Melbourne, Austrália 2026: 23 dicas do que ver e fazer

Melbourne, na Austrália, não tem uma ópera icônica saída de um cartão-postal nem uma ponte famosa, e mesmo assim a prestigiada revista Time Out a elegeu a melhor cidade do mundo para 2026. Nas eternas comparações com Sydney, esta cidade ganha em praticamente tudo, exceto na fotogenia dos cartões-postais, porque é aqui que simplesmente se vive melhor. A cultura local não gira em torno das praias, mas sim de uma gastronomia fantástica, do café especial de altíssimo nível, da arte de rua e da música ao vivo que ecoa em cada segunda viela.

Se você procura um destino turístico clássico, onde marca três monumentos numa lista e segue viagem, talvez a capital do estado de Victoria confunda você à primeira vista. O charme de Melbourne está na sua atmosfera e no estilo de vida que, segundo a experiência de muitos viajantes, acaba envolvendo você por completo. É uma cidade onde você se perde em vielas estreitas cobertas de grafite, descobre as melhores cafeterias escondidas e onde os moradores adoram moda e design independentes.

Conteúdo do artigo

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Quantos dias você vai precisar: Reserve idealmente de 3 a 4 dias só para a cidade, mas se planeja pegar também a icônica Great Ocean Road ou ver os pinguins em Phillip Island, conte no total com 5 a 7 dias.
  • Quando ir: O clima mais estável e agradável é o do outono australiano (março a maio), quando você evita os extremos do verão e o frio do inverno, mas prepare-se: o tempo local consegue mudar dez graus em poucas horas 😅.
  • Onde se hospedar: Para a primeira visita, o mais prático é o centro (CBD), mas se você busca uma atmosfera mais artística e descolada, os viajantes juram pelo bairro de Fitzroy, cheio de brechós e bares.
  • Transporte e pegadinhas: Infelizmente não há trem do aeroporto, então sobram os ônibus SkyBus. E os bondes no centro são de graça, mas cuidado com os limites da zona, onde os fiscais não brincam em serviço.
  • O que não pode faltar de jeito nenhum: Você tem que caminhar pela viela Hosier Lane, explorar o Queen Victoria Market e absorver a atmosfera do calçadão de Southbank, à beira do rio Yarra.

Quando ir para Melbourne, na Austrália

O clima local é um capítulo à parte e os moradores costumam brincar com o ditado “quatro estações num só dia”. Melbourne fica junto à baía de Port Phillip e perto do estreito de Bass, o que, combinado com o interior australiano em brasa, cria variações de temperatura incríveis. É totalmente comum que o vento do oceano mude de direção e a temperatura caia 10 °C em poucas horas, então um guarda-chuva dobrável e uma camada leve extra na mochila são absolutamente indispensáveis mesmo no auge do verão.

O clássico verão australiano (dezembro a fevereiro) traz temperaturas agradáveis em torno de 27 °C, mas pode surpreender também com ondas de calor extremas. O inverno (junho a agosto), por outro lado, é bem frio, com média de 14 a 15 °C, ou seja, nada de banho de mar. O clima mais instável reina em novembro e dezembro, quando as temperaturas se comportam como uma montanha-russa, e por isso a melhor época para visitar acaba sendo março, abril ou outubro.

Ao planejar a viagem, tome muito cuidado com as datas dos grandes eventos esportivos, por causa deles a cidade fica absolutamente lotada e os preços dos hotéis disparam. Na segunda metade de janeiro acontece o famoso torneio de tênis Australian Open, em março a cidade é tomada pela Fórmula 1 no circuito de Albert Park e o fim de setembro pertence à grande final do futebol australiano, a AFL. Já no começo de novembro rola a corrida de cavalos Melbourne Cup, que para os moradores é até feriado, então a hospedagem nessa semana vai comer uma fatia enorme do orçamento.

Como se locomover por Melbourne (e como sair do aeroporto)

O transporte a partir do aeroporto internacional de Tullamarine (MEL) é uma fonte frequente de frustração, porque não há nenhuma linha de trem. A forma mais rápida e prática é usar os ônibus vermelhos SkyBus, que fazem o trajeto entre o aeroporto e a estação Southern Cross, no centro, mais ou menos a cada 10 minutos. A passagem só ida sai por cerca de 20 AUD (uns R$ 75), mas confira sempre o preço atualizado no site deles, por garantia. A alternativa é o táxi tradicional ou serviços como Uber, que fazem mais sentido quando você viaja em grupo maior e divide os custos.

A locomoção pela cidade passa por uma grande revolução em 2026, porque finalmente é possível pagar o transporte público por aproximação com cartão ou celular. O sistema começou a funcionar aos poucos a partir do verão de 2026 e opera no princípio “tap-on” e “tap-off”, só que você precisa ter cuidado de encostar sempre o mesmo cartão ao entrar e ao sair, senão a tarifa é cobrada duas vezes. Os antigos cartões de plástico myki continuam valendo em paralelo, mas felizmente já não são obrigatórios para os turistas, o que facilita incrivelmente os deslocamentos espontâneos. Uma novidade fresquinha é também o novíssimo Metro Tunnel, inaugurado em fevereiro de 2026, que acrescentou cinco novas estações subterrâneas, incluindo a parada Anzac, bem ao lado do jardim botânico.

Uma atração e tanto é a chamada Free Tram Zone, graças à qual os bondes no centro (CBD) e no bairro de Docklands são totalmente gratuitos. Parece ótimo, mas esconde uma grande armadilha para turistas, porque bairros populares como Fitzroy ou a praiana St Kilda já ficam fora dessa zona. Se você esquecer de encostar o cartão logo depois de cruzar o limite da zona, corre o risco de levar multas sem dó, e os fiscais, segundo os moradores, se concentram justamente nessas paradas de fronteira. Para um passeio panorâmico pelo centro, recomendo usar a histórica linha City Circle Tram 35, que é de graça e funciona como um ótimo tour de orientação.

Onde se hospedar em Melbourne

💡 Dica de hospedagem e experiências: nós preferimos procurar acomodação no Booking.com, onde costumam ter as melhores condições de cancelamento. Já os ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.

A escolha do bairro é absolutamente decisiva para a sua experiência na cidade, porque cada parte de Melbourne tem uma atmosfera e um público completamente diferentes. Para a primeira visita, faz mais sentido se hospedar bem no coração da cidade, no chamado CBD (Central Business District). Dali você chega a pé em quase tudo, os bondes no centro são de graça e o café na esquina é regra. A única desvantagem é aguentar o barulho e a agitação típicos de metrópole, mas, sinceramente, depois de dois dias você nem percebe mais.

Se você busca uma opção mais barata e ao mesmo tempo bem popular no próprio centro, o Space Hotel tem ótimas avaliações e combina quartos compartilhados limpos a partir de 30 AUD (cerca de R$ 110) com quartos privativos muito bonitos a partir de 90 AUD (cerca de R$ 330). Já os viajantes que curtem o estilo boutique e design único costumam elogiar o Laneways by Ovolo, na 19 Little Bourke St, onde o preço fica em torno de 190 AUD (R$ 700) a diária. E para quem quer luxo de verdade, com piscina coberta de 25 metros e vista para o rio, a escolha certa é o icônico Crown Towers Melbourne, no bairro de Southbank, onde a diária sai por cerca de 310 AUD (R$ 1.140). Sempre vale reservar hotéis com boa antecedência pelo Booking.com.

Uma experiência totalmente diferente oferece o bairro de Fitzroy, ao norte, que é a meca dos descolados, da arte de rua e dos brechós. Quem se hospeda ali é quem quer passar as noites em bares alternativos e as manhãs tomando café especial em espaços industriais; do centro você chega de bonde em poucos minutos. Outra opção popular é a praiana St Kilda, a cerca de 6 quilômetros do centro, que atrai pelo calçadão à beira-mar e pelo parque de diversões histórico, mas conte com um deslocamento mais longo até a cidade (uns 25 minutos de bonde) e uma atmosfera bem contrastante, às vezes mais selvagem.

Sydney ou Melbourne?

Essa é provavelmente a pergunta mais frequente de quem planeja uma viagem à Austrália e não tem tempo de visitar as duas metrópoles. Sydney é a personificação da beleza fotogênica, ostenta a icônica ópera, um porto de tirar o fôlego e praias famosas, encabeçadas pela Bondi Beach, então preenche na hora aquela imagem dos catálogos de viagem. Melbourne nunca impressiona tanto nas fotos, mas é justamente aí que mora a armadilha. O verdadeiro charme se esconde nas vielas, no cheiro de café recém-torrado e nos bares que placa nenhuma indica.

Se você ama natureza, surfe e quer as melhores fotos das férias, provavelmente vai se encantar mais com Sydney. Por outro lado, para os amantes de boa comida, moda, vida noturna e arte independente, Melbourne é a vencedora disparada, porque oferece uma vida urbana muito mais autêntica. Decida como decidir, vale a pena ler também nosso artigo detalhado com dicas sobre o que ver e fazer em Sydney, para ter a comparação completa.

23 dicas do que ver e fazer em Melbourne

Então tá, vamos direto ao ponto — aqui estão as 23 dicas do que você não pode perder em Melbourne, além de algumas coisas que a maioria dos guias comuns nunca vai te contar. Você vai encontrar um mix de monumentos icônicos, tesouros escondidos, experiências gastronômicas famosas e parques lindos, onde dá para descansar da agitação da metrópole.

1. Hosier Lane e a arte de rua nas vielas

Melbourne é mundialmente famosa por sua cena de arte de rua, e a Hosier Lane é a tela a céu aberto mais famosa de todas. Essa viela de paralelepípedos funciona desde 1998 como zona legal para grafiteiros e artistas, o que significa que seu visual muda praticamente de um dia para o outro e nenhuma obra permanece para sempre. Fachadas, lixeiras e calhas ficam cobertas por uma camada espessa de tinta, e muitas vezes você consegue observar os artistas trabalhando ali mesmo.

💡 Dica: Se você quer fotografar a viela sem multidões de turistas e fotógrafos de casamento, apareça cedinho num dia de semana, entre oito e nove da manhã.

2. Degraves Street e Centre Place

Se algo capta perfeitamente a atmosfera de Melbourne, são as chamadas “laneways”, vielas estreitas que entrelaçam todo o centro. A Degraves Street, de 1837, é uma das mais encantadoras, lembra um pouco um bulevar parisiense encolhido numa faixa de cem metros, onde as mesas das cafeterias se espremem sobre o calçamento. Você sente ali um cheiro incrível de pães e espresso, e mesmo estando sempre lotada, tem um charme absurdo.

Logo do outro lado da rua ela emenda na Centre Place, que é ainda mais apertada, mais crua e cheia de arte de rua. É justamente ali que você encontra dezenas de janelinhas vendendo baguetes, sopas e café para viagem, onde os funcionários locais adoram dar uma escapada para um almoço rápido.

3. Federation Square e a galeria NGV

A praça Federation Square é o coração simbólico da cidade e sua arquitetura geométrica extravagante ainda hoje divide os moradores em dois times. Ali você encontra um telão gigante, onde são transmitidos jogos importantes, e fica o Ian Potter Centre (NGV Australia), uma galeria incrível dedicada exclusivamente à arte australiana e aborígene. A entrada nas coleções permanentes é totalmente gratuita, então seria pecado não dar uma passada por lá.

O prédio principal, o NGV International, fica a poucos passos dali, do outro lado do rio, na St Kilda Road, e é focado em arte mundial. Aqui também a entrada básica é gratuita e o horário é todos os dias das 10h às 17h. Em 2026, dentro da série Winter Masterpieces, acontece ainda a badalada exposição da joalheria Cartier, que vai de meados de junho até o começo de outubro.

4. State Library Victoria

Mesmo que você não seja fã de livros antigos, essa biblioteca é de visita obrigatória, porque sua gigantesca sala de leitura octogonal, a La Trobe Reading Room, é de tirar o fôlego. Quando sua deslumbrante cúpula de 34,75 metros de diâmetro foi concluída em 1913, era a maior construção do gênero no mundo. A vista dos balcões superiores para as mesas de madeira dispostas em leque e as luminárias verdes é uma das fotos mais clássicas de Melbourne.

A entrada no prédio é totalmente gratuita e o horário é todos os dias das 10h às 18h. Mas lembre-se de que é uma sala de estudos ativa, onde milhares de estudantes vão estudar, então é preciso respeitar o silêncio absoluto e não incomodá-los com o flash da câmera.

5. Queen Victoria Market

O maior mercado a céu aberto do Hemisfério Sul funciona sem interrupções desde 1878 e é um verdadeiro paraíso para todos os amantes da comida. Você compra ali de tudo, de ostras frescas e queijos a roupas vintage e souvenirs, e a atmosfera nos pavilhões históricos é incrivelmente animada e barulhenta. Se você quer as melhores peças, apareça bem entre seis e sete da manhã; já as barracas de café especial e pães costumam abrir por volta das nove.

Mas fique muito atento ao horário de funcionamento, porque o mercado fica rigorosamente fechado toda segunda e quarta-feira! No inverno australiano (de junho ao início de setembro), aliás, acontece toda quarta à noite o famoso Winter Night Market, onde você pode provar comida de rua do mundo inteiro e curtir música ao vivo ao lado de fogueiras.

6. Jardim Botânico Real e Shrine of Remembrance

A pouca distância do centro agitado se estende um lindo oásis verde de 38 hectares, aonde os moradores vão ler, correr ou fazer piquenique. A entrada no jardim botânico é gratuita e os portões ficam abertos todos os dias, das 7h30 às 17h30. O jardim é tão enorme que você se perde nele por uma tarde inteira e, além disso, desde fevereiro de 2026 dá para chegar ali comodamente pelo novo metrô, na estação Anzac.

Bem ao lado dos jardins ergue-se o monumental memorial Shrine of Remembrance, dedicado aos veteranos de guerra australianos. Do seu terraço superior você tem uma vista absolutamente fantástica dos arranha-céus do centro, especialmente bonita ao pôr do sol. Se você encontrar guias mais antigos prometendo o fenômeno de luz diário “Ray of Light” iluminando a palavra LOVE, não caia nessa: por causa do ângulo do sol, esse fenômeno só acontece no dia 11 de novembro, às 11 da manhã.

7. Melbourne Skydeck

Se você ama ver as metrópoles do alto, com certeza vai se encantar com o mirante do arranha-céu Eureka Tower. O Melbourne Skydeck fica no 88º andar, a 285 metros de altura, e oferece uma vista deslumbrante de 360 graus de toda a cidade, da baía e das montanhas ao longe. Abre todos os dias das 12h às 21h e o ingresso básico comprado online sai por 33 AUD (cerca de R$ 120).

💡 Dica: A atração radical The Edge, uma caixa de vidro que avança para fora do prédio, não está incluída no preço básico e você precisa pagar por um pacote a partir de 47 AUD (R$ 175). Além disso, você não pode levar o celular para dentro, então não vai conseguir tirar sua própria foto sobre o abismo.

8. MCG e a Melbourne esportiva

Os moradores de Melbourne são absolutamente obcecados por esporte, e o estádio Melbourne Cricket Ground (MCG) é um templo sagrado para eles. Com capacidade para mais de 100 mil espectadores, é um dos maiores estádios do mundo, e no último sábado de setembro acontece ali regularmente a grande final do futebol australiano (AFL). A sexta anterior ao jogo é inclusive declarada feriado, para que todos possam se preparar para as comemorações.

Se você não conseguir vir a nenhum jogo, pode reservar uma visita guiada de 75 minutos, que leva você aos vestiários, às arquibancadas e diretamente ao gramado sagrado. As visitas costumam acontecer entre dez e quinze horas, mas nos dias de jogo, obviamente, não rolam; confira sempre horários e preços exatos no site oficial mcg.org.au.

9. A cena das cafeterias e o pedido “magic”

O café nessa cidade é praticamente uma religião e sua história remonta aos anos 1950, quando os imigrantes italianos trouxeram as primeiras máquinas de espresso. Os viajantes elogiam lugares como o Patricia Coffee Brewers ou o Brother Baba Budan, onde a gente enfrenta filas longas de boa vontade pela xícara certa. Mas não espere sentar ali com o notebook por meio dia: as cafeterias pequenas vivem de um giro enorme e os laptops, nos horários de pico, não são nem um pouco bem-vindos.

Circula muito pela internet o mito de que o famoso flat white foi inventado aqui, mas na verdade quem disputa esse pioneirismo são Sydney e a Nova Zelândia. A verdadeira invenção de Melbourne e uma dica de quem é de dentro é a bebida chamada “magic”. Trata-se de um ristretto duplo coberto com leite quente numa xícara pequena de 150 ml, então tem um sabor de café bem mais intenso. Normalmente você não encontra no cardápio, mas todo bom barista sabe exatamente o que você quer.

10. Lygon Street e o Pellegrini’s (a Melbourne italiana)

O bairro de Carlton e sua artéria principal, a Lygon Street, formam uma encantadora Little Italy, onde se escreveu a história gastronômica de toda a Austrália. É justamente aqui que você encontra o Toto’s Pizza House, que abriu em 1961 como a primeira pizzaria do país e continua abrindo a massa até hoje. Se você está a fim de uma pizza de respeito ou de uma montanha de massas frescas, essa rua é aposta certa.

Uma verdadeira lenda da cena italiana é o Pellegrini’s Espresso Bar, na Bourke Street, que funciona desde 1954. O tempo parou completamente ali: os clientes até hoje sentam no balcão de mármore original, em banquetas vermelhas, e a atmosfera é incrivelmente acolhedora. Esse lugar tem alma e dizem que nada mudou desde a inauguração.

11. Melbourne Museum e Royal Exhibition Building (UNESCO)

Na borda do bairro italiano, nos lindos Carlton Gardens, ergue-se o gigantesco e envidraçado Melbourne Museum. Lá dentro você conhece a história dos povos originários, vê esqueletos de dinossauros e mergulha na natureza do estado de Victoria. É um complexo enorme, que entretém você sem problema por uma tarde inteira de chuva; ingressos e exposições atuais você confere facilmente no site deles.

Bem em frente ao museu fica o deslumbrante Royal Exhibition Building, o primeiríssimo prédio australiano inscrito na lista da UNESCO, construído para a exposição internacional de 1880, cuja majestosa cúpula é um dos exemplos mais bonitos de arquitetura vitoriana do país. Se pintar horário disponível, vale muito a pena pagar a visita guiada à cúpula, a Dome Promenade, com vista para toda a redondeza.

12. Chinatown

O bairro chinês de Melbourne se estende ao longo da Little Bourke Street e ostenta o título de Chinatown em funcionamento contínuo mais antiga do Hemisfério Sul. Os imigrantes chineses começaram a se estabelecer ali já nos anos 1850, durante a corrida do ouro, e até hoje a rua manteve um caráter incrivelmente autêntico, cheio de lanternas vermelhas, supermercados asiáticos e cheiro de especiarias.

A maior experiência é se perder em passagens escuras, como a Tattersalls Lane, onde ficam os melhores restaurantezinhos discretos. Muitos estabelecimentos locais funcionam no esquema BYO (Bring Your Own), o que significa que você pode levar sua própria garrafa de vinho e eles só cobram uma pequena taxa pelas taças enquanto você saboreia as especialidades asiáticas.

13. South Melbourne Market

Enquanto o Queen Victoria Market costuma estar cheio de turistas, o South Melbourne Market é mais uma coisa local, aonde vão comprar principalmente os moradores da vizinhança. O mercado é menor, mas, segundo muitos relatos, oferece uma qualidade bem mais premium de ingredientes. Abre quarta, sexta, sábado e domingo, e os portões ficam fechados na segunda e na terça.

Foi justamente aqui que, em 1945, segundo fontes históricas, foi inventado o famoso petisco australiano chamado dim sim. É um bolinho grande de massa mais grossa, tipicamente recheado de carne e repolho, que as pessoas compram na janelinha e comem na rua mesmo, direto do saquinho de papel. É um clássico local e tanto, sem o qual os moradores não imaginam uma visita ao mercado.

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14. Southbank e um passeio de barco pelo Yarra

O popular calçadão de Southbank se estende ao longo das margens do rio Yarra e oferece vistas lindas dos arranha-céus do centro, artistas de rua e restaurantes de luxo. Numa das pontas fica o gigantesco complexo Crown, com cassino, onde às vezes rolam shows de fogo, mas uma parada bem mais interessante é o bar Ponyfish Island, escondido de forma sagaz bem embaixo dos pilares da ponte Evan Walker Bridge.

💡 Dica: Se algum artigo mais antigo mencionar a gigantesca roda-gigante Melbourne Star, ali perto em Docklands, pode esquecer, porque ela está permanentemente fechada e fora de operação desde 2021. Em vez disso, recomendo fazer um passeio panorâmico de barco de uma hora pelo rio com a Melbourne River Cruises, que sai por cerca de 35 AUD (R$ 130) por adulto.

15. St Kilda (Luna Park, pinguins e feira de domingo)

O bairro de St Kilda fica a cerca de seis quilômetros do centro e respira uma atmosfera praiana descontraída, misturada com uma vida noturna um tanto mais selvagem. O ícone dali é, sem dúvida, o histórico Luna Park, de 1912, no qual se entra por uma enorme boca aberta do “Mr Moon”. A entrada, incluindo uma volta, sai por 30 AUD (R$ 110); o pacote ilimitado, por 47 a 57 AUD. Aos domingos, além disso, acontece à beira da praia a tradicional Esplanade Market, cheia de produtos artesanais.

Um atrativo enorme de St Kilda é a colônia local de pinguins-azuis (os menores do mundo), que voltam toda noite ao quebra-mar junto ao píer do porto. Atenção: desde dezembro de 2024 está em vigor uma reserva online gratuita obrigatória para observar os pinguins! As novas datas abrem no site penguins.org.au sempre às terças, às 10 da manhã, então aquelas dicas antigas de que basta simplesmente aparecer à noite já não valem mais há tempos.

16. Brighton Bathing Boxes

Já que você vai estar perto do oceano, dê uma esticada um pouco mais para o sul, até a enseada de Dendy Street Beach, no bairro de Brighton. É justamente ali, na praia, que ficam as 93 casinhas de madeira coloridas, que estão entre os lugares mais fotografados de toda a Austrália.

As casinhas datam, na maioria, de 1907 a 1933, não têm água encanada nem eletricidade e, mesmo assim, seu preço no mercado imobiliário sobe a alturas absolutamente astronômicas — e como as pessoas conseguem pernoitar naquele lugar continua sendo um mistério. A melhor forma de chegar até ali é de trem, na linha Sandringham, com a qual você sai da estação Flinders Street e chega à estação Brighton Beach em menos de meia hora. Dali até as casinhas coloridas é só uma caminhada curta e agradável pela costa.

17. Fitzroy e Collingwood

Os bairros de Fitzroy e Collingwood, ao norte, são o epicentro de tudo que é alternativo, independente e artístico. A artéria principal ali é a Brunswick Street, cheia de arte de rua linda, brechós e ótimos bares, enquanto a vizinha Smith Street ganha vida principalmente depois do anoitecer. Aos fins de semana, aliás, funciona ali a comunitária Rose Street Artists’ Market, onde criadores locais vendem joias e arte.

💡 Dica: Se você ama moda vintage e garimpar coisas antigas, apareça ali no começo da tarde, quando as lojas estão mais vazias. À noite, o bairro se transforma numa zona pulsante, cheia de música e barzinhos lotados.

18. City Circle Tram 35

Como já mencionei na parte prática, andar de bonde histórico é uma das formas mais bacanas de se orientar no centro. A linha City Circle Tram 35 é totalmente gratuita e faz o contorno de todo o CBD, com um comentário gravado saindo dos alto-falantes, apontando os monumentos interessantes pelos quais você está passando.

Os bondes costumam circular entre nove e meia da manhã e cinco e meia da tarde. É importante saber que a linha anda só numa direção (sentido horário), então pense bem em onde vai embarcar, para não dar a volta na cidade inteira à toa por causa de uma parada.

19. Williamstown de balsa

Se você quer descansar da metrópole por um tempinho, dê um pulo até a histórica cidadezinha portuária de Williamstown. O caminho mais bonito é pela água: pegue a balsa no calçadão de Southbank e, depois de cerca de uma hora de navegação, você chega às ruas tranquilas cheias de barzinhos antigos e de história marítima. Do cais de Williamstown, aliás, você tem uma vista linda da silhueta dos arranha-céus de Melbourne, de uma perspectiva totalmente diferente.

💡 Dica: Os viajantes recomendam transformar o passeio num circuito — vá de barco panorâmico, para curtir as vistas, e volte ao centro comodamente de trem, na estação Southern Cross, o que leva só uns 20 minutos.

20. A Melbourne noturna: AC/DC Lane e bares

Quando o sol se põe, a cidade mostra sua cara mais pesada e roqueira. Uma parada cult é a viela AC/DC Lane, batizada em homenagem à famosa banda australiana em outubro de 2004. As paredes ali são pintadas com motivos musicais e fica ali o lendário Cherry Bar, um clube de rock manhoso onde, dizem, estrelas mundiais já emendaram festa depois dos próprios shows.

A vida noturna de Melbourne é construída sobre o conceito de bares escondidos, nos quais muitas vezes se entra por portas discretas em vielas esquecidas, sem nenhuma placa grande. Basta seguir os grupinhos de moradores e não ter medo de abrir uma porta que parece a entrada de um depósito.

21. Bate-volta: Great Ocean Road e Twelve Apostles

Se você tem pelo menos um dia a mais, seria um desperdício enorme deixar de fora uma das estradas litorâneas mais bonitas do mundo, a Great Ocean Road. O trajeto se estende ao longo de falésias e praias selvagens por 240 quilômetros, sendo que o grande destaque são as torres de calcário emergindo do oceano, conhecidas como Doze Apóstolos (Twelve Apostles).

💡 Dica: Fazer esse trajeto em um dia a partir de Melbourne é uma correria terrível e você passa a maior parte do tempo dentro do carro. Muito melhor é pernoitar em algum lugar perto de Apollo Bay ou Port Campbell, para curtir o pôr do sol nas falésias na hora em que todos os ônibus de turismo já voltaram para a cidade. Sem carro alugado, você só chega até ali em tours organizados.

22. Bate-volta: Phillip Island e a parada dos pinguins

Outro passeio mundialmente popular é a ilha de Phillip Island, a cerca de duas horas de carro. Toda noite, depois do pôr do sol, acontece ali a famosa Penguin Parade, quando centenas de pequenos pinguins emergem do oceano e gingam pela areia até seus ninhos nas dunas. É um espetáculo extremamente fofo, que em 2026 você curte das arquibancadas básicas por 34 AUD (cerca de R$ 125).

Como se trata de uma atração turística enorme que protege a natureza, os ingressos costumam esgotar até várias semanas antes, então não deixe a reserva para a última hora. Aqui também vale a regra: sem carro próprio, você vai ter que contar com os serviços das agências de turismo locais.

23. Bate-volta: trem a vapor Puffing Billy e Dandenong Ranges

Ao contrário dos passeios anteriores, ao histórico trem a vapor Puffing Billy você chega do centro de forma facílima, por conta própria. Basta pegar o trem suburbano até a estação Belgrave, onde começa a linha de bitola estreita de 25 quilômetros que atravessa lindas florestas de samambaias e a serra de Dandenong Ranges.

A experiência é incrível, não só para famílias com crianças, porque os vagões históricos são puxados por uma locomotiva a vapor de verdade e o trem passa por icônicas pontes de madeira. Os preços e os horários exatos variam conforme o trecho de trilho que você escolher, então recomendo planejar tudo diretamente pelo site oficial deles.

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Onde comer em Melbourne

Melbourne é um paraíso gastronômico e o turismo de comida está entre os principais motivos pelos quais as pessoas voltam para cá. A oferta é tão ampla que você não vai saber o que provar primeiro, quer prefira uma carne caprichada, quer procure as melhores especialidades veganas.

A comida aqui simplesmente não é só uma necessidade, é um estilo de vida. Aqui estão duas coisas que você definitivamente não pode deixar de fora, se quer curtir a gastronomia local de cabo a rabo.

A cultura do brunch

Se em Melbourne alguma coisa é levada tão a sério quanto o café, é o café da manhã tardio de fim de semana. O brunch em Melbourne não é só comida, é um evento social, para o qual as pessoas gostam de se arrumar bem e não se importam de esperar meia hora por uma mesa. As porções costumam ser incrivelmente criativas, cheias de flores comestíveis, combinações incomuns de especiarias e ingredientes perfeitamente montados.

Os moradores juram por lugares badalados como o The Hardware Société, de pegada francesa, ou o deslumbrante Higher Ground, instalado no espaço de tirar o fôlego de uma antiga usina de energia. Uma ótima experiência é também o Operator25, uma cafeteria escondida no prédio da primeiríssima central telefônica de Melbourne. Por um brunch de respeito com café especial, você deixa aqui, em média, uns 25 a 30 AUD (cerca de R$ 90 a R$ 110).

Banquetes vegetarianos e veganos

Melbourne é um verdadeiro paraíso para todos que não comem carne, e a cena vegetariana e vegana aqui é de nível mundial. Se você procura um lugar incrivelmente barato e acolhedor no centro, vá até o Crossways, na Swanston Street, onde o movimento Hare Krishna serve um menu fixo diário por uma fração dos preços normais. É uma experiência supersimpática e você enche a barriga até não poder mais.

Outra instituição absoluta é o Vegie Bar, no bairro de Fitzroy, que funciona ali desde 1988 e oferece um lugar lindo para sentar num pátio interno verdinho. Mas se você anseia por uma experiência gastronômica de verdade, recomendo reservar uma mesa no restaurante vegano fine-dining Smith & Daughters, em Collingwood, comandado pela famosa chef Shannon Martinez, cujo interior tem um charme industrial incrível.

Para onde ir a partir de Melbourne

Se você já explorou o centro e os arredores mais próximos, o estado de Victoria oferece um monte de outras opções. Se você gosta de vinho e precisa descansar da metrópole, o Yarra Valley, a uma hora de carro, é exatamente a resposta: mais de 80 vinícolas, um Pinot Noir que vai te convencer e vistas de parreirais em vez de arranha-céus. Um ótimo relaxamento oferece a península de Mornington, com suas fontes termais naturais Peninsula Hot Springs, e se você quer ver coalas e cangurus, vá ao premiado zoológico Healesville Sanctuary.

Planeja combinar Melbourne com outras viagens pela Austrália ou pela Ásia? Leia também nossos outros guias e roteiros, que vão te ajudar no planejamento:

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Perguntas frequentes

Antes da viagem para o outro lado do mundo, com certeza passa pela sua cabeça um monte de perguntas práticas. A cidade até tem uma infraestrutura excelente, mas algumas particularidades locais podem te pegar de surpresa com facilidade.

Aqui reuni para você as respostas às dúvidas mais frequentes, que vão te ajudar a planejar uma viagem tranquila e a evitar multas desnecessárias ou mal-entendidos 😉.

Quantos dias eu preciso para conhecer Melbourne?

Para o próprio centro, experimentar cafés e explorar os mercados e laneways, você vai precisar tranquilamente de 3 a 4 dias. Durante esse tempo você consegue conhecer o principal sem precisar correr de atração em atração. Mas se você planeja fazer passeios de dia inteiro pela Great Ocean Road ou até Phillip Island, reserve com certeza de 5 a 7 dias. Assim você não fica em estresse constante e tem tempo de realmente aproveitar a atmosfera local.

Férias em Melbourne são caras?

A Austrália em geral não está entre os destinos baratos e Melbourne não é exceção. Por um café especial excelente você vai pagar cerca de 5,70 AUD (R$ 25), um almoço rápido mais em conta sai por volta de 25 AUD (R$ 110). Um jantar para dois em um restaurante legal vai tirar do orçamento cerca de 120 AUD (R$ 530). Lembre-se também que a hospedagem costuma ficar absurdamente mais cara durante grandes eventos esportivos, então fique de olho nas datas da sua viagem.

Qual é a melhor época para visitar?

O clima mais estável e temperaturas agradáveis vêm com o outono australiano, ou seja, março a maio, ou a primavera em outubro. Esses meses oferecem de longe o clima mais agradável para turismo urbano. Durante o verão (dezembro a fevereiro) até faz calor, mas existe o risco de ondas de calor extremas. O inverno (junho a agosto) é relativamente frio para os padrões australianos com temperaturas em torno de 14 °C, então exige várias camadas de roupa.

É melhor ir para Sydney ou para Melbourne?

Depende do que você espera da viagem. Sydney é de tirar o fôlego visualmente graças à Ópera e às praias e oferece as fotos absolutamente mais lindas para o álbum de férias. Melbourne por outro lado te conquista pelo estilo de vida, gastronomia, cultura de cafés e música ao vivo. É simplesmente uma cidade que precisa ser vivida mais do que apenas fotografada.

Como eu saio do aeroporto para o centro?

Do aeroporto internacional infelizmente não há nenhuma linha de trem. O melhor é usar os ônibus vermelhos SkyBus, que saem aproximadamente a cada 10 minutos direto para a estação Southern Cross no centro. A passagem só ida sai por cerca de 20 AUD e a viagem em si é muito confortável. A alternativa é claro é o táxi clássico ou serviços tipo Uber, o que faz sentido principalmente se você estiver viajando em um grupo maior.

O que é a Free Tram Zone e como funciona?

É uma zona especial no centro mais restrito (CBD) e no bairro moderno de Docklands. Dentro dessa área todos os bondes são completamente grátis e você não precisa passar nenhum cartão de pagamento. Mas tome muito cuidado, porque bairros populares como Fitzroy ou St Kilda já ficam fora dessa zona. Se você não pagar logo depois da fronteira dela, corre o risco de levar multas altas dos fiscais locais.

Melbourne é uma cidade segura?

Sim, Melbourne está há muito tempo entre as grandes cidades mais seguras do mundo inteiro. Durante o dia você pode explorar sem nenhuma preocupação todas as vielas e cantos escondidos. À noite vale a cautela normal de cidade grande, especialmente nos arredores da movimentada King Street cheia de baladas barulhentas. Como bônus enorme, a água da torneira é totalmente potável.

O que fazer em Melbourne com crianças?

Famílias com crianças vão aproveitar a cidade ao máximo. Uma experiência incrível é principalmente o passeio no trem a vapor histórico Puffing Billy ou a visita ao gigante complexo interativo Melbourne Museum. Você definitivamente não pode deixar de fazer o passeio noturno para ver os pinguins pequeninos em Phillip Island ou na litorânea St Kilda. O histórico Luna Park com o grande rosto assustador na entrada é aposta certeira para crianças um pouco maiores.

O que é o café “magic”?

É uma invenção de café puramente melbourniana e meio que um pedido secreto dos apreciadores locais. Simplificando, é um ristretto duplo coberto com cerca de 120 a 150 ml de leite quente. Graças a esse processo a bebida fica menor no geral e muito mais intensa em café do que o flat white clássico. Muitas vezes você nem encontra no cardápio, mas em cada cafeteria boa eles sabem exatamente como preparar direito.

O Melbourne Skydeck vale a visita?

Se você ama ver arranha-céus e a baía de uma altura enorme, com certeza a vista de tirar o fôlego de 285 metros vai te encantar. É uma ótima forma de logo de cara ter noção do tamanho da cidade inteira. Mas é bom saber de antemão que o popular cubo de vidro de adrenalina The Edge não está incluído no preço básico do ingresso. Você paga por ele um dinheiro a mais considerável, então pense bem.

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