Vinho do Porto: tipos, como tomar e onde degustar

Quando se fala em Portugal, muita gente imagina o cheiro do oceano, os bondes amarelos e os dias ensolarados sem fim. Mas se você aprecia gastronomia, é bem provável que seus pensamentos vão direto para algo bem mais reconfortante. O vinho do Porto é um verdadeiro tesouro líquido que colocou esse pequeno país no mapa do mundo inteiro. Embora hoje você encontre uma boa garrafa em qualquer supermercado bem abastecido, só dá para entender a alma desse vinho quando você mergulha na sua história e na sua incrível diversidade.

Imagine o norte de Portugal, onde o rio Douro se aprofunda em vales de encostas íngremes. Os vinhedos em terraços formam uma das paisagens culturais mais bonitas do mundo. É exatamente ali que nascem as uvas que dão origem a uma bebida cheia de sol, dulçor e alto teor alcoólico. Não é um vinho qualquer — é uma instituição com regras rígidas e uma história fascinante.

Neste artigo você vai encontrar tudo o que precisa saber sobre o vinho do Porto antes de embarcar para Portugal. Vamos explicar quais são os tipos e como eles se diferenciam, para que você saiba exatamente o que pedir no restaurante. Você também vai descobrir como degustar corretamente, com o que harmonizar e para onde ir se quiser uma experiência autêntica direto na fonte.

Vinhedos em terraços no Vale do Rio Douro

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Origem e produção: O vinho do Porto vem exclusivamente do Vale do Douro, no norte de Portugal. Durante a fermentação, adiciona-se aguardente vínica para interromper o processo e preservar o alto teor de açúcar natural, resultando em aproximadamente 20% de álcool.
  • Ruby vs. Tawny: O Ruby envelhece em grandes tonéis sem contato com o ar, sendo intensamente vermelho e frutado. O Tawny envelhece em pipas de carvalho, oxida e ganha cor âmbar com aromas de nozes e caramelo.
  • O rei Vintage: Produzido apenas em anos excepcionais, envelhece na garrafa por décadas e representa o ápice da arte vinícola do Porto.
  • Onde degustar: As melhores adegas não ficam no Porto em si, mas na margem oposta do rio, em Vila Nova de Gaia, onde o vinho historicamente envelheceu em clima mais fresco.
  • Tendências modernas: O Porto branco e o rosé são servidos hoje como refrescante coquetel de verão — o famoso Port Tonic, com gelo e limão.
  • Outros vinhos portugueses: Além do Porto doce, experimente o leve e levemente frisante Vinho Verde ou os encorpados tintos das regiões do Douro e do Alentejo.
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Como (e onde) beber vinho do Porto como os locais

Degustação de vinho do Porto em taças tulipa

Antes mesmo de provar a primeira gota, vale entender como essa bebida única foi criada. A história do vinho do Porto está intimamente ligada aos comerciantes britânicos que, no século XVII, buscavam uma alternativa aos vinhos franceses. Para que o vinho resistisse à longa viagem pelo mar agitado até a Inglaterra, eles passaram a adicionar um pouco de aguardente vínica. Assim nasceu a fortificação — o processo que confere ao vinho sua força e doçura características.

A produção começa lá no alto das encostas do Vale do Douro. As uvas são tradicionalmente pisadas a pé em tanques rasos de granito chamados lagares. Esse método delicado de esmagamento evita que as sementes liberem taninos amargos. Quando o mosto atinge a proporção ideal de álcool e açúcar, adiciona-se aguardente vínica neutra com 77% de teor alcoólico. A fermentação para imediatamente, dando origem a um vinho doce e forte.

Se quiser beber vinho do Porto como um português de verdade, esqueça as taças enormes de vinho. Ele é servido em taças menores, em formato de tulipa, que ajudam a concentrar os aromas intensos. Nunca deve ser servido até a borda — o ideal é encher a taça até um terço. Assim sobra espaço para girar o vinho e liberar todos os aromas que ele esconde.

Um erro comum entre turistas é servir o Porto em temperatura ambiente. Especialmente no calor do verão português, o vinho deve estar levemente gelado. Os tipos tintos, como o Ruby ou o Tawny, ficam melhores entre 15 e 18 graus Celsius. O Porto branco e o rosé devem ser servidos ainda mais frios, em torno de 10 graus, para ressaltar a frescura e o caráter frutado.

12 tipos de vinho do Porto e experiências que você precisa conhecer

Navegar pelo cardápio de um restaurante português pode ser um desafio. O vinho do Porto não se divide apenas pela cor, mas principalmente pelo método de envelhecimento. Vamos explorar em detalhes exatamente 12 dicas, tipos e experiências inesquecíveis que vão ajudar você a entrar de vez no fascinante mundo desse vinho.

1. Jovem e intenso: vinho do Porto Ruby

Garrafa de vinho do Porto Ruby jovem

O Ruby representa a base absoluta e, muitas vezes, o primeiro encontro com o vinho do Porto. Seu nome vem da cor intensa e profunda, semelhante à de uma pedra preciosa. É feito a partir de uma mistura de uvas de diferentes safras, com o objetivo principal de preservar ao máximo o caráter frutado primário.

Ao contrário de outros tipos, o Ruby envelhece em grandes tanques de inox ou imensos tonéis de carvalho. Por isso, o vinho tem praticamente zero contato com o ar e não oxida. Mantém a frescura e o sabor marcante de cereja fresca, amora e framboesa. Normalmente fica nos tonéis apenas dois a três anos antes de ser engarrafado.

Esse tipo é ideal para o consumo cotidiano. Não precisa de nenhum preparo especial nem de decantação, basta abrir e servir. É também a opção mais acessível: nas lojas portuguesas, uma garrafa de Ruby de boa qualidade sai por preços bastante simpáticos.

2. Elegante e amendoado: vinho do Porto Tawny

Vinho do Porto Tawny com cor âmbar característica

Se o Ruby representa a juventude, o Tawny é a personificação da elegância e da paciência. Ele envelhece em pipas de carvalho com capacidade de cerca de 600 litros. A madeira é porosa, então o vinho respira continuamente, oxida bem devagar e vai perdendo água e álcool ao longo do tempo.

Esse processo de oxidação transforma a cor do vinho de vermelho para um belíssimo âmbar avermelhado. As notas frutadas cedem espaço a um bouquet complexo no qual você vai perceber nozes torradas, caramelo, figos secos e uma baunilha delicada. Quanto mais tempo o Tawny passa na pipa, mais clara fica sua cor e mais concentrado se torna o sabor.

Nos rótulos das melhores garrafas você encontra a indicação de 10, 20, 30 ou até 40 anos. Não se trata da idade exata de uma única safra, mas da média de idades de diferentes vinhos cuidadosamente blendados pelo mestre de adega. Para muitos especialistas, o Tawny 20 anos representa o equilíbrio perfeito entre frescor e complexidade do envelhecimento.

3. O rei dos portos: Vintage Port

Garrafa de vinho do Porto Vintage de safra selecionada

O Vintage é o rei incontestável de todos os vinhos do Porto. É produzido exclusivamente com uvas de uma única safra extraordinária. As casas produtoras (os chamados shippers) não declaram um Vintage todo ano — isso costuma acontecer apenas três vezes por década, quando as condições climáticas são absolutamente perfeitas.

Curiosamente, esse vinho envelhece em barris de carvalho por muito pouco tempo — no máximo dois anos e meio. Seu verdadeiro potencial se desenvolve após o engarrafamento, onde amadurece por décadas no escuro e no frio. Com o tempo, torna-se incrivelmente refinado, profundo e elegante, com um potencial de guarda imenso.

Antes de servir um Vintage mais antigo, a decantação cuidadosa é indispensável. O vinho é engarrafado sem filtragem e, com o tempo, forma um sedimento espesso. Depois de aberto, é preciso consumi-lo com certa rapidez — idealmente em até dois dias — pois o contato com o oxigênio começa a deteriorar esse vinho delicado com muita velocidade.

4. Late Bottled Vintage (LBV)

Garrafa de vinho do Porto Late Bottled Vintage

O Late Bottled Vintage, conhecido pela sigla LBV, surgiu como uma alternativa mais acessível ao caro Vintage. É também um vinho de uma única safra, mas com um processo de envelhecimento diferente. Em vez do engarrafamento rápido, fica nos barris por muito mais tempo — geralmente de quatro a seis anos.

Graças ao contato prolongado com a madeira, o LBV já está pronto para beber no momento em que você o compra na loja. Não é preciso deixá-lo descansar por anos na adega para aproveitá-lo ao máximo. Oferece cor intensa e sabor concentrado de frutas negras, muito próximo ao Vintage clássico, mas por uma fração do preço.

A maioria dos LBVs modernos é filtrada antes do engarrafamento, então não precisa de decantação. Se você encontrar uma garrafa com a indicação “Unfiltered” (não filtrado), terá nas mãos um vinho ainda mais próximo do seu irmão mais famoso. Esse tipo pode melhorar um pouco com o tempo, mas o sedimento no fundo será inevitável após alguns anos.

5. Raro e de safra única: Colheita

Pipas de carvalho com vinho do Porto envelhecendo na adega

Colheita é a palavra portuguesa para safra e, no contexto do vinho do Porto, designa um Tawny de safra única. Enquanto o Tawny comum é um blend de diferentes anos, a Colheita vem de um único ano específico. Por isso, no rótulo você sempre encontra a safra claramente indicada, como 1998 ou 2005.

Para poder usar esse nome, o vinho precisa envelhecer em pipas de carvalho por no mínimo sete anos. Mas a maioria dos produtores deixa envelhecer por muito mais tempo — frequentemente dez ou vinte anos — antes de decidir que está pronto para o engarrafamento. Durante todo esse período, desenvolve uma paleta de sabores incrivelmente rica, que vai do maçapão às ameixas secas, passando por especiarias delicadas.

No contra-rótulo da Colheita você sempre encontra também o ano do engarrafamento. É uma informação importante, pois assim que o vinho sai da pipa, ele para de evoluir na garrafa. Uma garrafa aberta de Colheita se conserva perfeitamente na geladeira por várias semanas, o que a torna ótima para uma apreciação lenta e especial.

6. O Porto branco: injustamente esquecido

Garrafa de vinho do Porto branco

O vinho do Porto branco é produzido pelo mesmo processo de fortificação que o tinto, mas utilizando castas brancas locais. Entre as mais conhecidas estão a Malvasia Fina, a Viosinho e a Gouveio. Por muito tempo ficou à sombra dos seus parentes tintos, mas nos últimos anos vive uma enorme renaissance.

Você vai encontrar diferentes níveis de doçura, desde o Extra Seco até o muito adocicado (Lágrima). As versões secas envelhecem por menos tempo e mantêm uma acidez fresca e vibrante, enquanto as mais doces costumam descansar em barris e ganham notas de mel e avelã. A cor varia do amarelo palha claro até um dourado intenso.

Se pedir um Porto branco em Portugal, o mais provável é que ele seja sugerido como aperitivo. Estimula muito bem o paladar antes de uma refeição farta, especialmente se servido bem gelado. Tradicionalmente acompanha amêndoas torradas com sal ou azeitonas verdes, que formam um contraste perfeito com a doçura do vinho.

7. O Porto rosé: moderno e descontraído

Port Tonic – drinque refrescante de vinho do Porto com tônica e gelo

O Porto rosé (Rosé Port) é o mais jovem da família dos vinhos fortificados do Douro. Foi lançado pela primeira vez pela casa Croft em 2008, sendo uma novidade absoluta que inicialmente causou certa agitação entre os produtores mais tradicionais. Hoje, porém, a maioria das grandes marcas já tem a sua versão.

É feito com uvas tintas, mas as cascas ficam em contato com o mosto por um período muito curto. Com isso, o vinho ganha uma cor rosada vibrante e um sabor frutado e leve. A fermentação acontece em baixas temperaturas para preservar ao máximo a frescura e o aroma pronunciado de morango silvestre, cereja e framboesa.

Esse tipo de Porto não foi feito para longos envelhecimentos nem para degustações elaboradas. É uma bebida divertida e descomplicada, perfeita para os dias quentes de verão. Os portugueses adoram usá-lo como base para drinques, ou simplesmente colocam numa taça grande cheia de gelo e decoram com uma folha de hortelã.

8. Harmonização perfeita: queijos e chocolate

Tábua de queijos com taça de vinho do Porto – harmonização clássica

Beber vinho do Porto puro já é uma experiência incrível, mas a harmonização certa com comida leva tudo para outro nível. A combinação clássica e imbatível é o Porto com queijo azul. A doçura do vinho equilibra de forma brilhante o sabor picante e salgado de queijos como o inglês Stilton ou o francês Roquefort.

Se quiser ficar nos ingredientes locais, procure o queijo português Serra da Estrela. Esse queijo de ovelha das montanhas tem textura cremosa e aroma incrivelmente intenso. Combinado com um Tawny mais velho ou um Vintage, cria uma explosão de sabores na boca que você vai demorar para esquecer. Com queijos, fica ainda melhor com nozes e figos secos.

Para quem gosta de doces, a harmonização com chocolate é imperdível. O Ruby jovem e frutado combina muito bem com chocolate amargo de alta porcentagem de cacau. O amargor do chocolate suaviza a doçura do vinho e realça as notas de frutas silvestres. Já o Tawny amendoado complementa perfeitamente sobremesas com caramelo — como o tradicional pudim flan português — ou com maçã e canela.

9. Vila Nova de Gaia e as adegas lendárias

Adegas de vinho do Porto em Vila Nova de Gaia

Quando se pensa em vinho do Porto, o nome da cidade naturalmente vem à mente. A verdade, porém, é que historicamente o vinho era armazenado na margem oposta do rio. Vila Nova de Gaia oferecia condições ideais para o envelhecimento, pois é voltada para o norte e protegida do sol forte do verão. Era para lá que os barris vinham das vinhas.

Hoje o cais de Gaia está repleto de dezenas de casas vinícolas históricas (caves). Nomes como Sandeman, Taylor’s, Graham’s e Cálem brilham nos telhados dos edifícios e convidam à visita. Cada adega oferece visitas guiadas durante as quais você passeia entre milhares de pipas de carvalho, absorve o cheiro característico da madeira úmida e aprende tudo sobre a história do vinho.

Se for na alta temporada de verão, reserve sua visita com antecedência. Muitos viajantes usam plataformas de ingressos online — pelo GetYourGuide você garante seu lugar num horário específico e evita filas. No final de cada visita, é claro, vem a melhor parte: a degustação guiada de algumas amostras com a explicação do sommelier local.

10. Passeio de rabelo pelo Rio Douro

Barco rabelo tradicional no Rio Douro no Porto

A história do vinho do Porto é inseparável do Rio Douro. Antes de estradas e ferrovias, o rio era o único caminho para transportar o vinho das vinhas até as adegas próximas ao oceano. Para esse fim serviam os tradicionais barcos de fundo plano chamados barcos rabelos. A travessia era extremamente perigosa por causa das corredeiras selvagens.

Hoje as corredeiras estão domadas por um sistema de barragens e os barcos rabelos existem apenas para os turistas. Estão ancorados no cais do Porto e de Gaia e oferecem passeios panorâmicos. O mais popular é o famoso Cruzeiro das Seis Pontes, com duração de quase uma hora, que oferece vistas de tirar o fôlego do centro histórico do Porto visto do nível da água.

Se quiser uma experiência mais longa, é possível seguir de barco direto para a região vitivinícola. Os passeios de dia inteiro saindo do Porto em direção a Peso da Régua ou Pinhão estão entre as experiências mais bonitas que o norte de Portugal oferece. Durante o percurso você atravessa enormes eclusas e observa a paisagem se transformar, das florestas verdes para os vinhedos íngremes tostados pelo sol.

11. Visita às quintas direto na origem

Azulejos na estação de Pinhão retratando a paisagem do Vale do Douro

Degustar o vinho nas adegas de Gaia é ótimo, mas ver o lugar onde as uvas realmente nascem é inesquecível. As propriedades vitivinícolas do Vale do Douro são chamadas de quintas. Muitas funcionam há séculos e oferecem não apenas degustações, mas também hospedagem de luxo e gastronomia de alto nível no meio dos vinhedos.

O coração da região vitivinícola é a pequena cidade de Pinhão. Comece a visita pela estação ferroviária local, decorada com magníficos azulejos azuis e brancos que retratam cenas históricas da colheita e do transporte do vinho. Dali é pouca caminhada até algumas quintas famosas, como a Quinta da Roêda ou a Quinta do Bomfim.

A visita a uma quinta normalmente inclui uma caminhada entre as fileiras de videiras. Você vai descobrir por que o solo local é composto quase inteiramente de xisto, que absorve o calor do sol durante o dia e o devolve às plantas à noite. Se você chegar em setembro, durante a vindima, com um pouco de sorte ainda vai ver a tradicional pisa das uvas nos lagares, que algumas marcas premium ainda mantêm viva.

12. Como escolher e quanto vai custar

Garrafas de vinho do Porto em uma garrafeira portuguesa

Comprar vinho do Porto em Portugal é um prazer, mas a enorme variedade pode confundir. Nos supermercados comuns, como Continente ou Pingo Doce, você encontra uma seleção enorme. Um Ruby ou Tawny básico sai por cerca de 8 a 15 euros. Essas garrafas são mais do que suficientes para o consumo diário e frequentemente surpreendem com uma qualidade bem acima do esperado.

Se procura algo especial, vá às lojas especializadas em vinho, as chamadas garrafeiras. O pessoal de lá consegue te orientar muito bem e muitas vezes deixa você provar antes de comprar. Uma garrafa de um bom Tawny 20 anos sai por volta de 40 a 60 euros. Já os Vintage mais antigos começam em torno de 100 euros e podem chegar a valores astronômicos.

Na hora de escolher, sempre verifique o gargalo da garrafa. O verdadeiro vinho do Porto precisa ter sobre a rolha o selo do IVDP (Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto). Essa tira de papel garante a origem e a qualidade do vinho. E lembre-se: se você comprar um Vintage antigo, a garrafa deve ser transportada deitada para que a rolha não resseque, e após a chegada deixe-a descansar algumas semanas até que o sedimento volte ao fundo.

O que mais beber: Portugal vai além dos vinhos doces

Vinho Verde – vinho jovem português

Seria um enorme desperdício limitar-se ao vinho do Porto durante uma viagem a Portugal. A indústria vinícola do país é riquíssima e oferece vinhos que você simplesmente não vai encontrar em outro lugar do mundo. Os portugueses têm enorme orgulho das suas castas locais, cultivando mais de duzentas e cinquenta variedades. Não precisam importar Merlot nem Chardonnay — têm suas próprias uvas únicas.

No norte do país, na região verde e chuvosa do Minho, nasce o Vinho Verde. A palavra “verde” não indica a cor do vinho, mas sim sua idade. É um vinho muito jovem e leve, engarrafado logo após a colheita. Caracteriza-se pelo baixo teor alcoólico (muitas vezes entre 9 e 11%), pela acidez vibrante e por um leve e delicado borbulhado. Para acompanhar frutos do mar ou saladas leves num dia quente de verão, não existe escolha melhor.

Se você prefere tintos encorpados, fique no Vale do Douro. Além do vinho do Porto, aqui se produzem os chamados vinhos tranquilos tintos, que estão entre os melhores da Europa. São feitos com as mesmas uvas do Porto, especialmente a nobre casta Touriga Nacional. O resultado são vinhos escuros, cheios, com estrutura tânica firme e final longo, que precisam de um momento para respirar antes de serem servidos.

Um caráter totalmente diferente têm os vinhos do vasto e ensolarado sul. A região do Alentejo produz vinhos macios, frutados e extremamente fáceis de beber. São aveludados, com acidez mais baixa e carregam todo o calor do sol português. Uma grande vantagem dos vinhos do Alentejo é a excelente relação custo-benefício — você encontra garrafas ótimas no supermercado por cerca de cinco euros.

Vale mencionar também o vinho da ilha da Madeira. O vinho Madeira é praticamente indestrutível graças ao processo único de aquecimento chamado estufagem. Durante o envelhecimento, ele oxida e carameliza intencionalmente, imitando as condições dos antigos navios de longo curso. E se quiser terminar a noite com algo mais intenso, procure a Ginjinha. Esse licor doce e potente de ginja é bebido em pequenas doses e muitas vezes vem com uma ginja mergulhada no cálice — para dar sorte.

Continue explorando

Se você quer saber mais sobre o norte de Portugal e sua cultura vitivinícola, leia nosso artigo sobre a cidade do Porto. Vinho e boa gastronomia caminham juntos, então não deixe de conferir também o guia de Comida típica portuguesa, onde você descobre o que pedir na mesa junto com uma boa taça. Para quem quer ir direto às vinhas, há um artigo detalhado sobre o que o Vale do Douro tem a oferecer. E se estiver pensando em combinar a viagem com uma visita à capital, dê uma olhada no nosso Guia de Lisboa.

Perguntas frequentes

Por que o vinho do Porto se chama assim?

O nome vem da cidade do Porto (Oporto), de onde o vinho era historicamente exportado para o mundo todo. Embora as uvas sejam cultivadas no alto do vale do rio Douro e o vinho envelheça nas caves em Vila Nova de Gaia, na margem oposta, foi justamente o porto do Porto que deu a esta bebida seu nome internacional.

Quanto tempo dura uma garrafa aberta?

Depende do tipo. Ruby jovem ou LBV filtrado duram em boas condições na geladeira cerca de três a quatro semanas. Tawny amanteigado (por exemplo, de 10 ou 20 anos) é mais estável e dura tranquilamente seis a oito semanas aberto. Já o Vintage antigo oxida rapidamente e deve ser consumido idealmente em até dois dias após aberto.

O vinho do Porto é servido gelado?

Sim, servir em temperatura ambiente é um erro comum. Os vinhos do Porto tintos (Ruby, Tawny) devem ser servidos levemente resfriados entre 15 e 18 °C. O vinho do Porto branco e rosé é servido ainda mais gelado, idealmente em torno de 8 a 10 °C, ou direto no gelo em forma de coquetel.

Posso visitar as caves em Vila Nova de Gaia sem reserva?

Nos meses de inverno geralmente não há problema, mas da primavera ao outono as caves mais famosas (Sandeman, Taylor’s, Graham’s) costumam estar lotadas. Recomendamos muito que você reserve o tour com degustação antecipadamente online, caso contrário corre o risco de não conseguir vaga em um grupo com guia em inglês.

O vinho do Porto é adequado para vegetarianos?

A maioria dos vinhos do Porto infelizmente não é adequada para veganos estritos, e muitas vezes nem para vegetarianos. Durante o processo de clarificação (que remove as impurezas do vinho), historicamente são usados produtos de origem animal como clara de ovo, caseína ou gelatina. Alguns produtores menores hoje já estão adotando métodos veganos, mas é sempre necessário verificar o rótulo específico.

Quanto custa uma garrafa comum de vinho do Porto no supermercado?

Os preços em Portugal são muito acessíveis. Uma garrafa básica de Ruby ou Tawny decente você encontra em supermercados comuns entre 8 e 15 euros. Opções mais premium, como um Tawny de 10 anos, começam em torno de 20 euros.

Qual é a melhor época para visitar as vinícolas no vale do Douro?

O vale fica mais lindo em setembro e outubro durante a colheita (vindima), quando os vinhedos exibem todas as cores do outono e o aroma das uvas está por toda parte. A primavera (abril e maio) também é muito agradável. Em julho e agosto prepare-se para um calor extremo, as temperaturas no vale costumam ultrapassar os 40 °C.

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