Quando alguém fala em Londres, na Inglaterra, a maioria de nós pensa imediatamente no Palácio de Buckingham, a residência oficial do monarca britânico e um dos edifícios mais famosos do mundo. Nós chegamos a Londres há muito tempo, depois de um ano vivendo no Canadá, e na época percorríamos a cidade inteira de bicicleta e economizando muito. As visitas pagas não estavam no roteiro, mas o palácio tem aquele charme de impor sua majestade assim que você se aproxima do portão principal.
Durante os preparativos para uma nova viagem, porém, descobri que a visita ao palácio tem regras bem rígidas e, se você não se informar com antecedência, pode acabar bastante decepcionado no local. A maioria das pessoas nem imagina que a famosa troca da guarda é, na verdade, muito mal vista de perto do portão principal, ou que só dá para entrar durante o verão. Em resumo, existem muitos mitos girando em torno de toda a residência.
Por isso, montei este guia definitivo para você. Nele você vai encontrar tudo o que importa, desde os preços exatos dos ingressos e os melhores pontos para fotos até histórias fascinantes, como a do intruso que invadiu o quarto da rainha. Prepare o bloco de notas, vamos planejar juntos para você aproveitar ao máximo esta residência real.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Só dá para entrar no verão: os Salões de Estado (State Rooms) ficam abertos ao público por cerca de dez semanas no ano, este ano de 9 de julho a 27 de setembro.
- A troca da guarda não é diária: a cerimônia acontece às segundas, quartas e sextas às 11h e aos domingos às 10h. Em caso de chuva forte, ela pode ser cancelada até em cima da hora.
- Fuja das grades: na troca da guarda, do portão principal você vai ver principalmente a nuca dos outros turistas. Uma vista melhor é oferecida pelas escadarias do Victoria Memorial ou pelo quartel próximo.
- Observe a bandeira: se sobre o telhado tremula o estandarte real colorido (Royal Standard), o rei está em casa. Se você vê a bandeira britânica (Union Jack), o monarca está fora.
- Compre os ingressos com antecedência: os ingressos na bilheteria são mais caros e esgotam muito rápido. A reserva online é absolutamente indispensável.
- Para famílias com crianças: a longa troca da guarda costuma entediar os pequenos, que se empolgam muito mais com as carruagens reais do Royal Mews.
Ingressos e horário de funcionamento do Palácio de Buckingham em 2026
Esta é uma informação absolutamente essencial: os espaços internos, ou seja, os State Rooms, ficam abertos ao público APENAS no verão, de 9 de julho a 27 de setembro de 2026. No resto do ano você simplesmente fica na mão, porque o palácio funciona a todo vapor e o rei está trabalhando ali. Se você viajar fora desta alta temporada de verão, terá que se contentar apenas com uma foto por cima do gradil.
Quer conhecer os espaços onde são recebidas as visitas de Estado? A visita foi pensada como um percurso independente de cerca de 2 a 2,5 horas e o preço do ingresso já inclui um ótimo audioguia. Os ingressos comprados na hora sempre saem um pouco mais caros e, principalmente, esgotam num piscar de olhos. Por isso, compre com bastante antecedência online, para não sair de mãos vazias.
| Categoria | Pré-venda | Na bilheteria | Aprox. em EUR |
|---|---|---|---|
| Adulto (25+) | £33 | £37 | ~38 € / 43 € |
| Jovem (18–24) | £21,50 | ~£23–25 | ~25 € |
| Criança (5–17) | £16,50 | ~£18–20 | ~19 € |
| Até 5 anos | grátis | – | 0 € (reserva obrigatória) |
Se você viaja a Londres com crianças, o site oficial às vezes oferece um ingresso familiar mais vantajoso. Mas o valor exato e as condições costumam mudar com frequência. Por isso, o melhor é verificar diretamente no carrinho das páginas oficiais antes de pagar.
O palácio oferece ainda outras atrações que se pagam à parte. A entrada isolada nas cavalariças reais Royal Mews sai por £18 para adultos. O ingresso para a The King’s Gallery custa £22 e este ano ela recebe uma exposição única sobre a vida de Elizabeth II. Se você quer ver absolutamente tudo e passar o dia inteiro ali, aposte no ingresso combinado Royal Day Out por £65,70.
Ficou fascinado com a famosa varanda de onde a família real acena com frequência? Agora dá para pagar a mais por uma visita guiada premium à East Wing, que te leva também até a Centre Room, logo atrás da varanda. O ingresso sai por generosos £93, mas, para garantir, confira o valor atualizado no site rct.uk. Como curiosidade, vale dizer que britânicos que recebem certos benefícios sociais têm direito a ingressos por uma libra simbólica.
A entrada acontece sempre em faixas exatas de quinze minutos, então você não precisa temer filas intermináveis. Você encontra menos gente lá dentro se conseguir garantir o primeiro horário da manhã.
| Período | Horário de funcionamento |
|---|---|
| 9/7 – 31/8/2026 | diariamente 9h30–19h30 |
| 1/9 – 27/9/2026 | dias mais curtos (horários das últimas entradas no rct.uk) |
💡 Minha dica: compre os ingressos para os State Rooms exclusivamente no site oficial do Royal Collection Trust. Já pelo portal GetYourGuide você consegue reservar ótimos tours e combinações com outras atrações de Londres.
Qual a melhor época para ir a Londres e ao palácio
Se você quer ver os interiores, na verdade não tem escolha e precisa ir nos meses de verão. Nesse período a família real viaja para a Escócia, ao Castelo de Balmoral, e o palácio abre ao público por cerca de dez semanas. Isso significa, porém, que você vai encarar as maiores multidões de turistas, então armar-se de paciência é fundamental aqui.
Para uma simples apreciação por fora, o ideal é a primavera ou o outono. Os parques de Londres ao redor ficam lindamente coloridos e as temperaturas são agradáveis para longas caminhadas. A troca da guarda acontece o ano inteiro, mas no inverno os soldados vestem casacos cinzas, que nas fotos não ficam tão marcantes quanto os tradicionais uniformes vermelhos de verão.
Ao próprio portão, recomendo chegar bem cedo pela manhã ou, ao contrário, no fim da tarde. Durante a manhã as multidões se concentram por causa da troca da guarda e a praça em frente ao palácio fica lotadíssima. Já na luz do entardecer você fotografa o edifício com relativa tranquilidade e uma atmosfera muito mais bonita.
Troca da guarda: onde ficar para não ver só as costas dos outros
A famosa troca da guarda, o Changing of the Guard, é um clássico absoluto de Londres. Uma enorme vantagem é que esse desfile é totalmente gratuito e você não precisa de nenhum ingresso. Basta simplesmente chegar ao lugar certo na hora certa. Mas há um pegadinha enorme que faz muita gente se dar mal.

A maioria dos guias esquece de te contar a coisa mais importante. Se você se posicionar junto ao gradil da frente do palácio, provavelmente vai ver só as costas das pessoas à sua frente e o portão imponente. É que a própria cerimônia acontece bem longe, atrás do gradil, no pátio interno. Quem não chega pelo menos 90 minutos antes, normalmente vai embora muito decepcionado.
Então, qual é o melhor lugar? Vá direto para as escadarias do memorial Victoria Memorial, que fica bem em frente ao palácio. É um ponto elevado, então você enxerga lindamente por cima das cabeças da multidão tanto o próprio palácio quanto a chegada e a saída dos guardas. A melhor vista fica no lado do memorial voltado para o palácio, mas ele lota mais rápido do que qualquer outro, então nos meses de verão esteja lá já por volta das 10h15.
Além disso, o cronograma mudou um pouco em 2026 e a troca não acontece todos os dias. Nas segundas, quartas e sextas tudo começa às 11h, enquanto aos domingos o formato da cerimônia muda e começa já às 10h. Toda a cerimônia dura cerca de 45 minutos. Mas sempre confira a data específica no calendário oficial, porque os planos costumam mudar.
O tempo inglês sabe atrapalhar tudo, então em caso de chuva forte a cerimônia é cancelada sem dó. Às vezes a decisão sai literalmente em cima da hora, tranquilamente às 10h45. Por isso vale a pena ter na manga um plano B, caso caia aquele toró.
Se você não suporta multidões enormes, existem alternativas bem mais espertas. Experimente ir ao quartel Wellington Barracks, na Birdcage Walk, por volta das 10h45. Ali você observa de pertinho e sem aperto a formação e a inspeção da Nova Guarda antes mesmo de ela sair marchando. A larga avenida The Mall, por onde os guardas marcham com música, também oferece um espetáculo e tanto, com tudo bem na sua frente.
Outra opção realmente excelente é a troca na Horse Guards Parade. É verdade que é uma cerimônia um pouco mais curta, de cerca de 30 minutos, mas há um mínimo absoluto de turistas. Basta chegar dez minutos antes do início e você ainda garante um lugar de luxo na primeira fila. Assim você escapa da pior loucura, aquela que reina em frente ao palácio principal.
Aliás, essa é uma dica genial para famílias com crianças. Para os pequenos, o aperto na multidão junto ao portão principal do Palácio de Buckingham é pura frustração, porque eles simplesmente não veem nada por entre os adultos. Já na Horse Guards ou em Wellington Barracks eles saem com uma experiência incrível e você economiza os nervos.
Onde se hospedar perto do Palácio de Buckingham
Ficar a uma distância a pé da residência do monarca britânico significa que você está nos bairros mais prestigiados de Londres, como Westminster ou St James’s. Os preços aqui são, logicamente, mais altos, mas em compensação você economiza um monte de tempo de deslocamento de metrô e tem os principais pontos turísticos literalmente virando a esquina.
Se você busca luxo de verdade com história, reserve uma noite no The Goring. Esse hotel icônico fica a poucos passos do palácio e tem até o selo real, era um dos favoritos da Rainha-Mãe e a princesa Kate passou nele a noite anterior ao seu casamento. Outra escolha fantástica para os exigentes é o The Rubens at the Palace, que fica bem em frente às cavalariças reais e oferece quartos com vistas deslumbrantes para os muros do palácio.
Para quem ama elegância moderna aliada ao clássico, recomendo o Sofitel London St James ou o vizinho Conrad London St James. Os dois hotéis oferecem serviço de primeira e ficam a uma agradável distância a pé da The Mall e dos parques ao redor. Uma ótima experiência boutique é proporcionada pelo escondido St. James’s Hotel and Club, que se orgulha de um restaurante fantástico e uma atmosfera incrivelmente tranquila.
Se você tem um orçamento mais apertado, mas mesmo assim quer se hospedar estrategicamente perto, dê uma olhada no Premier Inn London Victoria. Esse hotel oferece quartos limpos e modernos por um preço razoável, fica ao lado da estação Victoria e você chega ao palácio em uma caminhada tranquila de menos de dez minutos. Sempre recomendo reservar hotéis com bastante antecedência pelo Booking, porque as vagas no centro de Londres somem num piscar de olhos.
10 dicas do que ver e fazer no Palácio de Buckingham
1. A troca da guarda sem decepção e sem multidões
A troca da guarda (Changing of the Guard) é provavelmente o evento mais procurado de toda Londres. Todo mundo quer ver os soldados de casacos vermelhos com os enormes chapéus de pele de urso. Mas a realidade é que a maioria dos visitantes que se posiciona bem junto ao gradil principal do palácio vai embora decepcionada. É que desse ponto você vai ver principalmente a nuca dos outros, um pedaço do portão de ferro, e a cerimônia acontece longe demais, no pátio.
Por isso, viajantes experientes recomendam escolher um lugar mais estratégico. O melhor de todos são as escadarias do memorial Victoria Memorial, bem em frente ao palácio. Ali você fica elevado acima da multidão e tem uma bela visão da chegada dos guardas e do que acontece atrás do gradil. Mas você precisa chegar por volta das 10h15 para garantir um bom lugar. Assim que a cerimônia começa, você não consegue mais se desvencilhar da multidão.
💡 Dica: se você não suporta aglomerações, deixe o palácio de lado e vá ao vizinho Wellington Barracks, na rua Birdcage Walk. Por volta das 10h45 você vê ali a formação e a inspeção da Nova Guarda bem de pertinho e com muito menos turistas. Uma alternativa ainda melhor é a cerimônia na Horse Guards Parade, que dura apenas trinta minutos, não tem tanta aglomeração e você fica literalmente ao alcance dos soldados.
Lembre também que a troca junto ao palácio não acontece todos os dias. O cronograma atual deste ano marca segundas, quartas e sextas às 11h e domingos às 10h. Além disso, tudo pode mudar e, em caso de chuva forte, o evento é cancelado sem piedade, tranquilamente às 10h45. Por isso, antes da viagem, sempre confira o calendário atualizado no site oficial da Household Division.
2. Como saber se o rei está em casa
Esse é aquele detalhe super prático com o qual você pode impressionar seus companheiros de viagem. Muita gente acha que, ao chegar ao palácio, o rei vai estar acenando de alguma janela. Na verdade, se o monarca está fisicamente presente no edifício ou não, você descobre com um único olhar para o telhado.
Se no mastro principal tremula o estandarte real colorido (Royal Standard), cheio de leões e a harpa irlandesa, isso significa que Charles III está em casa naquele momento. Aliás, essa bandeira nunca é hasteada a meio mastro, nem mesmo na morte de um monarca, porque o trono nunca está vazio.
Quando o rei viaja para outra propriedade ou para o exterior, sobre o palácio tremula a clássica bandeira britânica, a conhecida Union Jack. É interessante que esse costume com a bandeira nacional britânica só foi adotado em 1997. Antes, quando o monarca não estava em casa, o mastro simplesmente ficava vazio.
3. A visita aos State Rooms (Salões de Estado)
Como já mencionei, os interiores do palácio abrem apenas por um curto período de verão. Este ano isso cai no período de 9 de julho a 27 de setembro. Você percorre dezenove salões deslumbrantes, que servem para visitas oficiais de Estado e cerimônias. Vai ver a famosa Sala do Trono (Throne Room) com seu arco dramático, o enorme Salão de Baile (Ballroom) e a Galeria de Pinturas com obras de Rembrandt e Rubens.
O ingresso para adultos custa 33 libras (cerca de 38 €) na pré-venda, jovens até 24 anos pagam 21,50 libras e crianças, 16,50 libras. Os ingressos na bilheteria são alguns libras mais caros, mas, principalmente, costumam estar irremediavelmente esgotados. A visita em si acontece sem guia ao vivo, mas o preço inclui um ótimo audioguia e leva cerca de duas a duas horas e meia.
💡 Dica de reserva: muita gente compra os ingressos por intermediários, o que faz sentido para diversas visitas combinadas. Mas se você quer apenas o ingresso básico, dê uma olhada primeiro no site oficial do Royal Collection Trust. Para outras atividades em Londres, você pode usar o buscador GetYourGuide, onde encontra ótimas dicas de passeios de barco ou bate-voltas para fora da cidade. As fotos dentro dos salões, aliás, costumam ser bem restritas ou totalmente proibidas, então já conte que vai guardar as lembranças, principalmente, na memória.
4. A East Wing e a famosa varanda que o mundo inteiro conhece
A ala leste (East Wing), com aquela famosa varanda, na verdade não fazia parte da construção original. Ela só foi acrescentada em meados do século XIX, a pedido da rainha Vitória, porque o palácio estava simplesmente pequeno para sua família crescente. A varanda foi projetada pelo próprio príncipe Albert e a rainha Vitória acenou dela pela primeira vez às multidões em 1851, na abertura da Grande Exposição Mundial.
Desde então, ela se tornou símbolo da monarquia britânica. Foi justamente ali que aconteceu o momento histórico de 8 de maio de 1945, quando o rei George VI, a rainha Elizabeth e as então jovens princesas apareceram diante da multidão em júbilo para celebrar o fim da guerra na Europa. Ao longo daquele dia, eles surgiram na varanda oito vezes, uma delas até ao lado do primeiro-ministro Winston Churchill.
Hoje a varanda serve principalmente para casamentos reais, jubileus e as comemorações de aniversário em junho. Além disso, desde 2024 acontecem visitas guiadas especiais à Ala Leste, que incluem a visita à chamada Centre Room. É justamente desse cômodo que se sai para a própria varanda, então você pode olhar a The Mall com os mesmos olhos dos membros da família real. Mas essas visitas são mais caras e somem muito rápido.
5. O The Royal Mews e a impressionante carruagem dourada
Se você viaja com crianças, a própria troca da guarda provavelmente vai entediá-las depois de alguns minutos. Uma experiência muito melhor para elas serão as cavalariças reais chamadas The Royal Mews. Trata-se de cavalariças em funcionamento, onde cuidam dos cavalos e guardam todas aquelas magníficas carruagens históricas que vemos na TV nas ocasiões solenes.

O ponto alto absoluto da visita é a Gold State Coach, uma enorme carruagem dourada com mais de 260 anos. Ela é usada em toda coroação desde os tempos de George IV e vê-la ao vivo é realmente algo de outro mundo. Na vida real ela é surpreendentemente enorme e os detalhes de ornamentação são de tirar o fôlego. As crianças ainda encontram ali cantinhos interativos com um pônei de madeira e desenhos para colorir.
A entrada nas cavalariças custa 18 libras (cerca de 21 €) para adultos e fica aberta de março a novembro. Famílias podem verificar os pacotes de preços atuais diretamente no site oficial. Só lembre de um aviso sincero: trata-se de cavalariças em funcionamento, então os cavalos podem não estar lá justamente no dia da sua visita, caso estejam cumprindo outras obrigações.
6. A The King’s Gallery e seus tesouros artísticos
Bem ao lado do palácio você encontra a The King’s Gallery, antes conhecida pelo nome da rainha. Essa galeria abriga exposições que mudam regularmente, com obras de arte da imensa coleção real (Royal Collection). É o lugar ideal para os amantes de arte que visitam Londres fora da temporada de verão, quando os principais Salões de Estado estão fechados.
Este ano oferece uma exposição fascinante dedicada à vida e ao estilo de Elizabeth II. Você vai ver ali centenas de objetos, muitos deles apresentados ao público pela primeira vez. O ingresso para adultos sai por 22 libras, jovens pagam 14 libras e crianças, 11 libras.
A vantagem da galeria é que o preço inclui um guia multimídia e os espaços não são tão imensos, então a visita não te esgota totalmente. Se você planeja visitar os Salões de Estado, as cavalariças e a galeria no mesmo dia, vale a pena comprar o ingresso combinado Royal Day Out, que sai por menos de 66 libras e te economiza um bom dinheiro.
7. O jardim real e as delícias vegetarianas do Garden Café
O jardim do Palácio de Buckingham tem incríveis 39 acres (cerca de 16 hectares) e é, por isso, o maior jardim particular de toda Londres. É literalmente um oásis em meio à cidade, onde você encontra mais de mil árvores, um enorme lago e até uma quadra de tênis. No passado, junto ao lago, chegou a viver uma colônia de flamingos cor-de-rosa, até que, infelizmente, todo o bando foi dizimado por uma raposa em 1996.
Uma curiosidade é que, numa pequena ilha no meio do lago, há quatro colmeias. As abelhas italianas locais produzem por ano cerca de 160 potes de mel dourado, que vai direto para a cozinha real. Durante o verão, quando os Salões de Estado estão abertos, você atravessa justamente uma parte desse jardim no fim da visita.
No terraço, junto à saída, funciona ainda um Garden Café sazonal, onde você pode descansar com vista para o gramado. Recomendo muito provar a fantástica salada “Plant Power” com quinoa e lentilhas ou a quiche de vegetais mediterrâneos. Eles também têm um ótimo café e, para os amantes de doces, servem um delicioso sorvete de baunilha à base de plantas. Em resumo, o ponto final perfeito para uma visita real.
8. A história do intruso no quarto (fato x lenda)
O palácio guarda muitas histórias inacreditáveis, mas a de 9 de julho de 1982 parece roteiro de filme. Um tal de Michael Fagan pulou o muro de quatro metros de altura, escalou por uma calha e chegou até o próprio quarto da rainha Elizabeth II adormecida. O sensor de movimento até disparou o alarme, mas a polícia o considerou defeituoso e o silenciou.
Durante anos circulou a lenda de que Fagan se sentou na beira da cama da rainha e os dois conversaram longamente, até chegar ajuda. Mas o próprio Fagan desmentiu esse mito em entrevistas posteriores. Na realidade, a rainha não esperou por nada: saiu rapidamente do quarto, descalça, e chamou a segurança.
O mais bizarro de tudo é que essa não foi a primeira invasão de Fagan. Um mês antes ele já havia invadido o palácio, comido queijo, biscoitos, bebido um pouco de vinho e saído sem ser notado. As leis da época não classificavam a invasão do palácio como crime, então ele foi acusado apenas do furto daquele vinho. De todo modo, o incidente levou a uma enorme reforma na segurança real.
9. O palácio durante a Segunda Guerra Mundial
A história deste edifício não está ligada apenas a festas pomposas. Durante a Segunda Guerra Mundial, o palácio se tornou vítima dos bombardeios alemães e foi atingido por bombas nada menos que nove vezes. O pior ataque veio em setembro de 1940, quando uma bomba destruiu completamente a capela do palácio, no momento em que o rei George VI e a esposa estavam por perto, na residência.
O casal real recusou-se a deixar Londres na época, embora suas filhas estivessem escondidas em local mais seguro, em Windsor. A rainha Elizabeth (mais tarde a Rainha-Mãe), após a destruição da capela, pronunciou sua já hoje lendária frase: “Fico feliz que tenhamos sido bombardeados. Finalmente sinto que posso olhar as pessoas do East End diretamente nos olhos.”
Foi justamente essa decisão de permanecer na cidade destruída e compartilhar o sofrimento da guerra com os londrinos comuns que fortaleceu enormemente a popularidade da monarquia. O local onde ficava a capela destruída foi reconstruído após a guerra e hoje ali se encontra justamente a Queen’s Gallery, ou seja, a atual The King’s Gallery.
10. Números fascinantes e a grande reforma
Ao ler diversos guias, você frequentemente esbarra no dado desatualizado de que o palácio tem cerca de 660 cômodos. Mas os números oficiais são muito mais impressionantes. O Palácio de Buckingham esconde um total de 775 cômodos, dos quais 19 salões representativos, 52 quartos reais e incríveis 78 banheiros. Some a isso 1.514 portas e 760 janelas, que precisam ser limpas a cada seis semanas.

Para que toda essa imensa engrenagem continue funcionando, está em andamento um enorme programa de dez anos chamado Reservicing. Ele começou em 2017 e seu término está previsto justamente para 2027. O objetivo é a substituição completa da fiação elétrica antiquada, tubulações, elevadores e caldeiras, muitos deles ainda dos anos 1950.
Esse projeto gigantesco vai consumir astronômicas 369 milhões de libras, o que gerou debates bastante acalorados na Grã-Bretanha. Para você, visitante, isso significa uma coisa: algumas partes do palácio podem estar escondidas sob andaimes durante a sua viagem. Mas não se deixe desanimar de jeito nenhum, pois, mesmo com as obras em andamento, o edifício mantém sua majestade inconfundível.
Como saber se o rei está em casa
Sobre o palácio tremula sempre uma bandeira, e é justamente ela que vai te revelar se o monarca está lá dentro. Sempre que você vir no mastro o estandarte real colorido (Royal Standard, com leões e a harpa), isso significa que o rei em exercício está em casa naquele momento. É uma regra antiga que antes significava que, quando o monarca estava fora, o mastro ficava vazio.

Mas isso mudou em 1997, após a morte da princesa Diana. Desde então, vale que, se o rei está fora do palácio, sobre ele tremula a bandeira nacional britânica, a famosa Union Jack. Além disso, o estandarte real nunca é hasteado a meio mastro, porque, do ponto de vista histórico, o trono nunca está vazio.
É verdade que é só um detalhe visual, mas em Londres ele sempre diverte de forma garantida. As crianças, especialmente, adoram esse detalhe e, ainda de longe, ficam empolgadas tentando descobrir qual tecido está tremulando ao vento. Assim você pode facilmente brincar com elas de verdadeiros conhecedores da etiqueta da corte.
Como chegar ao Palácio de Buckingham
Chegar ao palácio é super fácil e o melhor é ir de metrô comum. Desça na estação Green Park, de onde te espera uma caminhada de cerca de oito minutos, muito agradável, direto pelo verde. Como outras opções lógicas, há a estação Victoria, ali perto, ou a parada St James’s Park. Sempre pesquise a conexão com antecedência pelo site oficial do Transport for London.

Recomendo encarar a visita ao palácio como um passeio a pé mais amplo, porque você o conecta lindamente com os arredores. Em uma manhã tranquila dá para percorrer a lendária avenida vermelha The Mall e os dois parques vizinhos. Não há por que correr, e ainda no caminho você encontra um monte de esquilos atrevidos e aves aquáticas.
💡 Tenho uma dica secreta de foto para você. A vista mais bonita do palácio dizem que não é a da frente, por entre as grades, mas a do laguinho do St James’s Park. Por sobre a superfície da água você vê o Victoria Memorial perfeitamente emoldurado entre as árvores, e a foto não é estragada pelas multidões de turistas.
Se você tem ingressos para entrar nos State Rooms, atenção ao tamanho das suas bagagens. Todas as mochilas ou bolsas maiores que o formato A4 você precisa deixar logo na entrada, no guarda-volumes. Por sorte, ele é totalmente gratuito, então você não precisa temer taxas desagradáveis extras.
Histórias que o palácio esconde
O homem que acordou ao lado da rainha
Em 1982 aconteceu um dos furos de segurança mais bizarros da história britânica. Um tal de Michael Fagan pulou o muro do palácio e, apesar das patrulhas, chegou sem ser notado até o quarto pessoal da rainha Elizabeth II. Parece cena de comédia maluca, mas a segurança da residência simplesmente falhou por completo na época.
Por anos circulou entre as pessoas a lenda popular de que a monarca manteve a cabeça fria e conversou longamente com o intruso na beira da cama. Mas o próprio Fagan admitiu, em entrevista de 2012, que a realidade foi muito mais prosaica.
Segundo ele, a rainha não esperou por nada e saiu correndo depressa, descalça, do cômodo, para chamar ajuda no corredor. De todo modo, essa atrevida visita matinal significou que as medidas de segurança do palácio tiveram que ser repensadas do zero e endurecidas.
A varanda que o mundo inteiro conhece
Quando o palácio foi radicalmente reformado em 1847, sob a rainha Vitória, o príncipe Albert veio com a ideia de que o edifício deveria ter uma varanda central. Originalmente, havia ali apenas um pátio aberto, que se fechou justamente com a construção da nova Ala Leste. É dessa varanda que a família real hoje acena em todos os eventos importantes, dos casamentos até o desfile de junho Trooping the Colour.

Um dos momentos mais fortes que os britânicos viveram ali foi no fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, durante o chamado VE Day. A família real apareceu então diante da multidão em júbilo nada menos que oito vezes no dia. Em uma dessas históricas aparições, juntou-se a eles até o primeiro-ministro Winston Churchill.
Para o mortal comum, a própria varanda é, logicamente, inacessível. Mas se você, no verão, pagar a visita premium mais cara aos interiores, consegue ao menos espiar a chamada Centre Room, que fica exatamente atrás dela.
O palácio em tempos de guerra
O Palácio de Buckingham levou pra valer durante os bombardeios noturnos de Londres e encaixou um total de nove impactos diretos. Uma das bombas devastadoras chegou a arrasar completamente a capela do palácio.
O rei George VI e a rainha Elizabeth recusaram-se a fugir para um lugar seguro na época e, apesar do enorme risco pessoal, permaneceram na capital. Queriam mostrar às pessoas comuns que, no pior sofrimento, estavam no mesmo barco que elas.
A rainha pronunciou então uma frase famosa e muito forte, que entrou para os livros de história britânica. Ela declarou que estava, na verdade, feliz com o bombardeio, porque agora podia finalmente olhar o destruído East End diretamente nos olhos.
O jardim secreto atrás do palácio
Logo atrás do imenso edifício se esconde o maior jardim particular de Londres, que se estende por respeitáveis 39 acres. Nele você encontra não só um enorme gramado bem cuidado para as famosas garden parties, mas até um grande lago particular com duas ilhas.
Por longos anos, esse oásis verde no meio da metrópole foi enfeitado por um bando de flamingos cor-de-rosa, que davam ao lugar um belo toque exótico. Mas, em 1996, infelizmente, uma raposa faminta conseguiu abrir caminho até ali e dizimou todas as aves, uma a uma.
Hoje, na ilhota do meio do lago, está um pouco mais seguro e quem dá as cartas são as abelhas. Os jardineiros reais cuidam ali com dedicação de quatro colmeias, das quais extraem por ano cerca de 160 potes de exclusivo mel caseiro.
Onde comer perto do palácio
Se você tem ingressos para entrar, no terraço com vista para o lago encontra o Garden Café de verão. Para nós, é absolutamente essencial que ele ofereça ótima comida vegetariana, então não vamos passar fome. Eles caprichm nas delícias à base de plantas, da salada com quinoa e lentilhas à quiche mediterrânea e ao sorvete de baunilha sem gordura de palma. Se, por outro lado, você viaja com alguém que gosta do clássico chá da tarde com sanduíches de carne ou peixe, esses também estão, claro, no cardápio.
Quem admira o palácio só da rua tem ao redor infinitas extensões de parques, feitas sob medida para um almoço na grama. Basta comprar comida para levar e achar um lugar tranquilo no vizinho St James’s Park. Se você prefere sentar-se no calor, vá até o bairro vizinho, Victoria. Você vai achar ali um monte de cafés e restaurantes bacanas, onde recupera as pernas depois de uma longa caminhada.
Dicas práticas que vão te poupar decepções
- Você não vai ver o rei. O palácio serve primariamente como local de trabalho e sede, não como espaço para encontros com o monarca. Quem chega às grades com esperança de uma selfie real vai simplesmente se decepcionar.
- Os State Rooms só abrem no verão. Você só olha lá dentro em um período limitado, especificamente de 9 de julho a 27 de setembro de 2026. No resto do ano você pode admirar o palácio só por fora, através do gradil.
- A varanda é inacessível. O local de onde a família acena às multidões você não fotografa de perto. Dá para ver a famosa sala atrás dela apenas se você pagar a mais pela visita premium à East Wing.
- A troca da guarda não é diária. Em 2026 ela acontece apenas às segundas, quartas, sextas e domingos, então confira o cronograma no site oficial. Em caso de chuva mais forte, a cerimônia é cancelada sem piedade.
- Fotografar os interiores dos State Rooms costuma ser restrito. As regras mudam bastante com o tempo, então o melhor é sempre perguntar à equipe as orientações atuais. Mas já esqueça de vez o uso de flash ou tripé.
- Há reforma em andamento. O palácio passa por uma imensa renovação de dez anos conhecida como Reservicing, que deve terminar só em 2027. Conte que parte dos espaços pode estar coberta e não totalmente fotogênica.
- Chegue cedo. Conquistar um bom lugar na troca da guarda significa chegar pelo menos 45 a 90 minutos antes. Se você está de olho na melhor vista das escadarias do Victoria Memorial, tem que chegar ainda mais cedo.
Para onde ir a partir do Palácio de Buckingham
Assim que você fotografa o palácio e passeia pelo parque vizinho, Londres fica aos seus pés. A um pulinho dali começa a região de Westminster, cheia de outras joias históricas. Se você busca mais inspiração, leia nosso artigo detalhado sobre o que ver e fazer em Londres.
Pertinho do parlamento fica a Abadia de Westminster — local de coroações e túmulos reais, onde dá para entrar até de graça no Evensong.
Gosta de história e arte? Então não perca o British Museum — a entrada é gratuita e no nosso guia você encontra o que não pular em poucas horas.
E bem ao lado da fortaleza fica a famosa Tower Bridge — no nosso guia você descobre quando a ponte se levanta e se vale a pena a exposição paga com piso de vidro.
E se você quer ver Londres do alto, dê uma olhada no nosso guia da roda-gigante London Eye — a gente conta se vale a pena ou se é melhor o gratuito Sky Garden.
Os amantes de uma história mais sombria certamente vão se empolgar com a fortaleza à beira do Tâmisa, sobre a qual escrevemos no guia da Torre de Londres. Já para famílias com crianças, é obrigatório um passeio em busca da magia: confira nossas dicas para o Estúdio do Harry Potter em Londres. E se você tem carro à disposição ou vai fazer viagens mais longas para fora da capital, certamente vai se interessar pelo místico Stonehenge ou, mais ao norte, pela linda Edimburgo.
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Comparar preços de carros na Grã-Bretanha →Perguntas frequentes
Dá para entrar no Palácio de Buckingham o ano todo?
Ne, os interiores chamados State Rooms estão abertos ao público apenas nos meses de verão, aproximadamente de julho ao final de setembro. Durante o resto do ano, a família real usa ativamente o palácio para trabalho e residência.
Quanto custa a entrada do palácio?
Em 2026, o ingresso básico para os State Rooms custa para adultos 33 libras na pré-venda online. Ingressos na hora são um pouco mais caros e frequentemente esgotam com antecedência. Crianças e estudantes têm descontos.
Quando acontece a troca da guarda e quanto custa?
O cerimonial da troca da guarda é totalmente gratuito e você não precisa de nenhum ingresso. Porém, ele não acontece todos os dias; em 2026, ocorre às segundas, quartas e sextas-feiras às 11h00 e aos domingos às 10h00.
O rei mora no palácio?
Sim, é a residência oficial londrina do monarca britânico. Para saber se o rei está fisicamente dentro do edifício, basta observar o estandarte real (Royal Standard), que nesse caso estará hasteado no telhado.
Qual é o melhor lugar para fotografar a troca da guarda?
Definitivamente não fique diretamente na grade do palácio, você verá apenas as costas dos outros. A melhor vista é oferecida pelas escadarias elevadas do memorial Victoria Memorial, mas você precisa chegar lá cerca de três quartos de hora antes.
É permitido fotografar no palácio?
Fotografar é tradicionalmente estritamente proibido dentro dos Apartamentos de Estado, embora as regras mudem ligeiramente de vez em quando. Para garantir, sempre verifique as condições atuais na entrada. Do lado de fora, no jardim, você já pode fotografar sem restrições.
Como chego melhor ao palácio?
O mais fácil é de metrô. Você pode descer na estação Green Park, de onde você chega atravessando o parque em oito minutos. Outras ótimas opções são as estações Victoria ou St James’s Park, ambas ficam bem pertinho. EXCERPT: Você vai para o Palácio de Buckingham? Descubra quais ingressos comprar, quando ir e de qual lugar você consegue ver melhor a famosa troca da guarda.
