Picos de Europa: montanhas à beira do oceano no norte da Espanha

Se você está pensando em trocar as praias lotadas da Andaluzia por algo um pouco mais dramático, o norte da Espanha vai te surpreender de verdade. Assim que você cruza a fronteira para a região da Espanha Verde, a paisagem muda radicalmente. O planalto seco dá lugar a um verde intenso, o ar fica pesado com a umidade do oceano e, na sua frente, surgem picos calcários que descem quase em linha reta até as ondas do Mar Cantábrico. Picos de Europa Espanha é, sem dúvida, um dos destinos mais impressionantes da Europa.

O Parque Nacional Picos de Europa (Picos da Europa) é um paraíso de verdade para quem ama montanhas, estradas sinuosas e gastronomia. O nome foi dado por marinheiros que voltavam da América — esses picos eram a primeira terra que avistavam no horizonte. É um canto absolutamente único da Europa, onde a natureza montanhosa bruta se mistura com a elegância das cidades litorâneas que ficam bem pertinho.

Neste artigo você vai encontrar 14 dicas detalhadas do que ver e fazer em Picos de Europa. Vou te contar como resolver a logística das lagoas de montanha, onde se hospedar estrategicamente e qual é a melhor época para curtir as montanhas sem neblina e chuva.

Picos de Europa Espanha
Foto: Carlos Delgado / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Transporte é essencial: Explorar Picos de Europa sem carro alugado é quase impossível — o transporte público para as passagens de montanha é muito limitado.
  • Clima ideal: A melhor janela para visitar é de junho a setembro, quando você evita as chuvas fortes e aproveita temperaturas em torno de agradáveis 24 °C.
  • Bases estratégicas: As cidadezinhas Potes, na Cantábria, e Cangas de Onís, nas Astúrias, são os melhores pontos de partida para as excursões ao parque nacional.
  • Atrações imperdíveis: O teleférico de Fuente Dé e as lagoas glaciais de Covadonga são absolutamente obrigatórios, mas no verão já conte com restrições de acesso de carro.
  • Trilha para todos os níveis: Faça a famosa Ruta del Cares, que oferece vistas de tirar o fôlego para um desfiladeiro profundo, sem exigir grande desnível.
  • Gastronomia local: Não deixe de provar o famoso queijo azul Cabrales, que matura em cavernas naturais de calcário.
  • Quanto tempo: Para conhecer os pontos principais de forma rápida, dois dias bastam; para explorar vilas e fazer trekking, reserve de cinco a sete dias.
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Quando ir a Picos de Europa

Ao contrário do sul da Espanha, onde o verão é sinônimo de calor absurdo, o litoral norte tem um ritmo climático completamente diferente. A proximidade do oceano e as montanhas altas fazem com que chova bastante, apareça neblina e sopre vento forte. É justamente por causa dessas condições que a região toda é tão esplendidamente verde, lembrando mais a Escócia do que a Espanha típica.

A única janela confiável de tempo relativamente seco e ensolarado vai de junho até o final de setembro. Mesmo no agosto mais quente, as temperaturas ficam por volta de agradabilíssimos 22 a 26 °C, o que cria condições perfeitas para caminhadas. Se você quer fazer trilhas mais exigentes, recomendo ir na virada de agosto para setembro, quando o maior fluxo de turistas já diminuiu.

Fora da temporada de verão, prepare-se para o fato de que muitas estradas de montanha podem estar em más condições e vários serviços funcionam com horários reduzidos. O inverno em Picos de Europa é rigoroso — os picos ficam cobertos por uma grossa camada de neve e o teleférico, assim como os acessos às lagoas, frequentemente não operam. A primavera, por sua vez, é marcada por tempo muito instável: em uma hora pode passar sol e chuva intensa várias vezes.

Onde se hospedar em Picos de Europa

💡 Dica de hospedagem e atividades: Gostamos de buscar acomodação no Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Para ingressos, passeios e atividades, vale comparar pelo GetYourGuide.

O parque nacional se estende por três regiões: Cantábria, Astúrias e Leão. Para explorar as montanhas, é fundamental escolher a base certa, para não passar horas rodando por estradas sinuosas. A maioria dos viajantes opta por se hospedar nas bordas do parque e fazer excursões de um dia para cada atração.

No lado sudeste, na Cantábria, a escolha mais popular é a cidadezinha de montanha Potes. É um lugar histórico lindo, cheio de ruelas de pedra, com boa infraestrutura, muitos restaurantes e ótimo acesso ao teleférico de Fuente Dé. Uma opção querida pelos viajantes é o Hotel Valdecoro, com uma vista linda para o rio e as montanhas.

Se o seu foco for principalmente as lagoas e a parte norte das montanhas, recomendo Cangas de Onís como base. Fica nas Astúrias e tem toda a infraestrutura necessária, incluindo grandes supermercados. Uma excelente opção aqui é o Hotel Los Lagos Nature, bem no centro da cidade. Todas as acomodações podem ser reservadas com tranquilidade pelo Booking.com, de preferência com alguns meses de antecedência.

14 dicas do que ver e fazer em Picos de Europa

O parque nacional oferece uma enorme variedade de experiências, desde caminhadas tranquilas até expedições de alta montanha. Preparei para você uma lista detalhada com 14 lugares que definitivamente não podem faltar no seu roteiro, se você quiser conhecer a verdadeira face da Espanha Verde.

1. Teleférico de Fuente Dé

Teleférico de Fuente Dé
Foto: Vilanchelo / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Esta é uma verdadeira maravilha da engenharia e provavelmente a maior atração da parte sul do maciço. O teleférico de Fuente Dé é o maior monobloco da Europa, que te leva em menos de quatro minutos da altitude de 1.070 metros até a estação superior El Cable, a 1.823 metros. Vence um desnível de mais de 750 metros sem nenhum pilar de sustentação, de modo que a cabine fica literalmente suspensa no ar diante de uma parede rochosa quase vertical.

A experiência da viagem é de tirar o fôlego e o mirante da estação superior oferece um panorama inesquecível de todo o Vale de Liébana. O bilhete de ida e volta custa em torno de 17 euros e, na alta temporada, comprar os ingressos online com bastante antecedência é absolutamente indispensável — caso contrário, você vai ficar horas na fila.

A partir da estação superior, partem várias trilhas incríveis direto para o coração do maciço central. Se você curte caminhadas mais longas, recomendo não comprar o bilhete de volta e descer a pé pelo vale, passando pela vilarejo de Espinama. É uma descida que ocupa o dia todo, mas recompensa com as paisagens mais bonitas que a Cantábria tem a oferecer.

2. Lagoas glaciais de Covadonga

No lado oposto, a noroeste da cordilheira, ficam as icônicas lagoas glaciais Enol e Ercina, conhecidas como Lagos de Covadonga. Estão a mais de 1.000 metros de altitude e a paisagem ao redor é simplesmente mágica. Os pastos verdes-intensos contrastam com os picos calcários cinzas e, nas margens das lagoas, vacas pastam livremente — seus sinos criam uma atmosfera de montanha única.

Até as lagoas sobe uma estrada de montanha estreita, muito sinuosa e em alguns trechos bastante íngreme, que por si só já é uma aventura para quem dirige. Ao redor das lagoas há várias trilhas circulares de dificuldade baixa, que você consegue fazer mesmo sem equipamento de trekking especializado. Não deixe de subir ao mirante Mirador de Entrelagos, de onde você avista as duas lagoas como se estivesse olhando de cima.

⚠️ Aviso logístico: Durante o pico do verão, de junho a setembro, e nos feriados, a estrada para as lagoas fica completamente fechada para carros particulares durante o dia. Você só consegue subir de ônibus circular saindo dos grandes estacionamentos no vale, perto de Cangas de Onís. O bilhete de ida e volta do ônibus custa em torno de 9 euros — recomendo pegar o primeiro horário da manhã, antes que o vale fique cheio de gente.

3. O santuário sagrado de Covadonga

No caminho para as lagoas, você vai passar por um lugar de enorme importância histórica e espiritual para todos os espanhóis. O Santuário de Covadonga está esculpido diretamente na parede rochosa íngreme acima de uma cachoeira. Foi aqui que, em 722, o nobre visigodo Pelágio derrotou o exército mouro e deu início à Reconquista — a retomada da Península Ibérica.

Na pequena gruta de Santa Cueva está hoje uma capelinha com a imagem de Nossa Senhora de Covadonga e também o túmulo do próprio rei Pelágio. O lugar transmite uma espiritualidade impressionante, especialmente quando envolto pela neblina matinal, tão típica das montanhas asturianas. Do vale sobe uma escadaria até a gruta e conta a lenda que, se você subir todos os degraus, seu desejo secreto se realizará.

Logo ao lado da gruta ergue-se uma majestosa basílica construída em calcário rosado, que forma um contraste incrível com as florestas verde-intenso ao fundo. A entrada para o complexo é gratuita, mas o estacionamento na região é muito limitado e costuma lotar rápido na temporada.

4. A famosa trilha Ruta del Cares

A famosa trilha Ruta del Cares
Foto: Josevi11 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

Se você pudesse escolher apenas uma trilha em todo o parque nacional, que fosse a Ruta del Cares. É provavelmente a trilha mais famosa e mais impressionante de toda a Espanha. O percurso mede cerca de 11 a 12 quilômetros em um sentido e liga a vilarejo asturiana de Poncebos à pequena localidade leonesa de Caín.

A trilha está literalmente esculpida na parede rochosa e segue o rio Cares por um desfiladeiro profundo e estreito, apelidado de Garganta Divina. As vistas para o fundo do abismo e para os paredões verticais de calcário são de tirar o fôlego. Uma grande vantagem é que o caminho segue um antigo canal de manutenção, então o desnível é quase zero — o que permite que caminhantes menos experientes também façam a trilha sem dificuldade.

💡 Dica de quem conhece: O percurso não é circular. A maioria das pessoas vai de Poncebos até Caín, almoça numa taverna local e volta pelo mesmo caminho — o que dá mais de 22 quilômetros a pé. Recomendo sair bem cedo pela manhã, porque no meio do dia o desfiladeiro estreito fica cheio de gente e o calor refletido nas pedras pode ser bastante exaustivo.

5. A cidadezinha de montanha Potes

Potes é, sem dúvida, uma das cidadezinhas históricas mais bonitas de toda a Cantábria. Funciona como a principal porta de entrada para a parte leste de Picos de Europa e por si só merece pelo menos meio dia de visita. Fica na confluência de vários rios de montanha e suas ruelas antigas são cortadas por pontes de pedra medievais.

O ponto mais marcante da cidade é a imponente Torre del Infantado, do século XV, de onde se tem uma vista linda para as montanhas ao redor e para os telhados vermelhos das casas. Potes é conhecida pela sua arquitetura tradicional, onde pedra e madeira escura se alternam, e nas ruelas estreitas você encontra dezenas de pequenas lojas com produtos locais.

A cidade também é um ótimo lugar para fazer compras antes das excursões e tem uma quantidade enorme de restaurantes. À noite o lugar tem uma vida incrível: os bares exalam cheiro de comida e os moradores ficam nas mesas externas com vista para os picos majestosos. É o lugar perfeito para descansar com uma boa taça de vinho depois de um dia inteiro de trilha.

6. A remota aldeia de Bulnes

Bem no fundo das montanhas, no maciço central, se esconde a aldeia de Bulnes, que até hoje preserva sua autenticidade incrível. Até o ano 2001 não havia nenhuma estrada chegando até ela — o único acesso era por uma trilha íngreme pela montanha. Até hoje não existem carros no vilarejo e a vida segue seu próprio ritmo lento e tranquilo.

Atualmente você chega a Bulnes de funicular subterrâneo, que passa pelo interior da rocha a partir da aldeia de Poncebos. A viagem dura cerca de sete minutos e o bilhete de ida e volta custa em torno de 22 euros. Se você estiver em boa forma, recomendo subir a pé pelo belo Vale Canal del Tejo, o que leva menos de duas horas de subida bastante íngreme.

A própria aldeia é dividida em duas partes e oferece um olhar sobre a arquitetura de montanha tradicional, com casinhas de pedra. Um pouco acima da aldeia há um mirante de onde se abre um dos pontos de vista mais bonitos sobre o famoso cume Picu Urriellu. É um lugar ideal para um momento de silêncio, longe das multidões turísticas. ☺️

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7. Cangas de Onís e a ponte romana

Cangas de Onís e a ponte romana
Foto: ROSUROB / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0 es

Enquanto Potes domina o leste, Cangas de Onís é o coração pulsante da parte asturiana ocidental do parque. Essa cidade animada foi a primeira capital do Reino das Astúrias depois da vitória sobre os mouros e carrega até hoje uma história rica e orgulhosa. É um ponto de partida fantástico se você planeja explorar as lagoas de Covadonga.

O monumento mais famoso da cidade é a belíssima ponte de pedra sobre o rio Sella, conhecida como Puente Romano. Embora sua forma atual seja medieval, está construída sobre fundações romanas originais. Do arco central da ponte pende uma réplica da Cruz da Vitória (Cruz de la Victoria), símbolo de toda a Astúrias.

No domingo de manhã, não perca de jeito nenhum a feira tradicional na praça principal. Agricultores de toda a região chegam oferecendo legumes frescos, pão caseiro, artesanato e uma quantidade enorme de queijos locais. É uma ótima oportunidade para absorver a cultura local e apoiar os pequenos produtores.

8. O famoso queijo Cabrales e as cavernas de calcário

A região de Picos de Europa é mundialmente conhecida pela sua tradição queijeira única. O rei absoluto da gastronomia local é o queijo azul Cabrales, feito com uma mistura de leite de vaca, ovelha e cabra. Esse queijo tem um sabor muito forte, acentuado e picante, e um aroma inconfundível que perfuma cada aldeia de montanha.

O segredo da sua produção está no processo de maturação. O queijo matura por vários meses em cavernas naturais de calcário bem no meio das montanhas, onde a umidade é constante, em torno de 90%, e a temperatura se mantém entre 8 e 12 °C. São os fungos do gênero Penicillium que ocorrem naturalmente nas cavernas que dão ao queijo suas veias azuis e o sabor intenso.

A cena culinária local se apoia muito em pratos de montanha fartos, que historicamente precisavam saciar pastores em condições duras. Nos restaurantes você vai encontrar facilmente a tradicional fabada, um ensopado grosso de feijão com vários tipos de linguiça e carnes defumadas. Para quem prefere evitar a carne, o destaque mesmo é o queijo Cabrales, que os locais passam no pão ou usam para fazer molhos cremosos fantásticos.

9. O icônico cume Picu Urriellu (Naranjo de Bulnes)

Para todo alpinista e amante de montanhas, o Picu Urriellu é um objeto de culto. Esse monólito calcário de 2.519 metros se ergue como um dente gigante do maciço central. Embora não seja o pico mais alto da cordilheira, suas paredes quase verticais de mais de 500 metros de altura o tornam um dos maiores desafios do alpinismo espanhol.

O nome Naranjo de Bulnes (Laranjeira de Bulnes) vem da coloração alaranjada específica que as rochas calcárias ganham ao pôr do sol. A escalada até o cume é reservada a montanhistas experientes com equipamento de escalada, mas a caminhada até o sopé é um destino adorado por trilheiros mais experientes.

As vistas mais bonitas para essa montanha icônica se abrem a partir dos mirantes perto das aldeias de Sotres, Bulnes, ou do Mirador del Pozo de la Oración, perto da cidadezinha de Arenas de Cabrales. Se você curte fotografia, espere a luz do final da tarde nesses mirantes — a montanha literalmente se acende de laranja.

10. O futurista mirante Mirador del Fito

Se você quiser fazer uma pausa dos desfiladeiros profundos e contemplar a paisagem de cima, vá ao Mirador del Fito. Esse mirante de concreto único, de 1927, parece um disco voador e se destaca sobre um passo da cordilheira Sierra del Sueve, um pouco ao norte dos limites do parque nacional.

É um dos poucos lugares de onde você consegue ver ao mesmo tempo os picos selvagens de Picos de Europa e o azul infinito do Atlântico. Em dia claro, você enxerga dezenas de quilômetros de litoral com praias de areia de um lado e a muralha de montanhas calcárias do outro. O contraste entre esses dois mundos é simplesmente fascinante.

O mirante é acessível de carro e o estacionamento fica a poucos metros da plataforma. Mas fique ciente de que o passo frequentemente funciona como barreira para as nuvens vindas do oceano — pode acontecer de você subir e encontrar neblina total. Vale monitorar a previsão do tempo antes de ir.

11. A aldeia mais alta: Sotres

Para quem quer experimentar um isolamento montanhoso de verdade e curtir o silêncio, Sotres é a escolha certa. Com altitude de 1.050 metros, é a aldeia mais alta de toda a Astúrias. A estrada que leva até ela é dramática, repleta de curvas fechadas, e por si só vai colocar suas habilidades de motorista à prova.

Sotres é um paraíso absoluto para trilheiros e serve como ponto de partida para trekkings no maciço central. Daqui você pode partir para o Refugio de Áliva, ou embarcar em subidas mais exigentes em direção ao Picu Urriellu. Diferente do agitado Potes ou de Cangas de Onís, aqui você encontra apenas algumas casas rústicas, pequenas pousadas e o silêncio quebrado só pelo balido das ovelhas.

💡 Dica de quem conhece: Na aldeia há algumas pequenas queijarias familiares que oferecem visitas guiadas às suas cavernas de maturação. É uma experiência muito mais íntima e autêntica do que visitar os estabelecimentos comerciais no vale — e você ainda pode comprar o queijo diretamente das mãos do produtor.

12. A impressionante rota pelo Desfiladero de la Hermida

Não é só a caminhada que emociona em Picos de Europa — dirigir por aqui também é uma experiência incrível. O Desfiladero de la Hermida é o desfiladeiro mais longo da Espanha, com impressionantes 21 quilômetros de extensão, e conecta o litoral cantábrico com a cidadezinha de Potes. Foi formado pela erosão do rio Deva, que escavou um leito incrivelmente estreito no calcário.

A estrada N-621, que corta o desfiladeiro, serpenteia sob paredões verticais que chegam a atingir 600 metros de altura. Por causa do vale estreito, o sol só bate aqui por algumas horas por dia. A estrada é bem conservada, mas muito sinuosa — conte com uma velocidade média em torno de 40 km/h.

Mais ou menos na metade do desfiladeiro fica a aldeia de La Hermida, famosa pelas suas nascentes termais naturais. As fontes brotam diretamente no rio Deva e a água está a agradáveis 60 °C. Você pode pagar para entrar num spa sofisticado, ou encontrar as piscinas naturais sob a ponte, onde é possível se banhar de graça.

13. Trilhas e trekking no Macizo Central

O maciço central, também conhecido como Macizo de los Urrieles, é a parte mais alta e mais selvagem de todo o parque nacional. É aqui que fica o ponto mais alto, o Torrecerredo (2.650 m), e o icônico Picu Urriellu. A paisagem lembra a superfície da lua: repleta de lajeados calcários cortantes, abismos profundos e taludes íngremes.

Para turistas comuns, recomendo o circuito pelas lagoas de Áliva, que se encaixa muito bem junto ao passeio de teleférico em Fuente Dé. É um caminho amplo e relativamente confortável, que te leva por pastagens extensas onde cavalos selvagens, ovelhas e vacas coexistem livremente. Ao longo do caminho você passa por alguns refúgios de montanha onde dá para fazer uma parada.

Se você quer um desafio para o dia todo, experimente o trekking até o Refugio Vega de Ario. A trilha começa nas lagoas de Covadonga e atravessa campos de calcário até chegar ao refúgio, de onde se tem um dos pontos de vista mais incríveis para todo o maciço central. Não se esqueça de carregar bastante água, pois no terreno cárstico você praticamente não vai encontrar nascentes na superfície.

14. A costa e a conexão entre montanhas e oceano

Seria um erro enorme visitar Picos de Europa e não parar na costa espetacular que fica a apenas trinta minutos de carro das montanhas. O litoral da Cantábria e das Astúrias é cheio de falésias dramáticas e enseadas de areia escondidas, que formam um contraste perfeito com os picos calcários.

Do lado da Cantábria, não deixe de visitar a histórica vila pesqueira de San Vicente de la Barquera. O visual é icônico: atrás da velha ponte de pedra e da baía com barcos, você enxerga diretamente os picos nevados de Picos de Europa. É uma cena de cartão-postal que você não vai encontrar em nenhum outro lugar do mundo. 😅

Nas Astúrias, recomendo visitar a cidadezinha de Llanes e o fenômeno natural chamado Bufones de Pría. São gêiseres marinhos naturais: a ressaca do oceano jorra com força por fissuras estreitas nas falésias e dispara alto para o ar. Com ondas fortes, é um espetáculo natural absolutamente ensurdecedor e majestoso.

Para onde ir depois de Picos de Europa

Embora Picos de Europa ofereça diversão para muitos dias, o norte verde da Espanha e outras regiões convidam a continuar explorando. Com um carro à disposição, as possibilidades são infinitas.

  • Os amantes de gastronomia devem ir ao País Basco, em especial a San Sebastián e Bilbao, onde te esperam o incrível Museu Guggenheim e a cultura dos pintxos.
  • Quer conhecer a culinária típica espanhola por todo o país? Leia nosso artigo sobre Comida típica espanhola.
  • Se você quiser sair do norte chuvoso rumo ao calor e à arquitetura, considere um voo para a catalã Barcelona ou para a capital vibrante Madri.
  • Prefere o sul aquecido, cheio de monumentos mouros? Inspire-se nos nossos guias pela Andaluzia: Sevilha, a pitoresca Córdoba, a mística Granada, ou a dramática cidade sobre a falésia Ronda.
  • Para os aventureiros que adoraram o desfiladeiro de Cares, a famosa trilha Caminito Del Rey no sul também vai ser uma experiência incrível.
  • Quer um panorama completo do sul? Confira nosso grande Roteiro e mapa dos lugares mais bonitos da Andaluzia.

Perguntas frequentes

Quantos dias eu preciso para os Picos de Europa?

Se você só quer pegar o teleférico de Fuente Dé, conhecer os lagos de Covadonga e percorrer as estradas das bordas, dois dias inteiros são suficientes. Mas se você está planejando trilhas mais sérias, atravessar o desfiladeiro do Cares ou quer explorar com calma as aldeias de montanha mais isoladas, reserve idealmente de cinco a sete dias.

Eu preciso alugar um carro?

Sim, sem um carro próprio é praticamente impossível explorar essa região. O transporte público entre as cidades maiores (Potes, Cangas de Onís) funciona de forma limitada, e os ônibus muitas vezes nem chegam aos pontos de partida das trilhas nas montanhas. A carteira de motorista da UE é totalmente suficiente, e as rodovias estatais no norte são gratuitas.

Eu preciso comprar os ingressos do teleférico de Fuente Dé com antecedência?

Nos meses de verão (junho a setembro) e nos fins de semana, a compra dos ingressos online é absolutamente indispensável. A capacidade do teleférico é limitada e, se você chegar ao local sem reserva, corre o risco de esperar várias horas ou de não conseguir subir naquele dia.

O parque nacional é adequado para famílias com crianças?

Com certeza. Embora as montanhas sejam selvagens, você vai encontrar muitas atividades tranquilas. Os circuitos ao redor dos lagos de Covadonga, o passeio de teleférico em Fuente Dé ou as caminhadas ao longo do rio no vale de Liébana são tranquilos até para crianças menores. Para famílias com carrinho de bebê, porém, o terreno na maioria das trilhas não é adequado.

É preciso pagar alguma entrada para o parque nacional?

A entrada no parque nacional Picos de Europa é totalmente gratuita. Você paga apenas pelos serviços complementares, como o passeio de teleférico em Fuente Dé, o funicular subterrâneo até a aldeia de Bulnes ou os ônibus de transfer para os lagos de Covadonga na temporada de verão.

O que eu devo levar para as montanhas?

O essencial é uma roupa impermeável de qualidade e calçados de trekking firmes. Mesmo no verão, o tempo pode mudar drasticamente em uma hora, de um céu azul-turquesa para uma névoa densa com chuva forte. Não esqueça de levar água suficiente e protetor solar, porque o sol da montanha pode ser bem traiçoeiro.

As estradas nas montanhas são seguras?

As vias principais ao redor do parque nacional estão em ótimo estado, mas os caminhos para as áreas mais difíceis e para as pequenas aldeias são estreitos, íngremes e cheios de curvas sem visibilidade. Exigem direção concentrada e cautela, especialmente ao cruzar com carros ou ônibus que vêm em sentido contrário.

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