Quando visitei o oeste do Canadá pela primeira vez com minha mãe e exploramos os arredores de Vancouver, ficamos completamente encantadas com a natureza local — mas ficou claro na hora que, na próxima viagem, tínhamos que fazer o road trip pela ilha de Vancouver, Canadá. A ilha é um capítulo à parte, e muita gente me pergunta como chegar lá a partir do continente e o que dá pra ver. Eu ainda não percorri a ilha toda de ponta a ponta, mas como estamos planejando uma grande volta ao Canadá, fiz uma pesquisa tão detalhada que consigo te servir o melhor itinerário possível. Passei dezenas de horas com mapas e guias, então este plano está realmente bem lapidado, com tudo que você precisa.
Prepare-se: a ilha de Vancouver não é uma ilhazinha com algumas árvores onde você vai passar uma tarde. Ela é grande — quase do tamanho do estado do Rio de Janeiro — e oferece de tudo: florestas tropicais milenares, praias selvagens para o surf e charmosas cidadezinhas de estilo britânico onde se toma chá às cinco da tarde. Se você está planejando o road trip dos sonhos por essa parte do Canadá, separe a câmera e um calçado confortável, porque as vistas para o oceano e as florestas intermináveis vão mesmo te deixar sem fôlego. ☺️ A gente, eu e minha mãe, sempre ficamos completamente apaixonadas por essa paisagem — e tenho certeza que você também vai se render.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
Preparei este resumo para quem está com pressa e precisa só dos pontos mais importantes do nosso roteiro canadense. Mas recomendo muito ler o artigo completo, porque ele está cheio de observações pessoais e dicas práticas valiosas.
- Duração ideal: Você precisa de no mínimo 7 dias para não passar a viagem toda dentro do carro.
- Rota em resumo: Vancouver, Victoria, Tofino, Parksville, Campbell River e Telegraph Cove.
- Principais experiências: Observação de orcas (orca watching), surfe nas ondas do Pacífico, caminhadas em florestas milenares e visita ao mercado com cabras no telhado.
- Transporte: As balsas da BC Ferries são indispensáveis — sem reserva antecipada na alta temporada, você simplesmente não chega à ilha de carro.
- Orçamento: O Canadá não é barato, e a ilha então nem se fala — prepare-se para preços de hospedagem bem salgados, especialmente em Tofino.
Se algo disso soa familiar ou você já está com as passagens no bolso, vamos mergulhar nos detalhes. Prometo que com este guia nada vai te pegar de surpresa na ilha.
Antes de partir: Informações práticas e planejamento
Vamos ver juntos como planejar esse road trip pela ilha, o que observar e quanto vai custar aproximadamente. A costa oeste do Canadá tem suas particularidades e é bom saber com o que você está lidando para não ser pego de surpresa com balsas lotadas ou clima imprevisível.
Sou do tipo de viajante que gosta de ter tudo sob controle, então não deixo muita coisa ao acaso. Minha mãe adoraria só jogar a mochila no carro e sair, mas acredite — no caso da ilha de Vancouver, aquela preparação em casa no computador vale muito a pena.
Quando ir à ilha de Vancouver
Se você quer garantir sol e temperaturas agradáveis, a época ideal é de forma clara o período entre o final de junho e o início de setembro. Mas esteja preparado: é quando a maioria dos canadenses e americanos também viaja, então os preços de hospedagem sobem bastante e os pontos turísticos mais famosos ficam cheios. A gente sempre tenta encontrar um meio-termo, e na minha opinião maio e setembro são o equilíbrio perfeito — o tempo ainda é bom, mas as multidões já diminuíram.
O inverno (de novembro a fevereiro) é bem chuvoso, mas Tofino tem seu próprio charme nessa época — é o chamado storm watching, e é exatamente o que parece: você fica quentinho no quarto do hotel com um café na mão enquanto observa o Pacífico literalmente enfurecer lá fora. Confesso que isso me atrai bastante. 😅 Independentemente da época, sempre recomendo montar looks em camadas, porque o tempo aqui pode mudar de um minuto para o outro.
Como chegar à ilha e as balsas
A maioria dos viajantes começa a aventura na própria cidade de Vancouver, de onde é preciso embarcar com o carro alugado na balsa da BC Ferries. Para este itinerário, o melhor é pegar a rota do terminal de Tsawwassen (logo abaixo de Vancouver) até o terminal de Swartz Bay (logo acima de Victoria). A travessia dura cerca de uma hora e meia e já é um passeio cênico por si só — muitas vezes, ainda a bordo, dá para avistar focas ou até baleias. A viagem se aprecia melhor no deck superior, câmera na mão.

E olha, não subestime isso: você precisa reservar as balsas online com antecedência de várias semanas. Sem reserva na temporada alta, você pode passar meio dia na fila de carros e mesmo assim não embarcar — e garanto que os nervos não serão só seus, mas de todo mundo no carro. 😅 Com o bilhete comprado com antecedência, basta chegar à cancela cerca de 45 minutos antes da partida e embarcar sem estresse.
Aluguel de carro e direção
Na ilha você praticamente não consegue se virar sem carro — o transporte público fora da capital Victoria não é nada especial. As estradas, porém, são bonitas, largas e em ótimas condições, então você não precisa de um SUV enorme com tração nas quatro rodas; um carro comum resolve perfeitamente. Tenho boa experiência há anos com o RentalCars, que uso no mundo inteiro, porque ele compara todas as grandes locadoras de uma vez. Alugue o carro já no aeroporto de Vancouver para não ter dor de cabeça depois.
Quanto à direção em si, os canadenses são extremamente educados e tranquilos no trânsito. O único costume ao qual você vai precisar se acostumar é o sistema de cruzamentos com parada total em todos os lados (os chamados 4-way stops), onde vale a regra de quem chegou primeiro, passa primeiro. Parece complicado, mas depois de algumas tentativas você vai perceber que funciona de forma muito fluida — e todo mundo acaba acenando amigavelmente um para o outro.
Gastronomia: Onde comer bem na ilha
Viagem e boa comida andam juntos, e tenho que admitir que o oeste do Canadá tem muito a oferecer na área gastronômica. Esqueça fast food entediante (claro que um bom burguer você encontra por aqui também) — os protagonistas aqui são peixes frescos, frutos do mar incríveis e ingredientes locais das fazendas dos vales ao redor.
Se você quer aproveitar de verdade a cena gastronômica local, esteja preparado para pagar mais: comer em restaurantes não é barato. Ao preço do cardápio você sempre precisa somar os impostos e uma gorjeta de 15 a 20%, que no Canadá é praticamente uma obrigação social.
Nossas dicas de estabelecimentos
Em Tofino descobrimos um tesouro absoluto para quem ama comida despojada. Se você curte culinária mexicana com um toque do estilo pacífico, precisa ir ao lendário bistrô Tacofino. Os fish tacos deles com bacalhau fresco, repolho crocante e uma salsa absolutamente perfeita fizeram tanto sucesso que hoje têm filiais no continente — mas a caminhonete laranja original em Tofino tem simplesmente a melhor atmosfera de surfista.
Quanto ao norte da ilha, quem manda por lá é o salmão e o tradicional fish and chips. Na cidadezinha de Campbell River, experimente o popular Dick’s Fish & Chips, pertinho da água. Pedaços de peixe crocante com uma generosa porção de batatas fritas caseiras e vista para os barcos ancorados é exatamente o que você precisa depois de um longo dia na natureza selvagem.
Onde se hospedar e qual orçamento ter
Planejar o orçamento é a parte menos divertida de qualquer preparação, mas não tem jeito — sem isso não rola. O Canadá em geral não é um destino barato, e a ilha de Vancouver é exatamente um daqueles lugares onde os preços sobem bastante, especialmente na alta temporada de verão.
🏨 Hotéis recomendados em Victoria BC
- Luxo: Fairmont Empress Victoria
- Intermediário: Inn at Laurel Point
- Econômico: HI Victoria Hostel
Veja todos os hotéis em Victoria BC no Booking.com (pelo nosso link com ID de afiliado 2397601).
Preparei um panorama básico para você ter ideia de quanto separar na conta antes da viagem. Pessoalmente, prefiro o caminho do meio — hostels superlotados não me atraem, mas banheiras de ouro também não preciso.
Hospedagem e custos diários
A hospedagem na ilha de Vancouver sai salgada, aviso logo. Tofino especialmente tem capacidade muito pequena para a quantidade de pessoas que quer estar lá, então os melhores lugares à beira-mar somem antes de você terminar o café da manhã. Reserve com três ou quatro meses de antecedência, sem hesitar. Um quarto duplo agradável na temporada sai em média entre 250 e 400 CAD por noite (cerca de 1.000 a 1.600 BRL), e em Tofino pode facilmente dobrar esse valor.
Quanto ao orçamento geral, a balsa para carro e dois passageiros custa por trecho cerca de 100 a 120 CAD. As refeições em restaurantes ficam em torno de 25 a 40 CAD por prato principal. No total, para um road trip de uma semana para duas pessoas (sem as passagens aéreas para o Canadá, mas incluindo carro, gasolina, hospedagem e alimentação), eu calcularia algo em torno de 10.000 a 14.000 BRL. Obviamente depende do quanto você quer se dar ao luxo, ou se às vezes você opta por comprar no supermercado e fazer um piquenique na natureza — o que eu e minha mãe adoramos fazer.
Itinerário: Road trip de 7 dias pela ilha de Vancouver passo a passo
Este roteiro combina o melhor da ilha de Vancouver — um pouco da Grã-Bretanha, um pouco de selva, um pouco de baleias e cabras no telhado. É um mix de tudo. Fica um pouco puxado em termos de deslocamentos, mas prometo que cada parada vale a pena e você vai chegar ao final com o cartão de memória cheio de fotos incríveis.
Organizei os dias de forma lógica para minimizar deslocamentos desnecessários e aproveitar o máximo de cada região. Se quiser, é claro que pode acrescentar um dia extra em alguns lugares — especialmente nas áreas dos parques nacionais, dá para passar uma semana inteira sem sentir.
Visão geral das hospedagens dia a dia
Para facilitar a orientação, aqui está um resumo rápido de onde dormir cada noite. Todos os hotéis você pode conferir no Booking.com pelo nosso link de parceiro (não encarece nada pra você e me ajuda a continuar escrevendo guias como este).
| Dia | Localidade | Hotel recomendado (categoria) | Booking |
|---|---|---|---|
| 1–2 | Victoria | The Magnolia Hotel & Spa (luxo) / The Embassy Inn (intermediário) | Hotéis em Victoria |
| 3–4 | Tofino | Long Beach Lodge Resort (luxo) / Pacific Sands Beach Resort (intermediário) | Hotéis em Tofino |
| 5 | Parksville | The Beach Club Resort (intermediário) | Hotéis em Parksville |
| 6 | Campbell River | Painter’s Lodge (resort rústico autêntico) | Hotéis em Campbell River |
| 7 | Retorno ao continente | — | — |
💡 Dica: Na alta temporada (julho–agosto), reserve todas as hospedagens com 4 a 6 meses de antecedência. Tofino e Victoria são os primeiros a lotar, os demais destinos somem poucas semanas depois.
Dia 1: Do continente à elegância britânica
O primeiro dia começa bem cedo: você sai de Vancouver em direção ao terminal de Tsawwassen. Recomendo reservar a balsa para as 9h ou 10h da manhã para chegar à ilha com tempo de sobra e não perder meio dia. Após desembarcar em Swartz Bay, sobe no carro e dirige cerca de meia hora para o sul, direto ao coração de Victoria — que é, por sinal, a capital da província canadense da Colúmbia Britânica (sim, não é Vancouver, como muita gente pensa 😅). Estacionar no centro é bem tranquilo e há vários estacionamentos subterrâneos disponíveis.


Victoria é uma cidade absolutamente encantadora, com uma atmosfera britânica incrivelmente forte. À tarde, dedique um tempo para passear pelo Inner Harbour, o porto pulsante cheio de artistas de rua e vistas deslumbrantes. Bem acima do porto ergue-se o icônico hotel Fairmont Empress, que parece um antigo castelo inglês. Você pode reservar o tradicional chá da tarde das cinco — embora o preço (em torno de 90 CAD por pessoa) seja bem salgado. Para o jantar, vá ao pub Bard & Banker, que tem uma cerveja excelente, música ao vivo e um interior histórico lindo.
Onde se hospedar em Victoria:
Se quiser se dar ao luxo, The Magnolia Hotel & Spa é o top absoluto, bem no centro. Para uma opção mais acessível mas ainda excelente, confira The Embassy Inn, a poucos passos do porto e do parlamento.
Dia 2: Jardins de conto de fadas e tranquilidade à beira do oceano
No segundo dia, comece logo cedo com uma visita aos Butchart Gardens. Ficam a cerca de meia hora de carro ao norte do centro e são provavelmente a atração mais famosa de toda a região. A entrada custa cerca de 40 CAD, mas quando você entra, entende por quê. De uma antiga pedreira de calcário criaram um paraíso florido absolutamente incrível, onde cada plantinha é podada com perfeição total, e o Sunken Garden (Jardim Afundado) parece saído de um conto de fadas. Visitar de manhã é ótimo para evitar as maiores multidões dos ônibus de turismo.

Depois do almoço, volte a Victoria e vá passear no Beacon Hill Park. É um parque enorme de acesso livre bem à beira do oceano, onde pavões circulam livremente e das mirantes você avista, do outro lado do estreito, os picos nevados do estado americano de Washington. É um lugar incrivelmente tranquilo, perfeito para comprar um café e simplesmente absorver aquela atmosfera costeira. Na volta, vale a pena percorrer de carro o trecho chamado Dallas Road, que corre direto ao longo da orla e oferece algumas das melhores vistas para o oceano que você vai ver.
Dia 3: Rumo à selva da costa oeste
Hoje você enfrenta o deslocamento mais longo e provavelmente mais bonito de toda a viagem: atravessa a ilha de ponta a ponta, da ensolarada Victoria até a selvagem Tofino, na costa oeste. São cerca de 4 a 5 horas de carro no tempo puro, mas a estrada serpenteia por montanhas, ao lado de lagos cristalinos, e você vai querer parar o tempo todo para fotografar. Ao passar pela cidade de Port Alberni — última chance de abastecer o estoque em um supermercado grande — a estrada começa a se estreitar. Daqui em diante é selva de verdade, então certifique-se de que o tanque está cheio.

O destino é o famoso Pacific Rim National Park. Antes de chegar ao centro da cidade, pare na orla. A Long Beach é uma praia de areia imensamente extensa, onde as ondas do Pacífico se quebram com força e enormes troncos de árvores trazidos pelo mar repousam pela areia. É crua, selvagem e ventosa — mesmo no verão, leve uma blusa. E então você chega a Tofino, uma charmosa cidadezinha hippie cheia de lojas de surfe, cafés aconchegantes e bistrôs de frutos do mar frescos (recomendamos o lendário Tacofino).
Onde se hospedar em Tofino:
Um dos lugares mais bonitos para descansar é o Long Beach Lodge Resort, com vista direta para o oceano e pôres do sol lendários. Se estiver lotado (o que acontece frequentemente), dê uma olhada no Pacific Sands Beach Resort, localizado bem ao lado da famosa Cox Bay.
Dia 4: Surfe e fontes termais no meio da floresta
Tofino é a capital não oficial do surfe no Canadá e, mesmo que você nunca tenha pisado em uma prancha, vale a pena absorver a atmosfera na Cox Bay, onde desde o amanhecer surfistas de neoprene mergulham na água fria. Você pode pagar uma aula para iniciantes, ou simplesmente passear pela praia, respirar o ar salgado e admirar com que elegância essas pessoas capturam as ondas gigantes. Eu sou mais do tipo que torce da areia com um chá quente na mão.

À tarde, reserve uma das melhores experiências que a ilha oferece: a excursão às Hot Springs Cove. São fontes termais naturais escondidas fundo na floresta, às quais nenhuma estrada dá acesso. Você precisa de cerca de uma hora e meia de barco (ou um voo de hidro) e depois uma caminhada de aproximadamente dois quilômetros por passarelas de madeira pela floresta. A água das fontes tem quase 50°C e escorre por cascatas de pedras diretamente para o oceano gelado. É uma experiência cara (o passeio de barco sai por volta de 150 a 180 CAD), mas a sensação de sentar nessa água quente enquanto observa o oceano selvagem é absolutamente impagável.
Dia 5: A catedral das árvores e as cabras no telhado
De manhã você se despede de Tofino e segue de volta para o lado leste da ilha pela mesma estrada — que continua linda de qualquer jeito. No caminho de volta, faça uma parada obrigatória no MacMillan Provincial Park, conhecido por um bom motivo como Cathedral Grove (Bosque da Catedral). Aqui cresce um dos últimos remanescentes de floresta tropical antiga, com pseudotsugass e cedros vermelhos de mais de 800 anos, troncos tão grossos que você se sente uma criança ao lado deles, e a luz filtrando pelas copas cria uma atmosfera quase sagrada. Aqui você vai agradecer ter um bom calçado para trilhas, porque as trilhas costumam estar lamacentas.


À tarde você chega à vilinha de Coombs, famosa por uma bizarrice absolutamente única: o Old Country Market tem cabras vivas pastando livremente no telhado gramado 😁. É uma armadilha turística de primeira, cheia de gente — mas ao mesmo tempo é tão engraçado que você simplesmente não pode deixar de parar, tomar um sorvete caseiro delicioso e tirar aquela foto da cabra no telhado. No fim do dia você segue até a cidadezinha costeira de Parksville. Comparada a Tofino, o mar aqui é muito mais calmo, e graças às praias rasas e extensas a água fica bem mais quente — dá até para nadar no verão.
Onde se hospedar em Parksville:
O clássico por aqui é o The Beach Club Resort, localizado bem na orla principal, com uma vista maravilhosa da praia pelos quartos — praia que na maré baixa se estende por quilômetros mar adentro.
Dia 6: Montanhas majestosas no parque mais antigo e rumo ao norte
De Parksville você parte em direção ao noroeste, para o interior da ilha, onde te espera o Strathcona Provincial Park. É o parque provincial mais antigo da Colúmbia Britânica e oferece uma paisagem completamente diferente da costa: montanhas agrestes com cumes nevados, rios bravios e vales profundos. O ponto alto para os visitantes é o imenso lago Buttle Lake, de um turquesa intenso. A estrada corre direto pela beira do lago, então você pode parar em dezenas de pequenos mirantes e apreciar vistas incríveis onde as montanhas se refletem na água calma.

Há várias trilhas curtas até cachoeiras, como a facilíssima caminhada até as Lupin Falls ou o percurso um pouco mais longo até as Myra Falls, que despencam pelas rochas em cascatas. Por volta das 17h, você retorna para a costa e segue até Campbell River. A cidade tem o apelido de capital mundial do salmão e é o ponto de partida ideal para aventuras ainda mais ao norte. Para um bom jantar, não deixe de passar no Dick’s Fish & Chips — os frutos do mar são completamente frescos e a porção, depois de uma boa caminhada, vai te deixar satisfeito com gosto.
Onde se hospedar em Campbell River:
Para uma experiência autêntica, experimente o lendário Painter’s Lodge. É um resort rústico de madeira um pouco mais antigo e tradicional, mas transpira a atmosfera genuína do velho Canadá, e fica bem à beira d’água com uma vista fantástica para o estreito.
Dia 7: Orcas em Telegraph Cove e o retorno
O último dia começa com um deslocamento um pouco mais longo. De Campbell River você dirige menos de duas horas ainda mais ao norte, até a minúscula e histórica Telegraph Cove. A cidadezinha é toda construída sobre palafitas acima da água e parece saída de um velho filme de pescadores — incrivelmente pitoresca. Mas o motivo principal pelo qual todo mundo vem até aqui está um pouco mais adiante, nas águas frias do oceano. O estreito de Johnstone Strait é um dos melhores lugares do mundo inteiro para observar orcas em seu habitat natural.

Reserve um passeio de barco matinal com um guia licenciado, sente-se no deck e fique de olhos bem abertos. Ver os majestos dorsos preto e branco emergindo suavemente da água bem pertinho do barco é uma experiência que arrepia a espinha. As baleias caçam os salmões que passam por ali e se movem em grandes grupos familiares. Depois dessa experiência marcante, só resta o retorno gradual à realidade. Entre no carro, dirija em direção ao sul até o porto de Nanaimo (cerca de três horas), de onde a balsa da tarde ou da noite te leva de volta ao continente, em Vancouver.
Versão reduzida: Pacific Marine Circle (para quem tem só 2 ou 3 dias)
Entendo que nem todo mundo tem uma semana para percorrer a ilha toda, e sua viagem ao Canadá pode ter que ser dividida entre muitos outros destinos. Se você está vindo pela primeira vez e tem apenas dois ou três dias reservados na agenda, a alternativa ideal é o roteiro chamado Pacific Marine Circle.

É um circuito de aproximadamente 289 quilômetros que começa e termina em Victoria. É uma espécie de degustação de tudo que a ilha tem a oferecer, em um pacote muito mais compacto e menos exigente em termos de tempo — que minha mãe e eu recomendamos de coração para quem tem a agenda apertada.
O que você vai ver neste circuito menor
O roteiro passa pela sonolenta cidadezinha costeira de Sooke e segue até as praias selvagens de Port Renfrew. Lá, não deixe de explorar a famosa Botanical Beach, com lindas piscinas naturais que aparecem na maré baixa e transbordam de vida marinha.

Em seguida, a estrada vira em direção ao interior, passando pelo lago Cowichan e por um vale cheio de fazendas simpáticas, cidrerías e vinícolas, até te levar de volta à balsa. Dá para percorrer num fim de semana prolongado e, mesmo sem ver o norte ou Tofino, você vai embora com aquela sensação genuína de selva canadense que faz toda a diferença.
Para onde mais ir no Canadá
Se você ainda está planejando o seu road trip e quer saber o que mais não perder no Canadá, dá uma olhada nos nossos outros artigos da região. Pode começar pelo nosso guia detalhado sobre o que ver em Vancouver, que sem dúvida é uma das cidades mais bonitas do mundo, onde o oceano encontra as montanhas.
Acredito que justamente essa combinação — a costa bravura da ilha de um lado e os picos nevados das Montanhas Rochosas do outro — é o motivo pelo qual a gente volta ao Canadá vez após vez. O país é imenso e cada província oferece uma atmosfera completamente diferente.
Parques nacionais no interior
E se você for da costa direto para os parques nacionais do interior, não pode deixar de passar pelas Montanhas Rochosas canadenses. Lá te espera o lago turquesa mais famoso de todos, sobre o qual escrevemos no nosso artigo completo sobre o Lake Louise e o Parque Nacional de Banff.
Lá você encontra centenas de quilômetros de trilhas e garanto: quando você ver aqueles lagos cercados de geleiras, vai entender por que pessoas do mundo inteiro se deslocam até lá. Vale muito a pena chegar aos lagos bem cedinho, antes que as primeiras levas de turistas apareçam — o silêncio da manhã e o reflexo das montanhas na superfície da água estão entre as experiências mais marcantes que você vai trazer do Canadá.
Dicas e truques de viagem
Para fechar, tenho mais algumas dicas pessoais e totalmente práticas para você. São serviços que uso regularmente para organizar qualquer viagem ao exterior, não apenas ao Canadá.
Eles sempre me economizam um monte de tempo na frente do computador e, principalmente, dinheiro que prefiro gastar em boa comida ou passeios de barco nas férias. Espero que essas dicas também facilitem o seu planejamento.
Onde encontrar passagens aéreas
Para passagens baratas até Vancouver, o primeiro passo é sempre o Kiwi, nosso comparador favorito, que combina diferentes companhias aéreas com muita eficiência. Com frequência encontramos boas promoções ou conexões inteligentes via Europa com uma escala razoável.
Do Brasil, as principais opções de voo para Vancouver são com companhias como Air Canada, LATAM e TAM com conexões, ou em promoções sazonais. Tente reservar com pelo menos alguns meses de antecedência, especialmente para a temporada de verão, quando os preços para o Canadá sobem bastante. O Kiwi também é excelente para comparar preços quando você tem flexibilidade de alguns dias no calendário.
Aluguel de carro
Como já mencionei mais acima, tenho mesmo uma ótima experiência de longa data com o RentalCars, que uso com tranquilidade no mundo inteiro. Eles têm condições totalmente transparentes e uma seleção enorme de veículos, de carros compactos a vans e motorhomes.
No Canadá, carro automático é absolutamente o padrão — não precisa ter medo se você estiver acostumado só com câmbio manual no Brasil. Você pega o jeito em cinco minutos e nas longas estradas canadenses vai adorar ter essa praticidade.
Reserva de hospedagem
O Booking.com é disparado o nosso buscador de hotéis preferido. No Canadá vale a pena especialmente acumular pontos no programa fidelidade deles, o Genius — os descontos de 10 a 15% sobre uma hospedagem já cara na Colúmbia Britânica fazem uma diferença real no final das contas.
Além disso, adoro que a maioria das acomodações oferece cancelamento gratuito. Isso é perfeito para casos como Tofino, onde a gente reserva com muita antecedência mas quer manter a flexibilidade de ajustar o roteiro um dia para lá ou para cá se precisar.
Não esqueça o seguro viagem
Esse é ponto inegociável. O Canadá fica fora do seu plano de saúde nacional e o atendimento médico lá é astronomicamente caro — viajar sem seguro é simplesmente um risco desnecessário.
Se você procura uma proteção confiável e já testada para viajantes, leia a nossa análise do SafetyWing. É exatamente o seguro que usamos há anos com total tranquilidade, porque você contrata de casa em poucos cliques e cobre tudo que realmente importa.
Internet no celular sem preocupação
Ter mapas online e internet disponíveis o tempo todo é o básico em qualquer road trip num país estrangeiro. Hoje em dia a gente não abre mão dos chips digitais eSIM, que evitam aquela correria pelo aeroporto atrás de uma loja de telefonia.
Confira a nossa análise da Holafly. Você instala o eSIM no celular de casa e, assim que pousa no Canadá, já tem dados ilimitados — dá para navegar direto do aeroporto até a fila da balsa sem o menor problema.
FAQ — Perguntas frequentes sobre a ilha de Vancouver
O oeste do Canadá e a ilha de Vancouver podem ser um pouco complicados de planejar, então recebo constantemente perguntas parecidas por e-mail e nos comentários. Aqui estão as respostas para as mais frequentes, tudo reunido num lugar só.
Quanto tempo leva a travessia de balsa para Vancouver Island?
Do porto de Tsawwassen, perto de Vancouver, a viagem até Swartz Bay (Victoria) leva cerca de uma hora e meia. A travessia em si é bem confortável, o barco tem restaurantes, cafeterias e decks panorâmicos. Mas no total, contando a chegada ao porto e o embarque, é bom reservar umas três horas.
Preciso de um carro 4×4 para explorar a ilha?
Não, para o roteiro descrito neste itinerário um carro comum é mais do que suficiente. Todas as estradas principais entre Victoria, Tofino e Campbell River são asfaltadas. Você só precisaria de um SUV se fosse se aventurar bem no fundo das florestas por estradas de madeireiras.
Tem ursos e outros animais selvagens em Vancouver Island?
Sim, Vancouver Island tem uma das maiores populações de ursos-negros e pumas de toda a América do Norte. Nas trilhas é importante fazer barulho, de preferência andar em grupos, e sempre levar todo o lixo e comida embora para não atrair os animais para perto do carro ou da barraca.
Preciso reservar as balsas com antecedência?
Recomendo muito que sim. Principalmente nos meses de verão e nos finais de semana (ou durante feriados canadenses), as balsas costumam esgotar com vários dias de antecedência. Se você chegar sem reserva, tem grande chance de passar horas esperando no porto por uma vaga que talvez nem chegue a sua vez.
Vale a pena mesmo fazer aquele trajeto longo até Tofino?
Com certeza. Tofino e Pacific Rim oferecem uma natureza completamente diferente, selvagem e intocada, bem diferente da costa leste mais tranquila, e provavelmente é o lugar que você vai lembrar com mais carinho de toda a ilha.
Como são os preços da gasolina na ilha?
A gasolina em Vancouver Island (especialmente em áreas mais remotas como Tofino ou ao norte de Campbell River) costuma ser bem mais cara do que no continente, na região de Vancouver. A dica é sempre encher o tanque nas cidades maiores, como Victoria ou Nanaimo, onde os preços são melhores.
Dá para ver baleias e orcas direto da praia?
De vez em quando sim, você pode ter sorte e avistar à distância os jatos d’água das baleias passando pelas praias da costa oeste. Mas se você quer ter certeza e ver as orcas bem de perto (principalmente no norte, perto de Telegraph Cove), vale muito a pena pagar por um passeio profissional de barco com guia.
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