Hiroshima é uma cidade que surpreende pela vida e pelo verde que vemos hoje. Ao caminhar por suas largas avenidas arborizadas, é difícil imaginar que, algumas décadas atrás, quase nenhuma construção tenha permanecido de pé. Mas 2026 traz muitas mudanças para Hiroshima, e vale a pena se preparar para elas. A torre principal do castelo local está fechada permanentemente desde a primavera, o famoso pagode da ilha de Miyajima desapareceu atrás de andaimes e o Museu da Paz recebe multidões recordes de visitantes: durante o feriado de Obon deste ano, só entrava quem tinha reserva online. Por outro lado, a cidade ganhou a novíssima estação Minamoa, onde os bondes chegam diretamente ao segundo andar.
Para viajantes brasileiros, Hiroshima também tem uma história muito especial, sobre a qual surpreendentemente pouco se fala nos guias. O icônico Domo da Bomba Atômica foi projetado, no início do século XX, pelo arquiteto tcheco Jan Letzel, nascido em Náchod. O presidente Petr Pavel visitou o monumento pessoalmente em julho de 2025, mas, segundo o jornal Chugoku Shimbun, menos de um décimo dos moradores da província sabe que a obra foi projetada por um tcheco. É um capítulo importante da nossa história do outro lado do mundo, que dá à visita à cidade uma dimensão completamente diferente.
Depois do boom turístico, o Japão tenta controlar melhor as multidões, então prepare-se para algumas novas taxas e regras. Desde julho de 2026, quem deixa o país paga uma taxa de 3.000 ienes (cerca de R$ 70); uma nova taxa de hospedagem entrou em vigor na província, e, nos bondes, é preciso encostar o cartão de transporte tanto ao embarcar quanto ao desembarcar. A boa notícia é que, com o passe regional Kansai-Hiroshima Area Pass, que custa 17.000 ienes (cerca de R$ 395), você economiza no shinkansen, pois o passe já se paga com uma viagem de ida e volta desde Osaka.

Resumo
- O Domo da Bomba Atômica foi projetado por um tcheco: O monumento mais famoso da cidade foi projetado por Jan Letzel, de Náchod, e, em 2026, completa 30 anos na lista da UNESCO.
- O que muda nos monumentos em 2026: A torre principal do castelo está permanentemente fechada por questões estruturais, o pagode de cinco andares de Miyajima está coberto por andaimes e o salão da Chama Eterna Reikadō, no monte Misen, está sendo restaurado após o incêndio de maio.
- O Museu da Paz está lotado: Com filas enormes, planeje sua visita para o horário de abertura (a primeira hora da manhã é exclusiva para quem tem ingresso comprado online).
- O passe compensa no transporte: O Kansai-Hiroshima Area Pass cobre os caros trens-bala; dentro da cidade, você pode andar de bonde por uma tarifa única de 240 ienes.
- Novos impostos e taxas: Prepare-se para a nova taxa de hospedagem de 200 ienes por noite, a taxa de saída de 3.000 ienes que começou em julho e as mudanças no sistema de compras tax-free a partir de novembro.
- Vegetarianos precisam se planejar: O molho tradicional do okonomiyaki contém extrato de carne; por isso, é melhor procurar restaurantes especializados que ofereçam opções veganas.
O guia completo do destino: Japão — guia e o que ver
Quando visitar Hiroshima
Escolher a época certa para visitar o Japão é fundamental, porque o clima pode complicar bastante os planos. A melhor época para viajar para Hiroshima é, sem dúvida, do fim de março até meados de maio ou, no outono, de outubro ao fim de novembro. Na primavera, a cidade floresce com milhares de cerejeiras sakura; em 2026, o auge da floração aconteceu exatamente em 30 de março. Se você prefere o outono, os bordos japoneses momiji tingem de vermelho as colinas ao redor por volta de 20 de novembro, criando um cenário lindo, especialmente na ilha de Miyajima.
Por outro lado, é melhor evitar o verão se você não gosta de chuva e calor. Do início de junho a meados de julho acontece a temporada de chuvas, chamada tsuyu, quando chove muito. Agosto traz calor intenso, com máximas médias em torno de 33 °C, noites tropicais e muita umidade; na transição do verão para o outono, somam-se a isso os imprevisíveis tufões. Quando há ventos fortes, os trens-bala shinkansen também são suspensos por segurança, e você pode acabar preso no caminho.
O dia 6 de agosto é uma ocasião à parte, quando acontece a cerimônia oficial que marca o aniversário do lançamento da bomba. Às 8h15, a cidade para para um minuto de silêncio; à noite, lanternas de papel são soltas no rio Motoyasu, em uma cerimônia comovente. É uma experiência marcante, mas você precisa levar em conta que os hotéis do centro ficam lotados e cerca de 50 mil visitantes do mundo todo circulam pela cidade. Se pretende estar lá nesse dia, reserve a hospedagem com vários meses de antecedência.
Onde se hospedar em Hiroshima
Hiroshima é uma cidade relativamente compacta, mas escolher bem a região da hospedagem pode poupar bastante tempo nos deslocamentos. Se você vai passar apenas uma noite e seguirá de trem-bala na manhã seguinte, faz mais sentido ficar perto da estação. O Parque da Paz fica a cerca de dois quilômetros e meio (aproximadamente 15 minutos de bonde), mas assim você evita o estresse de carregar as malas pela manhã. Se pretende ficar duas noites ou mais, procure hotéis no centro, nas regiões de Kamiyachō, Ōtemachi ou Hatchōbori, de onde dá para chegar tranquilamente a pé às principais atrações. A partir de 1º de abril de 2026, lembre-se de acrescentar à diária a nova taxa de hospedagem de 200 ienes (cerca de R$ 5) por pessoa, por noite, paga diretamente na recepção.
Uma experiência realmente única é passar a noite na ilha de Miyajima. No fim do dia, depois que os últimos visitantes vão embora, as ruelas ficam livres das multidões de turistas, e você pode admirar quase sozinho o torii flutuante iluminado. Veja algumas sugestões de hospedagem:
Hotel Granvia Hiroshima South Gate é um hotel novo, inaugurado na primavera de 2025 dentro da estação Minamoa. Os hóspedes elogiam o isolamento acústico dos quartos, apesar de o shinkansen e os bondes, que partem do segundo andar da estação, estarem a poucos passos.
Hilton Hiroshima é uma ótima escolha para quem busca tranquilidade e uma estrutura completa perto do centro. Fica a poucos passos do arborizado Peace Boulevard; o Parque da Paz está a uma caminhada tranquila de 12 minutos, e, à noite, você pode relaxar na bela piscina coberta ou na sauna.
HOTEL INTERGATE Hiroshima é um hotel de categoria intermediária bastante popular no centro, a cerca de dez minutos a pé do Parque da Paz. Além de quartos limpos e espaçosos, conta com um lounge onde os hóspedes podem tomar café, chá ou uma taça de vinho grátis para descansar depois de um dia inteiro caminhando.
Iwaso é um ryokan tradicional lendário na ilha de Miyajima, em funcionamento desde 1854. Fica no belíssimo vale Momijidani, repleto de bordos, oferece banho termal ao ar livre e é famoso por seus jantares com vários pratos. É preciso combinar com o ryokan com antecedência caso você queira uma opção vegetariana.
Para conhecer mais detalhes sobre cada região e ver outras sugestões, não deixe de conferir nosso artigo completo: Onde se hospedar em Hiroshima.
💡 Compare neste mapa as hospedagens disponíveis — você verá na hora como o preço muda de uma quadra para outra.
22 dicas do que ver e fazer em Hiroshima
Dá para passar correndo pelas atrações da cidade em uma tarde longa, mas seria uma pena. Vamos conferir uma lista completa do que você não pode deixar de conhecer. Prepare calçados confortáveis, porque o roteiro combina uma história comovente, arquitetura moderna, jardins japoneses tranquilos e passeios pelas ilhas sagradas dos arredores.

1. Domo da Bomba Atômica
As ruínas do antigo Salão de Promoção Industrial são hoje o símbolo mais conhecido da cidade e impressionam qualquer visitante. A construção de tijolos e aço, com sua cúpula característica, ficava a apenas 160 metros do hipocentro da explosão, ocorrida em 6 de agosto de 1945, às 8h15 da manhã. Enquanto a maior parte da cidade, feita de madeira, virou cinzas, essa estrutura robusta resistiu à onda de choque e hoje permanece como um alerta sobre os perigos das armas nucleares.
Para nós, o edifício tem um significado enorme, porque foi projetado pelo arquiteto tcheco Jan Letzel, natural de Náchod, e concluído em 1915. No verão de 2025, o presidente Petr Pavel chegou a entrar no local com uma autorização especial, algo que visitantes comuns não podem fazer. Um fragmento do Domo está inclusive guardado no túmulo de Letzel, em Náchod.
Em 2026, o monumento completa exatamente 30 anos desde sua inclusão na lista da UNESCO e, recentemente, recebeu o mais alto nível de proteção nacional. O local fica aberto o ano todo e a entrada é gratuita; as ruínas só podem ser vistas do lado de fora da cerca. Hoje, não há andaimes ao redor do monumento, pois a última grande obra de reparo e conservação das paredes terminou há alguns anos.
💡 Dica: a vista mais bonita do Domo é a partir da ponte Motoyasu e, depois que escurece, de um banco à beira do rio, quando as ruínas iluminadas se refletem na água tranquila.

2. Parque da Paz
No lugar onde hoje se estende um enorme parque verde repleto de memoriais, ficava o antigo distrito comercial de Nakajima, arrasado pela explosão. Depois da guerra, todo o espaço foi projetado pelo famoso arquiteto Kenzō Tange, que criou um eixo perfeito ligando o museu, o memorial central e o Domo da Bomba Atômica. Caminhar entre as árvores é uma experiência silenciosa, que nos faz refletir sobre como o nosso mundo é frágil.
No coração do parque fica o Cenotáfio de concreto, cujo formato de sela foi inspirado nas antigas estatuetas de barro haniwa. Sob ele estão guardadas listas com os nomes das vítimas, atualizadas todo ano em 6 de agosto. Logo atrás, a Chama da Paz arde sem interrupção há décadas, desde que foi acesa, em 1964. Segundo a tradição, ela só será apagada quando a última arma nuclear desaparecer do nosso planeta.
Durante a visita, não deixe de passar também pelo Sino da Paz, que qualquer visitante pode tocar de leve, ou pelo edifício Rest House. Construída em 1929, essa casa discreta funcionava originalmente como uma loja de quimonos e fica a apenas 170 metros do hipocentro. Mesmo assim, sobreviveu à explosão. No porão, uma única pessoa sobreviveu por milagre; hoje, o local abriga um café agradável e um centro de informações, e também é possível comprar ali o passe Tabi Pass.
💡 Dica: fique exatamente no centro, diante do Cenotáfio, e olhe através dele. Tange projetou o arco para enquadrar perfeitamente a Chama da Paz e o Domo da Bomba Atômica ao fundo.

3. Museu da Paz
A visita a este museu é emocionalmente muito difícil, mas essencial para compreender toda a história. A exposição apresenta a vida da cidade antes da guerra, a explosão e os longos anos de consequências por meio de objetos pessoais, roupas chamuscadas e relatos autênticos. O ingresso custa os simbólicos 200 ienes (cerca de R$ 5); desde 2026, o audioguia custa 500 ienes e, infelizmente, o português não está entre os 15 idiomas disponíveis.
Atualmente, a cidade enfrenta um fluxo enorme de turistas e, no ano fiscal de 2025, o museu recebeu um recorde de 2,58 milhões de pessoas. Durante o feriado de Obon, de 8 a 16 de agosto de 2026, pela primeira vez só foi possível entrar com reserva online. Em dias comuns, os corredores costumam ficar tão lotados que as pessoas avançam ombro a ombro, e a espera do lado de fora para comprar ingresso pode chegar a uma hora. Por isso, a cidade está considerando seriamente adotar o sistema de reservas durante o ano inteiro.
O horário de funcionamento oficial geralmente vai das 7h30 até a noite, mas atenção a uma regra importante: a primeira hora da manhã e os últimos 90 minutos antes do fechamento são reservados exclusivamente a quem já comprou ingresso eletrônico. Se você não comprar pela internet, só poderá entrar na fila da bilheteria a partir das 8h30.
💡 Dica: compre o ingresso online para exatamente 7h30 da manhã. Você poderá conhecer a exposição emocionante com tranquilidade e, quando sair, às 9h, as filas da bilheteria estarão apenas começando a engrossar.

4. Monumento da Paz das Crianças e Salão Nacional em Memória das Vítimas
A poucos passos do eixo principal do parque fica um monumento de nove metros, com uma menina de bronze no topo. Ele homenageia a história da estudante Sadako Sasaki, exposta à radiação na explosão. Dez anos depois, enquanto morria de leucemia, ela tentou dobrar mil tsurus de papel, seguindo uma antiga lenda. Sua história comoveu o Japão inteiro e deu início a uma campanha para construir esse belo memorial.
Hoje, pessoas do mundo todo trazem para cá cerca de dez milhões de tsurus de papel por ano, que pesam dez toneladas. Milhares dessas mensagens coloridas ficam expostas em vitrines de vidro ao redor da estátua, e a cidade recicla regularmente os tsurus mais antigos de forma ecológica. Se você fizer alguns origamis em casa, também poderá pendurá-los junto aos demais.
Bem ao lado fica o Salão Nacional em Memória das Vítimas, no subsolo. Ao contrário do museu principal, a entrada é gratuita e não há filas. O espaço exibe um enorme panorama circular formado por 140 mil azulejos, que simboliza o número estimado de mortos até o fim de 1945. É um lugar silencioso, climatizado e digno para uma reflexão profunda; também há vídeos com depoimentos de sobreviventes e legendas em inglês.
💡 Dica: se o museu principal estiver impossível de tão lotado ao meio-dia, vá primeiro ao Salão em Memória das Vítimas, no subsolo. Meia hora em silêncio muitas vezes oferece mais do que uma hora de estresse espremido diante das vitrines.

5. Orizuru Tower
Inaugurada em 2016, bem ao lado das ruínas do Domo da Bomba Atômica, a Orizuru Tower oferece a melhor vista panorâmica do memorial. O ingresso custa 2.200 ienes (cerca de R$ 510), valor que muitos viajantes consideram um pouco salgado em fóruns de discussão. Por outro lado, com o ingresso você pode voltar ao edifício gratuitamente quantas vezes quiser no mesmo dia, por exemplo para ver o pôr do sol no fim da tarde.
No terraço fica o Hiroshima Hill, um belo mirante de madeira com vista para todo o Parque da Paz. Em dias de boa visibilidade, dá até para avistar a ilha de Miyajima. Para descer, em vez de pegar o elevador, você pode seguir pela longa rampa em espiral.
A principal atração, porém, é a enorme parede de vidro Orizuru Wall, onde os visitantes podem depositar seus próprios tsurus de papel, por 100 ienes. Entre 29 de setembro e 2 de outubro de 2026, a parede será esvaziada pela primeira vez, e cerca de 1,3 milhão de tsurus serão retirados. A partir de 2 de outubro, ela começará a ser preenchida novamente, do zero.
💡 Dica: dobre um tsuru lá em cima, com vista para a cidade, e depois coloque-o na parede de vidro. Quem visitar em outubro de 2026 poderá ver a parede começar a se encher outra vez.

6. Hondōri, Gate Park e uma padaria histórica
Quando você quiser arejar a cabeça depois de visitar memoriais tão intensos, basta caminhar algumas quadras até a galeria comercial coberta de Hondōri. Ela tem pouco menos de 600 metros de extensão e é o principal ponto da cidade para compras, cafés e o dia a dia dos moradores. As lojas geralmente abrem entre 10h e 11h, e o movimento continua até a noite.
Durante o passeio, não deixe de conhecer a padaria Andersen. O belo edifício de 1925 abrigava originalmente um banco e ficava a apenas 360 metros do hipocentro da explosão. Sobreviveu ao bombardeio, passou por uma ampla reforma em 2020 e ainda preserva parte da alvenaria original em sua fachada. Hoje, você encontra lá dentro pães e outros produtos fresquinhos deliciosos.
Do outro lado da rua, em frente ao Domo da Bomba Atômica, foi inaugurado recentemente o novíssimo Hiroshima Gate Park. Ele foi construído no antigo terreno de um estádio de beisebol e conta com gramado, bancos e pavilhões com lojas e cafés. Os moradores vêm para descansar e, ao longo do ano, também acontecem vários festivais gastronômicos, tornando o parque ideal para uma pausa à tarde.
💡 Dica: se você for pego por uma chuva forte e inesperada, desça até a rede comercial subterrânea Kamiyachō Shareo. Assim, dá para atravessar uma parte do centro sem se molhar.

7. Okonomimura e o okonomiyaki de Hiroshima
Uma das grandes especialidades gastronômicas locais é o okonomiyaki, uma espécie de panqueca salgada preparada em Hiroshima de um jeito bem particular, em camadas. Diferentemente de Osaka, aqui os ingredientes não são misturados: o cozinheiro monta diante de você camadas cuidadosas de massa, um montão de repolho, brotos, fatias de carne de porco, macarrão e ovo. A maior concentração de restaurantes fica no edifício Okonomimura, onde mais de vinte pequenos balcões perfumados com molho se espremem por três andares.
Mas há uma armadilha importante para vegetarianos, e muitos sites em inglês dão informações erradas sobre o assunto. O molho marrom Otafuku tradicional contém extrato de ostra e carne (a versão vegana é vendida apenas para exportação), e o caldo dashi de peixe costuma ser usado na massa ou no macarrão. Portanto, mesmo que você peça o prato sem a fatia típica de carne de porco, ele ainda não será vegetariano.
Uma boa alternativa é o popular restaurante Nagataya, perto do Domo, que oferece okonomiyaki vegano por cerca de 950 a 1.780 ienes. Fecha todas as terças-feiras e na segunda e quarta quartas-feiras do mês. À noite, você pode ir ao pequeno restaurante Jirokichi, com 13 opções veganas; como há apenas 16 lugares, é preciso reservar. Outra alternativa é pedir uma versão vegetariana no balcão ROKU, dentro do próprio Okonomimura.
💡 Dica: costuma haver filas de até uma hora no famoso Nagataya. Chegue antes da abertura, às 11h da manhã, para entrar na fila. À noite, muitas vezes já não aceitam mais gente depois das 19h30.

8. Castelo de Hiroshima
O castelo foi fundado em 1589 por Mōri Terumoto, e sua torre original foi destruída pela bomba, pois ficava a apenas cerca de um quilômetro do hipocentro. Em 1958, uma réplica de concreto da torre principal foi construída no local, mas ela deixou de atender às rigorosas normas japonesas de segurança contra terremotos. Por isso, fique atento: a torre principal do castelo está permanentemente fechada desde 22 de março de 2026. As informações encontradas em alguns blogs sobre a entrada de 370 ienes na torre já não valem.
Isso não significa, de jeito nenhum, que você deva tirar o castelo do roteiro. Todo o amplo complexo do castelo pode ser visitado gratuitamente e oferece um passeio agradável entre as antigas fundações e as árvores que sobreviveram à tragédia. Você também pode conhecer as impressionantes ruínas do antigo quartel-general imperial, do fim do século XIX, e o belo santuário Gokoku.
O portão de entrada e as pequenas torres de guarda de madeira de Ninomaru também são gratuitos. Elas são réplicas de madeira construídas em 1994. Se quiser um passeio romântico, aos fins de semana você pode pagar 1.000 ienes (1.300 ienes da metade de setembro ao fim de novembro de 2026) para navegar pelo fosso em um barco panorâmico. As peças históricas da torre fechada estão sendo transferidas gradualmente para um novo museu, cuja abertura está prevista para 2027.
💡 Dica: Mesmo com a torre fechada, você consegue tirar sem dificuldade uma foto do castelo refletido na água do fosso. Mas, se procura uma vista da cidade do alto, é melhor ir à Orizuru Tower.

9. Jardim Shukkeien e Museu de Arte da Prefeitura
A poucos minutos a pé do castelo, você encontra um refúgio tranquilo que contrasta com a agitação da cidade. O Jardim Shukkeien data de 1620 e foi planejado para reproduzir paisagens em miniatura: pedras, lagos e pontes imitam montanhas e vales de verdade. Depois da explosão de 1945, os feridos da região fugiram para cá.
Hoje, é um dos lugares mais fotogênicos da província. Um detalhe curioso: é aqui que fica a árvore de referência dos meteorologistas japoneses, usada para anunciar oficialmente o início da floração das cerejeiras em toda Hiroshima. No outono, o jardim também recebe belas iluminações noturnas dos bordos vermelhos. A entrada custa apenas 350 ienes, e menos de uma hora é suficiente para conhecer o local.
Logo ao lado fica o Hiroshima Prefectural Art Museum, onde você pode comprar um ingresso combinado com bom custo-benefício por 660 ienes. Lá dentro há uma ampla coleção permanente de arte japonesa e internacional. Às sextas-feiras, o museu costuma funcionar até as sete da noite, e do segundo andar se tem uma vista singular diretamente para as copas das árvores do jardim histórico.
💡 Dica: Compre logo o ingresso combinado e comece pelas obras. Do segundo andar do museu, você verá o jardim de cima e poderá decidir para onde ir quando estiver lá.

10. Museu de Arte de Hiroshima
Durante um passeio pelo Parque Chūō, entre o castelo e o centro, você vai encontrar um edifício circular muito diferente, rodeado de verde. Construído no fim da década de 1970, seu formato redondo faz referência ao Domo da Bomba Atômica. O museu é dedicado principalmente à arte moderna francesa e abriga uma coleção de pinturas rica e valiosa para os padrões japoneses.
Nas paredes estão expostas obras originais de impressionistas e grandes nomes como Monet, Renoir, Cézanne, van Gogh e Picasso. O ingresso regular costuma custar cerca de 1.500 ienes, mas o preço varia de acordo com a exposição em cartaz. No outono de 2026, por exemplo, a partir de 3 de outubro, o museu recebe uma grande exposição sobre a cultura dos cafés entre os impressionistas, com ingressos a 2.200 ienes.
O museu abre das nove da manhã às cinco da tarde e normalmente fecha às segundas-feiras, exceto quando há alguma exposição de grande porte. Apresentando um ingresso de outro museu de arte da cidade, você ganha um desconto de 200 ienes. O espaço não é muito grande, então dá para visitar a exposição sem se cansar demais.
💡 Dica: O castelo, o Jardim Shukkeien e este museu de arte ficam a até vinte minutos de caminhada uns dos outros. Assim, você pode conhecer os três em uma manhã tranquila, longe das maiores multidões do Parque da Paz.

11. MOCA e monte Hijiyama
Quem gosta de arquitetura moderna pode pegar o bonde número 5 até a base do monte Hijiyama, coberto de árvores. Depois de uma caminhada de cerca de dez minutos morro acima, você chega ao edifício do Hiroshima MOCA, o primeiro museu público de arte contemporânea inaugurado no Japão. O projeto é do lendário arquiteto Kishō Kurokawa, e o prédio passou recentemente por uma reforma completa e cuidadosa.
O ingresso para a coleção permanente custa apenas 350 ienes, e a entrada é totalmente gratuita todo terceiro domingo do mês. No interior, há uma programação variada de instalações interessantes; até meados de outubro de 2026, acontece uma grande exposição do artista conceitual americano Mel Chin. O edifício fica escondido entre o verde do parque, então o caminho até lá também é um passeio agradável.
O próprio monte Hijiyama é um ótimo lugar para descansar e apreciar a vista da cidade e do porto. Há centenas de cerejeiras, bancos tranquilos e também uma biblioteca pública cheia de mangás, com entrada gratuita. Ela abre das cinco da manhã às onze da noite, e recebe bem menos turistas do que o centro.
💡 Dica: Na primavera, o monte Hijiyama é o lugar ideal para apreciar as cerejeiras em flor e escapar da multidão enorme do Parque da Paz. No verão, quando faz calor, a brisa por aqui também é muito agradável.

12. Museu Mazda
A cerca de cinco minutos de trem local da estação de Hiroshima fica a sede da famosa montadora Mazda, que oferece visitas ao seu enorme complexo. A entrada é totalmente gratuita, mas só é possível visitar com uma reserva online obrigatória, que você pode precisar fazer com até três meses de antecedência. Sem reserva, não dá para entrar.
Para visitantes que falam inglês, há apenas uma visita por dia, às 14h15, de segunda a sexta-feira (as visitas em japonês acontecem pela manhã). Um ônibus leva você do saguão da sede até o museu. Durante a visita, você verá uma enorme coleção de carros históricos, conhecerá detalhes sobre o desenvolvimento do motor rotativo e ainda terá como bônus uma vista da linha de montagem em funcionamento (ela pode parar durante as interrupções programadas da fábrica).
O museu é muito popular e recebeu seu visitante número dois milhões em 1º de setembro de 2026. Fique atento às datas: o espaço fecha de 26 de dezembro de 2026 a 5 de janeiro de 2027 e, depois, de 8 a 26 de fevereiro de 2027. As vagas disponíveis no site desaparecem muito rápido, então não deixe a reserva para a última hora.
💡 Dica: Assim que souber a data exata da sua estadia em Hiroshima, acesse imediatamente o site da Mazda e reserve seu lugar. As datas mais procuradas das visitas em inglês costumam esgotar semanas antes.

13. Passeio de bonde por Hiroshima
Os bondes de Hiroshima são conhecidos como “museu sobre trilhos”, porque, além dos modelos modernos, ainda circulam veículos históricos. Em agosto de 2025, o ponto final junto à estação foi transferido por um viaduto diretamente para o segundo andar do novo edifício Minamoa. É a primeira solução desse tipo no Japão.
Uma passagem comum custa 240 ienes em toda a rede, inclusive no longo trajeto até as balsas para a ilha. Desde julho de 2026, uma nova regra exige que você encoste o cartão IC de transporte no leitor duas vezes: ao embarcar e novamente ao desembarcar. Também é possível comprar um passe diário por 700 ienes ou o popular Tabi Pass.
A experiência mais marcante, porém, é andar no bonde histórico número 653, de 1942, que sobreviveu à explosão da bomba em 6 de agosto de 1945. De 2 de agosto a 31 de outubro de 2026, em alguns fins de semana e feriados, ele fará passeios panorâmicos chamados “Peace Loop 653”, com guias vestidos com uniformes de época. O bilhete custa 3.500 ienes e inclui um passe de transporte válido por dois dias; durante o trajeto, imagens de arquivo são exibidas em tablets.
💡 Dica: Mesmo sem comprar o passeio panorâmico mais caro, basta esperar pela linha circular L, que costuma usar os bondes históricos, pelo preço normal de 240 ienes.

14. Mitaki-dera
Se você está procurando uma escapada perfeita em meio à natureza, pegue o trem da linha Kabe e desça algumas estações depois, em Mitaki. Após uma subida de cerca de vinte minutos, você chegará a um belo templo budista que passa despercebido pela maioria dos turistas. Todo o complexo fica em uma floresta densa, e seu nome faz referência às três cachoeiras naturais que o atravessam.
Dezenas de pequenas estátuas cobertas de musgo acompanham os caminhos, que são dominados por um pagode de madeira de dois andares. Ele foi trazido especialmente da província de Wakayama em 1951 como memorial a todas as vítimas da bomba atômica. Aliás, todos os anos, em 6 de agosto, a água das cachoeiras sagradas locais é oferecida em uma cerimônia no principal memorial do Parque da Paz.
Até onde se sabe, não há uma taxa fixa de entrada, mas reserve uma pequena contribuição para a manutenção, de cerca de 200 ienes. O complexo fica aberto aproximadamente das oito da manhã às cinco da tarde e, especialmente na segunda metade de novembro, quando as árvores momiji ficam de um vermelho vibrante, é um dos cenários de outono mais bonitos da cidade.
💡 Dica: As escadas de pedra ao lado das cachoeiras são muito íngremes e ficam perigosamente escorregadias depois da chuva. Não venha de sandálias: use calçados resistentes para não estragar a viagem.

15. Fudōin e Tōshōgū
Poucas construções históricas sobreviveram à devastação do fim da guerra, mas o templo Fudōin teve muita sorte. Ele ficava a cerca de quatro quilômetros do hipocentro, e seu salão principal, o Kondō, resistiu à onda de choque. Hoje, esse magnífico edifício de madeira, construído em 1540, é a única construção de Hiroshima reconhecida como Tesouro Nacional. A entrada é gratuita, e você pode chegar até lá pelo metrô leve Astram.
Já o complexo Hiroshima Tōshōgū fica bem perto da estação central, a cerca de oito minutos a pé da saída norte. Logo atrás do santuário começa uma trilha pela floresta até o monte Futabayama. A subida não é difícil; conte com cerca de uma hora e meia para ir e voltar da estação.
A trilha leva ao topo do monte Futabayama, a pouco menos de 140 metros de altitude. Lá fica o Pagode da Paz e, principalmente, uma vista panorâmica impressionante de toda Hiroshima até o mar. É um lugar fantástico para visitar bem cedo ou pouco antes do pôr do sol.
💡 Dica: Deixe a caminhada até o monte Futabayama para a última noite da sua estadia, quando estiver hospedado em um hotel perto da estação. Você poderá apreciar o pôr do sol sobre a baía sem gastar um único iene.

16. Miyajima: santuário Itsukushima e torii no mar
A ilha de Miyajima, acessível a partir de Hiroshima de trem até Miyajimaguchi e, depois, em uma travessia de balsa de dez minutos, é um dos melhores destinos do Japão. Seu principal símbolo é um enorme portão torii vermelho, que pesa sessenta toneladas e se mantém no mar apenas com o próprio peso. O santuário Itsukushima foi construído sobre estacas de madeira acima da água; a entrada custa 300 ienes e o pagamento é aceito somente em dinheiro.
A ilha recebe visitantes em números recordes, mas em 2026 você terá de lidar com algumas grandes obras. O pagode de madeira de cinco andares, do século XV, está cercado por andaimes densos, e a reforma deve durar pelo menos até o fim de 2026; de acordo com o cronograma do santuário, pode se estender até novembro de 2027. Além disso, o aquário local ficará totalmente fechado durante o inverno, de dezembro até o fim de março.
O encanto do torii está na variação das marés. O santuário parece flutuar quando o nível da água passa de 250 centímetros, enquanto, quando a maré baixa para menos de 100 centímetros, você consegue caminhar até a base do portão. Os horários das marés mudam todos os dias em quase uma hora, então consulte com antecedência as tabelas no site oficial da ilha.
💡 Dica: O ideal é escolher um dia em que, pela manhã, o nível da água esteja abaixo de 100 centímetros, permitindo caminhar pela areia, e à tarde suba para mais de 250 centímetros, para você conseguir a foto perfeita do santuário sobre a água.

17. Miyajima: monte Misen e templo Daishō-in
O ponto mais alto da ilha é o monte Misen, com 535 metros de altura. O teleférico leva você até lá por 2.000 ienes (cerca de R$ 465) pela passagem de ida e volta. O trajeto oferece vistas fantásticas, mas fique atento: em algumas datas, principalmente nos fins de semana de novembro de 2026, é obrigatório reservar os bilhetes online com antecedência. Sem reserva, você pode enfrentar filas de até duas horas. Da estação superior, ainda são mais trinta minutos de caminhada até o cume.
Durante a subida, você vai encontrar uma notícia triste: o salão Reikadō, abaixo do cume, foi completamente destruído por um incêndio em maio de 2026. Era lá que ardia a chama sagrada e eterna, usada para preparar chá para os peregrinos. O fogo foi salvo e transferido, mas o prédio só deverá ser reconstruído no outono de 2027.
Se você gosta de templos e não se importa com um pouco de esforço físico, não precisa fazer os dois trechos de teleférico. No sopé da montanha fica o templo Daishō-in, com entrada gratuita e centenas de pequenas estátuas usando gorros de tricô. Viajantes experientes no fórum Reddit recomendam subir a pé a partir do templo e descer de teleférico para descansar.
💡 Dica: Quem chega à estação inferior do teleférico pontualmente às nove da manhã enfrenta uma fila de quinze minutos. Se você aparecer às dez e meia, pode esperar tranquilamente mais de uma hora. Vale a pena acordar cedo.

18. Miyajima: Omotesandō, cervos e momiji manjū
A partir do porto, a movimentada rua comercial Omotesandō reúne diversas especialidades locais para você provar. No centro etto Miyajima Kōryūkan, também está exposta uma enorme colher de madeira para arroz, com quase oito metros de comprimento e mais de duas toneladas. Centenas de cervos selvagens dividem a ilha com os visitantes. Eles são bem atrevidos, não podem ser alimentados de jeito nenhum e devoram sem hesitar mapas de papel ou passagens.
O doce mais famoso é o momiji manjū, um bolinho em formato de folha de bordo. A massa, porém, leva leite e ovos, então não é uma opção para veganos, mas é uma ótima lembrança para vegetarianos (experimente também a versão frita, age-momiji). Deixe as famosas ostras locais e o arroz com enguia (anago-meshi) para quem come carne e prefira os restaurantes veganos.
O restaurante Kiyomori Chaya serve um excelente curry katsu vegano; no parque Momijidani, você encontra udon sem carne; e o Hexagon Cafe prepara um ótimo lámen vegano. As lojas e os restaurantes tradicionais costumam fechar por volta das cinco da tarde, e depois disso as ruas ficam quase magicamente tranquilas.
💡 Dica: Antes das dez da manhã, a maior parte da ilha ainda está fechada. Se você pegar a balsa cedo, compre o café da manhã e o café em uma máquina automática ou em uma loja de conveniência no continente, antes de embarcar.

19. Onomichi e Shimanami Kaidō
A cerca de uma hora e meia de trem local de Hiroshima (ou cinquenta minutos combinando com o shinkansen) fica a encantadora cidade portuária de Onomichi. Ela é conhecida pelos templos espalhados por encostas íngremes e pelas ruelas estreitas e sinuosas. Por 500 ienes, você pode subir de teleférico até o templo Senkō-ji; depois, desça pela Trilha da Literatura e aproveite para fazer um desvio até a Rua dos Gatos, com seus desenhos de felinos.
Mas a cidade é, sobretudo, o ponto de partida da famosa ciclovia Shimanami Kaidō. O percurso de setenta quilômetros atravessa seis ilhas e sete enormes pontes suspensas bem acima do mar. Perto da estação há uma ótima loja de aluguel de bicicletas, onde você encontra uma bicicleta de trekking por 3.000 ienes por dia ou uma elétrica por 4.000 ienes.
Para quem pedala, há uma ótima notícia: o pedágio de todas as pontes está suspenso até a primavera de 2028. Dá para completar o percurso em um único dia longo, mas prepare-se para terminar com as pernas doloridas. No litoral, você pode passar a noite no charmoso hotel ONOMICHI U2, um hotel para ciclistas instalado em um antigo armazém de 1943.
💡 Dica: Não dá para fazer em um dia, saindo de Hiroshima, o longo percurso de bicicleta e ainda conhecer a própria cidade de Onomichi. O melhor é reservar uma noite por lá e sair de manhã descansado para cruzar as pontes.

20. Iwakuni
Ao embarcar em um ônibus ou trem direto rumo ao oeste, na direção da vizinha província de Yamaguchi, você chega à cidade de Iwakuni. Sua principal atração é a ponte de madeira Kintaikyō, formada por cinco arcos perfeitos e com pouco menos de 200 metros de comprimento no total. A ponte foi construída pela primeira vez em 1673, reconstruída após um tufão em 1950 e teve a madeira substituída pela última vez entre 2001 e 2004.
Desde 1º de setembro de 2026, a entrada na ponte custa 500 ienes (antes eram apenas 310), e o passe combinado que inclui a ponte, o teleférico próximo e o castelo subiu para 1.550 ienes. No alto da colina sobre o rio fica uma réplica de concreto do castelo original; abaixo dela, você pode visitar uma exposição sobre as cobras brancas, protegidas como monumento natural.
A especialidade culinária local é a raiz de lótus, chamada renkon, uma ótima opção para vegetarianos experimentarem. Já o popular sushi prensado (Iwakuni-zushi) leva bastante peixe, então, se você é vegetariano, passe longe. De Hiroshima, o trem JR até lá custa 770 ienes e leva cerca de 49 minutos; depois, é preciso pegar um ônibus até a ponte. Também há um ônibus direto saindo do Bus Center por 950 ienes, aceito pelo Tabi Pass na versão Middle Area.
💡 Dica: o ideal é planejar a visita para a primavera, pois a ponte é um dos lugares mais famosos do Japão para ver as cerejeiras em flor. No dia 29 de abril, também acontece o festival Kintaikyō Matsuri.

21. Kure
Uma viagem de meia hora no trem expresso a partir de Hiroshima leva você a Kure, cidade que durante décadas foi um dos portos militares mais importantes do país. A principal atração é o enorme Museu Marítimo Yamato. O prédio ficou totalmente fechado por mais de um ano para uma grande reforma e reabriu oficialmente ao público em abril de 2026, com a entrada dobrando de preço para 1.000 ienes (cerca de R$ 31).
O grande destaque no interior é o modelo detalhado do lendário encouraçado Yamato em escala 1:10, com mais de 26 metros de comprimento. Logo ao lado fica o museu da JMSDF, fácil de reconhecer à primeira vista: em frente está o submarino desativado Akishio, que você pode explorar por dentro, gratuitamente, apesar dos espaços apertados.
Em Kure, todo mundo adora o prato naval “navy curry”, ainda servido nos navios militares, mas ele não é adequado para vegetarianos porque leva carne. A cidade tem uma atmosfera industrial bem particular, e os museus ficam a cerca de cinco minutos a pé da estação ferroviária.
💡 Dica: os dois grandes museus navais fecham regularmente às terças-feiras. Por isso, prefira planejar o passeio para a segunda metade da semana, para não dar de cara com as portas fechadas.

22. Saijō e saquê
Se você tem interesse nas bebidas alcoólicas tradicionais do Japão, não pode deixar de conhecer a cidadezinha de Saijō. A cerca de 40 minutos de trem local de Hiroshima, ela é considerada um dos centros mais importantes de produção de saquê de todo o Japão. Perto da estação, há sete cervejarias em um raio de aproximadamente um quilômetro, o que faz do lugar perfeito para explorar a pé.
A mais antiga é a Hakubotan, fundada em 1675. A Kamotsuru também tem uma loja por ali; foi o saquê Tokusei Gold da marca que o primeiro-ministro Abe serviu ao presidente Obama em 2014. As degustações são, naturalmente, totalmente vegetarianas. Só evite o tradicional ensopado local bishu-nabe, preparado com carne.
A maior agitação acontece no outono, durante o famoso festival Sake Matsuri. Em 2026, o evento de fim de semana será nos dias 10 e 11 de outubro: as ruas ficam cheias de barracas, com mil tipos diferentes de saquê de todo o país para provar, e a cidade lota. Reserve a hospedagem na região com bastante antecedência para esse fim de semana.
💡 Dica: dá para visitar as cervejarias tranquilamente durante uma tarde sem pressa. Mas, se você for durante o festival de outubro, prepare-se para encontrar multidões enormes, animadas e um tanto alegres.
Para onde ir a partir de Hiroshima
Hiroshima é um ótimo ponto de partida para outros passeios. Se você procura natureza selvagem, pegue um ônibus até o belíssimo desfiladeiro de Sandankyō. Antes de ir, confira se há trechos fechados (por exemplo, o trecho entre Kurobuchi e Mizunashi ficará interditado até o fim de setembro de 2026) e leve em conta que há apenas duas partidas de ônibus à tarde para voltar. Quem gosta de animais pode visitar a ilha de Okunoshima, onde coelhos vivem soltos, mas a província considera introduzir em breve uma taxa turística por causa do lixo deixado no local. Para conhecer lugares históricos, vá ao porto de Tomonoura ou a Takehara, apelidada de “pequena Kyoto”. Se quiser seguir para outra grande ilha japonesa, uma lancha rápida parte do porto local e chega à cidade de Matsuyama, em Shikoku, em 70 minutos.
Os fãs de esportes também têm muito o que aproveitar: em 2024, a cidade inaugurou o moderno estádio de futebol Edion Peace Wing, e você pode comprar pelo Klook ingressos para ver o time de beisebol Carp. Hiroshima também é uma ótima base para chegar rapidamente a outras grandes cidades. Leia mais sobre destinos incríveis em nosso artigo Japão: 21 dicas de onde ir e o que ver.
Mais inspiração:
- Kyoto (1h40 de trem-bala)
- Osaka (1h25 de trem-bala com o Kansai-Hiroshima Pass)
- Tóquio (quatro horas de trem-bala)
- Quando ir ao Japão
- Primeira viagem ao Japão: JR Pass, preços e dicas práticas
Perguntas frequentes
Quantos dias eu preciso para Hiroshima?
O ideal são pelo menos duas noites. Um dia inteiro você dedica ao centro (Parque da Paz, museu, castelo e jardim Shukkeien), no segundo dia você sai bem cedo para a ilha de Miyajima. Se você adicionar um terceiro dia, consegue visitar também a ponte em Iwakuni, a ciclovia em Onomichi ou o submarino em Kure. Um bate-volta de Osaka consegue apenas o parque e o museu, Hiroshima e Miyajima em um dia só é muita correria.
Quanto custam as entradas em 2026?
Em 2026 você paga pelo Museu da Paz 200 ienes (o audioguia custa mais 500), enquanto o Domo da Bomba Atômica e o Memorial Nacional subterrâneo das Vítimas são totalmente gratuitos. Para os mirantes, conte com 2.200 ienes pela Orizuru Tower, para o jardim Shukkeien você paga 350 ienes (o combo com o museu de arte sai por 660) e para o Museum of Art você paga de 1.000 a 2.200 ienes dependendo da exposição atual. O Mazda Museum é gratuito, mas apenas com reserva antecipada. Na ilha de Miyajima, prepare 300 ienes em dinheiro para o santuário Itsukushima e 2.000 ienes para o teleférico, sendo que a própria balsa custa 200 mais 100 ienes de taxa da ilha. A ponte de madeira Kintaikyō a partir de setembro de 2026 sai por 500 ienes e o reformado Yamato Museum por exatos 1.000 ienes.
Preciso reservar o museu da paz?
Normalmente para o dia inteiro ainda não é necessário, mas o ingresso online é obrigatório para a primeira hora da manhã (das 7h30 às 8h30) e para os últimos noventa minutos antes do fechamento. Durante o feriado de Obon em agosto de 2026 já funcionou apenas com reservas e a cidade está seriamente considerando sua implementação durante o ano todo junto com um ingresso mais caro. A maior tranquilidade para a visita costuma ser terça ou quinta-feira, geralmente logo pela manhã ou então duas horas antes do fechamento à noite.
O castelo de Hiroshima está aberto?
O próprio terreno do castelo, os portões de guarda Ninomaru da entrada e o passeio de barco panorâmico pelo fosso funcionam normalmente e você pode visitar. A torre principal de concreto está permanentemente fechada desde 22 de março de 2026 por problemas estruturais e infelizmente você não consegue mais entrar nela. As peças históricas estão sendo transferidas e mudadas para o novíssimo museu Sannomaru, que abre em 2027.
Quando ver o torii de Miyajima “flutuando”?
Depende da maré alta e baixa, sendo que o santuário opticamente flutua na água quando o nível está acima de 250 centímetros. Se você quiser pisar sob o portal com o pé seco direto na areia, precisa esperar a maré baixa com nível abaixo de 100 centímetros. Os horários mudam aproximadamente cinquenta minutos por dia, então sempre confira as tabelas no site oficial miyajima.or.jp. Considere também que o pagode de cinco andares está em andaimes e o salão Reikadō no monte Misen está sendo restaurado após um incêndio.
Como chegar do aeroporto e de Osaka ou Kyoto?
Do aeroporto sai um ônibus direto para a estação por 1.500 ienes e a viagem leva cerca de cinquenta minutos. Se você for de trem-bala Nozomi, a viagem de Shin-Osaka leva uma hora e vinte e cinco minutos e custa 10.950 ienes, enquanto de Kyoto você viaja uma hora e quarenta minutos por 11.940 ienes. Por isso vale muito a pena comprar o Kansai-Hiroshima Area Pass de cinco dias por 17.000 ienes, que cobre a ida e a volta, e ainda inclui a balsa JR para a ilha (a taxa de Miyajima de 100 ienes você paga à parte). Pela própria cidade circulam bondes por 240 ienes fixos.
Hiroshima é adequada para vegetarianos?
Com um pouco de planejamento com certeza sim. Em vez dos restaurantes tradicionais, vá no okonomiyaki vegano do Nagataya ou Jirokichi, ou então experimente o restaurante totalmente vegano JoGeSaYu, o chinês Keiai ou o Taiko Udon com caldo sem carne. Em Miyajima você se salva com o excelente katsu curry no Kiyomori Chaya e a cafeteria Momiji-sō. Mas tenha muito cuidado com o molho comum Otafuku, que contém extrato de ostra e carne, e não esqueça que os docinhos momiji manjū são feitos com leite e ovos.
Informações práticas
Viajantes brasileiros precisam de visto para visitar o Japão como turistas. Antes de viajar, consulte as exigências mais recentes junto às autoridades japonesas. Poucos dias antes do voo, preencha o formulário eletrônico no portal Visit Japan Web para obter QR codes e agilizar a passagem pela imigração e pela alfândega. O Japão aprovou um sistema semelhante ao americano, chamado JESTA, mas a previsão é que ele entre em vigor apenas durante o ano fiscal de 2028; portanto, nada muda para viagens em 2026 e 2027. Confira mais detalhes em nosso artigo Primeira viagem ao Japão: JR Pass, preços e dicas práticas.
Ao planejar o orçamento, considere que 100 ienes equivalem a cerca de R$ 3,20. O Japão vem acrescentando novas taxas aos poucos, e o preço da passagem aérea já inclui a taxa de saída de 3.000 ienes, implantada em julho de 2026. Uma grande mudança para quem gosta de fazer compras começa em 1º de novembro de 2026, quando o sistema de compras tax free será alterado. Nas lojas, você pagará o preço integral com imposto, que será reembolsado apenas no controle alfandegário do aeroporto (guarde os recibos e conte com filas). Desde a primavera, a província também cobra uma taxa de hospedagem de 200 ienes por pessoa, por noite.
Embora o pagamento com cartão esteja se difundindo rapidamente, dinheiro em espécie ainda é indispensável na ilha de Miyajima, em barracas mais antigas de Okonomimura e para comprar lanternas para a cerimônia noturna em memória das vítimas. Você encontra caixas eletrônicos com facilidade nas lojas 7-Eleven e nos correios. Para o transporte, o mais prático é usar um cartão IC recarregável, como ICOCA ou Suica, que pode ser adicionado diretamente à Apple Wallet. E lembre-se: no Japão, não se dá gorjeta; na verdade, isso pode até ofender os moradores.
As tomadas são do tipo A, padrão americano, com dois pinos chatos (a rede elétrica é de 100 V e, em Hiroshima, 60 Hz), então você vai precisar de um adaptador de viagem. A água da torneira é potável em todo o país. Se você tem tatuagens e quer conhecer um onsen, os tradicionais banhos termais, saiba que muitas vezes a entrada não é permitida. Você conseguirá se comunicar em inglês nas estações, nos hotéis e nos museus; em outros lugares, o tradutor do celular pode salvar a situação. Não há voos diretos de São Paulo para o Japão. A forma mais prática de chegar a Hiroshima é fazer conexão em Seul, Tóquio ou Osaka; a viagem leva cerca de 13 a 16 horas.





