Quando alguém fala em Maldivas, a maioria das pessoas imagina villas luxuosas sobre a água, praias brancas infinitas e preços de fazer os olhos rolarem. Durante muitos anos vigorou o mito de que esse destino era exclusivo para milionários ou recém-casados em lua de mel. Hoje, felizmente, isso já não é nada verdade, e você também pode aproveitar esse paraíso tropical com um orçamento bem normal.
Se você está pensando em vir para cá, preciso te dar logo de cara uma boa notícia. É que as Maldivas escondem dois mundos completamente diferentes, que se combinam muito bem. De um lado, estão os famosos resorts privativos com serviço impecável e, do outro, mais de uma centena de ilhas locais. É justamente nas ilhas locais que você vai vivenciar a vida autêntica, e uma semana de férias por aqui pode sair tranquilamente por menos de mil euros, passagem aérea incluída.
Na hora de planejar a viagem, porém, é fundamental saber exatamente no que você está se metendo. As ilhas locais têm regras rígidas, porque você está num país cem por cento muçulmano. Neste artigo vou te revelar 21 dicas do que ver e fazer nas Maldivas para que suas férias sejam um sucesso absoluto. Vamos olhar juntos para as taxas ocultas, vou te ajudar a escolher hospedagem e explicar por que você deve ter muito cuidado ao viajar numa sexta-feira.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Dois mundos: as Maldivas são formadas por resorts privativos caros (onde o álcool é permitido e você pode usar biquíni em qualquer lugar) e por ilhas locais mais baratas (onde valem regras rígidas e o banho de mar só é possível em praias reservadas).
- Combinação ideal: a melhor experiência você consegue passando de 4 a 5 dias numa ilha local e encerrando as férias com 2 ou 3 noites num resort de luxo.
- Custos ocultos: os preços nos resorts quase sempre são informados sem impostos (some 17% de imposto estatal e 10% de taxa de serviço) e, de repente, você paga 28% a mais do que esperava. Sim, até naquele coquetel. 😅
- Quando ir: o clima mais seco vai de dezembro a abril, mas, se você quiser economizar até metade do orçamento, viaje nos meses de verão.
- Atenção às sextas: na sexta-feira é feriado nas Maldivas e não circula nenhum transporte público, o que você precisa levar em conta na hora de comprar as passagens.
- Novas regras: desde o final de 2024 vale uma proibição muito rígida de importar cigarros eletrônicos e vapes, e quem descumprir corre o risco de multas altíssimas.
Quando ir às Maldivas e de quantos dias você vai precisar
O clima nas Maldivas funciona com base em duas monções, mas uma coisa vale o ano todo: a água e o ar ficam em torno dos trinta graus, então más férias do ponto de vista do banho de mar você simplesmente não vai ter por aqui. A principal estação seca, que localmente recebe o nome de Iruvai, vai de dezembro a abril. Os meses mais secos são fevereiro e março, quando você encontra uma visibilidade fantástica embaixo d’água e sol quase ininterrupto. Justamente nesse período, porém, é preciso contar com o pico absoluto de preços.
Se você quer economizar bastante, pode tentar o período da monção úmida Hulhangu, que vai de maio a novembro. Durante esses meses, os preços das hospedagens costumam cair quase pela metade, o que é uma enorme tentação. As chuvas até costumam ser intensas, mas, na maioria das vezes, duram só um instante e logo o céu volta a clarear. Historicamente, é em outubro que cai mais chuva, mas, paradoxalmente, essa é uma época excelente para observar mantas e tubarões-baleia, porque a água fica cheia de plâncton.
A duração ideal das férias depende muito do tipo de hospedagem que você escolher. Numa ilha local pequena, quatro dias serão mais do que suficientes, porque, depois de mais tempo, você poderia acabar pegando o famoso tédio de ilha. Por isso recomendo planejar um roteiro de cerca de dez dias, no qual você combine conhecer duas ilhas locais diferentes com relaxamento no fim da viagem.
Maldivas: onde ficar (e quanto custa)

A escolha da hospedagem decide o orçamento inteiro da viagem, então dedique bastante atenção a ela antes de clicar em “Reservar”. Recomendo fortemente conferir os preços dos traslados antes de reservar a hospedagem definitivamente. A pegadinha escondida costuma ser o transporte de hidroavião, que, nos atóis mais distantes, facilmente dobra o preço das suas férias. Abaixo você encontra dicas concretas separadas por orçamento que vão te ajudar no planejamento.
Se você está indo pela primeira vez e quer tudo simples, Island Ambience, em Maafushi, é uma escolha confiável, porque o quarto com café da manhã sai por uns 100 dólares e a lancha rápida do aeroporto custa só 30. Os amantes dos tubarões-baleia preferem ir para Dhigurah, no Whaleshark Beach, de onde você tem os gigantes do oceano ao alcance da mão. Na ilha das frutas, Thoddoo, dê uma olhada com certeza no Holiday Cottage Thoddoo, que é uma das opções mais bem avaliadas na categoria custo-benefício.
O caminho do meio são os resorts que oferecem um mergulho de snorkel sensacional a poucos metros da praia. O resort Embudu Village se orgulha de um recife lendário, onde a estadia com pensão completa não sai cara e ainda por cima você paga pouquíssimo pelo traslado de lancha rápida. Um mundo submarino fantástico também é oferecido pelo Vilamendhoo Island Resort & Spa, só que você precisa contar com um voo de hidroavião mais caro. Para famílias com crianças é absolutamente incrível o Kuramathi Maldives (a partir de 2026 renomeado para Niva Kuramathi), que inclui no preço um enorme clube infantil e uma deslumbrante língua de areia própria.
Quando você sonha com a icônica villa sobre a água e um luxo acessível, dê uma olhada com certeza no resort boutique menor Drift Thelu Veliga Retreat, onde você encontra algumas das villas sobre a água mais acessíveis que existem. Uma ilha grande e linda, com um monte de atividades, é o Meeru Maldives Resort Island, aonde, além disso, você chega confortavelmente de speedboat mais barato. E se você procura o maior luxo imaginável para uma lua de mel, então tem o Soneva Jani, onde as villas têm escorregadores próprios para a lagoa e teto retrátil para observar o céu noturno (só o traslado de hidroavião sai por mais de mil dólares por pessoa).
21 dicas do que ver e fazer nas Maldivas
As Maldivas já há muito tempo deixaram de ser sinônimo apenas de não fazer nada na praia. Os atóis locais oferecem tantas atividades fantásticas que você não vai saber para onde correr primeiro! Quer você ame o mundo submarino e sonhe em nadar com mantas gigantes, queira conhecer a autêntica cultura das ilhas ou simplesmente queira encontrar a mais bela língua de areia deserta sob o sol, opções é o que não falta por aqui.
No nosso artigo reunimos para você 21 dicas do que ver e fazer nas Maldivas, para que você extraia o máximo absoluto das suas férias. Vamos olhar juntos para o mais importante: desde a escolha da ilha ideal, passando pelos melhores passeios, até dicas práticas que, no local, vão te economizar muito dinheiro e dor de cabeça. 😉
1. Qual ilha local escolher

Escolher a ilha local certa é a base absoluta do sucesso. É que cada ilha tem uma atmosfera completamente diferente e combina com um perfil de pessoa diferente. Se você está indo pela primeira vez e tem orçamento limitado, provavelmente vai parar na ilha de Maafushi. É a ilha local mais movimentada, com uma oferta enorme de passeios, mas infelizmente não tem recife de coral próprio e a praia reservada para turistas costuma ficar bem lotada.
Para os amantes da natureza e da tranquilidade existem opções bem melhores. A ilha de Dhigurah é famosa pela sua praia de três quilômetros e pela presença de tubarões-baleia o ano todo. Se você gosta de mergulhar de snorkel direto da praia, vá para Ukulhas, que, além disso, está entre as mais limpas graças a um ótimo sistema de coleta seletiva de lixo. Os mergulhadores, por sua vez, costumam ir para Rasdhoo, onde, de manhã bem cedo, dá para observar imponentes tubarões-martelo.
Vale considerar também as ilhas comunitárias menores. Na minúscula ilha de Fulidhoo moram apenas cerca de quatrocentas pessoas e, à noite, raias gigantes chegam nadando até o píer. Os surfistas têm sua base na ilha de Thulusdhoo, onde você encontra ondas famosas. E, para casais em busca de romance, é incrível a ilha das frutas, Thoddoo, repleta de plantações de mamão e melão e com uma praia linda e larga.
2. Resort vs. ilha local: qual é a diferença?

A regra básica das Maldivas é simples: uma ilha = um resort. E, na prática, isso significa diferenças bem importantes no que você pode ou não fazer em cada lugar. O resort é uma ilha privativa, na qual não valem as rígidas regras muçulmanas. Aqui você pode circular livremente de roupa de banho, tomar uma taça de vinho no jantar ou pedir bacon no café da manhã. Em termos de preço, porém, estamos falando de valores a partir de uns 400 euros por noite, e isso sem o transporte.
Já as ilhas locais são vilarejos comuns, onde vivem os moradores. Aqui você precisa se adaptar aos costumes locais e respeitar a cultura. O álcool é totalmente proibido nas ilhas locais e o banho de biquíni só é possível em praias estritamente delimitadas (as chamadas Bikini Beach). Fora dessa praia, você precisa estar com os ombros e os joelhos cobertos, o que vale inclusive nos passeios até a loja ou ao restaurante.
3. Taxas e impostos ocultos: o que significa “++”

Essa talvez seja a lição financeira mais importante para qualquer viajante. Quando você vê um preço num resort ou no Booking, muito frequentemente encontra dois pequenos sinais de mais ao lado dele. Isso significa que o preço não inclui os impostos, que, nas Maldivas, representam um item enorme. Mais especificamente, trata-se da taxa de serviço de 10% e do imposto estatal TGST, que atualmente está em 17%.
Quando você faz as contas, descobre que a cada gasto precisa somar logo 28%. Então, se você pedir um coquetel de 20 dólares no resort, na conta vai pagar de verdade quase 26 dólares. Além disso, paga-se um imposto ambiental obrigatório, a chamada Green Tax, que é de 12 dólares por pessoa/noite no resort, ou 6 dólares nas guesthouses menores das ilhas locais.
4. IMUGA e as formalidades antes da viagem

Viajar para as Maldivas é muito tranquilo do ponto de vista de visto, porque o visto turístico de 30 dias você recebe de graça logo após a chegada. O que você precisa resolver com antecedência, porém, é a declaração eletrônica obrigatória do viajante, chamada IMUGA. Esse formulário deve ser preenchido no máximo 96 horas antes da chegada e também de novo antes da sua partida do país.
O preenchimento é totalmente gratuito e gera um QR code no seu celular. Tome muito cuidado com sites fraudulentos, que vão tentar arrancar dinheiro de você por uma suposta intermediação. Outra novidade extremamente importante é a proibição total de importar cigarros eletrônicos e vapes, em vigor desde o final de 2024. Se os fiscais da alfândega encontrarem esses itens com você, corre o risco de uma multa de cerca de 320 euros. Não se pode levar para o país nem uma gota de álcool, nem mesmo das lojas duty-free.
5. Mergulho com tubarões-baleia

Nadar com o maior peixe do planeta é o sonho de muitos viajantes, e as Maldivas são ideais para isso. O atol South Ari é uma raridade mundial absoluta, porque ali se mantém o ano todo uma população de machos jovens de tubarão-baleia. Os passeios costumam partir das ilhas de Dhigurah ou Maafushi, sendo que, saindo de Maafushi, o passeio de dia inteiro de barco sai por cerca de cem dólares.
Infelizmente, essa experiência também tem seu lado sombrio, sobre o qual preciso te alertar. Em torno de um único animal costuma se aglomerar, na temporada, até uma centena de mergulhadores e um monte de barcos, o que gera um estresse enorme nos animais. Mais da metade dos tubarões daqui tem cicatrizes de colisões com hélices de barco. Por isso recomendo escolher operadores que respeitem o código ético da organização MWSRP e sair para o mar o mais cedo possível pela manhã.
6. Mantas na Hanifaru Bay

Se você sonha em ver elegantes mantas gigantes, seu destino deveria ser a baía protegida de Hanifaru Bay, no atol Baa. A temporada aqui vai de maio a novembro, com a maior chance de sucesso entre junho e outubro. Quando o plâncton se acumula na baía, você pode ver dezenas de mantas girando numa espécie de tornado de alimentação, um espetáculo de tirar o fôlego.
A área está sob rígida proteção da UNESCO e seguem regras claras. O mergulho com cilindro é estritamente proibido ali; só se permite o snorkel. Para evitar superlotação, cada visitante precisa comprar um token de entrada de 30 dólares, que lhe dá direito a apenas 45 minutos na água. A visita só é possível acompanhada de um guia certificado, que fica de olho para que você não se aproxime das mantas a menos de três metros.
7. Bioluminescência: o Mar de Estrelas

As fotos do litoral azul brilhante, o chamado Mar de Estrelas, rodaram a internet inteira, e um monte de gente voa para as Maldivas justamente por causa disso. Mas preciso te falar a real, porque a realidade costuma ser bem diferente das imagens editadas. Esse fenômeno natural é causado por um fitoplâncton específico e nunca é cem por cento garantido, nem mesmo na famosa ilha de Vaadhoo.
A maioria das fotos que você vê nas redes sociais foi feita com uma exposição muito longa da câmera. A olho nu, muitas vezes parece só um leve brilho na areia quando você chuta com o pé. A maior chance de ver o fenômeno você tem entre junho e outubro, durante a lua nova, quando o céu fica mais escuro. Encare isso, então, mais como um bônus simpático das férias, e não como o motivo principal da sua viagem.
8. Como se locomover entre as ilhas

O transporte nas Maldivas é um capítulo à parte. O jeito mais barato são as balsas locais, chamadas dhoni, que custam cerca de 2 euros. A viagem com elas é uma experiência autêntica incrível, mas são muito lentas e mais indicadas para distâncias curtas dentro de um mesmo atol. Bem mais utilizadas são as lanchas rápidas compartilhadas (speedboats), que, por exemplo, te levam até Maafushi por cerca de 25 dólares.
Existe, porém, uma regra enorme que você precisa gravar bem. Na sexta-feira é o principal dia de feriado nas Maldivas e o transporte público fica completamente parado. Não circula nenhuma balsa local e as lanchas rápidas funcionam apenas no mínimo absoluto. Se a sua passagem te coloca para chegar numa sexta-feira, conte com a possibilidade de simplesmente não conseguir chegar à ilha local mais distante no mesmo dia e ter de pernoitar na capital.
9. Hidroaviões: a experiência que esvazia a carteira

O voo de hidroavião sobre os atóis turquesa é provavelmente uma das experiências aéreas mais bonitas do mundo. Eles são operados, na maioria das vezes, por empresas como a Trans Maldivian Airways e voam exclusivamente para resorts privativos. Em termos de preço, é uma coisa bem cara: a passagem de ida e volta sai por 400 a 800 dólares por pessoa, valor que o resort soma automaticamente à conta da hospedagem.
Os hidroaviões têm uma particularidade essencial. Voam exclusivamente durante a luz do dia, mais ou menos das seis da manhã às três e meia da tarde. Se o seu voo internacional pousar em Malé no fim da tarde ou à noite, o hidroavião já não voa mais e você será obrigado a passar a primeira noite num hotel de trânsito perto do aeroporto. Pense também nos limites de peso, porque, nos hidroaviões, a tolerância de bagagem é bem mais rígida do que nos voos comuns.
10. Voos do Brasil para as Maldivas

Não existe voo direto do Brasil para as Maldivas, então você sempre vai precisar de pelo menos uma conexão, normalmente no Oriente Médio ou na Europa. Saindo de São Paulo (GRU), as melhores opções costumam ser companhias como Emirates (via Dubai), Qatar Airways (via Doha), Turkish Airlines (via Istambul) ou Etihad (via Abu Dhabi). A viagem total, incluindo a conexão, costuma durar entre 18 e 24 horas, dependendo da escala.
Se você reservar com antecedência e for flexível com as datas, dá para encontrar boas tarifas, especialmente fora da alta temporada. As passagens de ida e volta de São Paulo para Malé costumam variar bastante de preço conforme a época e a antecedência da compra. Para garantir os melhores horários e tarifas, vale comparar as companhias do Golfo, que geralmente oferecem as conexões mais práticas e o melhor serviço de bordo nesse trecho.
11. A verdade sobre os corais depois de 2024

Quando você olha catálogos mais antigos de agências de viagem, vê jardins de coral coloridíssimos. Mas preciso ser totalmente sincera: a realidade depois do branqueamento massivo dos corais em 2024 é, infelizmente, mais triste. Por causa da água extremamente quente, os atóis centrais perderam quase quarenta por cento do coral vivo e a maioria dos recifes rasos hoje está mais para acinzentada.
Isso não significa, porém, que o mergulho não valha a pena, muito pelo contrário. As Maldivas são referência mundial graças à enorme quantidade de megafauna submarina, que ainda permanece aqui em grande número. Em cada mergulho você vai ver dezenas de tartarugas, tubarões-de-recife, raias e cardumes incríveis de peixes coloridos. Você só precisa, em resumo, ter as expectativas certas e não esperar corais de cor neon logo na beira da praia.
12. Comida local e delícias vegetarianas

A cozinha maldívia é muito influenciada pelo vizinho Sri Lanka e pela Índia, o que significa um monte de temperos incríveis e leite de coco. O prato nacional é o atum preparado de centenas de formas, seja a tradicional mistura matinal mas huni, seja o forte caldo de peixe garudhiya. Esses pratos você compra nas casas de comida locais por uns trocados; quem cozinha muito bem, por exemplo, é o bistrô Kada, em Maafushi, e normalmente eles são servidos com finos pães roshi.
Se você é vegetariano, vai amar as especialidades locais sem carne. Ótimo é o boshi mashuni, uma salada refrescante de flor de bananeira que substitui aqui o clássico café da manhã de atum. Experimente com certeza também o curry de legumes tharukaaree riha ou os pastéis fritos crocantes bis keemiya, recheados de repolho e ovo. Da cozinha indiana, você encontra facilmente um ótimo dhal de lentilha em praticamente toda guesthouse.
13. Praias de biquíni e regras de vestimenta nas ilhas locais

Como já adiantei na introdução, o banho de mar nas ilhas locais tem suas regras específicas. Os turistas podem se banhar com roupa de banho clássica exclusivamente nas praias marcadas como Bikini Beach. Essas praias costumam ser separadas do resto do vilarejo por uma cerca de junco ou por uma faixa de palmeiras, para não escandalizar os moradores.
Fora dessa área reservada, espera-se de você respeito às tradições muçulmanas. Assim que você sair para as ruas, para a loja ou para o jantar, precisa estar com os ombros e os joelhos cobertos. Para as mulheres, isso significa evitar shorts curtos e regatinhas de alça fina; para os homens, basta uma camiseta clássica e bermudas mais longas. Esse dress code vale também a bordo das balsas públicas locais, então guarde a roupa de banho mesmo só para a praia ou para o barco do passeio.
14. All Inclusive, pensão completa ou meia pensão?

A alimentação nos resorts funciona de um jeito completamente diferente dos hotéis europeus. A maior armadilha costuma ser a simples meia pensão, porque os preços de comida e bebida à la carte nas ilhas isoladas são extremos. Só por uma garrafa comum de água potável no jantar você paga tranquilamente de oito a doze dólares, e a isso ainda precisa somar aqueles 28% de impostos. Um almoço simples acaba saindo por até cinquenta dólares por pessoa.
Se você vai para o resort por cinco ou mais noites, o All Inclusive quase sempre compensa financeiramente. O ponto de virada, em que o adicional do All Inclusive começa a valer a pena, costuma acontecer já no terceiro ou quarto drinque por dia. Principalmente se você gosta de tomar uma cerveja no almoço e alguns coquetéis à noite, vai economizar uma boa grana com o pacote pré-pago e, sobretudo, muita dor de cabeça na hora de assinar contas.
15. Quando ir ver as mantas em Rasdhoo

O atol Rasdhoo está entre os melhores destinos para todos os amantes do mergulho e do snorkel mais avançado. Essa área é famosa pelo excelente recife doméstico, que começa a poucos metros da praia e despenca para uma profundidade imensa. A maior atração, porém, é a estação de limpeza de mantas local, aonde essas criaturas majestosas chegam de novembro a abril, ou seja, exatamente na temporada oposta à de Hanifaru Bay.
Além das mantas, Rasdhoo é conhecido também pelos mergulhos matinais atrás de tubarões-martelo. É um dos poucos lugares das Maldivas onde esses tubarões podem ser observados com regularidade. A ilha tem, além disso, uma ótima infraestrutura, uma Bikini Beach linda e comprida e alguns centros de mergulho excelentes, que organizam passeios por preços bem justos.
16. Paraíso do surfe: Thulusdhoo e Cokes

As Maldivas não são só sobre ficar deitado na praia: aqui há algumas das melhores ondas de surfe do Oceano Índico. A meca de todos os surfistas é a ilha local de Thulusdhoo, que tem uma atmosfera totalmente tranquila e relaxada. A principal atração é a lendária onda chamada Cokes, que recebeu esse nome por causa da fábrica de Coca-Cola que, paradoxalmente, fica na ilha.
A onda Cokes é rápida e quebra sobre coral raso, então, se você está começando agora, é melhor aquecer a prancha em outro destino. Os surfistas mais experientes, porém, vão amar, principalmente porque, logo do outro lado do canal, espera por eles a Chickens, mais longa e brincalhona. As melhores condições chegam no verão, mais especificamente de junho a setembro, quando vêm os melhores swells oceânicos. Por algumas dezenas de dólares, os locais te levam de barquinho direto até o pico, então você não precisa remar a custo por toda a lagoa.
17. A ilha das frutas, Thoddoo

A maioria das ilhas maldívias é formada só por areia e corais, então quase nada pode ser cultivado nelas. A exceção é a linda ilha de Thoddoo, que funciona como uma enorme fazenda para o resto do país. Quase toda a sua superfície é coberta por plantações exuberantes de mamão, melancia, banana e maracujá. Graças a isso, você encontra aqui as frutas mais frescas e mais baratas de toda a região.
Thoddoo tem, além disso, uma das praias reservadas mais bonitas de todas as ilhas locais. A praia é cercada por altas palmeiras e a areia fina se funde com uma lagoa de um turquesa incrível. Como a ilha é um pouco maior que as outras, recomendo alugar uma bicicleta aqui e explorar as trilhas de terra entre as plantações, o que é uma ótima mudança depois de um dia inteiro de praia.
18. Fuso horário e o estranho “resort time”

O horário oficial das Maldivas é UTC+5, o que significa que, para quem viaja do Brasil, lá adianta cerca de oito horas em relação ao horário de Brasília. Esse fuso é bem grande, mas, na prática, muitos viajantes não sofrem com um jet lag tão dramático, porque a recuperação acontece ao longo dos primeiros dias relaxando à beira-mar. Uma curiosidade, porém, é que muitos resorts de luxo adotaram seu próprio horário, o chamado island time.
Os gerentes dos resorts adiantam artificialmente os relógios em mais uma hora em relação à capital. Fazem isso para oferecer aos hóspedes mais luz do dia no fim da tarde e fazer o sol se pôr lá pelas sete horas, em vez das seis. Então, se você combina estadia numa ilha local e num resort, tome muito cuidado para saber por qual horário a sua lancha rápida está partindo.
19. Sandbank: piquenique numa língua de areia no meio do oceano

Uma das experiências mais icônicas que você pode se dar é o passeio até uma língua de areia deserta, chamada sandbank. São pequenos pedaços de areia branquíssima que emergem do oceano só durante a maré baixa e não têm absolutamente nenhuma árvore nem vegetação. Praticamente toda guesthouse organiza para você, de boa vontade, um passeio de meio dia, que muitas vezes inclui um piquenique privativo sob o guarda-sol.
O preço de um passeio desses a partir das ilhas locais gira em torno de trinta a quarenta dólares por pessoa. É um paraíso absoluto para os amantes da fotografia e do romance. Mas não esqueça de levar muito protetor solar fator 50 (de preferência a versão reef-safe, ou seja, sem oxibenzona e octinoxato), porque o sol refletindo na água e na areia te queima mais rápido do que você imagina.
20. Casamento e lua de mel nas Maldivas

As Maldivas são sinônimo de luas de mel luxuosas, e muitos casais sonham aqui com um casamento romântico na praia. Mas é preciso saber que casamentos juridicamente válidos não podem ser celebrados por estrangeiros por aqui, já que o país só permite cerimônias muçulmanas. Por isso, todos os casamentos para turistas são apenas simbólicos e, no papel, você precisa se casar no Brasil, no cartório.
Pacotes de casamento simbólico são oferecidos por praticamente todo resort melhorzinho, e você paga por eles de quinhentos a alguns milhares de dólares, conforme a sofisticação da decoração. Se você está vindo para cá em lua de mel, não esqueça de trazer uma cópia da certidão de casamento. É que a maioria dos resorts e guesthouses prepara, de bom grado, uma bela surpresa na forma de decoração de cama com flores, uma garrafa de espumante ou um jantar romântico à luz de velas de graça.
21. Estação de resgate de tartarugas e proteção da vida marinha

As tartarugas marinhas estão por toda parte nas Maldivas, mas, infelizmente, também há aquelas que acabam mal. Muitas terminam enroscadas em redes de pesca abandonadas que chegam do mar aberto. Se você quer apoiar uma boa causa, visite alguma das estações de resgate locais. Uma das mais conhecidas funciona sob a tutela do projeto Olive Ridley Project e cuida de tartarugas feridas, às quais muitas vezes faltam nadadeiras.
Em muitas ilhas você vai ver o esforço de proteção do frágil ecossistema. É estritamente proibido levar das Maldivas qualquer concha, coral ou produto de casco de tartaruga. No snorkel vale a proibição absoluta de tocar em qualquer coisa embaixo d’água, não pisar nos corais e não alimentar os peixes selvagens. Resumindo: não colete, não toque, não pise e não alimente. Nada mais, nada menos — é assim que você faz a sua parte para que ainda existam recifes por aqui.
Para onde ir depois das Maldivas
Se você curte o exótico e está pensando em para onde ir na próxima viagem, o Oceano Índico e seus arredores oferecem um monte de outras possibilidades incríveis. Se você se interessa por mais diversidade e quer combinar a relaxação na praia com passeios pela floresta e por plantações de chá, leia com certeza o nosso grande artigo Sri Lanka: férias, 21 dicas do que ver e quando ir.
Para quem procura um pouco de atmosfera africana misturada com cultura árabe, recomendo dar uma olhada em Zanzibar: férias, 21 dicas do que ver e quando ir. Se você prefere voar mais perto e gosta de paisagens mais cruas, dê uma espiada em Cabo Verde: férias, 19 dicas do que ver e quando (não) ir. E, se você se interessa pela cultura asiática repleta de templos hinduístas e vulcões, temos para você um guia detalhado de Indonésia, Bali: 57 dicas do que ver. Às vezes os viajantes combinam as Maldivas com uma visita aos Emirados, para o que vai servir muito bem o nosso artigo Dubai férias: 43 ótimas dicas.
Mais destinos exóticos da nossa série: Maurício: férias, 21 dicas do que ver e quando ir · República Dominicana: férias, 21 dicas e quando ir · Abu Dhabi: férias, 21 dicas do que ver e quando ir
Perguntas frequentes
Planejar uma viagem para as Maldivas sempre traz consigo um monte de perguntas. No nosso artigo reunimos para você as respostas às mais frequentes, para que você embarque com a cabeça totalmente tranquila.
Preciso de visto para as Maldivas e o que é o Imuga?
Visto de 30 dias você recebe gratuitamente após o desembarque. Mas é obrigatório preencher a declaração eletrônica IMUGA, no máximo 96 horas antes da sua chegada e partida. O formulário é online, gratuito e gera um QR code que você apresenta no aeroporto.
Tem malária nas Maldivas e quais vacinas eu preciso?
As Maldivas são completamente livres de malária, então você pode deixar os antimaláricos em casa. Mas ocasionalmente ocorre aqui a febre da dengue, contra a qual você se protege com um repelente forte. Nenhuma vacinação é obrigatória, recomenda-se apenas a base padrão na forma de hepatite A e febre tifoide.
Quanto custa uma viagem para as Maldivas, dá pra ir barato?
Sim, com certeza. Uma semana numa ilha local pode custar a partir de 1000 euros por pessoa incluindo passagem aérea e hospedagem numa pousada bacana. Os resorts são bem mais caros, estamos falando de valores entre 2000 a 10000 euros ou mais, dependendo do nível de luxo.
Pode usar biquíni nas ilhas locais?
Sim, mas com uma grande limitação. Em cada ilha local há uma área chamada Bikini Beach reservada para turistas, onde você pode tomar sol livremente de biquíni ou maiô. Fora desta praia, ou seja, na vila, você deve respeitar as regras muçulmanas e manter ombros e joelhos cobertos.
Quando é a melhor época para ver mantas e tubarões-baleia?
Tubarões-baleia ocorrem na área do atol South Ari durante todo o ano, você pode ir atrás deles a qualquer momento. As mantas têm sua alta temporada na baía protegida de Hanifaru Bay de maio a novembro, já no atol Rasdhoo elas se concentram mais de novembro a abril.
Vale a pena pagar o All Inclusive no resort?
Geralmente sim, especialmente se você vai ficar vários dias e gosta de tomar um drink. A própria água potável no resort pode custar tranquilamente dez dólares e um almoço simples cinquenta. O valor extra do All Inclusive muitas vezes já se paga na terceira ou quarta caipirinha pedida no dia.
Qual é a diferença de fuso horário nas Maldivas?
O fuso horário básico é UTC+5, o que na prática significa três horas a mais no verão e quatro horas a mais no inverno em relação ao horário da República Tcheca. Muitos resorts de luxo, no entanto, adicionam artificialmente mais uma hora (o chamado horário do resort), para que você tenha luz por mais tempo à noite.
Dá para ir para as Maldivas com crianças pequenas?
Certamente, as Maldivas são ótimas para crianças graças às lagoas rasas e quentinhas. Mas recomendo escolher um resort ou ilha acessível por lancha rápida em até 45 minutos, porque o voo em hidroavião barulhento costuma ser bem desconfortável para crianças pequenas. Além disso, vários resorts têm clubes infantis incríveis.
