A travessia por todo o Parque Nacional das Tatras é o sonho de muito amante da montanha. Com o nosso itinerário, você faz a travessia das Tatras em sete dias, visita todos os refúgios de montanha interessantes, vê e cruza várias cristas e ainda vai ter que escalar por correntes. Mas como nós fizemos e concluímos o percurso — e na época éramos totalmente destreinados, típicos moradores de cidade grande — você não tem nada a temer.

O guia completo do destino: Eslováquia — guia e o que ver
A travessia das Tatras dura sete dias
Como a travessia começa e termina em lados opostos das Tatras, não faz sentido ir de carro. Por isso, planeje a viagem de modo a chegar à Eslováquia à noite e sair para a caminhada só na manhã seguinte.
O percurso começa na pequena cidade montanhosa de Ždiar, nas Tatras Orientais (Belianas). Recomendamos chegar de trem até Poprad e de lá pegar um táxi por 18,5 EUR até a sua hospedagem. Os ônibus saem de Poprad com pouca frequência e, se você não partir bem cedo, provavelmente não vai pegar nenhum de qualquer forma. Fique no Penzion Ždiar, onde você pode começar as férias com um delicioso halušky (nhoque eslovaco com queijo de ovelha)!
Resumo rápido:
- 82 a 101 km, dependendo do trajeto escolhido
- 4655 metros de desnível acumulado
- cerca de 40 horas de caminhada
- 6 refúgios de montanha

Quanto custa
Chegar até Poprad de trem ou ônibus custa entre R$ 100 e R$ 200 (400 a 800 Kč), dependendo do horário, da classe e da operadora. O táxi de Poprad até Ždiar sai por 18,5 EUR e a hospedagem toda soma 220,5 EUR por pessoa.
A maioria das hospedagens inclui meia pensão, então normalmente você só precisa comprar o almoço. Junto com os docinhos e chás que compramos pelo caminho, gastamos cerca de 20 EUR por dia.
No total, a travessia das Tatras para duas pessoas, incluindo o transporte de ida e volta, sai por cerca de R$ 5.000.
| Hospedagem | Preço por pessoa (geralmente com meia pensão) |
| Penzion Ždiar | 44 EUR |
| Chata pri Zelenom plese | 23 EUR |
| Téryho chata | 37 EUR |
| Sliezsky dom | 55 EUR |
| SHB Štrbské pleso | 21 EUR |
| Chata Orešnica | 38 EUR |
| Žiarska chata | 20,5 EUR |
| Zverovka | 26 EUR |
| Total | 220,5 EUR / cerca de R$ 1.400 |
Dia 1: Ždiar – Chata pri Zelenom plese
- Distância do trecho: 12,5 km
- Tempo do trecho: 6h59 com o almoço
- Desnível total: 1069 m
Prepare-se para um começo puxado. De Ždiar você entra nas Tatras vindo das terras baixas e, embora o primeiro quilômetro pareça tranquilo, logo vem uma subida íngreme. E ela não dá trégua até você vencer 1000 m de desnível em poucos quilômetros. A recompensa é a vista do Široké sedlo, aonde você chega arrastando-se depois de umas três horas.
Depois faltam só algumas dezenas de metros de desnível até o Vyšné Kopské sedlo, e de lá são quatro quilômetros relaxantes até o refúgio junto ao Zelené pleso.

- Hospedagem com meia pensão: 23 EUR/pessoa (16 EUR com desconto KČT)
- Reserva: Chata pri Zelenom plese
- Tipo de hospedagem: De quartos duplos a acomodação coletiva no celeiro.
- Tem chuveiro? Sim.
- Precisa de saco de dormir? Se reservar com antecedência, não.
Dia 2: Chata pri Zelenom plese – Téryho chata

- Distância do trecho: 11,4 km
- Tempo do trecho: 8h32 com o almoço
- Desnível total: 974 m
O segundo dia é passado em grandes altitudes e boa parte do caminho é feita em trechos alpinos expostos. Por isso, recomendamos fortemente acompanhar a previsão do tempo, para uma tempestade não te pegar no meio de um trecho onde só há pedra a perder de vista. Do refúgio você segue rumo ao cume Svišťovka, com uma subida muito íngreme, em parte por correntes.
Mas não se assuste: tinha bastante criança fazendo o mesmo caminho com a gente. Você vence os 500 m de desnível em cerca de duas horas e, depois disso, é uma caminhada linda até o Skalnaté pleso, onde dá para almoçar. O trajeto continua sempre pela trilha vermelha em direção ao Zamkovského chata, onde há a chance de descansar e comer algo antes da subida final até a Téryho chata. Essa última parte começa suave e termina com uma subida pelo sopé de uma montanha alta.
Nos últimos dois quilômetros, conte com 400 m de desnível. A recompensa é ficar num refúgio a um pulinho do Lomnický štít. Ali não há chuveiros nem água quente, mas eles têm um aconchegante fogão a lenha e panquecas deliciosas.

- Hospedagem com meia pensão: 37 EUR/pessoa (26 EUR com desconto KČT)
- Reserva: Téryho chata
- Tipo de hospedagem: Quartos de seis e doze camas. Aquecimento a lenha.
- Tem chuveiro? Não.
- Precisa de saco de dormir? Se reservar com antecedência, não. Fornecem um do refúgio. Mas leve o seu.
Dia 3: Téryho chata – Sliezsky dom

- Distância do trecho: 16,2 km
- Tempo do trecho: 9h25 com o almoço
- Desnível total: 760 m
Se você optar pela crista Polský hřeben, o trajeto fica quatro quilômetros mais curto, mas você sobe 970 m.
Este é provavelmente o trecho mais difícil de toda a travessia, porque você enfrenta logo dois pontos perigosos com correntes. É aqui que entra o capacete, porque a subida é íngreme, num ângulo de 60 graus até a crista, e de vez em quando caem pedras. Uma dessas pedras soltas me acertou acima do joelho e, por sorte, eu estava naquele momento agarrado firme à corrente, senão teria despencado lá embaixo.
Depois de vencer as correntes no Priečne sedlo (dizem ser a experiência mais difícil que dá para viver numa trilha das Tatras), vem uma descida mais suave e cerca de uma hora e meia de caminhada até a Zbojnícka chata. O caminho todo é acompanhado por vistas maravilhosas e uma série de lagos (Sivé, Ledové e Starolesnianské pleso). Leve um binóculo: com um pouco de sorte, você vê algum grupo de alpinistas encarando um dos cumes vizinhos.
Na Zbojnícka chata, coma os parené buchty (pãezinhos doces cozidos no vapor) e decida por onde seguir — você tem duas opções. Se o Priečne sedlo não te intimidou, vá pelo caminho da crista Polský hřeben, onde há dois trechos com correntes parecidos com os do Priečne. Ou escolha o caminho mais longo, porém mais seguro, pela Velká studená dolina até a Rainerova chata e passando por Hrebienok até o destino do dia, o Sliezsky dom.
O Sliezsky dom é um luxuoso hotel de montanha, o mais alto da Eslováquia. Jantar e café da manhã são servidos em bufê no restaurante do hotel, e a acomodação para caminhantes fica na lateral do prédio principal.

- Hospedagem com meia pensão: 55 EUR/pessoa
- Reserva: Sliezsky dom
- Tipo de hospedagem: Linda acomodação para 12 pessoas com banheiro de luxo.
- Tem chuveiro? Sim.
- Precisa de saco de dormir? Sim.
Dia 4: Sliezsky dom – Štrbské pleso

- Distância do trecho: 14 km
- Tempo do trecho: 8h28 com o almoço
- Desnível total: 483 m
O melhor é começar bem cedo esse trajeto de dia inteiro do Sliezsky dom até o Štrbské pleso. Boa parte do caminho você fica exposto ao sol direto, sem poder se abrigar na sombra. Os 7,5 km do Sliezsky dom até o cume Ostrva são feitos ao longo das Altas Tatras, com vistas para as terras baixas, para Poprad e para o Paraíso Eslovaco.
O Batizovské pleso, que você encontra pelo caminho, é uma ótima oportunidade para um lanche e um descanso. Ao chegar ao cume Ostrva, você avista lá no fundo do vale o Popradské pleso, para o qual desce 500 metros de desnível em apenas 2,7 quilômetros. E acredite: descer é mais difícil do que subir! A boa notícia é que, depois de Ostrva, só falta uma hora e meia de caminho tranquilo até o Štrbské pleso. Para a hospedagem, recomendamos o albergue SHB Štrbské Pleso.

- Hospedagem sem refeições: 21 EUR/pessoa
- Reserva: SHB Štrbské Pleso
- Tipo de hospedagem: Albergue com quartos duplos e maiores.
- Tem chuveiro? Sim.
- Precisa de saco de dormir? Não.
Dia 5: Štrbské pleso – Chata Orešnica (Račkova dolina)

- Distância do trecho: 3,8 km
- Tempo do trecho: 48 min sem a viagem de ônibus
- Desnível total: 118 m
O dia seguinte seria marcado por uma trilha de mais de vinte quilômetros das Altas Tatras até o vale Račkova dolina. Se você quiser evitar esse trecho um pouco chato, faça como nós. Deixamos as mochilas no albergue do Štrbské pleso e saímos para descansar. Alugamos um barquinho no lago, testamos as três cafeterias locais, incluindo o restaurante Zubačka e a panquecaria.
Às 17h30 pegamos o ônibus (no estacionamento principal) e às 18h descemos na parada Pribylina, Račkova dolina. De lá até a nossa próxima hospedagem eram apenas uns 4 quilômetros por uma estrada asfaltada pouco movimentada, uma caminhada de menos de uma hora. Chegamos ao charmoso Chata Orešnica, que tem um bar aberto após o jantar e um laguinho com cavalos no terreno.
- Hospedagem com meia pensão: 50 EUR/quarto + 13 EUR meia pensão/pessoa
- Reserva: Chata Orešnica
- Tipo de hospedagem: Quartos comuns de hotel.
- Tem chuveiro? Sim.
- Precisa de saco de dormir? Não.
Dia 6: Račkova dolina – Žiarska chata

- Distância do trecho: 12,4 km
- Tempo do trecho: 4h09
- Desnível total: 587 m
De Račkova dolina, a caminhada até a Žiarska chata leva só um pouco mais de quatro horas, porque mais da metade do caminho é quase plano. Até a bifurcação no vale Žiarska dolina, onde há um grande estacionamento, o trajeto é marcado como adequado para famílias com crianças.
Pelo caminho, você só pode parar na Baranec chata, que na época da nossa visita não estava aberta ao público, apenas para hóspedes. É também o único trecho cujo traçado nos mapas online (Mapy.cz) difere da realidade: cerca de três quilômetros após o início, é preciso seguir pela trilha vermelha levemente à direita para dentro da floresta, embora a estrada principal, por onde passam as bicicletas, vá por outro lugar.
A partir do vale Žiarska dolina, você encara uma subida constante, às vezes mais íngreme, até a Žiarska chata. Você pode ir pela nova estrada asfaltada — por onde, porém, descem patinetes vindos da Žiarska chata — ou pela trilha azul marcada pela floresta. Os dois caminhos têm o mesmo comprimento e, nos últimos dois quilômetros, se juntam numa única estrada asfaltada.
Na Žiarska chata, conte com um senhor mal-humorado no caixa. Se você ficar no alojamento coletivo (sótão com “boxes”), não esqueça de pedir a ficha para o chuveiro. Ela está incluída no preço, mesmo que ninguém te avise. Não dá para comprar ficha extra, porque “3 minutos de banho têm que bastar”. Se você molhar no caminho, como nós, o refúgio tem um secador de roupas que a equipe abre de graça.
Nesse trecho, espere vistas principalmente para as Baixas Tatras, do lado oposto.
- Hospedagem com meia pensão: 9,5 EUR/pessoa + 5 EUR/pessoa café da manhã + jantar cerca de 6 EUR/pessoa
- Reserva: Žiarska chata
- Tipo de hospedagem: “Boxes” no sótão.
- Tem chuveiro? Sim.
- Precisa de saco de dormir? SIM!
Mapa de pontos de interesse para o celular
Dia 7: Žiarska chata – Chata Zverovka

- Distância do trecho: 10,9 km
- Tempo do trecho: 5h15 com o almoço
- Desnível total: 664 m
No último dia, prepare-se para uma subida mais íngreme, que começa logo atrás da Žiarska chata. Nós fomos pela trilha azul até o Smutné sedlo; os mais aventureiros podem escolher a rota alternativa pelo cume Baníkov, pela trilha verde, mas conte com pelo menos três horas a mais.
Todo o desnível é vencido nos primeiros três quilômetros; o resto do trajeto é uma descida agradável, em que você desce quase um quilômetro ao longo de oito quilômetros. Pelo caminho, você tem vistas maravilhosas para Baníkov, Plačtivé, os Roháče e vários lagos. Mais ou menos na metade do caminho, você chega ao novo Ťatliakova chata, onde dá para almoçar e tomar uma kofola (refrigerante típico) de chope, ou uma cerveja.
Embora daqui até Zverovka a estrada seja asfaltada, ninguém aluga patinetes por aqui, então você tem que fazer o último trecho a pé também. 🙂 Aqui você já está totalmente na área turística: descendo, encontra várias mães empurrando bravamente os carrinhos de bebê morro acima.
A caminhada toda termina na Chata Zverovka. Mas, se você chegar em Zverovka lá pelas duas da tarde, como nós, pode pegar um ônibus bem em frente ao refúgio e ir até a estação de trem de Podbiel. De lá você segue até Žilina e faz a conexão de volta.
Quando ir às Tatras

A alta temporada nas Tatras vai de 16 de junho a 31 de outubro. Fora desse período, várias trilhas ficam totalmente fechadas, principalmente por causa da neve acumulada. Esses fechamentos podem se estender temporada adentro, então sempre confira os fechamentos atuais no site do TANAP (a administração do parque).
Mas sair para a travessia logo em junho não é boa ideia. Ainda há neve nos passos de montanha e o tempo é frio e chuvoso. A maioria das pessoas encara a travessia em julho e agosto, mas justamente aí são frequentes as tempestades da tarde e a trilha principal das Tatras fica lotada de excursionistas de um dia.
Para a travessia, recomendamos a virada de agosto para setembro, quando as tempestades já não são tão frequentes e o tempo é mais estável. Nas partes mais altas pode fazer mais frio, mas lá em cima nunca é quente mesmo. Além disso, os dias ainda não encurtaram tanto e você tem luz do dia suficiente para cada trecho do percurso.
Que equipamento levar

Pode parecer banal, mas um equipamento de qualidade é a base para sobreviver à travessia com saúde e aproveitá-la ao máximo. Até uma bobeira, como esquecer o curativo, pode transformar uma trilha diária em pesadelo. Da mesma forma, uma boa mochila faz uma diferença enorme. Embora todo mundo tenha nos assustado dizendo que o pior seria carregar a mochila o dia inteiro (e que deveríamos treinar antes), no fim foi tranquilo (sem treino). Então, o que você não deve esquecer:
- Calçado firme
- Kit de primeiros socorros de viagem
- Capa de chuva (ou roupa impermeável)
- Protetor solar
- Roupas para calor e frio (pelo menos 3 camadas)
- Bastões de trekking
- Mochila de qualidade
- Saco para o lixo
- Kit de sobrevivência (a caixinha de emergência)
- Recipiente para água ou chá
Quer saber o que a gente leva nas viagens e trilhas? Confira a lista do nosso equipamento!
Não esqueça também de anotar o telefone de contato do resgate de montanha.
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Comparar preços de carros na Eslováquia →Perguntas frequentes sobre a travessia das Tatras
Uma pessoa sem treinamento consegue fazer a travessia dos Tatras?
Sim, desde que tenha equipamento adequado e evite a passagem pelo Priečne sedlo.
É necessário reservar a hospedagem com antecedência?
Sim, absolutamente tudo. Alguns refúgios ficam lotados com meses de antecedência. Nós reservamos com quase 5 meses de antecedência.
Os refúgios de montanha oferecem comida para vegetarianos?
Sim, mas é necessário avisar com antecedência e, idealmente, lembrar no dia anterior. Na pior das hipóteses, sempre preparam um knedlík ou uma panqueca para você.
Preciso de saco de dormir para a travessia?
Sim. Embora os refúgios tenham roupas de cama e cobertores, nem sempre são suficientes. Recomendamos o saco de dormir apenas por questões de higiene.
Quando ir para a travessia dos Tatras?
O ideal é o final de agosto e a primeira metade de setembro.
