Auvergne, França: 13 dicas para a terra dos vulcões em 2026

Quando se fala em verão na França, a maioria de vocês com certeza pensa na Provence ou nas praias lotadas da Riviera Francesa. Mas se você procura a verdadeira França sem multidões, recomendo seguir direto para o coração do país, na região de Auvergne, na França.

Aqui se estende o vasto Massif Central e seu coração vulcânico verdejante, que é a deslumbrante região de Auvergne. Essa terra silenciosa de vulcões extintos vai te encantar com certeza pela sua beleza bruta e pela natureza intocada.

Nas linhas a seguir você vai encontrar 13 dicas de lugares que você simplesmente precisa visitar por aqui. Assim vai descobrir rapidinho por que essa região tranquila é o remédio perfeito contra o overtourism.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Por onde começar: O ponto de partida ideal para explorar a região é a cidade de Clermont-Ferrand, com sua catedral negra única.
  • Cadeia vulcânica: A região Chaîne des Puys oferece mais de 80 vulcões adormecidos inscritos na lista da UNESCO.
  • Melhor vista: Ao topo do vulcão mais famoso, o Puy de Dôme, um trenzinho panorâmico te leva de forma rápida e confortável.
  • Para famílias com crianças: O parque temático e científico Vulcania te guia de forma interativa pelos segredos do interior da Terra.
  • Maravilha arquitetônica: Em Le Puy-en-Velay você encontra uma capela impressionante construída no topo de uma agulha rochosa íngreme.
  • Elegância termal: A cidade de Vichy vai agradar os amantes da arquitetura luxuosa da Belle Époque e das fontes minerais quentes.
  • Gastronomia: A região é famosa por sua rota dos queijos, na qual você vai provar nada menos que cinco queijos célebres com denominação de origem protegida.

Quando ir a Auvergne e que clima esperar

Quando ir a Auvergne e que clima esperar
Foto: U.S. Navy photo by Mass Communication Specialist 2nd Class E / Wikimedia Commons, Public domain

Auvergne é principalmente um destino de verão e de turismo, e a melhor época para ir é de maio até o final de setembro. Nesses meses, a paisagem fica incrivelmente verde e exuberante, e o clima praticamente convida a longas caminhadas pelas cristas das montanhas. Enquanto no sul da França o trânsito entra em colapso em agosto e as temperaturas frequentemente beiram desconfortáveis quarenta graus, nas montanhas vulcânicas você respira um ar fresco e bem mais frio. Espere que nos meses de verão faça cerca de cinco a dez graus a menos do que na Provence, algo que você vai agradecer a cada subida.

Por isso, julho e agosto são a escolha absolutamente ideal para quem não suporta bem os calores extremos do verão e prefere passar as férias de forma ativa. Durante o dia, nas altitudes mais baixas, as temperaturas ficam por volta de agradáveis vinte e cinco graus, mas nos topos dos vulcões costuma ventar bem mais e o tempo pode mudar muito rápido. Se você quiser ir no inverno, a situação fica um pouco mais complicada. A temporada de inverno, do fim de dezembro a março, pode oferecer um esqui local agradável na estação de Super-Besse, mas as condições de neve aqui são bem imprevisíveis por causa da altitude inferior a dois mil metros. Não estamos falando da Saboia cheia de geleiras, então, em invernos amenos, muitos serviços turísticos e refúgios de montanha ficam totalmente fechados.

Ao planejar a viagem, não esqueça também que sem carro você praticamente não se vira nessa região rural, já que o transporte público fora das grandes cidades é muito escasso. Uma enorme vantagem é a rodovia A75, que cruza o Massif Central de norte a sul e é em boa parte completamente gratuita, o que na França é uma exceção rara e muito bem-vinda. Mas tome muito cuidado com o sistema Free-Flow nos trechos pagos normais, onde não há cancelas tradicionais e o pedágio precisa ser pago online em até setenta e duas horas conforme a placa do seu veículo, para evitar multas desagradáveis e salgadas.

Onde se hospedar em Auvergne

Onde se hospedar em Auvergne
Foto: Paul Vidal de La Blache (1845-1918) / Wikimedia Commons, Public domain

💡 Dica de hospedagem e experiências: A gente adora procurar hospedagem no Booking.com, onde costumam ter as melhores condições de cancelamento. Já ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.

Ao planejar a viagem, você precisa ter em mente que Auvergne é uma região rural realmente extensa, e uma escolha estratégica de hospedagem vai te poupar horas de direção desnecessária. Devido à pior acessibilidade das aldeias menores, recomendo escolher lugares de onde dá para chegar facilmente às principais rodovias e estradas maiores. Reserve sempre sua hospedagem com bastante antecedência por plataformas como o Booking, porque as vagas somem rápido na alta temporada e a oferta nas áreas mais remotas é bem limitada.

O ponto de partida mais lógico é a cidade universitária de Clermont-Ferrand, que fica bem no pé dos vulcões e de Paris você chega aqui facilmente de trem-bala TGV em menos de três horas e meia. Você vai encontrar ótima infraestrutura, muitos restaurantes e excelente conexão com a malha rodoviária. Bem no centro você pode se hospedar, por exemplo, no popular Hôtel Littéraire Alexandre Vialatte, que oferece uma linda vista da cidade e das colinas vulcânicas ao fundo.

Se você anseia por mais paz e natureza, uma ótima base para trilhas de montanha é a pequena cidade termal de Le Mont-Dore. Ela parece saída de outro século e fica num vale profundo, a um pulo da montanha mais alta de todo o maciço, então você pode sair para as trilhas praticamente da porta do hotel. Experimente conferir, por exemplo, o tradicional Hôtel du Puy Ferrand, onde você vai curtir a atmosfera montanhosa em sua plenitude e, à noite, se aquecer junto à lareira depois da trilha.

Para os amantes da história e da elegância termal, vale passar a noite na linda cidade de Vichy, no norte da região. O Mercure Vichy Thermalia local vai te oferecer todo o conforto da era moderna em meio a colunatas históricas, o que é uma escolha absolutamente ideal para a parte mais calma e relaxante das suas férias, depois de caminhadas exaustivas pelas crateras extintas.

13 dicas do que ver e fazer em Auvergne

13 dicas do que ver e fazer em Auvergne
Foto: Vida Nova / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Vamos dar uma olhada juntos no que esse fascinante canto da França pode te oferecer de melhor. Prepare um calçado confortável, porque a maioria dos lugares mais bonitos exige pelo menos um pouco de esforço físico, mas eu prometo que aquelas vistas de tirar o fôlego sobre as crateras verdes valem muito a pena.

1. Clermont-Ferrand e a catedral sombria

Clermont-Ferrand e a catedral sombria
Foto: Romainbehar / Wikimedia Commons, CC0

Seu primeiro encontro com a região provavelmente será com sua capital, Clermont-Ferrand, cuja silhueta salta aos olhos já de longe. Acima da cidade erguem-se as duas torres da catedral Notre-Dame-de-l’Assomption, que é inteira construída em pedra vulcânica negra chamada pierre de Volvic. À primeira vista, a construção parece meio sombria e quase de filme de terror gótico, mas, por dentro, esconde vitrais incrivelmente detalhados e coloridos.

A cidade em si tem uma atmosfera universitária bem animada e é mundialmente conhecida como o berço da marca Michelin, então você vai encontrar inúmeros bistrôs e cafés excelentes. Como contraponto à catedral negra, não deixe de conhecer a basílica românica Notre-Dame-du-Port, inscrita na lista da UNESCO como importante parada do famoso Caminho de Santiago de Compostela.

Ao chegar de carro ao centro, tome muito cuidado com as zonas de baixas emissões, porque as regras aqui são fiscalizadas de forma bem rígida. O selo ecológico Crit’Air é obrigatório também para carros de aluguel, e, após uma recente decisão judicial, quem entrar sem ele corre o risco de multas de 68 a 375 euros. O selo precisa ser solicitado online por cerca de cinco euros com bastante antecedência, pois no local já não dá para resolver.

💡 Dica: Não esqueça de visitar o moderno museu L’Aventure Michelin, onde você vai descobrir não só tudo sobre a história dos famosos pneus, mas também sobre o surgimento do lendário guia gastronômico cheio de estrelas.

Puy de Dôme e o trenzinho panorâmico
Foto: Another one of my pictures: This photograph was taken by / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

2. Puy de Dôme e o trenzinho panorâmico

O ponto mais alto e, sem dúvida, mais famoso de toda a cadeia vulcânica é o majestoso cume do Puy de Dôme. Com altitude de 1.465 metros, ele domina todo o horizonte e, em um bom dia de verão, você consegue ver dezenas de quilômetros em todas as direções a partir dele. Se você gosta de subidas honestas, pode ir a pé pela antiga via romana Chemin des Muletiers, que garante vistas lindas durante toda a subida íngreme.

Para quem quer poupar os joelhos ou viaja com crianças menores, do fim de fevereiro até meados de novembro funciona uma ótima alternativa: o trem cremalheira Panoramique des Dômes. Esse trem elétrico te leva confortavelmente ao topo em quinze minutos, e a viagem em si já é uma grande experiência, porque os trilhos sobem em espiral ao redor da montanha e abrem aos poucos a vista para as crateras.

Na alta temporada, você paga cerca de 18,60 euros pela passagem de ida e volta de adulto e por volta de 11,70 euros por criança. Lá em cima, além das vistas de tirar o fôlego, te esperam as surpreendentes ruínas de um antigo templo romano dedicado ao deus Mercúrio e o espetáculo fascinante dos parapentistas, que usam esse lugar como sua lendária rampa de decolagem para voos sobre os vulcões.

💡 Dica: O trem cremalheira costuma ficar bem cheio nos meses de verão e formam-se longas filas, por isso compre suas passagens com antecedência online para um horário de partida específico.

3. Chaîne des Puys e os 80 gigantes adormecidos

Chaîne des Puys e os 80 gigantes adormecidos
Foto: Another one of my pictures: This photograph was taken by / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Logo depois dos limites de Clermont-Ferrand começa um verdadeiro milagre geológico, que não tem paralelo na Europa e lembra as ilustrações dos romances de Júlio Verne. A Chaîne des Puys é uma deslumbrante faixa de cerca de trinta quilômetros, formada por mais de oitenta cones, domos e crateras vulcânicas perfeitamente preservados. Todo esse imenso planalto foi inscrito em 2018 na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO como o primeiro e, até hoje, único sítio puramente geológico da França.

Não precisa ter o menor medo: todos os vulcões daqui estão extintos há muito tempo, e a última erupção vulcânica ocorreu há cerca de oito mil anos. Hoje, então, você pode caminhar com total segurança por uma paisagem densamente arborizada e coberta por um macio tapete verde de grama, onde nas estradas você provavelmente vai encontrar mais vacas pastando do que carros vindo na direção contrária.

A forma mais bonita de explorar essa área é calçar botas firmes e sair para longas caminhadas. Trilhas sinalizadas te levam direto pelas crateras antigas, chamadas maars, que ao pôr do sol ganham uma atmosfera incrivelmente romântica e profunda, cheia de uma paz cada vez mais rara na Europa de hoje.

💡 Dica: Se você quer viver algo realmente inesquecível, tente reservar um voo de balão de ar quente, porque a vista de dezenas de crateras verdes do alto vai te deixar de queixo caído.

4. Vulcania, o parque temático não só para crianças

Vulcania, o parque temático não só para crianças
Foto: Camulogene77 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Se você viaja em família ou simplesmente se fascina por geologia e pelas forças da natureza, definitivamente não perca o parque Vulcania. Ele fica a um pequeno trecho de Clermont-Ferrand e não é um parque temático comum, com montanhas-russas clássicas e algodão-doce. Trata-se mais de um centro interativo e científico único, que está em grande parte habilmente embutido bem fundo na dura rocha vulcânica, então só a arquitetura do prédio já impõe um enorme respeito.

Durante a visita, você entende facilmente como exatamente funcionam as forças gigantescas escondidas bem abaixo da crosta terrestre. Graças a incríveis projeções em 3D, cinemas dinâmicos e simuladores de terremoto bem realistas, você sente na pele como é estar bem no surgimento de um vulcão. A maioria das atrações é pensada de forma inteligente e consegue divertir muito bem também os visitantes adultos.

Os preços dos ingressos para a temporada atual ficam por volta de 32,50 euros para adulto e 27 euros por ingresso infantil. O parque é bem extenso, e para explorá-lo a fundo reserve com certeza um dia inteiro, porque há realmente uma quantidade enorme de atrações e trilhas educativas.

💡 Dica: De Clermont-Ferrand saem ônibus especiais até o parque, então você chega aqui muito facilmente mesmo se não estiver com vontade de dirigir ou se chegar à região de trem.

5. Le Mont-Dore e o áspero cume Puy de Sancy

Le Mont-Dore e o áspero cume Puy de Sancy
Foto: GerritR / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Enquanto as áreas mais ao norte lembram colinas verdes arredondadas e bem-cuidadas, um pouco mais ao sul a paisagem muda completamente e ganha um caráter bem mais áspero. O maciço Monts Dore é geologicamente mais antigo, mais erodido e, com sua aparência mais dramática e encostas íngremes, lembra mais os Alpes. É justamente aqui que fica o famoso cume Puy de Sancy, que, com seus respeitáveis 1.885 metros, é o ponto mais alto de todo o maciço central francês.

O acampamento-base para essa área selvagem é a encantadora pequena cidade termal de Le Mont-Dore, que nos meses de verão se torna o paraíso perfeito para todos os caminhantes entusiasmados. A subida até o topo do Puy de Sancy você consegue fazer ou honestamente a pé pelo pitoresco vale Val de Courre, ou pode dar uma boa ajuda com o teleférico e depois subir só as últimas centenas de degraus de madeira por caminhos bem cuidados.

A vista do Sancy é incrivelmente bruta, rochosa, e em dias de boa visibilidade dá para enxergar até os picos nevados dos Alpes franceses. Depois da descida exigente, recomendo entrar em uma das tabernas locais e se recompensar com uma porção enorme da chamada truffade, que são deliciosas batatas gratinadas com uma quantidade gigantesca de queijo local.

💡 Dica: O clima no cume muda de forma incrivelmente rápida e imprevisível, então, mesmo que lá embaixo no vale brilhe um sol quente, lá em cima você pode congelar numa névoa densa, por isso leve sempre uma boa jaqueta corta-vento.

6. Le Puy-en-Velay e a capela equilibrada numa agulha

Le Puy-en-Velay e a capela equilibrada numa agulha
Foto: Adrien BENOIT à la GUILLAUME / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Se existe um lugar no centro da França onde seu queixo literalmente cai de admiração, é a fascinante cidade de Le Puy-en-Velay. A topografia daqui desafia totalmente o bom senso, porque do vale plano erguem-se de repente em direção ao céu íngremes chaminés vulcânicas chamadas dykes. São, na verdade, apenas núcleos de lava solidificada de vulcões antigos, cujas camadas externas mais moles já foram levadas há muito tempo pela erosão gradual, e as pessoas construíram monumentos de pedra deslumbrantes em suas pontas.

O absolutamente mais impressionante deles é a capela românica Saint-Michel d’Aiguilhe, que data já do século dez. Essa construção incrível se equilibra bem no topo de uma chaminé de pedra de 82 metros de altura e, de longe, parece ter aterrissado ali de um mundo completamente diferente. Para chegar até ela e poder admirar sua linda arquitetura influenciada pelos padrões de mosaico de Córdoba, você precisa subir honestamente 268 degraus esculpidos diretamente na rocha nua.

A vista do alto sobre toda a cidade e a paisagem vulcânica ao redor é absolutamente fantástica, e você logo entende por que esse lugar aparece tanto em cartões-postais. Parece literalmente um elaborado cenário de cinema.

💡 Dica: Os degraus para cima são bem estreitos e íngremes, por isso, nos meses quentes de verão, vá logo de manhã, assim que o monumento abrir, para evitar o calor desagradável do sol batendo na rocha aquecida.

7. Catedral Notre-Dame e o famoso Caminho de peregrinação

Catedral Notre-Dame e o famoso Caminho de peregrinação
Foto: Phyrexian / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A cidade de Le Puy-en-Velay não é conhecida só pela incrível capela na agulha, mas tem também um enorme significado europeu e espiritual, que mergulha fundo na história. A linda catedral Notre-Dame daqui, inscrita na lista da UNESCO, é o ponto de partida histórico de uma das mais importantes rotas de peregrinação a Santiago de Compostela. É a famosa rota Via Podiensis, conhecida também como caminho de longa distância GR65, da qual os peregrinos partem em uma respeitável caminhada de 736 quilômetros em direção aos Pirineus.

Toda manhã, depois da missa cedo, dezenas de pessoas se reúnem na enorme escadaria diante da catedral, com mochilas e as típicas conchas de vieira, para dar seus primeiros passos rumo ao oeste. Graças a eles, a cidade inteira tem uma atmosfera constantemente pulsante, internacional e incrivelmente acolhedora. Só observar esse movimento matinal de um café já é uma grande experiência.

Perto da catedral, ergue-se sobre outra formação vulcânica uma gigantesca estátua rosada da Virgem Maria, que esconde uma enorme curiosidade. Essa estátua monumental foi fundida a partir de 213 canhões russos, capturados pelo exército francês durante a cruel Guerra da Crimeia, no cerco a Sebastopol.

💡 Dica: A grande especialidade local é a chamada lentilha verde de Le Puy, que ostenta denominação de origem protegida e, nos restaurantes, você a recebe como uma deliciosa sopa encorpada e cheia de sabor, que vai te saciar perfeitamente depois de um longo dia.

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8. Termas de Vichy e a elegância da Belle Époque

Termas de Vichy e a elegância da Belle Époque
Foto: Passet Stéphane / Wikimedia Commons, CC0

Na borda norte da região fica uma cidade que tem uma atmosfera completamente diferente do resto do áspero campo vulcânico cheio de vacas e pastagens verdes. A cidade de Vichy é a essência perfeita da elegância francesa do século dezenove, ou seja, da célebre era chamada Belle Époque. Aqui você pode, por um momento, esquecer as botas de trilha empoeiradas e curtir alamedas cheias de elementos ornamentados de ferro fundido, marquises de vidro e grandiosos edifícios históricos.

Vichy foi, durante décadas, sinônimo de estadias termais luxuosas e, hoje, está retomando plenamente essa rica tradição. Você vai encontrar aqui lindas colunatas cobertas, cassinos históricos e o edifício de uma grandiosa ópera, tudo cercado por parques cuidadosamente mantidos que margeiam o tranquilo rio Allier. É o lugar ideal para recarregar as energias.

Vichy é também um nome que ressoa nos livros de história, já que durante a Segunda Guerra Mundial foi a sede do regime colaboracionista francês. Em 2021, a cidade foi inscrita na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, dentro de um exclusivo grupo de apenas onze célebres cidades termais europeias. Passear pelas suas colunatas e parques, tentando captar paralelos arquitetônicos entre todas essas elegantes estâncias do passado, vai com certeza te divertir.

💡 Dica: Não deixe de provar as famosas pastilhas Vichy locais, que são refrescantes balas brancas feitas a partir dos sais extraídos das fontes minerais curativas da região, e que você compra em lindas latinhas retrô em cada esquina.

9. A rota dos queijos de Auvergne e os cinco reis

A rota dos queijos de Auvergne e os cinco reis
Foto: Rundvald / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Se você ama comer bem, vai ficar no sétimo céu em Auvergne, mas precisa se preparar para uma mudança fundamental. Esqueça o vinho por um momento, porque nessa região montanhosa, simplesmente, quem reina é o queijo. As vacas daqui pastam em encostas vulcânicas cheias de ervas selvagens, o que confere ao leite local um sabor específico e incrivelmente rico. A região se orgulha, com razão, de nada menos que cinco queijos com a prestigiada denominação de origem protegida, que formam uma tábua de queijos perfeita.

O mais famoso deles é o queijo duro Cantal, cujas raízes remontam, dizem, aos tempos dos antigos gauleses, e o cremoso Saint-Nectaire, com aroma de cogumelos e terra úmida. Os verdadeiros gourmets vão apreciar o queijo Salers, que tem regras extremamente rígidas e só pode ser produzido entre meados de abril e meados de novembro, com leite de vacas que pastam ao ar livre. Para os amantes de sabores mais marcantes, há ainda o picante queijo azul Bleu d’Auvergne ou o um pouco mais suave e cilíndrico Fourme d’Ambert.

A melhor forma de conhecer todas essas iguarias é sair de carro pela oficial Rota dos Queijos, que te leva por dezenas de pequenas fazendas e leiterias, onde você pode degustar diretamente dos produtores locais e entusiastas, que ficam felizes em explicar todo o processo de maturação.

💡 Dica: Ao comprar o queijo Saint-Nectaire, procure na sua casca o selo oval verde, que garante tratar-se do chamado queijo de fazenda, produzido por um método tradicional artesanal diretamente na propriedade.

Misterioso lago vulcânico Lac Pavin
Foto: Matěj Baťha / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.5

10. O misterioso lago vulcânico Lac Pavin

A tempestuosa atividade vulcânica não deixou na região apenas lindas colinas verdes, mas também criou uma enorme quantidade de água na forma de muitos lagos de montanha únicos. O mais interessante visualmente e, sem dúvida, o mais misterioso deles é o Lac Pavin. Trata-se de um maar circular perfeito, o que, na terminologia geológica, significa uma antiga cratera vulcânica formada por uma explosão gigantesca, que com o tempo foi inundada por água da chuva e subterrânea.

O lago é cercado por todos os lados por florestas densas e escuras, e sua água tem uma cor azul-escura incomum, quase de tinta, sendo que o próprio fundo se encontra a uma profundidade respeitável de noventa metros. Não é de admirar que esse lugar pareça à primeira vista um pouco sinistro e que esteja ligado a uma grande quantidade de lendas locais assustadoras sobre demônios.

Nadar aqui é, por razões compreensíveis, estritamente proibido, mas você pode contornar todo o lago por uma trilha florestal muito agradável e fácil. A caminhada inteira leva cerca de uma horinha e, de vários mirantes, você tem uma vista incrível da superfície de água perfeitamente redonda que reflete as árvores ao redor.

💡 Dica: Se você tem vontade de um descanso um pouco mais ativo e não tem medo da água profunda embaixo de você, na margem dá para alugar um barquinho e explorar as misteriosas águas do lago bem de perto, direto do seu centro silencioso.

Banho com vista no Lac Chambon
Foto: Thalia Gylonno / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

11. Banho com vista no Lac Chambon

Se depois de uma trilha de montanha exigente você procura mais um refresco clássico de verão e relaxamento ao sol, siga apenas alguns vales adiante até o belíssimo lago Lac Chambon. Ao contrário do profundo, escuro e muito frio Pavin, este lago é bem raso, então sua água esquenta de forma muito rápida e agradável nos meses de verão. É uma parada absolutamente ideal e segura para famílias com crianças menores ou para quem simplesmente quer nadar em meio à natureza limpa.

Ao redor do lago você encontra nada menos que duas praias lindamente preparadas, com toda a infraestrutura necessária. Direto da água, abre-se ainda uma vista deslumbrante dos íngremes maciços vulcânicos ao redor, o que dá ao banho comum uma dimensão totalmente nova e levemente aventureira. As praias são margeadas por amplos gramados, que praticamente convidam a um piquenique à tarde com uma baguete francesa fresquinha e queijo local.

Ao redor do lago funciona uma infraestrutura turística absolutamente excelente, então você pode alugar facilmente pedalinhos, populares stand-up paddles ou sair de bicicleta pelas ciclovias bem cuidadas, que acompanham as margens e oferecem muitos pontos sombreados para descansar depois de um bom almoço.

💡 Dica: Se você ficar à beira da água até o entardecer, com certeza espere pelo pôr do sol, quando a superfície do lago se tinge de laranja e os picos vulcânicos ao redor criam uma silhueta escura absolutamente mágica.

Castelo medieval de Murol e torneios de cavaleiros
Foto: Père Igor / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

12. Castelo medieval de Murol e torneios de cavaleiros

Se você é mais atraído pela rica história do que pelas brincadeiras na água, faça uma pequena excursão a partir da região dos lagos até o lindo castelo de Murol. Essa majestosa fortaleza, que data já do século doze, ergue-se sobre um íngreme esporão de basalto e domina por completo toda a paisagem ao redor já de longe. Mas não é uma ruína comum e vazia, que você percorreria em poucos minutos e seguiria adiante.

A associação histórica local realiza aqui, na temporada de verão, ótimas apresentações com figurinos de época e grandiosas reconstituições da vida medieval. Atores experientes te mostram torneios de cavaleiros a cavalo, demonstrações de falcoaria tradicional e antigos ofícios na prática. É uma parada absolutamente fantástica, especialmente se você está com crianças no carro que já estão um pouco entediadas de caminhar todos os dias pelas montanhas e precisam de um programa mais agitado.

Das muralhas, você tem ainda uma vista perfeita lá no fundo do vale e do próximo lago Chambon. A entrada do castelo, com programa de dia inteiro, sai por volta de doze euros para adulto em 2026, o que é um preço bem razoável por essa porção de honesta diversão medieval.

💡 Dica: O programa das apresentações muda conforme os dias da semana, então confira antecipadamente o site oficial do castelo, para não perder os melhores combates de cavaleiros.

Águas bravas no Gorges de l'Allier
Foto: Myrabella / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0

13. Águas bravas no Gorges de l’Allier

Para uma boa dose de adrenalina e natureza indomada, siga ao sul da região até o profundo cânion Gorges de l’Allier. O rápido rio Allier, ao longo de milênios, esculpiu nas duras rochas vulcânicas desfiladeiros impressionantes e íngremes. Hoje, trata-se de um dos melhores lugares de toda a França para entusiastas do rafting e da canoagem, para onde, no verão, convergem praticantes de esportes aquáticos de toda a Europa.

Nas aldeias ao redor funcionam muitas locadoras confiáveis, onde te explicam de bom grado o básico e te equipam com capacete, colete salva-vidas e remos. Você pode escolher entre vários trechos do rio com diferentes níveis de dificuldade. Desde os mais calmos, adequados até para iniciantes absolutos e famílias com crianças, até corredeiras bravas, que vão pôr à prova com confiança suas habilidades e músculos. O rio forma aqui poços profundos margeados por florestas intocadas, onde, com um pouco de sorte, você avista espécies raras de aves.

Se você não estiver com vontade de entrar na água fria, existe também uma forma bem mais seca de admirar essa joia natural. Pelo cânion passa um trem turístico especial, que vence lentamente as encostas incrivelmente íngremes e atravessa túneis escuros em lugares onde você não tem a menor chance de chegar de carro.

💡 Dica: Os passeios de rafting ou os ingressos para o trem panorâmico costumam esgotar muito rápido na alta temporada de verão. Reserve seu lugar com certeza online, com vários dias de antecedência, ou use portais como o GetYourGuide para buscar atividades.

Para onde ir depois de Auvergne

Para onde ir depois de Auvergne
Foto: Victor Charreton (1864-1936) / Wikimedia Commons, Public domain

Quando você já tiver explorado todos os vulcões extintos, pode emendar tranquilamente em outros lugares incríveis que ficam relativamente perto. Se você sentir vontade da agitação da metrópole e de uma gastronomia de ponta, basta entrar no carro e, em cerca de duas horas de viagem rumo ao leste, você chega à cidade de Lyon. Esse coração pulsante da França oferece uma atmosfera totalmente diferente, bem mais urbana, cheia de palácios renascentistas e misteriosas passagens escondidas chamadas traboules.

Em direção ao sul, por sua vez, abre-se diante de você o quente portão para a ensolarada e perfumada Provence. Assim que você descer das montanhas para altitudes mais baixas, a arquitetura, os aromas no ar e a própria temperatura começam a mudar drasticamente. Você pode explorar o próximo vale do rio Ródano, com seus famosos vinhedos, ou seguir ainda mais longe até o impressionante aqueduto Pont du Gard. A França é um país incrivelmente diverso, e os silenciosos picos vulcânicos são apenas um dos seus muitos fragmentos encantadores.

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Perguntas frequentes

É necessário viajar para Auvergne de carro?

Sim, ter um carro próprio ou alugado é absolutamente essencial para esta região, se você realmente quer explorar a natureza. O transporte público até funciona bem entre as grandes cidades como Clermont-Ferrand e Paris graças aos trens de alta velocidade TGV, mas para as vilas nas montanhas, lagos vulcânicos ou pontos de partida das trilhas, os ônibus passam muito raramente ou simplesmente não passam. Sem carro, você perderia os lugares mais bonitos e remotos.

Fala-se inglês na região?

O inglês definitivamente não é algo garantido aqui, especialmente nas pequenas fazendas de queijo e com os moradores mais velhos no interior. Sempre vale a pena começar a conversa com uma saudação educada em francês “Bonjour” e só depois perguntar com um sorriso sobre outro idioma. Esse pequeno gesto de respeito abrirá muitas portas e corações dos locais, mesmo que no final vocês acabem se comunicando sobre um pedaço de queijo mais com gestos do que com palavras.

Quanto custa o pedágio nas rodovias?

Uma enorme vantagem é que a autoestrada A75 que atravessa o Maciço Central de norte a sul é totalmente gratuita, o que é uma raridade absoluta e muito agradável na França. Mas se você está vindo de Paris ou Lyon pelas rodovias pedagiadas convencionais, conte com taxas de aproximadamente nove euros e meio a cada cem quilômetros rodados. Fique também muito atento aos novos trechos sem cabines de pedágio, onde você precisa pagar a taxa online pela placa do seu veículo em até três dias.

Fazer trilha em vulcões é difícil?

A maioria das crateras da região Chaîne des Puys oferece trilhas muito agradáveis e bem sinalizadas, que podem ser facilmente percorridas até por caminhantes ocasionais ou famílias com crianças maiores, já que os morros aqui têm formas mais suaves. Porém, se você escolher o maciço mais acidentado ao redor do pico mais alto Puy de Sancy, prepare-se para uma subida de montanha de verdade e terreno rochoso, que exige calçados resistentes com suporte para os tornozelos e boa forma física.

Quando os restaurantes locais estão abertos?

Auvergne é o típico interior francês, onde se respeitam rigorosamente os horários tradicionais e imutáveis do almoço e do jantar. Comida quente só é servida entre meio-dia e duas da tarde, sendo que o serviço noturno geralmente só começa às sete horas da noite em ponto. Se você chegar ao restaurante às quinze para as três, a cozinha já estará impiedosamente fechada e você conseguirá no máximo um café ou uma baguete embalada no posto de gasolina mais próximo.

As vulcões em Auvergne ainda estão ativos?

Você não precisa ter o menor receio, todos os vulcões da região são considerados há muito tempo extintos e absolutamente seguros para circulação. A última atividade vulcânica aqui aconteceu há aproximadamente oito mil anos. Hoje, essas crateras fascinantes estão cobertas por densas gramíneas verdes e árvores. Em suas encostas pastam alegremente enormes rebanhos de vacas, cujo leite é usado para produzir os melhores queijos franceses.

O que eu preciso experimentar da gastronomia local?

A região é mundialmente famosa por seus excelentes queijos com denominação de origem protegida. Não deixe de experimentar o antigo queijo duro Cantal ou o cremoso Saint-Nectaire, que você encontra facilmente em absolutamente qualquer cidadezinha. Uma grande especialidade local para vegetarianos é também a lentilha verde de Le Puy, que nos bistrôs locais é preparada como sopas bem encorpadas e substanciosas, ou as deliciosas batatas gratinadas com queijo chamadas truffade.

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