Uma cidade onde cada esquina exala o aroma de tortilhas de milho assadas, onde das casinhas coloridas escapa o som dos violões e onde, à noite, moradores e viajantes se reúnem em torno de um pequeno copo de destilado de agave defumado. Essa belíssima cidade colonial no sul do México é o coração cultural e gastronômico de todo o país, e assim que você pisa aqui, dificilmente vai querer ir embora.
Oaxaca (pronuncia-se “Oarraca”) é um lugar onde se misturam nada menos que dezesseis culturas indígenas vivas, onde você encontra o artesanato mais lindo e onde nasceu a melhor culinária mexicana. Se você procura o México autêntico, com suas tradições ricas, festas coloridas e história fascinante, está no lugar certo. Neste guia sobre Oaxaca, no México, você vai encontrar todas as dicas importantes do que ver e fazer, para onde ir nos arredores, onde se hospedar e o que você definitivamente precisa provar.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo todo
- Melhor época para visitar: de outubro a abril, durante a estação seca. O auge absoluto é a virada de outubro para novembro, durante o feriado do Día de Muertos, mas a hospedagem precisa ser resolvida até um ano antes.
- Como chegar: você chega a Oaxaca pelos luxuosos ônibus ADO saindo da Cidade do México (cerca de 6 a 7 horas) ou de avião. Além disso, a nova rodovia encurtou a viagem até o oceano em Puerto Escondido para apenas 2,5 horas.
- O que você não pode perder: as ruínas zapotecas de Monte Albán, as cachoeiras petrificadas de Hierve el Agua e as vilas de tecelões dos arredores.
- Gastronomia: Oaxaca é um paraíso culinário. Prove a famosa tlayuda, os sete tipos de molho mole e, claro, o mezcal local. Desde 2024 você também encontra aqui restaurantes com estrela Michelin.
- Orçamento: os preços aqui são um pouco mais baixos do que na península de Yucatán, mas com a crescente popularidade da cidade os custos também sobem. O câmbio aproximado é de cerca de 0,30 R$ por 1 peso mexicano (MXN).
Quando ir a Oaxaca, no México
A melhor época para visitar Oaxaca é, sem dúvida, durante a estação seca, que vai do fim de outubro até cerca de abril. Durante o dia, as temperaturas ficam em torno de agradabilíssimos 25 a 28 graus; as noites e manhãs costumam ser mais frescas, então um casaquinho leve com certeza não vai sobrar na sua mala. Oaxaca fica a mais de 1.500 metros de altitude — o sol até aquece bem durante o dia, mas o ar é mais ameno e você não vai enfrentar aquele abafamento tropical sufocante típico do litoral.
Se você sonha em viver o México na sua forma mais colorida e espiritual, tente planejar a viagem para o famoso feriado do Día de Muertos (Dia dos Mortos). Segundo uma viajante experiente, vale a pena chegar alguns dias antes, idealmente já por volta de 27 de outubro. A data oficial é de 31 de outubro a 2 de novembro, mas os preparativos, a decoração dos altares e os desfiles de rua (comparsas) começam bem antes. O cemitério de Xoxocotlán é absolutamente inesquecível, repleto de velas e flores alaranjadas de cempasúchil, mas prepare-se para engarrafamentos enormes. Dizem que é sensato reservar hospedagem e passeios para esse feriado já em janeiro, porque os preços chegam a triplicar e tudo fica esgotado sem dó. Outra grande festa é a Guelaguetza, em julho, uma celebração das culturas indígenas cheia de danças e trajes típicos, quando a cidade também fica lotada.
💡 Dica: se você quer fugir das maiores multidões e dos preços absurdos, vá em fevereiro ou março. O clima é maravilhoso e a cidade vive no seu ritmo tranquilo e descontraído. Se quiser saber mais sobre como funciona o clima no país inteiro, dá uma olhada no nosso artigo sobre quando ir ao México.
Onde se hospedar em Oaxaca
Oaxaca é uma cidade bastante compacta e você vai passar a maior parte do tempo no centro histórico, que é Patrimônio Mundial da UNESCO. O ideal é encontrar hospedagem justamente aqui, para ter tudo a um pulo a pé, poder vagar pelas ruelas coloridas e voltar com segurança à noite, depois do jantar ou de uma mezcalería.
O centro histórico (Centro Histórico) está dividido em vários bairros menores. A área em torno da igreja de Santo Domingo e da rua Calle Macedonio Alcalá é a mais bonita, mas também a parte mais cara da cidade. Aqui você encontra lindos hotéis-boutique em casas coloniais, cafés estilosos e os melhores restaurantes. Se busca um meio-termo, procure hospedagem perto do bairro Barrio de Jalatlaco. É um bairro encantador e mais tranquilo, cheio de street art, ruas de pedra e cafeterias familiares, que mantém uma atmosfera totalmente única — e fica a apenas alguns minutos a pé do centro. Outra opção ótima e mais em conta é o Barrio de Xochimilco, o bairro mais antigo da cidade, com aquedutos centenários e mercados locais.
Em termos de preço, Oaxaca vai desde hostels bem baratos para mochileiros (cerca de 12 a 20 € por noite) passando por belos hotéis intermediários (60 a 120 € para um quarto de casal) até luxuosas vilas históricas.
💡 Dica: como Oaxaca fica em maior altitude e, nos meses de inverno, as temperaturas caem à noite tranquilamente para uns 8 graus, fique atento na hora de escolher a hospedagem para que o quarto tenha aquecimento ou peça, ao menos, cobertores extras. A maioria das casas tradicionais tem grossas paredes de pedra e piso de cerâmica, o que é uma bênção no verão, mas gela no inverno ☺️.
Dá para percorrer Oaxaca a pé, então vale a pena ficar o mais perto possível da praça Zócalo — assim você sai de manhã para o mercado e à noite para um terraço com mezcal sem precisar de um único táxi. O centro está cheio de casas coloniais transformadas em hospedagens lindíssimas.
💑 Para casais: a Casa Antonieta é uma boutique de nove quartos em um prédio de 1529, a poucos passos do Zócalo, com terraço e vinho ao entardecer — romantismo puro (cerca de ~270 € por noite).
👨👩👧 Para tranquilidade e famílias: o Hotel Casa Conzatti tem um pátio-jardim verde, restaurante próprio e é silencioso, ainda assim a pé de todos os pontos turísticos (a partir de ~90 € por noite).
💰 Melhor custo-benefício: o Hotel Trébol é um aconchegante hotel três estrelas a dois minutos do Zócalo, com pátio colonial e café da manhã incluso que os hóspedes elogiam (a partir de ~60 € por noite).
✨ Para uma experiência: o Quinta Real Oaxaca ocupa um antigo convento de Santa Catarina, de 1576, no coração do centro, e é um ícone da cidade, com claustros floridos e piscina (a partir de ~240 € por noite).
Dica de reserva: em todos esses hotéis, escolha a tarifa com cancelamento gratuito — os planos mudam e você não quer pagar por algo aonde no fim não vai chegar. E não deixe para a última hora: os endereços mais bem avaliados esgotam na alta temporada com vários meses de antecedência, e aí os preços disparam dezenas por cento.
O que ver e fazer em Oaxaca: 14 dicas
Vamos juntos conferir as melhores dicas do que ver em Oaxaca e nos seus arredores. Esta cidade é como um museu vivo, cheio de cores, aromas e história ancestral. De sítios arqueológicos fascinantes a mercados defumados e vilas de artesãos onde o tempo parou há centenas de anos. Reserve idealmente quatro a cinco dias para Oaxaca, para conseguir absorver a verdadeira atmosfera sem ter que correr.
1. A praça Zócalo

Toda boa cidade mexicana tem sua praça principal chamada Zócalo, e a de Oaxaca é uma das mais animadas do país inteiro. É cercada por árvores que dão sombra, sob as quais os moradores ficam o tempo todo conversando, comentando as novidades e ouvindo músicos de rua. De um lado da praça ergue-se a majestosa Catedral de Nuestra Señora de la Asunción e do outro fica o palácio do governo.
Ao redor de toda a praça há arcadas com dezenas de cafés e restaurantes. Mesmo que os preços sejam um pouco mais altos e mirem mais os turistas, sentar-se aqui com uma xícara de chocolate quente local, observar os vendedores de balões coloridos e ouvir a música da marimba é uma experiência que faz parte de qualquer visita à cidade.
2. Templo de Santo Domingo de Guzmán

Se o Zócalo é o coração social da cidade, então a igreja de Santo Domingo é a sua alma. Este templo dominicano é uma verdadeira joia arquitetônica. Por fora chama a atenção com sua imponente fachada de pedra, mas a verdadeira surpresa espera por dentro. O interior é incrivelmente ornamentado com ouro, estuques e detalhes intricados. Dizem que se usou uma quantidade impressionante de folha de ouro na sua decoração.
Diante da igreja estende-se uma ampla praça repleta de agaves, onde frequentemente acontecem casamentos, danças tradicionais ou onde simplesmente descansam estudantes da universidade vizinha. Ao lado da igreja fica o centro cultural Museo de las Culturas de Oaxaca, que vale a visita se você se interessa pela história das culturas zapoteca e mixteca.
3. Jardim Botânico (Jardín Etnobotánico)

Bem na área do antigo convento, junto à igreja de Santo Domingo, você encontra um dos jardins botânicos mais interessantes do mundo. O jardim foi fundado nos anos 90 com o apoio de artistas locais (incluindo o famoso pintor Francisco Toledo) e nele você encontra exclusivamente plantas originárias do estado de Oaxaca.
Você vai caminhar entre cactos gigantes que parecem esculturas, espécies raras de agave e árvores de florada deslumbrante. Mas há um detalhe: não dá para entrar no jardim por conta própria, é preciso ir com guia. As visitas em inglês costumam acontecer só algumas vezes por semana e os ingressos (cerca de 100 MXN / 5 €) são comprados no local, então recomendo chegar cedo e pegar a fila, porque a capacidade é bem limitada.
4. Os mercados Mercado 20 de Noviembre e Benito Juárez

Os mercados são o coração pulsante da cultura mexicana. Em Oaxaca há dois principais, ficam um ao lado do outro e cada um é um pouco diferente. O Mercado Benito Juárez é ótimo para comprar frutas frescas, verduras, queijos, temperos e roupas tradicionais. É justamente aqui que você vê sacos cheios de gafanhotos secos (chapulines), que os moradores petiscam como nós petiscamos amendoim.
O Mercado 20 de Noviembre, por sua vez, é um refeitório gigante. Segundo alguns viajantes, a maior experiência é o chamado Pasillo de Humo (Corredor da Fumaça). É caótico, barulhento e literalmente cheio de fumaça de dezenas de grelhas. Os moradores escolhem a carne crua, que os vendedores grelham na hora sobre brasas. Recomenda-se vir aqui no domingo por volta das quatro da tarde, quando as maiores multidões já passaram. Nós, vegetarianos, não vamos experimentar a carne, mas a atmosfera é fantástica e sempre dá para combinar cebolinhas grelhadas, pimentões e abacate fresco com uma tortilha de milho quentinha.
5. Calçadão Calle Macedonio Alcalá

Esta rua de pedra é a artéria principal do centro histórico e liga a igreja de Santo Domingo ao Zócalo. É um calçadão, então você pode aproveitar com calma a caminhada entre lindas casas coloniais coloridas, de onde pendem flores trepadeiras.
A rua está cheia de butiques de artesanato, galerias, lojas de tecidos e, claro, cafés. À noite tudo ganha uma vida incrível: surgem vendedores ambulantes, artesãos oferecem suas joias diretamente sobre cobertores no chão e, com frequência, você esbarra em um desfile com música e bonecos gigantes de papel (mojigangas).
6. As ruínas de Monte Albán

Isto aqui é parada obrigatória. As ruínas zapotecas de Monte Albán ficam sobre o topo de uma montanha nivelado artificialmente, a um pulo da cidade, e os visitantes as descrevem como um lugar fascinante, com um espaço enorme para explorar. Foi uma das cidades mais importantes da Mesoamérica e as vistas para o vale daqui são de tirar o fôlego.
O ingresso custa cerca de 95 MXN (5 €) e da cidade você chega aqui de ônibus turístico (que sai pertinho do Zócalo) ou pegando um táxi ou colectivo. Aviso importante dos viajantes: lá em cima praticamente não há sombra. Leve mesmo bastante água, um chapéu e passe protetor solar — o sol aqui sabe ser implacável. Recomendo ir logo na abertura, às 8h. Mais informações atualizadas você encontra no site oficial do instituto INAH.
7. As cachoeiras petrificadas Hierve el Agua

A cerca de uma hora e meia de carro de Oaxaca fica um dos fenômenos naturais mais lindos do México. De longe, Hierve el Agua parece uma cachoeira enorme despencando da rocha, mas na verdade são fontes minerais que, ao longo de milhares de anos, criaram belíssimas cascatas de estalactites. No alto há piscinas naturais de água mineral turquesa, nas quais você pode se banhar bem na beira do penhasco, com vista para as montanhas.
O ingresso fica em torno de 50 a 100 MXN. Até as piscinas e sob a cachoeira leva uma subida de dificuldade média, por mais de cem degraus, então vale a pena calçar sapatos firmes — de sandália realmente não é a mesma coisa. Você pode vir aqui num passeio organizado ou alugar um carro e ir por conta própria.
8. Degustação de mezcal no centro de Oaxaca (Mezcalerías)

Oaxaca produz incríveis 90% de todo o mezcal mexicano. Enquanto a tequila só pode ser feita de agave azul no estado de Jalisco, o mezcal é destilado de mais de 30 tipos de agave e tem um sabor característico, levemente defumado, porque o coração do agave (piñas) é assado em fornos de terra sobre brasas antes da fermentação. Os moradores dizem: “Para todo mal, mezcal, y para todo bien, también” (para todo mal, mezcal, e para todo bem, também).
No centro da cidade você encontra dezenas das chamadas mezcalerías. São bares aconchegantes, muitas vezes mais escuros, com uma seleção enorme de garrafas de pequenos produtores locais. A equipe vai explicar com prazer as diferenças entre as variedades (o Espadín é o mais comum, o Tobalá ou o Tepeztate são mais raros e caros). O mezcal não se bebe de uma vez, mas se degusta devagar, aos goles (os locais dizem “besos, no tragos” — beijos, não goladas), acompanhado de fatias de laranja polvilhadas com sal de gusano (sal com larvas moídas e pimenta).
9. Passeio às destilarias em Santiago Matatlán

Se o mezcal realmente te interessa, vá direto à fonte. A vila de Santiago Matatlán fica a pouco menos de uma hora da cidade e se autodenomina, com orgulho, a capital mundial do mezcal. No caminho você vê campos infinitos de agave azul-esverdeado e, na própria vila e nos arredores, encontra dezenas de destilarias tradicionais, chamadas palenques.
As experiências dos viajantes confirmam que um passeio organizado com guia (os preços vão de 55 a 90 USD, ou seja, cerca de 50 a 80 €) é a melhor escolha. Eles te levam a pequenas produções familiares, mostram todo o processo, do corte do agave ao assamento na terra e à destilação em recipientes de cobre ou barro. As degustações muitas vezes acontecem em terraços com vista para os campos e são acompanhadas de comida tradicional oaxaquenha.
10. A árvore mais larga do mundo, Árbol del Tule

Na vilazinha de Santa María del Tule, logo depois da cidade, cresce um cipreste mexicano (uma árvore aparentada aos ciprestes) que tem o tronco mais largo do mundo. A circunferência do tronco é de incríveis 42 metros e a idade da árvore é estimada em mais de 2.000 anos. Ela é tão enorme que, à primeira vista, vai parecer que se trata de várias árvores fundidas, mas testes de DNA confirmaram que é mesmo uma única árvore. Cobra-se aqui um ingresso simbólico de cerca de 20 MXN (1 €) e, por esses poucos minutos de parada, com certeza vale a pena.
11. A vila de tecelões Teotitlán del Valle

Oaxaca é famosa por suas vilas de artesãos, e cada vila se especializa em algo diferente. Teotitlán del Valle, a cerca de 30 minutos a leste da cidade, é o lar dos melhores tecelões. Aqui se produzem lindos tapetes e tapeçarias de lã, chamados tapetes.
Como descrevem os visitantes, ao chegar às oficinas familiares, os moradores quase sempre te acolhem e, com enorme orgulho, mostram todo o processo. Você vê a lavagem e a cardagem da lã, o tingimento em caldeirões sobre o fogo com corantes naturais (como o vermelho da cochonilha do nopal, o amarelo do cravo-de-defunto ou o azul do índigo) e, por fim, a própria tecelagem dos complexos padrões zapotecas em grandes teares de madeira. Se você vier numa segunda-feira de manhã, vai pegar até o caloroso mercado tradicional.
12. Cerâmica negra em San Bartolo Coyotepec

Outra parada fascinante na rota do artesanato é San Bartolo Coyotepec. Essa vila é conhecida no mundo todo por sua cerâmica negra única (barro negro). A técnica foi descoberta no século 20 por uma ceramista local, que percebeu que, ao alisar o barro com uma pedra de quartzo antes de queimá-lo e queimá-lo a uma temperatura mais baixa, em forno fechado e sem acesso de oxigênio, ele ganha uma linda cor preta brilhante. Aqui você pode visitar muitas oficinas, ver demonstrações de trabalho no torno e, claro, levar algum vaso ou tigela delicada como lembrança.
13. Esculturas de madeira Alebrijes em San Martín Tilcajete

Lembra daqueles guias animais mágicos e de cores vibrantes do filme de animação Viva — A Vida é uma Festa (Coco)? Eles se chamam alebrijes e vêm exatamente daqui. As vilas de San Martín Tilcajete e Arrazola estão cheias de oficinas familiares onde criaturas fantásticas são esculpidas em madeira macia de copal — híbridos de dragões, cachorros, águias e outros animais. Em seguida, as esculturas são pintadas à mão com pontinhos e padrões incrivelmente miúdos e coloridos. É um trabalho de formiguinha, e as peças maiores e mais detalhadas chegam a ser vendidas por milhares de dólares, mas um cachorrinho colorido pequeno você leva aqui por uns poucos euros.
14. As celebrações do Día de Muertos (se você tiver sorte)

Se você conseguir caçar uma hospedagem e chegar na virada de outubro para novembro, vai viver algo absolutamente extraordinário. O Día de Muertos em Oaxaca é uma experiência para a vida inteira. As ruas ficam cobertas de tapetes de areia, das casas vem o cheiro do doce pan de muerto e, à noite, desfiles (comparsas) cheios de gente com o rosto pintado no estilo da elegante caveira Catrina percorrem a cidade ao som de bandas de metais. E nada disso é triste — pelo contrário, é uma alegre celebração da vida e uma lembrança daqueles que já se foram.
💡 Dica: para explorar as ruínas de Monte Albán e todas aquelas lindas vilas de artesãos e destilarias dos arredores, vale a pena ou alugar um carro (as estradas aqui estão relativamente boas) ou combinar um motorista/guia para o dia inteiro. A maioria das atrações não fica em Oaxaca em si, mas num raio de uma hora de carro, e contar apenas com os colectivos públicos (vans compartilhadas) vai te custar muito tempo precioso.
O que provar: o paraíso gastronômico do México
Oaxaca é considerada pelos mexicanos a capital culinária do país e, em 2024, isso foi oficialmente confirmado também pelo famoso Guia Michelin, que concedeu estrelas a restaurantes como o Los Danzantes e o Levadura de Olla. Desde então, há um boom imenso, e nos melhores estabelecimentos você precisa fazer reservas com semanas de antecedência. Toda a culinária mexicana foi a primeira do mundo a entrar na lista da UNESCO, e Oaxaca é a sua joia mais brilhante.
A base absoluta da cozinha local é o mole. É um molho incrivelmente complexo e espesso, cujo preparo leva até vários dias e contém tranquilamente mais de trinta ingredientes. Em Oaxaca existem sete tipos básicos de mole, sendo o mais famoso o escuro *mole negro*, ao qual, entre outras coisas, se acrescenta chocolate e uma montanha de temperos. O sabor é profundo, levemente doce, picante e defumado ao mesmo tempo.
Outro ícone que os viajantes não conseguem parar de elogiar é a *tlayuda*. Costuma ser apelidada de pizza mexicana. É uma tortilha de milho enorme, fina e crocante, que se cobre com uma pasta de feijão (frijoles) e se polvilha generosamente com o queijo local desfiado *quesillo* (que lembra um pouco uma mozzarella mais salgada). Depois é grelhada na brasa e dobrada ao meio. Os moradores costumam pedir carne grelhada por cima, mas na versão básica de queijo e feijão, complementada com tomate fresco e abacate, é um petisco vegetariano perfeito.
Nos mercados e nas ruas você com certeza vai esbarrar também em especialidades à base de carne, como a *barbacoa* desfiada lentamente ou as *carnitas* de porco frito, pelas quais o pessoal aqui é apaixonado. Para beber, peça uma refrescante *agua fresca* (por exemplo, de hibisco — jamaica, ou de arroz com canela — horchata).
💡 Dica: se você adora milho, não perca o *elote* (espiga de milho cozida espetada num palito, untada com maionese, queijo e pimenta) ou a sua versão em copo, o *esquites*, que se vendem em praticamente toda esquina assim que escurece. Para nós, vegetarianos, a comida de rua mexicana às vezes é um pequeno desafio por causa da banha, mas o milho, as quesadillas de queijo ou os tacos recheados com cogumelos ou feijão e uma fatia de cacto (nopal) nunca vão te decepcionar.
Dicas práticas de viagem
Vamos dar uma olhada em algumas coisas práticas, para que nada te pegue de surpresa depois que você chegar. O México é um país incrível, mas tem suas particularidades, para as quais é bom estar preparado.
Transporte e estradas: chegam a Oaxaca voos domésticos da Cidade do México, mas você também chega tranquilamente em ônibus de longa distância confortáveis das empresas ADO ou Primera Plus. A viagem a partir da capital leva cerca de 6 a 7 horas e a passagem sai em torno de 25 a 40 USD (22 a 35 €). Se você planeja ir até o oceano depois de explorar o centro colonial, tenho uma ótima notícia. Foi inaugurada recentemente uma nova rodovia em direção a Puerto Escondido, que reduziu a louca viagem de sete horas por serras sinuosas para cômodas 2,5 horas. Se você for dirigir um carro alugado, vale a regra de ouro: evite dirigir à noite. As estradas costumam ser mal iluminadas, é comum haver animais soltos nelas e, além disso, por questões de segurança, não é a opção mais sensata.
Dinheiro e pagamentos: mesmo que muitos restaurantes e hotéis melhores aceitem cartão, o dinheiro vivo ainda é rei em Oaxaca. Nos mercados, na comida de rua, em entradas menores e nas vans compartilhadas (colectivos), você não paga de outra forma a não ser em pesos mexicanos. Ao sacar dinheiro no caixa eletrônico, fique muito atento ao chamado DCC (Dynamic Currency Conversion) — o caixa vai te oferecer uma taxa de conversão “garantida” em reais ou euros, que, no entanto, é extremamente desvantajosa (você perde até 8 a 9%). Sempre recuse essa oferta e deixe o valor ser cobrado na moeda local. Quanto à gorjeta, nos restaurantes costuma-se deixar de 10 a 15%. Só fique atento se ela já não foi incluída na conta como item “servicio” ou “propina”.
Segurança: o estado de Oaxaca e sua capital estão entre as áreas muito seguras do México, especialmente para turistas. No centro histórico e nos bairros vizinhos você pode circular completamente tranquilo, inclusive à noite. Basta seguir o bom senso clássico — não exibir joias caras sem necessidade, não carregar todo o dinheiro num bolso só e, à noite, nas bordas da cidade, preferir um táxi oficial.
💡 Dica: se você sofre com os problemas digestivos conhecidos como “vingança de Montezuma”, lembre-se da regra para a comida de rua: “Boil it, cook it, peel it, or forget it” (ferva, cozinhe, descasque ou esqueça). A água da torneira no México não se bebe — compre sempre água engarrafada, e mesmo para escovar os dentes é melhor usar água da garrafa.
Para onde ir depois de Oaxaca?
Se você tem mais tempo para o México (o que espero que tenha, porque o país é enorme!), Oaxaca é um ótimo trampolim para outras aventuras.
Não deixe de conferir o nosso grande guia do que ver no México, onde você encontra muita inspiração para o país inteiro. Se quiser saber mais sobre as celebrações do Dia dos Mortos, dá uma olhada no nosso artigo sobre o Día de Muertos no México. Para os gourmets, escrevemos um artigo completo sobre a culinária mexicana, onde você descobre mais sobre quais pratos não pode perder. E se, depois de Oaxaca, você ansiar por mais uma dose de cultura indígena e natureza selvagem, vá para o sul e explore conosco o estado de Chiapas.
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Comparar preços de carros no México →Perguntas frequentes
Quantos dias eu preciso para Oaxaca?
Idealmente, reserve de 4 a 5 dias para Oaxaca. Você passará dois dias passeando pelo centro histórico, pelos mercados e provando a comida deliciosa, e mais dois a três dias aproveitará para fazer passeios nos arredores até as ruínas de Monte Albán, Hierve el Agua e às vilas de artesanato.
Oaxaca é segura para turistas?
Sim, Oaxaca é um dos estados mais seguros e acolhedores do México. No centro histórico e nas áreas turísticas você não precisa ter medo, vale apenas o cuidado comum contra batedores de carteira nos mercados e em aglomerações.
Preciso de um carro para visitar Oaxaca?
Definitivamente não é necessário. Dá para andar pela cidade a pé, e para os principais pontos turísticos nos arredores (Monte Albán, Tule) circulam ônibus, colectivo, ou você pode pagar um passeio organizado. O aluguel de carro vale a pena se você quiser explorar destilarias de mezcal mais afastadas ou vilarejos artesanais no seu próprio ritmo.
Pode-se beber água da torneira em Oaxaca?
Definitivamente não. A água da torneira no México não é potável. Sempre compre água engarrafada ou leve uma garrafa com filtro próprio. Em restaurantes melhores, a água para drinks e gelo é filtrada, então não precisa se preocupar, mas na rua tome cuidado.
É caro comer em Oaxaca?
Depende de onde você vai. Nos mercados locais e nas barraquinhas você come por algumas poucas moedas, uma tlayuda clássica sai por volta de 80 a 150 MXN (€4–7). Mas nos restaurantes estrelados pelo Michelin você obviamente vai pagar mais caro e os preços se aproximam dos europeus.
Quando acontece a celebração do Día de Muertos?
Oficialmente, o feriado cai nos dias 1 e 2 de novembro, mas a principal movimentação, a decoração dos altares e os desfiles de rua em Oaxaca começam alguns dias antes, por volta de 27 ou 28 de outubro. É necessário reservar acomodação para essas datas com muita antecedência.
Como chego de Oaxaca até o oceano?
Graças à rodovia recém-inaugurada, a viagem até a costa do Pacífico ficou muito mais fácil. Agora você chega à cidade surfista de Puerto Escondido de carro ou ônibus em apenas 2,5 horas, em comparação com as 7 horas anteriores pelas curvas sinuosas das montanhas. Também é possível chegar lá de avião pequeno local, o que é uma experiência por si só.
