Primeira vez no Japão: JR Pass, preços e dicas práticas para 2026

O Japão é um país absolutamente fascinante, que te envolve na hora com seus contrastes, mas que também consegue dar bastante trabalho ao viajante despreparado. Se você está indo pela primeira vez à terra do sol nascente, provavelmente está com a cabeça cheia de perguntas sem resposta sobre o transporte complicado, o funcionamento do dinheiro e os rígidos costumes locais. A boa notícia é que, graças ao câmbio atualmente muito favorável do iene japonês, viajar pelo Japão está bem mais acessível do que nos anos anteriores. Então vamos ver juntos tudo o que é essencial saber antes de embarcar, para que você aproveite as férias sem estresse desnecessário e evite erros caros de principiante.

Resumo

  • O JR Pass ficou muito mais caro e na maioria das vezes não compensa. Por um passe de 7 dias você paga em 2026 exatos 50.000 JPY (cerca de 300 €), então para o clássico trajeto Tóquio, Kyoto e volta sai mais barato comprar bilhetes avulsos.
  • A lei do JESTA ainda não precisa te preocupar. Embora se fale muito da nova autorização eletrônica, o sistema só entrará em vigor no ano fiscal de 2028, e até lá você viaja sem visto apenas com o passaporte.
  • Digitalize sua carteira pelo Apple Wallet. Se você tem iPhone, baixe nele o cartão virtual Suica, com o qual vai pagar aproximando o celular no metrô e em pequenas lojas, sem precisar nem desbloquear a tela.
  • Bagagens grandes no trem precisam de reserva. Se sua mala ultrapassa 160 cm na soma dos lados, você precisa reservar antecipadamente (de graça) um assento especial com espaço para bagagem nos trens-bala shinkansen, senão arrisca uma multa chata.
  • O dinheiro em espécie ainda é rei no interior. Mesmo que a situação nas cidades tenha melhorado muito depois da pandemia, para visitar templos menores ou vilarejos mais afastados tenha sempre pelo menos 10.000 JPY em cédulas.
  • Nunca, em lugar nenhum, deixe gorjeta. Na cultura japonesa dar gorjeta é visto como ofensivo, e o atendente provavelmente correria atrás de você na rua para devolver o dinheiro.
  • Baixe um dicionário e mapas offline. O inglês não vai te salvar fora dos principais centros turísticos e das grandes estações, então um tradutor com função de foto de texto será seu melhor amigo todos os dias.

12 coisas que você precisa saber antes de viajar ao Japão

Vamos dar uma olhada no mais importante que você deve saber antes da sua primeira visita ao Japão.

1. JR Pass: quanto custa e quando vale a pena

Até poucos anos atrás o Japan Rail Pass era uma necessidade absoluta para qualquer turista, mas no outono de 2023 houve um aumento enorme de quase 70 por cento. Atualmente, pela versão comum de 7 dias você paga 50.000 JPY (cerca de 300 €), pela variante de 14 dias 80.000 JPY, e o passe de três semanas sai por 100.000 JPY. Se você quiser um transporte mais luxuoso em primeira classe, ou seja, o Green Car, prepare-se para gastar 70.000 JPY na semana, o que já é um baita impacto no orçamento de viagem.

Para a maioria dos turistas comuns, portanto, esse passe nacional simplesmente não compensa. O ponto de equilíbrio para o passe de 7 dias só chega no momento em que você faz cerca de oito viagens mais longas de trem-bala durante uma única semana. Se você planeja só o popular trajeto básico de Tóquio para Kyoto, depois para Hiroshima e de volta a Tóquio, os bilhetes avulsos saem por cerca de 44.180 JPY, ou seja, comprando o passe você sairia perdendo. Além disso, o passe continua não valendo nos trens mais rápidos, Nozomi e Mizuho, sem um pagamento adicional salgado.

O JR Pass só faz sentido se você estiver planejando deslocamentos realmente frenéticos em longas distâncias. Pode ser útil para viajantes que querem, numa mesma semana, dar conta de Tóquio, Kyoto, Hiroshima, Kanazawa e ainda voltar, mas para uma exploração mais tranquila do país é muito mais sensato pagar cada viagem separadamente ou usar alternativas regionais menores.

💡 Dica: Embora no outono de 2026 deva ocorrer mais um ajuste de preços nos revendedores estrangeiros, o site oficial japanrailpass.net deve manter os preços atuais, por isso recomenda-se comprar o passe exclusivamente por ele e evitar intermediários.

2. Passes regionais de trem como alternativa mais inteligente

Quando o passe nacional não compensa, entram em cena os chamados passes regionais, oferecidos pelas diferentes divisões das ferrovias japonesas. Esses passes costumam ser uma salvação escondida para o seu orçamento, porque focam apenas em ilhas ou prefeituras específicas e o preço é incomparavelmente mais baixo. Se você, por exemplo, pretende explorar principalmente a região em torno de Tóquio e subir ao norte atrás de neve, o ideal para você será o JR East Pass para a região de Tohoku ou Nagano.

A oferta absolutamente mais vantajosa para turistas que vão para o oeste é atualmente o Kansai-Hiroshima Area Pass da JR West. Ele custa excelentes 17.000 JPY, vale cinco dias inteiros e cobre viagens ilimitadas entre Kyoto, Osaka, Himeji, Hiroshima e até mesmo o ferry para a sagrada ilha de Miyajima. Só a viagem de ida e volta de trem-bala de Osaka a Hiroshima costuma custar mais do que o próprio passe, então esse investimento se paga praticamente na hora.

Outra ótima opção é o Kansai Wide Area Pass, que começa por volta de 12.000 JPY e dá conta perfeitamente da exploração completa dos arredores de Osaka, Kyoto e Nara. Sempre recomendo ter à mão o aplicativo Google Maps, simular os deslocamentos planejados na aba de transporte público e simplesmente somar quanto custariam os bilhetes normais em comparação com o preço do passe regional escolhido.

💡 Dica: Os passes regionais geralmente podem ser adquiridos diretamente nas grandes estações, mas comprando online com antecedência nos sites oficiais das operadoras você costuma ganhar um pequeno desconto e economiza o tempo perdido nas filas.

3. Cartões IC Suica e Pasmo: pagar aproximando o celular

No Japão você vai se deparar com o sistema de cartões-chip recarregáveis chamados cartões IC, sendo os mais conhecidos o Suica, o Pasmo ou o Icoca. Esses cartões surgiram originalmente para pagar a passagem no metrô e nos trens suburbanos, mas hoje funcionam como uma carteira eletrônica universal, com a qual você paga em supermercados, máquinas de bebidas e em alguns restaurantes por todo o país, independentemente da cidade em que o comprou.

A grande virada de jogo para 2026 é a possibilidade de adicionar o cartão Suica diretamente ao Apple Wallet do seu iPhone. Todo o processo leva alguns segundos, você recarrega o cartão com seu cartão de crédito brasileiro pelo Apple Pay e, graças à função Express Mode, basta aproximar o celular apagado das catracas do metrô. É incrivelmente prático e resolve com elegância o problema da falta de cartões-chip físicos, que vem afetando o Japão nos últimos anos por causa da escassez mundial de semicondutores.

Se você usa um celular Android ou simplesmente prefere um cartãozinho físico, pode adquirir nos aeroportos a versão turística especial Welcome Suica. Ela não exige nenhum depósito inicial, tem um lindo design com flores de cerejeira e vale exatamente 28 dias a partir da ativação, o que é mais que suficiente para a maioria das viagens. Mas lembre-se de que com nenhum cartão IC é possível pegar os trens-bala shinkansen de longa distância entre regiões diferentes; eles servem exclusivamente para o transporte local e suburbano.

💡 Dica: Tente adicionar o cartão Suica ao iPhone ainda antes de embarcar, no Brasil, pois às vezes a recarga com cartões Visa dá uma travadinha, enquanto com cartões Mastercard as transações costumam ocorrer sem nenhum problema.

4. Shinkansen: reservas de assento e regras rígidas para bagagem

A viagem no trem-bala japonês, o shinkansen, é uma experiência incrível, mas tem suas regras específicas. As reservas de assento na maioria dos trens podem ser feitas totalmente de graça com um mês de antecedência pelo aplicativo oficial smartEX, no site ou diretamente na estação, nas máquinas de autoatendimento. Embora os trens ofereçam também vagões sem reserva para quem decidir viajar de última hora, em época de feriados japoneses ou de alta temporada turística reservar um assento específico é uma necessidade absoluta.

A mudança mais importante dos últimos anos são as regras rígidas para viajar com bagagem grande. Se sua mala, na soma dos três lados (altura, largura, profundidade), mede entre 160 e 250 centímetros, você é obrigado a reservar, nas linhas mais movimentadas — Tokaido, Sanyo e Kyushu —, um assento especial na última fileira do vagão. Essa reserva é gratuita, mas há poucos lugares no trem e eles somem rápido. Se você embarcar com uma mala grande sem essa reserva especial, o funcionário aplica uma multa implacável de 1.000 JPY e leva sua mala para outro vagão.

Nos trens reina uma cultura perfeita de consideração e silêncio. Falar ao telefone nos assentos é um tabu absoluto: para conversas você deve sempre ir até a passagem entre os vagões. Por outro lado, comer nos trens é mais do que bem-vindo, e comprar a tradicional marmita de trem chamada ekiben, cheia de especialidades locais, é um ritual imprescindível de qualquer viagem mais longa. Então não esqueça de reservar um tempo na estação para escolher o lanche mais bonito.

💡 Dica: Enquanto espera o shinkansen, repare nas marcas no chão da plataforma que mostram exatamente onde ficarão as portas do seu vagão. As pessoas se organizam ali em filas exemplares e ninguém fura a fila.

5. Visto e o fantasma chamado JESTA

Para os cidadãos brasileiros, viajar ao Japão do ponto de vista burocrático é bem tranquilo, porque você não precisa de nenhum visto de turismo tradicional. É possível permanecer até 90 dias em regime de isenção de visto para turismo, bastando apenas um passaporte válido. A única condição é que o passaporte seja válido pelo menos durante todo o período planejado de permanência no país; você não precisa dos famosos seis meses de validade extra exigidos em alguns países asiáticos.

Ultimamente se fala muito na internet sobre o novo sistema de autorização eletrônica chamado JESTA, que deve funcionar de forma parecida com o ESTA americano. Essa lei foi aprovada recentemente, mas o governo japonês anunciou que planeja colocá-la em funcionamento não antes do ano fiscal de 2028. Isso significa que, para viagens em 2026 e 2027, essa novidade não precisa te preocupar em nada, e você voará ao Japão do jeito antigo, sem preencher formulários online.

Mas antes de embarcar, com certeza preencha o formulário online no portal Visit Japan Web. Ali serão gerados os QR codes para o controle de imigração e a declaração aduaneira, que depois no aeroporto de Tóquio ou Osaka você só precisa mostrar na tela do celular. Isso agiliza muito sua passagem pelo aeroporto e evita o preenchimento demorado dos cartõezinhos de papel no saguão de chegada depois de um voo longo.

💡 Dica: Mesmo que o sistema JESTA ainda seja coisa do futuro, os agentes de imigração podem pedir na guichê que você comprove hospedagem garantida para os primeiros dias e a passagem de volta, então tenha esses documentos impressos ou salvos offline no celular.

6. Dinheiro e caixas eletrônicos: o Japão ainda ama o dinheiro em espécie

Embora todos imaginemos o Japão como um país do futuro cheio de robôs, na questão do dinheiro o tempo parou por aqui e o dinheiro em espécie ainda é extremamente importante. Nas grandes cidades, hotéis modernos e redes de lojas você paga com cartão ou celular sem nenhum problema, mas assim que resolver entrar em pequenos restaurantes familiares, comprar ingressos para templos históricos ou explorar o interior, simplesmente não vai conseguir passar sem as cédulas.

Seu melhor amigo para sacar dinheiro serão os caixas eletrônicos da rede Seven Bank, que você encontra em cada unidade das lojas de conveniência 7-Eleven. Funcionam 24 horas por dia, têm um ótimo menu em inglês e aceitam sem problema a grande maioria dos cartões internacionais. O limite por saque costuma girar em torno de 100.000 JPY. Outra alternativa confiável são os caixas dos correios japoneses (JP Post Bank), onde o limite é de 50.000 JPY por transação.

A regra de ouro ao sacar num caixa ou pagar com cartão na maquininha é sempre escolher a cobrança na moeda local, ou seja, em ienes japoneses. Nunca aceite o serviço DCC (Dynamic Currency Conversion), que te oferece a conversão direto para reais, porque essa taxa de câmbio é péssima e você perderia dinheiro à toa em tarifas.

💡 Dica: Procure ter sempre, por precaução, uma reserva de cerca de 10.000 JPY em dinheiro; isso te salva naquelas situações em que você, do nada, cai num barzinho perdido incrível onde os cartões são teimosamente recusados.

7. Internet no celular: eSIM vs. Pocket Wi-Fi

Estar no Japão sem conexão à internet é como tentar se orientar num labirinto de olhos vendados. Contar com as redes Wi-Fi públicas em cafés ou estações é muito frustrante, porque muitas vezes exigem um cadastro complicado em japonês ou são incrivelmente lentas. Para quem viaja sozinho ou em casal, em 2026 a escolha certa é adquirir um cartão SIM eletrônico, o eSIM, que você baixa no celular ainda em casa e se ativa sozinho assim que você pousa. Serviços como o Holafly ou o Yesim resolvem isso em poucos minutos.

A vantagem do eSIM de provedores como Airalo, Holafly ou Ubigi é a enorme flexibilidade. Um pacote semanal com dados suficientes sai a partir de 4 a 15 dólares e, ao terminar a viagem, você não precisa devolver nada em lugar nenhum. Antes de comprar, você só precisa verificar se o seu smartphone suporta a tecnologia eSIM e se não está bloqueado por uma operadora específica, o que felizmente já é padrão nos aparelhos modernos.

Alugar a tradicional caixinha Pocket Wi-Fi, que antes reinava no mercado turístico, hoje só faz sentido para grupos maiores ou famílias de três ou mais pessoas. A caixinha cria um hotspot para todos, então os custos se diluem, mas você tem que aceitar que precisa carregá-la o tempo todo, levá-la na mochila e, ao final das férias, não esquecer de devolvê-la no aeroporto ou enviá-la pelo correio de volta à operadora.

💡 Dica: Se optar pelo eSIM, baixe-o no celular com calma em casa, num Wi-Fi rápido, e ative-o só no avião antes de pousar, para ter dados disponíveis logo ao desembarcar, para se guiar até o hotel.

8. Etiqueta, onsen e por que nunca dar gorjeta

A sociedade japonesa funciona com base em regras firmes de consideração, e como turistas você deve respeitá-las. A base de tudo é tirar os sapatos. Você vai tirar os sapatos praticamente em todo lugar, exceto hotéis modernos e lojas — ao entrar em templos, nas hospedagens tradicionais ryokan e muitas vezes até em restaurantes menores. Repare no degrau elevado junto à entrada, chamado genkan: é o sinal claro de que é hora de tirar os calçados. Preste atenção especial aos tatames, sobre os quais você não pode pisar nem de chinelo, apenas de meias limpas.

Visitar os banhos termais tradicionais, os onsen, também tem regras rígidas. Na água entra-se sempre sem roupa de banho, por isso homens e mulheres têm seções separadas. Antes mesmo de entrar na fonte quente, você precisa se lavar bem com sabão nos banquinhos da área do chuveiro. Nunca leve a toalha para dentro da água; os japoneses costumam dobrá-la e colocá-la sobre a cabeça, para não molhar. Se você tem tatuagem no corpo, na maioria dos banhos públicos nem te deixam entrar, então terá que procurar estabelecimentos tattoo-friendly ou alugar um banho privativo kashikiri.

Outro enorme choque cultural é o sistema de recompensas. No Japão nunca, em nenhuma circunstância, se dá gorjeta. Nem em restaurantes, nem no táxi, nem para as camareiras do hotel. Um bom serviço é considerado algo óbvio aqui, e a tentativa de gorjeta é vista como uma ofensa grave, pois sugere que o empregador paga mal aos seus funcionários.

💡 Dica: Regras igualmente rígidas valem também para um simples resfriado. Assoar o nariz em público é considerado extremamente indelicado; os locais preferem fungar sem parar ou ir ao banheiro.

9. Barreira linguística e como se comunicar

Prepare-se para o fato de que o nível de inglês no Japão é surpreendentemente baixo. Com exceção dos grandes centros ferroviários, hotéis premium e das atrações turísticas mais famosas em Tóquio ou Kyoto, você vai esbarrar numa forte barreira linguística. Os locais vão se esforçar ao máximo para te ajudar, mas muitas vezes tudo termina em sorrisos sem jeito e gestos intensos.

Sua principal arma de sobrevivência será o aplicativo Google Tradutor, especialmente a função de tradução por foto pela câmera. Com ele você vai escanear diariamente cardápios ilegíveis nos restaurantes, rótulos de alimentos nos supermercados ou os botões complicados do controle remoto do ar-condicionado do quarto de hotel. Não esqueça de baixar o dicionário de japonês no celular para uso offline, porque em restaurantes de subsolo o sinal de celular costuma cair.

Mesmo tendo a tecnologia à disposição, aprender algumas frases básicas vai abrir o coração dos moradores locais. A palavra mais importante de todas é Sumimasen, que significa tanto “com licença” quanto “desculpe”, e você vai usá-la ao abrir caminho na multidão ou ao chamar o atendente num restaurante. O agradecimento Arigatô gozaimasu arranca um sorriso de qualquer vendedor, e na hora de pagar nos estabelecimentos vai te ser útil a frase O-kaikei onegai shimasu.

💡 Dica: Muitos restaurantes têm na entrada vitrines com modelos de plástico perfeitos dos pratos oferecidos. Se você não entender o cardápio, é só levar o atendente para fora, apontar o dedo para o modelo escolhido e dizer “Kore onegai shimasu” (Este, por favor).

10. Tomadas, conversores e a salvação chamada konbini

Os carregadores europeus não vão funcionar no Japão, mas os brasileiros também precisam de atenção. O país usa tomadas do tipo A, com dois pinos chatos, iguais às dos Estados Unidos, e além disso a voltagem aqui é de apenas 100 V. Para carregar o celular ou o notebook basta um adaptador de plástico simples e baratinho, porque a eletrônica moderna lida sem problema com a voltagem mais baixa (na etiqueta do carregador você encontra a inscrição 100-240 V). Mas se planeja levar de casa aparelhos mais potentes, eles vão precisar de um conversor de voltagem pesado e caro, então é melhor deixá-los em casa.

Uma pedra angular da sociedade japonesa são as lojas abertas 24 horas chamadas konbini, sendo as redes mais conhecidas 7-Eleven, Lawson e FamilyMart. Essas lojinhas de conveniência brilham em cada esquina e literalmente salvam sua vida. Ali você compra comida fantástica e barata, encontra curativos, meias limpas, guarda-chuva, saca dinheiro no caixa eletrônico ou imprime a reserva de atrações. O padrão delas é incomparavelmente mais alto do que o de qualquer loja de conveniência ocidental.

Um elemento fascinante das ruas são também as máquinas de bebidas, que você encontra até nos lugares mais improváveis, inclusive no meio da floresta. Nelas você compra não só bebidas geladas, mas também quentes (marcadas com a cor vermelha), o que é uma salvação absoluta nos meses de inverno. E a maioria das máquinas modernas aceita sem problema pagamentos com seu cartão IC Suica, então você não precisa garimpar moedinhas no bolso.

💡 Dica: Se você comprar num konbini um almoço em marmita (bento) ou o famoso triângulo de arroz (onigiri), o atendente vai automaticamente te perguntar se você quer esquentar a comida no micro-ondas, e ainda te dá hashis descartáveis.

11. Aplicativos que vão salvar sua vida

Um smartphone cheio dos aplicativos certos transforma uma viagem complicada pelo Japão numa experiência tranquila e sem problemas. A base absoluta é o Google Maps, que aqui funciona num nível de detalhe incrível. Ao buscar o trajeto por transporte público, ele mostra exatamente quanto a viagem vai custar, para qual plataforma você precisa ir e até aconselha em qual vagão do metrô é melhor entrar para ficar mais perto das escadas rolantes na hora da baldeação.

Para planejar viagens mais longas de trem, recomendo baixar o excelente aplicativo Japan Travel by NAVITIME. Nele você pode configurar quais passes de trem específicos possui, e o aplicativo encontra as rotas e trens exatos aos quais seus passes se aplicam, evitando o pagamento adicional chato. Ele também contém mapas offline do metrô das grandes cidades, algo que você vai valorizar no subsolo sem sinal.

Além do já mencionado Google Tradutor, muitos viajantes elogiam também o aplicativo DeepL, que muitas vezes lida melhor com as nuances complexas do japonês na tradução de frases inteiras em texto. Para reservar trens-bala com conforto, baixe o aplicativo smartEX, onde você seleciona os assentos no aconchego da cama do hotel e depois vincula facilmente o bilhete ao seu cartão IC, para passar pela catraca sem complicação.

💡 Dica: O aplicativo Google Maps consegue te guiar até pelos enormes complexos subterrâneos das estações japonesas, então ligue-o já ao descer do trem para achar, no labirinto de corredores, a saída certa para a rua.

12. Orçamento: quanto custa o Japão por dia

O Japão por muito tempo teve a fama de ser um dos destinos mais caros do mundo, mas graças às recentes mudanças econômicas e ao iene fraco hoje está muito acessível para nós. Se você viaja como um mochileiro econômico, dorme em hostels e come em lanchonetes rápidas de macarrão, seu orçamento diário pode ser tranquilamente reduzido a 10.000 a 15.000 JPY, sem os custos dos deslocamentos entre cidades. Viajantes que buscam o meio-termo, com bons hotéis 3 estrelas e jantares em restaurantes clássicos, devem contar com cerca de 20.000 a 35.000 JPY por pessoa e por dia.

Os vegetarianos terão um pouco mais de trabalho, tanto com o orçamento quanto na busca por comida. A culinária japonesa é fortemente baseada no caldo de peixe dashi, que está escondido literalmente em todo lugar, até em macarrões aparentemente sem carne. O aplicativo HappyCow se torna, para os vegetarianos, um verdadeiro Santo Graal: com ele você encontra estabelecimentos modernos com rámen vegano ou a tradicional comida budista shojin ryori nos templos de Kyoto. No aperto, você é salvo por um onigiri de loja de conveniência com recheio de ameixa em conserva umeboshi ou de algas marinhas.

Não esqueça de incluir nos seus planos também pequenas taxas escondidas. O governo instituiu recentemente uma taxa turística de saída de 1.000 JPY (que, porém, costuma já vir espertamente embutida no preço da sua passagem), e algumas atrações e templos populares começam devagar a experimentar o chamado dual-pricing, em que turistas estrangeiros pagam um ingresso um pouco mais caro que os moradores locais.

💡 Dica: Uma ótima forma de manter o orçamento sob controle são os menus de almoço nos restaurantes chamados teishoku. Enquanto à noite você deixa milhares de ienes no estabelecimento, ao meio-dia recebe uma bandeja enorme com prato principal, arroz, sopa e salada por umas poucas centenas.

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Resumo prático e preços de referência

Para você ter uma ideia melhor do orçamento que deve preparar para a viagem, incluo uma tabela com os preços médios de itens comuns em 2026. Os preços podem, claro, variar um pouco dependendo de você estar no centro de Tóquio ou num interior mais afastado.

  • Garrafa de água na máquina: 110 a 150 JPY
  • Café no Starbucks: cerca de 450 JPY
  • Tigela de rámen num restaurante comum: 800 a 1.200 JPY
  • Onigiri (triângulo de arroz) na loja de conveniência: 120 a 160 JPY
  • Uma viagem de metrô em Tóquio: a partir de 180 JPY conforme a distância
  • Entrada num templo importante: 500 a 1.000 JPY
  • Noite num bom business hotel para dois: 8.000 a 14.000 JPY
  • Chopp local (nama biru): 500 a 700 JPY
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Perguntas frequentes

Quando é a melhor época para visitar o Japão?

O Japão é lindo o ano inteiro, mas os meses mais populares entre os turistas são março e abril por causa da famosa floração das cerejeiras, e depois a virada de outubro para novembro, quando as árvores ganham tons outonais vibrantes. É melhor evitar os meses de verão, pois a umidade é insuportável, as temperaturas sobem a valores extremos e ainda existe o risco de tufões.

Posso alugar um carro no Japão com a minha carteira de motorista tcheca?

Infelizmente não, a carteira de motorista internacional padrão emitida na República Tcheca (de acordo com a Convenção de Viena) não é válida no Japão, pois os japoneses reconhecem exclusivamente a Convenção de Genebra de 1949. Se você quiser dirigir aqui, precisaria providenciar uma tradução oficial autorizada da sua carteira tcheca diretamente na embaixada ou através da federação automobilística japonesa JAF, o que é um processo que exige tempo e paciência.

É seguro para turistas no Japão?

O Japão é considerado há muito tempo um dos países absolutamente mais seguros de todo o planeta. A taxa de criminalidade nas ruas é praticamente zero, nas cafeterias as pessoas costumam deixar seus notebooks na mesa quando vão ao banheiro, e até caminhadas noturnas pelas vielas escuras de Tóquio não representam nenhum risco de segurança.

A água da torneira é potável?

Sim, a água da torneira em todo o Japão é absolutamente segura, muito limpa e própria para consumo. Nos parques e estações de trem você até encontrará bebedouros especiais, então leve com você uma garrafa reutilizável e economize dinheiro ao invés de ficar comprando água engarrafada nas máquinas de venda automática.

O que devo fazer em caso de terremoto?

O Japão está localizado em uma região sismicamente muito ativa e tremores menores são rotina. Se você sentir um terremoto mais forte, mantenha a calma absoluta, abaixe-se embaixo de uma mesa resistente, proteja sua cabeça e aguarde até que os tremores passem. Os prédios modernos são construídos para suportar grandes oscilações, e os japoneses são perfeitamente treinados para essas situações, então basta observar o comportamento deles.

Como funciona o uso de drones?

Os regulamentos para voar com drones no Japão são extremamente rígidos. Voar é proibido de forma generalizada em áreas densamente povoadas, sobre parques, monumentos e nas proximidades de aeroportos, o que cobre praticamente todos os lugares que você gostaria de filmar. Se você não tiver uma autorização especial complexa emitida pelas autoridades, recomendo deixar o drone guardado em casa no armário.

Onde consigo os melhores ingressos para as atrações?

Os lugares mais populares como teamLab Planets, Tokyo Skytree ou os estúdios Universal em Osaka costumam estar esgotados com várias semanas de antecedência. A solução mais fácil para os turistas é comprar ingressos eletrônicos por plataformas como GetYourGuide ou Klook, onde você tem tudo organizado em inglês e os ingressos são carregados direto no app sem precisar imprimir nada.

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