Respire fundo e você vai sentir na hora. Uma mistura de tomilho selvagem, alecrim, murta e terra queimada de sol, que os locais chamam orgulhosamente de maquis, vai te acompanhar a cada passo. Enquanto a maioria dos turistas vai para a Córsega em busca de praias branquinhas e mar turquesa, a verdadeira alma da ilha se esconde lá no alto das montanhas. Neste artigo, vamos juntos conhecer Corte e o interior ao redor, onde te esperam desfiladeiros profundos, lagos glaciais e castanheiros centenários.
Prepare-se: as montanhas da Córsega são rudes, íngremes e não perdoam erros, mas recompensam com vistas que você não vai esquecer pelo resto da vida. Quem não conheceu o interior é como se nem tivesse pisado na Ilha da Beleza. As estradas daqui serpenteiam sobre abismos e a natureza vai te obrigar a chegar ao limite das suas forças físicas.
Vou te contar qual é a melhor época para visitar e onde encontrar as hospedagens mais encantadoras. Você também vai descobrir tudo o que precisa viver nesse mundo vertical e como fugir das maiores multidões. Vamos juntos conhecer o melhor do coração montanhoso da Córsega.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Corte é o coração histórico da Córsega e funciona como ponto de partida absolutamente ideal para explorar o maciço montanhoso central.
- O desfiladeiro de Restonica oferece cenários de tirar o fôlego e serve como principal porta de entrada para os populares lagos de montanha Melo e Capitello.
- O trenzinho corso U Trinighellu te leva com segurança pelas montanhas mais inacessíveis e pelos vales profundos.
- A região dos castanheiros, Castagniccia, é um oásis de paz com vilarejos de pedra pitorescos que parecem completamente intocados.
- Evite agosto, quando as estradas estreitas de montanha ficam lotadas e os preços das hospedagens disparam para valores astronômicos.
- O queijo local brocciu é um verdadeiro milagre culinário que você não pode deixar de provar em nenhum restaurante tradicional de montanha.

Quando ir ao interior da Córsega
Se você está planejando uma viagem às montanhas da Córsega, escolher a época certa é absolutamente fundamental e vai definir toda a sua experiência. As regiões de alta montanha têm um clima completamente diferente do litoral escaldante perto de Porto-Vecchio ou Bonifacio. Enquanto no mar você já pode tomar banho tranquilamente em maio, nos picos das montanhas muitas vezes ainda há neve e várias trilhas costumam ficar intransitáveis. Além disso, o tempo nas montanhas é extremamente traiçoeiro, porque as tempestades da tarde chegam rápido e sem dó. Por isso, toda trilha mais puxada deve começar bem cedinho de manhã, quando costuma estar limpo e fresco.
Os meses ideais para visitar as montanhas são maio, junho e setembro, quando já não há risco de neve e as temperaturas diurnas ficam em torno de agradabilíssimos 20 a 25 graus. A primavera é absolutamente mágica graças ao maquis em flor e às cachoeiras cheias de água do degelo. Já o outono pinta os castanheiros de tons dourados maravilhosos e o ar das montanhas fica incrivelmente puro e fresco. Nesses meses, os preços das passagens de balsa também ficam mais amigáveis, já que fora de temporada você não precisa pagar acréscimos astronômicos.
Chegar até a ilha é um capítulo à parte e, sem carro próprio, você fica praticamente perdido na Córsega. A forma mais comum para quem vem do Brasil é voar até uma cidade no continente francês ou na Itália e de lá pegar a balsa. A balsa mais rápida, de Nice (França) para Bastia, leva cerca de seis a sete horas, enquanto a travessia de Toulon dura entre oito e dez horas de navegação. Se quer economizar, historicamente as balsas que saem dos portos italianos são as mais baratas. Um passageiro sozinho paga entre 40 e 100 euros pela viagem, mas assim que você acrescenta o carro, o preço dispara.
Mas vale um aviso essencial para toda a Córsega. Evite agosto a qualquer custo. Nesse mês, franceses e italianos invadem a ilha durante as férias nacionais e há até três vezes mais gente do que em julho. As estradas estreitas de montanha viram estacionamentos impossíveis de atravessar e o preço das balsas para duas pessoas com carro pode disparar para cerca de 1000 euros. Para 2026, considere que, na alta temporada, muitos vales podem ter capacidade limitada por causa da proteção da natureza.

Onde se hospedar em Corte e arredores
💡 Dica de hospedagem e experiências: nós gostamos de procurar hospedagem no Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Já ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.
A cidade de Corte funciona como o ponto central natural de toda a ilha e é, de longe, a melhor base estratégica para os seus passeios de montanha. Aqui você encontra toda a infraestrutura que precisa, de supermercados a lojas outdoor, passando por padarias tradicionais e restaurantes ótimos. Como é uma cidade universitária, há o ano todo um clima muito vivo e autêntico que, depois do anoitecer, convida a passear pelas ruelas tortuosas. De Corte você chega facilmente aos vales mais famosos e aos pontos de partida das trilhas mais populares.
Na hora de planejar onde dormir, tenha em mente que o campismo selvagem é estritamente proibido em toda a Córsega e os fiscais ambientais aplicam multas pesadas. Se você pretende fazer travessias de vários dias nas montanhas ou encarar a famosa trilha GR20, terá que dormir exclusivamente nos refúgios de montanha, chamados refuges. Esses refúgios funcionam aproximadamente do fim de maio ao início de outubro e, por causa do enorme interesse de turistas do mundo inteiro, é absolutamente indispensável reservar uma vaga (cama ou local para a barraca) com vários meses de antecedência.
Se você quer ficar na civilização, bem no centro da ação, e aproveitar os passeios noturnos pelas ruelas históricas, uma ótima escolha é o Hôtel Duc de Padoue. Fica a poucos passos da praça principal e oferece quartos lindamente reformados com vista para a cidade velha. Os preços de um quarto duplo na temporada giram em torno de 120 a 150 euros por noite. A vantagem é que dali você sai facilmente para um café da manhã no meio dos estudantes locais e absorve o clima corso de verdade.
Para quem ama natureza e tranquilidade total, recomendo a hospedagem bem na entrada do famoso vale de Restonica. O maravilhoso Hotel Dominique Colonna fica à beira de um rio de montanha e oferece um descanso de luxo cercado por pinheiros e rochas de granito. Acordar com o som da água correndo e tomar café da manhã no terraço sobre o rio é uma experiência que não tem preço, ainda que você pague cerca de 200 euros por noite por isso. As vagas nas regiões de montanha são bem limitadas e os melhores lugares costumam esgotar com meio ano de antecedência.
10 dicas do que ver e fazer em Corte e no interior da Córsega
Vamos olhar em detalhes o que a Córsega central tem de mais interessante. De monumentos históricos a desfiladeiros profundos, passando por vilarejos pitorescos escondidos nas florestas. Você vai ver por si mesmo que uma semana definitivamente não vai dar para explorar essa região.

1. Cidadela de Corte: o ninho de águia acima da cidade
Assim que você chega a Corte, seu olhar é imediatamente capturado pela cidadela majestosa, que domina por completo toda a paisagem ao redor. Essa fortaleza se ergue sobre um esporão rochoso íngreme e lembra um verdadeiro ninho de águia equilibrando-se bem acima dos telhados das casas. Curiosamente, é a única cidadela militar de toda a Córsega que não fica no litoral: ela foi construída no fundo do interior como ponto defensivo estratégico, de onde se podia controlar a ilha inteira.
A história deste lugar está fortemente ligada à luta corsa pela independência e os moradores têm um orgulho imenso dela. No século XVIII, foi justamente Corte que o famoso líder Pasquale Paoli escolheu como capital da recém-criada república independente, formando ali o primeiro governo corso da história. Ao caminhar pelas muralhas antigas, você sente o orgulho indomável dos moradores, que ali resistiram ferozmente às dominações estrangeiras tentando preservar a liberdade tão arduamente conquistada.
💡 Dica: a subida até a cidadela passa por ruelas íngremes e calçadas a partir da praça Place Paoli. Recomendo vir aqui bem cedo de manhã ou, ao contrário, pouco antes do pôr do sol. A vista das montanhas afiadas ao redor e da confluência dos rios Tavignano e Restonica é absolutamente de tirar o fôlego na luz suave do entardecer, e vale a pena vencer aquelas dezenas de degraus íngremes por ela.

2. Musée de la Corse e a universidade local
Bem dentro do complexo histórico da cidadela você encontra o Museu da Córsega, que nenhum visitante sedento por conhecer a ilha mais a fundo deveria deixar de lado. É o melhor lugar para entender a história complexa e a cultura única que se formaram nas duras condições das montanhas, longe da civilização. As exposições te guiam de forma envolvente por tudo, da agricultura e pastoreio tradicionais à história moderna, passando pelos esforços incessantes de preservar a língua corsa, da qual os locais se orgulham e com razão.
A entrada do museu fica em torno de 6 euros e a visita, num ritmo tranquilo, leva cerca de duas horas. A instituição tem uma concepção bem moderna e combina muito bem artefatos históricos com elementos sonoros interativos, então nem os viajantes mais jovens vão ficar entediados. Ao comprar o ingresso, você ainda ganha acesso exclusivo a terraços panorâmicos incríveis dentro do complexo da fortaleza, onde normalmente não se chega e de onde você tira as melhores fotos da cidade.
Corte também abriga a única universidade da ilha, fundada pelo já citado visionário Pasquale Paoli para educar uma nova geração de corsos independentes. Graças aos milhares de estudantes, a cidade nunca dorme e não parece apenas um museu a céu aberto para turistas de passagem. À noite, os cafés e bares locais se enchem de jovens, as ruas ganham vida com música alta e você pode aproveitar plenamente o clima muito autêntico e animado de uma noite corsa.

3. Vale e desfiladeiro de Restonica
O desfiladeiro de Restonica é, sem exagero, uma das maiores maravilhas naturais da Europa e uma verdadeira joia do interior da ilha. O vale profundo é margeado por picos afiados de granito e, no fundo dele, um rio de montanha cristalino murmura sem parar, cheio de pedregulhos enormes e poças naturais. O cenário muda a cada quilômetro percorrido, abrindo vistas cada vez mais dramáticas dos picos ao redor, e o ar tem um cheiro intenso de pinheiros aquecidos pelo sol.
Mas chegar até o vale já é uma aventura por si só e vai testar os nervos de qualquer motorista. A estrada é extremamente estreita e muitas vezes não tem nenhuma proteção lateral, então cruzar com carros que vêm na contramão ou com vans maiores bem na beira do abismo exige uma boa dose de paciência e habilidade. Nos meses de verão, o trânsito por aqui é rigorosamente regulado e a entrada na parte alta, até o estacionamento final, custa uma taxa em torno de 10 euros.
💡 Dica: depois de tempestades fortes recentes, parte da estrada ficou permanentemente danificada e, por isso, na parte alta do vale funciona atualmente um transporte coletivo organizado (vaivém). Definitivamente não venha aqui com um motorhome grande e prefira usar os ônibus locais. Eles te levam totalmente sem estresse até os pontos de partida das trilhas de alta montanha, sem que você tenha que tremer de medo a cada manobra cega numa curva.

4. Os lagos de montanha Melo e Capitello
Bem no fim do vale de Restonica começa uma das trilhas mais icônicas de toda a Córsega, pela qual multidões de montanhistas entusiasmados vêm para cá todo verão. O caminho até os lagos glaciais Melo e Capitello é bem puxado, mas oferece os cenários de alta montanha mais deslumbrantes que você consegue imaginar. O primeiro trecho até o lago Melo é acessível até para um turista mediano com crianças, leva cerca de uma hora e meia e atravessa uma paisagem linda, cheia de pinheiros retorcidos e grandes pedras de granito.
O lago Melo fica a mais de 1700 metros de altitude e sua superfície tranquila se reflete como num conto de fadas, cercada por prados de um verde vibrante. Se você tiver fôlego suficiente, vale muito a pena continuar mais um pouco até o lago glacial Capitello. Esse trecho, porém, é bem mais íngreme, exige escalar lajes lisas de granito com ajuda de correntes de aço firmes e escadas de ferro, e em certa medida lembra a dificuldade da famosa trilha GR20.
O lago Capitello é o mais profundo da ilha e sua água azul-escura contrasta fortemente com as paredes rochosas verticais que o cercam por todos os lados. Não esqueça de levar para essa trilha um calçado de trekking bem firme e bastante água. Além disso, o tempo aqui muda de um minuto para o outro e as tempestades da tarde costumam ser implacáveis, então saia sempre bem cedo, com o céu limpo.

5. O desfiladeiro de Tavignano a pé
Enquanto a vizinha Restonica atrai multidões enormes de turistas por permitir subir bem alto de carro, o vale de Tavignano oferece uma experiência completamente diferente. Nenhuma estrada leva a esse desfiladeiro e a única forma de explorá-lo é calçar botas de trekking firmes e ir com as próprias pernas. Graças a essa barreira natural, a região manteve uma tranquilidade incrível, uma selvageria intocada e o clima de montanha de verdade, sem o barulho desagradável de motores.
A antiga trilha de pastores começa bem acima do centro histórico de Corte e sobe lentamente, bem alto sobre o leito do rio de montanha selvagem. O caminho é entalhado nas próprias paredes rochosas íngremes e abre vistas fantásticas, sem nenhum obstáculo, para o desfiladeiro profundo lá embaixo. Depois de cerca de duas horas de caminhada honesta com subida leve, você chega à pitoresca ponte Passerelle de Rossolino, onde pode finalmente descansar e recuperar as energias perdidas.
💡 Dica: é justamente embaixo dessa ponte que estão as melhores piscinas naturais para nadar de todo o trajeto. A água é cristalina e, depois de uma subida puxada sob o sol escaldante da Córsega, ela te refresca de forma perfeita. Por isso, não esqueça de colocar na mochila roupa de banho, toalha e um lanche leve, porque nesse paraíso esquecido você vai passar com prazer uma tarde inteira.

6. Castagniccia: vilarejos e castanheiros centenários
Se você quer viver a Córsega exatamente como ela era há mais de cem anos, vá para a esquecida região de Castagniccia. Essa área florestada a nordeste de Corte é um oásis absoluto de paz, onde se aventura apenas uma fração ínfima de todos os turistas da ilha. O nome vem dos enormes e profundos castanheiros, que por séculos alimentaram os moradores daqui, garantiram seu sustento e foram a base da sua sobrevivência.
As estradinhas serpenteiam sem fim sob a abóbada de folhas verdes e ligam dezenas de pequenos vilarejos de pedra dramaticamente cravados nas encostas. A grande marca registrada da região são as igrejas barrocas maravilhosas, com campanários surpreendentemente altos que muitas vezes espiam, de forma inesperada, por entre a floresta densa. No caminho, não deixe de visitar o vilarejo de Piedicroce, com sua imponente igreja de São Pedro e São Paulo, que sem dúvida vale uma parada rápida.
Essa região afastada é absolutamente ideal para viajar devagar e com consciência, longe das multidões. Pare num café escondido, peça um expresso forte e observe os senhores mais velhos jogando pétanque numa pracinha sombreada. O outono aqui é especialmente mágico, porque é justamente quando se colhem as castanhas e todo o vale tem um cheiro inebriante da fumaça dos secadores e torrefadores tradicionais, que trabalham a todo vapor.

7. Culinária corsa tradicional e o queijo brocciu
A gastronomia corsa das regiões de montanha é extremamente farta, honesta e cheia de ingredientes locais fantásticos, que amadureceram devagar sob o sol quente daqui. Os moradores adoram os embutidos de porcos semisselvagens, mas mesmo sem carne você vai se deliciar com especialidades locais absolutamente únicas. O rei absoluto da cozinha de montanha é o queijo fresco brocciu, feito de leite de ovelha ou cabra, o orgulho merecido de todo fazendeiro.
Esse queijo incrivelmente delicado, que lembra de longe a famosa ricota italiana, é adicionado na Córsega a praticamente tudo que chega ao seu prato. Recomendo de coração provar a deliciosa omelete de hortelã com brocciu, as tortas salgadas recheadas com ervas silvestres ou as sopas de legumes encorpadas chamadas soupe paysanne, que depois de uma trilha de dia inteiro vão te colocar de pé com certeza. A temporada do melhor brocciu fresco vai do inverno ao início do verão.
💡 Dica: uma verdadeira obrigação culinária é provar a sobremesa tradicional Fiadone. É um bolo leve de limão feito justamente com o queijo brocciu, que literalmente derrete na língua. Outra raridade é a pulenda, um purê encorpado de farinha de castanha, tradicionalmente servido cortado com um fio fino. E, para acompanhar uma ótima refeição vegetariana, não esqueça de pedir a excelente cerveja local Pietra, fabricada com a adição de extrato de castanha.

8. A floresta e a passagem de Vizzavona
Quando você for de carro da região de Corte rumo ao sul, para a capital Ajaccio, a estrada vai te levar à fresca passagem montanhosa de Vizzavona. Essa área maravilhosa é coberta por majestosas florestas de faias e pinheiros, que oferecem uma sombra incrível e o frescor tão necessário mesmo nos dias mais quentes de verão. Não é à toa que era justamente para cá que, na virada do século XIX para o XX, toda a alta sociedade inglesa vinha descansar regularmente.
A maior atração da região é a cascata mágica conhecida como Cascade des Anglais, até a qual leva uma caminhada agradável e tranquila. A água cristalina do degelo das montanhas forma aqui dezenas de poças naturais, nas quais você pode tomar banho e refrescar as pernas cansadas depois da caminhada. A água tem uma temperatura mais para os corajosos, mas, depois de atravessar a floresta densa, é uma experiência incrivelmente revigorante que você vai valorizar.
O ponto de partida para os passeios é a estação de trem de mesmo nome, ao redor da qual você encontra alguns refúgios de montanha agradáveis com restaurantes tradicionais. A passagem de Vizzavona é, afinal, um cruzamento importante para os caminhantes que estão encarando a lendária e extremamente exigente trilha GR20. Aqui você pode comer muito bem e observar os montanhistas exaustos, mas felizes, com mochilas gigantes, que passam por aqui com respeito durante sua expedição de três semanas atravessando a ilha.

9. Viagem no trenzinho histórico U Trinighellu
Uma das formas mais bonitas de conhecer o interior da Córsega sem o estresse desnecessário ao volante e sem o medo constante de cruzar com outro carro é a viagem no lendário trenzinho U Trinighellu. Essa ferrovia de bitola estreita liga a portuária Bastia, no norte, a Ajaccio, no sul, e atravessa exatamente a cordilheira central mais rude e a cidade de Corte. É um verdadeiro milagre técnico, cheio de altos viadutos de pedra e longos túneis escuros entalhados na rocha.
A própria viagem de trem é uma experiência fascinante e absolutamente inesquecível para a família inteira, que você não deveria perder. O trem sobe devagar e com persistência por encostas íngremes, atravessa gargantas profundas e abre vistas para uma natureza intocada, à qual, de outra forma, você não chegaria nem de carro nem a pé. Os vagões ainda têm janelas panorâmicas enormes, então você pode fotografar toda essa beleza selvagem das montanhas com conforto e segurança, direto da poltrona macia.
💡 Dica: você pode comprar os bilhetes facilmente na própria estação de Corte, pouco antes da partida, sem precisar fazer reservas complicadas com semanas de antecedência. Um ótimo passeio de dia inteiro é pegar o trem da manhã direto até a passagem de Vizzavona, caminhar pela floresta sombreada até as cachoeiras inglesas e voltar à tarde no trenzinho, tranquilamente, para o jantar. A viagem leva cerca de uma hora e custa simpáticos 10 euros por trecho.

10. Banho selvagem nos rios de montanha
A Córsega, no seu interior montanhoso, é literalmente entrelaçada por inúmeros riachos glaciais e rios selvagens que, na longa jornada até o mar, formam incríveis piscinas naturais nas lisas rochas de granito. Tomar banho na água doce e gelada em meio à natureza intocada é um dos pontos altos de qualquer visita às montanhas. Ao contrário das praias de areia lotadas lá embaixo no litoral, aqui você frequentemente encontra um lugar maravilhoso com uma poça só para você.
Além dos vales mais famosos, como Restonica e Tavignano, vale muito a pena explorar também os rios menores e discretos nos arredores imediatos da cidade de Corte. A água aqui é tão incrivelmente limpa que você consegue ver, sem problema, pequenas trutas nadando e distinguir cada seixo no fundo. Mas tenha muito cuidado com as pedras extremamente escorregadias cobertas de algas e nunca pule de cabeça na água antes de verificar pessoalmente e com calma a profundidade real dela.
Tenha sempre em mente as regras básicas de segurança e respeite as montanhas ao máximo. Se nuvens escuras de tempestade começarem a se formar sobre os picos ao redor, saia imediatamente do leito do rio e procure abrigo mais acima na encosta. O nível de um riacho de montanha pode subir perigosamente vários metros em poucos minutos durante um temporal inesperado. Uma enchente repentina facilmente cortaria seu único caminho de volta para a segurança e, por isso, a cautela e o acompanhamento da previsão do tempo vêm sempre em primeiro lugar.
Para onde ir depois do interior da Córsega
Depois de respirar bastante ar das montanhas, você pode partir para outras belezas dessa ilha incrível. Se as montanhas te empolgaram e você é um montanhista muito experiente e em ótima forma física, pode se inspirar no nosso guia detalhado da famosa trilha GR20. É a caminhada de longa distância mais difícil de toda a Europa, que atravessa a ilha e vai testar seus limites físicos e psicológicos com certeza. Em dezesseis dias, você acumula mais de doze mil metros de subida e enfrenta trechos técnicos com correntes.
Para quem já está ansioso pelo ar salgado e pela areia branquinha e fina, recomendo de coração descer das montanhas até o litoral leste, em direção a Porto-Vecchio. O contraste entre o interior rude e as praias caribenhas perfeitas, como Palombaggia ou Santa Giulia, é absolutamente fascinante. Todas as informações práticas para planejar a viagem pelo litoral, incluindo dicas das enseadas mais bonitas, da inacessível reserva de Scandola e das cidades históricas, você encontra no nosso grande artigo Córsega: Guia completo.
Perguntas frequentes
Preciso necessariamente de um carro para visitar as montanhas?
Sim, sem carro próprio você fica bem limitado no interior, porque os ônibus locais passam apenas algumas vezes por dia e muitas vezes não conectam com outras linhas. O carro te dá liberdade total para parar nos mirantes e visitar vilas isoladas onde o transporte público simplesmente não chega. A única exceção é a viagem confortável de trem entre as principais cidades.
As estradas de montanha são seguras?
As estradas da Córsega são extremamente estreitas, cheias de curvas fechadas, muito frequentemente sem guardrails e equilibram-se na beira de precipícios profundos. O asfalto, felizmente, está na maior parte em bom estado. Exige-se aqui uma condução lenta e extremamente cuidadosa, vigilância constante dos retrovisores nos trechos sem visibilidade e uma grande dose de consideração com os carros e ônibus que vêm em sentido contrário.
É seguro beber água de nascentes nas montanhas?
I quando a água dos rios de montanha parece cristalina e convidativa para beber, nunca a beba sem filtrá-la cuidadosamente antes. Isso porque nas montanhas pastam livremente grandes rebanhos de porcos, cabras e vacas semi-selvagens, que podem contaminar facilmente a água. Apenas as nascentes oficialmente sinalizadas em cada vilarejo são seguras para você.
Quanto custa uma viagem para o interior?
Para 2026, conte com cerca de 120 a 150 euros por noite em um hotel decente para duas pessoas, já que o campismo selvagem na ilha é estritamente proibido e multado. Um jantar farto em um restaurante tradicional vai sair por volta de 25 a 35 euros por pessoa. Os preços aqui são um pouco mais baixos do que no litoral de luxo, mas em agosto tudo dispara para cima.
As crianças conseguem fazer as trilhas no vale de Restonica?
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O primeiro trecho até o lago Melo é relativamente tranquilo e crianças ativas a partir de uns sete anos conseguem fazer com uma pequena ajuda dos pais sem problemas. Já a trilha para o lago mais alto, Capitello, é muito íngreme, exige escalada de verdade nas rochas usando correntes de aço e é francamente perigosa para crianças menores.
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Preciso reservar restaurantes com antecedência?
V alta temporada, de meados de junho a meados de setembro, é absolutamente necessário fazer reserva para jantar nos restaurantes populares em Corte. Os estabelecimentos costumam ficar lotados e sem reserva prévia você corre o risco de não conseguir entrar em um bom restaurante e ter que se contentar com comida simples do supermercado.
Tem sinal de operadora de celular nas montanhas?
Em cidades como Corte e nas vilas maiores, o sinal é excelente e super confiável. Mas assim que você se aventura por cânions profundos como Restonica ou faz trilhas mais isoladas nos arredores, o sinal desaparece rapidinho. Por isso, sempre baixe os mapas direto no celular para usar offline nas trilhas e não dependa dos dados móveis.
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