Se você está pensando em passar as férias em Portugal, preciso te avisar de uma coisa. É um verdadeiro paraíso na terra e, muito provavelmente, você não vai querer voltar para casa. ☺️ O Lukáš e eu viemos para cá todos os anos desde 2020, e essa terra sempre consegue nos surpreender com algo novo. Nas nossas viagens saindo de Lisboa, claro que não podíamos deixar de fora um dos lugares mais conhecidos de toda a costa.
Esse lugar é Nazaré, em Portugal, antes uma discreta vilazinha de pescadores que hoje ostenta fama mundial. Ela ficou famosa pelas ondas gigantes que se formam aqui no inverno e atraem os surfistas mais ousados de todo o planeta. Quando ficamos ali na falésia observando aquela força indomável do oceano, literalmente perdemos o fôlego.
Neste artigo você vai encontrar exatamente 15 dicas do que ver e fazer em Nazaré, seja vindo no inverno atrás do esporte extremo, seja no verão para umas férias tranquilas. Vamos percorrer juntos as ruelas históricas, mostrar os melhores mirantes e te aconselhar sobre onde se hospedar de forma estratégica. Também vou incluir bastante informação prática sobre transporte e preços, para você planejar sua viagem sem estresse nenhum.

Resumo
- Maior atração: Nos meses de inverno formam-se ondas gigantescas que detêm recordes mundiais de surfe.
- Transporte: De Lisboa saem ônibus diretos da Rede Expressos, a viagem leva menos de duas horas.
- Divisão da cidade: Nazaré é formada pela parte de baixo, junto à praia, e pela cidade histórica do Sítio, no alto da falésia.
- Ligação: As duas partes são conectadas por um funicular histórico, que te poupa uma subida bem íngreme.
- Mirante: As vistas mais lindas do oceano e da cidade estão no Miradouro do Suberco, ideal ao pôr do sol.
- Cultura: Ainda hoje você encontra mulheres locais nas tradicionais sete saias e vê peixes secando na própria praia.
- Banho de mar: No verão há uma praia larga e linda, mas a água do oceano raramente passa dos refrescantes 20 °C.
Quando ir a Nazaré
Nazaré é um destino que tem, na prática, duas faces completamente diferentes. A sua decisão sobre quando vir para cá deve depender exclusivamente do que você quer viver no lugar. Se te atrai aquele famoso surfe extremo, você precisa chegar no inverno. Se, pelo contrário, você busca mais descanso na praia e longas noites quentes, a temporada de verão vai ser ideal.
A época das ondas gigantes vai mais ou menos de novembro a fevereiro. É justamente nesses meses que fortes tempestades atlânticas avançam sobre a costa portuguesa. Quando a direção certa do vento se junta a uma maré forte, o cânion submarino local cria ondas que chegam à altura de um prédio de vários andares. Mas é preciso dizer que as ondas gigantes não aparecem todo dia, isso depende das condições climáticas do momento.
Se você quer ter certeza de ver as maiores paredes d’água, precisa acompanhar as previsões especiais de surfe. Funcionam muito bem sites como o Surfline ou os alertas oficiais da organização World Surf League. Nesses dias a cidade se enche de fãs, fotógrafos e jornalistas do mundo todo, então a atmosfera fica absolutamente eletrizante. Mas prepare-se: junto ao oceano costuma ventar muito forte e frio, então uma jaqueta quente e gorro são obrigatórios.
Já os meses de verão, de junho a setembro, oferecem o clima clássico de férias tranquilas. O oceano se acalma e Nazaré se transforma em uma estação balneária muito querida, para onde os próprios portugueses de Lisboa adoram ir. As temperaturas do ar giram em torno de agradabilíssimos 26 °C, ideal para caminhadas e para pegar sol. A água do Atlântico, porém, continua bem fria, geralmente com no máximo cerca de 20 °C, o que é típico de toda a costa oeste.
Um ótimo meio-termo podem ser os meses de primavera e outono, ou seja, de março a maio ou setembro e outubro. Nessa época você evita as maiores multidões de turistas do verão e o clima ainda está muito agradável para explorar os pontos turísticos. Em setembro o oceano costuma estar relativamente mais quente depois do verão, enquanto na primavera toda a natureza ao redor floresce e perfuma lindamente.
Onde se hospedar em Nazaré
A escolha da hospedagem certa em Nazaré depende muito de qual é o objetivo principal da sua viagem. É que a cidade se divide em dois níveis principais de altura, que oferecem uma experiência um pouco diferente. A parte de baixo, ao longo da praia, chamada Praia, é cheia de vida, restaurantes e fica a poucos passos da água. Já o bairro alto do Sítio, na falésia, é mais tranquilo e oferece as vistas panorâmicas mais deslumbrantes.
Se você vem no inverno principalmente atrás das ondas gigantes, recomendo procurar hospedagem o mais perto possível da falésia e do farol. Assim você vai ter um ótimo ponto de partida estratégico e chega ao mirante bem cedo, antes das multidões de excursionistas de um dia. No verão, ao contrário, é mais confortável ficar embaixo, junto à praia principal, para não precisar carregar as coisas de praia de cima para baixo o tempo todo, mesmo que o funicular funcione de forma confiável.
Entre os hotéis concretos que têm ótima avaliação e localização, dá para mencionar com certeza o Hotel Mar Bravo. Ele fica bem na promenade da praia e de muitos quartos há uma vista fantástica do oceano e do pôr do sol. É um lugar ideal se você quer ter todos os restaurantes e cafezinhos literalmente ao alcance da mão e curtir aquele autêntico burburinho de férias.
Outra ótima opção na parte de baixo da cidade é o moderno Hotel Praia. Ele oferece uma estrutura muito confortável, piscina na cobertura e fica a poucos passos da areia dourada. Se, pelo contrário, você prefere um pouco mais de tranquilidade e vistas incríveis do alto, dê uma olhada no Hotel Miramar Sul. Ele fica um pouco mais afastado do centro mais agitado, mas te recompensa com panoramas lindos e um serviço excelente. Para procurar hospedagem, nós sempre usamos o popular portal Booking.com, onde você pode filtrar os hotéis exatamente segundo suas preferências e orçamento.
💡 Dica: Na época das tempestades de inverno, quando se esperam ondas recordes, a hospedagem some numa velocidade absurda. Se você sabe que vem um grande “swell” chegando, reserve o quarto o quanto antes, de preferência com opção de cancelamento gratuito, senão vão sobrar só as opções mais caras ou muito distantes.
15 dicas do que ver e fazer em Nazaré
Vamos agora olhar em detalhe o melhor que essa cidade portuguesa deslumbrante tem a oferecer. Das praias douradas, passando pelos pontos históricos, até lugares onde se escreveu a história do esporte extremo. Montei para você uma lista de 15 lugares e experiências que você definitivamente não deveria perder.
1. Praia de Nazaré

O próprio coração da cidadezinha é a praia principal, a Praia de Nazaré, que se estende ao longo de toda a costa do bairro de baixo. Essa praia larga ostenta uma areia dourada lindíssima e oferece espaço de sobra para todos os visitantes, mesmo nos meses de verão mais movimentados. Ela é margeada por uma longa promenade calçada, cheia de cafés, restaurantes e lojinhas de souvenires.
No verão, a praia se enche de coloridas barracas de lona, que você pode alugar ali mesmo e que formam o típico colorido visual da cidade. Essas barracas protegem do sol e do vento oceânico, às vezes mais forte. O banho de mar é bem refrescante, porque a água do Atlântico é bastante fria mesmo no calor de agosto e raramente sua temperatura passa dos 20 °C.
Ao entrar na água, tenha sempre muito cuidado e respeite as bandeiras dos salva-vidas. As correntes marítimas daqui podem ser traiçoeiras e não convém subestimar a força do oceano nem no verão. Mesmo quando o tempo não está bom para o banho, a praia é um lugar totalmente ideal para longas caminhadas românticas ao pôr do sol.
💡 Dica: De manhã, vá até a ponta norte da praia, na direção da falésia. É justamente de lá que você tira as fotos mais lindas de toda a costa, com a dramática rocha do Sítio se erguendo bem acima da cidade.
2. Funicular de Nazaré

Como já mencionei, a cidade é dividida em dois níveis de altura, e a melhor forma de circular entre eles é o funicular histórico. Esse bondinho terrestre, conhecido como Ascensor da Nazaré, foi inaugurado já em 1889. Ele surgiu por razões puramente práticas, para facilitar o caminho dos moradores e peregrinos, que antes tinham de vencer a pé uma ladeira muito íngreme.
A viagem de funicular é bem curta, mas é uma experiência por si só. Durante a subida, vão se abrindo vistas cada vez mais lindas dos telhados da cidade de baixo e do oceano cintilante. O funicular vence um desnível impressionante e seu trajeto passa direto pela encosta da rocha íngreme, o que é bem fotogênico.
Os vagões circulam com bastante frequência, normalmente a cada 15 minutos, então você nunca vai esperar muito. O bilhete de ida e volta sai por cerca de 3 € (por volta de R$ 20), bem acessível, o que vale totalmente a pena pelo esforço e pela camiseta suada que você economiza. Os bilhetes você compra facilmente na bilheteria, bem na entrada da estação.
💡 Dica: Na alta temporada de verão podem se formar filas no funicular. Se você tem um pouco de preparo físico e não se importa com escadas, pode comprar só o bilhete de ida para cima e descer a pé pelo caminho arrumado, com mirantes.
3. Cidade velha do Sítio

Quando você sobe de funicular, se encontra no bairro histórico chamado Sítio, que fica bem na beira da falésia íngreme. Essa parte da cidade tem uma atmosfera completamente diferente, muito mais tranquila e autêntica do que a agitada promenade da praia embaixo. O Sítio representa o verdadeiro coração histórico de Nazaré, para onde ao longo dos séculos rumaram peregrinos de todo Portugal.
Caminhando pelas ruelas estreitas e calçadas, você vai passar por lindas casinhas brancas com venezianas coloridas e azulejos pintados nas fachadas. As ruazinhas tortuosas te levam a pequenas pracinhas, onde os moradores ficam sentados e o tempo passa bem mais devagar. Você também encontra por ali um monte de lojinhas de artesanato, que vendem cerâmica tradicional e produtos de cortiça.
Recomendo com certeza reservar pelo menos duas horas para explorar o bairro do Sítio. Perca-se pelas ruelas laterais, longe da praça principal, e apenas absorva aquela atmosfera portuguesa serena. Além disso, os cafezinhos escondidos por ali oferecem café e doces a preços um pouco mais convidativos do que embaixo, junto à praia.
💡 Dica: O Sítio é mais lindo de manhã bem cedo ou, ao contrário, no fim de tarde. No meio do dia costumam chegar grandes ônibus de excursões organizadas e as ruelas estreitas podem lotar rápido de turistas.
4. Mirante do Sítio (Miradouro do Suberco)

Este é exatamente o lugar de onde vêm todos aqueles cartões-postais icônicos de Nazaré. O mirante Miradouro do Suberco fica bem na beira da falésia, a uma altura de incríveis 110 metros acima do nível do mar. Assim que você chega perto do muro, se abre diante de você uma vista panorâmica de tirar o fôlego, que não se esquece tão fácil.
De lá você vê toda a longa Praia de Nazaré, a malha geometricamente precisa das ruas da cidade de baixo e o horizonte azul infinito do oceano Atlântico. A vista é tão ampla que, em dia claro, você consegue acompanhar a curvatura da costa por quilômetros de distância. É um lugar onde a gente percebe plenamente a enorme força da natureza e a beleza da costa portuguesa.
O mirante é de acesso livre durante todo o dia e a noite. Este lugar tem um encanto especial ao pôr do sol, quando todo o céu e a superfície do oceano se tingem de tons intensos de rosa e laranja. O Lukáš e eu ficamos ali parados por bastante tempo, só observando as ondas quebrando na costa lá embaixo.
💡 Dica: No mirante venta muito, e com frequência com bastante força, o vento vindo do oceano. Mesmo com calor na cidade, não esqueça de trazer ao menos uma blusinha leve ou corta-vento, para curtir a vista com conforto.
5. Ermida da Memória

A poucos passos do mirante principal você se depara com uma capelinha pequena, mas incrivelmente importante: a Ermida da Memória. Essa construção miúda, de planta quadrada, guarda uma história que é a principal lenda de toda a cidade. Segundo velhas crenças, aqui, em 1182, aconteceu um milagre que salvou a vida do nobre local Dom Fuas Roupinho.
A lenda conta que o nobre, durante uma névoa matinal, perseguia a cavalo um cervo. O animal saltou de repente da falésia para o vazio e o cavalo, na correria, o seguiu. No último segundo, o nobre pediu ajuda à Virgem Maria, o cavalo parou milagrosamente bem na beira da falésia e salvou assim a sua vida. A capela foi construída exatamente neste ponto como expressão de imensa gratidão.
Quando você espia dentro da capela, vê um interior lindamente decorado, cheio de tradicionais azulejos azuis e brancos. Esses azulejos retratam em detalhe justamente aquela história milagrosa com o cervo e o cavalo. Na rocha embaixo da capela, dizem que até hoje está impressa a ferradura do cavalo do nobre, que parou no último instante.
💡 Dica: A capelinha é realmente minúscula e cabem só umas poucas pessoas de cada vez. Tente vir logo cedo, para poder observar com calma as pinturas detalhadas nos azulejos sem aperto.
6. Igreja de Nossa Senhora da Nazaré

Bem na praça principal do bairro do Sítio se ergue majestoso o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré. Essa imponente igreja barroca foi construída no século XIV e até hoje é um dos lugares de peregrinação mais importantes de todo Portugal. Por fora, ela te chama a atenção com suas duas torres sineiras e a linda escadaria que leva à entrada principal.
O verdadeiro tesouro, porém, está escondido lá dentro. O interior da igreja é incrivelmente rico em detalhes dourados, lindíssimos afrescos no teto e amplos painéis de azulejos. O motivo principal pelo qual multidões de fiéis vêm para cá é a pequena imagem negra de Nossa Senhora amamentando o menino Jesus, guardada num altar de vidro.
Segundo a tradição, essa preciosa imagem de madeira foi trazida a Nazaré, de Mérida, na Espanha, por um monge eremita já no século IV. Foi a essa imagem que o nobre da lenda anterior rezou enquanto caía da falésia. A entrada na nave principal da igreja é totalmente gratuita, paga-se apenas uma pequena taxa para acessar os espaços dos fundos, onde você pode ver a imagem bem de perto.
💡 Dica: Vale muito a pena investir aquele euro simbólico e ir conhecer o espaço atrás do altar. A escadaria te leva bem pertinho da imagem sagrada e, de quebra, você aprecia os tetos lindamente pintados bem de perto.
7. Fortaleza de São Miguel Arcanjo e o farol

Quando você sai da praça do Sítio pela estrada em direção ao oceano, chega até a própria ponta da saliência rochosa. É bem aqui que fica a antiga Fortaleza de São Miguel Arcanjo, da qual se ergue aquele icônico farol vermelho. A fortaleza foi construída originalmente no século XVI, para proteger a costa e os pescadores locais dos ataques de piratas e corsários.
Hoje essa fortaleza é conhecida sobretudo como o melhor lugar do mundo para observar as ondas gigantes. É justamente do seu telhado que nascem aquelas fotos famosas, em que se vê um surfista minúsculo fugindo de uma montanha gigantesca de água. De um lado você tem vista para a praia mais tranquila de Nazaré e do outro para a selvagem Praia do Norte, onde esses monstros d’água se formam.
A entrada na fortaleza é realmente simbólica, você paga cerca de 2 € (por volta de R$ 13) aqui. Lá dentro, além das vistas incríveis, você também pode ver painéis informativos muito interessantes. Eles explicam em detalhe e de forma clara todo o fenômeno geológico que está por trás das ondas gigantes, então você finalmente entende por que elas se formam justamente aqui.
💡 Dica: Se você vier para cá no inverno, durante um alerta de ondas grandes, esteja aqui bem cedo pela manhã. A capacidade da fortaleza é limitada e os melhores lugares junto às muralhas são ocupados pelos fotógrafos profissionais, com suas lentes gigantescas, já ao amanhecer.
8. Praia do Norte

Enquanto a praia principal de Nazaré é calma e protegida, a Praia do Norte, ao norte do farol, é o seu exato oposto. Esta é a lendária praia onde acontece toda aquela loucura em torno do surfe extremo. Foi justamente aqui que o surfista americano Garrett McNamara desceu, em 2011, uma onda de incríveis 24 metros de altura, entrando para o Guinness Book e tornando este lugar famoso no mundo todo.
Essa praia é imensamente selvagem, ampla e cercada por uma natureza linda, com dunas de areia e florestas de pinheiros. Mesmo quando as ondas não estão do tamanho de um arranha-céu, é um espetáculo fascinante. A força do oceano é tão palpável aqui que o barulho vai te dar arrepios e o ar está sempre cheio de borrifos salgados.
Mas preciso te alertar com firmeza. Nessa praia nunca, mas realmente nunca entre na água nem tome banho de mar. As correntes de fundo daqui são extremamente fortes e as ondas imprevisíveis. Especialmente no inverno, não se recomenda nem caminhar perto demais da beira, porque uma onda pode te arrastar antes que você perceba que a maré subiu.
💡 Dica: Caminhe um pouco mais adiante pelas dunas de areia acima da praia. De lá saem fotos lindas e bem dramáticas do farol com o oceano revolto ao fundo, sem que você precise se espremer com a multidão nas muralhas da fortaleza.
9. Hall da fama dos surfistas
Já que você vai estar dentro da fortaleza de São Miguel Arcanjo, não pode de jeito nenhum perder a exposição dedicada aos próprios surfistas. Esse hall da fama, bem pequeno mas incrivelmente bem-feito, o Surfer Wall of Fame, celebra a coragem dos homens e mulheres que enfrentaram as ondas gigantes locais. É um mergulho fascinante no mundo do esporte extremo, onde um único erro pode custar a vida.
A principal atração dessa exposição é a coleção de pranchas de surfe originais. Praticamente todo surfista famoso que bateu algum recorde em Nazaré doou sua prancha para cá, incluindo o já citado Garrett McNamara. Quando você fica bem perto dessas pranchas, se surpreende com o quão pequenas e finas elas são, na verdade, em comparação com aquelas massas de água de vinte metros que tiveram de encarar.
Além das pranchas, você encontra ali um monte de fotografias marcantes, registros históricos e troféus. Também dá para assistir aos impressionantes vídeos das maiores descidas, que te passam pelo menos um pedacinho daquela adrenalina. A entrada no hall da fama já está incluída naquele bilhete básico de dois euros da fortaleza.
💡 Dica: Tente encontrar na exposição a seção dedicada aos socorristas nos jet skis. Eles fazem um enorme trabalho perigoso e, sem a ajuda imediata deles depois de uma queda na água, a maioria dos surfistas não sobreviveria.
10. Cânion submarino de Nazaré
Talvez você se pergunte por que as maiores ondas do mundo se formam justamente perto dessa discreta vilazinha portuguesa e não em outro lugar. O motivo não é magia nenhuma, mas uma formação geológica totalmente única, chamada Cânion de Nazaré. Trata-se de um cânion submarino de incríveis 5 quilômetros de profundidade e 230 quilômetros de comprimento, que segue perpendicular à costa e termina bem em frente ao farol.
Esse cânion funciona como um enorme funil submarino. Quando as ondas das tempestades atlânticas de inverno se aproximam da costa, a grande profundidade do cânion não deixa que elas percam velocidade nem energia. Assim que essa massa de água encontra os bancos rasos repentinos junto à falésia da Praia do Norte, não tem para onde desviar a não ser subir de repente a uma altura enorme.
É uma demonstração fascinante de como a topografia do fundo do mar consegue criar um fenômeno de escala mundial. Mesmo que você, claro, não veja o cânion com os próprios olhos, porque ele fica escondido lá no fundo, a sensação de estar bem em cima de um dos abismos submarinos mais profundos da Europa dá à visita a Nazaré um enorme respeito pela natureza.
💡 Dica: No pequeno museu local, na fortaleza, você encontra um modelo 3D bem ilustrativo do fundo do mar. Nele dá para ver perfeitamente aquela quebra abrupta que transforma ondas comuns de dois metros em monstros de trinta metros.
11. As tradicionais pescadeiras das sete saias
Nazaré não é só ondas e surfe, é sobretudo uma orgulhosa cidade de pescadores com tradições riquíssimas. Ainda hoje, caminhando pelas ruas ou ao longo da praia, você pode encontrar senhoras locais vestidas com um traje tradicional totalmente único. Esse traje é composto pelas típicas sete saias coloridas de flanela (ou melhor, anáguas) sobrepostas umas às outras.
A origem dessa tradição tem uma base bem prática. As mulheres, no passado, passavam longas horas na praia, esperando o retorno de seus homens do mar e depois ajudando a processar a pesca. Para que as saias as protegessem do vento oceânico frio e da umidade, elas as sobrepunham. O número sete, além disso, simboliza no cristianismo a perfeição, os sete dias da semana ou as sete virtudes.
Muitas dessas mulheres você vai ver vendendo na rua castanhas secas, sementes de girassol ou pequenos souvenires. Elas são muito orgulhosas de sua herança e completam aquele colorido local incrível, que felizmente ainda não desapareceu de vez em Nazaré. Mas se você quiser fotografá-las, é de bom-tom primeiro sorrir e pedir permissão, ou então comprar alguma coisinha delas.
💡 Dica: Se você vir uma mulher vestida toda de preto, provavelmente é uma viúva de luto. Dada a natureza perigosa do ofício de pescador, infelizmente isso não era um fenômeno raro no passado.
12. Peixe secando na praia
Outra tradição linda e ainda bem viva, com a qual você vai se deparar bem no centro da cidade de baixo, é a secagem de peixe a céu aberto. Caminhando pela promenade junto à Praia de Nazaré, logo você vai sentir um cheiro específico e ver umas estruturas de madeira interessantes. Esse lugar se chama Seca do Peixe e serve como um secador natural.
As pescadeiras locais esticam redes em armações de madeira, sobre as quais dispõem com muito cuidado peixes abertos e salgados. O mais comum é processar assim diferentes tipos de peixinhos menores ou pequenos polvos. Os peixes são secados exclusivamente ao sol e à brisa do mar, exatamente como se fazia nessa região já há muitos séculos, antes ainda da invenção da geladeira.
Esse modo tradicional de conservação garantia às famílias de pescadores estoques de comida para o inverno, quando o mar estava agitado demais para se poder navegar com segurança. Hoje em dia trata-se de um patrimônio cultural protegido, que a prefeitura apoia ativamente. Os produtos já secos você pode comprar ali mesmo das vendedoras, se te atrai experimentar algo bem autêntico.
💡 Dica: Observe como os peixes são dispostos nas redes. É literalmente uma obra de arte e uma prova incrível da habilidade das mulheres locais, que herdam essa técnica de geração em geração.
13. Experimente surfar
Você estaria em Nazaré e não experimentaria surfar? O Lukáš e eu sabemos muito bem que ficar de pé na prancha em Portugal é uma experiência para a vida toda. Claro que ninguém vai te mandar para as ondas mortais da Praia do Norte, isso a gente deixa para os profissionais. Mas nos arredores de Nazaré e nas praias principais mais ao sul há ótimas condições até para iniciantes de verdade.
Na cidade funcionam várias escolas de surfe profissionais, que oferecem cursos para todos os níveis. Instrutores locais experientes te explicam na areia o básico, mostram a postura certa e, sobretudo, te ensinam a ler o oceano e a reconhecer as correntes com segurança. O equipamento — prancha e a roupa de neoprene quentinha, que no Atlântico é absolutamente indispensável — é claro que te emprestam ali na hora.
Se você nunca ficou de pé numa prancha, conte com engolir um pouco de água salgada e ter os braços cansados de remar. Mas aquela sensação de, quando você pega uma onda pela primeira vez e fica de pé, simplesmente não tem preço. As aulas costumam ser marcadas de acordo com a maré, para que as condições para iniciantes sejam o mais favoráveis e seguras possível.
💡 Dica: Se você não está seguro das suas habilidades, marque para começar uma aula particular ou em um grupinho pequeno. O instrutor vai poder se dedicar totalmente a você e você vai ficar de pé na prancha muito mais rápido.
14. Gastronomia e doces locais
Portugal é um paraíso para os amantes da boa comida e Nazaré definitivamente não fica atrás. Para aqueles de vocês que buscam o clássico, os restaurantes locais oferecem sobretudo peixe fresquinho e o tradicional bacalhau, o bacalhau seco preparado de centenas de jeitos. Nós somos vegetarianos, então deixamos essas especialidades locais para os outros, mas definitivamente não passamos fome aqui.
A gente se apaixonou pelos ótimos queijos portugueses, azeitonas e pelas mais variadas tapas vegetarianas, que preparam para você em toda boa taverna. Mas o que a gente nunca deixa de fora são os doces. Com o café você tem que comer, com certeza, o famoso Pastel de Nata, aquele cestinho incrível de massa folhada recheado com um creme delicioso de gema e polvilhado com canela. As padarias daqui os fazem fresquinhos o dia todo e o cheiro dá para sentir de longe.
Depois de uma boa refeição, não esqueça de experimentar outra especialidade portuguesa, o doce licor de ginja, a Ginjinha. Costuma ser vendido em pequenas barraquinhas na própria rua e muitas vezes te servem em um copinho de chocolate amargo. Você bebe a dose, come o copinho e está garantido um final doce e perfeito para o dia todo.
💡 Dica: Evite os restaurantes bem na promenade principal, que costumam ter os chamados “preços de turista”. Entre pelas ruelas laterais, onde você encontra estabelecimentos familiares menores, as chamadas tascas. A comida ali será mais autêntica e por um preço bem mais razoável.
15. Absorva a atmosfera ao pôr do sol
A última dica na verdade não custa nada, mas pode muito bem ser o momento mais lindo de toda a sua viagem. Os pores do sol sobre o oceano Atlântico são, em geral, deslumbrantes em Portugal, mas em Nazaré, graças às falésias íngremes, eles têm uma atmosfera ainda um pouco mais dramática. Assim que o sol começa a se curvar em direção ao horizonte, toda a cidade se banha de uma luz dourada incrivelmente aconchegante.
O lugar ideal para observar é, claro, o já citado mirante Miradouro do Suberco, lá em cima, no Sítio. Mas se você quer algo mais intimista, sente-se simplesmente direto na areia da praia de baixo. Leve com você uma garrafa de bom vinho português Vinho Verde, um pedaço de queijo e apenas escute em silêncio o marulhar das ondas quebrando na costa.
É interessante que, assim que o sol se põe no horizonte, a temperatura do ar muitas vezes cai bem de repente. Do oceano começa a soprar um vento mais frio e, em poucos minutos, você vai ficar feliz de ter um moletom quente. É justamente esse ritual noturno, quando o céu se tinge de roxo e no farol se acende a primeira luz, que capta perfeitamente aquela alma romântica e levemente melancólica de Portugal.
💡 Dica: Se você quer também se aquecer com uma boa bebida ao pôr do sol, procure algum terraço menor na cobertura (rooftop bar) no bairro do Sítio. De lá você vai ter a vista na palma da mão e, ao mesmo tempo, estará protegido do vento frio.
Mapa de pontos de interesse para o celular
Para onde ir a partir de Nazaré
Se você tem uma base em Nazaré por vários dias, os arredores oferecem possibilidades absolutamente fantásticas para bate-voltas. A cerca de 30 quilômetros daqui fica a fabulosa cidadezinha de Óbidos. Ela é toda cercada por muralhas medievais, por onde dá para caminhar, e suas casinhas brancas cobertas de flores vermelhas parecem saídas de um filme. Mas tente vir com o primeiro ônibus da manhã, porque no meio do dia costuma ficar impossível de andar por causa das excursões de Lisboa.
Os amantes de arquitetura deslumbrante e história não deveriam deixar de fora os mosteiros das cidades de Alcobaça e Batalha, ambos monumentos orgulhosamente inscritos na lista da UNESCO e que representam o melhor do gótico português e do estilo manuelino. Se você prefere as falésias naturais e mais um pouco daquela atmosfera de surfe, vá até a cidadezinha litorânea vizinha de Peniche.
Claro que, se você está apenas começando ou terminando sua viagem em Nazaré, não pode deixar de fora a capital. Explore nosso guia de Lisboa, onde você encontra dicas das melhores ruelas da Alfama. De Lisboa, faça com certeza um passeio para conhecer os palácios românticos sobre os quais escrevemos no artigo sobre Sintra, ou absorva a atmosfera da riviera portuguesa na pitoresca Cascais. E se você tiver um carro à disposição e tempo de sobra, pode partir para descobrir as praias mais lindas do Algarve, no extremo sul do país.
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Qual é a melhor forma de chegar a Nazaré saindo de Lisboa?
A opção mais prática e confortável é o ônibus interurbano. A empresa Rede Expressos opera com muita frequência a partir do terminal Sete Rios em Lisboa. A viagem pela rodovia leva aproximadamente uma hora e cinquenta minutos e a passagem custa cerca de 12 a 15 € em cada sentido. Não recomendamos ir de trem, pois a estação ferroviária mais próxima fica bem longe da cidade.
Quanto tempo vale a pena ficar em Nazaré?
Se você estiver apenas de passagem pela cidade, consegue conhecer as principais atrações e mirantes em um dia bem aproveitado. Mas o ideal são de 2 a 4 dias, para que você possa aproveitar o pôr do sol, caminhar pela praia, absorver a atmosfera tranquila do histórico Sítio e curtir sem pressa.
Quando exatamente vou ver as maiores ondas do mundo?
Infelizmente ninguém pode garantir uma data exata. A temporada das ondas gigantes vai de novembro a fevereiro. As ondas se formam apenas durante tempestades atlânticas específicas, então é preciso acompanhar as previsões de surf (como o Surfline) ou os alertas da World Surf League. No resto do inverno as ondas podem ser “apenas” grandes, mas não aquelas recordes.
Nazaré é adequada para famílias com crianças?
Com certeza, sim. Nos meses de verão, Nazaré é um balneário muito tranquilo e agradável, com muitas sorveterias e uma ampla praia de areia onde as crianças têm bastante espaço para brincar. Apenas tome muito cuidado ao nadar no oceano, a água é fria e as ondas podem ter força inesperada mesmo no verão.
É possível alugar equipamento de surf em Nazaré?
Sim, na cidade você encontra várias locadoras bem equipadas e escolas de surf profissionais. Sem problemas eles alugam prancha e roupa de neoprene, que você definitivamente vai precisar no Atlântico gelado, e ficam felizes em orientar na escolha da praia adequada para o seu nível.
Quanto custa a viagem no funicular histórico?
Por um bilhete de ida e volta, que te leva da cidade baixa da Praia até o topo do penhasco no bairro do Sítio e de volta, você paga aproximadamente 3 €. O funicular opera com muita frequência, a cada 15 minutos mais ou menos, e você compra os bilhetes sem problemas direto na bilheteria da estação.
O que é o Cânion de Nazaré?
É uma formação geológica única escondida sob a superfície do oceano. É um cânion submarino de 5 quilômetros de profundidade que funciona como um funil gigante. É ele que consegue multiplicar a energia das tempestades de inverno e lançar na costa aquelas gigantescas ondas famosas que tornaram a cidade conhecida mundialmente.
