litoral oeste (por exemplo, perto de El Golfo) e elas têm um charme dramático inegável.

Vale a pena pagar pelas entradas, não são caras?

Graças ao fato de a maior parte dos pontos artísticos e naturais (Jameos del Agua, Mirador del Río, Cueva de los Verdes, Timanfaya) ser administrada por uma única organização, a CACT Lanzarote, você pode comprar ingressos combinados com desconto (os chamados bonos). Eles permitem a entrada em 3, 4 ou 6 centros por um preço bem menor do que se você pagasse cada entrada separadamente. O dinheiro gasto nesses lugares únicos definitivamente vale a pena.

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