O Alasca não tem nada a ver com um parque nacional bem-comportado de Utah, onde você chega de carro numa estrada perfeita e compra um café caro na entrada. É um ecossistema brutal e sem concessões, e ao entrar aqui você está pisando diretamente na sala de estar dos maiores predadores do planeta. Para quem viaja do Brasil, ver ursos no Alasca é uma experiência que fica marcada para sempre — mas exige preparação séria.
Muitos turistas chegam com aquela imagem romântica dos catálogos de viagem, imaginando que vão sentar num tronco e fotografar ursos pescando salmões num riacho a cinco metros de distância. A realidade é que ursos no Alasca e segurança são palavras que você precisa levar absolutamente a sério. Então aqui está tudo o que aprendemos ao longo desses anos, de forma direta e às vezes com o coração na garganta. Você vai descobrir como aproveitar ao máximo esta selva incrível, como não ser devorado pelos mosquitos (ou por algo maior) e como se preparar, porque esse estado vai te colocar à prova em todos os sentidos.

Resumo
- Melhor época para visitar: De meados de junho ao final de agosto, se você quer ver ursos caçando salmões.
- Melhores lugares para ursos: Parque Nacional Katmai (a lendária Brooks Falls) e Lake Clark. Mas saiba que você só chega de avião pequeno e o custo é alto.
- Equipamento essencial: Bear spray (compre só no local, não pode entrar no avião) e repelente com no mínimo 40% de DEET.
- Grizzly vs. urso-negro: Com o grizzly, você finge de morto; com o urso-negro (baribal), você luta pela sua vida.
- Maior perigo: Surpreendentemente, não são os ursos, mas os alces (moose), que não têm medo de humanos e atacam sem avisar, além de causarem acidentes de trânsito fatais com frequência.
- Orçamento: O Alasca é um destino extremamente caro. Excursões para ver ursos custam entre 1.200 e 3.000 dólares por pessoa, então é preciso planejar e economizar com antecedência.
Quando ir e como chegar ao Alasca
Planejar uma viagem ao Alasca não é coisa de última hora: a temporada turística é curtíssima e as melhores excursões esgotam com meses de antecedência. Aprendemos isso do jeito difícil. A dica é focar num período muito específico do verão.
Se você quer ver as cenas icônicas de ursos capturando salmões em pleno salto, precisa estar lá entre meados de julho e início de agosto. É quando a piracema atinge o pico e os rios ficam cheios de peixes. Maio e junho são lindos — os picos das montanhas ainda estão nevados e a natureza está despertando —, mas os ursos acabaram de sair da hibernação e andam mais pelas pastagens. Setembro traz as cores douradas da tundra no outono, mas o inverno já bate à porta e muitos serviços turísticos começam a fechar.
A viagem do Brasil é longa e normalmente exige pelo menos duas conexões. Vale pesquisar voos saindo de São Paulo (GRU) ou Rio de Janeiro (GIG) com escala em Miami, Nova York ou Los Angeles, e daí um voo direto para Anchorage. A viagem toda leva entre 20 e 28 horas, então leve um bom livro, fones de ouvido e meias de compressão na bolsa de mão. Para montar itinerários mais complexos, gostamos de usar o GetYourGuide para os passeios e comparadores de voos como o Google Flights para encontrar as melhores combinações de preço.
Como o Alasca é imenso e o transporte público praticamente inexiste (exceto trens entre as principais cidades), carro é indispensável. Um bom comparador como o DiscoverCars.com ajuda a checar ofertas de várias locadoras ao mesmo tempo. Alugue obrigatoriamente um 4×4, já que muitos lugares interessantes ficam em estradas de cascalho onde um sedã comum não passa — ou a locadora simplesmente não deixa você ir. Reserve o carro assim que comprar as passagens aéreas, porque na alta temporada eles somem rápido e os preços disparam.
Onde se hospedar e quanto custa
Ao planejar uma viagem ao Alasca, você precisa se preparar para um fato desagradável: é tudo muito caro por lá. A maioria dos produtos precisa ser importada, a temporada é curta, e os moradores locais tentam faturar o suficiente para o ano inteiro em apenas três meses.
Para ter uma ideia, um quarto razoável de motel na alta temporada sai facilmente entre 250 e 350 dólares por noite (aproximadamente 1.300 a 1.800 reais, dependendo do câmbio). Uma refeição num restaurante comum custa cerca de 30 dólares o prato principal, e os passeios são um capítulo à parte. Para voar num pequeno avião até um ponto de observação de ursos, prepare pelo menos 1.200 a 1.500 dólares (cerca de 6.000 a 7.500 reais) por pessoa num único dia. Cozinhamos bastante usando ingredientes comprados nos supermercados locais, como Fred Meyer ou Walmart, o que ajuda a economizar bastante. Para hospedagem, o Booking.com é o nosso buscador favorito — recomendo reservar com pelo menos seis meses de antecedência.
Anchorage é provavelmente o seu ponto de entrada. É uma cidade pragmática que não impressiona à primeira vista pela beleza histórica, mas tem tudo o que você precisa antes de partir para a selva. Uma boa opção é o The Lakefront Anchorage, com uma vista incrível para os hidroaviões pousando no Lake Hood, o que tem uma atmosfera única. Se busca algo mais acessível e funcional, o Qupqugiaq Inn é uma alternativa — o nome é difícil de pronunciar, mas o lugar funciona bem 😅.
Se você for para o sul, até a Península Kenai, vai acabar passando por Homer. É uma cidadezinha pesqueira encantadora no fim da estrada, com vista para vulcões e geleiras. Homer é famosa pela sua estreita faixa de terra avançando para o mar (Homer Spit). O Land’s End Resort, bem na ponta dessa faixa, é uma ótima pedida — dá para ver lontras marinhas direto da janela do quarto.
Vida selvagem no Alasca: 12 dicas para ver ursos com segurança e o que mais explorar
Aqui está o que você veio buscar. Chegar no Alasca sem preparação seria uma decisão muito arriscada, então confira nossas dicas mais importantes para se aproximar dos ursos no Alasca, curtir cada momento e, principalmente, voltar para casa inteiro. A natureza daqui não perdoa erros.
1. Parque Nacional Katmai e as lendárias Brooks Falls
Este é o epicentro absoluto para observação de ursos no mundo inteiro. É daqui que vêm aquelas fotos icônicas de ursos parados na beira de uma cachoeira, capturando salmões diretamente com a boca. Só no Parque Nacional Katmai vivem cerca de 2.200 ursos pardos, e em julho dezenas deles se concentram às margens do Rio Brooks.

Nenhuma estrada chega até o parque, então a única forma de entrar é de hidroavião — o que já é uma pequena aventura em si. Saindo de Homer, o passeio de um dia custa cerca de 1.255 dólares por pessoa; saindo de Anchorage, em torno de 1.540 dólares. E atenção: a plataforma de observação nas cataratas tem um limite rígido de 40 pessoas e uma hora por visitante, então a fila quase sempre existe.
Se quiser pernoitar por lá, você pode tentar a sorte na loteria para conseguir uma vaga no lendário Brooks Lodge. Um chalé sai entre 1.200 e 1.600 dólares a noite e as vagas são sorteadas com anos de antecedência. A região também é o palco do famoso Fat Bear Week, um evento online no outono em que o público vota no urso mais gordinho. Os animais chegam a engordar 300 quilos antes da hibernação — em 2025, por exemplo, ganhou um macho chamado 32 Chunk, apesar de ter sofrido uma fratura na mandíbula ao longo do verão.
2. Lake Clark: alternativa sem multidão
Se a ideia de enfrentar fila numa plataforma lotada te assusta, o Lake Clark é uma alternativa incrível e muito mais íntima. Este parque nacional fica um pouco fora do radar turístico principal e oferece observação de ursos de altíssima qualidade, principalmente na área de Silver Salmon Creek. A diferença é que aqui não há passarelas elevadas de madeira — você observa os ursos diretamente do chão, acompanhado de guias experientes e armados.
A atmosfera é completamente diferente, muito mais selvagem e tranquila. Frequentemente você caminha por gramíneas altas ou praias lodosas enquanto os ursos pastam a poucos metros, sem se importar muito com sua presença. Claro que isso exige um investimento ainda maior.
Um pacote all-inclusive de três dias nas pousadas locais (como o Silver Salmon Creek Lodge) começa em torno de 2.950 dólares partindo de Anchorage (cerca de 14.800 reais). É um investimento enorme, mas se você ama fotografia de natureza e não quer apenas cruzar rapidamente com os ursos, esta foi provavelmente a melhor experiência que vivemos no Alasca.

3. Denali NP e a montanha mais alta da América do Norte
O Parque Nacional Denali é um capítulo à parte e atrai visitantes em busca do chamado “grande cinco” do Alasca. Com sorte, você pode ver num único dia um grizzly, um alce, um caribu, uma ovelha da Dali e um lobo. Os lobos são uma raridade — existem cerca de 1.800 no Alasca inteiro e costumam evitar humanos à distância. O parque é dominado pela montanha mais alta da América do Norte, que recuperou recentemente seu nome original: Mt. McKinley (embora o parque ainda se chame Denali).
A montanha, porém, é um caso especial 😅. Ela é tão imensa que cria seu próprio clima e fica encoberta por nuvens espessas na maior parte do tempo. Entre os moradores locais existe até o conceito do “Clube dos 30%”, porque apenas cerca de 30% dos visitantes tem a sorte de ver a montanha em toda sua glória, sem nuvens. Na nossa primeira visita, víamos apenas uma densa névoa cinzenta — e aí entendemos a frustração de todas aquelas pessoas com câmeras caras.
Tem um detalhe prático importante que você precisa saber antes de ir. Desde 2021, a única estrada que leva ao interior do parque está fechada aproximadamente na metade do percurso (na milha 43), devido a um deslizamento de terra massivo chamado Pretty Rocks Landslide. A administração do parque confirmou que a recuperação será longa e a operação completa dos ônibus só deve ser retomada por volta de 2027. Você ainda pode percorrer o trecho inicial, mas não chegará aos recantos mais remotos.
4. Kaktovik e os ursos polares (com aviso importante)
Esta é uma experiência de outra categoria. A vila de Kaktovik, na Ilha Barter, fica bem além do Círculo Polar Ártico e ficou mundialmente famosa pelo avistamento de ursos polares no outono. A comunidade indígena Iñupiat tem permissão para a caça tradicional de baleias, e os restos dos animais atraem dezenas de ursos polares famintos, que os turistas fotografam de pequenos barcos.

Por muito tempo foi a meca da fotografia ártica, mas preciso te avisar sobre uma situação atual e importante. Para a temporada de 2026, o turismo comercial em Kaktovik está completamente suspenso. A vila estava sobrecarregada com o excesso de visitantes e agora tenta construir um modelo de turismo mais sustentável. Os operadores premium planejam retornar apenas em 2027.
Se você está planejando uma viagem nos próximos meses, risque Kaktovik do roteiro e invista o dinheiro (considerável) em uma excursão para ver os grizzlies no sul. Ursos polares exigem um planejamento com vários anos de antecedência.
5. Urso pardo vs. grizzly: como diferenciar
Muita gente se confunde com esses nomes, mas biologicamente são exatamente o mesmo animal (Ursus arctos). A diferença está no habitat e na dieta. O urso pardo costeiro (coastal brown bear) tem acesso a uma abundância de salmões gordurosos, o que o faz crescer muito — eles chegam facilmente a 350–450 quilos. O grizzly do interior é o primo mais magro: se alimenta principalmente de raízes, frutas silvestres e pequenos mamíferos, pesando em geral “apenas” 200 a 350 quilos.

O mais importante é saber identificar com segurança se você está diante de um grizzly ou de um urso-negro menor, porque disso depende como você deve agir em caso de ataque. O sinal mais importante é a enorme corcova muscular (hump) entre as omoplatas, usada para escavar o solo. Ursos-negros simplesmente não têm isso.
O grizzly também tem um perfil facial côncavo, que lembra uma tigela, enquanto o urso-negro visto de perfil tem o focinho mais reto, em linha reta a partir da testa. Se você encontrar rastros na lama, olhe as garras: as do grizzly são impressionantemente longas — de 5 a 10 centímetros —, criando marcas profundas bem à frente da própria pata.
6. Urso-negro (baribal): o menor e mais ágil
O urso-negro, ou baribal (Ursus americanus), é muito mais adaptável e é com ele que você vai se deparar com mais frequência nas bordas das cidades ou em acampamentos. Mas não se deixe enganar pelo nome: a cor da pelagem varia bastante no Alasca e você pode facilmente encontrar um “urso-negro” que é marrom-claro ou até cor de canela.

Como já mencionei, ele não tem a corcova dorsal característica e o focinho parte da testa em linha reta. Para a sua segurança, preste atenção nas garras: são mais curtas, cerca de 3 centímetros, bastante curvadas e perfeitamente adaptadas para escalar. Por isso, combinando garras e menor peso, o urso-negro consegue subir em árvores com uma velocidade impressionante.
Essa é uma diferença fundamental em relação ao grizzly adulto, que normalmente não sobe em árvores (embora haja exceções, então nunca confie nisso como único recurso de fuga). O baribal pode parecer mais simpático do que o gigante de Katmai, mas continua sendo um predador selvagem que merece todo o respeito.
7. Bear spray: item obrigatório
Sair para a natureza no Alasca sem bear spray é uma roleta-russa com a própria vida. Economizar alguns dólares nisso é um risco que simplesmente não vale a pena. O bear spray é basicamente um spray de pimenta gigante — um aerossol de capsaicina altamente concentrado que, sob enorme pressão, lança uma nuvem laranja a uma distância de 7 a 9 metros. Custa entre 50 e 60 dólares e você encontra em qualquer loja especializada no Alasca; compramos o nosso numa loja REI.

A maior armadilha para turistas é que o spray é classificado como arma pressurizada. Na prática, isso significa que você não pode levá-lo na bagagem de mão nem no bagageiro do avião. Você simplesmente precisa comprá-lo já no Alasca e, antes de voltar, deixá-lo no hotel para outros viajantes ou entregá-lo num serviço específico do aeroporto.
Para que o spray seja realmente útil, você precisa carregá-lo na frente do corpo, em um coldre no peito ou no cinto. Se você guarda no fundo da mochila, embaixo da capa de chuva e do lanche, ele não vai te salvar num ataque que dura segundos. Os especialistas também recomendam praticar o movimento de saque com frequência, porque no estresse é fácil esquecer de destravá-lo com o polegar. Quando precisar usá-lo, faça rajadas curtas de um segundo e aponte ligeiramente para baixo, na frente do animal, para que ele entre na nuvem de capsaicina.
8. Regras de encontro: o que fazer numa situação de emergência
Vou ser completamente honesta: ataques de ursos no Alasca não são apenas histórias de assustar turistas. Entre 2023 e 2026 aconteceram vários incidentes sérios e, infelizmente, fatais — inclusive com pessoas que saíram para uma corridinha cedo da manhã perto de casa, em Kenai. Você precisa manter a cabeça fria e saber exatamente o que fazer dependendo do tipo de urso e da situação.

Se você vê o urso de longe (mais de 100 metros) e ele ainda não percebeu sua presença, simplesmente se afaste pelo mesmo caminho, devagar e em silêncio. A regra número um, absolutamente inegociável: jamais, em hipótese alguma, saia correndo. Correr ativa imediatamente o instinto de caça do predador, e como um urso corre na velocidade de um cavalo de corrida, você não tem a menor chance.
Às vezes o urso faz um “bluff charge” — uma investida de intimidação. Ele avança em velocidade máxima na sua direção e para bem perto de você. Nesse momento você precisa vencer o maior medo da sua vida: fique parado, fale com voz calma e grave, e mantenha o spray destravado na mão.
Com o grizzly, o ataque geralmente é defensivo (ele se assustou ou está protegendo filhotes), então encolha em posição fetal, mãos entrelaçadas atrás do pescoço, abra as pernas para dificultar que ele te vire e finja estar morto. Mantenha a mochila nas costas — ela funciona como um ótimo protetor da coluna. Já se um urso-negro (baribal) te atacar, ou se qualquer urso te seguir em silêncio e se aproximar sorrateiramente (comportamento predatório), nunca finja estar morto. Nesse caso, você precisa lutar com tudo o que tiver e mirar no focinho ou nos olhos do animal.
9. O alce: o habitante surpreendentemente mais perigoso
Pode parecer estranho, mas o animal responsável pelo maior número de ferimentos e mortes no Alasca a cada ano não é o urso com seus dentes afiados, mas o alce (moose). Esse gigante de meia tonelada, com pernas compridas e cascos pontudos, se move pela selva e pelas cidades em completo silêncio — e, o pior, sem nenhum medo de humanos. É comum encontrá-los pastando nos jardins das casas em Anchorage.

Há dois períodos especialmente perigosos. O primeiro é o cio outonal, quando os machos com suas enormes galhadas estão cheios de hormônios e extremamente agressivos. O segundo, talvez ainda mais perigoso, é a primavera, quando as fêmeas protegem os filhotes com ferocidade. Uma mãe com cria pode atacar sem nenhum aviso. A distância segura para observar um alce é de pelo menos 30 metros, e se o animal baixar as orelhas ou o pelo do pescoço se arrepiar, você tem um problema sério e precisa se esconder imediatamente atrás de uma árvore grossa.
O perigo oculto — e muito frequente — são as colisões de carros com alces. Centenas de acidentes desse tipo acontecem todo ano no Alasca. O corpo escuro do animal absorve perfeitamente a luz dos faróis à noite, e você o vê apenas no último segundo. Como o alce fica em pé sobre pernas muito altas, o impacto derruba as pernas e toda aquela massa de meia tonelada voa direto pelo para-brisa para os bancos da frente. Dirigindo após o anoitecer, redobre a atenção.

Raposa à beira da estrada no Alasca — cena típica de um roadtrip
10. Mosquitos: o “pássaro oficial não oficial” do Alasca
Os mosquitos do Alasca são lendários. Os moradores locais, com um bom humor bastante amargo, os apelidam de “pássaro oficial não oficial” do estado. Turistas acostumados com os mosquitos do litoral brasileiro ou do Pantanal já são um público mais experiente — mas a agressividade dos mosquitos alasquianos surpreende até os mais curtidos. Como alguém escreveu num fórum local: “O Alasca não tem mosquitos, tem dragões sangrentos que são imortais e infinitos.” 😅
Repelentes comuns, do tipo que você compra na farmácia e cheiram a limão, são completamente ineficazes aqui. Você precisa de química pesada. Procure produtos com no mínimo 40% de DEET — na tundra mais remota, os locais usam versões com 100%. Uma alternativa excelente e um pouco menos tóxica é o Picaridin.
Mas o item que vai salvar não só a sua pele, mas principalmente a sua sanidade mental nas trilhas, é a mosquiteira para a cabeça (head net). Custa poucos dólares, você coloca sobre o boné e de repente consegue respirar sem engolir um punhado de mosquitos. Se você vai para o interior ou para as áreas pantanosas do Parque Nacional Denali, não saia sem ela.
11. Baleias e águia-careca: senhoras do mar e do céu
Quando você se cansar dos ursos, vá até o litoral — porque observar cetáceos em seu habitat natural é pura magia. As mais populares são as baleias jubarte (humpback whales), que podem ser vistas de forma fantástica em agosto na região dos Kenai Fjords ou da Glacier Bay. Do barco, você pode presenciar o comportamento único chamado bubble-net feeding, quando as baleias criam uma rede de bolhas para encurralar cardumes de peixes e caçar em grupo.

Para ver orcas, vá até a cidadezinha de Seward e embarque num passeio pela Resurrection Bay. As orcas costumam caçar salmões e outros mamíferos marinhos por ali, e a visão daquela enorme barbatana dorsal cortando a superfície da água é absolutamente hipnotizante. As baleias-brancas (belugas), criticamente ameaçadas, às vezes aparecem para quem dirige pela Seward Highway ao sul de Anchorage, beirando o braço de mar Turnagain Arm.
E enquanto você observa o mar, não esqueça de levantar os olhos para o céu. O Alasca abriga cerca de 50.000 águias-carecas. Elas estão em todo lugar — frequentemente empoleiradas nos postes de luz às beiras das rodovias, como se fossem pombos. Se você é fã dessas aves, vá até o Chilkat Bald Eagle Preserve, perto da cidade de Haines: no outono, milhares delas se reúnem para se alimentar dos últimos salmões da temporada.
12. Salmões: o coração pulsante do Alasca
Todo o ecossistema do Alasca — e especialmente a vida de todos os predadores, com os ursos no topo — depende do espetáculo anual da piracema dos salmões. Esses peixes ditam o ritmo da vida selvagem, e se você quiser conversar com os locais (ou entender o comportamento dos animais), precisa aprender a distinguir as cinco espécies do Pacífico.

O maior deles é o majestoso King (ou Chinook), que pode pesar entre 10 e 50 quilos e migra de maio a julho. A espécie mais famosa, que você reconhece em todos os documentários pela cor vermelha intensa durante a desova, é o Sockeye (Red). Sobe os rios de junho a agosto e é a principal e mais calórica fonte de alimento para os gigantescos ursos do Rio Brooks no Katmai.
Depois temos o Silver (Coho), um peixe muito ágil e combativo, adorado pelos pescadores esportivos, cuja migração atinge o pico no final do verão, em agosto e setembro. É com ele que os ursos se empanturram nos dias finais antes da hibernação, acumulando as últimas reservas de gordura para o inverno. Completam a lista o pequeno Pink (que migra em grandes cardumes a cada ano ímpar) e o Chum outonal. Se a pesca for boa, os predadores sobrevivem ao inverno rigoroso. Se os salmões escasseiam, o ecossistema inteiro entra em colapso.
Onde comer bem no Alasca
A gastronomia do Alasca provavelmente não é o motivo que leva gourmets do mundo todo até aqui, mas se você ama peixes e frutos do mar, vai se sentir no paraíso. Em qualquer restaurante decente na costa você encontra halibute fresco fantástico. Esse peixe enorme e achatado é preparado de todas as formas imagináveis, desde bifes luxuosos até o melhor fish and chips que já comi na vida.
Em Anchorage, não deixe de ir ao Moose’s Tooth Pub & Pizzeria. Não se deixe enganar pelo nome: a pizza é excelente, mas o destaque mesmo é a cerveja artesanal da Broken Tooth Brewing e a atmosfera relaxada do lugar. Sempre tem uma fila enorme de moradores e turistas. E se você for para Homer, no sul, a parada obrigatória é o lendário Salty Dawg Saloon, bem na praia. Esse chalezinho de madeira está coberto por dentro com milhares de notas de dólar deixadas por visitantes do mundo inteiro e tem uma atmosfera de bar de marinheiro sombria e acolhedora ao mesmo tempo.
O Alasca também é cheio de pequenas cafeterias drive-thru — muitas vezes apenas uma simpática cabine de madeira à beira da estrada —, e numa dessas, no meio de lugar nenhum, tomamos um flat white melhor do que em muitas cafeterias de São Paulo. Até hoje não conseguimos explicar isso direito. ☺️
Leia também
Se o Alasca te conquistou tanto quanto a nós, aqui estão os artigos que escrevemos com as memórias ainda frescas e a lama ainda nas botas. Eles vão te ajudar muito no planejamento e na logística no local:
- Parque Nacional Katmai: Como vimos as lendárias Brooks Falls
- Homer, Alasca: A cidadezinha pesqueira mais bonita no fim do mundo
- Parque Nacional Denali: Guia prático e como ver o grande cinco
Antes de partir para essa natureza selvagem, não esqueça de contratar um seguro viagem de qualidade. Para os nossos roteiros mais longos e remotos, confiamos no True Traveller; um comparativo detalhado você encontra na nossa resenha sobre o SafetyWing aqui. Como a cobertura de dados móveis pode ser irregular fora das cidades grandes, vale resolver isso com antecedência usando a nossa eSIM favorita, a Holafly. Para trilhas por pântanos e tundra, leve um calçado de qualidade — veja nossa inspiração no guia de calçados para trekking.
FAQ — Perguntas frequentes sobre ursos no Alasca
Reuni aqui as dúvidas mais comuns que recebo de leitores planejando um encontro com os ursos do Alasca. Se tiver alguma pergunta que não está aqui, é só me escrever.
Quando os ursos estão mais ativos?
Os ursos estão mais ativos bem cedo pela manhã (ao amanhecer) e no final da tarde até o anoitecer. Durante os dias quentes de verão, eles geralmente ficam deitados na sombra, por isso a melhor chance de observá-los é logo após acordar.
Quando viajar para o Alasca para ver ursos?
A janela ideal para visitar é de meados de junho até o final de agosto. Se o seu objetivo principal é ver ursos pescando salmões nos rios, você precisa ir de meados de julho até o início de agosto.
Quanto custa viajar no Alasca?
Extremamente caro. Considere que um motel médio custa durante a alta temporada de 250 a 350 dólares (cerca de 230 a 320 euros) por noite, e um passeio de dia inteiro para ver ursos de avião pequeno sai por 1.200 a 1.500 dólares (até 1.400 euros) por pessoa. Passagens aéreas e aluguel de carro aumentam significativamente esse orçamento.
Quantas pessoas vivem no Alasca?
O Alasca é o maior estado dos EUA, mas também um dos menos povoados. Vivem lá cerca de 740 mil habitantes, sendo que a grande maioria (aproximadamente metade) está concentrada na região metropolitana da cidade de Anchorage.
Posso levar spray de urso no avião?
Não, de jeito nenhum. O spray de urso é classificado como arma pressurizada e não pode ser levado nem na bagagem de mão nem na bagagem despachada. Você precisa comprá-lo após chegar no Alasca, em lojas locais (REI, Walmart).
O que devo fazer se um alce me atacar?
Ao encontrar um alce agressivo (especialmente no outono durante o cio ou na primavera com mães e filhotes), esconda-se imediatamente atrás de uma árvore robusta, prédio ou carro. O animal não tem medo e ataca com seu peso massivo.
Posso beber água direto do rio no Alasca?
Embora a água pareça completamente cristalina à primeira vista, nunca a beba sem filtrar. Por causa da fauna selvagem, pode haver parasitas e bactérias que causam problemas intestinais graves. Sempre use filtros de viagem.
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