Na Espanha não se come apenas para viver — vive-se, acima de tudo, para comer. A gastronomia funciona como uma espécie de cola social que dá ritmo ao dia inteiro e define o orgulho de cada região. Se você está pensando em conhecer os tapas espanhóis na Península Ibérica, preciso avisar uma coisa importante logo de cara. A comida aqui é um ritual sagrado e devorar um sanduíche correndo na rua simplesmente não rola.
Para entender a cena culinária local, você precisa aceitar que comer significa sentar-se e dividir os pratos no meio da mesa. Significa falar todo mundo ao mesmo tempo e deixar o tempo correr livremente. Neste artigo você vai encontrar 16 dicas de tapas espanhóis clássicos que não deveria perder na sua viagem. Também vou te ajudar a se orientar nos costumes locais, a saber quando ir ao restaurante e como pedir como um verdadeiro morador da região.
Mas já no comecinho preciso confessar uma coisa. Eu e o Lukáš não somos lá os frequentadores mais típicos de bares de tapas, porque somos os dois vegetarianos e metade dos clássicos espanhóis se baseia em presunto e frutos do mar. Por sorte temos uma amiga, a Gábi, que morou alguns anos na Espanha e que fomos visitar várias vezes. A Gábi adora tapas e sempre nos arrastava para os bares. Graças a ela aprendemos como tudo funciona, o que pedir sendo vegetariano e com o que todo mundo se derrete.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo todo
- Tapas são pequenas porções de comida que tradicionalmente se dividem no meio da mesa. Servem para acompanhar a cerveja ou o vinho e para animar a conversa.
- Em Granada e León você ganha tapas de graça com cada bebida que pedir. A cada novo drink a qualidade da comida geralmente aumenta.
- Os espanhóis comem bem mais tarde do que nós. O almoço acontece entre duas e três e meia da tarde, e o jantar começa só depois das nove da noite.
- O norte, no País Basco, é famoso pelos seus pintxos, verdadeiras obras-primas culinárias espetadas com palito sobre uma fatia de pão crocante.
- A água da torneira é gratuita desde 2022 e todo restaurante tem a obrigação legal de trazê-la mediante pedido.
- A gorjeta na Espanha não é cobrada, porque os garçons recebem um salário normal. Por um serviço excepcional é comum deixar de cinco a dez por cento ou arredondar a conta.
Como (e onde) comer como um local
Tente enxertar seus hábitos alimentares brasileiros na realidade espanhola e provavelmente vai dar com a cara na parede. Vai ficar com fome, frustrado à toa e, com grande probabilidade, vai acabar em armadilhas para turistas com preços abusivos. Adaptar-se ao horário local é simplesmente uma questão de sobrevivência e de respeito à cultura. Aqui vale uma regra absolutamente de ferro, que vale guardar bem. Restaurantes abertos às seis da tarde são feitos exclusivamente para estrangeiros — os locais jamais jantariam nesse horário.
Vamos dar uma olhada em como funciona um dia típico. A manhã começa leve com o chamado desayuno, quando a maioria das pessoas toma um café e morde uma baguete tostada com tomate amassado. A refeição principal do dia chega só à tarde, entre duas e três e meia. O dia de trabalho para por completo nesse horário e os restaurantes lotam até não caber mais ninguém. A melhor relação custo-benefício é o cardápio do dia, chamado menú del día, que costuma incluir entrada, prato principal, sobremesa e bebida.
Depois da refeição vem o sagrado momento da sobremesa, quando ninguém tem pressa e a mesa continua em debate apaixonado. A fome da tarde é então combatida pela merienda, um lanchinho lá pelas seis horas. O jantar, por outro lado, é mais leve e mais social, e na quente Andaluzia não é nenhuma exceção as pessoas se sentarem para comer só às dez e quinze da noite.
A diferença entre tapas, raciones e pintxos

A palavra tapa originalmente significava tampa. Uma história famosa diz que os barmen do sul do país cobriam as taças de vinho com uma fatia de queijo para que as moscas não caíssem dentro. Hoje é um fenômeno nacional com milhares de versões regionais. A cultura de Madri funciona com o princípio de dividir porções maiores, chamadas raciones ou as meias media raciones. Uma noite típica madrilenha significa um rolê pulando de bar em bar. Você passa por três ou quatro lugares, em cada um pede a especialidade da casa e segue adiante. Esse ritual se chama tapeo.
Já no norte, no País Basco, levaram a cultura dos pequenos bocados à perfeição visual e de sabor. Os locais os chamam de pintxos, da palavra espanhola para espetar. Um pintxo é uma obra-prima fixada com palito sobre uma fatia de pão, que você mesmo escolhe nos balcões abarrotados dos bares. A regra de ouro para a costa norte é clara: em cada bar peça no máximo dois pedaços, acompanhe com o vinho branco frisante local e siga para o próximo lugar. E não jogue fora os palitos — é por eles que o garçom monta a conta no final.
Onde você ganha comida de graça e como pedir

Na Andaluzia ainda sobrevive uma boa e velha tradição que alegra qualquer viajante com orçamento apertado. Se você for à cidade de Granada ou a algumas partes de Sevilha, pede uma cerveja e ganha automaticamente um pratinho com comida de graça. A cada drink seguinte, o tamanho e a sofisticação dos petiscos costumam aumentar. Você começa com simples azeitonas e amêndoas, mas depois da terceira cerveja já pode receber uma boa porção de grão-de-bico cozido ou croquetes de queijo. O mesmo costume você encontra, surpreendentemente, também no norte, na cidade de León.
💡 Dica da Gábi: em Granada nunca peça comida assim que chegar. Peça primeiro uma cerveja ou um vinho, espere para ver qual pratinho aterrissa na mesa e só depois decida se ainda está com fome.
Os garçons espanhóis podem parecer ao brasileiro um pouco distantes ou apressados. Não espere que o garçom pergunte a cada cinco minutos se está tudo bem. Quer pedir outra bebida? Você precisa fazer contato visual ou simplesmente acenar para o garçom, o que aqui não é considerado falta de educação. Quanto à gorjeta, ninguém a cobra ativamente. O costume é mais arredondar o valor final ou deixar algumas moedinhas por um serviço especialmente bom.
16 pratos que você precisa provar
Preparei para você uma lista dos pratinhos mais típicos que vai encontrar nos bares por todo o país. Os pratos vegetarianos eu e o Lukáš testamos com a própria língua, já os de carne e peixe quem recomenda é a Gábi, que depois de anos morando na Espanha entende deles melhor do que muitos locais. A Espanha não é um país homogêneo, e essa diversidade se reflete com exatidão no prato.
1. Patatas bravas

O que seria de uma viagem à Espanha sem provar esse clássico absoluto da batata? Você o encontra no menu de praticamente todo lugar tradicional e dificilmente vai errar com ele. As patatas bravas são pedaços irregulares de batata que primeiro são confitados devagar no azeite de oliva e depois fritos rapidamente até ficarem crocantes. É justamente esse processo duplo que garante que fiquem macias por dentro e com uma crosta dourada irresistível por fora.
Mas o segredo desse prato está principalmente no molho, que varia bastante conforme a região em que você está. Em Madri, a tradicional salsa brava é feita com páprica defumada, caldo de carne ou de legumes e um pouco de farinha para engrossar. De tomate, nem sinal. O resultado é um sabor levemente picante e terroso, que combina perfeitamente com as batatas.
Já na Catalunha e na costa leste, as batatas vêm acompanhadas de um molho rico de tomate com pimenta. Às vezes se adiciona também uma generosa colher de maionese de alho, o alioli, que suaviza agradavelmente o ardido do prato. É uma opção vegetariana ideal, que você pode curtir com uma cerveja chope geladinha e que te satisfaz a tarde inteira.
2. Tortilla española

A omelete espanhola é um fenômeno que une o país inteiro, dos picos nevados dos Pirineus às praias banhadas de sol da Andaluzia. E a receita básica é incrivelmente simples. Para prepará-la você só precisa de boas batatas, ovos, uma dose generosa de azeite e um pouco de sal. A tortilla certa deve ser firme na superfície, mas ainda levemente líquida e cremosa por dentro — o que os locais chamam de jugosa.
Já sobre a presença de cebola nesse prato nacional travam-se literalmente disputas em escala nacional. O país está implacavelmente dividido em dois times. Os defensores da cebola se autodenominam concebollistas e afirmam que ela dá à omelete a doçura e a umidade necessárias. Os opositores, chamados sincebollistas, acreditam que a cebola atrapalha o sabor puro dos ovos e da batata. Escolha qualquer versão — vai se deliciar do mesmo jeito.
A tortilla é servida quente, direto da frigideira, ou fria, cortada em cubinhos ou triângulos. De manhã você costuma vê-la sobre um pedaço de baguete fresca como um café da manhã reforçado. Os vegetarianos não vivem sem ela, porque é uma salvação garantida em lugares onde, fora isso, reinam a carne e os embutidos.
3. Jamón ibérico de bellota

Esse embutido mundialmente famoso costuma ser apelidado, no mundo da gastronomia, de caviar dos presuntos. Não é um simples pernil de porco curado, mas um produto com origem rigorosamente protegida. Vem dos porcos ibéricos negros, que vagueiam livres nos extensos bosques de carvalho do sudoeste da Espanha. Durante o outono e o inverno, esses animais se alimentam exclusivamente das bolotas caídas no chão.
São justamente as bolotas que dão à carne local seu sabor amendoado característico e uma gordura rica em ácido oleico. Os entendidos afirmam que as fatias desse presunto premium literalmente se derretem na língua graças ao alto teor de gorduras saudáveis. Cortar o pernil é uma profissão de altíssimo prestígio, e os mestres desse ofício são chamados de cortador. Um corte errado pode destruir a iguaria de forma irreparável.
Essa especialidade é sempre servida à temperatura ambiente, para que se destaquem todas as suas nuances de sabor. No prato parece bem discreto, não precisa de acompanhamentos nem molhos. Os locais costumam pedir junto uma taça de sherry seco ou um tinto encorpado da região de Ribera del Duero. É uma experiência pela qual você paga um pouco a mais, mas a Gábi considera o auge absoluto da gastronomia espanhola — e nunca esquece de acrescentar que quem não provou jamón, na verdade, nem esteve na Espanha.
4. Croquetas

À primeira vista parecem rolinhos fritos comuns, mas não se deixe enganar pela aparência modesta. Bem feitos, os croquetes são uma verdadeira obra-prima e um teste de habilidade para qualquer cozinheiro espanhol. A base não é purê de batata, como muita gente pode pensar erradamente, mas um bechamel caprichado e bem grosso. Ele precisa cozinhar por bastante tempo para perder o gosto de farinha.
Depois de esfriar, a massa de bechamel é moldada em pequenos rolinhos, passada no ovo e na farinha de rosca e por fim frita em óleo bem quente. O contraste entre a casquinha crocante e o interior cremoso é exatamente o que torna os croquetes tão viciantes. Assim que você morde, o recheio quente deve, idealmente, escorrer pela língua.
Embora a versão mais comum sejam os croquetes recheados com pedaços de presunto curado, existe também um monte de alternativas sem carne. Recomendo experimentar os croquetes de cogumelos porcini ou de espinafre com pinhões, queridíssimos entre os vegetarianos. Excelentes também são as versões com o forte queijo azul Cabrales, que têm bastante personalidade e combinam muito bem com um tinto mais encorpado.
5. Pimientos de Padrón

Se você curte um pouco de adrenalina culinária, essas pequenas pimentinhas verdes da cidade galega de Padrón vão te divertir. Um ditado local diz que umas ardem e outras não. Comer essa iguaria é meio como jogar roleta russa, porque cerca de uma a cada dez pimentinhas esconde uma ardência inesperada. E todas parecem iguaizinhas por fora.
O preparo é absolutamente minimalista e deixa o ingrediente brilhar. As pimentinhas vão inteiras para a frigideira quente com uma boa dose de azeite de qualidade e são fritas rapidamente. Em pouco tempo a pele começa a empolar e a dourar levemente. Depois são polvilhadas com sal marinho grosso e vão direto para a mesa.
Comem-se simplesmente com as mãos: basta segurar pelo cabinho e morder o resto. São um petisco vegetariano genial, que pela salinidade praticamente pede mais um gole de cerveja gelada. Por experiência própria sei que um pratinho no meio da mesa some em poucos minutos, então não tenha medo de já pedir uma porção dupla.
6. Gambas al ajillo

Esse clássico andaluz vai agradar a todos os amantes de frutos do mar. É um prato incrivelmente perfumado e bastante chamativo, que muitas vezes chega à mesa ainda chiando. Os camarões são preparados na tradicional tigela de barro chamada cazuela, que retém o calor muito bem. A base do sucesso é um azeite de primeira, no qual se refoga rapidamente um monte de fatias de alho e um pedacinho de pimenta seca.
Assim que o alho começa a dourar, os camarões frescos e descascados são jogados na tigela. Cozinham por pouquíssimo tempo, para que fiquem bem macios e suculentos. A tigela inteira é servida fervendo, o óleo ainda borbulha e o ar se enche de um aroma absolutamente inebriante de alho e mar. Os cozinheiros locais têm o cuidado de não deixar os ingredientes passarem do ponto.
Parte essencial dessa experiência é o pão que vem junto. Os pedaços de baguete fresca servem para limpar o óleo temperado do fundo da tigela, o que muitos consideram a melhor parte de todas. É justamente as gambas que a Gábi pede em primeiro lugar em qualquer lugar, acompanhadas de uma taça de vinho branco seco, idealmente da uva galega Albariño.
7. Pan con tomate

Os catalães o chamam de pa amb tomàquet e ele é a base absoluta da gastronomia local. Embora possa parecer um simples pão com tomate, na simplicidade se esconde uma força enorme. A chave do sucesso são os ingredientes certos: um pão rústico com casca firme, tomates maduros e suculentos, um azeite extravirgem de qualidade e cristais de sal grosso.
Em muitos lugares tradicionais eles não te trazem o prato pronto, mas servem os ingredientes separados para que você mesmo o prepare. A fatia de pão tostada é primeiro esfregada com um dente de alho cru, que solta seu aroma forte no miolo áspero. Depois pega-se um tomate cortado ao meio e esfrega-se com energia no pão, de modo que na casca fique só a pele, que você descarta.
Por fim, rega-se tudo generosamente com azeite e polvilha-se sal. É um café da manhã vegetariano perfeito, mas funciona também como acompanhamento de queijos ou como lanche da tarde. Você o encontra por toda a costa leste e te garanto: depois de provar essa versão autêntica, nunca mais vai querer pão seco comum.
8. Pulpo a la gallega

Enquanto o sul andaluz cheira a fritura e alho, a ponta noroeste da Espanha cheira a oceano puro. A Galícia produz os melhores frutos do mar de toda a Europa, e o polvo é seu rei sem coroa. Tradicionalmente é cozido em uma grande panela de cobre até ficar completamente macio, e o segredo da textura certa está em mergulhar os tentáculos aos poucos na água fervente, para que a pele não se solte.
Essa especialidade galega é servida de uma forma bem específica. Os tentáculos são cortados com tesoura em rodelas mais grossas e tudo é arranjado sobre uma tábua redonda de madeira. A madeira tem a função de absorver a água em excesso e manter o prato quente. A carne é depois polvilhada generosamente com páprica doce e picante, salgada com sal grosso e regada com azeite.
Costuma ser servido sobre uma cama de batatas cozidas, que absorvem todos os sabores deliciosos do óleo e da páprica. Os moradores locais acompanham o polvo com vinho frisante servido em tigelinhas brancas de cerâmica, o que dá à experiência uma atmosfera lindamente rústica. É um prato que faz as pessoas voltarem regularmente ao norte da Espanha.
9. Gilda

Essa criação discreta no palito é considerada o primeiríssimo pintxo basco da história. Surgiu nos anos 1940 em San Sebastián e ganhou o nome de um famoso filme com Rita Hayworth. Assim como a protagonista do filme, esse bocado deve ser verde, salgado e um pouco picante. É uma demonstração perfeita de como se pode criar o máximo de sabor com o mínimo de ingredientes.
A versão clássica é composta de três ingredientes básicos. No palito são espetadas alternadamente azeitonas verdes sem caroço, as pimentinhas bascas em conserva chamadas guindillas e anchovas de qualidade do mar Cantábrico. No final, tudo recebe uma gota de azeite. A combinação de acidez, salinidade e leve ardência funciona como o começo perfeito para uma longa noite.
Se você não come peixe, não precisa se desesperar. Nos bares hoje é comum encontrar também versões vegetarianas, em que a anchova é substituída por um pedaço de queijo defumado, tomate seco ou alcachofra marinada. Escolha a versão que escolher, a Gábi jura que a Gilda inteira deve ser comida de uma só vez, para que todos os sabores se conectem corretamente na boca.
10. Salmorejo e Gazpacho

Os verões no sul da Espanha são longos e absolutamente impiedosos. A resposta dos locais ao calor escaldante são as sopas frias de tomate, que conseguem refrescar de um jeito incrível. O mais famoso gazpacho é uma mistura líquida de legumes — tomate, pepino, pimentão, cebola e alho — batida com vinagre e água gelada. É tão ralo que, na praia, muitas vezes é bebido direto do copo no lugar da água.
Seu primo mais rico e encorpado, vindo de Córdoba, é o salmorejo. Essa emulsão densa e cremosa contém apenas tomate, pão amanhecido, alho, vinagre e uma quantidade enorme de azeite. São justamente o pão e o azeite que garantem ao prato a consistência de um purê espesso, de uma cor laranja lindamente intensa. É um prato substancioso que, por si só, serve como um almoço leve completo.
Enquanto a base de ambas as sopas é naturalmente vegana, é preciso ficar de olho na guarnição. O salmorejo é tradicionalmente servido com pedaços de ovo cozido e presunto curado por cima, então, se você é vegetariano, não esqueça de pedir ao garçom, com antecedência, a versão sem a guarnição de carne. Com uma gota de bom azeite por cima, fica divino mesmo sem isso.
11. Queso Manchego

A Espanha se orgulha de centenas de excelentes queijos regionais, mas o da região central de La Mancha conquistou fama mundial. É feito exclusivamente com leite integral de ovelhas da raça Manchega, que pastam nas planícies ressequidas do centro da Espanha. Você o reconhece de cara pelo padrão em zigue-zague característico na casca dura, que antigamente surgia da marca das faixas trançadas de capim.
O sabor e a textura do queijo mudam drasticamente com o tempo de maturação. O queijo semicurado, com alguns meses de maturação, tem um sabor suave, levemente adocicado, e consistência cremosa. As versões mais maduras, com a denominação curado ou viejo, são muito mais duras, quebradiças e têm um sabor marcante, levemente picante e amendoado, com cristais de sal. Quanto mais velho o queijo, mais intensa a experiência.
No menu de tapas você o encontra mais frequentemente cortado em triângulos finos. Uma combinação vegetariana genial é com a pasta de marmelo chamada membrillo, cuja doçura equilibra perfeitamente a salinidade do queijo maturado. Os locais gostam de acompanhá-lo com um punhado de amêndoas torradas e, claro, uma taça de tinto mais encorpado, que harmoniza lindamente com o leite de ovelha.
12. Berenjenas con miel

Viajar pela Andaluzia não estaria completo sem provar essa iguaria agridoce, que carrega uma forte herança do passado árabe da região. São fatias finas ou palitos de berinjela que se passam em uma farinha fina e se fritam rapidamente em uma camada alta de azeite até ficarem absolutamente crocantes. A berinjela não pode absorver gordura demais, o que exige a temperatura certa do óleo.
O elemento-chave de todo o prato é o molho escuro com que a berinjela quente é generosamente regada no final. Não se trata de mel de abelha clássico, mas de melaço de cana-de-açúcar, que em espanhol se chama miel de caña. Esse líquido denso, quase preto, tem um sabor caramelado, levemente amargo, que contrasta fenomenalmente com a massinha salgada e crocante.
Você encontra esse prato em todo bom bar de tapas do sul, principalmente nos arredores de Málaga e Córdoba. Para os vegetarianos é absolutamente obrigatório, porque oferece uma experiência de sabor complexa, que não se esquece tão fácil. É a prova de que, mesmo de um legume totalmente comum, dá para criar com um pouco de imaginação um milagre culinário inesquecível.
13. Pescaíto frito

Enquanto no norte os peixes são assados ou cozidos lentamente em molhos elaborados, no sul encontraram um jeito muito mais direto de preparar. Especialmente nas cidades costeiras andaluzas, fritar peixinhos foi elevado a uma disciplina artística própria. A base dessa especialidade é uma mistura de peixinhos e frutos do mar, entre os quais não faltam anchovas miúdas, pedaços de lula ou pequenos bacalhaus.
Os peixes são levemente envolvidos em uma farinha especial de grão-de-bico ou de trigo e jogados no azeite bem quente. O resultado é uma crosta incrivelmente leve e aerada, sob a qual se esconde a carne suculenta do peixe. O segredo está em a massinha não ser pesada e não abafar o sabor delicado do mar. Do óleo, os peixinhos vão direto para um guardanapo de papel, que absorve o excesso de gordura.
São servidos de forma bem simples, muitas vezes em um cone de papel comum ou num prato de cerâmica. O único acompanhamento permitido é um pedaço de limão fresco, com o qual se rega o monte todo pouco antes de comer. Essa iguaria crocante é tradicionalmente comida com as mãos e representa o acompanhamento favorito de uma cerveja gelada da tarde, com vista para as ondas do mar.
14. Ensaladilla rusa

A variação espanhola da salada de batata leva no nome o adjetivo russa, mas os locais a tomaram completamente para si e você a encontra na vitrine de cada segundo bar. A base é feita de batata e cenoura cozidas e cortadas bem fininhas, misturadas com ervilha e uma quantidade enorme de maionese cremosa. A ensaladilla certa deve ser densa, bem gelada, e a maionese precisa unir firmemente todos os ingredientes.
O que torna essa salada realmente uma coisa espanhola são os ingredientes adicionais. Quase sempre você encontra nela pedaços de pimentão em conserva, azeitonas e, não raro, ovos cozidos. Muito frequentemente se mistura à preparação um bom atum em lata, o que dá à salada um sabor mais marcante, mas ao mesmo tempo a tira do cardápio sem carne. Cada família e cada bar tem sua própria receita secreta, na qual confiam de olhos fechados.
Se você não come peixe, não se desespere. Em muitos lugares servem com prazer a versão vegetariana sem atum, basta perguntar antes ao garçom como exatamente eles preparam a salada (sin atún). Muitas vezes você recebe uma pequena bola de salada sobre uma fatia de baguete crocante ou com uma tigelinha de palitinhos salgados, os picos, com os quais se pega a salada perfeitamente.
15. Champiñones al ajillo

Se você procura um prato que te aqueça e deixe uma sensação de satisfação total, os cogumelos ao alho são um tiro certeiro. No centro da Espanha, especialmente em Madri, existem bares que se especializam exclusivamente nesse único prato. A base são chapéus de cogumelo paris frescos e carnudos, que se grelham numa chapa de ferro quente ou numa tigela de barro.
Durante o preparo, os cogumelos absorvem uma boa dose de azeite temperado com alho amassado, salsinha fresca e, às vezes, um pouco de vinho branco. Dentro do chapéu forma-se, durante o cozimento, um delicioso caldo quente, que é preciso sorver com cuidado na hora de comer, para não se queimar. O sabor é profundamente terroso, perfumado e, graças ao alho, agradavelmente intenso.
Costumam ser servidos espetados num palito sobre um pedacinho de pão. É uma tapa vegetariana fantástica, que com seu sabor pleno não fica devendo nada aos pratos de carne. E aquele pedaço de pão embaixo do cogumelo não está ali só de enfeite: tem a função de absorver todos aqueles caldos geniais de alho, que de outra forma escorreriam sem utilidade para o prato.
16. Churros con chocolate

Embora não seja uma tapa salgada clássica para acompanhar a cerveja, esse milagre doce não pode faltar na nossa lista. Ele serve como café da manhã tradicional, lanche da tarde e lendário ressaca-cura depois de uma longa noite em claro. Os churros são pedaços de massa choux em formato de palito ou de lágrima, fritos em óleo quente até dourar. Por fora ficam lindamente crocantes, enquanto por dentro permanecem fofinhos como nuvem.
A magia desse prato está no chocolate em que os palitos fritos são mergulhados. Esqueça o achocolatado ralo em pó. O chocolate quente espanhol é tão grosso que a colher quase fica em pé, e a textura lembra mais um pudim de chocolate quente. Também não é exageradamente doce, o que cria um contraste agradável com a própria massa.
Em Madri você encontra a famosa Chocolatería San Ginés, que funciona sem parar desde o século XIX e fica aberta até de madrugada. Os vegetarianos com amor pelo doce vão se deliciar aqui, porque mergulhar a massa quente e crocante no chocolate grosso é simplesmente uma experiência que melhora até o dia mais chuvoso. E o chocolate que sobra na xícara não convém deixar — beba-o no final, sem cerimônia.
O que beber: vinho, cerveja e especialidades locais

A Espanha pode se gabar da maior área de vinhedos do mundo, e o enoturismo vive aqui um boom enorme. Quando se fala em tinto espanhol, a maioria das pessoas logo se lembra da famosa região de La Rioja. Os vinhos locais maturam longos anos em barris de carvalho, o que lhes dá notas características de baunilha e couro. Já a região concorrente de Ribera del Duero produz vinhos mais robustos e encorpados, ideais para jantares mais pesados.
Se você gosta de borbulhas, certamente vai se apaixonar pelo Cava catalão. É feito com o mesmo método tradicional do verdadeiro champanhe francês, mas com uvas locais, então sai bem mais em conta. Um verdadeiro tesouro do sul é o sherry da cidade de Jerez de la Frontera, que, aliás, será a capital gastronômica espanhola de 2026. O Fino, seco e gelado, com notas de amêndoa, combina fantasticamente bem com azeitonas e queijos.
Se você não é fã de vinho, a cerveja te salva. Mas, em vez de um copo grande, experimente pedir a chamada caña, uma taça pequena de chope. Pelo volume menor, a cerveja não esquenta no calor antes de você terminar e assim você pode pedir uma fresquinha e gelada a cada novo pratinho. Uma ótima alternativa de verão é o tinto de verano, vinho tinto misturado com limonada e gelo. Refresca muito melhor do que a forte e traiçoeira sangría.
Para onde ir depois
Se a cultura espanhola te encantou e você está planejando um roteiro mais amplo, dá uma olhada nos nossos outros guias. Aqui estão os links para os artigos que vão te ajudar no planejamento:
- Vai para a Catalunha? Leia o que ver em Barcelona e para onde ir na pitoresca Costa Brava. Faça também uma parada na histórica Girona.
- Te atrai o centro e o leste do país? Temos guias da capital Madri, da ensolarada Valência e da litorânea Alicante. Vale mencionar também as casas únicas penduradas na rocha de Cuenca.
- Você ama o sul e a Andaluzia? Explore conosco a história e os monumentos no artigo Guia de Granada, planeje sua estadia com Férias em Málaga ou descubra como sopra o vento na surfista Tarifa.
- Se você ruma para o verde norte, não deixe de fora a peregrina Santiago de Compostela e a portuária Vigo.
- Para os amantes de resorts e arranha-céus, reunimos dicas de Benidorm.
- E se você se interessa pela gastronomia ainda mais a fundo, estude nosso panorama da Comida Típica Espanhola.
Perguntas frequentes
Co přesně znamená slovo tapas?
Původně slovo znamenalo víčko nebo poklop. Barmani na jihu jím přikrývali sklenice s vínem, aby do nich nelétal hmyz. Dnes se tímto pojmem označují malé porce jídla určené ke sdílení, které se podávají jako doprovod k alkoholickým i nealkoholickým nápojům v barech.
V kolik hodin se ve Španělsku chodí na večeři?
Španělé jedí mnohem později než my. Oběd probíhá mezi druhou a půl čtvrtou odpoledne. Večeře začíná v Madridu obvykle kolem deváté hodiny večerní, zatímco na horkém andaluském jihu není výjimkou zasednout ke stolu až po desáté hodině v noci.
Jsou tapas ve Španělsku opravdu zdarma?
Ano, ale jen v určitých regionech. Nejznámějším místem s touto tradicí je Granada v Andalusii nebo město León na severu. K objednanému pivu či vínu tam automaticky dostanete malý talířek s jídlem zdarma. V Madridu nebo Barceloně se za jídlo naopak běžně platí.
Jaký je rozdíl mezi tapas a pintxos?
Zatímco tapas jsou malé porce jídla na talířku, pintxos jsou vizuálně propracované jednohubky typické pro severní Baskicko. Většinou jde o různé ingredience mistrně naaranžované a upevněné párátkem na plátku křupavé bagety. Vybíráte si je sami přímo z baru.
Musím v restauracích nechávat spropitné?
Spropitné není povinné ani nikým vymáhané, obsluha má normální plat. Běžným zvykem je však zaokrouhlit účet směrem nahoru, nebo nechat na stole pár drobných eur jako poděkování za dobrou péči. Při vynikajícím servisu se nechává zhruba pět až deset procent z útraty.
Je voda v restauracích a barech zdarma?
Ano, od roku 2022 začal platit zákon, který nařizuje všem pohostinským zařízením nabízet kohoutkovou vodu zcela zdarma. Stačí si při objednávce říct o agua del grifo a číšník vám přinese sklenici nebo džbánek vody, za který nebudete nic platit.
Jak se platí v baskických pintxos barech?
Systém je velmi založený na vzájemné důvěře. Při příchodu dostanete talířek, na který si sami nabíráte pintxos z pultu. Párátka, kterými je jídlo propíchnuté, si schováváte. Při odchodu číšník jednoduše spočítá vaše párátka a podle nich vám vystaví konečný účet.
Dá se ve Španělsku najíst vegetariánsky?
Určitě ano, i když je země proslulá masem a rybami. V barech bez problémů najdete brambory patatas bravas, sýry, chléb s rajčetem, pimientos de padrón nebo klasickou bramborovou tortillu. Větší města navíc zažívají obrovský rozmach moderních bezmasých restaurací.
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