O continente vermelho dos “antípodas” deveria estar na lista de todo viajante apaixonado pelo menos uma vez na vida. Acariciar cangurus na natureza selvagem, observar coalas preguiçosos nas copas dos eucaliptos ou assistir ao nascer do sol mágico junto ao sagrado Uluru são experiências que ficam marcadas para sempre. E embora esse país gigantesco tenha fama de destino relativamente caro, um roadtrip pela Austrália também pode ser feito com consciência do orçamento, desde que você saiba como fazer.
A maneira ideal de conhecer o país é, sem dúvida, ter um carro próprio e cair na estrada, o que te dá liberdade total. Em 2018, nossa turma escolheu a rota Sydney, Melbourne, Adelaide, Alice Springs e Darwin, o que significou percorrer quase 9.000 quilômetros em um único mês. Foi um baita desafio, mas provavelmente a melhor decisão que poderíamos ter tomado.
Neste guia detalhado, vamos ver juntos tudo o que você precisa saber antes de pisar no acelerador pela primeira vez do lado esquerdo da estrada. Vou te ensinar como escolher a rota ideal, no que prestar atenção na hora de alugar o carro e como sobreviver ao encontro com um gigantesco road train.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Visto eletrônico grátis: para um roadtrip turístico basta o eVisitor subclasse 651, que é totalmente gratuito e permite estadia de até 3 meses.
- Distâncias enormes: a travessia da costa leste de Sydney a Cairns tem mais de 2.400 quilômetros, uma distância em linha reta parecida com a de Londres a Moscou.
- Mão inglesa e road trains: na Austrália dirige-se pela esquerda e é comum cruzar com os chamados road trains, que passam de 50 metros e para ultrapassar exigem um trecho reto de até 2,5 quilômetros.
- Cuidado com cangurus no escuro: os animais são mais ativos ao entardecer e à noite, então depois de escurecer você não deve andar a mais de 65 km/h e, em caso de colisão, nunca pode girar o volante bruscamente.
- Acampamento selvagem é proibido: o wild camping é punido com multas, você precisa usar campings oficiais gratuitos ou parques de caravanas pagos, que se acham facilmente pelos apps CamperMate e WikiCamps.
- Postos no outback: nas regiões remotas as distâncias entre postos de combustível costumam ser de cerca de 300 quilômetros, então você deve abastecer em toda oportunidade.

Quando fazer o roadtrip pela Austrália
Não existe uma regra universal para saber exatamente quando ir ao continente vermelho, porque sua decisão vai depender principalmente de quais regiões específicas você pretende visitar. A Austrália é enorme e o clima varia dramaticamente conforme você esteja no norte tropical, no centro desértico ou no sul mais ameno.
Muitos viajantes escolhem para a visita o inverno europeu, ou seja, o período de dezembro a abril, quando na Austrália é pleno verão e alta temporada turística. A costa leste e sul do continente é, nesses meses, uma excelente escolha, especialmente se você quer curtir o surfe, explorar praias lindas e aproveitar o oceano morno. Por outro lado, é preciso considerar que no norte, em Queensland, ocorre nessa época a chamada stinger season (de novembro a maio), quando o mar fica cheio de águas-vivas perigosas e nadar sem uma roupa especial é um grande risco.
No outback e no norte, viajar no verão australiano é bem desconfortável e você pode se deparar com trilhas fechadas, feito para impedir que turistas irresponsáveis passem mal com o calor extremo. No norte também acontece a temporada oficial de ciclones tropicais, que vai de 1º de novembro a 30 de abril. Segundo as estatísticas de longo prazo, nesse período surgem em média dez ciclones, dos quais três a quatro chegam de fato ao continente e podem atrapalhar bem rápido seus planos de roadtrip.
Por isso, os próprios australianos preferem descobrir o centro vermelho e o norte tropical no verão europeu, ou seja, nos meses de maio a setembro. Esse período oferece no outback temperaturas diurnas bem mais agradáveis e os parques nacionais mais populares não costumam ficar tão lotados. Mas se você decidir cruzar o continente durante o verão europeu, não pode esquecer que no sul da Austrália vai ser inverno e as temperaturas à noite podem chegar perto de zero. Na nossa viagem em 2018 não estávamos nem um pouco preparados para isso, e algumas noites geladas e mal dormidas na barraca em algum ponto da costa sul vamos lembrar provavelmente até o fim da vida.
💡 Dica: Se você quer entender direitinho quais temperaturas te esperam em cada cidade, leia nosso artigo detalhado Clima na Austrália: quando ir de acordo com a região.

Onde dormir e como acampar na Austrália
Acampar faz parte inseparável de um roadtrip australiano, mas logo de cara é preciso deixar uma coisa absolutamente essencial clara. O wild camping é rigorosamente proibido em toda a Austrália, então a ideia de estacionar o carro ou armar a barraca em qualquer lugar de uma praia deserta pode te render uma multa bem gorda e uma discussão desagradável com os rangers locais.
Para evitar problemas, você deve pernoitar exclusivamente em locais destinados a isso. Eles se dividem em parques de caravanas pagos, que oferecem todo o conforto imaginável, e uma quantidade enorme de campings gratuitos, administrados por órgãos locais ou pela gestão dos parques nacionais. Para encontrá-los, recomendo fortemente baixar antes da viagem os ótimos aplicativos CamperMate e WikiCamps, sem os quais você simplesmente não se vira na estrada.
Nesses apps você encontra não só todos os locais legais para dormir, mas também indicadores bem práticos de chuveiros públicos, lavanderias, postos de gasolina ou pontos com Wi-Fi. É importante verificar, ao alugar o carro, se o veículo tem a certificação chamada self-contained, o que significa que tem banheiro embutido e tanque próprio para água servida. Se o carro tiver esse selo, se abre para você uma oferta muito mais ampla de campings gratuitos, onde carros comuns sem banheiro não podem entrar.
Mas mesmo sem banheiro embutido você acha inúmeros lugares legais para dormir. Nos campings gratuitos você só não pode esperar nenhum grande luxo, muitas vezes o único equipamento vai ser um banheiro seco simples e um pedaço de chão plano no meio do bush. No outback você ainda precisa tomar muito cuidado para ter galões próprios de água potável suficientes, porque muitos pontos de descanso não têm nenhuma fonte de água. Se você pretende comprar equipamento no local, o resto das miudezas dá para comprar bem barato na rede de lojas Kmart, que existe em toda cidade maior. Nossa turma trouxe de casa só um saco de dormir de qualidade, isolante, uma lanterna de cabeça confiável e um filtro de água.

Campings e parques de caravanas testados
Se de vez em quando você quiser um banho quente, lavar a roupa e usar uma cozinha totalmente equipada, vale a pena fixar-se em parques de caravanas oficiais. Especialmente depois de vários dias no outback empoeirado, voltar a essa civilização é literalmente impagável.
Ao percorrer a icônica Great Ocean Road, os viajantes adoram parar no camping Kennett River Family Caravan Park, que tem ótima avaliação e onde muitas vezes dá para observar coalas selvagens bem entre as caravanas. Se você for ao centro do continente, rumo a Alice Springs, uma excelente escolha para explorar as West MacDonnell Ranges é o confiável Discovery Parks – Glen Helen.
Na costa leste, no Queensland tropical, os viajantes elogiam há tempos o Mission Beach Hideaway Holiday Village ou o lindíssimo Daintree Beach Resort, que fica bem ao lado de uma das florestas tropicais mais antigas do mundo. Se você chegar à Tasmânia, com certeza não erra ao pernoitar no Strahan Beach Tourist Park, na costa oeste, ou no aconchegante Triabunna Cabin & Caravan Park, no leste. Uma boa estrutura também oferece o Swansea Holiday Park, de onde dá para sair tranquilamente para passeios no parque nacional Freycinet.

Rotas ideais para o seu roadtrip
Na internet você vai encontrar várias rotas populares, marcadas por um máximo de experiências, mas precisa ter sempre em mente que a Austrália é simplesmente enorme. Muita gente subestima fortemente as distâncias e depois, em vez de umas férias tranquilas, passa dias inteiros só sentada exaustivamente ao volante tentando cumprir um itinerário impossível.

Costa leste: o clássico cheio de praias e florestas
A rota provavelmente mais popular vai de Sydney ou Brisbane rumo ao norte, até Cairns. A principal atração dessa viagem pela costa leste é a Grande Barreira de Corais, as florestas tropicais e as praias infinitas. Se você ama o oceano, o surfe e o mergulho, essa é exatamente a escolha certa para você. Mas precisa contar com trechos realmente enormes. O caminho de Sydney a Brisbane tem cerca de 928 quilômetros e leva um tempo líquido de umas dez horas de estrada. De Brisbane a Cairns são mais surpreendentes 1.696 quilômetros, o que corresponde a cerca de 22 horas ao volante, que obviamente você precisa distribuir com bom senso por muitos dias.
A rota inteira de Sydney até lá em cima, em Cairns, tem mais de 2.400 quilômetros, algo que poucos de nós conseguem imaginar de verdade. Para dar uma ideia melhor, é uma distância em linha reta parecida com a de Londres a Moscou. Para esse roadtrip você precisa reservar no mínimo quatro a sete dias só para dirigir, mas, na prática, para explorar todas as belezas naturais e curiosidades, precisa de pelo menos três semanas cheias.

Centro vermelho: aventura no outback
Um pouco menos movimentada é a rota que vai direto pelo centro do continente, cujo ponto alto absoluto é o sagrado Uluru. Em geral se parte de Adelaide e termina em Darwin, no norte tropical. Você vai pela icônica Stuart Highway, que corta o interminável deserto vermelho. Essa viagem é para os aventureiros de verdade, que querem viver exatamente aquela Austrália que conhecem dos documentários. A desvantagem são centenas e centenas de quilômetros sentado no carro, quando o dia inteiro você não cruza praticamente com nada interessante, só poeira, arbustos e, de vez em quando, algum road train.
Na nossa viagem em 2018, depois de muita reflexão, escolhemos justamente o centro vermelho, mas ainda esticamos bastante a rota. Fomos de Sydney passando por Melbourne, Adelaide, Alice Springs até Darwin. Em um único mês, percorremos quase 9.000 quilômetros na nossa velha perua. Foi uma trabalheira enorme, mas esse grande circuito, mesmo assim, eu recomendo de coração por experiência própria.

Costa sul: penhascos dramáticos e a Tasmânia
A terceira viagem clássica vai de Perth, no oeste, até Melbourne, no leste. Nessa rota você não só percorre uma das estradas costeiras mais lindas do mundo, a famosa Great Ocean Road, como também vê uma natureza completamente diferente. Dessa rota, aliás, dá para desviar bem fácil para a intocada Tasmânia, aonde você chega de balsa direto de Melbourne. Se o que te atrai são penhascos dramáticos e florestas profundas, a rota sul não vai te decepcionar.
| Trecho da rota | Distância | Tempo líquido de estrada |
|---|---|---|
| Sydney – Brisbane | aprox. 928 km | aprox. 10 horas |
| Brisbane – Cairns | aprox. 1.696 km | aprox. 22 horas |
| Sydney – Melbourne (pelo interior) | aprox. 877 km | aprox. 9 horas |
| Sydney – Melbourne (pela costa) | aprox. 1.032 km | aprox. 13 horas |
💡 Dica: Se a costa leste te atrai, escrevemos um artigo detalhado sobre ela: Costa leste da Austrália: itinerário de 2 a 4 semanas.

Aluguel de carro e como escolher o veículo certo
Outro item enorme no seu orçamento de viagem vai ser o aluguel do carro. Os preços variam muito e o maior papel, claro, cabe ao tipo de veículo que você acabar escolhendo. Os mais baratos são os carrinhos urbanos pequenos, um pouco mais caros os carros de passeio espaçosos e, de longe, os que saem mais caros são as campervans equipadas, as vans e os grandes trailers.
Em 2018, escolhemos uma barata Ford Falcon na versão perua da empresa Travellers Autobarn, dentro da qual, com um pouco de boa vontade, coubemos os quatro com toda a bagagem pessoal. Apelidamos carinhosamente nosso carro de “Navio” e a empresa da qual o alugamos na época eu recomendo de consciência limpa a todos os mochileiros.
Dependendo da rota que você planejar em casa, também precisa considerar o tipo de tração. Se você quer rodar pelas famosas estradas de terra empoeiradas dos parques nacionais mais remotos, com certeza recomendo apostar num robusto 4×4 (4WD). Por outro lado, se nada te tira do sério e você pretende ficar exclusivamente nas principais vias asfaltadas, mesmo com a tração comum nas duas rodas dá para percorrer distâncias enormes e ver a maioria das principais atrações turísticas.
Para quem vai à Austrália em busca de mais aventura e por um tempo bem mais longo, muitas vezes vale a pena comprar de vez um carro usado de outros viajantes. Mas você precisa contar de antemão com o enorme risco de uma pane em algum lugar do outback profundo, todos os consertos correm por sua conta e você ainda precisa reservar tempo livre suficiente no fim da viagem para conseguir revender o carro por um preço razoável antes de voltar para casa.

Seguro do carro e taxas caras
Um item não menor do que o próprio aluguel do carro é um bom seguro. É claro que depende só de você o quanto vai decidir proteger financeiramente seu lar temporário sobre quatro rodas. Você pode contratar o seguro direto na locadora australiana, que costuma ser mais caro, ou encontrar uma boa oferta em uma seguradora externa especializada, o que muitas vezes sai bem mais em conta e cobre até os danos menores.
A coisa fundamental à qual você precisa prestar muita atenção é o fato de que o seguro comum das locadoras geralmente não vale ao dirigir em estradas sem pavimento. Assim que você sai do asfalto seguro para uma estrada de terra ou cascalho, todo o risco de dano ao chassi ou à pintura fica por sua conta, então leia sempre com muito cuidado as condições do seu contrato de aluguel.
Em 2018, por causa do orçamento apertado, decidimos contratar apenas o seguro do para-brisa, que na época nos custou 70 AUD (cerca de R$ 240). E posso te dizer que valeu muito a pena e nos poupou muito estresse. O para-brisa acabou trincando feio por causa das pedras lançadas pelos gigantescos caminhões que vinham em sentido contrário, e isso várias vezes durante a viagem.
As locadoras muito provavelmente também vão te cobrar mais uma taxa gorda caso você decida devolver o carro em uma cidade diferente daquela onde o retirou. É a chamada taxa one way. No nosso caso, em 2018, quando retiramos o “Navio” em Sydney e devolvemos lá no extremo norte, em Darwin, foram mais 200 AUD (cerca de R$ 680) a mais.
No total, nossa fiel perua para o mês inteiro, incluindo o seguro básico do para-brisa e aquela taxa de trajeto só de ida, saiu por cerca de 1.700 AUD (cerca de R$ 5.800). Os preços atuais de aluguel e das taxas escondidas hoje estão, claro, em outro patamar, então você precisa sempre conferir e calcular com muito cuidado as ofertas atuais das locadoras.

Segurança na estrada e particularidades de dirigir
Dirigir na Austrália tem suas particularidades bem claras, às quais nós brasileiros precisamos nos acostumar por um tempo e nos armar de paciência. A mais fundamental é o fato de que aqui se dirige do lado esquerdo da estrada. Os primeiros cruzamentos e rotatórias costumam ser uma verdadeira prova de nervos, quando, em vez das setas, você vai ligar o limpador de para-brisa toda hora, mas o cérebro humano geralmente se reorienta bem rápido e, em dois dias, você nem acha mais estranho.
Antes de viajar, recomenda-se fortemente providenciar a Permissão Internacional para Dirigir (PID) ou levar uma tradução oficial da sua CNH brasileira. As regras variam conforme o estado australiano. Por exemplo, no Território do Norte ou em Nova Gales do Sul você normalmente pode dirigir até com a carteira estrangeira, mas o melhor é sempre confirmar essa exigência direto com a sua locadora específica, para não ter uma surpresa desagradável na hora de pegar as chaves.

Cuidado com os gigantescos road trains
Um capítulo à parte são os chamados road trains, ou trens rodoviários, que cruzam as planícies infinitas do outback escaldante. Esses caminhões gigantescos costumam ter até três longos reboques e passam de cinquenta metros. Encontrar um monstro desses em uma estradinha estreita impõe um enorme respeito, e a onda de pressão de ar quente sacode bastante o seu carro de passeio.
Se você decidir ultrapassar um road train desses na rodovia, precisa estar absolutamente seguro da manobra. Para uma ultrapassagem segura você precisa de um trecho reto de até 2,5 quilômetros com visibilidade perfeita até o horizonte. Nunca comece a ultrapassagem se não enxergar longe o suficiente à sua frente, porque essa manobra demorada leva um tempo realmente inacreditável.

Cangurus, escuridão e manobras evasivas traiçoeiras
Mas o maior perigo das estradas australianas não são os caminhões, e sim os animais locais. Cangurus, wombats atarracados e outros moradores do bush são mais ativos ao amanhecer, ao entardecer e à noite. Os bichos são totalmente imprevisíveis e muitas vezes pulam bem embaixo das rodas do carro em movimento, saindo do mato denso à beira da estrada, sem te dar chance de reagir a tempo.
Por isso, a regra de ouro do roadtrip australiano é bem clara: se você puder, evite dirigir no escuro. Se mesmo assim precisar rodar depois de escurecer, a velocidade, por segurança, nunca deve passar de 65 km/h. A pior estatística de animais atropelados é a da Tasmânia, que tem o pouco lisonjeiro recorde mundial e muitas vezes é apelidada pelos motoristas de capital mundial do roadkill.
Se um animal realmente aparecer na sua frente e a colisão for totalmente inevitável, lembre-se da regra de sobrevivência mais importante: nunca gire o volante bruscamente. Uma manobra evasiva brusca em alta velocidade quase sempre termina em perda de controle do veículo, capotamento na vala ou uma batida fatal contra uma árvore. A única solução certa é frear com força mantendo a direção reta.

Não subestime o abastecimento no outback
Enquanto na costa leste você encontra civilização e serviços com bastante frequência, assim que parte para o centro do continente, as regras do jogo mudam radicalmente. Os postos no outback costumam ficar a cerca de trezentos quilômetros um do outro, uma distância que você simplesmente não quer arriscar com o tanque pela metade no meio do deserto.
Por isso, acostume-se a abastecer em toda oportunidade, mesmo achando que ainda tem combustível de sobra. Para ficar tranquilo, também é bom carregar no porta-malas pelo menos um galão cheio como reserva de emergência, porque você nunca sabe quando vai topar com um posto fechado ou uma bomba quebrada no meio do nada. No outback, além disso, muitas vezes não tem sinal de celular, então não esqueça de baixar mapas offline para não se perder.

Quanto custa um roadtrip pela Austrália (nosso orçamento)
Apesar de a Austrália ter fama de país caro, com um pouco de planejamento cuidadoso dá para manter os custos bem sob controle. Durante nossa viagem de um mês em 2018, meu gasto pessoal sem passagens aéreas chegou, em conversão, a cerca de R$ 25.000 (aprox. 40 mil coroas). Mas foi umas férias estritamente low cost com tudo a que se tem direito, em que dormíamos principalmente em campings gratuitos e cozinhávamos por conta própria.
O maior item único costuma ser, claro, a passagem aérea de ida e volta. Uma ótima forma de economizar um pouco nas passagens é voar para a Austrália como parte de uma viagem mais longa pelo Sudeste Asiático ou a partir da vizinha Nova Zelândia. Desses lugares opera uma boa quantidade de companhias low cost que oferecem preços bem melhores do que os voos diretos de longa distância saindo de São Paulo. Para o trecho longo até a Ásia, vale comparar as tarifas de companhias como LATAM, GOL, Azul e TAP.
O segundo grande item é o próprio aluguel do carro e o combustível. Aqui os custos se dividem pelo número de passageiros, então quanto mais cheio o carro, mais barato saem os deslocamentos diários. Para derrubar o gasto total ao mínimo absoluto, você precisa esquecer os cafés caros e comprar mantimentos exclusivamente nos grandes supermercados.
Na viagem, sobrevivíamos principalmente com ingredientes baratos. Sucesso absoluto foram macarrão, arroz, feijão, pão de forma com pasta de amendoim e potões de homus. Para preparar as refeições usávamos ou nossos próprios fogareiros a gás pequenos, a boa e velha fogueira, ou as ótimas churrasqueiras elétricas públicas, que existem em quantidade por todo o país junto a parques e praias, e são de graça.
Se você quiser provar o clássico local, vai ver que os australianos adoram o tradicional fish and chips ou tortas de carne quentes (meat pies), que dá para comprar quase em qualquer posto de gasolina. Se você quer curtir as férias realmente com tudo e pagar por experiências como o mergulho no recife, vai colocar a mão no bolso bem mais fundo. Por sorte, a maioria dos parques nacionais é de acesso totalmente gratuito, com exceção da área de Uluru – Kata Tjuta, onde se paga entrada. Os preços atuais de hospedagem, combustível e carros estão, claro, em outro patamar do que em 2018, então você precisa calcular bem o orçamento atual conforme as tabelas mais recentes.

Visto para a Austrália e papelada
Antes da viagem à Austrália, você definitivamente não pode esquecer de providenciar o visto a tempo, sem o qual a equipe da companhia não te deixa nem embarcar no avião. O Brasil não faz parte do programa eVisitor (subclasse 651), reservado a alguns países europeus. Para brasileiros com passaporte comum, a melhor opção para um roadtrip turístico é o visto eletrônico ETA (subclasse 601), cuja taxa de serviço é de cerca de 20 AUD (aprox. R$ 70) e que permite estadia de até 3 meses.
Não se deixe confundir por guias antigos em inglês que mandam solicitar vistos que não valem para o seu passaporte. Confira sempre a lista oficial de países elegíveis para cada tipo de visto e faça o pedido somente pelos canais oficiais do governo australiano ou do aplicativo Australian ETA, para não cair em intermediários que cobram taxas infladas.
O ideal é providenciar o visto com antecedência e comprar a passagem cara só depois da aprovação. As autoridades australianas podem pedir documentos adicionais ou fazer verificações, o que pode inesperadamente estender o processo por várias semanas. Preste muita atenção também ao fato de que, se sua permanência na área de trânsito australiana durante uma conexão passar de 8 horas, a exigência de visto vale para você mesmo que esteja só de passagem.
Uma boa notícia, por outro lado, é que para a entrada turística comum na Austrália não há nenhuma vacina obrigatória, então você não precisa se preocupar com visitas demoradas e caras a clínicas de medicina de viagem. Mesmo assim, vale conferir as recomendações atualizadas antes de embarcar.
💡 Dica: Se você não tem certeza do procedimento, preparamos um passo a passo detalhado: Vistos para a Austrália: ETA passo a passo.
Aonde ir depois do roadtrip pela Austrália
A Austrália é tão diversa que um único roadtrip definitivamente não basta para conhecê-la. Se você quer planejar etapas concretas, dê uma olhada no nosso artigo-pilar principal Férias na Austrália: 30 lugares mais lindos + dicas práticas.
Se você vai atrás de cangurus e coalas, com certeza vai se interessar pelo nosso guia Animais na Austrália: onde ver cangurus e coalas, para saber exatamente aonde apontar o carro. Também pode te interessar o guia da deslumbrante cidade de Sydney ou as dicas de snorkel no artigo sobre a Grande Barreira de Corais.
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Comparar preços de carros →Perguntas frequentes
Qual visto eu preciso para um roadtrip pela Austrália?
Para fins turísticos e estadias de até três meses, você como cidadão brasileiro precisa solicitar o visto eletrônico eVisitor (subclasse 651), que é totalmente gratuito. A solicitação é feita online e recomenda-se providenciá-la antes de comprar as passagens aéreas, pois as autoridades às vezes podem pedir documentação adicional, o que pode prolongar desagradavelmente todo o processo de aprovação.
É permitido acampar na natureza na Austrália?
Não, o chamado wild camping é estritamente proibido em toda a Austrália e você pode receber multas altíssimas dos rangers locais. Você deve pernoitar exclusivamente em locais designados para isso. Felizmente, o país possui uma enorme rede de campings gratuitos e áreas de descanso, que você pode encontrar facilmente usando aplicativos móveis como CamperMate ou WikiCamps.
Qual é o melhor carro para um roadtrip australiano?
Depende do seu roteiro. Para circular pelas principais rodovias asfaltadas e ao longo da costa leste, um carro comum ou van com tração nas duas rodas é mais do que suficiente. Mas se você pretende explorar estradas de terra remotas no outback ou nos parques nacionais, definitivamente vale a pena investir em um veículo 4×4 robusto.
O que são road trains e como ultrapassá-los?
Road trains são enormes caminhões articulados que transportam cargas pelas áreas remotas do outback. Eles normalmente possuem até três reboques longos e medem mais de 50 metros. Se você precisar ultrapassá-los, deve ter à disposição um trecho reto de até 2,5 quilômetros com perfeita visibilidade, porque a manobra toda leva muito tempo.
É seguro dirigir na Austrália à noite?
Dirigir à noite na Austrália, especialmente no outback, não é nada recomendado. Ao entardecer e durante a noite, cangurus e wombats ficam mais ativos e frequentemente pulam direto na pista sem aviso. Se você realmente precisar dirigir após o anoitecer, não deve ultrapassar a velocidade de 65 km/h e em caso de colisão nunca deve virar o volante bruscamente.
Como funciona o abastecimento de combustível no outback?
Nas áreas remotas, as distâncias entre postos de gasolina são enormes, você pode facilmente encontrar trechos longos onde não há posto de combustível por até 300 quilômetros. A regra básica é, portanto, abastecer em toda oportunidade possível, mesmo que ainda tenha meio tanque, e levar consigo pelo menos um galão de reserva cheio no porta-malas para garantir.
Qual é a melhor época para visitar a Austrália?
Para a costa sul e leste, o ideal é ir durante o inverno brasileiro (dezembro a abril), quando você pode aproveitar o calor e as praias. Já para o centro vermelho e o norte tropical, a melhor época é durante o nosso verão (maio a setembro), porque você evita o calor assassino no outback, trilhas fechadas e a temporada de ciclones tropicais perigosos.
O seguro da locadora funciona na Austrália em estradas de terra?
Geralmente não. Os contratos comuns das locadoras de veículos contêm uma cláusula de que qualquer seguro deixa de valer automaticamente no momento em que você sai de uma estrada asfaltada oficial para uma via de terra ou cascalho. Se você planeja fazer offroad, deve verificar essas condições com muito cuidado e possivelmente contratar uma cobertura especial com uma empresa externa.
