Quando se fala em França, a maioria das pessoas imagina logo os campos de lavanda na Provença, tardes preguiçosas com uma taça de vinho rosé ou a romântica Paris. Mas Saint-Malo, na França, é um mundo completamente diferente. Você está no noroeste mais bravio, na própria beira do continente, onde a terra firme trava uma luta eterna com o Atlântico. A Bretanha não é nada refinada — é uma terra de granito, sal, vento cortante e um orgulho céltico de tirar o fôlego.
Os moradores locais costumam se sentir primeiro bretões e só depois franceses. Eles têm a própria língua, a onipresente bandeira preta e branca Gwenn-ha-du e uma visão um pouco diferente de como a vida deve ser. Ninguém vai a Saint-Malo para tomar sol numa espreguiçadeira, mas para encontrar a natureza crua, falésias de tirar o fôlego e a história incrível dos destemidos corsários.
Neste artigo vamos ver juntos 12 dicas do que ver e fazer em Saint-Malo, para que você aproveite ao máximo esse canto fascinante da França. Vou contar como fugir das multidões, onde encontrar a melhor hospedagem e como funcionam as marés extremas daqui, capazes de surpreender mais de um viajante desprevenido. Prepare a capa de chuva, porque vamos precisar dela.

Resumo
- A base é a muralha de Intra-Muros: O centro histórico é cercado por muralhas robustas, pelas quais dá para caminhar em volta de toda a cidade.
- Cuidado com as marés: A baía de Saint-Malo tem uma das maiores diferenças entre maré alta e maré baixa da Europa, e a água sobe extremamente rápido.
- Cidade dos corsários: Você vai descobrir que os heróis locais não eram piratas comuns, mas corsários pagos pelo Estado, que assaltavam navios estrangeiros.
- O tempo é imprevisível: Mesmo em agosto você pode ser surpreendido por uma forte ventania atlântica; roupas de qualidade em camadas são absolutamente indispensáveis.
- Paraíso para vegetarianos e amantes do mar: A base da culinária local são as galettes salgadas de trigo-sarraceno, litros de cidra seca e, para os corajosos, as famosas ostras da vizinha Cancale.
- Passeios ideais pelos arredores: Não deixe de fora a medieval Dinan, a elegante Dinard ou o selvagem cabo Pointe du Grouin.

Quando ir a Saint-Malo e como chegar
A Bretanha nunca dá nada de graça, e sua maior barreira costuma ser justamente o clima. Uma piada local diz, com razão, que na Bretanha faz tempo bom várias vezes por dia. O tempo aqui é extremamente instável, então nuvens carregadas podem surgir do nada num céu ensolarado e um vento forte com chuva pode começar a açoitar você até em pleno agosto. Pode deixar o guarda-chuva comum guardado em casa, porque a ventania atlântica o transformaria em um minuto num montinho inútil de arames retorcidos. Bem mais útil vai ser uma boa capa de chuva impermeável, que por aqui chamam de ciré. Se comprar a tradicional versão amarela, vai se misturar perfeitamente aos locais e ainda fica lindo nas fotos contrastando com o granito cinza.
Apesar dos caprichos do clima, visitar no verão é uma enorme vantagem. Enquanto o sul da França assa em julho e agosto sob calorões de quarenta graus e sufoca com o assédio de turistas, a Bretanha oferece ar respirável e um frescor revigorante. No verão acontecem com frequência as chamadas Fest-Noz, festas noturnas tradicionais cheias de música céltica ao vivo, danças em roda e cidra. O melhor meio-termo para viajar sem as maiores multidões é junho ou setembro, quando o mar ainda está frio, mas os dias continuam agradavelmente longos.
Chegar a Saint-Malo é bastante simples. Vindo do Brasil, o caminho mais comum é voar até Paris (companhias como Air France, LATAM ou TAP, com conexão em Lisboa, fazem essa rota) e de lá seguir de trem. A opção mais rápida é o trem-bala TGV, que parte de Paris e chega aqui em menos de três horas. É um tempo fantástico para quem quer explorar só a cidade e os arredores mais próximos. Mas se você planeja descobrir também as falésias selvagens, os faróis mais distantes e as cidadezinhas pitorescas da costa, vai precisar de carro próprio ou alugado. O transporte público fora das grandes cidades funciona de forma esporádica na Bretanha, e aos lugares mais bonitos e remotos simplesmente não se chega de ônibus.

Onde se hospedar em Saint-Malo
💡 Dica de hospedagem e experiências: A gente prefere procurar hospedagem no Booking.com, onde costumam ter as melhores condições de cancelamento. Já os ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.
Na hora de escolher sua base estratégica, você tem basicamente duas opções principais, que se diferenciam radicalmente em atmosfera e preço. A maior experiência é, claro, ficar dentro de Intra-Muros, ou seja, dentro da cidade velha fortificada. Você vai dormir em ruelas estreitas de pedra, sair de roupão de manhã até a padaria mais próxima para comprar pão fresco e, à noite, caminhar pelas muralhas vazias só sob a luz dos postes. O preço dessa romântica, porém, são os valores mais altos e o enorme problema de estacionamento, já que chegar de carro ao centro histórico é muito difícil e praticamente não existem vagas.
A segunda opção, e muitas vezes mais prática para quem dirige, é o bairro ao longo da praia Sillon ou a mais tranquila Saint-Servan. Os hotéis daqui oferecem vistas maravilhosas direto para o oceano aberto e costumam ter estacionamento próprio ou, pelo menos, vagas mais fáceis na rua. Daqui até o centro histórico é só uma agradável caminhada de vinte minutos pelo calçadão. Considere também se hospedar na vizinha cidade medieval de Dinan, que funciona como uma ótima base, um pouco mais tranquila, para explorar toda a região. Para 2026, conte com um bom quarto duplo em alta temporada saindo por cerca de 120 a 180 euros a noite.
Quanto à hospedagem, recomendo fortemente não enrolar e reservar tudo pelo Booking.com com vários meses de antecedência. Entre os hotéis específicos, vale mencionar o luxuoso Hôtel Le Nouveau Monde, que fica bem na praia e oferece vistas inesquecíveis do mar, além de um ótimo spa para se aquecer depois das caminhadas ventosas. Se você procura algo bem no coração das muralhas, o Hôtel de la Cité tem uma atmosfera encantadora e fica a literalmente poucos passos dos monumentos históricos. Já para viajantes com orçamento mais apertado, uma excelente escolha é o Ibis Styles Saint Malo Port, que fica pertinho do porto e tem ótimo custo-benefício, incluindo um café da manhã farto.

12 dicas do que ver e fazer em Saint-Malo
Saint-Malo é uma cidade orgulhosa que, há séculos, se curva exclusivamente ao mar e ao seu ritmo indomável. Preparei para você doze lugares e experiências concretas que você definitivamente não deveria perder durante a sua visita.

1. Caminhada pelas majestosas muralhas de Intra-Muros
As muralhas de pedra que cercam o centro histórico são um ícone absoluto da cidade e o primeiro lugar para onde seus passos deveriam levar. Todo o circuito tem pouco menos de dois quilômetros e oferece as melhores vistas panorâmicas da cidade e da baía. De um lado você vai olhar para o emaranhado de ruelas estreitas de paralelepípedo cheias de aconchegantes creperias; do outro, abre-se diante de você o horizonte infinito do Atlântico, salpicado de ilhotas e fortalezas. Durante a caminhada, você certamente vai notar a onipresente bandeira bretã preta e branca Gwenn-ha-du, que tremula com orgulho em cada esquina e lembra a forte identidade céltica dos moradores.
Sobe-se às muralhas por várias escadarias de pedra discretas, sendo que a entrada mais popular fica junto ao portão principal, a Porte Saint-Vincent. É justamente aqui que começa a verdadeira atmosfera do velho porto. Recomendo planejar o passeio para o fim de tarde ou o entardecer, quando o sol que cai começa a tingir as austeras pedras de granito em tons quentes e o vento do mar costuma perder um pouco da sua agressividade. Pelo caminho você vai encontrar muitos nichos pequenos, torres de vigia e canhões de bronze que ainda hoje apontam para o mar aberto.
💡 Dica: Se quiser tirar as melhores fotos sem centenas de outros turistas, suba às muralhas bem cedinho. A maioria dos visitantes ainda está tomando café da manhã, e você vai ter todo o calçadão de pedra e as vistas do mar despertando quase só para você.

2. Cité Corsaire e a fascinante história dos piratas
Saint-Malo não era um porto francês qualquer — era a temida sede dos corsários. Ao contrário dos piratas comuns, os corsários eram marinheiros abençoados pelo Estado, que tinham autorização oficial do rei da França para atacar navios mercantes inimigos (sobretudo os ingleses) e tomar deles ricos espólios. O mais famoso de todos foi Robert Surcouf, cuja grande estátua de bronze ainda hoje aponta o dedo orgulhosamente em direção à Inglaterra, lembrando uma época em que os marinheiros locais não temiam ninguém. A cidade inteira respira até hoje essa atmosfera rebelde, e o legado corsário está presente nos nomes de ruas e restaurantes.
Ao caminhar pelas ruelas sinuosas da Cité Corsaire, é difícil acreditar que durante a Segunda Guerra Mundial a cidade foi quase arrasada. Em agosto de 1944, ela foi destruída por um forte bombardeio americano e pelos incêndios que se seguiram, restando apenas cerca de vinte por cento das construções originais. Mas os franceses demonstraram uma vontade incrível e reconstruíram a cidade literalmente pedra por pedra, seguindo os planos históricos originais, de modo que hoje ela parece absolutamente autêntica.
💡 Dica: Pare na catedral de Saint-Vincent, bem no coração da cidade velha. Seus belos vitrais são, na verdade, um trabalho moderno do pós-guerra, mas dão ao escuro interior de pedra uma atmosfera incrivelmente mística e colorida.

3. O fenômeno das marés gigantes e das ondas
A baía entre a Bretanha e a Normandia esconde um fascinante fenômeno natural, por causa do qual gente do mundo inteiro vem até aqui. A diferença entre maré alta e maré baixa está entre as maiores da Europa, e o nível da água pode subir e descer incríveis 12 metros. Durante a maré baixa, o mar recua quilômetros e revela enormes planícies de areia repletas de conchas variadas, pequenos caranguejos e restos de velhos destroços enferrujados, encalhados ali há muitos anos. Esse espetáculo é deslumbrante, mas ao mesmo tempo esconde um perigo enorme e muitas vezes subestimado.
É que a água volta à costa com força e velocidade enormes. As placas de aviso locais costumam alertar que o mar avança na velocidade de um cavalo a galope. Todos os anos, a guarda costeira precisa resgatar dezenas de turistas imprudentes que foram longe demais e não conseguiram voltar para terra firme antes da maré subir. Os fenômenos mais dramáticos (as chamadas grandes marées) acontecem regularmente durante os equinócios de primavera e outono, quando as ondas se quebram contra os quebra-mares e respingam até na estrada.
💡 Dica: Sempre confira com antecedência as tabelas de marés (horaires des marées), que ficam afixadas em cada praia ou em aplicativos turísticos. Se planeja uma caminhada mais longa pelo fundo do mar exposto, mantenha sempre a terra firme à vista e fique de olho no relógio.

4. A ilha Grand Bé e o túmulo do famoso escritor
Quando o mar recua durante a maré baixa, abre-se diante de você um caminho seco e um pouco escorregadio até a pequena ilhota rochosa Grand Bé. Esse discreto pedaço de rocha guarda o túmulo de François-René de Chateaubriand, famoso escritor francês e orgulhoso filho de Saint-Malo. Ele mesmo, em seu testamento, pediu para ser enterrado justamente aqui, para poder ouvir eternamente o som das ondas atlânticas selvagens que tanto amou em vida. O caminho até a ilha segue por uma trilha calçada, visível apenas algumas horas por dia, e forma uma ponte mágica entre a cidade e o oceano.
Curiosamente, o próprio túmulo é, por pedido expresso do escritor, muito simples, sem nome algum ou inscrição pomposa. Pode soar um pouco melancólico, mas do topo da ilha você terá uma vista maravilhosa de toda a cidade fortificada de uma perspectiva totalmente diferente. É especialmente lindo aqui pouco antes do pôr do sol, quando o céu fica roxo.
💡 Dica: Antes de ir até Grand Bé, olhe nas placas informativas a que horas exatamente termina o acesso seguro. Se você ficar tempo demais na ilha e a água cobrir a trilha, ficará preso lá pelas próximas seis horas e com certeza não vai escapar de uma multa pesada pela operação de resgate.

5. A inexpugnável fortaleza Fort National
Outra joia insular, que emerge do mar exclusivamente na maré baixa, é o majestoso Fort National. Essa fortaleza inexpugnável foi mandada construir em 1689 pelo famoso arquiteto militar Vauban, por ordem direta do rei Luís XIV. Sua principal missão era proteger o porto dos constantes ataques ingleses e, é preciso dizer, ela cumpriu esse objetivo estratégico de forma absolutamente confiável por séculos. A silhueta da fortaleza ergue-se sobre a areia ao redor como um enorme navio de pedra e completa o panorama típico da cidade.
Hoje essa imponente fortaleza está aberta ao público, ainda que apenas em horários bem definidos, que dependem exclusivamente do humor do mar. O ingresso para adulto custa cerca de 8 euros e, por esse valor, você ganha a chance de explorar as antigas muralhas, os escuros depósitos de munição e admirar as vistas da cidade através das bocas dos velhos canhões. Na torre mais alta tremula a bandeira francesa, que dá ao lugar o toque histórico certo e serve como ótimo ponto de referência.
💡 Dica: Se você não quiser pagar entrada ou não pegar o horário oficial de funcionamento, a caminhada ao redor das próprias muralhas da fortaleza pelo fundo do mar exposto é totalmente gratuita e oferece ótimos ângulos para fotografar os blocos de granito.

6. Praias de areia e a icônica piscina de água do mar
Embora Saint-Malo definitivamente não seja um destino de praia típico para os amantes do bronzeado, os trechos de areia daqui têm seu charme inconfundível e um tanto bravio. A mais conhecida é a enorme Plage du Sillon, que se estende por quase três quilômetros e é ladeada por fascinantes estacas de madeira chamadas brise-lames. Esses maciços troncos de carvalho estão cravados bem fundo na areia e há décadas protegem o calçadão da força devastadora das ondas de inverno, que aqui são capazes de causar enormes estragos.
Bem abaixo das muralhas da cidade você encontra a bem menor e mais protegida Plage de Bon-Secours. Sua maior atração é uma piscina de água do mar única (piscine d’eau de mer), construída ali ainda nos anos 1930. Quando chega a maré baixa e o mar recua para longe, a água fica retida na piscina de pedra e se aquece agradavelmente ao sol do verão. Isso permite um banho seguro mesmo quando o oceano de verdade está a centenas de metros de distância.
💡 Dica: A água do mar na Bretanha é realmente muito refrescante e, mesmo em pleno verão, raramente passa dos 18 graus Celsius. Se você não é um nadador acostumado a água fria, leve uma roupa de neoprene fina para nadar — com certeza você não será o único na praia usando uma.

7. Fugindo da chuva no Grand Aquarium
Quando o imprevisível clima bretão te trair de vez e desabar uma chuva persistente (o que acontece com bastante frequência aqui), o refúgio ideal para toda a família é o Grand Aquarium local. Ele está entre os melhores e mais modernos da França e oferece um mergulho fascinante nas profundezas dos oceanos do mundo. Você pode esperar dezenas de tanques gigantes cheios de peixes tropicais coloridos, pequenos tubarões, tartarugas marinhas e criaturas das mais variadas das frias águas atlânticas que cercam a costa bretã.
A maior experiência de todas é o chamado Anneau des Mers. É um enorme tanque circular com visão de 360 graus, onde você se encontra bem no meio do mundo aquático e, acima da cabeça, grandes tubarões e graciosas arraias deslizam majestosamente. O aquário fica um pouco fora da cidade, então o melhor é chegar de carro ou pela linha de ônibus local. Os ingressos você pode comprar com tranquilidade pela internet ou procurar pacotes vantajosos pelo portal GetYourGuide.
💡 Dica: Nos dias chuvosos de verão, cerca de metade dos turistas da região inteira tem essa mesma ideia de fuga. Recomendo muito comprar os ingressos com antecedência para um horário específico, para não ter que enfrentar longas filas nas bilheterias, que podem se estender por até uma hora.

8. Um curto passeio de barco até a elegante Dinard
Bem em frente a Saint-Malo, do outro lado do amplo estuário do rio Rance, fica o pitoresco balneário de Dinard. Enquanto Saint-Malo é áspera, de pedra e pirata, Dinard é a personificação absoluta da elegância da Belle Époque. Na virada do século XIX para o XX, ricos britânicos e influentes parisienses construíram aqui suntuosas vilas de veraneio bem nas falésias íngremes sobre o mar. O lugar conserva até hoje a maravilhosa atmosfera dos bons e velhos tempos, complementada pelas icônicas barracas de praia listradas de azul e branco e pelos elegantes calçadões.
O caminho mais bonito até Dinard não passa pela demorada estrada, mas direto pela superfície da água. Do porto de Saint-Malo parte regularmente um pequeno ônibus aquático (Bus de Mer), que leva você ao outro lado da baía em apenas dez minutos. Durante essa breve travessia, você ainda desfruta de vistas panorâmicas fantásticas das duas cidades e economiza o chato contorno de toda a baía de carro nos congestionamentos de verão.
💡 Dica: Em Dinard, reserve um tempo para caminhar pela famosa trilha costeira Promenade au Clair de Lune. Ela serpenteia bem abaixo das falésias rochosas e oferece vistas luxuosas das opulentas vilas históricas e do próprio mar cintilante.
9. O vale do Rance e a joia medieval de Dinan
Se você sentir vontade de uma pequena mudança de cenário e quiser deixar por um momento o oceano ventoso, vá um pouco para o interior. A cidadezinha de Dinan é provavelmente a mais bonita e mais bem preservada cidade medieval de toda a Bretanha. Ao contrário das cidades costeiras, ela não sofreu danos tão catastróficos durante a guerra, então aqui se conservaram em plena beleza as casas originais de enxaimel, robustas muralhas de pedra e ruelas estreitas e sinuosas que respiram história profunda.
O lugar mais famoso da cidade é, sem dúvida, a íngreme rua Rue du Jerzual, que desce abruptamente do centro histórico até o rio Rance. As margens dessa rua são formadas por oficinas artesanais tradicionais, galerias de arte e pequenos cafés, instalados em casas de conto de fadas dos séculos XV e XVI. Caminhar por essa rua é como uma verdadeira viagem no tempo até a época dos ricos comerciantes bretões — só tome cuidado e use calçado confortável, pois os paralelepípedos aqui são bem traiçoeiros.
💡 Dica: Não perca um almoço descontraído ou um café da tarde lá embaixo, no porto Port de Dinan. Enquanto a cidade alta é cheia de ladeiras íngremes, o porto oferece um calçadão plano ao longo do tranquilo rio, com lindas vistas do velho viaduto de pedra.

10. Cancale e as famosas ostras (não só para os corajosos)
Os amantes de frutos do mar acorrem com entusiasmo ao vizinho porto de Cancale, que conquistou com justiça o título de capital das ostras. Essa cidadezinha pequena e, à primeira vista, discreta produz incríveis 15.000 toneladas por ano, e o cultivo delas tem aqui uma profunda tradição secular. Diz-se que o próprio rei Luís XIV mandava importar em grande quantidade a produção daqui para Paris, pois não abria mão da qualidade dessas ostras.
A experiência mais autêntica você não vive em um restaurante de luxo com ar-condicionado, mas diretamente no animado mercado à beira-mar (Marché aux Huîtres). As pessoas costumam comprar pratos de plástico de ostras recém-pescadas por poucos euros; os vendedores as abrem na hora, num instante, e acrescentam um pedaço de limão. Os consumidores então se sentam no muro de pedra, olham para o mar e simplesmente jogam as conchas vazias por cima do ombro para a praia lá embaixo, onde já jazem milhões de outras conchas velhas. É brutalmente simples e absolutamente fascinante de observar, mesmo que você não vá experimentar.
💡 Dica: Mesmo que você não coma frutos do mar por qualquer razão, a caminhada pela orla de Cancale definitivamente vale a pena. Com boa visibilidade, ao longe, do outro lado da baía, vai aparecer a silhueta mágica e inconfundível da famosa abadia de Mont-Saint-Michel.

11. Gastronomia bretã para vegetarianos: galettes e cidra
Esqueça por um momento as clássicas baguetes francesas crocantes — a Bretanha funciona em frequências gastronômicas completamente diferentes. A pedra fundamental da culinária local é a excelente manteiga salgada e a escura farinha de trigo-sarraceno. Dela se fazem as famosas panquecas salgadas chamadas galettes, naturalmente escuras, lindamente crocantes e com um leve sabor terroso. São uma escolha absolutamente ótima para vegetarianos, pois você pode recheá-las com deliciosos queijos locais, espinafre fresco, ovo ou, por exemplo, queijo de cabra com nozes e mel. (Os locais adoram a clássica “complète” com presunto, mas em qualquer creperia há uma infinidade de opções sem carne.)
Com a galette, bebe-se exclusivamente a cidra local, ou seja, um mosto de maçã fermentado levemente alcoólico, servido nas variantes brut (seca) ou doux (mais doce). Você nunca vai recebê-la em um copo comum: ela é bebida em tigelas tradicionais de cerâmica chamadas bolées, o que dá a toda a experiência o toque rústico certo. Para encerrar a refeição, não pode faltar uma doce panqueca de trigo (crêpe) com o denso caramelo salgado caseiro (caramel au beurre salé) ou a consistente sobremesa far breton, com ameixas secas.
💡 Dica: Se você tem uma queda por doces e não tem medo das calorias, procure numa padaria o tradicional bolo Kouign-amann. É uma maravilha pecaminosa, feita de camadas de massa, uma montanha de manteiga e açúcar caramelizado. Come-se quente e vai te conquistar por completo.

12. O cabo selvagem Pointe du Grouin
Logo depois da cidadezinha de Cancale, há um lugar para onde o vento vai dormir e onde você sente plenamente a força da natureza. O cabo Pointe du Grouin é uma deslumbrante ponta rochosa que se enfia de forma extraordinariamente afiada nas ondas do mar. A natureza daqui é absolutamente indomável, cheira a sal, urze em flor e iodo. Das falésias abre-se uma fantástica vista circular de toda a vasta baía de Mont-Saint-Michel e da vizinha ilha desabitada de Landes, que funciona como uma importantíssima e protegida reserva de aves.
Trilhas bem sinalizadas levam você bem pelas bordas das falésias, onde você pode passar horas observando, maravilhado, o oceano revolto e os corvos-marinhos voando em círculos. O vento aqui costuma ser tão forte que dá literalmente para se apoiar nele, e a sensação de liberdade absoluta é palpável a cada respiração. É exatamente aquele canto selvagem da Bretanha que faz as pessoas encararem a longa viagem até aqui, vindas do mundo inteiro.
💡 Dica: Leve para as falésias um calçado fechado e firme e um casaco confiável contra o vento, mesmo que, junto ao carro estacionado, pareça não haver vento nenhum. O tempo na própria borda do cabo é sempre alguns graus mais áspero e imprevisível do que no interior.
Para onde ir a partir de Saint-Malo
Se a atmosfera bretã te conquistou, você tem pela frente um monte de opções para continuar a viagem. Toda a Bretanha é entrelaçada por falésias selvagens, faróis e misteriosos menires à espera de serem descobertos. Comece explorando a costa norte de granito rosa ou siga para o sul, rumo às místicas pedras de Carnac.
Você definitivamente não deveria deixar de fora a viagem para o leste, onde fica um dos lugares mais visitados de toda a França. O majestoso Mont-Saint-Michel está a pouco menos de uma hora de carro de Saint-Malo, e a visão dessa abadia fortificada numa ilha, cercada por areias movediças, vai te deixar absolutamente sem fôlego.
Perguntas frequentes
Kolik dní potřebuji na návštěvu Saint-Malo?
Pro samotné historické město a procházku po hradbách vám s přehledem postačí jeden celý den. Pokud ale chcete prozkoumat i okolní místa jako Dinard, Dinan, vyrazit na mys Pointe du Grouin a užít si jedinečnou atmosféru bez spěchu, vyhraďte si alespoň tři plné dny. Saint-Malo totiž funguje jako naprosto skvělá strategická základna pro severní pobřeží.
Kde je nejlepší parkovat?
Parkování v centru (Intra-Muros) je velmi drahé a místa jsou chronicky obsazená. Nejlepší volbou je obří záchytné parkoviště Paul Féval (v roce 2026 stojí celodenní stání kolem 15 eur). Z parkoviště jezdí pravidelně zdarma kyvadlový autobus přímo k historickým hradbám, takže si ušetříte spoustu stresu v úzkých jednosměrných uličkách.
Kdy je nejlepší doba na pozorování obřích přílivů?
K těm vůbec největším a nejdramatičtějším přílivům (takzvaným grandes marées) dochází pravidelně během jarní a podzimní rovnodennosti, tedy koncem března a koncem září. Voda v těchto dnech stoupá extrémně vysoko a často se s ohlušujícím rachotem přelévá přímo přes ochranné vlnolamy na nábřeží.
Je Saint-Malo drahá destinace?
Saint-Malo patří v rámci Bretaně k těm o něco dražším lokalitám, zejména pokud jde o ubytování v hlavní letní sezóně. Za oběd v podobě kvalitní galette zaplatíte kolem 12 až 15 eur, což je velmi přijatelné, ale večeře v luxusnější restauraci uvnitř hradeb s výhledem na moře může vaši peněženku provětrat podstatně více.
Co dělat ve městě, když prší?
Kromě návštěvy obřího Grand Aquarium se můžete schovat v některé z mnoha útulných palačinkáren a popíjet teplý čaj nebo tradiční cidre. Za návštěvu stojí také zajímavé muzeum v hlavní hradní věži (Musée d’Histoire de la Ville), kde se dozvíte vše podstatné o slavné korzárské minulosti a námořních objevech regionu.
Jak se bezpečně dostat na ostrov Grand Bé?
Přístupová kamenná cesta na ostrov se otevírá zhruba hodinu a půl před maximálním odlivem a zavírá se zhruba hodinu a půl po něm. Přesný časový rozpis najdete vždy vyvěšený na tabuli přímo u vstupu na pláž Bon-Secours. Nikdy se nesnažte přecházet, pokud už mořská voda začala zalévat dlážděnou stezku.
Dá se v Saint-Malo vykoupat v moři?
Koupat se tu dá na několika hezkých písečných plážích, ale teplota Atlantiku je poměrně nekompromisní. Voda zřídkakdy překročí hranici 18 až 19 stupňů, a to i v tom nejteplejším srpnu. Pokud preferujete klidnější a o něco teplejší vodu, vyzkoušejte mořský bazén na pláži Bon-Secours, kde se voda na slunci ohřeje mnohem rychleji.
Tipy a triky pro vaší dovolenou
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