Quando se fala em jardins e parques em Praga, logo me lembro da época em que estudava no Gymnázium de Malá Strana e, nos intervalos do almoço, saíamos para passear pelos jardins do entorno. Para mim, Praga nunca foi apenas uma cidade de pedra, torres góticas e ruas de paralelepípedos. Era uma rede labiríntica de pátios escondidos, jardins em terraços e grandes reservas florestais que formavam o pano de fundo natural da minha adolescência e dos anos de faculdade.
Quando mais tarde fiz um curso de fotojornalismo na Universidade Carolina, passei horas esperando pela luz perfeita nos recantos abandonados dos jardins barrocos. Com uma câmera pesada pendurada no pescoço, eu documentava como as sombras mudavam nas paredes descascadas e como a natureza selvagem invadia as sebes aparadas com precisão. Foi nessa época que conheci essas oásis verdes de uma perspectiva completamente diferente — não como lugares para um descanso rápido, mas como obras arquitetônicas únicas, com suas próprias regras e ritmos.
Hoje voltamos a Praga com meu marido Lukáš todos os anos e descobrimos a cidade de novo, desta vez no ritmo ditado pelo nosso filho Jonáš, de dois anos. Percebi que os jardins românticos em terraços com dezenas de escadas, que eu tanto amava antes, são um pesadelo total com carrinho de bebê. Meu olhar sobre o verde de Praga mudou radicalmente. Passei a valorizar caminhos largos e asfaltados, entradas acessíveis e lugares sombreados sob árvores frondosas, onde dá para estender uma manta de piquenique com lanches vegetarianos.
Os parques de Praga estão em permanente transformação. Alguns passam por revitalizações cuidadosas, outros mantêm sua aparência ligeiramente descuidada e melancólica, que conheço desde o ensino médio. Atualizo este texto todo ano e a última versão reflete o estado em abril de 2026. Seja você alguém que busca a vista perfeita sobre os telhados vermelhos, um lugar tranquilo para ler um livro ou um espaço onde as crianças possam correr com segurança, tenho aqui uma lista dos meus lugares favoritos, que os guias feitos de longe costumam ignorar.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo completo
- A maioria dos jardins históricos palacianos (incluindo o Vrtba e os jardins abaixo do Castelo de Praga) abre somente na temporada de verão, tipicamente de 1º de abril a 31 de outubro.
- Para famílias com carrinho de bebê, a Stromovka é a campeã absoluta. Você encontra lá quilômetros de caminhos lisos, parquinhos modernos e bastante sombra. Os jardins barrocos em terraços de Malá Strana são melhor evitados com carrinho.
- O Jardim Vrtba oferece, na minha opinião, a vista mais fotogênica de toda Praga sobre o Castelo e a Igreja de São Nicolau — e ainda sem as centenas de pessoas que se acotovelam nos mirantes mais famosos.
- A entrada no Jardim Valdštejn é gratuita. Você pode admirar a monumental sala terrena e os pavões que circulam livremente, mas fique atento ao horário de funcionamento, que segue as sessões do Senado.
- Se quiser vivenciar a natureza selvagem dentro dos limites da cidade, vá de bonde até a Divoká Šárka. Rochas, florestas e uma piscina natural vão fazer você esquecer que está em uma metrópole.
- Os melhores pores do sol com vista para Hradčany acontecem nos Jardins Rieger, no bairro de Vinohrady. É o lugar onde os moradores locais se reúnem ao entardecer com uma garrafa de vinho e uma manta.
- O Parque Vojanova é uma oásis escondida a poucos passos da movimentada estação de metrô Malostranská. Silêncio, bancos sob árvores frutíferas e uma tranquilidade que raramente se encontra no centro.
- Nos Jardins Havlíček (Grébovka) você pode passear por um vinhedo de verdade e admirar a gruta artificial, que passou recentemente por uma bela restauração.
Quando visitar os jardins e parques em Praga
O verde de Praga vive de acordo com um calendário próprio, que divide o ano em duas metades. Enquanto os grandes parques urbanos são acessíveis o ano todo e mudam apenas sua paleta de cores, os jardins barrocos históricos hibernam no inverno e seus portões pesados de ferro forjado ficam trancados.
Primavera e verão: Praga em plena flor
A primavera é absolutamente especial em Praga. Abril e maio tingem as encostas do Petřín de rosa e branco, o ar é perfumado e a cidade desperta do cinza do inverno. É o período ideal para visitar os jardins, porque as temperaturas ainda não chegam aos extremos do verão e a grama está verde e fresca. Tente acordar cedo e chegar aos jardins logo na abertura, por volta das nove da manhã. Você terá o orvalho na grama e os bancos todos para você.
Com a chegada de junho a agosto, as ruas esquentam e a sombra das árvores frondosas vira bem escassa. No calor do verão, o centro histórico superaquece, então correr para a Stromovka ou para as plátanos da Kampa é questão de sobrevivência. Prepare-se para que nos fins de semana de verão os parques fiquem lotados, com grupos de estudantes espalhados em mantas e as lanchonetes ao ar livre a todo vapor.
Outono e inverno: Melancolia e tranquilidade
Setembro e outubro são, pessoalmente, os meus meses favoritos para longas caminhadas. A luz dourada do verão de São Martinho cai suavemente sobre as fachadas dos palácios e as árvores da Letná e dos Jardins Rieger exibem todos os tons de amarelo e vermelho. As temperaturas são agradáveis e o fluxo de turistas diminui um pouco. Mas não se esqueça de que, com o fim de outubro, a maioria dos jardins palacianos fecha impiedosamente as suas portas.

De novembro a março, a escolha se limita aos parques de acesso livre. O inverno revela o rosto cru da cidade; as árvores sem folhas abrem novas perspectivas sobre a arquitetura, que ficam escondidas o resto do ano. Se cair neve, o Petřín e a Stromovka se transformam em um reino de inverno de conto de fadas, para onde os moradores de Praga correm com suas radinhas e trenós. É uma época para os introspectivos, que apreciam a melancolia silenciosa de uma cidade congelada.
Onde se hospedar
Quando voltamos com Lukáš a Praga pela última vez, ficamos bastante tempo decidindo onde ficar. Com o pequeno Jonáš, já não dá para dormir em hostels barulhentos acima de bares, como nos tempos de estudante. Precisávamos de tranquilidade, espaço e a possibilidade de preparar o nosso próprio café da manhã. Escolhemos o The Julius Hotel na Praça Senovážné e foi uma escolha certeira.
Ficamos na suite de um quarto deles, o que significava um quarto separado e uma cozinha completa. Para nós, como pais de uma criança de dois anos, foi um salvador absoluto — conseguíamos esquentar o leite ou preparar um jantar rápido quando ele já estava cansado demais para restaurante. Além disso, como vegetariana, adorei os cafés da manhã deles, que não se limitavam aos ovos e queijo de sempre, mas tinham uma ótima seleção de alternativas vegetais. O hotel fica a poucos minutos a pé da Estação Central e da Praça Václav, então não precisamos fazer manobras complicadas no transporte público com carrinho. Se você busca uma hospedagem inteligente com design impecável, confira os preços do The Julius Hotel no Booking.com.
Jardins barrocos e palacianos (Onde o tempo parou)
Malá Strana e Hradčany escondem atrás de suas altas muros o melhor que Praga tem a oferecer e, toda vez que entro em um desses jardins, tenho a sensação de ter invadido uma propriedade privada. O que é historicamente bastante preciso: esses espaços não foram criados para o público, mas como uma demonstração ostensiva do poder das famílias nobres. Hoje, (geralmente mediante ingresso) são acessíveis a todos nós, e eu aproveito isso todos os anos. Lembre-se apenas de que a temporada vai de abril a outubro.
Jardim Vrtba

Este jardim barroco em cascata, escondido num pátio discreto na Rua Karmelitská, é o meu favorito pessoal. Quando passei uma tarde aqui durante o curso de fotojornalismo, fiquei fascinada pela forma como o arquiteto František Maxmilián Kaňka aproveitou magistralmente a encosta íngreme do Petřín. O jardim é escalonado em terraços que sobem acentuadamente, e cada nível é decorado com esculturas originais de Matyáš Bernard Braun. Do terraço mais alto se abre uma vista sobre os telhados de telha vermelha de Malá Strana e a majestosa cúpula da Igreja de São Nicolau.
Consulte o site oficial do Jardim Vrtba para informações atualizadas; o ingresso para adultos na temporada de 2026 custa cerca de 5 €. Aberto diariamente das 10h às 18h (até as 19h nos meses de verão). Você chega de bonde (linhas 12, 15, 20 ou 22) na parada Malostranské náměstí ou Hellichova. Com carrinho de bebê, nem pense em vir aqui — as escadarias são estreitas e íngremes.
💡 Dica local: As melhores fotos aqui são tiradas cerca de uma hora antes do fechamento, quando o sol se põe atrás do Petřín e lança sombras longas e suaves sobre as esculturas de arenito. Nesse horário, costuma ter bem menos gente também.
Jardim Valdštejn

Parte do complexo do Senado do Parlamento Tcheco, este jardim é uma enorme surpresa para quem entra pela primeira vez. Albrecht von Wallenstein queria que seu palácio e jardim eclipsassem o próprio Castelo de Praga — e quando você está diante da monumental loggia (sala terrena), é preciso admitir que ele quase conseguiu. O jardim está cheio de estátuas de bronze (cópias das obras de Adriaen de Vries), sebes aparadas geometricamente e um grande espelho d’água com carpas. Pavões circulam livremente pelo espaço, incluindo exemplares brancos raros que são capazes de fazer um barulho considerável.
A entrada no complexo (confira também as páginas do Senado Tcheco para eventos especiais) é completamente gratuita. O jardim abre de abril a outubro (nos dias úteis a partir das 7h30, nos fins de semana a partir das 10h, com horário estendido até as 19h no verão) e fica bem ao lado da estação de metrô e bonde Malostranská. Os caminhos são de areia fina e perfeitamente transitáveis com carrinhos de bebê ou cadeiras de rodas.
💡 Dica local: Pare na parede artificial de estalactites na parte sul do jardim. Se você olhar com atenção e deixar a imaginação trabalhar, vai encontrar na estrutura das estalactites rostos escondidos de animais e criaturas estranhas, que os construtores do século XVII intencionalmente incorporaram ali.
Jardim Real do Castelo de Praga
Esta oásis renascentista na borda norte do Castelo de Praga foi originalmente fundada por Fernando I para o cultivo de plantas exóticas e a criação de animais raros. Hoje é um espaço amplo e bem cuidado, dominado pelo Palacete da Rainha Ana (Belvedere) e pela famosa Fonte Cantante. As gotas que caem sobre a taça de bronze criam um som semelhante a um sino tocando ao longe. Para mim, é um lugar associado ao nosso primeiro encontro com Lukáš — foi exatamente aqui que passeamos antes de descer para Malá Strana.

A entrada é gratuita, mas você precisa passar pelos detectores de segurança nas entradas do Castelo (a mais rápida costuma ser pela parada de bonde Královský letohrádek). Aberto de abril ao final de outubro, das 10h às 18h. Se quiser explorar o Castelo e seus jardins em profundidade com explicações especializadas, recomendo reservar um tour pelo GetYourGuide.
💡 Dica local: A maioria dos turistas entra no Castelo pela Praça Hradčanské. Se você pegar o bonde 22 até a parada Královský letohrádek e começar a visita justamente pelo Jardim Real, vai evitar as piores filas matinais no controle de segurança.
Jardins Palacianos abaixo do Castelo de Praga
Este é, na verdade, um complexo de cinco jardins históricos interligados (Ledeburský, Malá e Velká Pálffyovská, Kolovratská e Malá Fürstenberská), que sobem pela encosta sul abaixo do Castelo. A arquitetura em terraços, cheia de escadarias, balaustradas, coretos e rosas trepadeiras, cria um dos espaços barrocos mais complexos da Europa. As vistas daqui são fenomenais — você vê toda Malá Strana como se estivesse olhando de cima.
O ingresso para o complexo completo custa em torno de 6 €. O acesso é pela Praça Valdštejnské (Rua Valdštejnská). Aberto de abril a outubro, diariamente das 10h às 18h. Esqueça completamente a visita com carrinho ou se você tiver problemas nos joelhos — o número de degraus que você precisa subir chega às centenas e o terreno é fisicamente muito exigente.
💡 Dica local: No terraço mais alto do Jardim Ledeburský há um pequeno coreto, frequentemente deserto. É um lugar absolutamente perfeito e silencioso para ler um livro com vista, onde ninguém vai te incomodar, porque poucos chegam até o topo.
Parque Vojanova
O jardim parcialmente preservado mais antigo de Praga fica, paradoxalmente, a apenas algumas dezenas de metros do movimentado cruzamento de Klárov, mas muita gente sequer sabe que existe. Originalmente pertenceu a um convento de carmelitas; hoje é um parque público cheio de velhas árvores frutíferas, sob as quais florescem na primavera tapetes de campainhas-de-inverno e narcisos. É um mundo fechado e tranquilo, onde pavões circulam livremente e moradores locais se sentam nos bancos com um café vindo dos bistrôs da redondeza.
A entrada é gratuita e o parque fica na rua U Lužického semináře. Aberto o ano todo (no inverno das 8h às 16h, no verão até as 19h) e com caminhos tão planos e largos que você não vai ter nenhum problema com carrinho de bebê. Para as crianças, há espaço de sobra para correr na grama.
💡 Dica local: No outono, quando as maçãs e peras das velhas árvores amadurecem, a fruta cai livremente na grama. Os moradores vêm com sacolas de pano recolher os frutos caídos para fazer strudel — é uma tradição silenciosa de Malá Strana que ninguém proíbe oficialmente.
Grandes parques urbanos em Praga (Onde vive a cidade inteira)
Enquanto os jardins barrocos são mais como museus ao ar livre, os grandes parques representam os pulmões verdadeiros da cidade. Abertos 24 horas por dia, 7 dias por semana. É aqui que os praguenses correm, passeiam com os cachorros, jogam frisbee, bebem cerveja no copo e passam os fins de semana.
Parque Petřín e Jardim das Rosas
Quando se fala em Petřín, a maioria das pessoas pensa no funicular e na miniatura da Torre Eiffel. Para mim, é o morro para onde a gente faltava aula no colégio. Os extensos jardins cobrem todo o morro e oferecem incontáveis trilhas sinuosas. Merece atenção especial o Jardim das Rosas no topo, onde mais de dez mil roseiras estão em flor, e a Květnice, um pequeno jardim fechado com plantas perenes que tem um clima quase rural.

A entrada nos jardins é gratuita; cobra-se apenas pela torre mirador ou pelo labirinto de espelhos. O funicular do Petřín faz parte do sistema de transporte público de Praga, então qualquer bilhete válido serve (mais informações no site do Prague City Tourism). Para famílias com crianças, recomendo subir de funicular e descer a pé pelos caminhos asfaltados, que dá para descer com carrinho sem problemas, embora em alguns trechos você precise frear bem na descida mais íngreme.
💡 Dica local: Esqueça o caminho asfaltado principal do funicular à torre mirador. Vá para o Jardim Lobkovická na encosta leste do Petřín. Há bem menos gente lá, pomares antigos e uma vista incrível para Hradčany através dos galhos das árvores.
Stromovka (Reserva Real)

Este é, indiscutivelmente, o rei dos parques de Praga e meu favorito atual. Desde que temos o Jonáš, somos habitués daqui. A Stromovka fica em Holešovice e é um espaço enorme e plano com lagos, caminhos asfaltados largos e velhos carvalhos. A antiga reserva de caça dos reis tchecos funciona hoje como ponto de encontro central para corredores, patinadores in-line e pais com carrinhos. A revitalização recente trouxe novos deques à beira dos lagos e banheiros públicos limpos.
A entrada é gratuita o ano todo. O melhor acesso é pelo Výstaviště Holešovice (bondes 6, 12, 17). O parque é totalmente acessível. Nossa parada favorita é no restaurante Vozovna, que tem um ótimo parquinho infantil, ou nos lagos, onde as crianças alimentam os patos. Como vegetariana, sempre encontro por aqui algum food truck com opção sem carne.
💡 Dica local: Na parte de trás da Stromovka, em direção à Ilha Imperial, há um parquinho infantil popular chamado Kaštánek. É cercado por grades e sombreado por árvores enormes, então mesmo no verão mais quente é suportável por lá e as crianças não ficam assadas ao sol.
Jardins Rieger
Os “Riegráče” em Vinohrady são sinônimo das noites de verão em Praga. O parque fica numa suave encosta e sua principal atração é uma enorme área gramada com vista para o panorama do Castelo de Praga. Os pores do sol são tão populares aqui que, nos meses mais quentes, centenas de pessoas se sentam com mantas de piquenique, violões e garrafas de vinho. É um lugar descontraído, ligeiramente boêmio, onde se misturam expatriados, estudantes e famílias com crianças.
O parque é acessível gratuitamente 24h por dia, 7 dias por semana. A parada mais próxima é a estação de metrô e bonde Jiřího z Poděbrad. Dentro do parque há um enorme beer garden ao ar livre, onde servem cerveja em copo e em caneca, e onde dá para encontrar petiscos típicos de boteco, incluindo queijo para os vegetarianos. Com carrinho você se vira bem, embora algumas trilhas laterais sejam de cascalho mais grosso.
💡 Dica local: Se quiser ver aquele pôr do sol famoso da área gramada principal, chegue no verão pelo menos uma hora antes. Os melhores lugares com vista direta para o Castelo já costumam estar ocupados por volta das 19h.
Parque Letná
A faixa verde que se estende pela borda da colina da Letná, acima do Rio Moldau, oferece as vistas mais famosas das pontes de Praga. Na década de 1990, após a queda do comunismo, no lugar do antigo monumento a Stalin surgiu um enorme Metrônomo, ao redor do qual hoje se reúne a comunidade de skatistas. A Letná é dividida em duas partes: as amplas planícies ideais para esporte e passeio com cachorros, e os caminhos que acompanham a beira do despenhadeiro sobre o rio, de onde as vistas são fantásticas.

A entrada é livre; você chega de bonde nas paradas Sparta ou Letenské náměstí. Assim como nos Jardins Rieger, na Letná também funciona a lendária cervejaria ao ar livre do Letenský zámeček. Uma vez, Lukáš e eu passamos uma tarde inteira lá, sob castanheiras frondosas, com vista para a Cidade Velha e uma cerveja gelada. Um daqueles momentos em que você pensa: é por isso que Praga nunca deixa de ser incrível.

💡 Dica local: Não fique só no mirante principal perto do Pavilhão Hanavský, onde as multidões se acotovelam com câmeras. Caminhe cerca de 300 metros para leste, ao longo da beira do morro, até uma muretinha menor e menos chamativa. A vista sobre a curva do Rio Moldau de lá é mais limpa e você não vai precisar disputar espaço com ninguém.
Ilha Kampa
A Kampa não é exatamente um parque clássico, mas uma vasta área gramada em uma ilha separada de Malá Strana por um canal artificial chamado Čertovka. Fica bem abaixo da Ponte Carlos, então os turistas são inevitáveis, mas mesmo assim o lugar mantém um enorme charme. O grande gramado é ladeado por plátanos e, de um lado, pelo Rio Moldau, pelo qual passam barcos turísticos.

O acesso é gratuito o ano todo — basta descer as escadas da Ponte Carlos ou chegar pela Rua Újezd. É o lugar ideal para uma pausa rápida durante uma tarde intensa explorando o centro. Você também encontra aqui o Museu Kampa, dedicado à arte moderna, na frente do qual circulam pela grama os famosos bebês de bronze de David Černý.
💡 Dica local: Na ponta sul da Kampa, perto dos Moinhos Sovovy, há uma estreita faixa de margem de rio onde você consegue descer até a água. É um ótimo lugar onde as crianças adoram jogar pedrinhas no Moldau e onde dá para alimentar os cisnes bem longe da maior agitação.
Recantos verdes escondidos (Para fugir das multidões)
Se você sente que o centro de Praga está se transformando em um grande cenário turístico, basta andar algumas paradas de bonde. Existem parques e jardins que preservaram seu caráter local e onde você vai encontrar mais vizinhos passeando com cachorros do que grupos com guia turístico.
Jardins Havlíček (Grébovka)
Este extenso parque na fronteira entre Vinohrady e Vršovice tem inspiração italiana renascentista e, na minha primeira visita, confesso que fiquei de queixo caído — não esperava tanta pompa em Vršovice. Foi construído pelo industrial Moritz Gröbe e até hoje é dominado pela majestosa Villa Gröbe. O grande atrativo, porém, é o vinhedo histórico em pleno funcionamento na encosta sul, onde se cultiva uva, e o pavilhão de madeira Viniční altán, onde você pode tomar uma taça do vinho local.
A entrada é gratuita e o parque abre diariamente, mas fecha à noite (das 6h às 22h, no inverno até as 20h). O melhor transporte é de bonde até a parada Krymská ou Nádraží Vršovice. O parque tem um desnível considerável, então com carrinho você vai suar um pouco subindo, mas os caminhos asfaltados são de boa qualidade.
💡 Dica local: Não perca a gruta artificial na parte superior do parque. Após a reforma, está acessível ao público e você pode explorar suas galerias e escadarias de pedra. É uma experiência totalmente surreal, algo que você nunca esperaria encontrar em Praga.
Jardim Kinský
O Jardim Kinský se conecta suavemente com os jardins do Petřín pelo lado sul, pelo bairro de Smíchov, mas tem uma atmosfera completamente diferente. É mais selvagem, mais íngreme e muito menos visitado. As trilhas florestais serpenteiam por entre rochas de arenito, cachoeiras artificiais e pequenos lagos. No meio da encosta fica o palacete Kinský, onde hoje tem um museu etnográfico, e um pouco acima uma igrejinha de madeira ucarpática dedicada a São Miguel (que infelizmente pegou fogo há alguns anos e aguarda restauração).
A entrada é gratuita e o acesso é livre o tempo todo. A forma mais fácil de chegar é pela Praça Kinských (parada de bonde Švandovo divadlo ou Újezd). O terreno é realmente íngreme, então para famílias com crianças pequenas ou carrinhos é mais um treino físico do que um passeio relaxante.
💡 Dica local: Se quiser evitar a subida íngreme, pegue o ônibus 176 até a parada Stadion Strahov e entre no Jardim Kinský pelo topo. Você vai descer confortavelmente e vai aproveitar belas vistas para Smíchov.
Divoká Šárka
Quando Lukáš e eu precisamos desligar completamente e esquecer que vivemos em uma cidade de um milhão de habitantes, vamos para a Divoká Šárka. Esta enorme reserva natural no noroeste de Praga oferece um vale profundo espremido entre penhascos íngremes, florestas densas e o sinuoso Riacho Šárecký. É o lugar ideal para um passeio de dia inteiro, trilhas mais longas e, no verão, também para nadar.

A entrada na reserva é livre. O melhor ponto de partida é o terminal dos bondes 20 e 26, parada Divoká Šárka. O caminho asfaltado principal pelo vale é perfeito para carrinhos e bicicletas de equilíbrio, mas assim que você entrar nas trilhas florestais que levam aos mirantes nas rochas, prepare-se para um terreno desafiador, com raízes e pedras.
💡 Dica local: No coração do vale você encontra a piscina de verão U Veselíka. É abastecida com água de nascente, então mesmo nos dias mais quentes de agosto a temperatura da água vai te refrescar com eficiência (alguns diriam que é uma banheira de gelo). E ainda fazem um langos delicioso por lá.
Jardim Franciscano
Este é um pequeno milagre bem no coração comercial de Praga. Entre a Praça Václav e a Praça Jungmann, escondido no interior de um quarteirão, fica o jardim do antigo convento franciscano. Na hora do almoço, os bancos se enchem de funcionários de escritório que trazem seus marmiteiros, e pelo resto do dia os turistas que ficaram com os pés pesados de tanto caminhar vêm descansar aqui. O jardim é famoso pelas suas canteiros de ervas aromáticas e pelas lindas arcadas cobertas de rosas.

O jardim fecha à noite, mas durante o dia (geralmente das 8h às 19h) a entrada é gratuita. Você pode entrar pela galeria Světozor, pela Praça Jungmann ou pela Praça Václav através da galeria Alfa. É plano por aqui, então carrinhos e cadeiras de rodas não têm nenhum problema. Na parte superior há um playground infantil cercado.
💡 Dica local: Antes de ir se sentar no banco, pare na galeria Světozor na lendária gelateria Ovocný Světozor. Pegue um sorvete de morango e banana para levar ao jardim. É um ritual que praticamente todo praguense segue.
Jardins do Sul do Castelo de Praga e Fosso dos Cervos
Os arredores do Castelo de Praga não se resumem ao Jardim Real. Os Jardins do Sul (Rajská, Na Valech e Hartigovská) se estendem em uma estreita faixa ao longo da fachada sul do Castelo e oferecem as vistas mais icônicas sobre os telhados de Malá Strana. Sua aparência atual deve muito ao arquiteto esloveno Josip Plečnik, cujo senso de detalhe e trabalho com pedra você vai ver a cada passo. No lado oposto, ao norte do Castelo, fica o Fosso dos Cervos, uma ravina profunda que antes servia como vala de defesa e local de criação de animais.


A entrada nos Jardins do Sul e no Fosso dos Cervos é gratuita (após passar pelo controle de segurança do Castelo). Só abrem na temporada de verão, de abril a outubro. O Fosso dos Cervos passou recentemente por uma revitalização e passear por ele é tranquilo e sombreado, ideal para os dias quentes. A descida até o fosso tem um caminho bastante íngreme, então com carrinho vai precisar de um pouco de força.
💡 Dica local: No Fosso dos Cervos, não perca o túnel sob a Ponte da Pólvora, projetado justamente por Josip Plečnik. É um lugar sombrio, revestido de tijolos, com uma acústica incrível, que tem algo de quase místico.
Onde comer depois do passeio
Depois de uma tarde inteira caminhando ao ar livre, cedo ou tarde o estômago dá o sinal. Com o Jonáš, já nos acostumamos a ter sempre um lanchinho à mão, mas quando Lukáš e eu queremos um almoço de verdade ou um café, temos alguns lugares favoritos perto dos nossos parques preferidos.
Restaurantes estéreis não são a nossa praia, então geralmente procuramos lugares com um clima mais comunitário e uma atmosfera incrível. Além disso, como vegetariana, sempre fico feliz quando o cardápio tem mais do que apenas queijo empanado.
Meus bistrôs e cafés favoritos
Perto da Stromovka, somos fãs do bistrô Salt’n’Pepa, onde fazem hambúrgueres vegetarianos e batatas fritas fantásticos. O lugar é pequenininho, mas incrivelmente acolhedor. Se você estiver por volta dos Jardins Rieger em Vinohrady, experimente o Kavárna Mezi Srnky. Eles têm brunches deliciosos, café imbatível e é um lugar onde Lukáš e eu adoramos sentar para tomar um ovo estrelado antes de sair para o parque.
E quando descemos da Letná em direção à Praça Strossmayerovo, nossa escolha certa é o Bistro Cobra. Durante o dia servem almoços excelentes, à noite vira um bar agradável. Esses lugares têm a energia descontraída certa e, com nosso filhote, sempre nos sentimos bem-vindos.
Informações práticas e dicas para a visita
Algumas coisas que eu gostaria que alguém tivesse me dito na minha primeira visita. Teria me poupado uma tarde desperdiçada na frente de um portão fechado.
- Transporte público: Praga tem um dos melhores sistemas de transporte público da Europa. A maioria dos jardins é alcançável de bonde. Se você planeja se deslocar bastante, compensa o bilhete de 24 horas, que custa cerca de 6 €. Os bilhetes simples de 30 minutos custam em torno de 1,20 € e podem ser comprados sem dinheiro nos terminais amarelos dentro dos próprios bondes e ônibus. Para brasileiros, recomendamos usar um cartão SIM internacional ou eSIM — a Holafly ou a Yesim são boas opções de eSIM para ficar conectado durante toda a viagem.
- Temporada de abertura: Grave a data mágica de 1º de abril. É quando a grande maioria dos jardins palacianos e do Castelo abre as portas. Fecham normalmente em 31 de outubro. Parques municipais como a Stromovka ou a Letná não têm nenhuma restrição de horário.
- Piqueniques e bebidas: Nos grandes parques públicos (Stromovka, Jardins Rieger, Letná), fazer piquenique na grama é permitido e comum. O consumo de álcool em público é proibido por lei em muitos locais de Praga, mas nos parques durante piqueniques é tolerado informalmente, desde que não se faça barulho nem sujeira. Nos jardins barrocos históricos, piqueniques e sentar na grama são estritamente proibidos.
- Cachorros: Nos grandes parques os cães são bem-vindos, e muitas vezes há áreas reservadas para que corram livremente. Nos jardins históricos (Vrtba, Valdštejn, jardins do Castelo de Praga) a entrada com animais é estritamente proibida.
Continue explorando
Se você já explorou bem o verde de Praga e quer se aventurar em outras descobertas pela cidade, preparei mais guias e artigos detalhados para você:
- O que ver em Praga: mais de 100 dicas de pontos turísticos, cafés e restaurantes
- Castelo de Praga: Guia completo para visitar sem estresse
- Torre Mirador do Petřín: Como chegar e o que não perder
- O que fazer com uma criança pequena em Praga: dicas testadas para pais
Perguntas frequentes
Quais jardins em Praga são gratuitos?
Dos jardins históricos, os mais importantes são o Valdštejnská zahrada, o Královská zahrada e os Jižní zahrady Pražského hradu. Completamente gratuitos são, é claro, todos os grandes parques urbanos como Stromovka, Petřín, Letná ou Riegrovy sady.
Onde ficam as melhores vistas de Praga?
Se você quer a vista clássica das pontes, vá para o Letenské sady. Para a vista do mar de telhados vermelhos de Malá Strana, o Vrtbovská zahrada ou os Palácové zahrady pod Pražským hradem são imbatíveis.
Os jardins de Praga ficam abertos no inverno?
Os grandes parques (Stromovka, Petřín, Grébovka) ficam abertos o ano todo. Os jardins barrocos e palacianos (Vrtbovská, Valdštejnská, jardins do Castelo) ficam fechados de novembro até o final de março.
Em quais parques posso ir com carrinho de bebê?
Os melhores são absolutamente Stromovka, Letenské sady e Vojanovy sady, onde os caminhos são largos e planos. Evite o Vrtbovská zahrada, os Palácové zahrady pod Hradem e as partes íngremes do Kinského zahrada.
Onde posso fazer um piquenique em Praga?
Os lugares mais populares para piquenique são Stromovka, Riegrovy sady, Letenské sady e a ilha Kampa. Nos jardins barrocos históricos é proibido sentar no gramado.
Onde encontro banheiros nos parques?
Nos grandes parques como Stromovka ou Riegrovy sady há banheiros públicos (geralmente por uma pequena taxa de cerca de 0,40-0,80 EUR, às vezes aceitam cartão). Nos jardins históricos com entrada paga (Vrtbovská) os banheiros fazem parte do complexo e são gratuitos.
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