As igrejas e sinagogas em Praga dariam uma enciclopédia inteira — por isso selecionei apenas as construções sacras que moldaram minha relação com a cidade pela história bruta, pela genialidade arquitetônica ou simplesmente pelo fato de que nelas dá para escapar por alguns minutos do barulho dos bondes. Não se trata apenas de abóbadas góticas e anjinhos barrocos. São lugares onde a história moderna foi escrita e onde, até hoje, você sente o peso do passado.
Você vai descobrir por que a Igreja de São Nicolau nas duas margens do Vltava é uma experiência completamente diferente, onde fica pendurada a mão decepada de um ladrão, e como planejar um roteiro para não perder nenhum monumento essencial.
Resumo
- A Igreja de São Nicolau no Malá Strana representa o auge absoluto do barroco praguense — o próprio Wolfgang Amadeus Mozart tocou no órgão dali.
- A cripta sob a Igreja de São Cirilo e Metódio guarda um testemunho arrepiante da última resistência dos paraquedistas tchecoslovacos após o atentado a Heydrich.
- O Menino Jesus de Praga, na Igreja de Nossa Senhora da Vitória, atrai peregrinos do mundo inteiro — seu guarda-roupa conta com mais de cem trajes ricamente decorados.
- A Igreja de Nossa Senhora de Týn, na Praça da Cidade Velha, esconde o túmulo do famoso astrônomo dinamarquês Tycho Brahe.
- A Basílica de São Tiago Maior tem a nave principal mais longa da república e uma raridade macabra: uma mão mumificada de ladrão pendurada perto da entrada.
- O Mosteiro de Emaus sofreu graves danos no bombardeio de 1945 e hoje ostenta torres icônicas de concreto com pontas douradas.
- A Sinagoga Velha-Nova é a sinagoga ativa mais antiga da Europa e, segundo a lenda, em seu sótão estão escondidos os restos do Golem de argila.
- A Sinagoga Pinkas funciona como memorial às vítimas do Holocausto — suas paredes trazem quase 80.000 nomes escritos à mão.
- A Sinagoga Espanhola vai te impressionar com seu deslumbrante interior mourisco repleto de arabescos dourados e uma acústica excepcional.
- A Sinagoga de Jerusalém, perto da estação central, une o estilo art nouveau ao mourisco e é a mais jovem — e frequentemente ignorada — casa de oração judaica da cidade.
Quando visitar a arquitetura sacra de Praga
Confesso que por anos aprendi isso na base da tentativa e erro. As construções sacras funcionam como um ar-condicionado natural: no verão você se salva do calor, mas no inverno é bom levar casaco, porque as paredes antigas guardam o frio com a mesma eficiência que o calor. Os horários de funcionamento seguem rigorosamente o calendário litúrgico, então riscou da agenda o período da manhã nos domingos: há missas e o fluxo turístico fica interrompido.
Primavera e verão: Luz natural e concertos noturnos
Abril e maio oferecem condições de luz ideais. O sol ainda não está tão alto a ponto de queimar os detalhes nas fotos, e pelos vitrais entram raios suaves e difusos. Nos meses de verão, de junho a agosto, espere filas na entrada dos monumentos mais famosos.
Fique de olho nos programas noturnos: o verão é a alta temporada para concertos de órgão. A Sinagoga Espanhola e a Basílica de São Tiago realizam veladas musicais que permitem vivenciar o espaço com uma acústica completamente diferente e sem a confusão de turistas.
Outono e inverno: Melancolia e abóbadas geladas
Setembro é, na minha opinião, o melhor mês. A onda de turistas recua, a cidade volta ao ritmo dos estudantes e acontece o festival Dvořákova Praha (5 a 23 de setembro de 2026), que costuma usar espaços sacros para suas apresentações.
Com a chegada de novembro, as ruas esvaziamm e o frio começa a se instalar. Uma visita no inverno exige roupas quentes, já que as paredes espessas retêm o frio de forma implacável. Dezembro traz uma atmosfera especial com concertos de Advento e exposições de presépios — como o famoso presépio de palha na Igreja de Nossa Senhora da Vitória.
Onde se hospedar
Quando voltamos a Praga com o Lukáš, precisamos de um ponto de partida estratégico. Com carrinho de bebê e o cansaço do fim do dia, albergues barulhentos ficaram para trás — buscamos tranquilidade e serviço de alto nível a pé do centro. Na última vez, nos instalamos no The Julius Hotel, na Praça Senovážné, e a escolha foi um verdadeiro acerto.
Ficamos no espaçoso One Bedroom Suite, onde o Jonáš tinha espaço de sobra para seus brinquedos e nós tínhamos uma cozinha completa para preparar chá à noite. Como vegetariana, adorei o café da manhã em buffet, que além dos ovos de praxe oferece ótimas pastas sem carne, legumes frescos e café selecionado. O hotel tem ótimo isolamento acústico e a Sinagoga de Jerusalém fica a três minutos a pé. Confira preços e disponibilidade para a sua data pelo Booking.com.
Igrejas da Cidade Velha: De astrônomos a mãos decepadas
As ruelas da Cidade Velha formam um labirinto onde, mesmo depois de dez anos, consigo me perder por um instante. As igrejas de Praga por aqui muitas vezes se fundem com o casario ao redor, e o tamanho real só te surpreende quando você cruza a soleira da porta.
Igreja de Nossa Senhora de Týn (Chrám Matky Boží před Týnem)

As duas torres góticas assimétricas que se erguem sobre a Praça da Cidade Velha funcionam como bússola para turistas perdidos. A Igreja de Týn é uma obra-prima do gótico com uma rica reforma barroca no interior. Para mim, é um lugar ligado sobretudo à figura de Tycho Brahe. Esse genial astrônomo dinamarquês, que atuou na corte de Rodolfo II, tem aqui uma lápide em mármore branco. De pé diante do altar, basta olhar à direita, em direção ao primeiro pilar.
A entrada na igreja é gratuita, ou seja, por contribuição voluntária (sugere-se cerca de 2 €). O horário de funcionamento costuma ser de terça a sábado entre 10h e 13h e depois das 15h às 17h. Aos domingos, somente de manhã, das 10h ao meio-dia. Lembre-se de que não é permitido entrar com mochilas grandes e que fotografar no interior é estritamente proibido — fiscalizado por uma segurança bastante rigorosa.
💡 Dica local: Não procure a entrada principal diretamente pela praça. Você precisa passar por uma discreta arcada da Escola de Týn, entre os restaurantes — a viela estreita leva direto ao portal.
Igreja de São Nicolau na Praça da Cidade Velha

Com frequência confundida com sua homônima mais famosa no Malá Strana, a Igreja de São Nicolau na Cidade Velha oferece uma energia completamente diferente. Construída por Kilián Ignác Dientzenhofer, sua fachada branquíssima contrasta com as sombrias torres góticas da Igreja de Týn, em frente. O interior é dominado por um enorme lustre de cristal presenteado pelo czar russo Nicolau II, pois no fim do século XIX e início do XX o templo serviu à Igreja Ortodoxa. Hoje pertence à Igreja Hussita Tchecoslovaca.
A entrada é gratuita, e o horário é diariamente das 10h às 16h (aos domingos a partir do meio-dia). A igreja funciona durante todo o ano, pois é aquecida — o que a torna uma parada estratégica nos passeios de inverno.
💡 Dica local: A acústica sob a cúpula é tão especial que vale muito a pena ir a um concerto de música clássica à noite. Eles acontecem quase diariamente e os ingressos — em torno de 20 € — são vendidos na própria entrada.
Basílica de São Tiago Maior

Logo na entrada da Basílica de São Tiago em Praga, pendurada no alto do lado direito por uma corrente, há uma mão humana enegrecida e ressequida que, à primeira vista, mal se acredita ser real. Segundo a lenda, pertencia a um ladrão que tentou roubar joias da estátua da Virgem Maria. A estátua segurou seu braço com tanta força que os auxiliares do carrasco tiveram de decepá-lo. Além dessa curiosidade macabra, é a igreja com a nave principal mais longa de Praga, e com um órgão simplesmente fenomenal, do ano de 1705.
Fica na rua Malá Štupartská, a poucos passos da movimentada Praça da República. Aberta diariamente das 9h30 às 16h. A entrada é gratuita.
💡 Dica local: Todo ano, na virada do verão para o outono, acontece aqui o Festival Internacional de Órgão. A experiência de ouvir o som de milhares de tubos ressoando pelo enorme espaço supera qualquer gravação.
Igreja de São Galo (Kostel svatého Havla)

Enquanto lá fora, no Mercado de Havelské, os feirantes gritam e os souvenirs tilintam, dentro da Igreja de São Galo reina silêncio absoluto. Essa igreja foi fundada pelo próprio rei Venceslau I e posteriormente administrada pelos carmelitas. Para a história tcheca, é significativa porque aqui pregou Jan Milíč z Kroměříže em 1369 e, mais tarde, Jan Hus. O interior guarda o túmulo do famoso pintor barroco Karel Škréta.
A entrada é gratuita. O horário de abertura é irregular — sua melhor chance é à tarde, entre 14h e 16h. Fica a poucos minutos a pé do metrô Můstek.
💡 Dica local: A fachada da igreja forma um cenário fantástico para fotos das feiras. Se você chegar cedo pela manhã, antes de os vendedores montarem suas bancas, vai capturar uma atmosfera crua da cidade ainda acordando.
Igreja de São Egídio (Kostel svatého Jiljí)

Uma joia escondida da Ordem Dominicana na Rua Husova. A imponente construção gótica parece discreta por fora, espremida entre as casas ao redor de forma tão compacta que mal dá para vê-la inteira da rua. Por dentro, porém, você encontra dramáticos afrescos barrocos de Václav Vavřinec Reiner — que, por vontade própria, foi sepultado aqui após sua morte. Para os fãs de cinema: Miloš Forman filmou aqui algumas cenas de seu oscarizado filme Amadeus.
Aberta diariamente nos horários de culto e frequentemente ao longo do dia para oração silenciosa e visitação. Entrada gratuita.
💡 Dica local: Passe pelas portas discretas que levam ao pátio do convento anexo. É um oásis de tranquilidade onde o barulho da Rua Karlova não chega — ótimo para dar uma pausa com carrinho de bebê sem estresse.
Malá Strana e Cidade Nova: Dramas barrocos e história moderna
Assim que você atravessa a ponte, a cidade parece mudar de modo. No Malá Strana, dá a sensação de ter entrado dentro de uma ópera barroca — e de repente você vira na Rua Resslova e é um filme completamente diferente.
Igreja de São Nicolau no Malá Strana

É ela. A personificação do barroco praguense e minha paisagem cotidiana dos anos do colégio. A Igreja de São Nicolau (muito buscada como Igreja de São Nicolau no Malá Strana) foi construída ao longo de três gerações da família Dientzenhofer. Ao entrar, você é imediatamente tomado pelo afresco do teto, a Glorificação de São Nicolau, que com seus 1.500 metros quadrados é um dos maiores da Europa. Wolfgang Amadeus Mozart tocou o órgão daqui em 1787. Quando volto hoje, ainda me fascina essa opulenta exibição de mármore, ouro e estátuas em tamanho maior que o natural — como se tivessem saído de um espetáculo teatral.
O ingresso custa 6 € (estudantes e idosos 4 €). Aberto diariamente das 9h às 17h (no verão até as 18h). Fica na Praça do Malá Strana (parada dos bondes 12, 15, 20, 22).
💡 Dica local: Pague o ingresso extra para a galeria no andar superior. Você ficará pertinho do afresco de Jan Lukáš Kracker e, da varanda, verá todo o interior da igreja com uma perspectiva muito mais dramática.
Igreja de Nossa Senhora da Vitória e o Menino Jesus de Praga

A construção barroca primitiva na Rua Karmelitská talvez passasse despercebida entre as demais igrejas, não fosse por uma pequena estatueta de cera. A Igreja de Nossa Senhora da Vitória abriga o Menino Jesus de Praga (Bambino di Praga), um verdadeiro ímã para peregrinos da América Latina, da Espanha e das Filipinas. É fascinante ver visitantes de longe caindo de joelhos, em lágrimas, diante de uma estatueta de apenas 47 centímetros. O Menino possui mais de cem trajes luxuosos, que se revezam de acordo com os períodos litúrgicos. Chama atenção especial um berço de prata cravejado de diamantes e rubis.
A entrada na igreja e no museu dos trajes é gratuita. Aberto de segunda a sábado das 8h30 às 18h, aos domingos das 8h30 às 19h. Fica a três minutos a pé da Praça do Malá Strana.
💡 Dica local: Vá direto ao primeiro andar, atrás do altar, onde fica o museu dos trajes do Menino Jesus. Lá você encontra até um vestidinho bordado pela própria imperatriz Maria Teresa.
Igreja de São Cirilo e Metódio (Cripta dos Paraquedistas)

Da embriaguez barroca para a dura realidade do século XX. A Igreja Ortodoxa de São Cirilo e Metódio, na Rua Resslova, foi em junho de 1942 o palco da última resistência de sete paraquedistas tchecoslovacos envolvidos na Operação Anthropoid — o atentado que resultou na morte do oficial nazista Reinhard Heydrich. A sensação de angústia bate em você na cripta subterrânea em questão de segundos. Ver com os próprios olhos as marcas de balas no batente da janela e as paredes úmidas onde Jozef Gabčík, Jan Kubiš e outros cinco heróis lutaram contra um enorme contingente das SS é uma experiência que não sai da cabeça.
A cripta está aberta de terça a domingo, das 9h às 17h. O ingresso custa cerca de 4 € e do metrô linha B (Karlovo náměstí) você chega em cerca de cinco minutos a pé.
💡 Dica local: Pare primeiro do lado de fora, na placa comemorativa na Rua Resslova. Até hoje são visíveis na parede, ao redor da pequena janela de ventilação, os buracos de bala das metralhadoras dos soldados alemães.
Mosteiro de Emaus (Na Slovanech)

Este complexo representa um compromisso arquitetônico incrível entre a Idade Média e a modernidade. O Mosteiro de Emaus (também chamado de Emauzy em Praga) foi fundado por Carlos IV para beneditinos eslavos. Por séculos, abrigou belas pinturas góticas no claustro, mas o bombardeio aliado de fevereiro de 1945 atingiu o complexo com tanta força que restaram apenas fragmentos de sua antiga glória. Em 1968, o mosteiro ganhou sua silhueta atual e inconfundível. O arquiteto František Maria Černý projetou ousadas torres de casca de concreto com pontas douradas, cruzadas entre si, que lembram mãos postas em oração. Contra o céu azul, essas torres formam um dos motivos mais recompensadores para composições geométricas.
A entrada no complexo e no claustro custa cerca de 3 €. Aberto de segunda a sábado das 11h às 17h. A parada de bonde Moráň fica logo abaixo do mosteiro.
💡 Dica local: Não vá apenas até as torres modernas. O claustro esconde um ciclo de 85 afrescos murais góticos. Apesar de parcialmente danificados, estão entre os mais preciosos monumentos da arte gótica tcheca.
Sinagogas de Praga: O testemunho do Josefov e da Cidade Nova
Só com o passar do tempo se compreende que o que foi preservado aqui — seis sinagogas e um cemitério — é, na verdade, um milagre. A Cidade Judaica passou por uma demolição brutal na virada dos séculos XIX e XX. Hoje é um dos complexos museológicos judaicos mais completos do mundo. Se quiser entender a fundo a história dos judeus de Praga, recomendo reservar um tour comentado pelo GetYourGuide, onde guias locais te contextualizam muito além do que as legendas explicam.
Sinagoga Velha-Nova (Staronová synagoga)

A sinagoga ativa mais antiga da Europa, construída em estilo gótico primitivo por volta de 1270. Seu telhado de duas águas acentuado e as empenas de tijolos surgem como uma visão entre os prédios luxuosos da Rua Pařížská. Para a cidade, a Sinagoga Velha-Nova está indissociavelmente ligada à lenda do Golem — o gigante de argila que o Rabino Löw teria criado para proteger a comunidade judaica. Segundo a crença, os restos do Golem ainda estão no sótão da sinagoga, cujo acesso é estritamente proibido.
Não faz parte do circuito básico do Museu Judaico — o ingresso é comprado à parte e em 2026 custa cerca de 10 €. Aberto diariamente, exceto sexta à noite, sábado (Shabat) e feriados judaicos, das 9h às 18h.
💡 Dica local: Os homens devem ter a cabeça coberta na entrada. Se não tiver um chapéu, emprestam na porta uma kipá (quipá) de papel tradicional.
Sinagoga Pinkas (Pinkasova synagoga)
Um lugar que vai te deixar em silêncio. A Sinagoga Pinkas não serve mais a cultos religiosos, mas como memorial às vítimas do Holocausto da Boêmia e da Morávia. Todas as paredes internas trazem quase 80.000 nomes escritos à mão — homens, mulheres e crianças que não sobreviveram aos campos de extermínio nazistas. No primeiro andar há uma exposição permanente de desenhos de crianças do campo de concentração de Terezín. É cru, doloroso e imensamente importante. É um lugar onde vale parar por um momento e se recolher em silêncio.
Incluído no ingresso do Museu Judaico (Cidade Judaica de Praga). Aberto de domingo a sexta das 9h às 18h (no inverno até as 16h30).
💡 Dica local: Vá logo às 9h da manhã. Assim que chegarem os grandes grupos organizados, o espaço perde sua intimidade solene. Esse memorial exige silêncio absoluto.
Sinagoga Espanhola (Španělská synagoga)

Vista por fora, parece discreta. Por dentro, literalmente te deixa boquiaberto. Poucos esperam encontrar um interior mourisco repleto de arabescos e estuques dourados. A Sinagoga Espanhola recebeu esse nome exatamente porque se inspira na Alhambra espanhola — ao entrar, você não sabe para onde olhar primeiro. A exposição no primeiro andar traça a história moderna dos judeus nas terras tchecas, desde as reformas josefinas até os dias atuais.
Incluída no ingresso do Museu Judaico. Aberta de domingo a sexta das 9h às 18h.
💡 Dica local: O espaço tem uma acústica fantástica e costuma receber concertos noturnos de música clássica ou melodias judaicas. Uma ótima oportunidade para ver o interior dourado iluminado sem a multidão de turistas.
Sinagoga Klaus e Sinagoga Maisel
Ambas fazem parte do circuito de visitas do Museu Judaico. A Sinagoga Maisel homenageia seu mecenas Mordechai Maisel, banqueiro e primaz da Cidade Judaica no século XVI, e hoje guarda preciosos objetos sinagogais de prata.
A Sinagoga Klaus fica bem na entrada do Antigo Cemitério Judaico e sua exposição aborda tradições, costumes e festas judaicas. Você vai descobrir como funciona o bar mitzvá ou o que implica a alimentação kosher. A Sinagoga Klaus costuma ser a mais tranquila de todas, porque os turistas geralmente se apressam para o cemitério e acabam pulando esse lugar silencioso. É uma pena, porque os objetos expostos — como os rolos da Torá — estão entre as peças mais marcantes de todo o circuito.
Entrada com o ingresso combinado; os horários seguem os demais espaços do museu (domingo a sexta).
💡 Dica local: Observe com cuidado os rolos da Torá expostos na Sinagoga Klaus. São originais resgatados de diferentes regiões do país durante a Segunda Guerra Mundial.
Sinagoga de Jerusalém (Sinagoga Jubileu)

Os turistas frequentemente a ignoram porque não fica no Josefov, e sim na Cidade Nova, pertinho da Estação Central e do nosso querido The Julius Hotel. A Sinagoga de Jerusalém é a mais jovem e ao mesmo tempo a maior de Praga. Foi construída em 1906 como substituta das casas de oração demolidas durante a renovação urbana. A fachada é uma mistura incrível de art nouveau vienense e estilo mourisco, com cores vibrantes e uma enorme janela circular em roseta. O interior é igualmente pomposo, decorado com ricas pinturas e ouro.
O ingresso custa cerca de 6 €. Aberta de abril a outubro, de domingo a sexta das 10h às 17h.
💡 Dica local: Na galeria do primeiro andar costumam haver excelentes exposições temporárias sobre a história da comunidade judaica e o resgate de patrimônio judaico após a Segunda Guerra Mundial.
Onde comer
Depois de horas admirando abóbadas e afrescos, bate aquela fome. Com o Lukáš e o Jonáš, já temos nossas paradas favoritas testadas e aprovadas — lugares onde se come bem e dá para estacionar o carrinho com tranquilidade. Evitamos as armadilhas turísticas a quilômetros de distância e preferimos ir onde se cozinha com capricho e afeto.
Perto da Praça da Cidade Velha
Quando estamos circulando perto da Igreja de Týn e de São Nicolau, nossos passos quase sempre se dirigem ao Skautský Institut. Fica escondido na própria Praça da Cidade Velha, mas você precisa saber em qual porta entrar e em qual pátio adentrar. Lá você toma um café excelente, uma limonada artesanal e come algo leve a preços que não sangram o bolso. E no meio de todo o agito turístico, há uma calma absoluta.
Se estamos com vontade de algo mais substancial, pertinho de São Tiago Maior há o ótimo restaurante vegetariano Maitrea. O interior inspirado em feng shui é lindo, e com minha dieta sem carne é sempre uma aposta certeira. O destaque é o svíčková (prato tradicional tcheco) na versão vegetariana, que rivaliza tranquilamente com o clássico.
No Malá Strana e perto do Menino Jesus
No Malá Strana, comer bem pode ser um campo minado, mas não abrimos mão do Café Savoy. Tudo bem, é um pouco mais sofisticado e costuma estar cheio, mas o café da manhã — ou só um café da tarde com um éclair depois de visitar o Menino Jesus — é simplesmente perfeito. Além disso, são muito baby-friendly, o que com o Jonáš de dois anos a gente sempre agradece muito.
Para uma sopa rápida ou um sanduíche caprichado, costumamos parar no Roesel – beer & food, a poucos passos da Ponte Carlos. É uma ruazinha escondida que você não entra por acidente — eles têm cerveja artesanal excelente e um ótimo pão caseiro com pastas.
Catedral e Loreta (Só para lembrar)
Este artigo não estaria completo sem mencionar dois gigantes absolutos da arquitetura sacra de Praga. Dedico a cada um deles um texto próprio e detalhado, pois a visita vale meio dia inteiro.

A Catedral de São Vito, no terceiro pátio do Castelo de Praga, é o centro espiritual da estatalidade tcheca, onde estão guardadas as joias da coroa e as relíquias dos reis tchecos. Um guia detalhado você encontra no artigo sobre o Castelo de Praga.

A Loreta, em Hradčany, com seu carrilhão e a Santa Casa, é um complexo barroco único rodeado por arcadas silenciosas. Mais informações sobre o horário de funcionamento e o famoso Tesouro de Loreta você encontra em nosso guia de Hradčany.
Informações práticas
- Entrada nas sinagogas: O ingresso mais vendido, “Cidade Judaica de Praga” (inclui as sinagogas Pinkas, Klaus, Maisel, Espanhola, o Salão Cerimonial e o Antigo Cemitério Judaico), custa em 2026 cerca de 25 €. Vale muito a pena comprar online para evitar filas.
- Transporte público: A maioria das igrejas no centro é facilmente acessível a pé. Se você planeja se deslocar entre a Cidade Nova, o Malá Strana e Hradčany, compre um bilhete de 24 horas por cerca de 6 € (ou o de 72 horas por cerca de 13 €).
- Dress code: Embora a República Tcheca seja um país predominantemente laico, ao entrar em igrejas ativas espera-se respeito básico. Os homens devem tirar o chapéu (exceto nas sinagogas, onde é obrigatório mantê-lo) e todos devem evitar roupas muito reveladoras (regatas, shorts muito curtos, etc.).
- Fotografias: Em muitas igrejas é proibido usar flash e tripé. Em alguns locais (como a Igreja de Týn), fotografar é proibido por completo. Respeite as regras.
Veja também
Se já está de arquitetura sacra por hoje e quer explorar outras camadas da cidade, confira estes artigos:
- O que ver em Praga: 100+ dicas de monumentos, cafés e restaurantes
- Castelo de Praga: Guia completo para 2026
- Strahov, Loreta e Hradčany: As mais belas vistas e bibliotecas
- Praça da Cidade Velha e o Relógio Astronômico: Como evitar as armadilhas turísticas
- Josefov: Os segredos do bairro judaico de Praga
- Ponte Carlos: Quando ir para evitar as multidões
Perguntas frequentes
Qual é a igreja mais antiga de Praga?
A construção sacra mais antiga preservada em Praga é considerada a rotunda de São Martinho em Vyšehrad, que data do século XI. Entre as grandes igrejas, a basílica de São Jorge no Castelo de Praga tem as raízes mais antigas.
Preciso cobrir ombros e joelhos para entrar nas igrejas de Praga?
Ao contrário da Itália, não há regras tão rígidas com fiscais na porta, mas por respeito ao local, recomenda-se não usar roupas muito decotadas ou curtas. Nas sinagogas o código de vestimenta é um pouco mais rigoroso e os homens devem cobrir a cabeça.
Cobra-se entrada nas igrejas de Praga?
Depende do lugar específico. A maioria das igrejas menores oferece entrada gratuita ou por contribuição voluntária. São cobrados os pontos turísticos mais visitados, como a Igreja de São Nicolau no bairro de Malá Strana, a Catedral de São Vito ou o complexo do Museu Judaico.
Onde fica o Menino Jesus de Praga?
A famosa estátua de cera pode ser encontrada na igreja de Nossa Senhora da Vitória em Malá Strana, mais precisamente na rua Karmelitská, pertinho da praça Malostranské náměstí.
Quanto tempo leva para visitar o Bairro Judaico?
Se você comprar o ingresso combinado para todas as sinagogas e o Antigo Cemitério Judaico, reserve no mínimo 3 a 4 horas. Especialmente a sinagoga Pinkas e a sinagoga Espanhola exigem mais tempo.
É possível visitar as sinagogas no sábado?
Não. Aos sábados (durante o shabat) e nos feriados judaicos, todos os locais pertencentes ao Museu Judaico ficam fechados para visitação turística. Planeje sua visita de domingo a sexta-feira.
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