Quando em 2017 eu e o Lukáš cruzamos o Alasca na nossa velha Chiquita — nossa furgoneta de campanha — rumo à cidade de Homer, eu não fazia a menor ideia de que seria uma das experiências mais marcantes da minha vida. O asfalto da Sterling Highway termina de forma implacável depois de mais de trezentos quilômetros saindo de Anchorage: ali, simplesmente não tem mais nada, só o oceano profundo. De repente, você se vê num lugar que com toda a razão é chamado de End of the Road — o Fim da Estrada. E é exatamente em Homer, Alasca, que esse fim acontece.
Homer é uma cidadezinha de aproximadamente cinco mil e quinhentos habitantes que, há anos, carrega com orgulho o apelido um tanto maluco de “vila cósmica à beira-mar”. Assim que você chega, sai do carro aquecido e puxa o primeiro gole de ar úmido e salgado, entende tudo imediatamente. 😊 A comunidade local é uma mistura incrível e colorida de marinheiros durões, pescadores de barba cheia, artistas entusiastas e velhos hippies que vieram passar uma temporada de verão e simplesmente nunca mais conseguiram fazer as malas e voltar pra civilização. As pessoas sorriem pra você na rua e em todo lugar se sente um ritmo estranho, lento e tranquilizador.

Enquanto você estaciona o carro perto da praia e sai para a brisa fria do norte, a margem norte da Baía Kachemak se abre diante de você com uma paisagem tão deslumbrante que você provavelmente vai esquecer de fechar a boca por um instante. O horizonte é dominado com soberania absoluta pelos picos majestosos das Montanhas Kenai, cobertos de gelo e neve cintilante. Ao longe, os vulcões ativos Monte Iliamna e Monte Redoubt vigiam como gigantes adormecidos, e às vezes dá pra notar uma leve nuvem de fumaça se formando preguiçosamente sobre um dos crateras. Homer tem uma atmosfera que você simplesmente não encontra em qualquer outro lugar do mundo e, mesmo sendo no fundo uma pequena vila de pescadores, dá pra passar vários dias — ou até semanas — explorando a natureza selvagem da região.
Vamos mergulhar fundo em como aproveitar ao máximo a visita à famosa Capital Mundial da Pesca do Halibute, passo a passo.
Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Melhor época para visitar: De junho a agosto, quando a temporada dos salmões está no auge, as temperaturas ficam em torno de 15°C e todos os táxis aquáticos e barcos de passeio estão em operação.
- Principais atrações: Homer Spit (a longa e estreita península de cascalho cheia de lojinhas coloridas e o porto), Kachemak Bay State Park e a belíssima geleira Grewingk.
- O que vai te deixar de queixo caído: Uma excursão à natureza selvagem para observar ursos enormes (voos saem direto de Homer para o famoso Parque Nacional Katmai) ou um dia inteiro de pesca de halibute em alto mar.
- O bar mais icônico: Salty Dawg Saloon, uma cabana de madeira original forrada com milhares de notas de dólar pregadas nas paredes, onde é obrigatório parar para uma cerveja com os amigos.
- Transporte: Uma única estrada leva a Homer (Sterling Highway a partir de Anchorage). Recomendamos reservar o carro alugado pelo RentalCars com meses de antecedência — a demanda no verão é absurda.
Quando ir a Homer e como chegar
Se você está planejando a viagem dos sonhos ao Alasca, provavelmente já sabe que a temporada turística é extremamente curta e não perdoa erros de planejamento. O Alasca basicamente abre as portas para os turistas no final de maio e, em meados de setembro, volta implacavelmente para seu longo sono de inverno — então sua janela de oportunidade não é lá muito grande. Aprendemos isso na prática quando, numa tentativa de mudar algo de última hora, nos deparamos com parques fechados e atracadouros recolhidos.
Melhores meses para visitar
A janela climática e faunística na belíssima Península Kenai dura aproximadamente de meados de maio a meados de setembro. Se você for em maio, a grande vantagem são preços de hospedagem um pouco mais baixos e muito menos turistas com câmeras na mão — mas precisa contar com o fato de que muitos animais ainda estão se deslocando para as enseadas e os operadores de barcos estão lançando suas frotas devagar. É, porém, uma época incrível: começa a famosa migração do salmão-rei (King Salmon), os rios já recebem os primeiros pescadores animados e o ar cheira ao verão que está por vir.
Junho e julho são o pico absoluto. Vivemos isso em julho: as temperaturas chegavam a agradáveis 15–18°C, os rios fervilhavam com salmões e a gente acordava todos os dias sem conseguir acreditar que aquilo era real. Em junho, o sol só se põe bem depois da meia-noite, então você tem a sensação de que os dias não terminam e sua energia se multiplica a cada hora ao ar livre. Hospedagens e barcos costumam estar com tudo lotado nessa época, então não deixe as reservas para a última hora.
Agosto é fantástico para observar baleias saltando e admirar pássaros aninhados nos penhascos, mas as temperaturas já começam a cair para cerca de 10°C e a chance de chuviscos típicos do norte aumenta visivelmente. Em meados de setembro, a temporada encerra sem cerimônia: a maioria dos táxis aquáticos recolhe as âncoras e os moradores começam a se preparar para os longos meses de neve e escuridão.
Como chegar ao Fim da Estrada
A grande maioria dos viajantes voa primeiro para Anchorage (fique de olho em passagens aéreas em sites como o Kiwi, nosso portal favorito para encontrar preços incríveis) e aluga um carro ou motorhome direto no aeroporto. Temos boa experiência de longa data com o RentalCars, que usamos em viagens pelo mundo inteiro. No Alasca isso vale ainda mais, porque a demanda por carros alugados no verão é absurdamente maior do que a oferta — sem reserva, você pode sair do aeroporto a pé.
Do aeroporto de Anchorage, são cerca de 350 quilômetros de estrada — quatro a cinco horas de viagem no papel, mas facilmente um dia inteiro na prática, especialmente na primeira vez. O caminho passa por montanhas de tirar o fôlego, ao longo da dramática Enseada Turnagain Arm (onde paramos mais de uma hora tentando avistar as baleias-beluga brancas com o vento gelado do lado de fora do carro) e depois segue confortavelmente pela Sterling Highway. Essa rodovia serpenteia de forma encantadora ao longo de rios selvagens repletos de salmão, atravessa florestas verde-escuras e oferece tantos lugares tentadores para parar e fotografar que, no fim, ela simplesmente te cuspirá na beira ventosa da Baía Kachemak, em Homer.
Onde se hospedar em Homer e quanto custa
O Alasca é tradicionalmente um dos estados mais caros dos EUA e, durante sua curta e intensa temporada de verão, você vai sentir isso no bolso em cada passo. Nós dormíamos na nossa furgoneta Chiquita com nosso orçamento rigoroso de 50 dólares por dia para os dois, mas se você quer um teto fixo, as opções são variadas. Dá para escolher entre ficar na cidade firme, perto de todos os comércios, ou pagar um pouco mais pela atmosfera única do Homer Spit — onde você vai ter o oceano agitado e os barcos de pesca balançando logo abaixo da janela.
Para viajantes com orçamento mais apertado, uma ótima opção é o Driftwood Inn Homer, que oferece quartos aconchegantes e espaços de camping perto da praia Bishop’s Beach. Um meio-termo com boa relação custo-benefício é o Best Western Bidarka Inn Homer, bem localizado perto do centro e do aeroporto. Já quem quer puro luxo com a melhor vista para o oceano, diretamente na ponta da península, pode apostar no Land’s End Resort Homer Spit.
O custo da estadia depende bastante também de como você se alimenta e o quanto aproveita os restaurantes locais. Se optar pelo motorhome alugado — que é, de longe, a forma mais típica de viajar pelo Alasca e que dá uma sensação incrível de liberdade — você economiza muito em hospedagem. Só não esqueça de reservar seu espaço nos melhores parques de RV do Homer Spit com até seis meses de antecedência, porque as melhores vagas com vista para a praia somem num piscar de olhos.
Homer, Alasca: 12 dicas do que ver e fazer
Honestamente, quando montei essa lista, tive dificuldade de reduzir para doze. Homer oferece muito mais do que qualquer um esperaria de uma vila onde o asfalto simplesmente acaba. Mas estas são as coisas que eu e o Lukáš faríamos de novo sem hesitar um segundo. Se você não quer correr o risco de chegar ao destino e encontrar tudo esgotado, dá uma olhada nas atividades mais bem avaliadas disponíveis abaixo, que dá pra reservar com antecedência pelo GetYourGuide.
1. Homer Spit: o coração da cidade
O eixo geológico e comercial de toda essa cidade fascinante é, sem sombra de dúvida, o famoso Homer Spit. Imagine uma faixa estreita de cascalho que avança como um dedo longo e fino por mais de 7 quilômetros dentro do azul da Baía Kachemak. Essa formação surgiu há cerca de quinze mil anos como uma morrena natural de uma geleira em recuo, mas hoje é o coração pulsante do turismo pesqueiro local, vibrando com energia inacreditável desde as primeiras horas enevoadas da manhã até o fim da noite fria.

Ali você encontra tudo que precisa para uma aventura alaskana de verdade. Passarelas de madeira ladeiam lojinhas de souvenirs fofas, lojas de equipamento profissional de pesca, restaurantes barulhentos cheirando a peixe frito com batatas crocantes e, claro, um porto enorme transbordando de embarcações de todo tipo. Por todo lado, gaivotas atrevidas gritam e você precisa desviar de homens com botas de borracha puxando carretas com gelo.
O Spit carrega também um passado bastante dramático: durante o devastador terremoto de 1964, grande parte da terra afundou vários metros inesperadamente e muitos edifícios históricos precisaram ser trabalhosamente salvos e deslocados sobre palafitas para longe da maré alta. Hoje, dá pra passear tranquilamente com um café quente na mão, observar lontras marinhas entre as ondas e encher os pulmões com aquele ar marítimo genuíno.
2. Pesca do halibute do Pacífico
Homer ostenta com todo direito o título oficial de Capital Mundial da Pesca do Halibute. Basta dar uma volta pelas docas do porto para perceber que a pesca esportiva dita o ritmo e a atmosfera de todo o verão. Todos os dias, centenas de entusiastas de macacão impermeável partem em busca do halibute-do-pacífico, cujo peso frequentemente ultrapassa cem quilos. Quando esses peixões são pendurados na balança no final da tarde, é um espetáculo que literalmente tira o fôlego.

Se você quiser essa experiência molhada, cheirosa e bem bruta, prepare o bolso: as embarcações fretadas refletem rapidamente a enorme demanda da temporada. Passeios de meio dia a um dia inteiro em alto-mar com guia profissional custam atualmente entre 400 e 550 dólares por pessoa. Em compensação, a tripulação oferece serviço completo, todo o equipamento pesado emprestado e uma chance real de grelhar o próprio peixe no jantar.
3. Tome uma cerveja no Salty Dawg Saloon
Depois de qualquer pescaria bem-sucedida, de uma tarde exaustiva de trilha pelas montanhas ou simplesmente pela curiosidade e pelo espírito do verão, todo visitante adulto de Homer precisa dar pelo menos uma passada no Salty Dawg Saloon. Essa pequena cabana de madeira original de 1897, com um farol inconfundível adicionado na lateral, já serviu como agência dos correios, estação ferroviária e armazém. Só nos anos 1950 um grupo de entusiastas locais a transformou nesse bar único. Após o terremoto mencionado, o prédio inteiro chegou a ser deslocado alguns metros até seu local atual, bem na borda firme do Spit.

Quando você entra pelas portas rangentes do Salty Dawg Saloon, vai demorar um tempo até saber pra onde olhar primeiro. O interior é tomado, do chão ao teto, por dezenas de milhares de notas de dólar escritas e assinadas, pregadas em todas as paredes, colunas e penduradas em cachos impressionantes no teto baixo. Há bóias salva-vidas, sutiãs alheios, remendos de uniformes e o cheiro de cerveja derramada misturado com fumaça da lareira.
Comida no cardápio? Nem pense — vá comer em algum lugar logo ao lado. Mas tomar uma cerveja gelada tirada na torneira ou a limonada famosa deles, procurar um cantinho livre de madeira, pregar ali o seu dólar amassado com uma mensagem cuidadosamente escrita em português e bater papo com os marinheiros locais barulhentos é um ritual alaskano que você simplesmente não pode pular. 😄
4. Kachemak Bay State Park: natureza sem estradas
Bem em frente à movimentada Homer, do outro lado das águas frias e cintilantes da baía, existe como um mundo esquecido: cerca de 160 mil hectares de montanhas recortadas, florestas densas e praias rochosas selvagens, protegidos com cuidado dentro do Kachemak Bay State Park. É, aliás, o primeiro parque estadual oficialmente criado no Alasca, em 1971, e tem um detalhe que o torna absolutamente especial: não existe um único metro de estrada asfaltada dentro dele.

Na prática, isso significa que como turista comum você só chega lá pelos táxis aquáticos comerciais que partem todas as manhãs direto do porto do Homer Spit. Usamos as frotas locais, que te colocam numa barquinha pequena mas bem robusta de alumínio. Em cerca de vinte a trinta minutos de travessia pelas ondas, o capitão experiente te deixa numa praia no meio da natureza intocada. Durante a viagem, você tem grandes chances de ver baleias soprando água no ar e as curiosas lontras marinhas por toda parte.
A passagem de ida e volta pela baía custa cerca de 100 dólares por pessoa (já incluindo a pequena taxa de entrada no parque), mas a possibilidade de ficar completamente sozinho no meio da natureza do norte, sem sinal de celular e sem multidões, vale cada centavo. Só não esqueça de combinar muito bem com o capitão o horário exato do retorno — passar a noite por lá sem equipamento adequado não é ideia de ninguém.
5. Trilha até o Grewingk Glacier Lake
Se você vai pagar pelo táxi aquático para o parque, peça ao capitão para te deixar direto no início da trilha Grewingk Glacier Lake Trail. Esse percurso é, na minha opinião, uma das joias absolutas da região e é ótimo mesmo para quem não é um montanhista experiente de botas caríssimas. O ganho de altitude é mínimo e a trilha tem menos de cinco quilômetros num único sentido, então famílias com crianças menores conseguem fazer sem maiores problemas.

A primeira metade do percurso te leva devagar por uma floresta boreal linda, escura e silenciosa, cheia de choupos gigantes caídos e abetos de Sitka cobertos de musgo verde espesso por todos os lados, como num conto pré-histórico. De vez em quando você tem a sensação de que algo está te observando de trás das samambaias. Eu e o Lukáš fazíamos barulho propositalmente a todo momento, gritando nosso famoso “Ei, urso!” porque a visibilidade entre as árvores comprimidas era praticamente zero e encontrar um grizzly por lá é mais do que comum.
Depois de um tempo, a trilha desemboca na morrena acinzentada e de repente, sem aviso, se abre diante de você uma vista de tirar o fôlego: o enorme Grewingk Glacier Lake. Enormes blocos de gelo azul-turquesa flutuam na superfície, desprendendo-se com estrondos surdos da massa da geleira ao longe.
6. Relaxe na Bishop’s Beach
Enquanto o movimentado Homer Spit vive sempre cheio de turistas apressados e pescadores barulhentos, a praia de seixos Bishop’s Beach oferece um refúgio muito mais tranquilo no lado oposto da cidade, perto do centro antigo. Especialmente na maré baixa do verão, é um lugar mágico e silencioso de tirar o fôlego. O oceano recua centenas e centenas de metros em direção ao horizonte, revelando uma enorme superfície fascinante repleta de poças e lagoas salgadas.

Essas pequenas piscinas naturais são chamadas de tide pools e estão repletas de vida marinha em miniatura. Você vai ver estrelas-do-mar roxas rastejando pelas pedras, caranguejos minúsculos, anêmonas laranja e todo tipo de alga marinha que fica espalhada sobre os seixos depois da maré baixa. Os moradores locais adoram vir passear com seus cachorros cansados, acender fogueiras com a madeira branqueada pelo oceano nas noites mais frias ou simplesmente caminhar sozinhos procurando ágatas brilhantes e outros tesouros que o mar deixa de presente na areia.
7. Dê um presente a si mesmo na Salmon Sisters
Se você é do tipo de viajante que adora trazer pra casa algo bonito, de qualidade, útil e totalmente local, não deixe de passar pela loja encantadora e perfumada da Salmon Sisters durante seu passeio. Essa jovem marca foi fundada há alguns anos por duas irmãs de verdade, oriundas de uma família pesqueira alaskana de raiz. Em poucos anos de dedicação, elas transformaram o projeto em um grande sucesso comercial que todo o Alasca hoje usa com orgulho.

Você encontra roupas lindíssimas com motivos de ondas e peixes, botas de borracha de alta qualidade para climas molhados e uma porção de acessórios todos inspirados com carinho pela vida dura e cotidiana no alto-mar e pela natureza selvagem do Alasca. Ao comprar algo ali, o dinheiro vai direto para as pessoas que vivem e trabalham nesse lugar — e isso, pra mim, é muito mais gostoso do que comprar souvenir numa loja sem rosto no Spit.
8. Caiaque com baleias e lontras
Se você e seus companheiros de viagem têm ao menos um pouco de coragem, não têm medo de água funda e são suficientemente resistentes ao frio (a água da Baía Kachemak está longe de ser um convite para um mergulho agradável mesmo no pico do verão — cair nela seria um problema sério), reserve pelo menos meio dia para alugar um caiaque duplo de mar com um guia local experiente.
Operadores locais maiores, como o conhecido Mako’s Water Taxi, conseguem te transportar junto com os caiaques de plástico amarelo até enseadas mais isoladas, tranquilas e protegidas do vento — como a linda Tutka Bay ou a mais calma Peterson Bay. Lá, as condições de mar e ondas são muito mais amigáveis para quem está começando do que no mar aberto da baía principal.

A perspectiva da natureza alaskana a partir da superfície do oceano é uma dimensão completamente diferente: lontras marinhas curiosas com filhotes na barriga vão emergir ao redor do caiaque e, com um pouco de sorte, você vai ouvir baleias soprando ao longe. Só não esqueça de roupas impermeáveis em camadas, porque o vento que vem das geleiras é de gelar os ossos.
Aventurar-se na água assim significa lutar às vezes com o medo de virar o caiaque e com a batalha de enfiar o corpo numa roupa seca apertada (o famoso dry suit). Mas o resultado é o silêncio absoluto da natureza, quebrado apenas pelo ritmo ritmado dos seus remos tocando a água. E aquele respeito enorme pelo oceano que você sente naquela fina camada de laminado vai ficar com você por um bom tempo.
9. Parada em Cooper Landing e a loucura do Russian River
Essa dica não fica exatamente em Homer, mas como você vai passar por ali na longa viagem pela Sterling Highway de qualquer jeito, não tem como deixar de mencionar. A região montanhosa conhecida como Cooper Landing, que se estende bem na confluência turquesa dos rios Kenai e Russian River, é todos os anos o epicentro barulhento de mais uma onda da loucura alaskana: a pesca coletiva do salmão-vermelho (Sockeye Salmon).

Especialmente na virada quente entre julho e agosto, centenas de milhares desses peixes robustos e avermelhados migram do oceano profundo rio acima por centenas de quilômetros para desovar nos trechos rasos de cascalho e então, infelizmente, morrer. É um ciclo natural ao mesmo tempo impressionante e melancólico. Pare no enorme estacionamento na saída e vá até a beira do rio por dez minutinhos — você vai ver centenas de pescadores de pé ombro a ombro dentro da água gelada, o que os locais chamam com toda a razão de “combat fishing”.
10. Visite a antiga vila garimpeira de Hope
Enquanto você avança com o motorhome pela linda Península Kenai em direção a Homer, vale fazer um desvio curto até a isolada e encantadora vila histórica de Hope. Fundada em 1896 por garimpeiros otimistas e sem um tostão no bolso, na época em que o Alasca estava no auge de sua febre do ouro, essa localidade preserva até hoje um charme antigo e autêntico de cabanas de madeira rústica que chega a ser surreal. Hoje, segundo os números, apenas cerca de 160 moradores resistentes e seus geradores moram por lá durante o ano inteiro.
11. Observação de ursos: voo de Homer para Katmai
Se tem uma coisa que acho que todo visitante do Alasca deveria experimentar pelo menos uma vez na vida — desde que o orçamento permita, claro — é esse passeio de um dia inteiro num pequeno hidroavião para observar centenas de ursos-pardos selvagens em seu habitat natural nos vales dos rios. E Homer, pela sua localização privilegiada, é o ponto de partida ideal: companhias aéreas locais como a familiar Smokebay Air operam voos diários para o remoto Parque Nacional Katmai ou para a região do Lake Clark, quando o tempo permite.

De manhã, você entra determinado na pista de asfalto do Spit com um grupo de pessoas num aviãozinho barulhento e minúsculo (onde o Lukáš geralmente sofre um pouco com a ansiedade na cadeira apertada enquanto agarra o apoio de mão, e eu fico grudada na janelinha suja com o fone de ouvido enorme tentando fotografar tudo). Durante o voo, você sobrevoa baixo picos nevados, vulcões fumegantes e enseadas prateadas antes de pousar com um solavanco bem firme numa praia de areia larga e deserta no meio do nada absoluto.
Sob a supervisão atenta e profissional do piloto-guia armado até os dentes, você vai passar longas horas sentado escondido atrás de capim seco ou parado com a câmera na beira de um rio raso e rápido, observando a pouquíssimos metros os enormes ursos peludos pescando salmões espernelando nas águas.
Dá pra vê-los brincando na margem com seus filhotes curiosos e fofinhos, brigando pelo melhor ponto de pesca ou simplesmente descansando pesadamente sobre as pedras, digerindo as refeições fartas. É exatamente o tipo de momento que você vai contar por anos e que te faz perceber o quanto somos pequenos diante da natureza. Esses passeios aéreos têm um preço bem salgado — na temporada, passe de 1.000 dólares por pessoa — mas, com a mão no coração, cada centavo economizado e gasto ali vale a pena e você não vai se arrepender nem por um segundo.
12. A colônia de artistas de Halibut Cove
Nossa última dica de passeio te leva a um lugar verdadeiramente mágico e remoto, acessível para mortais comuns vindos da terra firme somente de barco pelo porto. A encantadora vila de Halibut Cove é mais uma pequena e romântica coleção de cabanas construídas sobre enormes palafitas de madeira que emergem diretamente das águas escuras e calmas de uma enseada protegida. Você pode chegar lá a pé a partir da beira do parque estadual pelo trilho Saddle Trail e chamar um barco da margem, ou simplesmente contratar um táxi aquático direto de Homer logo pela manhã.

Hoje, essa enseada protegida é uma colônia meio fechada e bastante exclusiva de artistas, pintores talentosos e residentes permanentes que passam o verão inteiro escondidos longe do barulho da civilização. Não existem ruas de cascalho — muito menos asfaltadas — para carros, então todo mundo se locomove pelas passarelas elevadas e bamboleantes de madeira que ligam os edifícios, ou diretamente por barquinhos motorizados. E reina um silêncio absolutamente inacreditável, quebrado no máximo pelo barulho das ondas batendo nos pilares das cabanas.
No verão, funciona por lá também o famoso restaurante The Saltry — sim, caríssimo e exclusivo, mas renomado por suas especialidades de frutos do mar. Mesmo que você não chegue a fazer um jantar formal com vários pratos, só passear tranquilamente entre as lojinhas, as galerias de arte abertas ao público e as cafeziinhos minúsculos sobre a água escura já é um final de contos de fadas, romântico, lento e encantado para a sua aventura selvagem no Alasca.
Onde comer e beber bem em Homer
Como eu e o Lukáš somos vegetarianos e nosso orçamento diário era de apenas 50 dólares para os dois, cozinhávamos bastante na Chiquita com ingredientes do supermercado Safeway local. Mas Homer me surpreendeu completamente com tudo que a cidade oferece para comer. Para uma vila de pescadores no fim do mundo, a culinária tem muito a oferecer. Seja no fim do dia buscando um jantar agradável e tranquilo, ou de manhã cedo precisando de um café da manhã calórico antes de uma trilha e do barco, você não vai se decepcionar.
Restaurantes, padarias e cervejarias que valem a visita
No topo absoluto da minha lista de recomendações está o aconchegante negócio familiar Two Sisters Bakery, discretamente escondido na parte histórica do tranquilo centro antigo (Old Town), perto dos seixos da Bishop’s Beach. Essa padaria comunitária encantadora funciona com sucesso e perfume desde 1993 e faz, sem exagero nenhum, os melhores e maiores rolinhos de canela de toda a Península Kenai — e, do meu ponto de vista, talvez do mundo inteiro. 😄 Se você quer um café excelente e algo gostoso para o café da manhã, não pule essa. Para os amantes de cerveja, a Homer Brewing Company é parada obrigatória, com cervejas artesanais ótimas por um preço razoável.
E quanto aos restaurantes? Mesmo sem comer peixe, Homer é um paraíso. Para algo mais formal, o famoso Fat Olives é muito bem falado. Para os carnívoros, a especialidade é frutos do mar e halibute — nós adoramos a pizza margherita vegetariana e a sopa quente de lá. Para o almoço mais típico de pescador, cheio de frituras deliciosas, os turistas costumam se render ao Captain Pattie’s Fish House, bem no coração agitado e ventoso do Homer Spit.
E se de manhã você está com pressa e quer se alimentar muito bem por pouco dinheiro, vá direto ao balcão da lojinha apertada e cheia de gente chamada The Bagel Shop. Lá, com um sorriso no rosto, eles fazem o melhor bagel de café da manhã — para os turistas, com salmão defumado; para os vegetarianos como a gente, com uma porção generosa de cream cheese e legumes.
Perguntas frequentes (FAQ)
Kdy je nejlepší doba pro návštěvu Homeru?
Červen až srpen, bez debat. Počasí je nejstabilnější (12-18 °C), tah lososů je v plném proudu a funguje všechno od vodních taxi po medvědí výlety. My jsme volili červenec a byl to skvělý výběr, jen opravdu rezervujte s předstihem.
Je cesta z Anchorage do Homeru obtížná?
Vůbec ne, po celou dobu jedete po zpevněné dálnici Sterling Highway. Z Anchorage je to necelých 350 kilometrů, což zabere čistého času asi 4 až 5 hodin. Počítejte ale s celodenním výletem kvůli krásným zastávkám a letnímu provozu obytných aut.
Kolik stojí pronájem lodi na lov halibutů?
Homer je hlavním městem lovu halibutů, což se odráží na velké poptávce. V letní sezóně vyjde celodenní skupinový charter s průvodcem zhruba na 400 až 550 USD za osobu. Vybavení bývá v ceně a často vám ulovenou rybu i profesionálně vyfiletují.
Dá se do státního parku Kachemak Bay dojet autem?
Nedá, do Kachemak Bay State Park nevede žádná pozemní silnice. Jedinou možností je využít vodní taxi odjíždějící z přístavu na Homer Spit. Cesta lodí trvá 20-30 minut a zpáteční jízdenka vyjde zhruba na 90-100 USD za osobu.
Potřebuji na procházky v okolí Homeru sprej na medvědy?
Ano, absolutně. Aljaška je divočina a i na oblíbených trasách můžete snadno narazit na medvěda. Sprej noste vždy připevněný na pásku nebo batohu a v nepřehledném terénu dělejte hluk.
Co je to Homer Spit a měl/a bych tam bydlet?
Homer Spit je více než 7 kilometrů dlouhý štěrkový poloostrov vybíhající do oceánu. Najdete na něm veškerý turistický život, restaurace, přístav i kempingová místa. Bydlet zde je obrovský zážitek, ale počítejte s vyššími cenami a větším ruchem než v centru.
Zvládnou túru k ledovci Grewingk i děti?
Ano, Grewingk Glacier Lake Trail je poměrně nenáročná trasa bez výrazného převýšení. Jedním směrem k jezeru s plovoucími krami měří zhruba 4,8 kilometru. Je dobře udržovaná a velmi oblíbená právě pro rodinné výlety.
Tipy a triky pro vaší dovolenou
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